
Os Vivos e os Mortos na Sociedade Medieval
Schmitt trata do funcionamento social da memória dos mortos entre os séculos V e XV, e começa separando os relatos de fantasmas das viagens ao além, do livro VI da Eneida à Divina comédia: ali o vivo desce ao outro mundo, aqui é um morto comum que volta. Sua tese é que a memoria litúrgica, com os nomes inscritos nos obituários dos mosteiros e as missas de três dias, sete dias, um mês, um ano, funcionava como técnica social de esquecimento, e que o fantasma é o defunto que a frustra. O primeiro capítulo reúne a recusa das aparições na alta Idade Média: os draugr das sagas escandinavas, Grettir que decapita e queima Glam, a pitonisa de En Dor evocando Samuel diante do rei Saul, e as cartas em que Agostinho responde a Evódio e a Paulino de Nola que o que aparece não é o corpo nem a alma, mas uma imago.
