Os Segredos do Casarão

Elizabeth Artmann · Capítulo 8 de 10

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Os Segredos do Casarão

Novamente no Passado

Os Segredos do Casarão

 

Novamente

 

no

 

Passado

 

Como acontecia todas as noites, Adalberto

se desdobrou durante o sono, enquanto o corpo

descansava, e foi em espírito para uma colônia

de estudo. O corpo precisa descansar, mas o es-

pírito não. Assim, Adalberto aproveitava ao má-

ximo esses momentos tão preciosos de liberda-

de temporária, seja estudando ou auxiliando os

mais necessitados.

Chegando à colônia, no pavilhão de proje-

ções, sempre acompanhado do seu mentor e

amigo Geraldo, acomodou-se na poltrona e

aguardou a continuidade do relato sobre a vida

passada de Rose, iniciado no último encontro.

As imagens não tardaram a aparecer.

 

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*

Dom Alcântara retornou para a fazenda a ca-

valo. Pedro lhe contou que tinha escutado tiros

na casa-grande, que sua filha, Marina, estava

morta, mas não sabia o que tinha acontecido de

fato, e que Gerônimo estava preso.

Logo o fazendeiro ficou a par dos aconteci-

mentos. A tragédia caiu como um tonelada em

seus ombros. Ficou sem saber o que fazer, com

as mãos apoiadas na cerca, olhando o horizon-

te, mergulhado numa profunda tristeza.

“Por quê?” Perguntava-se. “Por que Deus o

castigava tanto? Primeiro sua esposa que tanto

amava, perdeu-a para ter uma filha desmiola-

da, agora perde a filha querida.”

Os empregados, junto com os escravos, fi-

caram a certa distância, esperando ordens, ob-

servando.

Aos poucos, o velho coronel foi se recom-

pondo. Sua filha estava morta, aquela por quem

tinha um carinho muito especial, cuja simplici-

dade admirava e, apesar de não concordar com

algumas atitudes dela, a respeitava, pois no ínti-

mo tinha grande admiração pela filha. Sabia de

sua grande capacidade intelectual e moral, sem,

no entanto, poder entender como ela poderia

ser sua filha, sendo ele um rude, sem educação,

não tendo o que ensinar. Foi-se Marina, um anjo,

ficou Rose, uma peste! Assim pensava Dom

Alcântara.

Em passos lentos, dirigiu-se para o tronco

onde Gerônimo estava amarrado, parou a alguns

 

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metros olhando o ex-empregado. Este, por sua

vez, nem olhou para o ex-patrão.

Depois de algum tempo, o velho coronel

aproximou-se de Gerônimo, agachou-se à sua

frente e falou bem devagarinho como se quisesse

marcar bem as palavras.

– Você não tem a mínima idéia do que vou

fazer com você, seu desgraçado!

Gerônimo não respondeu nem se mexeu.

Por fim, o velho voltou para casa, sempre

acompanhado dos empregados que aguardavam

ordens. Aproximou-se da mesa onde se encon-

trava o corpo de Marina. Acariciou o rosto rosa-

do e delicado dela, parecia que estava dormin-

do, tal era sua candura. Ele não conseguiu con-

ter as lágrimas. Nunca se sentiu tão desolado.

Nem mesmo quando sua companheira morrera,

ao dar à luz Rose, havia se sentido dessa forma.

Agora parecia que estava num deserto, só, sem

amparo ou consolo, sem ninguém para uma pa-

lavra de estímulo. Sentia como se seu coração

quisesse também parar. Fechou os olhos, não

queria acreditar que aquilo estava acontecendo.

A última pessoa que poderia consolá-lo estava

ali, estendida, sem vida. Desde a morte de sua

querida esposa, Marina era seu único apoio.

Como seria sua vida, só Deus sabia. Mas pare-

cia que até Ele não estava mais ali.

Ficou ao lado do corpo inerte por longo tempo.

Finalmente dirigiu-se a uma das escravas que

cuidava da casa e perguntou por Rose.

– Ela está lá no quarto – respondeu a escra-

va, chorosa, afinal todos gostavam muito de

 

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Marina, ela era muito carinhosa com os escra-

vos e sempre que podia auxiliava-os no que era

possível.

Em passos lentos e cansados, o velho coro-

nel dirigiu-se para o quarto. Encontrou Rose

encolhida num canto, sentada no chão, com

ambas as mãos unidas na boca e com o olhar

perdido no nada. Quando seu pai entrou, ela se

encolheu mais ainda, como um animal acuado.

O velho coronel, não sabendo ainda dos fa-

tos verdadeiros, estranhou a atitude da filha.

– Filhinha, não fique assim, deite na cama e

descanse um pouco.

– Papai, quando Marina vai subir para pen-

tear meus cabelos? – Perguntou a garota, confu-

sa. – Ela está demorando muito.

O pai, não sabendo o que responder, sentiu

grande piedade da filha por achar que ela não

estava entendendo o drama que estava ocorren-

do. Tentou amenizar um pouquinho.

– Marina foi viajar e vai demorar para vol-

tar. Vá para a cama e descanse.

– Eu queria ir com ela, papai. O lugar onde

ela está é bonito? Eu também quero ir. Não quero

ficar mais aqui. Esse lugar é muito ruim.

Rose falava freneticamente, mordendo os

dedos.

Dom Alcântara começou a se preocupar. Pe-

gou-a no colo e levou-a para a cama. Em segui-

da foi até a porta e gritou para a escrava, orde-

nando que rapidamente fizesse um chá calman-

te e servisse à garota.

 

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Mandou alguns empregados às fazendas vi-

zinhas informar o ocorrido. Na madrugada co-

meçaram a chegar os fazendeiros vizinhos para

o enterro de Marina.

Pela manhã, Dom Alcântara encontrava-se

na varanda, acompanhado dos fazendeiros. Ao

longe, via-se o tronco no qual estava amarrado

Gerônimo. Todos eram unânimes em fazer justi-

ça imediatamente. Uns achavam que ele deve-

ria ser enforcado. Porém, Dom Alcântara não

achava as sugestões convincentes. Era pouco

para o que ele estava sentindo. Precisava ser um

castigo extremo. Assim pensava ele.

– E que castigo é esse, coronel? – Perguntou

Dom Felício.

– Não sei ainda, não tenho pressa. Só vou

aplicar o castigo quando achar um que atenda

aos meus anseios de vingança.

– Por que o senhor não queima as pernas

dele, Dom Alcântara? – Indagou Epaminondas,

um fazendeiro novo na região que não era mui-

to simpático aos presentes pois até eles achavam

sua crueldade excessiva.

Todos o olharam com espanto. A frieza com

que foi feita a sugestão era assustadora, pois ela

era de arrepiar.

Dom Alcântara coçou o queixo, pensativo, e

deu um sorriso sarcástico.

– Gostei da idéia! – Falou.

Um silêncio se instalou. Ninguém comentou

ou apoiou a idéia, todos ficaram surpresos.

 

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Depois de alguns minutos, Dom Felício reto-

mou a conversa:

– Eu não gostaria de presenciar tal castigo.

Pediria que o senhor, caso decida realmente

aplicá-lo, o fizesse após o funeral.

Os outros fazendeiros externaram a mesma

opinião. Somente Epaminondas não se mani-

festou.

– E você, Epaminondas? – Perguntou Dom

Alcântara.

– Se o senhor não se importar, gostaria de

ficar para presenciar o “espetáculo” – respondeu.

“Sádico” – pensou Dom Felício.

– Certo, amanhã faremos o “churrasquinho”

– concordou Dom Alcântara.

Epaminondas soltou uma gargalhada e to-

dos olharam reprovando-o, pois o momento não

era para algazarra. Ele porém continuou a se di-

vertir com a idéia.

“Sádicos” – pensou Dom Felício, incluindo,

agora, Dom Alcântara.

À tarde foi feito o enterro. No término, todos

se despediram, dando os pêsames a Dom Alcân-

tara. Ficou apenas Epaminondas, esperando.

No outro dia, bem cedo, reuniram-se junto

a Gerônimo. Dom Alcantâra mandou os empre-

gados trazerem lenha.

Gerônimo acompanhava tudo com medo, já

imaginando o que lhe estava reservado.

– Tragam mais lenha, rápido – gritava o fa-

zendeiro.

Gerônimo começou a se preocupar.

 

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– Amarrem o safado e coloquem-no deitado

no terreiro.

Gerônimo começou a se debater, tentando

escapar e gritando desesperadamente:

– Piedade senhor, sei que errei, não faça isso

comigo, farei qualquer coisa para compensar o

senhor.

– Você não tem nada que possa compensar

a perda de Marina, seu safado. Vai sentir na pele

o que sinto no coração.

Gerônimo foi amarrado conforme o ordena-

do, deitado de barriga para cima com os braços

abertos. Juntaram a lenha em cima das pernas

dele e atearam fogo. Gerônimo berrou desespe-

radamente, implorando perdão.

Quando o fogo atingiu por completo as per-

nas, ele desmaiou.

Epaminondas observava tudo a uma certa

distância, divertindo-se.

– Jogue água nele para acordá-lo! – Gritava.

Dom Alcântara acatou a sugestão e mandou

jogar água no rosto do ex-feitor, para acordá-lo.

Porém, não adiantou, ele recobrou os sentidos

somente por alguns segundos, voltando a

desmaiar.

Depois que o fogo apagou, o fazendeiro or-

denou a seus empregados:

– Peguem-no e joguem-no lá na floresta para

que os bichos o comam; esse desgraçado bem

que merece.

Dois empregados da fazenda, Tonhão e Beto,

pegaram Gerônimo e o colocaram numa carro-

 

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ça, levando-o para a floresta. Ao chegarem lá,

puseram-no no chão.

– Sei que o que ele fez é muito errado, mas

o castigo foi muito cruel – falava Tonhão, olhan-

do o capataz agonizante. – Acho que não deve-

ríamos deixá-lo assim, nesse sofrimento.

– Mas o que poderíamos fazer? – Perguntou

Beto. Não podemos cuidar dele, pois o patrão

logo descobriria e com certeza iria nos castigar.

Se pelo menos houvesse alguém pelas redonde-

zas para cuidar dele... Mas eu não conheço.

– Eu também não – disse Tonhão. – Mesmo

que conheçamos alguém, não irá querer cuidar

do Gerônimo, para não criar desavenças com

Dom Alcântara. O melhor é acabar logo com esse

sofrimento.

Tonhão pegou uma faca que trazia na cintu-

ra e cortou uma veia do pescoço de Gerônimo,

fazendo o sangue jorrar. Em poucos minutos o

ex-feitor estava morto 10.

Tonhão era muito religioso, bom de coração,

e aquela atitude foi muito difícil para ele, pois

sabia que não podia tirar a vida de ninguém,

mesmo que fosse para amenizar o sofrimento da

pessoa. Mas naquelas condições, não via outra

saída, Gerônimo iria sofrer muito se ficasse sozi-

nho no meio do mato. Quando viu que Gerôni-

mo não respirava mais, enterrou-o com a ajuda

de Beto, tirando em seguida o chapéu de palha,

no que Beto o acompanhou humildemente, e fi-

zeram uma prece sincera:

 

10 - Veja nota de rodapé da página 56.

 

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– Senhor Pai, recebe este que acaba de nos

deixar em teu seio, perdoa os seus pecados e

encaminha-o pela estrada do bem; e se por aca-

so eu errei em tirar-lhe a vida, na esperança de

amenizar o seu sofrimento, por favor, perdoa-

me, pois a intenção foi a melhor possível.

Beto, como era sensível, não resistiu, deixou

rolar uma lágrima. Tonhão viu, mas não comen-

tou, para não melindrar o amigo.

– Vamos embora – disse, colocando o cha-

péu e dirigindo-se para a carroça.

 

*

Passaram-se alguns dias. Rose demonstrava

em suas atitudes não estar bem. Soltava garga-

lhadas à toa, jogava comida no chão e não se

arrumava mais. Todos falavam que ela estava

louca.

Seu pai não se importava muito, na verdade

quase não via a filha, pois ela o evitava ao máxi-

mo, escondendo-se quando ele aparecia. Os es-

cravos não comentavam nada com o patrão.

Certo dia, Dom Alcântara foi ver a filha e

ficou horrorizado: o quarto estava todo destruí-

do, cortinas rasgadas, móveis quebrados, pare-

cia ter acontecido um terremoto ali. A filha,

pálida, encontrava-se estirada sem forças no col-

chão que estava no chão.

– Filhinha, o que aconteceu com você? – Per-

guntou o pai, trazendo a filha para o seu colo. –

Por que você se deixou abater assim?

– Papai, não se preocupe comigo. Tenho mui-

ta saudade de Marina. Quero tanto vê-la! Man-

de alguém chamá-la, por favor.

 

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– Maria – gritou o fazendeiro.

– Sim, patrão – respondeu rapidamente a es-

crava que cuidava da casa e estava na escada,

só esperando.

– Mande o Tonhão até a cidade buscar o mé-

dico, rápido.

– Sim, patrão. – E saiu correndo escada

abaixo.

Algumas horas depois, o médico chegou e

foi direto para o quarto de Rose. Examinou-a e

deixou uma receita e alguns remédios, recomen-

dando que fosse feita uma boa limpeza no quar-

to e que o deixassem bem arejado.

Porém o socorro chegou tarde. Naquela mes-

ma noite, Rose, que estava muito debilitada por

não se alimentar, desencarnou.

Dois espíritos de aspectos sombrios estavam

esperando por aquele momento.

Quando Josafá e a escrava foram assassi-

nados, eles foram recebidos por espíritos das

sombras, que os esclareceram da nova situa-

ção. Em pouco tempo eles já estavam acompa-

nhando Rose e, compreendendo toda a sua

maldade, passaram a obsediá-la. Presenciaram

o sofrimento de Gerônimo e foram ao seu en-

contro apenas para fazer dele um escravo. Po-

rém, ele ficou com a idéia fixa nas queimaduras

das pernas e não conseguia ficar em pé. Em pou-

co tempo, devido à sua forte mentalização, aca-

bou ficando sem as pernas. Josafá esperava

que fosse por pouco tempo, por isso manteve-o

por perto.

 

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Josafá, espírito inteligente, logo compreen-

deu os mecanismos do mundo dos espíritos e

dominava com habilidade a manipulação de flui-

dos, tendo assim uma forte influência sobre as

pessoas. Até mesmo a morte de Rose aconteceu

por influência dele. Obsediando-a intensamen-

te, aproveitando sua baixa vibração e sua cons-

ciência que a acusava do ocorrido, para ele foi

fácil subjugá-la. Agindo constantemente no

pensamento da garota, não dando trégua, con-

seguiu o seu intento, levando-a a ficar muito

doente e conseqüentemente, à morte11. Agora

estavam frente a frente. Só precisava esperar que

Rose compreendesse seu novo estado.

Porém, Josafá não contava com um detalhe:

a presença de Marina, acompanhada de mais

dois espíritos de luz que também estavam ali para

auxiliar Rose. Marina, espírito bom, foi ampla-

mente amparada quando desencarnou, compre-

endeu logo sua situação e preocupou-se com sua

irmã. Solicitou aos seus superiores permissão

para ir auxiliá-la, obteve com ressalvas, pois os

seus amigos a alertaram de que seria inútil na-

quele momento qualquer auxílio. Mesmo assim,

Marina quis tentar e com ela foram dois espíri-

tos para ajudá-la.

 

11 - Os espíritos não podem matar encarnados, acontece que nos casos de pro-funda e prolongada obsessão, o obsessor impõe ao obsediado as suas vontades, interferindo não só nas suas ações e pensamentos, mas também na sua saúde, podendo causar a morte ou a loucura. Para o obsediado isso é uma provação que está de acordo com os desígnios de Deus, pois poderá libertar-se dessa situação mediante o perdão e a mudança de seus pensamentos e atitudes (veja O Livro dos Médiuns, capítulo 23).

 

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Quando Josafá viu Marina, esbravejou com ódio:

– O que você faz aqui?! Não permitirei que

se aproximem de Rose, agora ela me pertence!

– Gritou ele, irritado.

– Ninguém pertence a ninguém – respondeu

Marina com voz meiga e carinhosa. – Somos to-

dos filhos de Deus, portanto, somos todos ir-

mãos. Viemos para auxiliar nossa irmãzinha, e

se você desejar poderá vir conosco também.

– Não permitirei que levem esta monstrinha

com vocês, ela merece ser castigada pelo que fez.

– Desculpe, Josafá, infelizmente você não po-

derá impedir que levemos Rose conosco. E vol-

to a dizer-lhe, gostaria muito que você e sua

amiga viessem conosco.

– Ninguém irá com vocês, nem eu nem

Joaninha – respondeu Josafá.

– Você não quer vir conosco, Joaninha? –

Perguntou Marina diretamente à moça, que fi-

cava sempre atrás de Josafá.

Ela, porém, só olhou para Josafá e balan-

çou a cabeça negativamente.

Marina, juntamente com os companheiros,

envolveram Rose numa nuvem de fluidos e aos

poucos foram desaparecendo.

– Não adianta levá-la, estarei sempre à es-

preita. Um dia eu pegarei este monstro e aí ela

será minha – gritou Josafá com os punhos cer-

rados, esmurrando o ar.

 

*

Nesse instante acabou a narrativa e Adal-

berto olhou para Geraldo, como que dizendo:

“Que situação, hem?!”

 

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– É, Josafá, Gerônimo e Joaninha permane-

ceram juntos por todo esse tempo. Gerônimo

nunca mais conseguiu reaver suas pernas, em

virtude da sua fixação mental e porque Josafá

assim o mantinha para que ficassem juntos para

se vingar. Um dia descobriram o paradeiro de

Rose, quando ela foi para aquele casarão, que

no passado tinha sido a sede da fazenda12, e fo-

ram se juntar a ela, dando assim continuidade à

vingança – esclareceu Geraldo.

– E quanto a Rose, o que aconteceu com ela?

– Perguntou Adalberto.

– Marina tentou por todos os meios mantê-

la no pronto-socorro do plano espiritual, depois

de tratá-la, mas Rose, na sua rebeldia, não quis

ficar, preferindo caminhar sozinha, até que foi

parar no Umbral, envolvendo-se com espíritos

sofredores, sofrendo muito e por muito tempo,

até que se arrependeu e pediu ajuda a Marina,

que novamente a socorreu.

Na verdade, esse tempo no Umbral foi muito

importante para Rose, pois ela meditou mui-

to sobre tudo que havia feito, tanto encarnada

quanto desencarnada, e compreendeu o meca-

nismo da espiritualidade. Depois de ser socorri-

da por Marina e ter de se readaptar à colônia,

pediu ajuda da irmã para tentarem ajudar Josafá,

Gerônimo e Joaninha. Mas não conseguiram

nada, pois os três estavam envolvidos em bai-

xíssimas vibrações, tanto é que nem consegui-

 

12 - Nem sempre os espíritos reencarnam no mesmo lugar ou na mesma família de vidas passadas, mas sim nos ambientes compatíveis com a sua necessidade de progresso.

 

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ram reconhecer Rose como espírito naquele mo-

mento.

– Muito bem, vamos ver o que conseguimos

resolver nesse caso – disse Adalberto, voltando

em seguida ao seu corpo físico, pois já era quase

o horário de despertar.

 

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