The Dark Side of the Moon: Os Bastidores da Obra-prima do Pink Floyd

Apêndice: Nós e eles: a vida depois de The Dark Side of the Moon

APÊNDICE

 

Nós e eles: a vida depois de The Dark

 

Side of the Moon

 

David Gilmour continuou seu trabalho no Pink Floyd por mais 21 anos

depois do lançamento de The Dark Side of the Moon. Houve, porém, dois

intervalos mais longos nesse período: de 1983 a 1986, tempo transcorrido

entre a saída de Roger Waters da banda e o lançamento, liderado por David

Gilmour, da terceira fase do grupo; e de 1989 a 1993, do final da turnê de A

Momentary Lapse of Reason, primeiro álbum sem Roger Waters, até o

início do trabalho em The Division Bell. Depois que o Pink Floyd entrou em

recesso indefinido, em 1994, David Gilmour manteve-se discretamente fora

de cena, fazendo apresentações esporádicas como artista convidado —

contribuiu, por exemplo, para o álbum de covers de Paul McCartney, em

1999, Run Devil Run. Em 2002, lançou o DVD David Gilmour in Concert,

no qual interpreta canções do Pink Floyd, como “Shine On You Crazy

Diamond”, “Comfortably Numb” e “Fat Old Sun”, “Terrapin”, de Syd

Barrett, e “Hushabye Mountain”, do filme O calhambeque mágico (Chitty

Chitty Bang). Superando dificuldades consideráveis, anunciou no verão de

2005 que se reuniria com Roger Waters para a participação do Pink Floyd

no Live 8. Apenas em 2006, com On An Island, acrescentou mais um disco

a seu pequeno catálogo solo, cujo último lançamento havia sido About

Face, de 1984.

Nick Mason manteve-se como baterista do Pink Floyd até 1994, embora

o sucesso de The Dark Side of the Moon lhe permitisse se dedicar aos

esportes motorizados, que eventualmente assumem sua preferência, em

lugar das atividades musicais. Retomou a amizade com Roger Waters

depois de um encontro acidental no verão de 2002, que resultou em sua

participação como convidado num espetáculo solo de Waters em Londres.

Nick Mason tocou bateria numa interpretação de “Set Controls for the Heart

of the Sun”. Publicou Inside Out: A Personal History of Pink Floyd em

setembro de 2004. Enquanto promovia o livro, perguntaram-lhe a respeito

das possibilidades de uma reunião do Pink Floyd incluindo David Gilmour

e Roger Waters. “A única maneira de acontecer isso seria em algo como um

Live Aid, onde as pessoas diriam: ‘Isso é mais importante que qualquer

divergência, nós vamos fazer algo maravilhoso.’ Não é logicamente

impossível. Mas seria preciso falar com eles. Sempre fui um otimista.”

Menos de um ano depois, suas esperanças se realizaram quando os quatro

integrantes do Pink Floyd concordaram em tocar juntos no Live 8.

 

Roger Waters lançou o aviso do fim do Pink Floyd em outubro de 1986,

com uma ação judicial, alegando que a banda “deveria ter a permissão de se

aposentar de maneira elegante”. Para seu grande aborrecimento, David

Gilmour reativou o grupo. “Não estou seguro de que eles irão conseguir,

pois fui o único a fazer as coisas durante os últimos 15 anos”, disse Roger Waters. Seguiu sua carreira solo, que começou com The Pros and Cons of

Hitchhiking (1984). Dela também fazem parte Radio K.A.O.S. (1987),

Amused to Death (1992) e o álbum ao vivo intitulado In the Flesh (2000).

Em 1990, Roger Waters encenou uma produção, com diversos convidados

ilustres, de The Wall, em Berlim, destinada a levantar recursos para o

Memorial Fund for Disaster Relief, entidade beneficente empenhada em

arrecadar cinco libras inglesas para cada vida perdida nas guerras do século

XX. Na ocasião em que idealizava o espetáculo, estava empenhado em dois

projetos em que vinha trabalhando há vários anos: uma ópera baseada na

Revolução Francesa, intitulada Ça Ira, e uma versão para a Broadway de

The Wall. “Não acho que deveria haver necessariamente uma separação

entre os discos que fiz com o Pink Floyd e o trabalho que realizei desde

então”, diz ele. “Existe a voz que rolou durante aqueles anos e a voz que

continuou.” O fato de Roger Waters juntar-se a David Gilmour, Nick Mason

e Rick Wright no concerto do Live 8 foi classificado como um encontro

temporário: a declaração divulgada à imprensa falava de “uma oportunidade

de reunir a banda de novo, ainda que só para uns poucos números”.

 

Rick Wright talvez tenha sido a vítima mais evidente do predomínio

crescente do ego de Roger Waters sobre o Pink Floyd. “Quando ele

começou a embarcar em suas egotrips”, disse Wright, “a pessoa que

escolhia para os conflitos era sempre eu.” Embora Roger Waters o tenha

dispensado da banda durante a gravação de The Wall, Rick Wright recebeu

uma remuneração para voltar às apresentações do projeto. Mostrou a

mesma capacidade de se manter de certa forma distanciado durante o

período em que tocou teclados com a encarnação do Pink Floyd promovida

por David Gilmour, até ser recontratado como integrante fixo do Pink Floyd

antes da gravação de The Division Bell. Lançou seu segundo álbum solo,

Broken China, em 1996 — e desde então entrou numa fase de

aposentadoria efetiva, rompida apenas pela apresentação do Pink Floyd no Live 8. Aos olhos de algumas das pessoas ligadas ao grupo, sua

contribuição para a banda tem sido muito subestimada ao longo dos anos.

Na opinião de Peter Jenner, por exemplo, Wright “é o grande herói não

celebrado do Pink Floyd”.

 

Syd Barrett, que se chamava Roger Keith Barrett, morreu em Cambridge

no dia sete de julho de 2006, aos 60 anos, vítima de complicações

decorrentes da diabetes. Depois de sair do Pink Floyd, gravou dois álbuns,

parcialmente assistido por Roger Waters, David Gilmour e Rick Wright —

the Madcap Laughs e Barrett —, antes que suas atividades musicais se

tornassem bastante esporádicas e viessem a cessar. Seu último encontro

com os ex-colegas de Pink Floyd foi em junho de 1975, quando fez

inesperadamente uma visita a Abbey Road durante as gravações de Wish

You Were Here. A aparência física dele — no livro de Nick Mason, Barrett é

descrito como “um cara grande e gordo com a cabeça raspada, vestindo

uma velha e decrépita capa de chuva” — causou grande susto na banda.

“Não tinha a menor pista de quem era”, conta Mason. “Lembro que alguém

disse: ‘Sabe quem é este cara, Nick?’ E eu fiquei olhando, pensando: ‘Sei

lá…’” Depois de abandonar a música, Syd Barrett viveu de forma simples e

reclusa em Cambridge. Manteve o hábito de pintar até o fim da vida.

Segundo Roger Waters, Syd Barrett nunca teve dificuldades financeiras

graças ao dinheiro que ganhava de direitos autorais.

 

Lesley Duncan encerrou seu trabalho como cantora de estúdio pouco

depois de The Dark Side of the Moon e lançou alguns álbuns próprios.

Abandonou a indústria musical nos anos 1980 e hoje mora nas ilhas

Hébridas, na Escócia.

 

Peter Jenner deu continuidade à sua atuação com o Pink Floyd com

uma carreira empresarial bem-sucedida. Entre seus clientes estiveram Tyrannosaurus Rex, Roy Harper, Kevin Ayers, the Clash, Ikan Dury & The

Blockheads, The Disposable Heroes of Hiphoprisy e o cantor e compositor

inglês Billy Bragg. É atualmente presidente do International Music

Manager’s Forum.

 

John Leckie, depois de se impor como um dos engenheiros de som

contratados de Abbey Road, partiu para uma carreira de sucesso como

produtor. Seus créditos incluem White Music, do XTC, o álbum de 1995 do

Radiohead, The Bends, o disco de estréia dos Stone Roses e, mais

recentemente, os dois primeiros álbuns do trio britânico Muse.

 

Bhaskar Menon permaneceu na presidência da Capitol até 1978,

quando foi nomeado presidente da EMI Internacional. Deixou a

organização em 1990 e ainda mora em Los Angeles. Lembrando o seu

papel em The Dark Side of the Moon, ele diz: “Sempre acreditei que o disco

teria muito, muito sucesso mesmo. Foi gratificante, mas não

surpreendente.”

 

Steve O’Rourke continuou como empresário do Pink Floyd até morrer

em outubro de 2003. Na cerimônia fúnebre, na catedral de Chichester,

Inglaterra, David Gilmour, Rick Wright e Nick Mason tocaram as canções

“Fat Old Sun” e “The Great Gig in the Sky”, do Pink Floyd.

 

Dick Parry participou dos shows do Pink Floyd até o final da turnê do

disco Animals, de 1977. Após um descanso da música profissional, tocou

em The Division Bell e juntou-se ao grupo de músicos que tocaram com

David Gilmour, Nick Mason e Rick Wright na turnê mundial que se seguiu

ao lançamento do álbum. Em 2004, tocou numa série de apresentações com

a Violent Femmes, banda cult norte-americana de rock independente.

 

Alan Parsons fundou, com Eric Woolfson, o Alan Parsons Project, em

1976. O primeiro álbum deles foi Tales of Mystery and Imagination,

trabalho conceitual baseado em algumas obras de Edgar Allan Poe. O

projeto durou até o início dos anos 1990, quando Parsons se lançou na

carreira solo. Seu último álbum é A Valid Path, de 2004, que inclui

participações de David Gilmour. Quando The Dark Side of the Moon foi

remixado em som surround 5.1, Parsons expressou sua mágoa de não ter

sido convidado para fazer o trabalho. “Já estava em andamento quando descobri”, ele disse. “Fiquei muito chateado”. Embora Roger Waters e

David Gilmour tenham ocasionalmente procurado minimizar a contribuição

de Alan Parsons para Dark Side, ao menos um integrante do Pink Floyd é

veemente em seu elogio. “Acho que ele foi particularmente responsável

pela perfeição sonora do disco”, diz Nick Mason. “Para a época, foi

surpreendentemente boa.”

 

Aubrey Powell continuou sua parceria com o Pink Floyd até Animals.

Deixou de lado o envolvimento com o desenho de capas de discos nos anos

1980 e hoje é cineasta. Fez documentários sobre o pintor inglês Francis

Bacon e sobre as tribos Zulu e Xhosa da África do Sul, além de ocasionais

trabalhos em publicidade para TV.

 

Barry St. John continuou como vocalista até o início dos anos 1980,

antes de chegar à conclusão de que “cantar em estúdio não dura para

sempre.” Depois de cursar a escola noturna, começou a trabalhar na área

jurídica e permanece até hoje na área.

 

Liza Strike está entre as vocalistas de apoio do rock com o maior número

de participações em todos os tempos: segundo seus próprios cálculos,

apareceu em mais de 80 álbuns. Depois de trabalhar em Dark Side,

continuou sua carreira de cantora de estúdio até ficar doente, no início da

década de 1980. Mudou-se então de Londres para a cidade litorânea inglesa

de Plymouth, onde passou a ensinar canto. Como aconteceu com a maioria

dos coadjuvantes de Dark Side, não recebeu um exemplar do álbum. Três

anos depois do lançamento, porém, encontrou-se por acaso numa reunião

social com David Gilmour. “Perguntei a ele: ‘Ei, Dave… você tem uma

cópia do disco?’ Como se faz quando você é jovem e descolada”. Gilmour

não pôde atendê-la; em vez disso, mandou-lhe um exemplar de Wish You

Were Here.

 

Chris Thomas figura há muito tempo entre os mais admirados

produtores do rock. Deu seqüência a seu trabalho em The Dark Side of the

Moon sedimentando sua carreira de produtor com o Roxy Music, seguido

por um trabalho em Never Mind the Bollocks, Here’s the Sex Pistols. Seus

outros créditos incluem os três primeiros álbuns dos Pretenders, Kick e

Different Class, do INXS, e This Is Hardcore, da banda inglesa Pulp. Recentemente trabalhou com o U2 no álbum How to Dismantle an Atomic

Bomb, de 2004.

 

Storm Thorgeson trabalhou com o Pink Floyd na arte das capas de Wish

You Were Here e Animals, mas não participou em The Wall. Retomou a

parceria a partir de A Momentary Lapse of Reason, em 1987, e seus designs

têm ilustrado projetos recentes como o relançamento de 30 anos de The

Dark Side of the Moon, o DVD Live at Pompeii, o livro Inside Out, de Nick

Mason, e o DVD da última turnê do Pink Floyd, Pulse, lançado em 2006. A

terceira edição de seu próprio livro, Mind over Matter, saiu em 2003.

 

Clare Torry descobriu por acaso que a participação que gravara para

“The Great Gig in the Sky” fora incluída em The Dark Side of the Moon.

“Eu ia passando por uma loja de discos”, diz ela, “e na vitrine havia um

enorme cartaz do prisma e do espectro de luz. Vi as palavras “Pink Floyd” e

pensei: ‘Será que é o álbum em que cantei?’ Comprei-o, levei para casa e

toquei desde o começo. E achei fantástico.” Durante os anos 1970, dividiu-

se entre comerciais para televisão e gravações com artistas como Meat

Loaf, Olivia Newton-John e Tangerine Dream. No final da década de 1980,

com a bênção de Rick Wright, gravou “The Great Gig in the Sky” para um

comercial de analgésico. Sua ligação com o Pink Floyd também foi

reativada graças à participação no álbum de 1987 de Roger Waters, Radio

K.A.O.S., e a uma versão de “The Great Gig in the Sky” apresentada num

imenso show do Pink Floyd ao ar livre em Knebworth Park, Hertfordshire,

em junho de 1990. Depois de se aposentar do trabalho profissional, Torry

entrou com uma ação reivindicando direitos de co-autoria pela contribuição

melódica para “The Great Gig in the Sky”. “No início,” diz ela, “os custos

eram proibitivos. Tive realmente de engolir aquilo. Também, se eu

começasse uma confusão quando estava no meio da minha carreira, seria

considerada uma criadora de caso. Então, quando me aposentei, pensei

naquilo de novo. E comecei a partir daí”. A ação foi decidida em favor de

Clare Torry na primavera de 2005, e a canção passou a exibir o crédito

“Wright-Torry”. Ela foi proibida de divulgar qualquer informação sobre o

acordo extrajudicial.

 

Doris Troy continuou seu trabalho como cantora solo e de estúdio na Grã-

Bretanha. No final dos anos 1970 voltou aos Estados Unidos, onde se envolveu com Mama, I Want to Sing, musical baseado em sua vida, que se

tornou um do mais bem-sucedidos espetáculos off-Broadway da história.

Morreu em 16 de fevereiro de 2004, em Las Vegas.

 

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