O Rei da Noite
Trinta e quatro crônicas escritas entre o Leblon e a ilha de Itaparica. Na que dá nome ao volume, um homem jura que lembra tudo da festa de Neville e a mulher vai corrigindo: os elogios dados a murro em Renato Machado, os beijinhos jogados de trás do balde de gelo, a senhora que ele chamou de Tônia Carrero a noite inteira. Em outra, anuncia que larga o cigarro na segunda-feira, que já é a quinquagésima da série, atira o isqueiro contra a mangueira e a mulher vai buscá-lo e o guarda na gaveta. Há ainda o restaurante macrobiótico de Salvador, com sua água descansada e a regra de mastigar cinquenta vezes, inclusive a água; a tarde na rua Dias Ferreira em que o chaveiro avisa que as rolinhas sumiram; o ônibus errado no Arizona, que o transforma por um dia em fazendeiro de milho; e o inverno da ilha, com goteira em cada cômodo menos no banheiro e as tanajuras debaixo do lençol.

