
Diário das coincidências
Mais de trinta textos curtos, escritos em três semanas a partir de anotações que passaram anos num caderno, depois do mês que ele passou no Château de Lavigny. Carrascoza fala de si na terceira pessoa e só no fim diz por quê: não é mais o homem que esteve no centro dessas histórias. Em Granada, uma prima estudante de medicina tira os pontos que outro estudante lhe dera na véspera da primeira viagem de avião, e a cicatriz em forma de cruz repuxa de novo quando os dois se reencontram trinta anos depois. Em Hamburgo, o velho ferido que ele socorre diante do hotel sobe ao palco na manhã seguinte, curativo no supercílio, para abrir o congresso. Em Málaga, sem achar quarto em lugar nenhum, dorme na areia com três mexicanos e acorda com a água que uma mulher joga na soleira de um bar; vinte e dois anos depois, volta e vê a mesma mulher pegar a mangueira.

