Tópicos em malacologia médica
1.4 Família Planorbidae
A concha típica de um planorbídeo é planispiral; os olhos estão situados nas bases internas dos tentáculos, que são longos e finos; aberturas genitais à esquerda.
Gênero Acrorbis
Concha pequena, helicoidal, dextrógira, umbilicada; hemolinfa incolor; extremidade posterior do pé arredondada; tubo renal em J; rádula longa. Espécie: Acrorbis petricola Odhner, 1937 - concha com três e meio giros arredondados, 1,6 mm de comprimento e 2,6 mm
de largura, e espira elevada (Figura 12). Distribuição geográfica: Santa Catarina (Paraense, 1975).
FIGURA 12: Concha de Acrobis petricola*
* Ilustração cedida por Paraense
Gênero Gyraulus (não existe no Brasil) Gênero Plesiophysa
Concha pequena, fisóide, sinistrógira, com pelos curtos quando jovem; hemolinfa incolor; tubo renal em S. Espécie: Plesiophysa ornata (Haas, 1938) - concha com três e meio giros arredondados, 9 mm de comprimento e 5 mm de largura, espira achatada, e com
abertura correspondente a 60-75% do seu comprimento (Figura 13). Distribuição geográfica: Paraíba, Pernambuco, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás (Paraense, 1975; Souza & Lima, 1990).
FIGURA 13: Concha de Plesiophysa ornata*
* Ilustração cedida por Paraense
Gênero Antillorbis
Concha discoidal, pequena, com abertura oval; hemolinfa incolor; pé curto com extremidade caudal estreita, tubo renal em J. Espécie: Antillorbis nordestensis (Lucena, 1954) - concha com quatro giros arredondados que crescem rapidamente em diâmetro; lado direito aplanado e esquerdo com cavidade ampla; com 5 mm de diâmetro e
1,4 mm de largura (Figura 14). Distribuição geográfica: Alagoas, Distrito Federal, Goiás, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Pará e Maranhão (Paraense, 1975; Souza & Lima, 1990).
FIGURA 14: Concha de Antillorbis nordestensis*
* Ilustração cedida por Paraense
Gênero Helisoma
Concha discoidal de tamanho médio a grande; hemolinfa vermelha devido àhemoglobina; tubo renal em J. Espécie: Helisoma duryi (Wetherby, 1879) - concha com 18 mm de diâmetro e 8,5 mm de largura; cinco giros, arredondados à direitae subangulosos à esquerda, crescendo rapidamente em diâmetro; abertura
cordiformeou deltóide (Figura 15). Distribuição geográfica: não é autóctone, foi introduzido noBrasil. É encontrado em Goiás, no município de Formosa e em São Paulo em váriaslocalidades (Paraense, 1975; Souza & Lima, 1990).
FIGURA 15: Conchas de Helisoma duryi (Escala Milimétrica)
Fonte: Coleção de Laboratório de Malacologia do Centro de
Pesquisas René Rachou, Belo Horizonte, Minas Gerais - Acervo
Fotográfico de Lais Clark Lima
Gênero Drepanotrema
Concha discoidal, pequena, com abertura falciforme; pé longo, estreito elanceolar; hemolinfa incolor; tubo renal em J; massa
cefalopodal com faixaspigmentadas (Figura 16). Espécies:
FIGURA 16: Massa cefalopodal e parte cefálica do manto de
Drepanotrama lucidum, mostrando as faixas pigmentadas. cm: colar
do manto; mf: mufla; p: pé; te: tentáculo*
* Ilustração cedida por Paraense Drepanotrema anatinum (Orbigny, 1835): concha com 4,2 mm de diâmetro e 1,9 mm de largura; seis giros arredondados, crescendo lentamente em diâmetro e cada um, recobrindo consideravelmente
seu antecessor (Figura 17). Distribuição geográfica: em todo o território brasileiro (Paraense, 1975).
FIGURA 17: Conchas de Drepanotrema anatinum (Escala
Milimétrica)
Fonte: Coleção de Laboratório de Malacologia do Centro de
Pesquisas René Rachou, Belo Horizonte, Minas Gerais - Acervo
Fotográfico de Lais Clark Lima
Drepanotrema heloicum (Orbigny, 1835): concha com 8 mm de diâmetro e 2,2 mm de largura; cinco e meio giros arredondados, crescendo lentamente em diâmetro. Nesta espécie a abertura é
arredondada (Figura 18). Distribuição geográfica: Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul (Paraense, 1975; Souza &Lima, 1990).
FIGURA 18: Conchas de Drepanotrema heloicum*
* Ilustração cedida por Paraense
Drepanotrema kermatoides (Orbigny, 1835): concha com 12,5 mm de diâmetro e 1,8 mm de largura; seis e meio giros arredondados à direita e achatados à esquerda, crescendo lentamente em diâmetro; periferia carenada (angulosa); massa cefalopodal sem as faixas
características do gênero (Figura 19). Distribuição geográfica: Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul (Paraense, 1975; Souza &Lima, 1990).
FIGURA 19: Conchas de Drepanotrema kermatoides (Escala
Milimétrica)
Fonte: Coleção do Laboratório de Malacologia do Centro de
Pesquisas René Rachou, Belo Horizonte, Minas Gerais - Acervo
Fotográfico de Lais Clark Lima
Drepanotrema lucidum (Pfeiffer, 1839): concha com brilho peculiar, com 8 mm de diâmetro e 2 mm de largura, seis giros aplanados,
sutura rasa (Figura 20). Distribuição geográfica: todo o território brasileiro (Paraense, 1975).
FIGURA 20: Conchas de Drepanotrema lucidum (Escala
milimétrica)
Fonte: Coleção do Laboratório de Malacologia do Centro de
Pesquisas René Rachou, Belo Horizonte, Minas Gerais - Acervo
Fotográfico de Lais Clark Lima
Drepanotrema cimex (Moricand, 1839): concha com 8 mm de diâmetro e 1,1 mm de largura; sete giros, crescendo lentamente em
diâmetro (Figura 21).Distribuição geográfica: em todo o território brasileiro (Paraense, 1975).
FIGURA 21: Conchas de Drepanotrema cimex (Escala milimétrica)
Fonte: Coleção do Laboratório de Malacologia do Centro de
Pesquisas René Rachou, Belo Horizonte, Minas Gerais - Acervo
Fotográfico de Lais Clark Lima
Drepanotrema depressissimum (Moricand, 1839): concha com 11 mm de diâmetro e 1,5 mm de largura; sete giros, crescendo lentamente em diâmetro; periferia com carena aguda, bem à
esquerda (Figura 22). Distribuição geográfica: em todo o território brasileiro, só não foi assinalado no Paraná e em Santa Catarina (Paraense, 1975).
FIGURA 22: Conchas de Drepanotrema depressissimum (Escala
Milimétrica)
Fonte: Coleção do Laboratório de Malacologia do Centro de
Pesquisas René Rachou, Belo Horizonte, Minas Gerais - Acervo
Fotográfico de Lais Clark Lima
Drepanotrema pileatum Paraense, 1971: concha com 13 mm de diâmetro e 4,5 mm de largura; sete giros, crescendo lentamente em diâmetro, recobrindo seu antecessor; lado esquerdo profundamente
côncavo (Figura 23). Distribuição geográfica: Bahia e Minas Gerais (Paraense, 1975).
FIGURA 23: Conchas de Drepanotrema pileatum (Escala
Milimétrica)
Fonte: Coleção do Laboratório de Malacologia do Centro de
Pesquisas René Rachou, Belo Horizonte, Minas Gerais - Acervo
Fotográfico de Lais Clark Lima
Gênero Biomphalaria
Concha discoidal, de pequena a grande (de 7 a 40 mm de diâmetro); hemolinfa vermelha devido à hemoglobina; tubo renal em J. A este gênero pertencem as espécies hospedeiras do Schistosoma mansoni Sambon, 1907 - Trematoda: Schistosomatidae - no continente americano. O S. mansoni é o parasita do sistema sanguíneo do homem que causa a esquistossomose mansônica, doença endêmica que afeta cerca de 200 milhões de pessoas em várias regiões do mundo. A distribuição geográfica do S. mansoni no continente americano é ampla. Ele é encontrado em Porto Rico, República Dominicana, Santa Lúcia, Guadalupe, Martinica, St. Kitts, Suriname, Venezuela e Brasil. O nosso país pode ser considerado, atualmente, o maior foco endêmico da esquistossomose mansônica do mundo, com cerca de 8 milhões de indivíduos parasitados. As regiões que apresentam
endemicidade mais elevada são o Nordeste do país (Figura 38) e o
nordeste de Minas Gerais (Figura 39) (Paraense, 1972, 1975).