O Oitavo Selo
Sétimo Selo: Cérebro
SÉTIMO SELO
CÉREBRO
No ano seguinte, nenhum horror aconteceu. Nem no outro, nem nos que se seguiram . Quatro anos virgens, intocados, quatro anos em que o hom em pareceu viver em m eio a um a felicidade quase patológica, de tão forte. E aquela calm aria com eçou a inquietar a m ulher. Sabia que, para não ser surpreendida, devia continuar alerta, os sensores abertos, captando todos os sintom as, todos os sinais, m esm o os m ais secretos. Precisava ter o controle, ou pelo m enos tentar.
Era com o nos aviões. Ela não gostava de se saber entregue, sem nenhum poder de decisão. Era isso, e não a claustrofobia, o que lhe dava m edo ao voar. Assim , sentava-se na j anela, observava tudo, todos os gestos, os olhares das com issárias, os ruídos do m otor, o céu lá fora. Queria ter a ilusão do controle. Detestava os voos internacionais diurnos, em que era obrigada a baixar as persianas das j anelas. Se algum a coisa saísse errada lá fora, ela não saberia. Era ilógico, claro, m as era com o precisava ser.
E agora essa felicidade, esse não acontecer: nenhum susto, nenhum a doença. Quatro anos. Talvez os terrores secretos se acum ulassem em algum ponto do universo, para atacar de um a só vez. E ela não sabia com o fazer para se precaver. Devia então estar alerta, pelo m enos isso. Prestar atenção em tudo. Não relaxar nunca. A felicidade era dele, não dela. A ela, cabia o serviço suj o – vigiar o lobo.
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Abriu os olhos. No m esm o segundo, estava com pletam ente desperta. E, j unto com a inteireza dessa lucidez, veio a sensação de m orte. Um a pressão no peito, um a dor, o ar que faltava. Já conhecia isso, não ia m orrer, não acreditava que fosse m orrer. Ou ia?
Talvez fosse real, desta vez. Talvez agora não houvesse engano, nem síndrom e do pânico, nem pavor. Sentou-se na cam a, abriu bem os olhos. Se era verdade, queria encarar a m orte de frente. A pressão continuava. Abriu a gaveta da m esinha de cabeceira, tirou a caixa de rem édio. Tentava não tom ar todas as noites, m as às vezes não havia com o evitar.
Pensou, com raiva, na m ulher que vira de tarde, em um a galeria. Reparara bem nela: a cabeça raspada, a cor acinzentada de quem está fazendo quim ioterapia. Aquela m ulher tinha câncer, não havia dúvida. E, no entanto, ali estava ela, diante do quiosque de chocolates, feliz da vida, conversando e saboreando um a torta com cobertura. Ela não tinha medo. Sabia viver com a possibilidade da própria finitude, da própria aniquilação. Não estava paralisada, trancada em um quarto escuro, gem endo de horror – com o ela própria estava agora.
Detestava sentir m edo. Vinha se sentindo assim nos últim os m eses, e à noite era sem pre pior. À noite, despertava trem endo, suando frio, com o coração am eaçando saltar do peito. Mas, ao pensar nos aviões, achou que talvez estivesse com eçando a com preender. Porque, à noite, ela dorm ia. E, quando estam os adorm ecidos – não tem os o controle.
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É à noite que eles agem , quase sem pre. Pode ser de dia tam bém , m as desde que as pessoas estej am dorm indo. Se elas adorm ecem , m esm o que por apenas alguns segundos – não im porta –, eles tom am conta. Apossam -se do corpo. Quando a pessoa acorda, não é m ais ela m esm a. É um alienígena. Vampiros de almas.
Invasion of the Body Snatchers – era com o se cham ava o film e em inglês. O hom em sabia a ficha técnica de cor: film e de 1956, direção de Don Siegel. Kevin McCarthy fazia o papel principal, do m édico, que se cham ava dr. Miles. Era um clássico da ficção científica. Pena que j á estava quase acabando.
Tinham ligado o canal de film es por acaso, só para passar o tem po, enquanto o hom em acertava o velho carrilhão que pertencera a seu pai, e que ficava na salinha de televisão. Eram quase sete da noite, dom ingo de Carnaval, os blocos estavam nas ruas. A m ulher tinha pensado em dorm ir um pouco, para, à noite, assistir ao desfile das escolas de sam ba na televisão. Mas, ao ver o film e que estava passando, os dois decidiram se sentar no sofá para ver até o fim .
Escondidos na caverna, o m édico, dr. Miles, e a m ulher que o acom panhava tentavam escapar. Estavam exaustos, m as sabiam que não podiam adorm ecer. Um a pequena distração, um cochilo – e eles entravam .
Eles cochilo. Pequena entravam . Estranho. As palavras pareciam distração. Ochilo. Travam . Em eles. Dentro. Eles estavam dentro.
Veio a cena final. O film e acabou. No fim , dá tudo errado. Os alienígenas vão vencer. Dr. Miles sai correndo pelas estradas, gesticulando para os carros que passam , tentando avisar – m as ninguém presta atenção. Nem a aj uda da polícia vai adiantar. A m ulher desligou a televisão e olhou para o hom em , que estivera calado nos últim os m inutos. Ele olhou de volta. Parecia surpreso.
Eu não estou conseguindo falar direito – ele disse.
O quê?? – a voz da m ulher saiu um a oitava acim a do que ela pretendia.
As palavras estão sentadas.
…
Viu? Eu queria dizer trocadas. Elas estão trocadas dentro da m inha cabeça.
A m ulher se levantou, cada célula de seu corpo em alerta m áxim o.
Você não está conseguindo falar direito??
O hom em concordou com a cabeça.
O horror, o horror.
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Com o nos film es, tudo aconteceu m uito rápido. Um a sucessão de cenas, com cortes bruscos, im agens se sobrepondo um as às outras em alguns m om entos. A m ulher pedindo ao hom em , com um a frieza espantosa, que fizesse duas coisas, im ediatam ente: vestisse um a cam iseta (estava de peito nu) e ficasse sentado. A m ulher pegando o celular e telefonando, telefonando, para o m édico vizinho deles no prédio, para um oncologista am igo, para um hospital em Copacabana. Ninguém estava, ninguém atendia, era Carnaval. A m ulher ligando para a portaria, pedindo ao porteiro que telefonasse para a am bulância dos bom beiros. A m ulher enfiando um vestido, calçando chinelos, pegando a bolsa. A m ulher voltando à sala e perguntando ao hom em com o ele estava, apenas para vê-lo fazer sinais com as m ãos: um sinal pedindo que esperasse e, depois de alguns segundos, um sinal dizendo que não. As palavras estão sentadas. As palavras não saíam m ais. A m ulher recom eçando a ligar no celular, tentando alcançar um m édico, qualquer m édico. O telefone chamado está fora de área ou desligado. A m ulher ligando outra vez para o porteiro, ouvindo que o núm ero da am bulância dos bom beiros não respondia. E, se respondesse, será que conseguiriam chegar? Os blocos estão todos na rua. A m ulher voltando à sala, voltando à poltrona j unto à j anela onde o hom em estava sentado, de sunga, descalço, com sua cam iseta azul-m arinho. Mudo. Olhando para ela. A m ulher encarando aquele olhar por um segundo, até ver explodir diante de si o pesadelo dos pesadelos, aquele que por quatro anos fora gestado em silêncio, que esperara um m om ento de distração, de relaxam ento, para atacar, e que agora se apresentava com um a crueldade nunca vista. A fera que ela tanto tem era, enfim , m aterializada, tornada corpo e sons.
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Depois, ela não saberia dizer o que aconteceu prim eiro. Foram as duas coisas ao m esm o tem po, talvez. Diante de seus olhos, sentado na poltrona, o hom em se crispou, seu corpo chicoteou para trás com um a violência im pensável, pernas e braços se esticaram e se retorceram . E, no m esm o segundo, veio o som : um som gutural, um ronco am eaçador, m as tam bém de desespero, com o o de um anim al feroz que se sabe ferido de m orte. Olhos esgazeados, um a espum a de sangue no canto da boca.
Ele está morrendo, ela pensou.
Gritou o nom e dele, correu pela sala, gritou da j anela, pediu socorro. Abriu a porta da frente, tentou cham ar os vizinhos – não havia ninguém . Voltou ao hom em , cham ando seu nom e, m ais um a vez. O lobo continuava ali, agonizando, crispado, os braços retorcidos para trás do tronco, as pernas esticadas, um arco sobre a poltrona, urrando, urrando.
A m ulher correu de novo até a cozinha, tornou a ligar para o porteiro e, aos gritos, disse a ele que fizesse algum a coisa, qualquer coisa, m as que fizesse rápido. Ele vai m orrer! Que arranj asse alguém , o outro porteiro, qualquer um , pessoas na rua, e que subissem para pegá-lo e levá-lo dali. Vam os no m eu carro, disse, só preciso de alguém para dirigir. Eu não posso. Eu não consigo.
O outro porteiro estava bêbado, m as veio assim m esm o. Trouxe o filho. O porteiro que a atendera tam bém veio. E, j unto com eles, um rapaz alto, louro, que a m ulher nunca vira, vestido apenas de short, com um chapéu de bloco de Carnaval na cabeça.
Conseguiram levantar o hom em , colocá-lo em um a cadeira e entrar no elevador com ele. A m ulher não viu nada disso. Estava correndo de um lado para outro, dentro de casa, procurando os docum entos dele, que não encontrava. Afinal achou. Desceu.
Ao chegar lá em baixo, o hom em j á fora colocado no banco de trás de um carro que estava na porta da garagem , e que não era o seu. Soube depois que era o carro do filho do porteiro, que estava ao volante. Na rua, diante do prédio, havia um a aglom eração, pessoas curiosas. E, ao fundo, os tam bores, as m archinhas. Teriam de vencer a m ultidão.
Foram para um hospital público, porque era o que ficava m ais perto. Avançaram os sinais, ela no banco do acom panhante, paralisada. O porteiro bêbado no banco de trás, com a j anela aberta, batendo a m ão na lataria do carro e gritando Emergência! Emergência!, para que as pessoas saíssem da frente. O hom em deitado, com a cabeça no colo do porteiro. Continuava se retorcendo. E urrando.
O film e se acelerava. Na porta do hospital, assim que o carro parou, surgiram pessoas de todos os lados, m édicos, enferm eiros, curiosos, ela não sabia, tudo girava, as im agens borradas, um frenesi. Tiraram o hom em do carro e o deitaram em um a m aca, desapareceram com ele por um a porta lateral, enquanto m andavam que ela fosse pela entrada principal, para fazer a ficha. Mas ela ouviu quando alguém , um m édico ou um enferm eiro, depois de ver o hom em , perguntou em voz alta:
O que será que ele bebeu? Ou cheirou?
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Depois de apresentar os docum entos e fazer a ficha, a m ulher subiu as escadas em direção à sala de em ergência. Do térreo, ouvia os urros do hom em no andar de cim a. No m eio do cam inho, ela tropeçou, caiu, levantou-se, um a dor fina se espraiando pela perna inteira.
Mancando, louca de dor, chegou ao segundo andar. Observou a própria perna, a pele j á com eçava a ficar escura. Entrou pela porta indicada – a sala de em ergência de um hospital público em um dom ingo de Carnaval: dezenas de cam as, todas ocupadas, m uitas pessoas com ataduras, m uita gente gem endo, gritando, algum as ainda vestindo fantasia. O hom em estava lá, em cim a de um a m aca, todo am arrado, o braço direito j unto ao corpo, o esquerdo retorcido para cim a, atado à cabeceira de alum ínio.
Ela se aproxim ou. Ele parecia m ais calm o agora, não urrava – apenas gem ia. Estava consciente. Com a voz fraca, pediu a ela que, por favor, desam arrasse o braço dele. Ela im plorou, os m édicos atenderam .
Na m esm a m aca em que estava, o hom em foi levado para a sala de ressonância. Caso fosse constatada um a hem orragia cerebral, ele teria de ser operado im ediatam ente. A m ulher foi com ele. Cam inhava ao lado da m aca, com o um autôm ato. Sua única conexão com o m undo era a dor fina na perna, que latej ava.
Quando a ressonância acabou, voltaram para a sala de em ergência. O hom em continuava consciente, m as falando baixinho, parecendo m uito fraco. E se queixando de dor no braço que fora am arrado. Depois de alguns m inutos, entrou na sala um a neurocirurgiã, m uito j ovem , e cham ou a m ulher. Não havia hem orragia no cérebro, explicou. Era um a notícia boa.
Mas eu não vou m entir para você – disse. Ele corre risco de vida.
A m ulher ouviu aquela frase com um a sensação de alívio. Durante alguns m om entos, tivera tanta certeza de que ele estava morrendo que a expressão “risco de vida” era um avanço. A m édica continuou suas explicações:
Ainda não sabem os o que provocou a convulsão. Pode ter sido um trom bo que se deslocou. E pode acontecer de novo, a qualquer m om ento. Pode haver um derram e. Outro trom bo pode se deslocar para o coração e provocar um enfarte. O estado dele é m uito grave.
Depois que a m édica se afastou, a m ulher ficou quieta, esperando, observando o hom em na m aca, os olhos sem icerrados. Conseguiu falar ao celular com um m édico am igo, que providenciou a internação dele em um hospital particular. A transferência seria em um a uti m óvel.
A am bulância chegaria a qualquer m om ento. Passava da m eia-noite, as ruas estavam esvaziando. Tudo ia dar certo. Ele não parecia ter nenhum a sequela. E ela com eçava a relaxar um pouco.
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Estava olhando em torno, sua atenção pulando de um para outro paciente, nas m acas. No instante em que seus olhos se fixaram em um a garota, prostrada – certam ente por com a alcoólico, e que ainda usava anteninhas de abelha na cabeça –, nesse exato instante, a m ulher ouviu a gargalhada.
Baixou os olhos para o hom em na m aca. Era ele que estava rindo – um a gargalhada sem sentido, de teatro, de circo. Ou de film e de terror.
Por que é que você…
A frase ficou no ar. Ela acabara de ver o olhar dele, olhos esgazeados, opacos – m ortos. Ele se crispou. Recom eçou a urrar, com o antes. Estava tendo outra convulsão.
Pode acontecer de novo, a qualquer momento. Um novo trom bo podia se deslocar, provocar um a hem orragia, ou um enfarte, desta vez fatal. Médicos e enferm eiros acorreram quando ela gritou. A m ulher se afastou, encostou-se na parede, tom ada por um a calm a estranha.
Heloisa – Em algum as pessoas, as convulsões cerebrais se m anifestam através de um a gargalhada histérica, incontrolável, um riso vazio. A neurologista m e explicou. Eu nunca tinha ouvido falar disso.
O hom em foi aos poucos recom eçando a m over o rosto, as m ãos, a piscar os olhos. A m ulher falou com ele, perguntou algum a coisa. Ele respondeu. Estava consciente outra vez. Fosse o que fosse que tivesse provocado aquele curto-circuito em seu cérebro, parecia ter sido algo passageiro. Ele recom eçou a falar. Agora, sim , aquele era ele. Cansado, fraco, queixando-se de um a dor horrível no braço esquerdo – m as era ele.
A neurocirurgiã voltou, fez alguns testes e constatou que ele conseguia atender a seus com andos: m exer a m ão direita, a m ão esquerda, a perna direita, a perna esquerda. Parecia não haver nenhum a sequela m otora. A transferência seria autorizada.
Mas só quando chegaram à clínica particular foi que descobriram a fratura no om bro. Depois, os m édicos deduziriam o que tinha acontecido: a prim eira convulsão fora tão violenta, a contração dos braços tão feroz, que o om bro fora deslocado, tirado do lugar. E, provavelm ente durante a transferência de carro, ou m esm o ao ter o braço atado à m aca, a cabeça do úm ero fora esfacelada, partida em vários pedaços.
Ruy – Tive de botar um a prótese de titânio e cobalto. Depois disso, nunca m ais consegui levantar o braço esquerdo a m ais de quarenta e cinco graus. E passei a apitar no raio X dos aeroportos (risos).
Assim que o hom em foi internado na UTI da clínica particular, a m ulher foi em casa buscar os rem édios dele, algum as roupas, m ais docum entos. Foi sozinha. Pediu que o táxi a esperasse na porta e subiu. Era m adrugada.
Quando abriu a porta, ficou parada, olhando a sala, antes m esm o de acender a luz. Era um cenário de luta. Cadeiras reviradas, um abaj ur com a cúpula torta, um cinzeiro no chão. A poltrona que recebera o hom em -fera estava a vários m etros de seu lugar original, perto da j anela. Havia papéis em cim a da m esa, um a toalha j ogada. E, a um canto da sala, perto do sofá, um par de chinelos grandes, de cor verde, com um a bandeirinha do Brasil.
A m ulher chegou m ais perto, ficou observando aqueles chinelos. Nunca os vira. Lem brou-se, então, do rapaz louro, alto, com o chapeuzinho do bloco de Carnaval, que entrara para aj udar. Na certa, eram dele. A m ulher não ficara sabendo seu nom e, talvez nunca m ais o reencontrasse. Nunca teria com o agradecer, nem com o lhe devolver os chinelos. Essa constatação a com oveu. Mas não chorou – ainda. Algum a coisa dentro dela parecia transform ada em pedra.
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Pois é: fui para o hospital nos braços dos foliões.
O hom em disse a frase com o sorriso aberto. A m ulher teve de rir tam bém . Era im pressionante a capacidade dele de brincar, sem pre. Estavam na UTI da clínica, ele todo ligado a fios, eram sete horas da m anhã. Apenas doze horas tinham transcorrido desde a prim eira convulsão. E ele, sabendo que a m ulher voltaria em casa, pediu: queria que ela trouxesse as provas de seu novo livro, que estava revisando. Ia aproveitar o hospital para trabalhar.
Sherazade. Mais do que nunca, Sherazade. Ele estivera a ponto de m orrer, sua m ente fora atacada – a m ente, o elem ento m ais crucial na com posição daquele hom em que às vezes parecia invencível – e ele pensava no livro.
O trabalho. A palavra. O prazer. Suas grandes arm as contra a m orte.
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Nos dias seguintes, o hom em foi subm etido a m uitos exam es. Um a punção na coluna, ressonâncias, tom ografias, um eletroencefalogram a que durou seis horas. As hipóteses – todas terríveis – para explicar as convulsões foram sendo afastadas. Entre elas, um tum or no cérebro, um a m etástase tardia do câncer na garganta. Nada foi descoberto. Nada foi constatado. O hom em , que tinha superado tantas coisas, que fora atacado em tantos flancos, ficou sem saber que força m isteriosa era aquela, que entidade alienígena vencera seu bastião até então im penetrável – a m ente.
Os m édicos, por elim inação, atribuíram as convulsões a um a encefalite, provocada por vírus. Seres m icroscópicos, invisíveis, desfazendo os circuitos, apagando as luzes, disparando gargalhadas assom bradas. Vam piros de alm as.