
Mas em que mundo tu vive?
As crônicas saem dos empregos que José Falero teve em Porto Alegre. Na que dá nome ao livro, um primo dele larga a obra depois de um dia batendo martelinho num casarão que a retroescavadeira derrubaria na manhã seguinte; o autor assume a vaga e, com o Michel, trabalha sem água ligada, pede à vizinha que rega samambaias e ouve “Não”, é barrado no supermercado por estar sujo demais e no fim do expediente descarrega trezentos sacos de cimento. Em “Assalariados”, a dona de um apartamento no Pedra Bonita, condomínio onde o mais barato custa um milhão, diz “esses assalariados” com nojo diante dos três que fazem o forro. Vêm ainda o “boas festas” no para-brisa do ônibus lotado, seis meses sozinho na cozinha de um bar do Petrópolis e a volta ao Campus Vale da UFRGS, onde ele foi ajudante de pedreiro, para o curso de Érica Peçanha sobre literatura marginal-periférica.
