Visões da Morte

Gary Braver · Capítulo 4 de 10 · parte 1/2

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Visões da Morte

m ovim ento de corpo que lhe…

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 2 partes.

m ovim ento de corpo que lhe deu a dica. Na m ão seguinte, aconteceu de

novo. O cara olhou para as suas cartas, e Zack viu um ás de paus e um três

de copas. A quarta e a quinta carta foram ases, e o cara ganhou com um a

trinca.

[7]. As cartas que o j ogador recebe com a face voltada para baixo. (N.

da T.)

Foi a terceira m ão que assustou Zack.

Nas blinds[8], o dealer distribuiu a cada j ogador duas cartas viradas.

As apostas foram feitas e, em seguida, o dealer distribuiu as três prim eiras

cartas com a face voltada para cima[9], um dez e um três de paus e um a rainha de copas. O prim eiro suj eito desistiu da m ão, deixando os outros

três e o asiático. A aposta era a do rapaz negro, e ele deslizou 50 dólares

sobre a m esa. O asiático e o outro pagaram a aposta, e a quarta carta foi

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

um três de ouros. A aposta do asiático foram m íseros 50 dólares, e o

próxim o cara hesitou, m as, então, igualou a aposta. A quinta carta foi um

ás de espadas, que fez o rapaz negro desistir, deixando o asiático e seu

adversário, que apostou 200 dólares, elevando o bolo para cerca de 600

dólares. Quando o asiático deu um a conferida rápida novam ente em suas

cartas de bolso, a m ente de Zack vislum brou duas rainhas, um a de ouros e

outra de espadas, tão nitidam ente com o se fossem vistas pelos próprios olhos do j ogador oriental.

[8]. Aposta obrigatória que tem de ser feita pelos dois j ogadores sentados à esquerda do dealer, que com eça as apostas. (N. da T.)

[9]. O cham ado ‚Flop'. (N. da T.)

O asiático olhou para Zack com o se sentisse a estranha conexão. Mas

o outro j ogador cham ou-o para o j ogo: ‚Sua vez'. O asiático parou de

encarar Zack e apostou m ais 50. Quando as apostas finais foram feitas e as

cartas foram distribuídas, o cara asiático revelou suas cartas de bolso e

levou o bolo com três rainhas, sendo que duas nas cartas viradas para

baixo.

Zack afastou-se da m esa discretam ente e dirigiu-se para o banheiro

m asculino. Sua cabeça tinha um zum bido estranho, e sua frequência

cardíaca estava acelerada. Na pia, j ogou água fria no rosto e olhou-se no

espelho. Que diabos fora aquilo? Apenas um feliz acaso. Um a anom alia

estatística, disse a si m esm o. Este lugar todo é o próprio tem plo dos

acasos. Mas três vezes seguidas? Talvez fosse um a espécie de déj à-vu ao

contrário. Quando o cara virou as cartas de bolso, você apenas pensou que

vira antes o que ele tinha. Não vam os nos esquecer de que, há quatro

m eses, você tentou fundir sua cabeça com um poste.

Ele deixou o banheiro m asculino e voltou para as m esas de pôquer.

Pensou em ir para um salão de j ogo diferente – ficar olhando as m esas de

j ogo de dados ou de roleta por um tem po. Ou talvez encontrar Anthony e

Dam ian nas m esas de 21. Mas algum a coisa o puxou de volta para a m esa

33.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

Enquanto se aproxim ava, Zack surpreendeu o oriental observando-o,

m as o cara logo desviou o olhar.

Mais duas m ãos se passaram quando o j ovem negro anunciou que ia

desistir enquanto estava ganhando. Deu a gorj eta ao dealer e se levantou.

Ele perguntou se Zack queria j ogar; e, sem pensar, Zack disse ‚Claro' e

sentou-se.

– Você tem um nom e? – perguntou o hom em branco à sua esquerda.

Zack disse com o se cham ava, e o cara, por sua vez, falou que seu

nom e era Jeff DeRonde. Os outros se apresentaram , Ralph, e o outro cara

que se j untara à m esa era Sam m y . O asiático cham ava-se Winston Song.

Zack com prou 400 dólares em fichas. Sentia um frio na barriga. Olhava

para Winston, m eio que esperando a estranha conexão, m as nada

aconteceu. A prim eira m ão passou, e ele e Jeff DeRonde pularam fora

logo. Winston fez a m esm a coisa. Zack não captara nada quando o cara

olhou para as próprias cartas. Era com o se a sintonia tivesse acabado. Na

segunda m ão, Dam ian e Anthony o encontraram .

– Ei, cara – disse Dam ian. – Resolveu j ogar com os adultos, hein?

– Até eles m e deixarem liso. – Mais duas m ãos se passaram , reduzindo

o capital de Zack a 200 dólares. E nada de vislum bres im aginários.

Contudo, na m ão seguinte, eles retornaram . O dealer distribuiu as

cartas de bolso, e Winston elevou a aposta em 15 dólares. Zack havia

recebido um três de ouros e um valete de espadas. Ele igualou a aposta,

assim com o os outros. As três prim eiras cartas que foram distribuídas na

m esa, viradas para cim a, foram um valete de ouros, um dois de paus e um

seis de ouros. Winston apostou m ais 50, elevando o bolo. Zack igualou, e

os outros dois tam bém . A quarta carta foi um nove de ouros, e Winston

apostou 75 dólares. Zack apostou outros 50. A últim a carta foi um a dam a

de ouros, deixando a m esa final com quatro cartas de ouros. Com os ouros

na m esa, o seu três deu-lhe um flush[10]. O cara cham ado Jeff, à sua direita, não tinha nada e desistiu, deixando Zack e Winston no j ogo. E

cerca de 400 dólares no bolo.

[10]. Cinco cartas quaisquer do m esm o naipe. (N. da T.) Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

Zack m ostrou as dele. Um ‚Oooh!' se elevou da m esa, quando todos

viram as cartas de Zack. E, pela prim eira vez na noite, Winston rom peu

sua im passibilidade. Seus olhos se arregalaram ligeiram ente quando ele viu

o três de ouros de Zack. Zack o tinha vencido com um três.

– Pensou que eu estava blefando? – disse ele, enquanto Zack puxava

para si o m onte de fichas. – Arriscou-se um bocado.

– Meu Deus, cara! Isso foi insano – disse Anthony , sem acreditar.

Dam ian apenas balançava a cabeça.

Zack havia ganhado um bolo de m ais de 1.100 dólares.

As três m ãos seguintes não resultaram em nada, e ele desistiu logo. O

m esm o fez Winston. Novam ente, Zack achou que tivera um a visão fugaz

de suas cartas de bolso, m as, com o o cara acabou por não revelá-las, Zack

não tinha com o confirm ar. Um pouco depois da m eia-noite, Anthony

j untou-se ao j ogo, enquanto Dam ian ficou de pé ao lado dele, tom ando

um a cervej a. Zack ainda tinha cerca de 900 dólares. As cartas foram

distribuídas, e ele recebeu dois noves. As três prim eiras cartas viradas para

cim a na m esa foram um valete, um quatro e outro nove, o que deixava

Zack com um a trinca. Todo m undo ficou no j ogo e o bolo se aproxim ou de

500 dólares. Winston tinha algum a coisa porque igualou a aposta de Zack

quando ele aum entou o bolo, afugentando os outros dois, inclusive

Anthony . A quarta carta foi outro valete, e a quinta foi o últim o nove,

dando a Zack um a quadra. Winston ficou até o fim , e deveria ter, na

m elhor das hipóteses, um flush de espadas, um full house[11] ou um a quadra. A outra possibilidade era que estivesse blefando. O bolo estava

quase em 2 m il dólares, incluindo os cerca de 700 de Zack. Winston olhou

para a quinta carta e, em seguida, em purrou para a m esa um a pilha de

fichas equivalente a 500 dólares, que igualava a aposta de Zack. Ele olhou

para Zack com aquela cara neutra, sem expressão, enquanto as pessoas em

volta deles – agora m ais de vinte – m urm uravam na expectativa da resposta

de Zack.

[11]. Um a trinca e um par. (N. da T.)

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

Por um longo m om ento, Zack olhou nos olhos de Winston, que eram

duas indecifráveis ovais de ônix planas. Nenhum a contração denunciadora

em seu rosto.

– Eu desisto – Zack anunciou.

Um m urm úrio subiu da galeria de espectadores.

– Você quase m e enganou – Winston disse, enquanto j untava as

fichas.

– O que você tinha? – Anthony perguntou.

Zack não respondeu.

– Não, sério, cara. Devia ter um flush. – Antes que Zack pudesse

detê-lo, Anthony revelou os dois noves de Zack. As pessoas em volta

soltaram um suspiro.

– Caram ba! – Anthony disse. – Você desistiu com quatro noves?

– Ninguém desiste tendo um a quadra – disse Dam ian. E as pessoas

concordaram .

Dam ian olhou para Zack.

– Você podia ter pagado pra ver, cara, e caiu fora.

Winston lançou a Zack um olhar intenso e revelou suas cartas

vitoriosas: dois valetes, o que lhe dava um a quadra.

A m ultidão soltou exclam ações de consternação.

– Não acredito! – disse alguém . – Puta m erda!

– Que loucura! Nunca vi algo assim ! – alguém disse. – Ele desiste

com quatro noves, e quatro valetes levam o bolo. – As pessoas

continuavam a com entar sobre o extravagante palpite de Zack, que salvara

o restante do seu dinheiro.

Zack em pilhou suas fichas e se levantou.

– Hora de ir.

Winston pegou o últim o valete da m esa e virou-o, para checar se não

estava m arcado. Então, largou-o.

– Não sei qual é a sua, garoto – disse ele. – Mas você ficou fazendo

isso a noite toda.

Zack sentiu o peito apertar.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Fazendo o quê?

– Lendo-m e. Ninguém pula fora com um a quadra de noves.

Com o Zack não conseguiu pensar em nada para responder, ele deu de

om bros e j untou suas fichas. Quando eles estavam indo em bora, dois

hom ens em casacos esporte escuros se aproxim aram de Zack. Antes que

ele percebesse, os três estavam sendo levados para um canto m ais tranquilo, onde guardas de segurança pediram para ver as identificações

dos três.

– O que foi que a gente fez? – Anthony perguntou.

– Não sei qual é o esquem a de vocês, m as estavam contando as cartas,

e isso é um a violação.

– Não estávam os contando as cartas – Anthony protestou. – Eu j uro.

Mas os guardas pareciam tão abertos à negociação quanto um pelotão

de fuzilam ento. Entregaram aos seguranças suas carteiras de habilitação e

um deles foi fazer fotocópias e verificar o banco de dados, enquanto os

outros davam um a prensa neles, evitando discretam ente cham ar atenção.

O prim eiro guarda voltou, trazendo as identificações.

– Os seus nom es foram inseridos em um banco de dados que é

com partilhado com cassinos daqui até Las Vegas.

– E o que isso significa?

– Significa que vocês estão proibidos para sem pre de pisar em um

cassino em solo am ericano. – Seu dedo apontou para a saída. – Deem o

fora daqui.

– Mas eu não estava contando as cartas. Juro.

– Sej a lá o que estavam fazendo, j am ais voltarão aqui.

– E quanto às m inhas fichas? Eu quero sacar. Sacar e ir em bora.

Os seguranças os escoltaram até os caixas, onde Zack trocou suas

fichas por um cheque de 533 dólares. Depois, eles os acom panharam até o

estacionam ento e esperaram para ver se eles estavam m esm o indo em

direção ao carro de Anthony .

– Você estava contando?

– Não.

– Você viu o cara conferindo o valete? Com o se achasse que estava

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

m arcado.

– Com o poderia estar? – Dam ian disse. – O dealer troca o baralho a

cada novo j ogo.

– Não sei, cara. Você se com portou de um j eito m uito estranho com

aquele suj eito. O que diabos você estava fazendo?

Zack inspirou tão fundo o ar da noite que parecia querer drenar a

atm osfera.

– Ei, você está bem ? – Anthony perguntou, enquanto se dirigiam para

o carro.

Zack confirm ou, m as estava tendo dificuldade para recuperar o fôlego.

Com o ele não respondeu, Dam ian segurou-lhe o braço.

– Tem certeza de que está bem ? Você está suando pra caram ba.

– É – disse Zack. Eu vi as cartas dele. Eu vi os valetes virados para

baixo.

– Provavelm ente, está assustado com os seguranças.

Zack balançou a cabeça quando eles chegaram ao carro.

– Então, o que você estava pensando? – Anthony perguntou.

– Eu não sei. Foi apenas um pressentim ento estranho de que as cartas

dele valiam m ais do que as m inhas.

– Pressentim ento estranho de que ele tinha quatro valetes contra os

seus quatro noves? Ou você nasceu virado pra Lua ou é telepata, essa é

que é a verdade.

Zack não disse coisa algum a e entrou no carro.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

23

Pelos quatro dias seguintes, Zack tentou entender o que havia acontecido

naquela noite e estabeleceu um a explicação racional. Nos últim os quatro

m eses, seu cérebro havia passado por um traum a considerável e se

regenerado, form ando novos cam inhos de ligação. Com o resultado, ele

havia enganado a si m esm o ao pensar que sua m ente vislum brara as cartas

daquele cara. Mas, em retrospectiva, não fora m ais do que um m isto de

autossugestão com pura sorte. Desde então, não experim entara m ais

episódios sem elhantes.

Mais cedo, naquele dia, Dam ian havia cham ado Zack para se j untar a

ele no Uno Chicago Grill, na Huntington Avenue com a rua

Gainsborough, colado ao cam pus da universidade. Dam ian dissera que pagaria a refeição. Zack ainda era um caso de caridade. Sua dívida no

cartão estava agora em torno de 4.200 dólares e não parava de crescer.

– Então, o que você fez com os seus ganhos? – perguntou Dam ian,

tom ando um a Coca-Cola.

– Paguei a m etade do aluguel do próxim o m ês.

– E a outra m etade?

– Anthony .

– Talvez tenha sido um a boa coisa terem banido você.

– Meus dias de j ogatina acabaram , tanto on-line quanto ao vivo. Vou

encarar a abstinência. – Deu um a m ordida em sua pizza. – Foi m inha

resolução pós-com a.

– Vam os brindar a isso! – Dam ian ergueu o copo. – À abstinência.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

Zack brindou com ele.

– Só que eu não posso viver à custa dos outros, com 24 anos na cara e

atolado em dívidas – disse ele. – Vou ter de arrum ar um em prego.

– Você não vai conseguir fazer isso e term inar a sua dissertação ao

m esm o tem po.

– Talvez eu pleiteie outra extensão do prazo.

– Seu orientador pode m orrer de velhice antes de você term inar. –

Então, Dam ian puxou algo do bolso da cam isa. – Foi por isto que eu

cham ei você. Estava no quadro de avisos do centro estudantil. – Entregou

o folheto a Zack. – Estão procurando voluntários para pesquisa.

O anúncio era escrito em letras garrafais. E debaixo havia um núm ero

0800.

GANHE DINHEIRO (!) COMO PARTICIPANTE DE UM

ESTUDO SOBRE O SONO. LIGUE PARA O CENTRO DE

PESQUISAS PROTEU E DEIXE SEU NOME E NÚMERO DE

TELEFONE PARA AGENDAR UM HORÁRIO.

– Algum tipo de estudo relacionado ao sono. Eu liguei, e eles

inform aram que pagam 250 dólares por sessão.

– Só para ir lá e dorm ir?

– Acho que é um estudo da insônia. Pode ser até que você m ate dois

coelhos com um a caj adada só: resolve o seu problem a de sono e ainda é

pago por isso.

– Provavelm ente não é um proj eto de universidade, a j ulgar pelo

núm ero 0800.

– Estão procurando voluntários com idades entre 21 e 50 anos.

Nenhum a dependência de drogas ou álcool, sem antecedentes de

transtornos m entais. E 250 dólares no bolso, se o candidato se enquadrar

nas exigências.

– Você disse que estava interessado?

– Sim , e eu perguntei se poderia indicar outra pessoa, e eles disseram

que sim . Estarão entrevistando esta noite, aqui perto, no hotel Colonnade. Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

O que você acha?

– Mal não fará.

Dam ian pagou a conta, e eles foram andando até o Colonnade.

Quando perguntaram no balcão sobre as entrevistas do Proteu, o

funcionário encam inhou-os para um conj unto de salas no terceiro andar.

Quando estavam chegando, um rapaz e um a m oça que regulavam em

idade com eles próprios saíram pela porta. Dam ian perguntou se era ali a

seleção para o estudo do sono, e eles confirm aram . Eles bateram à porta, e

um hom em de cabelos grisalhos revoltos e cam isa branca deixou-os entrar.

Ele se apresentou com o doutor Morris Stern, pediu-lhes para esperar

alguns m inutos e depois desapareceu em outra sala.

Um m inuto depois, ele retornou com um a m ulher alta, que se

apresentou com o doutora Elizabeth Luria. Em sua bochecha direita, havia

um a m arca de nascença averm elhada. Ela lhes agradeceu por terem

com parecido e, em seguida, consultou o relógio.

– Se não se im portam , gostaríam os de com eçar im ediatam ente.

Eles concordaram , e Stern levou Dam ian para um quarto enquanto

Zack seguiu Luria até outro, que tinha um a m esa com um laptop e um a

im pressora. Luria pediu para que Zack se sentasse diante dela. A doutora aparentava ter uns 60 anos e seus olhos escuros e ligeiros se destacavam

por trás dos óculos de aros perfeitam ente redondos. A m arca de nascença

com eçava cerca de uns dois ou três centím etros sob seu olho direito e

corria por sua face, o que fazia parecer que lágrim as de sangue haviam

escorrido e secado em seu rosto.

– Então, o que exatam ente você j á ouviu sobre nós? – ela perguntou

com um a voz nítida e clara, que com binava bem com seus vivazes olhos

escuros.

– Só que vocês estão fazendo estudos sobre o sono. – Ele desdobrou o

folheto que tirou do bolso.

– Sim , nós tem os um a variedade de proj etos relacionados ao sono,

incluindo a avaliação de transtornos. Você e seu am igo são estudantes,

então, eu não preciso explicar com o a perda de sono pode afetar a m aneira

de agir física e m entalm ente.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Pensei que estudos do sono fossem realizados em hospitais.

– E são. E alguns são conduzidos em universidades ou centros de

pesquisa particulares. Quero deixar claro logo de saída que não podem os

aceitar voluntários com história de dependência de drogas ou álcool.

– Nunca tive nenhum dos dois problem as.

– Ótim o! Nem convulsões, epilepsia, esquizofrenia, transtorno bipolar,

psicose ou outros problem as m entais, incluindo alucinações.

Zack balançou a cabeça, tentando m anter sua expressão neutra.

– Nada do que foi m encionado.

– Muito bem , m as ainda precisarem os de seu histórico m édico

com pleto antes de com eçarm os.

Aquilo foi um balde de água fria para Zack. Se descobrissem sobre o

traum atism o na cabeça, provavelm ente o descartariam . Mas sua ficha

m édica da faculdade era anterior ao acidente, e esperava que ela não

houvesse lido as notícias sobre ele nos j ornais.

– Posso providenciar.

– Ótim o. – Ela aj eitou os óculos. – Gostaríam os que você preenchesse

um questionário. Com o é um pouco dem orado, para acelerar o processo, o

form ulário está em um arquivo do Word. – Ela indicou o laptop e a

im pressora. – Não deve dem orar m ais do que m eia hora.

– Ok.

– Ótim o. Algum a pergunta?

– Bem , na verdade, se você não se im porta...

Ela leu a expressão de Zack e sorriu.

– Quanto à rem uneração. Esta é apenas a fase de seleção. Se as coisas

derem certo, nós o cham arem os para o estudo, pelo qual você será pago.

– Soube que pagam 250 dólares.

– Isso m esm o. – Ela se virou para o laptop e abriu o questionário. –

Quando term inar, basta bater na porta. – Então, ela saiu da sala.

Zack exam inou o questionário, que tinha várias seções. A prim eira

solicitava dados gerais, com o sexo, idade, grau de instrução, endereço,

estado civil. A seguinte, ‚Relações fam iliares': idade dos pais, se estavam

vivos, se eram separados, divorciados; se tinha irm ãos e quais suas idades.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

A terceira indagava sobre quaisquer distúrbios neurológicos: enxaquecas,

ataques epiléticos, convulsões, lesões cerebrais, e assim por diante. Ele

m arcou ‚NÃO' para todas elas.

A próxim a seção, ‚Form ação religiosa/espiritualidade', parecia

supérflua: em qual religião, caso houvesse um a, ele fora criado, se

praticava tal religião atualm ente; qual era a im portância da religião ou da

espiritualidade em sua vida. As perguntas lhe pareceram irrelevantes, e ele

respondeu a todas elas com um ‚NÃO'. Seguiram -se, então, duas

questões: ‚Onde você se sente m ais conectado com você m esm o (por

exem plo, em casa, no trabalho, em outro lugar)?' Ele digitou ‚Cam inhadas

na floresta'. ‚Onde você se sente m ais conectado com o universo/Deus

(por exem plo, em um tem plo religioso, na m ontanha, no m ar, etc.)?' Zack

digitou ‚Sagam ore Beach, Cape Cod' – onde passava as férias todos os

verões.

A próxim a seção era ‚Sono e padrões de sonho': Qual é o núm ero m édio de horas que dorm e por noite? Qual é a qualidade do sono (boa,

regular, ruim )? Com que frequência costum a sonhar o m esm o sonho?

Com que frequência tem pesadelos? – espaço para descrevê-los. A seção

final perguntava sobre seus sonhos m ais m em oráveis: quem aparecia neles;

as em oções que sentia; seu pior pesadelo. Você algum a vez sonhou com

alguém que tenha m orrido? Ou com um a presença m aligna ou dem oníaca?

Ou teve um encontro com um ser religioso? Já teve um a experiência

m ística? Ele supôs que o questionário visava a excluir os birutas. Ele

digitou ‚NÃO' e não m encionou o episódio ocorrido no cassino.

Quando term inou, im prim iu o questionário e bateu na porta m ais

distante. Luria voltou, exam inou suas respostas e, em seguida, agradeceu e

disse que entrariam em contato com ele.

– Se você não se im porta – disse ele –, estou curioso. Por que tantas

perguntas sobre sonhos?

Ela pareceu m om entaneam ente absorta nas respostas dele.

– Porque alguns distúrbios do sono são causados por sonhos

recorrentes ou pesadelos.

– Então, por que tantas perguntas sobre religião?

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Estam os interessados nas fontes em ocionais ou psicológicas dos

sonhos.

– Parece-m e que estão m ais interessados em sonhos do que em

distúrbios do sono.

– Acho que sim . – Mas ela não entrou em detalhes, e sua m arca de

nascença parecia flam ej ar.

– Se eu for selecionado, no que irá im plicar os testes?

– Se não se im porta, deixem os para cruzar essa ponte se e quando

chegarm os a ela. – A doutora o levou até a porta. – E, por favor, envie-nos

o seu histórico m édico. – Entregou-lhe um cartão com um a caixa postal de

Boston. – Nós entrarem os em contato, caso passem os para a próxim a fase.

Zack não gostou de ser despachado daquela m aneira abrupta, m as não

disse nada.

Dam ian estava no saguão esperando por ele.

– Com o se saiu?

– Ainda estou endividado – respondeu Zack, enquanto cam inhavam

para a saída.

– Sim , bem , talvez isso m ude agora.

O ar estava frio, e Boston brilhava contra um céu índigo escuro. Antes

de se separarem , Zack disse:

– Enquanto isso, eles vão verificar se som os fanáticos da Nova Era ou

drogados.

– Pelo m enos não será um a análise de crédito.

– Talvez Deus realm ente exista, no final das contas.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

24

Warren G ladstone inspecionou o rosto no espelho. Verificou que os dentes

estavam lim pos, a barba, bem feita, todos os fios de cabelo, no lugar.

Aj ustou a gravata dourada no colarinho de sua veste azul-celeste e sapecou

seu sorriso Luz Divina, que haveria de ilum inar seu cam inho para a Terra

Prom etida. Então, subiu no tablado e sorriu sob os holofotes. O estúdio

era pequeno, e os técnicos se aglom eravam por trás das duas câm aras. Na

deixa do produtor de vídeo, Warren com eçou:

– E aconteceu que o m undo vivia em paz e felicidade. Todos am avam

a Deus, e Deus am ava a todos. Então, um dia, o Mal surgiu no m undo.

Sim , os seguidores de um deus diferente invadiram o m undo e trouxeram

com eles um a divindade falsa. Sob a bandeira da ‚verdadeira autoridade',

aqueles invasores reclam aram a nova terra com o sua, arm ados com seus

livros e docum entos de palavras férreas que prom etiam falsa liberdade e

falsa paz.

Enquanto lia o teleprom pter, Warren podia sentir o calor de sua

própria convicção.

– E aqueles hom ens sonhavam em reunir todos os filhos de Deus sob

o falso ídolo, que prom etia liberdade com base em ilusão. Liberdade com

base em opressão. E eles encheram o m undo com gente que cria, porém não em um único Deus verdadeiro, m as, sim , adoradora de um falso deus,

recitando falsas ‚verdades'. E o Criador único e verdadeiro que alim enta,

veste e protege foi rej eitado. Eles am aldiçoaram suas dádivas e

am ontoaram -nas em m ontes de lixo. Desprezaram e ridicularizaram o

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

verdadeiro povo de Deus. E o falso deus governou, e seu livro de m entiras

foi enviado.

Ele tom ou um gole de água, suas veias pulsavam com sublim e

propósito.

– E o seu livro é cham ado Ciência. E o seu falso deus é

cham ado Razão. E seus seguidores, sem autoridade válida, tom aram o

m undo do verdadeiro Deus. E ensinam a crença de que a ciência fornece

respostas para todas as perguntas e liberta a m ente da ignorância. E que

qualquer pessoa que acredita no Deus Todo-Poderoso é atrasada e

estúpida. Mas eu lhes digo que a ascensão do secularism o tornou tão vazia

a sociedade ocidental, que deu origem ao relativism o m oral, que considera

todas as crenças e todos os princípios iguais. Esse secularism o resultou no

descarte dos códigos m orais que guiaram as pessoas por 2 m il anos,

deixando a religião ocidental vulnerável a ataques de fundam entalistas

radicais vindos de longe.

Ele j udiciosam ente evitara a palavra islam ism o, para não politizar a

sua m ensagem de união global.

– Vocês j á m e ouviram dizer inúm eras vezes que Deus não nos pede

para entender sua vontade, apenas para obedecê-la, por m ais irracional

que pareça, às vezes. Vocês tam bém m e ouviram parafrasear Mark Twain:

‚Quando os cientistas explicaram o arco-íris, perdem os m ais do que

ganham os'. Mas a verdade é que, quanto m ais a ciência desvenda os

m istérios do m undo, m ais m isterioso o m undo perm anece. Com o m uitos

cientistas têm proclam ado, é preciso que não haj a conflito entre religião e

ciência. Todos nós j á ouvim os a expressão ‚Com bater fogo com fogo'.

Creio que foi Shakespeare quem prim eiro disse isso. E há grande verdade

nessa expressão. E em breve, sim , em breve, vam os com bater fogo com

fogo e m ostrar com o a razão e a ciência podem ser convocadas para

com provar a Palavra de Deus. Não, eu não posso dizer exatam ente quando

isso vai acontecer, m as será em breve. Em breve, m eus irm ãos e m inhas

irm ãs. Em breve, vam os dem onstrar a todo m undo a verdade da prom essa

de Deus para vocês. A verdade que tem sustentado os fiéis durante vinte

séculos. A verdade, que tem im pulsionado este m inistério. A verdade, a

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

irrefutável verdade, diretam ente das m ãos da própria ciência. Está chegando, m eus irm ãos e m inhas irm ãs. Está chegando. Aleluia, o grande

dia do Senhor está chegando.

Pouco depois, Warren entrou no escritório orgulhoso e radiante.

– Então, o que você achou?

– Você poderia vender preservativos a um padre – disse Morris Stern,

cuj os pequenos olhos faiscavam na direção dele por trás dos óculos.

– O que isso quer dizer? – Warren lançou um olhar duro a Stern. O

hom em era um cientista brilhante, m as um infiel insuportável. Só Deus

sabia o que Elizabeth vira nele.

– Brincadeira – disse Stern. – Eles vão com er na sua m ão.

– No com eço, você m e deixou um pouco nervosa fazendo a ciência

parecer inim iga de Deus – disse Elizabeth. – Mas desfez a im pressão

m uito bem .

– Não tenho a m enor intenção de enaltecer quem m e ataca.

– Você é um ourives das palavras, Warren.

Gladstone sentou-se em sua m esa. Na parede atrás dele, um a placa

reproduzia a m issão estam pada no site da Luz Divina: ‚O nosso propósito

em com unhão com o Senhor Deus Todo-Poderoso é difundir o Evangelho

do Messias para o m undo inteiro, por m eio da com unicação em m assa'.

O plano de Warren era continuar fazendo essas pequenas e

instigantes transm issões, preparando o terreno espiritualm ente até eles

terem as provas que procuravam – as provas que perm itiriam conciliar a

religião com a ciência e, de um a vez por todas, acabar com o rancor e a

inim izade entre os dois cam pos.

– A propósito, você j á encontrou alguém para substituir o... com o é

m esm o o nom e dele?... o Pom eroy , para processar toda a atividade celular

ou sej a lá o que for?

– Não – disse Stern. – Mas tem os Sarah Wy m an, um a ex-aluna dele,

um a j ovem m uito com petente, que está trabalhando nisso.

– Qual é a posição filosófica dela?

– É um a cientista dedicada.

Era a frase-código de Stern quando queria dizer que alguém era ateu.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Tudo bem , desde que ela possa fazer o trabalho.

– Sem dúvida, pode.

– Então, por que está parecendo que vocês acabaram de chegar de um

funeral?

– Bem , tem os algum as m ás notícias.

Warren retesou-se na cadeira.

– O que aconteceu?

– Perdem os outra contratada. LeAnn Cola – disse Stern.

– O que aconteceu?

– Um vazam ento de gás enquanto ela dorm ia. Felizm ente, a filha dela

estava com o ar-condicionado ligado.

– Que tristeza, pobre criança. Isso afeta nosso proj eto?

– Não, não de fato.

– Há outra coisa – disse Elizabeth, entregando-lhe um artigo de j ornal.

– A polícia está investigando a m orte de dois hom ens com altos níveis de

tetrodotoxina no organism o.

– Com o eles foram identificados?

– Um estrangeiro ilegal do Haiti, encontrado m orto em um a rua

escondida, em Charlestown. O outro, um m endigo retirado do Charles

River com a cabeça esm agada. Antes de ele cair, um a testem unha o viu

sentado na m ureta da ponte de Harvard no m eio da noite, e viu tam bém

outro hom em golpeá-lo na cabeça com um taco de beisebol.

– Santo Deus! – exclam ou Warren.

– Um a testem unha afirm ou que a vítim a parecia esperar que o outro o

golpeasse. Um assassinato por m isericórdia.

Warren digitalizou o artigo.

– Estávam os esperando enviá-los para o céu; em vez disso, nós

criam os para eles um inferno em vida. Isso é terrível.

Stern o interrom peu:

– Antes de você com eçar a ficar alterado, lem bre-se de que era um zé-

ninguém viciado em drogas.

– Essa não é a questão. Não podem os sacrificar pessoas para

encontrar Deus, m esm o que sej am m oradores de rua.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Bem , a ciência m uitas vezes se m ove de baixo para cim a.

Warren ficou apoplético.

– Essas pessoas falam , têm am igos. E se a polícia rastreá-los até nós?

Santo Deus, isso nos tiraria da j ogada para sem pre.

– Isso não vai acontecer – disse Elizabeth. – Nós tom am os todas as

precauções im agináveis.

– Com o pode ter certeza?

– Warren, acalm e-se. Não haverá m ais erros – disse Elizabeth. –

Utilizarem os um a nova categoria de voluntários para testes: m ais j ovens,

m ais saudáveis, cuj os cérebros não estej am corroídos por drogas e bebidas

nem sofrem de delírios.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

25

– Ei, camarada, nós passamos.

– Meio cam inho andado para a fam a – disse Zack. – Estam os

qualificados para dorm ir.

Dam ian ligara um pouco antes do m eio-dia. Era sexta-feira, antes do fim de sem ana do Mem orial Day , e três dias haviam decorrido desde que

Zack enviara seu histórico m édico para a doutora Luria. Nesse m eio-

tem po, Zack recebera outro aviso de falta de fundos do Bank of Am erica, a

respeito de um cheque que passara pouco antes do acidente. Só em

m ultas, o com a lhe custara 125 dólares. Ele devia ao todo agora quase 5

m il.

– Sim , m as se você está com a corda no pescoço, isso poderá lhe dar

certa folga. – Alguém havia telefonado para Dam ian dizendo que um carro

iria buscá-los às sete horas e levá-los para o centro. Então, essa pessoa lera

as restrições: nada de bebidas com cafeína depois das duas horas da tarde.

Nada de estim ulantes, álcool ou sedativos. Podem tom ar banho, m as não

usem condicionadores, gel, m ousse e loções – isso tinha algo a ver com o

bom contato do eletrodo com a pele. Com am norm alm ente e tragam um a

m uda de roupa.

Um pouco antes das sete, Zack encontrou Dam ian na esquina das

avenidas Huntington e Massachusetts.

– Bonita cam iseta – disse Dam ian.

A estam pa da cam iseta de Zack m ostrava o peixe estilizado usado

com o em blem a pelos prim eiros cristãos, porém com pés rudim entares e a

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

palavra DARWIN arranj ada com o ossos dentro de seu corpo.

– Posso em prestá-la, se você atravessar um a crise existencial.

Dam ian sorriu.

– Isso não vai acontecer, cara.

Às sete em ponto, um Cadillac SUV negro parou no m eio-fio. Um

hom em atarracado vestido com um a cam isa branca e calças escuras saiu e

se aproxim ou deles.

– Algum de vocês é Dam ian Santoro?

– Sim .

O hom em fez um sinal de aprovação com a cabeça, disse que seu

nom e era Bruce e abriu a porta traseira do veículo para eles. Quando eles

entraram e Bruce fechou a porta, Zack notou que um a divisão os separava

do banco da frente.

Depois que o m otorista deu a partida no carro, ele ligou o sistem a de

som , inundando o carro com m úsica clássica. Deram m eia-volta na

Gainsborough e rum aram para nordeste, descendo a Huntington e

entrando na MassPike na Copley Square. Depois de cerca de vinte

m inutos, passaram para a 95 South por m ais vinte m inutos; depois,

pegaram a saída em Dedham e rodaram por sinuosas estradas rurais em

Medfield, até um a enorm e fortaleza branca, concebida originalm ente para

ser um a residência particular.

Bruce acom panhou-os através da entrada principal, que havia sido

convertida em um grande saguão, onde ficava um a recepcionista.

Passaram por alguns escritórios, atravessaram um a porta e seguiram por um a escada que ia até o porão. Lá em baixo, o am biente m udou para

assépticas paredes brancas e painéis fluorescentes no teto. Zack não viu a

parte traseira do prédio quando eles entraram , m as estava claro que havia

sido aum entada para acom odar o corredor ladeado por portas lisas, sem

visores.

A terceira porta se abria para um espaçoso escritório repleto de m esas,

com putadores, estantes de m anuais, livros e afins. Esperando por eles

estavam os doutores Luria e Stern e um hom em negro apresentado com o

doutor By ron Cates. Tam bém um a m ulher m ais j ovem , de bela aparência,

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

cham ada Sarah Wy m an, que lhes disse que podiam cham á-la pelo

prim eiro nom e, cortando as form alidades. Zack achou que ela devia ser

um a estudante de m edicina ou de pós-graduação em algum lugar.

Continuar: parte 2 de 2