Os Segredos do Casarão
O socorro
Elizabeth Artmann
O
Socorro
Mais uma semana se passou.
Valdomiro, substituindo um companheiro,
ajudava no balcão, atendendo a clientela. Seus
pensamentos já o incomodavam, fazia quase três
dias que Rose não aparecia, alguma coisa tinha
acontecido. Ele sentia que precisava fazer algu-
ma coisa, mas logo aquele dia. Tonico, um dos
seus companheiros na padaria, não viera traba-
lhar. Provavelmente seu Joaquim não o deixaria
sair. Por outro lado, ele era o melhor funcionário,
nunca faltara, nunca dava nenhum problema.
Esse era um bom argumento. Além disso, só da-
ria para saber se sim ou não se perguntasse. E lá
foi ele encarar o patrão.
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– Seu Joaquim, sei que não é um bom dia,
mas eu preciso dar uma saída para resolver um
problema particular.
– É, não é um bom dia mesmo. Estou achan-
do que vou mandar o Tonico embora! – Falou o
homem, irado.
– Mandar o Tonico embora? – Espantou-se
Valdomiro. – Logo agora que ele está com tan-
tos problemas em casa? Acho que o senhor de-
veria ter um pouco de paciência, afinal, ele tam-
bém é um bom funcionário, e o senhor sabe,
bons funcionários hoje em dia são uma raridade.
– Está certo, mas saiba que minha paciência
tem limites. Quanto a você, que problema é esse
que não pode esperar até amanhã?
– É um problema particular e não posso dei-
xar para amanhã de jeito nenhum. Se o senhor
quiser, pode descontar do meu salário ou eu
pago em horas extras.
Valdomiro não queria falar a razão, pois tinha
certeza de que seria motivo de gozação.
– Desculpe, seu Joaquim, eu não me lembro
de alguma vez ter pedido para sair mais cedo, e
já faz bastante tempo que trabalho aqui com o
senhor, não é?
– Está certo, pode ir, depois a gente resolve
como você vai pagar essas horas.
– Obrigado, seu Joaquim.
Valdomiro saiu correndo em direção ao
mercadinho que ficava nas proximidades da
padaria, onde trabalhava uma amiga. Era um
local em que Rose ia constantemente e lá obte-
ria a primeira confirmação de suas suspeitas.
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Chegando lá, procurou por Margarida, sua
amiga, e assim que a viu perguntou:
– Rose passou por aqui nestes últimos três
dias, Margarida?
– Você não tem o hábito de cumprimentar
primeiro? – Retrucou a moça, sem dar muita bola
para o rapaz.
– Desculpe, é que... bem... Não dá para res-
ponder logo?
– Que eu saiba faz uns quatro dias que ela
não aparece por aqui, e eu estou achando óti-
mo. Não gosto que ela venha, toda vez que vem
deixa todo mundo nervoso. Teve um dia...
– Obrigado, Margarida – inter rompeu
Valdomiro –, tenho de ir, tchau.
E saiu correndo.
Margarida ficou olhando-o se afastar e res-
mungou consigo mesma:
– Acho que não tem educação mesmo.
A preocupação de Valdomiro começou a au-
mentar. O que fazer? Ir até o casarão sozinho
ele não iria. Ah! Grande idéia. Adalberto era a
pessoa mais indicada, afinal, era inteligente e
tinha muito conhecimento das coisas, principal-
mente as sobrenaturais. Porém, não sabia onde
ele morava, precisaria ir primeiro no Centro Es-
pírita. Adalberto já o havia convidado a freqüen-
tar o Centro, mas ele se considerava muito
jovem para isso. No futuro, quem sabe, iria ver
como é esse “negócio”.
Chegando ao Centro, apertou a campainha
e esperou. O portão se abriu e apareceu uma
mulher mirradinha.
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– Pois não – disse ela.
– Seu Adalberto está?
– Não, ele só vem à noite para dirigir os tra-
balhos.
– A senhora pode me dar o endereço dele?
– Não sei – respondeu a mulher, meio des-
confiada –, por que você não vem à noite? Aí
você fala com ele.
– À noite não, é assunto urgente, acho até
que é caso de vida ou morte!
A mulher pensou um pouquinho e disse:
– Posso telefonar para a casa dele e pergun-
tar se ele me autoriza a dar o endereço.
– Por favor, faça isso rápido.
A mulher fechou o portão e deixou o rapaz
do lado de fora andando impacientemente de
um lado para outro. Alguns minutos depois,
o portão se abriu novamente e a mulher per-
guntou:
– Seu Adalberto quer saber quem é.
– Fala que é o Valdomiro, o da padaria, ele
me conhece bem, somos amigos.
– Ele o conhece bem, vocês são amigos e
você nem sabe onde ele mora?
– Por favor, moça, é urgente.
Mais uma vez o portão se fechou e Valdo-
miro ficou mais nervoso. Minutos depois, mais
longos que os anteriores, pois a mulher precisou
procurar papel e caneta para anotar o endereço,
o portão se abriu:
– Aqui está – disse ela.
Valdomiro olhou o papel e com certa difi-
culdade leu o que estava escrito.
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– É lá perto da caixa d’água velha, não é?
A mulher balançou a cabeça afirmativamen-
te, demonstrando já estar aborrecida com o vai-
vém a que o rapaz a obrigou.
– Obrigado, desculpe o incômodo. O que a
senhora faz aqui no Centro? – Quis saber
Valdomiro, curioso.
– Sou faxineira, posso ir trabalhar agora?
– Desculpe!
A mulher fechou o portão e ele seguiu em
direção ao endereço. Adalberto já o esperava na
varanda com sua tranqüilidade de sempre.
– Que negócio é esse de vida ou morte? –
Quis saber. – Quem está morrendo, afinal?
– Desculpe incomodá-lo, seu Adalberto – dis-
se Valdomiro. – Provavelmente o senhor vai rir
de mim, mas estou bastante preocupado.
– Só tem um jeito de saber, não é?
– Bem, é a Rose, a moça do casarão, o se-
nhor sabe quem é, não sabe?
– Sim, o que tem ela?
– Hoje é o terceiro dia que ela não aparece
na padaria e o quarto, no mercadinho. Como
ela vive sozinha naquele casarão, é difícil saber
o que está acontecendo, a não ser que alguém
entre lá para ver se está tudo bem.
– E este alguém é você? – Perguntou Adal-
berto.
– Mais ou menos. Eu não tenho coragem de
entrar sozinho, por isso pensei no senhor, já que
entende desses assuntos.
– Que assuntos você quer dizer?
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– Bem... Acredito que tem algo a ver com es-
píritos, como aquilo sobre o que já conversamos.
Adalberto ficou pensando por alguns instan-
tes, lembrando-se de que viu Rose pela última
vez em companhia daquele espírito estranho, e
virou-se para Valdomiro, dizendo:
– É, talvez você tenha razão, só que não po-
demos entrar lá assim, de qualquer maneira,
vamos primeiro na delegacia, conversar com o
delegado, para ele ir com a gente, assim fica “ofi-
cial” o socorro, não é?
– Bem pensado, o senhor é muito inteligente!
– Não é questão de inteligência, Valdomiro,
é só fazer as coisas corretamente.
– Então, vamos?
– Vamos no meu carro, para ganharmos
tempo – disse Adalberto, dirigindo-se para a
garagem.
Chegando na delegacia, ele perguntou a um
dos guardas pelo doutor Ronaldo, o delegado, que
os recebeu em seu gabinete.
– Boa tarde, seu Adalberto, o que o traz à
minha delegacia? Por acaso veio doutrinar os
presos? – Deu uma risadinha meio marota.
Seu Adalberto não deu atenção ao gracejo
do policial, limitando-se a entrar logo no assunto.
– O senhor com certeza deve ter ouvido fa-
lar daquela jovem que mora no casarão azul.
– Sim, estou sabendo, o senhor não quer se
sentar? – Perguntou o delegado, apontando a ca-
deira em frente à mesa. – Ela não endoidou de
vez, não é?
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Deu outra risada, só que mais ruidosa. Adal-
berto não compartilhou com o sarcasmo do de-
legado, deixando-o um pouco acanhado.
– Não sabemos – disse Adalberto, sério. –
Acontece que ela não sai de casa há três dias,
daí concluímos que alguma coisa deve estar
acontecendo e gostaríamos de ir até lá dar uma
olhadinha. Para isso seria necessário que o se-
nhor nos acompanhasse.
Valdomiro, ignorado pelo delegado, sentou-
se em uma cadeira, mesmo sem ser convidado.
– Eu? O senhor está louco? Aquela casa é
mal-assombrada, eu não vou lá de jeito nenhum
– retrucou o delegado, agitando as mãos.
– Está bem, não é necessário que o senhor
vá. Basta nos dar uma autorização para poder-
mos entrar ou mandar um dos seus auxiliares
nos acompanhar.
O delegado pensou um pouco: se ele não
estava querendo ir, com certeza nenhum dos seus
auxiliares iria querer; e depois não iria nem per-
guntar, para evitar qualquer vexame. Resolveu
optar por uma autorização.
– Vou fazer uma autorização – disse o dele-
gado, tirando uma folha de papel e uma caneta
da gaveta.
Demorou alguns minutos para escrever o do-
cumento, porque parava alguns instantes para
pensar antes de escrever cada linha.
Valdomiro pensava com seus botões, obser-
vando o delegado enquanto ele escrevia.
“Como pode um sujeito tonto como esse ser
delegado?”
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– Aqui está, com isto o senhor poderá en-
trar. Depois me conte o que aconteceu.
– Obrigado, delegado. Já vamos indo, pois
o tempo é curto – disse Adalberto, levantan-
do-se e estendendo a mão ao delegado, con-
cluindo:
– Tem certeza de que não quer vir com a gen-
te? Afinal, não é todo dia que temos oportunida-
de de presenciar fenômenos como esses, não é?
– Pode ser, só que prefiro cuidar de coisas
mais palpáveis. Neste caso eu nomeio o senhor
como meu auxiliar para assuntos sobrenaturais
– deu mais uma risadinha.
Adalberto saiu com Valdomiro em direção
ao casarão. Chegando lá, Valdomiro demonstra-
va não estar muito convencido de querer entrar,
já achava até que havia feito bobagem em ter
levantado a lebre. Adalberto, percebendo a sua
relutância, pois o rapaz estava andando muito
devagar, e já desconfiando do que estava acon-
tecendo, chamou-lhe a atenção:
– Você não foi me procurar para depois tirar
o corpo fora, não é?
– Não, imagina! – Falou, dando uma corri-
dinha para alcançá-lo. Mas, na verdade, uma
pequena tremedeira já estava tomando conta de
suas pernas.
– Ah! Vá lá no porta-malas do carro e pegue
um pé-de-cabra – pediu Adalberto.
Valdomiro trouxe a ferramenta, e Adalberto
introduziu-a entre a porta e o batente do casa-
rão, porém não foi necessário fazer força, pois a
porta estava aberta. Foi a primeira surpresa. Ele
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a empurrou devagarzinho. Valdomiro, às suas
costas, esticava o pescoço para espiar lá dentro.
O que viram não era nada agradável: sujei-
ra por todo canto, um cheiro terrível, indescri-
tível. Adalberto foi entrando com bastante calma,
parecia não dar atenção a tudo aquilo, apenas
observava à sua volta. Valdomiro, por sua vez,
não resistiu ao cheiro e teve ânsia de vômito.
– Está querendo sujar mais a casa, meu ra-
paz? – Perguntou Adalberto.
– Desculpe, quase não consegui resistir, o
cheiro é ruim demais!
– Você precisa ter autocontrole. Nada disso
deve influenciá-lo.
– Para o senhor é muito fácil, para mim, vou
ter de me preparar muito.
– Já lhe falei várias vezes que você deve es-
tudar, aposto que aquele livro que lhe dei está
jogado em algum canto – disse Adalberto, sem
parar de olhar tudo à sua volta.
O pior é que era verdade. Adalberto deu-lhe
um livro, já havia algum tempo, sobre esse as-
sunto, Espiritismo, mas o rapaz achava que não
estava preparado ainda e o livro ficou esqueci-
do na estante.
Atrás da poltrona, Adalberto distinguiu, pela
sua vidência, um vulto e indentificou-o como um
espírito. Não disse nada ao seu companheiro,
porque se dissesse...
Era Gerônimo que observava tudo, tentan-
do se esconder. Adalberto foi até a cozinha. Não
viu nada a não ser muita sujeira: a pia estava
lotada de panelas e pratos sujos. Na mesa, um
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prato com um pedaço de carne muito malcozida,
já em estado de putrefação, cheio de moscas.
Ele voltou para a sala. Ia subir a escada que dava
para os aposentos superiores quando viu em-
baixo dela uma porta semi-aberta e resolveu dar
uma olhada. Lá estava Rose, estirada em uma
pequena cama, no quarto que deveria ser de em-
pregada, minúsculo. Entrou rapidamente e to-
mou seu braço para verificar se a moça apresen-
tava pulsação. Ela respirava com dificuldade.
Havia restos de comida pelo chão, levando-o a
deduzir que ela havia trazido alimentos para o
quarto. Adalberto sentiu uma presença estranha
no ambiente, virou-se e viu atrás de um peque-
no armário a figura assustadora de Josafá, ten-
tando se esconder. Ao notar que tinha sido des-
coberto, saiu rapidamente do quarto pela porta.
Por ser espírito, bastaria afastar-se um pouco que
já estaria fora do campo de visão de Adalberto,
mas, como se tratava de um espírito sem conhe-
cimento, continuava utilizando a porta.
Adalberto chamou por Valdomiro, que fica-
ra na porta da sala, esperando. Ele atendeu, meio
receoso.
– Ajude-me a levá-la até o carro.
– Como ela está? – Perguntou, ansioso.
– Viva, mas precisa urgente de socorro, va-
mos levá-la para o pronto-socorro.
Quando eles estavam saindo, Adalberto “ou-
viu” Gerônimo gritar para Josafá, que estava na
porta da cozinha:
“Você vai deixar levarem nossa Rosinha?”
Josafá não respondeu nada. Em seu lugar
ouviu-se Joaninha, que estava na parte de cima:
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“Deixem levar, quando ela melhorar nós a
traremos de volta.”
– O que foi, seu Adalberto, o senhor parou
de repente, por quê? – Perguntou Valdomiro,
vendo que seu companheiro tinha parado e olha-
do de modo meio esquisito para dentro da casa.
– Nada, nada, vamos embora, rápido.
– Tem fantasmas lá dentro, não tem? – Per-
guntou o rapaz, assustado.
– Não existem fantasmas, existem espíritos.
Aprenda, rapaz – disse Adalberto, já colocando
a moça no banco de trás do carro.
Do outro lado da rua, Rosália já estava ob-
servando a movimentação. Quando os dois saí-
ram com a moça, ela não resistiu e correu para
ficar a par dos acontecimentos. Foi logo pergun-
tando:
– O que está acontecendo?
– Nada de importante, dona, a moça só pas-
sou mal e nós viemos ajudá-la – respondeu Val-
domiro.
– E como vocês ficaram sabendo que ela
estava mal? – Perguntou Rosália.
– Não dá para explicar agora, dona – disse
Adalberto. – Dê licença que estamos com pressa.
O carro saiu em disparada em direção ao
pronto-socorro. Rosália ficou olhando o carro se
afastar, sem ficar sabendo o que realmente ti-
nha acontecido. Olhou para o casarão e teve um
arrepio.
– Credo-em-cruz, que coisa esquisita! – Ex-
clamou, tratando de sair logo dali.
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Os Segredos do Casarão
Apesar de ela não ter visto nada, Josafá es-
tava à porta abraçado com Joaninha.
*
Chegando no pronto-socorro, Rose foi logo
atendida. Fizeram-lhe os exames, deram-lhe os
medicamentos receitados pelos médicos de plan-
tão e providenciaram logo um quarto para ela
ficar.
Quando a moça já estava acomodada, o
médico veio informar Adalberto:
– Ela já está descansando e tomando soro.
Está fora de perigo – disse ele –, mas muito fra-
ca. Se tivessem demorado um pouco mais para
socorrê-la, provavelmente não teria resistido.
– Graças a Deus! – Exclamou Adalberto. –
Obrigado, doutor.
– Não tem de quê. Até logo. – O médico afas-
tou-se para atender outra chamada.
Valdomiro deu um suspiro de alívio e caiu
numa poltrona com um largo sorriso.
– Precisamos protegê-la daqueles espíritos.
Vou chamar Fina para ficar com ela esta noite –
disse Adalberto.
– Eu posso ficar! – Exclamou Valdomiro.
– Acredito que você possa protegê-la de encar-
nados, Valdomiro, mas para defendê-la de desen-
carnados precisamos de alguém experiente.
– Ela corre perigo ainda?
– Aqueles espíritos obsessores não irão ficar
sossegados, eles tentarão levá-la de volta na pri-
meira oportunidade, por isso devemos protegê-
la de todas as maneiras.
– O senhor é quem sabe das coisas.
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Elizabeth Artmann
– E você já poderia estar sabendo de algu-
mas coisas também, não é, “mocinho”?
Valdomiro concordou e ficou olhando seu
amigo afastar-se em direção ao telefone públi-
co. Havia uma grande amizade entre eles e o
rapaz admirava aquele senhor. Tão pequeno na
estatura, mas tão grande em conhecimento. De-
pois disso ele iria correndo procurar aquele li-
vro e iria estudar com bastante afinco essas coi-
sas de espíritos. Precisava e devia isso ao seu
amigo. Também já tinha bastante curiosidade
sobre o assunto, pois percebera que, se tivesse
mais entendimento sobre o Espiritismo, poderia
ajudar mais.
– Pronto, daqui a pouco a Fina chegará aqui –
informou Adalberto.
– Fina! Que nome esquisito, não é?
– O nome dela é Josefina, mas como ela é
gordinha, as pessoas começaram a chamá-la de
Fina e o apelido pegou. Como ela própria não se
incomodou, acabou ficando conhecida como Fina.
– E ela irá proteger bem a Rose? – Quis sa-
ber Valdomiro.
– Não só ela, mas também os amigos espiri-
tuais que já estão aqui nos auxiliando.
– Aqui?!
– Se você já tivesse lido aquele livro, eu
não teria de dar tantas explicações, não é?
– Desculpe seu Adalberto, prometo que vou
ler rapidinho.
– Não quero que você leia “rapidinho”, re-
comendo que o estude parágrafo por parágrafo,
medite sobre todas as questões e procure
compreendê-las.
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Os Segredos do Casarão
– O senhor é quem manda.
– Eu não mando nada, só recomendo.
– O senhor disse que já têm espíritos por aqui.
Dá para explicar um pouquinho sobre isso para
mim, só adiantando um pouco do que vou ler
no livro?
– A verdade é que estamos sempre envolvi-
dos e acompanhados por espíritos em todos os
instantes. Se você é uma pessoa que procura fa-
zer o bem, tem bons pensamentos e se esforça
para fazer as coisas corretamente, estará sempre
acompanhado de um espírito bom, que pode ter
sido um amigo ou um parente que se preocupa
com o seu desenvolvimento espiritual. Este es-
pírito é aquele popularmente conhecido como
anjo da guarda. Ele fará tudo para auxiliá-lo, lhe
transmitir bons pensamentos e incentivos no sen-
tido de você se manter no caminho correto. Além
disso, haverá sempre bons espíritos lhe inspiran-
do bons pensamentos. Agora, se você é uma pes-
soa que não se preocupa com as coisas boas,
tem pensamentos ruins e gosta desses pensamen-
tos, aí então o espírito amigo irá se afastar, por-
que você não estará dando atenção para seus
conselhos. A partir daí, espíritos de malfeitores
irão se aproximar, e geralmente não vêm sozi-
nhos, então sua vida virará um inferno, pois eles
farão de tudo para você sucumbir. Eles não têm
nenhum escrúpulo e não medirão esforços para
prejudicá-lo. Irão sugar suas energias, irão
incentivá-lo a fazer coisas ruins, prejudicando sua
vida tanto material quanto espiritualmente. E
isso ocorre por afinidade: se você é bom, se afi-
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2ª Revisão
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na com os bons, caso contrário, você atrairá os
maus.
Valdomiro ouviu com muita atenção as ex-
plicações do amigo e ficou por alguns segundos
em silêncio, até que exclamou:
– Impressionante, se não somos bons,
estamos completamente à mercê de espíritos
maldosos, sem proteção nenhuma!
– Raciocínio perfeito! Mas existe proteção,
nossos amigos espirituais nunca se afastam defi-
nitivamente, estão sempre por perto para o mo-
mento em que você pedir socorro, estão sempre
dispostos a auxiliar, desde que o pedido seja sin-
cero. Para isso basta fazer uma prece, é nessa
hora que a fé funciona com toda a sua força.
– Ainda bem. Mas a Rose não é má pessoa,
por que os espíritos querem prejudicá-la?
– No caso da Rose pode ser diferente. Além
de ela ficar invigilante, dando brecha a espíritos
inferiores, pode ser também um caso de vingan-
ça vinda do passado. Hoje esses espíritos apro-
veitam sua fraqueza psíquica e se apoderam pra-
ticamente de sua vida. Talvez seja isso.
– Passado, quando era criança?
– Não, não, estamos falando de reencarna-
ções. Alguma desavença séria que ela teve em
outra encarnação e agora esses espíritos estão
querendo vingança.
– Mas...
– Leia o livro, você vai entender tudo o que
falei e muito mais. Agora preciso ir, já avisei as
enfermeiras que Fina vai passar a noite com
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2ª Revisão
Os Segredos do Casarão
Rose. Você deve ir para casa descansar, hoje foi
um dia muito importante em sua vida.
Deu um tapinha nas costa de Valdomiro e
foi embora.
“Bem que dona Margareth disse outro dia lá
na padaria que tudo o que é sobrenatural é mui-
to complexo. E como é!” – Pensou Valdomiro,
indo embora também.
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