Os Segredos do Casarão
Novamente no Passado
Os Segredos do Casarão
Novamente
no
Passado
Como acontecia todas as noites, Adalberto
se desdobrou durante o sono, enquanto o corpo
descansava, e foi em espírito para uma colônia
de estudo. O corpo precisa descansar, mas o es-
pírito não. Assim, Adalberto aproveitava ao má-
ximo esses momentos tão preciosos de liberda-
de temporária, seja estudando ou auxiliando os
mais necessitados.
Chegando à colônia, no pavilhão de proje-
ções, sempre acompanhado do seu mentor e
amigo Geraldo, acomodou-se na poltrona e
aguardou a continuidade do relato sobre a vida
passada de Rose, iniciado no último encontro.
As imagens não tardaram a aparecer.
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Elizabeth Artmann
*
Dom Alcântara retornou para a fazenda a ca-
valo. Pedro lhe contou que tinha escutado tiros
na casa-grande, que sua filha, Marina, estava
morta, mas não sabia o que tinha acontecido de
fato, e que Gerônimo estava preso.
Logo o fazendeiro ficou a par dos aconteci-
mentos. A tragédia caiu como um tonelada em
seus ombros. Ficou sem saber o que fazer, com
as mãos apoiadas na cerca, olhando o horizon-
te, mergulhado numa profunda tristeza.
“Por quê?” Perguntava-se. “Por que Deus o
castigava tanto? Primeiro sua esposa que tanto
amava, perdeu-a para ter uma filha desmiola-
da, agora perde a filha querida.”
Os empregados, junto com os escravos, fi-
caram a certa distância, esperando ordens, ob-
servando.
Aos poucos, o velho coronel foi se recom-
pondo. Sua filha estava morta, aquela por quem
tinha um carinho muito especial, cuja simplici-
dade admirava e, apesar de não concordar com
algumas atitudes dela, a respeitava, pois no ínti-
mo tinha grande admiração pela filha. Sabia de
sua grande capacidade intelectual e moral, sem,
no entanto, poder entender como ela poderia
ser sua filha, sendo ele um rude, sem educação,
não tendo o que ensinar. Foi-se Marina, um anjo,
ficou Rose, uma peste! Assim pensava Dom
Alcântara.
Em passos lentos, dirigiu-se para o tronco
onde Gerônimo estava amarrado, parou a alguns
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2ª Revisão
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metros olhando o ex-empregado. Este, por sua
vez, nem olhou para o ex-patrão.
Depois de algum tempo, o velho coronel
aproximou-se de Gerônimo, agachou-se à sua
frente e falou bem devagarinho como se quisesse
marcar bem as palavras.
– Você não tem a mínima idéia do que vou
fazer com você, seu desgraçado!
Gerônimo não respondeu nem se mexeu.
Por fim, o velho voltou para casa, sempre
acompanhado dos empregados que aguardavam
ordens. Aproximou-se da mesa onde se encon-
trava o corpo de Marina. Acariciou o rosto rosa-
do e delicado dela, parecia que estava dormin-
do, tal era sua candura. Ele não conseguiu con-
ter as lágrimas. Nunca se sentiu tão desolado.
Nem mesmo quando sua companheira morrera,
ao dar à luz Rose, havia se sentido dessa forma.
Agora parecia que estava num deserto, só, sem
amparo ou consolo, sem ninguém para uma pa-
lavra de estímulo. Sentia como se seu coração
quisesse também parar. Fechou os olhos, não
queria acreditar que aquilo estava acontecendo.
A última pessoa que poderia consolá-lo estava
ali, estendida, sem vida. Desde a morte de sua
querida esposa, Marina era seu único apoio.
Como seria sua vida, só Deus sabia. Mas pare-
cia que até Ele não estava mais ali.
Ficou ao lado do corpo inerte por longo tempo.
Finalmente dirigiu-se a uma das escravas que
cuidava da casa e perguntou por Rose.
– Ela está lá no quarto – respondeu a escra-
va, chorosa, afinal todos gostavam muito de
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2ª Revisão
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Marina, ela era muito carinhosa com os escra-
vos e sempre que podia auxiliava-os no que era
possível.
Em passos lentos e cansados, o velho coro-
nel dirigiu-se para o quarto. Encontrou Rose
encolhida num canto, sentada no chão, com
ambas as mãos unidas na boca e com o olhar
perdido no nada. Quando seu pai entrou, ela se
encolheu mais ainda, como um animal acuado.
O velho coronel, não sabendo ainda dos fa-
tos verdadeiros, estranhou a atitude da filha.
– Filhinha, não fique assim, deite na cama e
descanse um pouco.
– Papai, quando Marina vai subir para pen-
tear meus cabelos? – Perguntou a garota, confu-
sa. – Ela está demorando muito.
O pai, não sabendo o que responder, sentiu
grande piedade da filha por achar que ela não
estava entendendo o drama que estava ocorren-
do. Tentou amenizar um pouquinho.
– Marina foi viajar e vai demorar para vol-
tar. Vá para a cama e descanse.
– Eu queria ir com ela, papai. O lugar onde
ela está é bonito? Eu também quero ir. Não quero
ficar mais aqui. Esse lugar é muito ruim.
Rose falava freneticamente, mordendo os
dedos.
Dom Alcântara começou a se preocupar. Pe-
gou-a no colo e levou-a para a cama. Em segui-
da foi até a porta e gritou para a escrava, orde-
nando que rapidamente fizesse um chá calman-
te e servisse à garota.
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Mandou alguns empregados às fazendas vi-
zinhas informar o ocorrido. Na madrugada co-
meçaram a chegar os fazendeiros vizinhos para
o enterro de Marina.
Pela manhã, Dom Alcântara encontrava-se
na varanda, acompanhado dos fazendeiros. Ao
longe, via-se o tronco no qual estava amarrado
Gerônimo. Todos eram unânimes em fazer justi-
ça imediatamente. Uns achavam que ele deve-
ria ser enforcado. Porém, Dom Alcântara não
achava as sugestões convincentes. Era pouco
para o que ele estava sentindo. Precisava ser um
castigo extremo. Assim pensava ele.
– E que castigo é esse, coronel? – Perguntou
Dom Felício.
– Não sei ainda, não tenho pressa. Só vou
aplicar o castigo quando achar um que atenda
aos meus anseios de vingança.
– Por que o senhor não queima as pernas
dele, Dom Alcântara? – Indagou Epaminondas,
um fazendeiro novo na região que não era mui-
to simpático aos presentes pois até eles achavam
sua crueldade excessiva.
Todos o olharam com espanto. A frieza com
que foi feita a sugestão era assustadora, pois ela
era de arrepiar.
Dom Alcântara coçou o queixo, pensativo, e
deu um sorriso sarcástico.
– Gostei da idéia! – Falou.
Um silêncio se instalou. Ninguém comentou
ou apoiou a idéia, todos ficaram surpresos.
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Depois de alguns minutos, Dom Felício reto-
mou a conversa:
– Eu não gostaria de presenciar tal castigo.
Pediria que o senhor, caso decida realmente
aplicá-lo, o fizesse após o funeral.
Os outros fazendeiros externaram a mesma
opinião. Somente Epaminondas não se mani-
festou.
– E você, Epaminondas? – Perguntou Dom
Alcântara.
– Se o senhor não se importar, gostaria de
ficar para presenciar o “espetáculo” – respondeu.
“Sádico” – pensou Dom Felício.
– Certo, amanhã faremos o “churrasquinho”
– concordou Dom Alcântara.
Epaminondas soltou uma gargalhada e to-
dos olharam reprovando-o, pois o momento não
era para algazarra. Ele porém continuou a se di-
vertir com a idéia.
“Sádicos” – pensou Dom Felício, incluindo,
agora, Dom Alcântara.
À tarde foi feito o enterro. No término, todos
se despediram, dando os pêsames a Dom Alcân-
tara. Ficou apenas Epaminondas, esperando.
No outro dia, bem cedo, reuniram-se junto
a Gerônimo. Dom Alcantâra mandou os empre-
gados trazerem lenha.
Gerônimo acompanhava tudo com medo, já
imaginando o que lhe estava reservado.
– Tragam mais lenha, rápido – gritava o fa-
zendeiro.
Gerônimo começou a se preocupar.
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– Amarrem o safado e coloquem-no deitado
no terreiro.
Gerônimo começou a se debater, tentando
escapar e gritando desesperadamente:
– Piedade senhor, sei que errei, não faça isso
comigo, farei qualquer coisa para compensar o
senhor.
– Você não tem nada que possa compensar
a perda de Marina, seu safado. Vai sentir na pele
o que sinto no coração.
Gerônimo foi amarrado conforme o ordena-
do, deitado de barriga para cima com os braços
abertos. Juntaram a lenha em cima das pernas
dele e atearam fogo. Gerônimo berrou desespe-
radamente, implorando perdão.
Quando o fogo atingiu por completo as per-
nas, ele desmaiou.
Epaminondas observava tudo a uma certa
distância, divertindo-se.
– Jogue água nele para acordá-lo! – Gritava.
Dom Alcântara acatou a sugestão e mandou
jogar água no rosto do ex-feitor, para acordá-lo.
Porém, não adiantou, ele recobrou os sentidos
somente por alguns segundos, voltando a
desmaiar.
Depois que o fogo apagou, o fazendeiro or-
denou a seus empregados:
– Peguem-no e joguem-no lá na floresta para
que os bichos o comam; esse desgraçado bem
que merece.
Dois empregados da fazenda, Tonhão e Beto,
pegaram Gerônimo e o colocaram numa carro-
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ça, levando-o para a floresta. Ao chegarem lá,
puseram-no no chão.
– Sei que o que ele fez é muito errado, mas
o castigo foi muito cruel – falava Tonhão, olhan-
do o capataz agonizante. – Acho que não deve-
ríamos deixá-lo assim, nesse sofrimento.
– Mas o que poderíamos fazer? – Perguntou
Beto. Não podemos cuidar dele, pois o patrão
logo descobriria e com certeza iria nos castigar.
Se pelo menos houvesse alguém pelas redonde-
zas para cuidar dele... Mas eu não conheço.
– Eu também não – disse Tonhão. – Mesmo
que conheçamos alguém, não irá querer cuidar
do Gerônimo, para não criar desavenças com
Dom Alcântara. O melhor é acabar logo com esse
sofrimento.
Tonhão pegou uma faca que trazia na cintu-
ra e cortou uma veia do pescoço de Gerônimo,
fazendo o sangue jorrar. Em poucos minutos o
ex-feitor estava morto 10.
Tonhão era muito religioso, bom de coração,
e aquela atitude foi muito difícil para ele, pois
sabia que não podia tirar a vida de ninguém,
mesmo que fosse para amenizar o sofrimento da
pessoa. Mas naquelas condições, não via outra
saída, Gerônimo iria sofrer muito se ficasse sozi-
nho no meio do mato. Quando viu que Gerôni-
mo não respirava mais, enterrou-o com a ajuda
de Beto, tirando em seguida o chapéu de palha,
no que Beto o acompanhou humildemente, e fi-
zeram uma prece sincera:
10 - Veja nota de rodapé da página 56.
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– Senhor Pai, recebe este que acaba de nos
deixar em teu seio, perdoa os seus pecados e
encaminha-o pela estrada do bem; e se por aca-
so eu errei em tirar-lhe a vida, na esperança de
amenizar o seu sofrimento, por favor, perdoa-
me, pois a intenção foi a melhor possível.
Beto, como era sensível, não resistiu, deixou
rolar uma lágrima. Tonhão viu, mas não comen-
tou, para não melindrar o amigo.
– Vamos embora – disse, colocando o cha-
péu e dirigindo-se para a carroça.
*
Passaram-se alguns dias. Rose demonstrava
em suas atitudes não estar bem. Soltava garga-
lhadas à toa, jogava comida no chão e não se
arrumava mais. Todos falavam que ela estava
louca.
Seu pai não se importava muito, na verdade
quase não via a filha, pois ela o evitava ao máxi-
mo, escondendo-se quando ele aparecia. Os es-
cravos não comentavam nada com o patrão.
Certo dia, Dom Alcântara foi ver a filha e
ficou horrorizado: o quarto estava todo destruí-
do, cortinas rasgadas, móveis quebrados, pare-
cia ter acontecido um terremoto ali. A filha,
pálida, encontrava-se estirada sem forças no col-
chão que estava no chão.
– Filhinha, o que aconteceu com você? – Per-
guntou o pai, trazendo a filha para o seu colo. –
Por que você se deixou abater assim?
– Papai, não se preocupe comigo. Tenho mui-
ta saudade de Marina. Quero tanto vê-la! Man-
de alguém chamá-la, por favor.
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– Maria – gritou o fazendeiro.
– Sim, patrão – respondeu rapidamente a es-
crava que cuidava da casa e estava na escada,
só esperando.
– Mande o Tonhão até a cidade buscar o mé-
dico, rápido.
– Sim, patrão. – E saiu correndo escada
abaixo.
Algumas horas depois, o médico chegou e
foi direto para o quarto de Rose. Examinou-a e
deixou uma receita e alguns remédios, recomen-
dando que fosse feita uma boa limpeza no quar-
to e que o deixassem bem arejado.
Porém o socorro chegou tarde. Naquela mes-
ma noite, Rose, que estava muito debilitada por
não se alimentar, desencarnou.
Dois espíritos de aspectos sombrios estavam
esperando por aquele momento.
Quando Josafá e a escrava foram assassi-
nados, eles foram recebidos por espíritos das
sombras, que os esclareceram da nova situa-
ção. Em pouco tempo eles já estavam acompa-
nhando Rose e, compreendendo toda a sua
maldade, passaram a obsediá-la. Presenciaram
o sofrimento de Gerônimo e foram ao seu en-
contro apenas para fazer dele um escravo. Po-
rém, ele ficou com a idéia fixa nas queimaduras
das pernas e não conseguia ficar em pé. Em pou-
co tempo, devido à sua forte mentalização, aca-
bou ficando sem as pernas. Josafá esperava
que fosse por pouco tempo, por isso manteve-o
por perto.
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Os Segredos do Casarão
Josafá, espírito inteligente, logo compreen-
deu os mecanismos do mundo dos espíritos e
dominava com habilidade a manipulação de flui-
dos, tendo assim uma forte influência sobre as
pessoas. Até mesmo a morte de Rose aconteceu
por influência dele. Obsediando-a intensamen-
te, aproveitando sua baixa vibração e sua cons-
ciência que a acusava do ocorrido, para ele foi
fácil subjugá-la. Agindo constantemente no
pensamento da garota, não dando trégua, con-
seguiu o seu intento, levando-a a ficar muito
doente e conseqüentemente, à morte11. Agora
estavam frente a frente. Só precisava esperar que
Rose compreendesse seu novo estado.
Porém, Josafá não contava com um detalhe:
a presença de Marina, acompanhada de mais
dois espíritos de luz que também estavam ali para
auxiliar Rose. Marina, espírito bom, foi ampla-
mente amparada quando desencarnou, compre-
endeu logo sua situação e preocupou-se com sua
irmã. Solicitou aos seus superiores permissão
para ir auxiliá-la, obteve com ressalvas, pois os
seus amigos a alertaram de que seria inútil na-
quele momento qualquer auxílio. Mesmo assim,
Marina quis tentar e com ela foram dois espíri-
tos para ajudá-la.
11 - Os espíritos não podem matar encarnados, acontece que nos casos de pro-funda e prolongada obsessão, o obsessor impõe ao obsediado as suas vontades, interferindo não só nas suas ações e pensamentos, mas também na sua saúde, podendo causar a morte ou a loucura. Para o obsediado isso é uma provação que está de acordo com os desígnios de Deus, pois poderá libertar-se dessa situação mediante o perdão e a mudança de seus pensamentos e atitudes (veja O Livro dos Médiuns, capítulo 23).
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Quando Josafá viu Marina, esbravejou com ódio:
– O que você faz aqui?! Não permitirei que
se aproximem de Rose, agora ela me pertence!
– Gritou ele, irritado.
– Ninguém pertence a ninguém – respondeu
Marina com voz meiga e carinhosa. – Somos to-
dos filhos de Deus, portanto, somos todos ir-
mãos. Viemos para auxiliar nossa irmãzinha, e
se você desejar poderá vir conosco também.
– Não permitirei que levem esta monstrinha
com vocês, ela merece ser castigada pelo que fez.
– Desculpe, Josafá, infelizmente você não po-
derá impedir que levemos Rose conosco. E vol-
to a dizer-lhe, gostaria muito que você e sua
amiga viessem conosco.
– Ninguém irá com vocês, nem eu nem
Joaninha – respondeu Josafá.
– Você não quer vir conosco, Joaninha? –
Perguntou Marina diretamente à moça, que fi-
cava sempre atrás de Josafá.
Ela, porém, só olhou para Josafá e balan-
çou a cabeça negativamente.
Marina, juntamente com os companheiros,
envolveram Rose numa nuvem de fluidos e aos
poucos foram desaparecendo.
– Não adianta levá-la, estarei sempre à es-
preita. Um dia eu pegarei este monstro e aí ela
será minha – gritou Josafá com os punhos cer-
rados, esmurrando o ar.
*
Nesse instante acabou a narrativa e Adal-
berto olhou para Geraldo, como que dizendo:
“Que situação, hem?!”
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– É, Josafá, Gerônimo e Joaninha permane-
ceram juntos por todo esse tempo. Gerônimo
nunca mais conseguiu reaver suas pernas, em
virtude da sua fixação mental e porque Josafá
assim o mantinha para que ficassem juntos para
se vingar. Um dia descobriram o paradeiro de
Rose, quando ela foi para aquele casarão, que
no passado tinha sido a sede da fazenda12, e fo-
ram se juntar a ela, dando assim continuidade à
vingança – esclareceu Geraldo.
– E quanto a Rose, o que aconteceu com ela?
– Perguntou Adalberto.
– Marina tentou por todos os meios mantê-
la no pronto-socorro do plano espiritual, depois
de tratá-la, mas Rose, na sua rebeldia, não quis
ficar, preferindo caminhar sozinha, até que foi
parar no Umbral, envolvendo-se com espíritos
sofredores, sofrendo muito e por muito tempo,
até que se arrependeu e pediu ajuda a Marina,
que novamente a socorreu.
Na verdade, esse tempo no Umbral foi muito
importante para Rose, pois ela meditou mui-
to sobre tudo que havia feito, tanto encarnada
quanto desencarnada, e compreendeu o meca-
nismo da espiritualidade. Depois de ser socorri-
da por Marina e ter de se readaptar à colônia,
pediu ajuda da irmã para tentarem ajudar Josafá,
Gerônimo e Joaninha. Mas não conseguiram
nada, pois os três estavam envolvidos em bai-
xíssimas vibrações, tanto é que nem consegui-
12 - Nem sempre os espíritos reencarnam no mesmo lugar ou na mesma família de vidas passadas, mas sim nos ambientes compatíveis com a sua necessidade de progresso.
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ram reconhecer Rose como espírito naquele mo-
mento.
– Muito bem, vamos ver o que conseguimos
resolver nesse caso – disse Adalberto, voltando
em seguida ao seu corpo físico, pois já era quase
o horário de despertar.
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