Visões da Morte

Gary Braver · Capítulo 9 de 10

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Visões da Morte

O garoto Kashian havia sumido.

Depois de despachar Morris Stern, Rom an dirigiu até o apartam ento

de Kashian, na Hem enway Street, em Boston, um edifício de tij olinhos

verm elhos de quatro andares para estudantes universitários. Com o

ninguém atendeu, ele apertou os botões do interfone dos outros andares

até que alguém cegam ente deixou-o entrar. Antes que descessem para

investigar, Rom an j á havia subido e estava arrom bando a fechadura de

Kashian.

O apartam ento estava escuro e parecia que o rapaz o deixara às

pressas. Gavetas abertas, cuecas e cam isetas espalhadas. Seu laptop estava

sobre a m esa. Nada de escova de dentes ou crem e dental no banheiro. O

rapaz estava planej ando dorm ir fora.

Rom an saiu e dirigiu até a Harvard Street, em Cam bridge. Sarah

Wy m an tam bém não pôde ser encontrada, e a vizinha do andar de baixo

disse que a vira sair do edifício antes das oito da m anhã.

Um a hora depois, Rom an estava no endereço dado a ele por Stern. A

Igrej a Tabernáculo da Luz Divina ficava na frente de um com plexo

arborizado nos subúrbios de Medfield, cerca de um a hora a sudoeste de

Boston. Um am plo estacionam ento vazio separava a igrej a da estrada.

Rom an entrou com o carro e foi até a parte traseira da estrutura. Por

trás de um a reluzente cerca de tela de aram e nova em folha encontrava-se

um a m ansão branca com um anexo nos fundos. Sua insipidez m ascarava o

tipo de pesquisa que, aparentem ente, estava sendo desenvolvida ali – o

Proj eto Manhattan particular de Warren Gladstone. Isso explicaria a guarita e o aram e farpado em cim a do m uro.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

A guarita estava vazia, e o portão, fechado e trancado com cadeado.

Por causa do fim de sem ana, o local estava abandonado, com exceção de

um único Volvo azul estacionado ao lado do edifício.

Com o Rom an havia alugado um Ford Explorer com grade dianteira,

poderia ter aberto cam inho arrem etendo o carro contra a cerca. Mas isso

poderia fazer disparar um alarm e. Ele havia levado um a parafernália

variada, incluindo lanternas, corda, fita adesiva do tipo silver tape e um a

variedade de ferram entas, incluindo um cortador de cabo longo capaz de

cortar cabos de aço de m eia polegada. Levou apenas alguns segundos para

cortar o cadeado.

Atravessou o portão e estacionou ao lado do Volvo, que estava

destrancado. No canto superior do para-brisa havia adesivos de

estacionam ento para professores da Escola de Medicina de Harvard. Ele

entrou pela entrada principal, que, para sua surpresa, estava destrancada,

em bora ele fosse capaz de entrar de qualquer m aneira se não estivesse. A

porta dava para um a bancada e um portão de segurança, m as não havia

ninguém de serviço. Além dele, um a porta se abria para um corredor que

conduzia a outra entrada que levava ao porão.

Com a pistola na m ão, ele desceu a escada.

Na m etade do cam inho, detectou um som eletrônico agudo e fraco.

No final da escada havia um corredor ilum inado por um a série de

lâm padas fluorescentes. Dos dois lados do corredor havia salas, algum as

com j anelas. Mas a única que estava acesa – e de onde provinha o guincho

eletrônico – ficava no final do corredor.

À m edida que ele se aproxim ava da tal sala, com a pistola em punho, o

som ia ficando m ais alto.

O som estridente e penetrante era algum tipo de alarm e e estava

deixando Rom an nervoso.

Ele alcançou a m açaneta da porta, girou-a e, segurando a pistola,

escancarou-a com um chute.

O alarm e procedia de um rack de equipam entos eletrônicos ao lado de

um a m aca em que j azia o corpo de um a m ulher. Ela tinha um escalpe na

veia e estava conectada a vários m onitores, cuj as luzes de alarm e pulsavam

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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com o guincho. Segurava em suas m ãos a fotografia de um m enino.

Das im agens dos diversos vídeos que assistira, ele pôde reconhecer

Elizabeth Luria.

E, com o o garoto Kashian nas gravações, ela estava ligada ao soro com a anestesia. Mas, ao contrário do que m ostravam os vídeos de Kashian, os

m onitores piscavam em verm elho e guinchavam porque todas as linhas das

funções vitais nas telas m ostravam -se totalm ente planas.

A m ulher escolhera se m atar num a sessão de EQM.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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Uma hora depois, Zack e Sarah estavam passando por Portsmouth, New

Ham pshire. A irritação anterior havia arrefecido, deixando-o agradecido

por ela estar com ele.

Quando eles m udaram para a faixa da direita, Zack apontou a base de

subm arinos a distância, onde seu pai o levara quando ele tinha cerca de 7

anos.

– Do que você se lem bra sobre ele?

– De quase nada. Ele não ficava por perto m uito tem po – disse Zack.

– Era engenheiro proj etista e estava sem pre trabalhando. Eu o via

principalm ente nos fins de sem ana. Então, m eus pais se separaram após a

m orte de Jake. Algum tem po depois, ele sum iu de vista.

– Deve ter sido difícil.

– Foi.

– Mas você tem algum as boas lem branças dele.

– Até os m eus 10 anos, m ais ou m enos. Depois que ele foi em bora, eu

o vi em algum as ocasiões; basicam ente, eu contava o que estava fazendo,

ao passo que ele não falava quase nada a seu respeito. O engraçado é que,

quando fiquei m ais velho, pensava em m im com o não tendo pai, apenas

m ãe.

– Isso é triste.

– Para com pensar, eu inventava histórias sobre ele. Ele gostava de

tirar fotos, então, eu dizia para as outras crianças que m eu pai estava

trabalhando para a National Geographic, cobrindo as m igrações dos

anim ais no Quênia, por isso estava fora. Ou aj udando a construir um

cam po de refugiados em Biafra. Certa vez, falei que ele m e levou para o

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Havaí, onde m e salvou de um ataque de tubarão. Muito patético.

– Eu acho que foi a form a que você encontrou de lidar com a ausência

dele.

– E enquanto isso ele era um m onge beneditino orando e fazendo

geleias para os turistas.

Eles cruzaram a Ponte Piscataqua. Em bora tivesse passado por ali

quinze anos antes – ou m ais –, não sentiu nada evidente – apenas um a

vaga sensação de que estava seguindo algum tipo de instrução. Ou, talvez, fosse apenas autossugestão, no final das contas. E só de im aginar que essa

pudesse ser, de fato, a verdade, sentia-se arrasado.

– Se ele realm ente ainda estiver vivo, o que você dirá a ele?

– Perguntarei por que ele deixou a m im e a m inha m ãe. E se Deus

está nele e fala com igo.

Eles logo passaram por um cartaz que dizia ‚Bem -vindo ao Maine. Do

j eito que a vida deve ser'.

– E agora?

– Continuam os indo.

– Até?

– Até eu encontrar a saída certa à direita.

– Você sabe qual é?

– Ainda não.

Por favor, dê-m e um sinal, ele sussurrou m entalm ente. Eu

acredito. Por favor, dê-m e um sinal.

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Por vários minutos, Roman não soube o que fazer. Elizabeth Luria estava

m orta. Assim com o Stern e os outros que haviam m ontado aquele

laboratório. Ele nem se preocupava com os que não havia conhecido. O proj eto estava acabado.

E o garoto Kashian havia sum ido.

Rom an havia passado a noite anterior e aquela m anhã debruçado

sobre o laptop de Morris Stern verificando as inform ações contidas nele.

Os dados m atem áticos não significavam coisa algum a para ele. Mas os

vídeos e as explicações sobre as neuroim agens de Kashian não saíam da

cabeça de Rom an. E, enquanto dirigia de volta a Boston, um a ideia

com eçou a crescer. Um a ideia m uito boa. Não m ais do que isto: um a ideia

brilhante. Na verdade, um a epifania.

Epifania.

O term o lhe ocorrera do nada, saído dos recessos de sua m em ória. De

seus detestáveis dias na Igrej a de São Lucas. Epifania. Com o no Dia da

Epifania. Um a revelação. Um a visão. Um a súbita introvisão m ilagrosa.

De quando ele era pequeno e sofria ouvindo aqueles serm ões; ele se

lem brou de um dom ingo em j aneiro, em que o padre Infantino com eçou a

explicar o significado do Dia da Epifania, quando a divindade de Cristo foi

revelada aos Três Reis Magos. Ele discorrera sobre a m aneira com o cada

um de nós deve encontrar sentido na vida e ouvir os anseios de nossa

alm a, a exem plo de tantas pessoas fam osas que fizeram a diferença no

m undo: m adre Teresa, presidente Kennedy , Martin Luther King. Ele

m artelou sobre o m odo com o cada um deles havia experim entado a

revelação sobre com o deveriam dedicar suas vidas; de com o foram

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conduzidos por m issões m ais elevadas do que o restante de nós. Mas a

única diferença entre eles e as pessoas com uns é que eles haviam

descoberto um propósito claro, que abraçaram com determ inação feroz.

Naquela ocasião, a única coisa que Rom an desej ava era que o padre

Infantino parasse de falar para ele ir para o Goodwin Park j ogar bola com

as outras crianças.

Mas enquanto rum ava para o norte na 95, em direção a Watertown,

Rom an experim entou sua própria epifaniazinha, e ela cintilou em sua

cabeça com o um a vela votiva.

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A sensação voltara.

Haviam entrado no Maine poucos quilôm etros antes, na direção

norte. Passaram por um longo trecho de baixada que deu lugar a florestas

de pinheiros e árvores caducifólias. Talvez tenham sido aquelas

claustrofóbicas florestas espessas que provocaram algum a recordação ou

prem onição, porque um a consciência estranha dançou na frente de seu cérebro. E foi m ais forte.

Ele pensou em contar para Sarah, m as decidiu se calar. Ele próprio

não chegava a entender o que estava sentindo: se era real, algum a

peculiaridade de sua im aginação ou se resvalara para outra vala

neurológica. Mas, quanto m ais longe iam , m ais ele sentia que estava

seguindo um a luz invisível proj etada para ele por um a fonte desconhecida.

Ele m anteve as m ãos no volante, m ovendo-se com as curvas da

estrada, m eio convencido de que, se ele se deixasse levar, o carro iria

continuar a se deslocar com andado por algum estranho controle rem oto.

Ele tam bém estava convencido de que, fosse o que fosse que o estava

puxando, não era um a lem brança. Nenhum a das paisagens parecia-lhe

vagam ente fam iliar. Nem era um a espécie de déj à-vu. Na verdade, parecia

um déj à-vu ao contrário. Em vez de ser conduzido por coisas fam iliares,

Zack se sentia im pelido por um a certeza profética. Um a consciência

presciente talvez com o a que outrora inspirara santos em suas m issões

espirituais, em peregrinações a lugares sagrados.

– Zack! – Sarah gritou.

– O quê? Qual é o problem a? – Ele olhou para a frente, esperando ver

um carro em seu cam inho ou um anim al. Mas a estrada estava livre. – Por

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que você gritou?

– Você estava dirigindo com os olhos fechados.

– O quê?

– Eu olhei, e seus olhos estavam fechados. Você cochilou.

– Não.

– Você cochilou – ela insistiu. – Quer que eu dirij a?

– Não, eu estou bem – disse ele. – Cochilou? Será que eu realm ente

saí do ar?

– Eu acho que talvez sej a m elhor fazerm os um a pausa. A placa dizia

que há um a parada na próxim a saída. Eu preciso usar o banheiro, e talvez

você possa tom ar um café. Tam bém vou com prar um as coisas para passar

a noite.

Ele não gostou da ideia, m as, poucos quilôm etros adiante, ele desviou

e pegou a Rota 1. Eles encontraram um a pequena galeria com diversas

loj as de roupas, e ele parou o carro e desligou o m otor.

– Você não vem ?

– Eu acho que vou descansar um pouco. – E ele baixou o banco e

deitou a cabeça.

– Tem certeza de que vai ficar bem ?

– Só estou um pouco cansado. – Ele observou-a saindo do carro.

– Não vou dem orar m uito.

– Está bem . – Ela não faz ideia, pensou ele, e seguiu-a com os olhos

até a entrada de um a L.L. Bean. Aquilo não era um passeio ao país da

serotonina. Era um a m issão de salvam ento. Algo que beirava um a peregrinação religiosa. Ele fechou os olhos. Um a penetrante pontada em

seu lado esquerdo o fez gem er em voz alta.

Um sinal.

Abriu os olhos, seu coração havia disparado. Ele não tinha m uito

tem po. Onde diabos ela está?,pensou. Com prando roupas enquanto o pai

dele estava m ais perto da m orte a cada m inuto.

Santo Deus, por que ele a trouxera?

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Roman Pace estava sentado em seu carro alugado, do outro lado da rua,

diante de um a casa vitoriana bem conservada e pintada de branco, na Mt.

Auburn Street, em Watertown. Pela fachada, bem poderia ser apenas um a

residência particular do final do século XIX, com um gram ado bem

cuidado, um bordo j aponês verm elho e um a variedade de rododendros e

hortênsias. O único sinal de que não era um a residência particular era

um a placa na porta da frente: ‚Fraternidade de Jesus Cristo – Segundo

Andar'.

Rom an havia ligado no cam inho para lá, quando deixara Medfield,

dizendo que tinha um a grande novidade para com partilhar. Babcock disse

que o receberia em seu escritório, às 11h30. Rom an chegou cedo. Já que não tinha para onde ir, ficou sentado em seu carro alugado e entrou na

Internet para pesquisar alguns m apas no Google.

Por volta das 11h15, um a Mercedes S550 preta parou na entrada da

garagem . Dois hom ens desceram – Babcock, com um a cam isa polo

verm elha e calças de sarj a, parecendo que havia sido cham ado no m eio de

um j ogo de golfe. O outro hom em era desconhecido, m as usava um a

cam isa branca com blazer preto e calças com binando. Ele deixou Babcock

e levou a Mercedes para trás da casa; então, saiu um m inuto depois em

um sedã BMW 328i prata e foi em bora. Babcock entrou pela frente do

prédio e desapareceu no andar de cim a.

Às 11h25, Rom an atravessou a rua. O escritório de um contador

ocupava o prim eiro andar, e tinha um a entrada separada. Com o a porta

que conduzia à sede da Fraternidade de Jesus estava trancada, ele apertou

o botão. Instantes depois, um secretário abriu a porta. Rom an se

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

apresentou, o suj eito assentiu e o levou ao andar de cim a, para um

escritório de frente para a rua. Ele pegou o telefone de m esa e anunciou a

chegada do visitante. Então, conduziu Rom an por um corredor até um

escritório que, obviam ente, costum ava ser o quarto principal da casa antes

de o local ser adaptado.

Babcock estava atrás de um a escrivaninha de m ogno, o rosto pálido

contrastando com o verm elho vivo da cam isa. Apertaram -se as m ãos e ele

convidou Rom an a tom ar o assento à sua frente. Em um a placa de bronze

sobre a m esa lia-se: ‚O Senhor estej a convosco'.

– Bonito escritório – disse Rom an.

Em um a m esinha de apoio lateral havia um m onitor de com putador.

Sobre a escrivaninha, fotos de sua fam ília e um crucifixo de ouro m ontado

em um a base de m árm ore. Das paredes pendiam im agens religiosas, bem

com o fotografias de Babcock com outras pessoas, incluindo clérigos em

vestes sacerdotais.

– É pequeno, m as confortável. Então, o que tem os?

– Vam os precisar do seu com putador – disse Rom an.

Babcock concordou, e Rom an contornou a escrivaninha. Durante os

m inutos seguintes, ele m ostrou a Babcock alguns dos vídeos das sessões

de Zack Kashian e os dados de im agem .

– Eles afirm am que ele teve um a experiência de quase m orte e

fundiu-se com o pai m orto.

Babcock estudou os vídeos em silêncio, com o rosto congestionado.

– Tenho de reconhecer que os vídeos são bem im pressionantes – disse

Rom an.

– Charlatães geralm ente são.

– Bem , quero dizer, algum as dessas pessoas estão convencidas de que

ele atravessou para o outro lado.

– Senhor Pace, essas pessoas são necrom antes, que se arrastaram para fora dos esgotos da ciência para seduzir as m assas e enriquecer de m aneira

obscena. Estão trabalhando voluntariam ente para o diabo, fazem o

proselitism o do m al. Ele puxou a Bíblia de couro preto de cim a da m esa e

a folheou até determ inado ponto, espetando um a passagem com o dedo:

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

‚E o Senhor disse: ‘Não praticareis adivinhação nem a m agia... Não vos

dirij ais aos espíritos nem aos adivinhos: não os consulteis, para que não

sej ais contam inados por eles’.' Levítico 19:31.

Rom an olhou para a página. Não dem orou m uito para Babcock se

inflam ar, com o lhe era natural. Seu rosto apoplético parecia um a extensão

da cam isa de golfe.

– E é isso que eles estão fazendo. É isso o que aquele desgraçado

escreve em seus livros, sobre lobos de Deus e m anchas de Deus e túneis

de luz. É o que estão fazendo naquele m aldito laboratório deles. – Babcock

continuou a todo vapor, virando as páginas vigorosam ente até outra

passagem .

– Aqui está! Segunda Epístola aos Tessalonicenses 1:8,9: ‚De fato,

j usto é que Deus dê em paga aflição àqueles que vos afligem ; Ele descerá

do céu com os m ensageiros do seu poder, por entre cham as de fogo, para

fazer j ustiça àqueles que não reconhecem a Deus e aos que não obedecem ao Evangelho de nosso Senhor Jesus. Eles sofrerão com o castigo a

perdição eterna, longe da face do Senhor, e da sua suprem a glória'. – Ele

virou a Bíblia para que Rom an pudesse ler. – Este é o nosso papel. O seu

papel. Vingança. Precisa de m ais provas?

Babcock estava em fanática ira contra Gladstone e seus cientistas.

Mas Rom an não queria que o cara tivesse um a parada cardíaca antes que

ele com pletasse o seu propósito ali.

– Entendi. Mas o rapaz estava citando Jesus, recitando o pai-nosso na

própria língua de Deus. Não são exatam ente palavras de um dem ônio

chifrudo.

Babcock esfregou o rosto com o se estivesse cansado da burrice de

Rom an.

– Não, m as é com o o dem ônio chifrudo cham a a atenção das pessoas.

Então, assim que ele consegue seguidores, ele espalha o seu m al. É assim

que Satanás opera: por m eio do engano. Aqui, ele se disfarça com o um

pobre garoto e cita passagens bíblicas. E essa é a arm a m ais m ortífera em

seu arsenal, a que ele usa desde que seduziu Eva no Jardim do Éden. O

que estam os vendo nesses vídeos é Lúcifer disfarçado com o um seguidor

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

de Jesus. Você entendeu? Lúcifer, que um dia foi o portador da luz de Deus. Isso é o m aldito diabo disfarçado.

O rosto de Babcock parecia que ia explodir.

– Vej a bem , eu expliquei isso para você várias vezes. As cham adas

EQMs são supostam ente túneis para a vida após a m orte: todo m undo vai

para o céu e não há inferno, o que significa que m esm o o desgraçado do

Osam a bin Laden e todos os filhos da m ãe com o ele viveriam para sem pre.

O inferno é o outro alicerce da Igrej a Católica, ok?

– Deixe-m e lhe perguntar um a coisa – disse Rom an. – Eu ainda estou

tentando com preender as coisas, e eu tenho lido m uito. Você tem esta

grande organização...

– Nós não som os um a grande organização – Babcock interveio. –

Som os um grupo pequeno, de uns poucos eleitos.

– Bem , você tem este escritório e não sei quantos m em bros, m as você

tem recursos.

– Aonde quer chegar?

– O próprio papa não se posicionou em relação às EQMs. Com todo o

respeito, parece-m e que é você quem tem um a posição radical quanto a

Gladstone e ao que eles estão fazendo com esse rapaz. O que a

arquidiocese diz sobre isso, ou o bispo local e o cardeal? Eles o acusam de

blasfêm ia, tam bém ?

Babcock respirou fundo e balançou para trás em sua cadeira.

– Senhor Pace, vam os apenas dizer que a nossa é um a teologia radical,

que não é aprovada pela diocese ou pelo cardeal local ou pela cham ada

Santa Sé. E esta é a culpa fundam ental deles. Nossa fraternidade está firm em ente apoiada nos verdadeiros ensinam entos do Senhor e no

verdadeiro catolicism o rom ano. E se os outros não nos aprovam ou nos

perseguem , então, só confirm am que nós som os os eleitos, os verdadeiros

defensores da Igrej a. E ponto final.

– Você sabia que o pai do garoto Kashian era um a das cobaias deles?

– O quê?

– Alguns anos atrás, eles o subm eteram aos m esm os testes. Parece

que ele era um a espécie de irm ão leigo. Acho que ele tinha o m esm o lobo

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

de Deus ativo que o rapaz tem .

– E daí?

– Bem , se eles colocam o rapaz na TV dizendo que ele se fundiu com

o pai m orto, canalizando-o ou o que quer que sej a, e m ostram todas as

suas sofisticadas neuroim agens e outras coisas, e as im agens cerebrais

sobrepostas e tudo m ais, lado a lado com o vídeo do rapaz citando Jesus, o

rapaz vai ser m ais conhecido do que o papa e todos os santos j untos.

Parecia que alguém havia enfiado os dedos de Babcock em um a

tom ada. Ele olhou para o m onitor do com putador com a tela dividida: de

um lado, o cérebro de Zack; do outro, o logotipo da root beer A& W. Ele

m urm urou algo para si m esm o. Então, ele se virou para Rom an e disse:

– O que você está sugerindo?

– Devem os cuidar dele. Liquidar o garoto Kashian.

Babcock assentiu com a cabeça enfaticam ente.

– Sim . Só que ele desapareceu da face da Terra.

– Eu tenho um a ideia de onde ele está.

– Com o você sabe?

Rom an não respondeu, apenas olhou para Babcock.

Quando Babcock captou a m ensagem , ele disse:

– Tem certeza de que pode fazer isso?

– Já o desapontei algum a vez?

– Não, m as o quero m orto e sem rastros.

– Não tem problem a.

– Mas quero provas concretas.

– Que tal a cabeça dele?

Babcock piscou algum as vezes e, então, disse:

– Isso serve.

– Ok. O que traz à tona a questão de quanto isso é desej ável.

– Quanto você está pedindo para executar o serviço?

– Um m ilhão de dólares.

– O quê? Isso é um absurdo.

– É? Estou lhe oferecendo a trindade.

– Que trindade?

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– O pai, o filho e o espírito profano.

Babcock colocou a m ão na cabeça, confuso.

– Eu não posso tom ar sozinho um a decisão que envolva tanto dinheiro

assim . Preciso falar com as pessoas.

Rom an olhou para os m óveis caros e as estátuas ao redor da sala. Só o

prédio devia valer 3 ou 4 m ilhões.

– Ótim o. Mas quanto m ais você dem orar, m ais escondido o rapaz vai

estar. E m ais dura será a nossa negociação.

– O que isso quer dizer?

– Quer dizer que você tem quatro horas para conversar com seus

associados e levantar a quantia em dinheiro.

– Dinheiro vivo?

– Quero 500 m il adiantados, 500 m il pela cabeça.

Babcock se recostou na cadeira. Após um a longa pausa, ele disse:

– Ligo para você am anhã.

– Não, esta tarde, às 15h45.

– Não posso levantar todo esse dinheiro em quatro horas.

– Você é o verdadeiro defensor da Igrej a. Aposto que pode.

Babcock ficou sem fala.

Mas Rom an podia perceber que os pensam entos estavam rodando a

m il em sua cabeça. Ele olhou para o relógio.

– Às 15h45, eu ligo e m arco o local do encontro.

Babcock se levantou. A reunião havia term inado.

Rom an estendeu-lhe a m ão. Babcock hesitou no com eço, depois

estendeu a sua, gorda e úm ida.

– O Senhor estej a convosco.

Quinze m inutos depois, Rom an cruzava a Storrow Drive em direção a

Boston. Estava um dia bonito, e dezenas de veleiros cortavam o rio com

suas brilhantes velas brancas. Do outro lado do rio, a silhueta de

Cam bridge parecia destacar-se em alta definição.

Dependendo do ponto de vista, o garoto Kashian era divino ou o

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

Anticristo. De qualquer m aneira, Rom an saía ganhando. Se, com o

afirm ara Babcock, o rapaz fosse um a espécie de porta-voz do diabo, m atá-

lo não só engordaria a conta bancária de Rom an, m as tam bém aj udaria a

conquistar as boas graças de Deus. Fora assim que os guerreiros de Deus

haviam sido recom pensados, certo? Por outro lado, se o garoto fosse

divino, protegê-lo, então, seria o serviço que Rom an prestaria a Deus.

Tudo era um a questão de fé. Mas a fé podia oscilar nas duas direções.

O m esm o acontecia com o serviço a Deus.

O que Luria, Stern e os com panheiros haviam criado era um a espécie de Proj eto Manhattan religioso. O proj eto estava acabado. Mas Rom an

queria aquela bom ba.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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78

– Q ue diabos você estava fazendo lá? – Zack disse quando Sarah saiu da loja.

Ela j ogou duas sacolas no banco de trás e entregou-lhe um café.

– Qual é o problem a?

Ele colocou o café no suporte e tirou o carro da vaga com um tranco.

– O problem a é que estam os correndo contra o tem po.

– Estava lotado. E tinha um a fila para o café. – Ela virou o rosto para a

j anela.

Ele voltou pela Rota 1, pensando que ela provavelm ente estava

lam entando ter ido com ele.

– Obrigado pelo café – disse ele, na esperança de m elhorar as coisas.

– O que você com prou?

– Um a m uda de roupa. – Ela olhou por cim a do om bro. – Você trouxe

sacos de dorm ir. Eu não vou passar a noite na floresta.

– Nós vam os ficar bem . – Prosseguiram a viagem sem dizer m ais nada,

m as um silêncio espinhoso enchia o carro. Ele voltou para a estrada

principal.

– Você tem um a bússola? – ela perguntou.

– Para quê?

– Se vam os cam inhar na m ata, vam os precisar de um a.

– Sim , eu tenho um a bússola.

Ela olhou na direção da sacola de lona dele.

– Tem certeza?

– Sim , tenho certeza. – Ela não acredita em você, ele pensou. Ela não

acredita em nada disso. Mas é bom que sej a assim . Será pega de surpresa.

Ele se m isturou ao tráfego, que era intenso devido ao volum e de carros

que se deslocava para a praia no final de sem ana.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

O sol ainda estava alto no céu. Não com eçara a declinar, escondendo-

se por trás da linha das árvores, a oeste. Mas não dem oraria a fazê-lo.

Então, a noite cairia.

Que dê tem po, ele sussurrou em sua cabeça. Que assim sej a.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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79

Um pouco depois das 12h30, Warren G ladstone entrou no bar do Taj, e

Rom an reconheceu-o instantaneam ente. Só que ele usava um blazer cinza

sobre um a cam isa branca em vez da veste azul-celeste de suas

transm issões.

Mais cedo, Rom an deixara um a m ensagem para Gladstone na

recepção do Taj , para que ligasse para ele a fim de obter inform ações

im portantes sobre o paradeiro de Zachary Kashian. Com o era de se

esperar, Gladstone seguiu as instruções e disse para se encontrarem no

bar, e não em sua suíte particular, por questão de segurança.

Rom an se apresentou com o John Farley , m ostrando sua carteira de

identidade falsa. Gladstone tinha um rosto brilhante e rosado, com

sinceros olhos azuis. Ele pediu um uísque e um a água, e Rom an quis um a

água m ineral gasosa com gelo.

– Então, qual é exatam ente o interesse do FBI em Zachary Kashian?

– Deixe-m e com eçar dizendo que nós dois sabem os que Zachary

Kashian está desaparecido, e você quer ele de volta, correto?

Gladstone tom ou um gole de seu uísque.

– O que faz você pensar que estou interessado nele?

Rom an abriu sua m aleta e tirou um a pasta com várias im agens

baixadas do site de Gladstone na Internet, bem com o im agens do cérebro

de Zack e alguns dados m atem áticos do com putador de Morris Stern.

– Ele faz parte do seu grande Dia do Júbilo, e sem ele você não terá

nada.

Gladstone folheou as páginas, que tam bém incluíam fotos de Zack chegando ao Taj em um a lim usine e, depois, saindo de lá com Sarah

Wy m an. E, tam bém , fotos da igrej a de Gladstone e do laboratório por trás

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

de seu tabernáculo.

Quando term inou de ver tudo, ele fechou a pasta.

– Vocês sabem m uito. Quem m ais viu isso?

– Ninguém .

– E você diz que sabe onde ele está?

– Estou dizendo que eu posso trazê-lo de volta para você.

– Por que acha que nós o querem os?

– Porque ele é o seu ingresso para o céu e porque os outros querem a

cabeça dele.

– Quem ?

– Reverendo, por favor, vam os cortar o papo-furado, ok? Você tem

m obilizado a atenção das pessoas para você e sua Luz Divina desde que as

suas prom essas sobre o Dia do Júbilo com eçaram . Está por toda a Internet.

A questão é que você se com prom eteu, e ele está foragido. Eu sou o único

que pode trazê-lo de volta para você vivo, capice?

Gladstone folheou a pasta novam ente.

– Com o você conseguiu tudo isso?

– Nosso escritório vem investigando as m ortes de três outros cientistas

que haviam trabalhado neste proj eto de vocês. – Rom an tirou de sua pasta

os obituários de Thom as Pom eroy , LeAnn Cola e Roger Devereux.

Gladstone olhou para os papéis.

– Então, o seu escritório sabe sobre Kashian.

– Eles nunca ouviram falar dele. Nunca ouviram falar sobre as EQMs

ou sobre o seu laboratório. Apenas sabem dessas m ortes.

– Então, você está aqui por conta própria.

– É isso m esm o. E se você está pensando em entrar em contato com o

escritório local, saiba que eles não ouviram falar de Zachary Kashian. E ele

terá o próprio obituário dentro das próxim as 24 horas. E eu vou negar que

o conheci.

– E quem está a fim de prej udicá-lo?

– Prej udicá-lo, não. Matá-lo. As m esm as pessoas que pensam que ele

é o Anticristo e que vai derrubar a Igrej a Católica se você colocá-lo em seu

program a.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

Gladstone engoliu m ais um gole de seu uísque e pediu um segundo.

Ele ficou em silêncio por alguns m inutos, processando as inform ações de

Rom an e folheando o m aterial da pasta outra vez. Finalm ente, sussurrou:

– Nada pode acontecer com ele. Ele é m uito especial.

Rom an recostou-se e tom ou um gole de sua água borbulhante.

Gladstone estava com eçando a ver a luz.

– Deixe-m e lhe perguntar um a coisa, reverendo. Você realm ente acha

que ele fez contato com o pai m orto?

– Todas as evidências apontam para isso.

– Então, você diria que ele é divino?

As sobrancelhas de Gladstone se arquearam com o um a j anela de

igrej a.

– Divino? Não, ele é m ortal, m as acredito que ele tenha entrado em

contato com o espírito do pai e vislum brado o além . Ele é a prova viva.

– E os cientistas? Será que eles acham que ele teve um a experiência

espiritual? Sabe... Que foi para o céu e voltou?

– Por que você está tão interessado?

– Só pra saber.

– Você é um hom em religioso, senhor Farley ?

– Sim .

Gladstone abriu um sorriso de aprovação.

– Bem , alguns preferem cham ar a experiência de ‚paranorm al', e não

de espiritual.

– Qual é a diferença?

– A diferença é que, cham ando de ‚paranorm al', evita-se a

interpretação religiosa: não se reconhece Deus.

– Quer dizer... assim com o esse papo de Nova Era sobre proj eção astral?

– Sim . Talvez algum tipo de telepatia. Essencialm ente, o céu para

agnósticos e ateus.

– E você não engole isso.

– Não.

– Então, você não acredita que alguém possa ter um a alm a sem que

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

haj a um Deus?

– Eu estou dizendo que todos nós tem os um a alm a dada por Deus,

que é o que nos faz seus filhos, e que, se você crer no Senhor Jesus Cristo,

você terá a vida eterna no céu.

– Alguns de seus inim igos dizem que as alegadas experiências de

quase m orte são blasfêm ia, pois é o m esm o que dizer que qualquer pessoa

pode entrar no céu, qualquer pecador e não crente. Que são truques de

Satanás.

– Isso é ridículo. Ter um a experiência de quase m orte não significa

que autom aticam ente vão para o céu quando m orrer. Deus ainda é o j uiz

final. O fato de você conseguir ver a Lua não significa que você possa voar

para lá à vontade.

– Mas e quanto à acusação de que vocês estão praticando feitiçaria?

– Isso é teologia seletiva. Você não ouve essas m esm as pessoas

cham ando as visões de Santa Teresa ou Nossa Senhora de Fátim a de

feitiçaria. Não, são reverenciadas com o coisas santas. – Gladstone tom ou

outro gole de seu uísque. – Na verdade, o próprio Jesus foi acusado de

realizar os seus m ilagres pelo poder de Satanás, m ilagres que envolvem

visões de seres celestiais e os sentim entos de paz e am or. Ele m esm o

advertiu do perigo de se atribuírem a Satanás as obras do Espírito Santo.

Os m esm os críticos que afirm am que as EQMs são obras de Satanás estão

blasfem ando contra o Espírito Santo, um pecado que Jesus afirm a ser o

único que não pode ser perdoado.

Rom an ficou ainda m ais confuso. Não im porta o que se acredita,

sem pre se pode encontrar passagens na Bíblia que legitim em a sua

opinião.

– Ok, voltando ao que interessa – disse Gladstone. – Você diz que

sabe onde ele está?

– Sim , e eu posso trazê-lo para você.

– Por um a taxa, eu presum o.

– Diga-m e se você trabalha de graça.

Gladstone deu-lhe um am plo sorriso.

– Ok, vam os às coisas feias.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

Rom an term inou sua água gasosa e inclinou-se para a frente, de m odo

que seu rosto ficou a centím etros de distância de Gladstone.

– Um m ilhão de dólares em dinheiro, cinquenta por cento adiantado.

Gladstone não se abalou.

– E você vai trazê-lo vivo e bem ?

– Vivo e bem – disse Rom an, pensando que poderia ter pedido m ais.

– Quanto tem po eu tenho para pensar sobre isso?

Rom an consultou o relógio.

– Duas horas, dinheiro na m ão.

– Isso não é m uito tem po, senhor Farley .

– Há bancos em todo canto por aqui onde você pode fazer

transferências de dinheiro. E, enquanto isso, essas pessoas estão fazendo

de tudo para encontrar o rapaz e fincar um a estaca em seu coração. Se

conseguirem , nós dois perdem os. Você m ais do que eu.

– E com o eu posso ter a garantia de que você não vai pegar o dinheiro

e fugir?

Rom an descansou a m ão sobre a pasta.

– Em prim eiro lugar, eu sou o único que sabe o quanto esse rapaz

vale. Em segundo, eu quero a outra m etade do m ilhão.

Gladstone concordou, balançando a cabeça, e em segui- da puxou seu

iPhone do bolso e disse a quem atendeu do outro lado:

– Bruce, traga o carro.

– Eu o encontrarei do outro lado da rua, dentro de duas horas, debaixo da estátua de George Washington. Às 14h45 em ponto.

– É m elhor às 15 horas. Preciso com prar um a valise.

Às 15 horas, Gladstone subiu o cam inho ladeado de flores da

Arlington Street, carregando um a bolsa de couro na m ão. Estava sozinho.

Ele entregou a bolsa para Rom an, que a colocou sobre um banco

perto da estátua para inspecionar o conteúdo. Quando a área ficou livre

dos carrinhos de bebê e transeuntes, Rom an afastou-se e pediu para

Gladstone abrir ele m esm o a bolsa e incliná-la em sua direção, para ver o

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

que tinha dentro.

Gladstone inclinou a cabeça na direção dele.

– Você está achando que eu tenho um a bom ba aqui dentro?

– Se você se recusar a abrir, sim .

Gladstone abriu a bolsa e inclinou-a para ele. Estava recheada de

m aços de notas de cem dólares. Rom an se aproxim ou e m exeu

aleatoriam ente dentro da bolsa para verificar os pacotes. Todos os

Franklins acondicionados em pacotes de 10 m il. Nem precisava contá-los.

Ele fechou a bolsa.

– Quando terei notícias suas? – Gladstone perguntou.

– Nas próxim as 24 horas.

Rom an, em seguida, viu Gladstone trilhar o m esm o cam inho ladeado

de flores até a Arlington Street. Para se certificar de que Gladstone fora

em bora, ele cortou cam inho pela gram a até o local em que o Lincoln Town

Car esperava na calçada. Enquanto Rom an espiava atrás de alguns

arbustos, viu o m otorista sair e abrir a porta traseira para Gladstone. Com

um choque, Rom an reconheceu o rosto do m otorista. Era o m esm o cara

que havia levado Babcock para a Fraternidade de Jesus.

– Filho da m ãe! – Rom an pensou. – Bruce tam bém estava acendendo

um a vela para Deus e outra para o diabo.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

80

Cerca de duas horas após a parada, Zack aproximava-se da saída

Biddeford/Rota 5. Nada parecia fam iliar, m as ele virou ali.

– É aqui?

– Sim .

– Você tem certeza?

– Sim , eu tenho certeza.

Havia um com plexo hoteleiro novo logo na ram pa de saída que ainda

tinha andaim es em um a das fachadas e equipam ento pesado de

construção em frente.

– Mas isso é tudo novo, e você não vem aqui há vinte anos.

– Acredite em m im , este é o cam inho certo.

– Estou tentando.

Havia um conj unto de restaurantes fast-food na estrada de acesso.

– Talvez devêssem os parar para pedir inform ações e com prar algo para

com er.

– Vam os encontrar um lugar para com er quando chegarm os m ais

perto.

– Mais perto de quê?

Ele não disse nada porque não queria assustá-la. Mas a sensação agora

era elétrica. Ela não entenderia, e ele não poderia colocar a sensação em

palavras que fizessem sentido.

Mas ele realm ente estava grato à Sarah por tê-lo aj udado a sair do

túnel para a luz. Se não fossem aqueles testes, ele ainda estaria preso ao

cinzento m undo m aterialista. Em bora houvesse negado m uito tem po,

algum a coisa tinha ficado em sua cabeça naquele prim eiro dia, com o

capacete de estim ulação; depois, com o um a cham a piloto ardendo ao

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

longo de todas as desagradáveis sessões de quase m orte; e, agora, a coisa

era um a luz claram ente distinguível, com o um farol.

Ironicam ente, a única pessoa naquele laboratório que tinha visão era a

m esm a que tentou m atá-lo. Engraçado com o ele j á estava com eçando a

respeitar aquela m ulher. Ela estava de olho no prêm io. E o prêm io estava

logo ali, à frente.

Ele pegou a Rota 5.

Apenas m ais alguns quilôm etros.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

81

Às 15h15, Roman telefonou para Norman Babcock pedindo que o

encontrasse em m eia hora e com binando o ponto de encontro. Babcock

concordou.

Às 15h45, de seu carro alugado, Rom an viu Babcock dirigir sua

Mercedes até um canto deserto do Watertown Mall. Rom an deixou a vaga

escondida onde esperara e parou a quinze m etros de Babcock, que,

conform e as instruções, estava diante de seu carro com um a sacola de

viagem . Quando teve certeza de que nenhum outro carro havia

acom panhado Babcock, Rom an ligou para seu telefone celular, instruindo-

o a se aproxim ar do seu carro. Quando Babcock se aproxim ou, Rom an

baixou a j anela do lado do m otorista.

Mas Babcock não lhe entregou a sacola.

– Com o posso ter certeza de que você não vai sim plesm ente

desaparecer?

– Eu não fiz isso nos últim os quatro serviços, fiz?

– Sim , m as agora tem m eio m ilhão em j ogo.

– E eu quero a outra m etade.

– E quando eu verei os resultados?

– Em 24 horas – disse ele, puxando um a m ochila vazia do banco do

passageiro.

– Para que é isso?

– Hoj e, o dinheiro, am anhã, a cabeça dele.

Babcock assentiu. Ele entregou a sacola para Rom an. Mas Rom an fez

que não com a cabeça. Não havia carros nas proxim idades.

– Dê dez passos para trás, abra a sacola e m ostre-m e o conteúdo.

– O quê? Por quê?

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Faça com o estou m andando.

Babcock congelou por um m om ento quando Rom an m ostrou-lhe a

arm a e subiu o vidro da j anela para assistir.

Então, Babcock abriu o zíper da sacola e inclinou-a na direção da

j anela de Rom an. Ele até tirou um m aço de notas de cem e folheou-o com

o polegar.

Quando Rom an estava satisfeito, baixou o vidro e perm itiu que

Babcock lhe passasse a sacola. Descarregou todos os m aços e transferiu-os

para a m ochila, deixando Babcock com a sacola esportiva original, para o

caso de haver um dispositivo caseiro nela.

– Vinte e quatro horas – disse Babcock, parecendo ainda duvidar.

– ‚Crede em m im , diz o Senhor'.

– Mas você não é o Senhor.

– Não, m as sou o m elhor guerreiro que ele tem .

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

82

Roman dirigiu do Watertown Mall até o Bank of America em Watertown

Square para depositar o dinheiro de Babcock e Gladstone em um cofre de

segurança.

O estacionam ento estava praticam ente vazio porque era quase a hora

de o banco fechar. Ele tinha alguns m inutos e estacionou nos fundos do

edifício. Antes de sair do carro, ele colocou o DVD da prim eira sessão de

Zack Kashian em seu laptop. Algo naquela prim eira entrevista havia ficado

preso em sua m ente com o um espinho. E pela terceira vez ele assistiu ao

despertar do rapaz.

– Ei, Zack, você está acordando. – A voz era de um a m ulher em off. –

Zack, consegue m e ouvir?

Ele resm ungou.

– Ele está acordando. – disse um hom em que não podia ser visto.

– Vam os, Zack, acorde.

O rapaz abriu um olho.

– É isso aí, Zack, abra os olhos.

– Bem -vindo de volta. Com o você se sente?

– Se sua boca e sua língua estiverem form igando, isso é norm al. Você

consegue m e dizer o seu nom e?

Kashian olhou sem expressão para a m ulher e nada disse.

– Ok, você ainda está um pouco confuso.

– Você pode nos dizer o seu nom e?

Ele balançou a cabeça.

– Não? Claro que pode. É Zack. Qual é o seu sobrenom e?

Após um tem po, ele disse:

– Kashian.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– O quê?

– Kashian.

– Certo. Muito bem . E você sabe onde está?

Naquele m om ento, Rom an pausou o vídeo. Na entrada ao longe, ele

avistou um a BMW sedã prata com Bruce ao volante e um cara que ele não

reconheceu. Antes que pudessem bloqueá-lo lá dentro, ele girou o carro e

saiu na rua.

Disparou pela Mt. Auburn, com a BMW bem atrás dele. Rom an

em purrou a m ochila de dinheiro para o chão e subiu a colina com a BMW

ainda em seu encalço. Os m alditos o haviam seguido desde o ponto de

encontro. Fora um a arm ação desde o início.

À sua frente, avistou a Watertown High School, virou na rua lateral e

entrou na grande área de estacionam ento. Com o era fim de sem ana, o

local estava vazio.

Fez um sem icírculo, colocando o carro diante da entrada da rua.

Um segundo depois, a BMW entrou no estacionam ento. Antes que

virasse um alvo para Bruce, Rom an j ogou o carro abruptam ente para a

esquerda e, em seguida, para a direita. Ele podia ver o passageiro

apontando um a arm a para ele. Mas Rom an ziguezagueou o carro, pisou

fundo no acelerador e atingiu violentam ente a lateral da BMW com a

grade dianteira de seu carro, esm agando a porta do passageiro e forçando o

veículo a um a parada brusca.

Rom an saltou do carro em punhando a pistola com silenciador e deu a

volta correndo pela traseira da BMW. Antes que Bruce pudesse se

recuperar, arrebentou a j anela do lado do m otorista, m atou o passageiro e

encostou a arm a na garganta de Bruce.

– Não, por favor. Eu não tinha intenção.

– Sim , você tinha. – E Rom an puxou o gatilho.

Dez m inutos depois, estava de volta ao estacionam ento do banco, m as

ele tinha acabado de fechar. Furioso, tirou o celular do bolso e ligou para

Babcock.

– Mande m ais um de seus m eninos da fraternidade atrás de m im , e

você m orre. Entendeu?

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Rom an, eu j uro que não tive nada a ver com isso. Eles devem ter m e

seguido. Eu j uro. Eles estavam agindo por conta própria.

– Bem , isso não vai acontecer outra vez. Eles se encontram em um a

‚experiência de m orte perm anente'. E, se você quiser esse rapaz

elim inado, não se m eta m ais com igo.

Ele desligou.

Todos os bancos estavam fechados e ele tinha 1 m ilhão de dólares em

dinheiro vivo com ele. Teria de ir para casa e deixá-lo lá.

Enquanto isso, voltou para o laptop e ligou o DVD novam ente.

– Ok, você ainda está um pouco confuso.

– Você pode nos dizer o seu nom e?

– Não? Claro que pode. É Zack. Qual é o seu sobrenom e?

– Kashian.

– O quê?

– Kashian.

– Certo. Muito bem . E você sabe onde está?

O rapaz respondeu.

Rom an pausou, voltou o vídeo e exibiu essa parte novam ente. Então,

folheou um a pasta de dados que tinha pegado de Morris Stern. Após vários

m inutos, encontrou o que estava procurando.

– Caram ba! – disse ele em voz alta.

Ligou o GPS. Não havia tem po para passar em casa. De repente, isso

se transform ou em um a peregrinação religiosa, pensou. Ele saiu para a rua

e pegou a pista rápida.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

83

Passava um pouco das seis da tarde quando Zack saiu da Rota 5 e pegou a

202, um a estrada asfaltada de duas pistas que cortava um a floresta densa.

O indefinível instinto que Zack seguia era com o ter um GPS no

interior de seu crânio. Eles entraram no centro de Farrington: um a fileira

de casas, um corpo de bom beiros voluntários e um pequeno posto de

gasolina com um a loj a de conveniência. Zack parou ao lado de um a bom ba de gasolina. Sarah desceu do carro para usar o banheiro e com prar algo

para com er.

Com o ninguém foi atendê-lo, Zack saiu e retirou a m angueira.

Enquanto abastecia, um hom em com um a cam isa laranj a e um boné preto

saiu da loj a.

– Segunda porta à esquerda. Não precisa de chave – disse ele para

Sarah, que agradeceu e cam inhou até um a entrada externa.

– Eu não sabia se era de autosserviço ou não – disse Zack.

– Sim , sinhô. Aqui não é Massachusetts. Por estas bandas, nóis dá

opção, sô.

‚Por estas bandas, nóis dá opção, sô.' Eles realm ente falavam dessa

form a. ‚Sim , sinhô.' O cara tinha um a barba grisalha; um a parte do bigode

curvava-se sobre o lábio. Em um bolso lateral de sua m ente, Zack se

perguntou por que ele não aparava aquilo e tentou não pensar no cara

com endo um sanduíche de salada de ovo. Ele entregou a bom ba para o

hom em e pediu-lhe que enchesse o tanque.

– Só por curiosidade, você j á ouviu falar em Magog Woods?

O cara levantou a cabeça.

– Sim , sinhô.

– Estam os indo na direção certa?

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Depende da sua direção.

Devido à localização das bom bas, o carro estava apontando para oeste.

– Norte.

– Sim , sinhô, só que as placa j á caiu faz uns ano.

– Tem algum a indicação?

– Árvores.

– Mas árvore é só o que tem por aqui...

– Então, ocê entendeu.

Afora aquele m inivilarej o, apenas bosques im penetráveis m argeavam

as estradas.

– Fica longe?

– O quê?

– Magog Woods. – Zack estava com eçando a achar ou que o hom em

estava curtindo com a cara dele ou era apenas lerdo.

– Uns vinte... 25 quilôm etros.

– Existe um a entrada?

– Que nada.

– Com o vou saber que estou lá?

– Provavelm ente, não vai, a m eno que ocê sabe o que tá procurando.

Só um corte nas árvore, se é que ainda tá lá. Eu m em o num vô m uito

praquelas banda. – Através da j anela traseira, ele olhou para os sacos de

dorm ir enrolados e as m ochilas no espaço de carga.

Quando ele term inou de encher o tanque, Zack lhe entregou 60 dólares. O cara inspecionou as notas, com o se suspeitasse de que eram

falsas. Quando se deu por satisfeito, puxou um m aço de notas, lam beu o

polegar e o indicador e, lentam ente, puxou quatro notas de um . Enquanto

o hom em estava naquilo, Zack notou duas pessoas no interior da loj a,

observando-o.

– É lá que ocê tá pensando acam par?

– Por que pergunta?

– Porque num tem lugar para m ontar um a barraca, a m eno que ocê

ande um estirão. A m ata é fechada. Um lago ou dois, bem lá pra dentro,

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

m as ninguém vai lá.

– Com o assim ?

O cara levantou a cabeça novam ente.

– Se ocê num tem o que fazer lá, m ió seguir adiante.

Zack sentiu o rato em suas entranhas agarrar em algum a coisa.

– Tem m uito acam pam ento bom pros lado de Fry eburg, Kezar

Lake. Cum água corrente, e eles são seguro.

Só então Sarah saiu da loj a com um a sacola de com ida e bebidas.

– Tem uns m apa de parque de cam pism o da região. – Ele olhou para

Sara. – A senhora que atendeu ocê terá prazer em aj udar.

Sarah olhou para Zack.

– E quanto a hotéis?

– Tem isso tam bém , e um as pousada bacana feita na m edida pra

gente de Massachusetts. É só perguntar pra Marianne.

Sarah voltou para a loj a. Zack esperou até ela estar fora do alcance de

sua voz.

– Você está dizendo que há problem as em Magog?

– Principalm ente pra gente que entrou lá.

– O que aconteceu?

– Nunca saiu de novo.

Zack balançou a cabeça, m ostrando que havia entendido; era tudo

lenda local.

– Algum a ideia do que aconteceu com eles?

–

Difícil

dizer,

m oço. Talvez

se

perderam .

Talvez

se

m achucaram . Talvez caíram na lam a m ovediça. Talvez pior.

O que poderia ser pior do que afundar em lam a m ovediça?

– Você quer dizer... anim ais?

– Tem um m onte deles por aí. – Ele balançou a cabeça com o se

fizesse um inventário m ental de todas as criaturas do lugar. Então,

acrescentou: – Mas pode ser outra coisa.

– Com o o quê? – O rato com eçou a roer algo.

– Difícil dizer. Mas até m em o os agente do DPIVS num vão lá, e eles

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

carregam m ais arm as do que a polícia estadual.

– DPIVS?

– Departam ento de Pesca Interior e Vida Selvagem . Eles tom am