Tieta do Agreste
Cronologia
Tieta do Agreste foi escrito entre 1976 e 1977. No entanto, a maior parte da história se passa na década anterior: 1966 é o ano em que Tieta volta a sua terra natal, Santana do Agreste, de onde havia sido expulsa ainda mocinha. Através da personagem Carmosina, que tem acesso a jornais e revistas, o romance faz muitas referências a acontecimentos dos anos 60, como o aparecimento da pílula anticoncepcional, a viagem à lua, a guerra entre Portugal e suas colônias ultramarinas, e a condenação pela justiça italiana da fábrica de dióxido de titânio Montedison, que poluía o Mediterrâneo. Fatos da capital baiana contemporâneos à trama também são mencionados, como a transformação do Solar do Unhão, antiga fazenda à beira-mar, em sede do Museu de Arte Moderna da Bahia, em 1966.
1912-1919
Jorge Amado nasce em 10 de agosto de 1912, em Itabuna, Bahia. Em 1914, seus pais transferem-se para Ilhéus, onde ele estuda as primeiras letras. Entre 1914 e 1918, trava-se na Europa a Primeira Guerra Mundial. Em 1917, eclode na Rússia a revolução que levaria os comunistas, liderados por Lênin, ao poder.
1920-1925
A Semana de Arte Moderna, em 1922, reúne em São Paulo artistas como Heitor Villa-Lobos, Tarsila do Amaral, Mário e Oswald de Andrade. No mesmo ano, Benito Mussolini é chamado a formar governo na Itália. Na Bahia, em 1923, Jorge Amado escreve uma redação escolar intitulada “O mar”; impressionado, seu professor, o padre Luiz Gonzaga Cabral, passa a lhe emprestar livros de autores portugueses e também de Jonathan Swift, Charles Dickens e Walter Scott. Em 1925, Jorge Amado foge do colégio interno Antônio Vieira, em Salvador, e percorre o sertão baiano rumo à casa do avô paterno, em Sergipe, onde passa “dois meses de maravilhosa vagabundagem”.
1926-1930
Em 1926, o Congresso Regionalista, encabeçado por Gilberto Freyre, condena o modernismo paulista por “imitar inovações estrangeiras”. Em 1927, ainda aluno do Ginásio Ipiranga, em Salvador, Jorge Amado começa a trabalhar como repórter policial para o Diário da Bahia e O Imparcial e publica em A Luva, revista de Salvador, o texto “Poema ou prosa”. Em 1928, José Américo de Almeida lança A bagaceira, marco da ficção regionalista do Nordeste, um livro no qual, segundo Jorge Amado, se “falava da realidade rural como ninguém fizera antes”. Jorge Amado integra a Academia dos Rebeldes, grupo a favor de “uma arte moderna sem ser modernista”. A quebra da bolsa de valores de Nova York, em 1929, catalisa o declínio do ciclo do café no Brasil. Ainda em 1929, Jorge Amado, sob o pseudônimo Y. Karl, publica em O Jornal a novela Lenita, escrita em parceria com Edson Carneiro e Dias da Costa. O Brasil vê chegar ao fim a política do café-com-leite, que alternava na presidência da República políticos de São Paulo e Minas Gerais: a Revolução de 1930 destitui Washington Luís e nomeia Getúlio Vargas presidente.
1931-1935
Em 1932, desata-se em São Paulo a Revolução Constitucionalista. Em 1933, Adolf Hitler assume o poder na Alemanha, e Franklin Delano Roosevelt torna-se presidente dos Estados Unidos da América, cargo para o qual seria reeleito em 1936, 1940 e 1944. Ainda em 1933, Jorge Amado se casa com Matilde Garcia Rosa. Em 1934, Getúlio Vargas é eleito por voto indireto presidente da República. De 1931 a 1935, Jorge Amado freqüenta a Faculdade Nacional de Direito, no Rio de Janeiro; formado, nunca exercerá a advocacia. Amado identifica-se com o Movimento de 30, do qual faziam parte José Américo de Almeida, Rachel de Queiroz e Graciliano Ramos, entre outros escritores preocupados com questões sociais e com a valorização de particularidades regionais. Em 1933, Gilberto Freyre publica Casa-grande & senzala, que marca profundamente a visão de mundo de Jorge Amado. O romancista baiano publica seus primeiros livros: O país do Carnaval (1931), Cacau (1933) e Suor (1934). Em 1935 nasce sua filha Eulália Dalila.
1936-1940
Em 1936, militares rebelam-se contra o governo republicano espanhol e dão início, sob o comando de Francisco Franco, a uma guerra civil que se alongará até 1939. Jorge Amado enfrenta problemas por sua filiação ao Partido Comunista Brasileiro. São dessa época seus livros Jubiabá (1935), Mar morto (1936) e Capitães da Areia (1937). É preso em 1936, acusado de ter participado, um ano antes, da Intentona Comunista, e novamente em 1937, após a instalação do Estado Novo. Em Salvador, seus livros são queimados em praça pública. Em setembro de 1939, as tropas alemãs invadem a Polônia e tem início a Segunda Guerra Mundial. Em 1940, Paris é ocupada pelo exército alemão. No mesmo ano, Winston Churchill torna-se primeiro-ministro da Grã-Bretanha.
1941-1945
Em 1941, em pleno Estado Novo, Jorge Amado viaja à Argentina e ao Uruguai, onde pesquisa a vida de Luís Carlos Prestes, para escrever a biografia publicada em Buenos Aires, em 1942, sob o título A vida de Luís Carlos Prestes, rebatizada mais tarde O cavaleiro da esperança. De volta ao Brasil, é preso pela terceira vez e enviado a Salvador, sob vigilância. Em junho de 1941, os alemães invadem a União Soviética. Em dezembro, os japoneses bombardeiam a base norte-americana de Pearl Harbor, e os Estados Unidos declaram guerra aos países do Eixo. Em 1942, o Brasil entra na Segunda Guerra Mundial, ao lado dos aliados. Jorge Amado colabora na Folha da Manhã, de São Paulo, torna-se chefe de redação do diário Hoje, do pcb, e secretário do Instituto Cultural Brasil-União Soviética. No final desse mesmo ano, volta a colaborar em O Imparcial, assinando a coluna “Hora da Guerra”, e em 1943 publica, após seis anos de proibição de suas obras, Terras do sem-fim. Em 1944, Jorge Amado lança São Jorge dos Ilhéus. Separa-se de Matilde Garcia Rosa. Chegam ao fim, em 1945, a Segunda Guerra Mundial e o Estado Novo, com a deposição de Getúlio Vargas. Nesse mesmo ano, Jorge Amado casa-se com a paulistana Zélia Gattai, é eleito deputado federal pelo pcb e publica o guia Bahia de Todos-os-Santos. Terras do sem-fim é publicado pela editora de Alfred A. Knopf, em Nova York, selando o início de uma amizade com a família Knopf que projetaria sua obra no mundo todo.
1946-1950
Em 1946, Jorge Amado publica Seara vermelha. Como deputado, propõe leis que asseguram a liberdade de culto religioso e fortalecem os direitos autorais. Em 1947, seu mandato de deputado é cassado, pouco depois de o pcb ser posto fora da lei. No mesmo ano, nasce no Rio de Janeiro João Jorge, o primeiro filho com Zélia Gattai. Em 1948, devido à perseguição política, Jorge Amado exila-se, sozinho, voluntariamente em Paris. Sua casa no Rio de Janeiro é invadida pela polícia, que apreende livros, fotos e documentos. Zélia e João Jorge partem para a Europa, a fim de se juntar ao escritor. Em 1950, morre no Rio de Janeiro a filha mais velha de Jorge Amado, Eulália Dalila. No mesmo ano, Amado e sua família são expulsos da França por causa de sua militância política e passam a residir no castelo da União dos Escritores, na Tchecoslováquia. Viajam pela União Soviética e pela Europa Central, estreitando laços com os regimes socialistas.
1951-1955
Em 1951, Getúlio Vargas volta à presidência, desta vez por eleições diretas. No mesmo ano, Jorge Amado recebe o prêmio Stálin, em Moscou. Nasce sua filha Paloma, em Praga. Em 1952, Jorge Amado volta ao Brasil, fixando-se no Rio de Janeiro. O escritor e seus livros são proibidos de entrar nos Estados Unidos durante o período do macarthismo. Em 1954, Getúlio Vargas se suicida. No mesmo ano, Jorge Amado é eleito presidente da Associação Brasileira de Escritores e publica Os subterrâneos da liberdade. Afasta-se da militância comunista.
1956-1960
Em 1956, Juscelino Kubitschek assume a presidência da República. Em fevereiro, Nikita Khruchióv denuncia Stálin no 20º Congresso do Partido Comunista da União Soviética. Jorge Amado se desliga do pcb. Em 1957, a União Soviética lança ao espaço o primeiro satélite artificial, o Sputnik. Surge, na música popular, a Bossa Nova, com João Gilberto, Nara Leão, Antonio Carlos Jobim e Vinicius de Moraes. A publicação de Gabriela, cravo e canela, em 1958, rende vários prêmios ao escritor. O romance inaugura uma nova fase na obra de Jorge Amado, pautada pela discussão da mestiçagem e do sincretismo. Em 1959, começa a Guerra do Vietnã. Jorge Amado recebe o título de obá Arolu no Axé Opô Afonjá. Embora fosse um “materialista convicto”, admirava o candomblé, que considerava uma religião “alegre e sem pecado”. Em 1960, inaugura-se a nova capital federal, Brasília.
1961-1965
Em 1961, Jânio Quadros assume a presidência do Brasil, mas renuncia em agosto, sendo sucedido por João Goulart. Yuri Gagarin realiza na nave espacial Vostok o primeiro vôo orbital tripulado em torno da Terra. Jorge Amado vende os direitos de filmagem de Gabriela, cravo e canela para a Metro-Goldwyn-Mayer, o que lhe permite construir a casa do Rio Vermelho, em Salvador, onde residirá com a família de 1963 até sua morte. Ainda em 1961, é eleito para a cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras. No mesmo ano, publica Os velhos marinheiros, composto pela novela A morte e a morte de Quincas Berro Dágua e pelo romance O capitão-de-longo-curso. Em 1963, o presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, é assassinado. O Cinema Novo retrata a realidade nordestina em filmes como Vidas secas (1963), de Nelson Pereira dos Santos, e Deus e o diabo na terra do sol (1964), de Glauber Rocha. Em 1964, João Goulart é destituído por um golpe e Humberto Castelo Branco assume a presidência da República, dando início a uma ditadura militar que irá durar duas décadas. No mesmo ano, Jorge Amado publica Os pastores da noite.
1966-1970
Em 1968, o Ato Institucional nº 5 restringe as liberdades civis e a vida política. Em Paris, estudantes e jovens operários levantam-se nas ruas sob o lema “É proibido proibir!”. Na Bahia, floresce, na música popular, o tropicalismo, encabeçado por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Torquato Neto e Tom Zé. Em 1966, Jorge Amado publica Dona Flor e seus dois maridos e, em 1969, Tenda dos Milagres. Nesse último ano, o astronauta norte-americano Neil Armstrong torna-se o primeiro homem a pisar na Lua.
1971-1975
Em 1971, Jorge Amado é convidado a acompanhar um curso sobre sua obra na Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos. Em 1972, publica Tereza Batista cansada de guerra e é homenageado pela Escola de Samba Lins Imperial, de São Paulo, que desfila com o tema “Bahia de Jorge Amado”. Em 1973, a rápida subida do preço do petróleo abala a economia mundial. Em 1975, Gabriela, cravo e canela inspira novela da tv Globo, com Sônia Braga no papel principal, e estréia o filme Os pastores da noite, dirigido por Marcel Camus.
1976-1980
Em 1977, Jorge Amado recebe o título de sócio benemérito do Afoxé Filhos de Gandhy, em Salvador. Nesse mesmo ano, estréia o filme de Nelson Pereira dos Santos inspirado em Tenda dos Milagres. Em 1978, o presidente Ernesto Geisel anula o ai-5 e reinstaura o habeas corpus. Em 1979, o presidente João Baptista Figueiredo anistia os presos e exilados políticos e restabelece o pluripartidarismo. Ainda em 1979, estréia o longa-metragem Dona Flor e seus dois maridos, dirigido por Bruno Barreto. São dessa época os livros Tieta do Agreste (1977), Farda, fardão, camisola de dormir (1979) e O gato malhado e a andorinha Sinhá (1976), escrito em 1948, em Paris, como um presente para o filho.
1981-1985
A partir de 1983, Jorge Amado e Zélia Gattai passam a morar uma parte do ano em Paris e outra no Brasil — o outono parisiense é a estação do ano preferida por Jorge Amado, e, na Bahia, ele não consegue mais encontrar a tranqüilidade de que necessita para escrever. Cresce no Brasil o movimento das Diretas Já. Em 1984, Jorge Amado publica Tocaia Grande. Em 1985, Tancredo Neves é eleito presidente do Brasil, por votação indireta, mas morre antes de tomar posse. Assume a presidência José Sarney.
1986-1990
Em 1987, é inaugurada em Salvador a Fundação Casa de Jorge Amado, marcando o início de uma grande reforma do Pelourinho. Em 1988, a Escola de Samba Vai-Vai é campeã do Carnaval, em São Paulo, com o enredo “Amado Jorge: A história de uma raça brasileira”. No mesmo ano, é promulgada nova Constituição brasileira. Jorge Amado publica O sumiço da santa. Em 1989, cai o Muro de Berlim.
1991-1995
Em 1992, Fernando Collor de Mello, o primeiro presidente eleito por voto direto depois de 1964, renuncia ao cargo durante um processo de impeachment. Itamar Franco assume a presidência. No mesmo ano, dissolve-se a União Soviética. Jorge Amado preside o 14º Festival Cultural de Asylah, no Marrocos, intitulado “Mestiçagem, o exemplo do Brasil”, e participa do Fórum Mundial das Artes, em Veneza. Em 1992, lança dois livros: Navegação de cabotagem e A descoberta da América pelos turcos. Em 1994, depois de vencer as Copas de 1958, 1962 e 1970, o Brasil é tetracampeão de futebol. Em 1995, Fernando Henrique Cardoso assume a presidência da República, para a qual seria reeleito em 1998. No mesmo ano, Jorge Amado recebe o prêmio Camões.
1996-2000
Em 1996, alguns anos depois de um enfarte e da perda da visão central, Jorge Amado sofre um edema pulmonar em Paris. Em 1998, é o convidado de honra do 18º Salão do Livro de Paris, cujo tema é o Brasil, e recebe o título de doutor honoris causa da Sorbonne Nouvelle e da Universidade Moderna de Lisboa. Em Salvador, termina a fase principal de restauração do Pelourinho, cujas praças e largos recebem nomes de personagens de Jorge Amado.
2001
Após sucessivas internações, Jorge Amado morre em 6 de agosto de 2001.
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