Tópicos em malacologia médica

Frederico Simões Barbosa · Capítulo 19 de 22

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Tópicos em malacologia médica

6.3 Infecção de moluscos em laboratório

6.3 Infecção de moluscos em

laboratório1

 

Para infecçao de moluscos em laboratório necessita-se de um concentrado de miracídios. Este pode ser obtido de fezes ou de extratos de órgãos de animais infectados, de acordo com a técnica descrita abaixo.

 

Técnica de concentração de mirocídios:

1) As fezes são vigorosamente trituradas e diluídas em água,

na proporção de 1 parte do material fecal para 9 partes do

líquido.

2) A mistura é então passada através de tamiz de malhas finas

para dentro de um grande cálice cônico de vidro. O volume é

elevado ao dobro com água. Por exemplo, se as fezes pesam

cerca de 100 g, a primeira diluição irá a 1 litro, e a segunda

elevará o volume do líquido a 2 litros. Portanto, o cálice de vidro

terá forçasamente que possuir capacidade acima deste volume.

3) O cálice é colocado na parte mais baixa do refrigerador

(temperatura de cerca de 8o-10º C) e aí permanecerá durante

1/2 hora. Em seguida o líquido sobrenadante é desprezado e o

volume reposto com água. Esta manobra é repetida mais 3 ou 4

vezes, até que o líquido sobrenadante esteja incolor.

4) O sedimento da última lavagem é então distribuído em

placas de Petri de grande diâmetro, de modo que a superfície

do líquido seja bastante extensa e exposta à luz artificial ou

natural durante 1 hora e a temperatura de 28º C.

5) Após a exposição à luz, o lavado fecal é transferido para o

balão de Kitasato, que será descrito no final deste item. É

conveniente colocar, para um balão de 500 ml, quantidade de

líquido correspondente a cerca de 150 g de fezes sólidas.

6) Junta-se ao balão água, lentamente, até que as primeiras

gotas escorram pelo tubo de borracha que é então pinçado.

7) Deita-se em seguida, 20 ml de água pelas paredes do colo

do balão (10 ml nos balões de 250 ml). Ilumina-se o aparelho e

após 15 minutos de exposição à luz colhem-se os 10 ou 20 ml

de água fazendo simplesmente abrir a pinça que fecha o tubo

de borracha. Pinçado novamente o tubo, mais 10 ou 20 ml de

água são colocados no balão e coletas periódicas poderão ser

assim feitas.

8) A contagem dos miracídios é feita em amostras de 1 ml do

líquido obtido do balão em cada coleta. A água pode ser

distribuída em gotas dentro dos orifícios de uma placa de toque

e os miracídios contados a lupa.

 

Descrição do balão de Kitasato

O aparelho é de fácil construção e pode ser fabricado com material comumente utilizado em laboratório de química.

Consta simplesmente de um balão de Kitasato de 250 ml ou 500 ml. Este balão é pintado de preto até o nível inferior do tubo lateral ao qual está adaptado um curto tubo de borracha. Uma pinça, do tipo Mohr, serve para fechar ou abrir o tubo de borracha.

O foco luminoso é colocado paralelamente logo acima da parte do balão pintado de preto, a uma distância de 15 cm do aparelho.

INFECÇÃO DOS MOLUSCOS

Uma vez concentrados, os miracídios podem ser utilizados para infecção e moluscos, de acordo com o seguinte processo:

1) Contagem dos miracídios - retire uma amostra de 1 ml de

água contendo os miracídios. A quantidade de água pode variar

de acordo com a precisão desejada na tomada da amostra e as

condições de planejamento da experiência. Distribua a amostra

da água colhida, em pequenas gotas sobre uma placa de vidro.

Conte diretamente os miracídios em cada gota. Se houver

grande concentração de miracídios por gota, tornando a

contagem difícil, dilua o material convenientemente e faça

novas contagens.

2) Sabido o número de miracídios por ml do líquido, procede-se

a infecção dos moluscos fazendo com que estes entrem em

contato com aqueles. Os moluscos podem ser infectados

individualmente, i.e., colocando-se em um pequeno recipiente

um caramujo isolado para o número desejado de miracídios. Ou

então, como é mais prático, colocar todos os animais de uma

mesma espécie a infectar em um único recipiente. Juntar, logo

em seguida, água contendo os miracídios tendo sido calculada

previamente a média por caramujo. Para trabalhos de rotina 10

miracídios por caramujo satisfazem plenamente. Em moluscos

altamento suscetíveis, como Biomphalaria glabrata, obtêm-se,

quando o trabalho é ben conduzido, cerca de 100% de

infecções.

3) Deixe os miracídios em contato com os moluscos, sob um

foco luminoso, durante 6 horas, que é tempo máximo de

vitalidade daqueles.

4) Em seguida, transfira os moluscos para aquários bem

balanceados e examine-os a partir do vigésimo dia após a

exposição aos miracídios.

Frederico Simões Barbosa

Estação de Biologia Experimental, CPqAM, Fiocruz.

R. Dr. Francisco Correa, 1114 (54735-000) São Lourenço da Mata —

PE.

1 Adaptação de trecho do capítulo Relações Hospedeiro/Parasito, originalmente publicado em Manual de Malacologia Médica (Barbosa, F. S.; Carneiro, e. &Barbosa, I.). Salvador, Fundação Gonçalo Muniz, 1960.