Um Corpo na Biblioteca

Agatha Christie · Capítulo 6 de 18

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Um Corpo na Biblioteca

Capítulo 6

 

NEM O PORTEIRO da noite nem o gerente do bar se m ostraram m uito prestativos. O porteiro da noite lem brava-se de ter discado para o quarto da Srta. Keene logo depois da m eia-noite e ninguém atendera. Não vira o Sr. Bartlett saindo do hotel ou voltando.

Com o a noite estava boa, havia m uita gente entrando e saindo. E havia portas laterais no corredor e outra que dava para o saguão principal. Estava certo de que a Srta. Keene não saíra pela porta principal, m as se tivesse vindo de seu quarto, que era no prim eiro andar, poderia ter descido por um a escada pegada ao quarto, saído por um a porta, no fim do corredor, que dava para um terraço lateral. Poderia, facilm ente, sair sem ser vista. Aquela porta só era fechada às duas horas da m anhã, quando term inava a dança.

O gerente do bar lem brava-se de que o Sr. Bartlett estivera no bar na noite passada, m as não podia precisar quando. Mais ou m enos um as dez horas, achava. O Sr. Bartlett assentava-se encostado à parede e parecia m uito m elancólico. Não se lem brava quanto tem po ficou ali. Havia m uitos hóspedes entrando e saindo do bar. Observara o Sr. Bartlett, m as não podia de m odo algum determ inar a hora.

* * *

Quando os policiais deixaram o bar, foram abordados por um garoto de m ais ou m enos nove anos de idade, que logo com eçou um a conversa anim ada.

— Os senhores, por acaso, são detetives? Sou Peter Carm ody. Foi m eu avô, o Sr. Jefferson, quem telefonou para a Polícia sobre Ruby. Os senhores são da Scotland Yard? Não se im portam que eu fale com os senhores, im portam ?

O Coronel Melchett olhou com o se estivesse para cortar a conversa, m as o Inspetor Harper interveio. Falou de m odo benigno e cordial.

— De m odo algum , m eu filho. Isso naturalm ente lhe interessa, não é?

— É claro que interessa. Os senhores gostam de contos policiais? Eu gosto. Já li todos e tenho autógrafos de Dorothy Say ers, de Agatha Christie, de Dickson Can e H. C. Bailey. O assassino aparecerá nos j ornais?

— Com certeza — respondeu Harper inflexível.

— Sabe, vou voltar à escola na próxim a sem ana e vou contar a todos os m eus colegas que eu a conhecia... que a conhecia realm ente muito.

— O que é que achava de Ruby ?

Peter refletiu.

— Bem , eu não gostava m uito dela. Era um a espécie de m oça boba. Nem m am ãe nem tio Mark tam pouco gostavam m uito dela. Só vovô. A propósito, vovô queria ver os senhores. Edwards está à procura dos senhores.

O Inspetor Harper m urm urou encoraj adoram ente:

— Então sua m ãe e seu tio Mark não gostavam m uito de Ruby Keene? Por quê?

— Oh, não sei. Ela se introm etia em tudo. E não gostavam de que vovô fizesse tanto barulho em torno dela. Acho — disse Peter alegrem ente — que estão felizes por vê-la m orta.

O Inspetor Harper olhou para ele pensativo.

— Você os ouviu dizer isso?

— Oh, não exatam ente. Tio Mark disse: “Bem , um a j á se foi” e m am ãe: “Sim , m as de m odo horrível” e tio Mark disse que não se deve ser hipócrita.

Os policiais trocaram olhares. Naquele m om ento, um senhor respeitável, de barba bem feita, convenientem ente vestido num serge azul, aproxim ou-se deles.

— Desculpem -m e, cavalheiros. Sou o criado do Sr. Jefferson. Ele j á acordou e m andou-m e procurá-los porque está ansioso para falar com os senhores.

Subiram de novo aos aposentos de Conway Jefferson. Na sala de estar, Adelaide Jefferson conversava com um senhor alto, irrequieto, que cam inhava de um lado para outro da sala. Quando os visitantes entraram , ele se voltou rapidam ente para vê-los.

— Oh, sim . Felizm ente, vieram . Meu sogro estava procurando pelos senhores. Acaba de acordar. Por favor, façam tudo para acalm á-lo. Sua saúde não é m uito boa. Adm iro-m e, realm ente, de que esse choque não o tenha liquidado.

— Não im aginava que seu estado de saúde fosse tão precário — disse o Inspetor Harper.

— Ele próprio não sabe — disse Mark Gaskell. — É o coração, sabe. O m édico recom endou a Addie que não deve superexcitá-lo ou assustá-lo. Ele deu a entender que o fim poderia vir a qualquer m om ento, não foi, Addie?

A Sra. Jefferson assentiu com a cabeça e disse:

— É incrível que tenha resistido com o resistiu

— O assassinato não é exatam ente um incidente tranquilizante. Terem os o m áxim o cuidado possível — disse o Coronel Melchett.

Ele avaliava Mark Gaskell enquanto falava. Não sim patizou m uito com o suj eito. Um a fisionom ia ousada, inescrupulosa e agressiva. Um daqueles hom ens que geralm ente agem por conta própria e a quem as m ulheres frequentem ente adm iram .

Mas não é o tipo do indivíduo em que se deve confiar, pensava o Coronel para si m esm o.

Inescrupuloso, eis o seu verdadeiro adj etivo.

A espécie de indivíduo que não se detinha diante de nada...

* * *

Conway Jefferson estava assentado em sua cadeira de rodas j unto à j anela do grande dorm itório, de frente para o m ar.

Mal se entrava no quarto dele e j á se sentia a força e o m agnetism o que em anavam de sua pessoa. Era com o se os danos físicos que o haviam transform ado num aleij ado tivessem resultado num a concentração de vitalidade de seu corpo danificado num foco m ais estreito e m ais intenso.

O Sr. Jefferson tinha um a bonita cabeça. Os cabelos ruivos estavam ligeiram ente pintados de cabelos brancos. Seu rosto, em bora sulcado de pregas, era vigoroso, profundam ente bronzeado pelo sol, e seus olhos tinham a coloração azul-brilhante. Não havia sinal de doença ou de fraqueza. As linhas profundas de sua face eram os sulcos de sofrim ento e não de fraqueza. Ali estava um dos hom ens que nunca afrontam o destino, m as o aceitam e se tornam vitoriosos.

— Agradeço-lhes m uito por terem vindo — disse ele, olhando-os com seus olhos penetrantes. — O senhor é o Chefe de Polícia de Radfordshire? Certo. E o senhor é o Inspetor Harper? Assentem -se. Em cim a da m esa, ao lado dos senhores, há um a carteira com cigarros.

Os policiais agradeceram e se sentaram .

— Pelo que sei, Sr. Jefferson, o senhor gostava m uito da m oça assassinada — disse o Coronel Melchett.

Um sorriso rápido e retorcido estam pou-se na face enrugada.

— Sim , todos j á lhes disseram isso! Bem , não é segredo. O que m ais lhes disse m inha fam ília?

Ele correu o olhar rapidam ente de um para outro ao fazer a pergunta.

Foi Melchett quem respondeu.

— A Sra. Jefferson nos contou m uito pouco além do fato de que a tagarelice da j ovem o divertia e que ela tinha sido sua favorita. Trocam os apenas um as duas palavras com o Sr. Gaskell.

Conway Jefferson sorriu.

— Addie é um a criatura discreta. Mark provavelm ente teria sido m ais franco. Melchett, acho m elhor lhe contar todos os fatos, plenam ente. É im portante, para que o senhor possa com preender m inha atitude. E, para com eçar, preciso rem ontar à grande tragédia de m inha vida. Há oito anos perdi m inha esposa, m inha filha e m eu filho num acidente aéreo. Desde então, tenho vivido com o um hom em que tivesse perdido a m etade de si m esm o... e não m e estou referindo ao m eu defeito físico! Era um hom em que vivia para m inha fam ília. Minha nora e m eu genro têm sido m uito bons para m im . Têm feito tudo a seu alcance para preencherem o vazio de m inha vida. Mas cheguei à conclusão, sobretudo ultim am ente, de que eles, afinal de contas, precisam viver suas próprias vidas.

— Portanto, o senhor deve com preender que sou, essencialm ente, um hom em solitário. Gosto de pessoas j ovens. Divirto-m e com elas. De vez em quando m e passava pela cabeça a idéia de adotar algum a m enina ou m enino. Neste últim o m ês fiquei m uito am igo da criança que foi assassinada. Ela era absolutam ente espontânea, com pletam ente ingênua. Falava frequentem ente de sua vida e de sua experiência, nos teatros de revista, nas com panhias itinerantes, com sua m am ãe e seu papai, quando criança, em casas baratas. Um a vida totalm ente diferente de quantas até então conheci! Nunca se queixava e nunca via as coisas pelo lado negativo. Era um a verdadeira criança, natural, conform ada, operosa, im poluta e encantadora. Não era um a senhora, talvez, m as, graças a Deus, não era tam pouco vulgar nem ... palavra abom inável... refinada.

— Eu cada vez m ais gostava de Ruby. Tinha resolvido, senhores, adotá-la legalm ente. Ela se tornaria, por força da lei, m inha filha. Isso, espero, explica m eu interesse por ela e as providências que tom ei quando soube de seu desaparecim ento inexplicável.

Houve um a pausa. Em seguida, o Inspetor Harper, com seu tim bre de voz que não dem onstrava qualquer em oção, tirando à pergunta qualquer sentido de ofensa, perguntou:

— Posso saber o que seu genro e sua nora acharam de sua atitude?

A resposta de Jefferson veio im ediata.

— O que poderiam achar? É possível que não tivessem gostado. É a espécie de coisa que suscita preconceitos. Mas se com portaram m uito bem ; sim , m uito bem . Não é porque dependessem de m im . Quando m eu filho Frank se casou, eu lhe passei a m etade de m eus bens. Eu acreditava no princípio que diz: Não deixem seus filhos esperando até sua m orte. Eles precisam do dinheiro quando são j ovens e não quando j á estão na idade m adura. Do m esm o m odo, quando m inha filha Rosam und insistiu em se casar com um hom em pobre, fiz-lhe a doação de um a grande som a de dinheiro. A im portância ficou para seu m arido com sua m orte. Com o os senhores veem , isso sim plificou a m atéria do ponto de vista financeiro

— Com preendo, Sr. Jefferson — disse o Inspetor Harper.

Mas havia um a certa reserva no seu tom . Conway Jefferson o percebeu.

— O senhor não concorda, não é?

— Não quero dizer isso, senhor, m as as fam ílias, na m inha experiência, nem sem pre agem razoavelm ente.

— Ouso afirm ar que o senhor tem razão, Inspetor, m as deve-se lem brar de que o Sr. Gaskell e a Sra. Jefferson não são, falando estritam ente, m inha família. Não são parentes consanguíneos.

— Isso, realm ente, faz diferença — adm itiu o Inspetor.

Os olhos de Conway Jefferson cintilaram por um m om ento.

— Não quero dizer com isso que eles não achem que eu sej a um velho tolo! — disse ele. — Essa serio a reação das pessoas em geral. Mas não sou tolo. Conheço as pessoas. Com educação e trato, Ruby Keene não m e envergonharia em lugar nenhum .

— Lam ento m uito — disse Melchett, — se estiverm os sendo im pertinentes e im portunos com tantas perguntas, m as é im portante que conheçam os todos os fatos. O senhor propôs sustentar a m oça, isto é, doar-lhe dinheiro, m as não chegou a fazê-lo?

— Eu sei aonde o senhor quer chegar — disse Jefferson. — A possibilidade de alguém ter-se beneficiado com a m orte da j ovem ? Mas não era possível. As necessárias form alidades para a adoção legal estavam em andam ento, m as não tinham sido ainda concluídas.

— Então, se algum a coisa acontecesse ao senhor... ? — disse Melchett calm am ente, deixando a sentença inacabada, com o um a dúvida.

Jefferson reagiu im ediatam ente.

— Não há probabilidade de m e acontecer nada! Sou um aleij ado, m as não sou inválido. Em bora os m édicos gostem de fazer caretas e dar conselhos para não se exagerarem as coisas. Nada de exageros! Eu sou tão forte com o um cavalo! Não obstante, tenho bastante consciência das fatalidades da vida. Meu Deus, e com o tenho razões para isso! A m orte colhe às vezes os hom ens m ais fortes, m orm ente nestes dias de acidentes de estradas. Mas j á tinha cuidado disso. Há dez dias fiz novo testam ento.

— Um novo testam ento? — perguntou o Inspetor Harper, inclinando-se um pouco para a frente.

— Deixei a quantia de cinquenta m il em custódia para Ruby Keene, até que ela com pletasse vinte e cinco anos, quando então entraria em posse do principal.

O Inspetor Harper arregalou os olhos. E o Coronel Melchett tam bém .

— Mas é um a grande som a, Sr. Jefferson — disse Harper num tom de voz quase assustado.

— Nos dias de hoj e realm ente é.

— E o senhor ia deixar tudo isso para um a m oça que conhecera havia poucas sem anas?

A indignação se refletiu nos olhos azuis do Sr. Jefferson.

— Preciso repetir e repetir a m esm a coisa? Não tenho m ais parentes, nem sobrinhos, nem sobrinhas, e nem m esm o prim os distantes! Poderia deixar tudo para um a casa de caridade. Prefiro deixar m inha fortuna para um indivíduo — sorriu. — Cinderela tornou-se princesa da noite para o dia. Um Papai Noel ao invés de um a fada. Por que não? O dinheiro é meu. Está acabado.

— Há outros legados? — perguntou o Coronel Melchett.

— Um a pequena herança para o m eu cam areiro, e o resto para Mark e Addie em partes iguais.

— Perdoe-m e, Sr. Jefferson, o restante chegaria a ser um a grande som a?

— Talvez não. É difícil dizer exatam ente. Os investim entos flutuam o tem po todo. A som a total, depois de pagas as despesas de funeral, talvez ficasse entre cinco e dez m il libras livres.

— Com preendo.

— E não vá pensar o senhor que eu estej a sendo sovina com eles. Com o j á disse, dividi m inha fortuna com m eus filhos casados. Fiquei, pessoalm ente, com um a pequena som a. Mas, depois, depois da tragédia, eu precisava de algum a coisa para encher m inha vida. Entrei nos negócios. Em m inha casa em Londres um a linha particular ligava m eu quarto de dorm ir ao m eu escritório. Trabalhei m uito. Isso m e aj udava a não pensar e m e dava a im pressão de que m inha m utilação não m e tinha vencido. Atirei-m e ao trabalho — sua voz assum iu um tim bre m ais profundo, falando m ais para si próprio do que para os presentes — e por um a curiosa ironia, tudo que eu fazia prosperava! Minhas especulações m ais absurdas davam resultado. Se eu j ogava, ganhava. Tudo que eu tocasse virava ouro. Era o que se poderia cham ar a m aneira irônica do destino de equilibrar a balança.

Os traços de sofrim ento estam param -se de novo em seu rosto.

Recobrando-se, sorriu secam ente para os policiais.

— Com o os senhores veem , a quantia que deixei para Ruby era indiscutivelm ente m inha, para fazer dela o que m e desse na cabeça.

— Certam ente, m eu caro senhor, não pusem os isso em dúvida m om ento algum — disse im ediatam ente o Coronel Melchett.

— Está bem — disse Conway Jefferson. — Agora, se m e perm item , sou eu quem quer fazer algum as perguntas. Preciso saber m ais sobre esse terrível acontecim ento. Tudo que sei é que ela... a coitadinha da Ruby... foi encontrada estrangulada num a casa a cerca de trinta quilôm etros daqui.

— Perfeito. Em Gossington Hall.

Jefferson franziu os sobrolhos.

— Gossington ? Mas não é...

— A casa do Coronel Bantry

— Bantry ! Arthur Bantry ? Eu o conheço. Conheço tam bém sua esposa! Nós nos conhecem os no exterior alguns anos atrás. Não sabia que m oravam por essas bandas. Ora essa, é...

Interrom peu-se. O Inspetor Harper entrou insinuante.

— O Coronel Bantry j antou aqui no hotel na terça-feira. O senhor não o viu?

— Terça-feira? Terça-feira? Não, chegam os tarde. Tínham os ido a Harden Head e j antam os no cam inho.

— Ruby Keene nunca lhe falou dos Bantry s? — perguntou Melchett.

Jefferson m eneou a cabeça.

— Nunca. Não creio que ela os conhecesse. Certam ente não os conhecia. Todas as suas relações eram com gente do palco — fez um a pausa e em seguida perguntou bruscam ente: — Que é que Bantry tem a dizer de tudo isso?

— Não sabe com o explicar. Estivera num a reunião no Clube dos Conservadores naquela noite. O corpo foi descoberto na m anhã seguinte. Ele afirm a que nunca tinha visto a m oça na sua vida.

Jefferson m eneou a cabeça.

— Parece um sonho — disse.

O Inspetor Harper lim pou a garganta e disse:

— O senhor teria algum a idéia, Sr. Jefferson, de quem poderia ter sido?

— Quisera ter! — as veias estrem eceram na sua fronte. — É incrível, inconcebível. Eu diria que isso j am ais poderia acontecer, se não tivesse acontecido!

— Não há nenhum am igo dela, de sua vida passada, nenhum hom em que vivesse atrás dela, am eaçando-a?

— Tenho certeza de que não havia. Se houvesse ela m e teria falado. Nunca teve um nam orado fixo. Ela m esm a m e disse isso.

O Inspetor Harper pensava: Bem , isso é o que ela lhe disse. Resta saber se era verdade.

Conway Jefferson continuou:

— Jane saberia m elhor do que ninguém se houvesse algum hom em perseguindo ou im portunando Ruby. Ela não poderia esclarecer?

— Ela diz que não.

— Não posso deixar de pensar que isso deve ter sido obra de algum m aníaco — disse Jefferson com a testa franzida. — A brutalidade do m étodo, levar para um a casa de cam po, tudo tão desconexo e tão sem sentido. Há hom ens desse tipo, hom ens aparentem ente sãos, m as que seduzem m oças... às vezes, até crianças... para m atá-las depois. Deve ser crim e de natureza sexual.

— Oh, sim , acontecem casos assim , m as não tem os conhecim ento de nada desse gênero nesta região — disse Harper.

Jefferson prosseguiu.

— Pensei em todos os hom ens que vi com Ruby. Hóspedes e estranhos... o hom em com quem ela dançava. Parecem todos inofensivos, tipos com uns. Ela não tinha am igo íntim o de espécie algum a.

O Inspetor Harper m antinha-se im passível, m as Conway Jefferson não percebia que havia ainda um brilho de especulação em seu olhar.

Era m uito possível, pensava ele, que Ruby Keene pudesse ter um nam orado, em bora Conway Jefferson não o soubesse.

Mas não disse nada. O Chefe de Polícia lançou-lhe um olhar de indagação e se levantou.

— Obrigado, Sr. Jefferson — disse ele. — Era tudo de que precisávam os para o m om ento.

— Os senhores m e m anterão inform ados de seus progressos? — perguntou Jefferson.

— Perfeitam ente, m anterem os contato com o senhor.

Os dois policiais se retiraram .

Conway Jefferson recostou-se na cadeira.

Suas pálpebras se fecharam , ocultando o azul vivo de seus olhos. Pareceu de repente um hom em excessivam ente cansado.

Em seguida, passados uns dois m inutos, suas pálpebras vibraram .

— Edwards! — cham ou em voz alta.

Da porta do quarto contíguo apareceu im ediatam ente o cam areiro. Edwards conhecia seu patrão com o ninguém j am ais o conhecera. Outros, m esm o os m ais íntim os, conheciam apenas seu vigor. Edwards conhecia sua fraqueza. Vira Conway Jefferson fatigado, desanim ado, aborrecido da vida, m om entaneam ente derrotado pela enferm idade e pela solidão.

— Às ordens, senhor.

— Vá procurar Henry Clithering. Ele está em Melborne Abbas. Diga-lhe que lhe m ando pedir para vir aqui hoj e, se possível, em vez de am anhã. Diga-lhe que é urgente.