Visões da Morte
Zack acordou cuspindo areia.
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
O quarto estava escuro, afora o brilho do rádio-relógio, que m arcava
2h17. Ele estava gelado, m as afastou a m anta e sentou-se. Baixou os pés
até o tapete e cuspiu m ais areia. Ela salpicava sua pele e enchia seu couro
cabeludo. Ele se levantou, acendeu o abaj ur e puxou a m anta, esperando
que o lençol estivesse coberto de areia da praia. Não estava. Ele havia
cuspido apenas ar.
Mas sentia tudo girando à sua volta, e seu coração acelerado. Então,
deixou-se cair para trás deitado, sentindo-se frio e suado. Após vários
m inutos, sua cabeça parou de rodar e ele se levantou, vestiu um a cam iseta
e saiu do quarto. O topo da escada só não estava às escuras graças à
luzinha que a m ãe sem pre deixava acesa à noite desde que ele e o irm ão
eram crianças. Abriu delicadam ente a porta do quarto da m ãe. Ela dorm ia
profundam ente. Ele fechou a porta e desceu a escada, apoiando-se no
corrim ão. Por dentro, estava trem endo.
Foi para a cozinha, acendeu a luz, serviu-se de um copo de leite e
aqueceu-o no m icro-ondas – algo que seu pai havia lhe ensinado, quando
não conseguia dorm ir.
Seu pai.
Desde aquele dia na cabine, quando lhe haviam estim ulado
profundam ente algum lobo do cérebro, Zack não conseguia parar de
pensar no pai, revivendo as doces m em órias de um tem po antes de tudo
ficar horrível – os dias em que j ogara bola, pescara no canal, ficara
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
enterrado na areia...
Lá fora, o poste de ilum inação se transform ou em um farol piscando
em verm elho através da água. Ao longe, ouviu o gem ido de um a sirene de
nevoeiro.
Olhou de volta para a cozinha, procurando sair daquele sonho. O
nevoeiro desapareceu, e ele estava encostado no balcão de granito polido,
tentando se concentrar no fogão de aço inoxidável, na geladeira e nos
outros eletrodom ésticos. Funcionou. Olhou para fora, e a luz verm elha era
o velho poste de ilum inação novam ente.
Ele se inclinou sobre a pia e respirou fundo várias vezes, até sentir
suas entranhas se acom odarem no lugar. Então, engoliu um grande gole de
leite. Instantaneam ente, cuspiu-o no ralo, engasgando. Parecia sal puro.
Ele cheirou o leite. Com o água do m ar. Jogou o resto na pia e abriu a
geladeira. Pegou a caixinha de suco de laranj a. Cheirava norm al. Ele
despej ou um pouco em um copo e experim entou um pouquinho. Suco de
laranj a. Ele se esbaldou com um copo inteiro para lavar o gosto do oceano.
Subiu novam ente e engoliu a seco dois com prim idos de Lunesta,
esperando que eles o derrubassem em um sono sem sonhos. Fechou a
porta e enfiou-se na cam a – deitado no escuro, com o corpo preparado
para um súbito ataque de visões.
Mas não houve nenhum , e logo ele foi tom ado por um a sensação de
alívio.
Lim pou a m ente e tentou se concentrar no em botam ento em que seu
cérebro estava m ergulhando. Pensou em Sarah Wy m an e se perguntou se
ela estaria nam orando alguém .
Aj eitou-se no travesseiro de penas de ganso; o enchim ento m acio
form ava um aconchegante berço para a sua cabeça. Ele puxou a m anta até
o queixo e, em seguida, deu um pequeno chute no vazio. Iria dorm ir
sossegado, disse a si m esm o, sentindo os m em bros cada vez m ais pesados
e o conforto daquele casulo escuro em torno dele.
A últim a coisa de que teve consciência antes de desm aiar foi de um a
pá de areia caindo em seu rosto.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Depois de fechar as portas de sua oficina, Roman retirou-se para o escritório
nos fundos, onde se conectou à Internet e digitou no Google os nom es
LeAnn Cola e Thom as Pom eroy .
Eles tinham sido coautores de vários artigos sobre neurofisiologia, com
longos e com plicados títulos que ele pouco com preendeu. Eram altam ente
técnicos, e Rom an teve de pesquisar o sentido de várias frases para ter um a noção geral.
Pelo que entendera, a pesquisa deles visava aperfeiçoar m aneiras de
detectar m icrom udanças na atividade elétrica do cérebro com o uso de um
dispositivo para o crânio que lem brava um capacete. O seu obj etivo era
aj udar os cientistas a com preender m elhor a função de diferentes regiões
do cérebro para diagnosticar e m onitorar doenças com o a epilepsia e a
dem ência, m as as m esm as técnicas podiam ser usadas para identificação
pessoal. Assinaturas. O artigo prosseguia sugerindo aplicações na área de
segurança.
Então, o que aquilo tinha a ver com Deus ou Satanás?
Não fazia a m enor ideia. E isso realm ente não im portava, j á que ele
estava 35 m il dólares m ais rico e não precisava m ais se preocupar.
E Deus estava no céu e tudo estava certo no m undo.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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O cérebro de Zack ainda estava sensível por causa do pesadelo, quando ele
acordou na m anhã seguinte. Eram sete e m eia, e sua m ãe havia saído para
cuidar de seus afazeres, m as lhe preparara o café da m anhã com
panquecas de batata, salsichas de peru, com pota de fruta e um a xícara de
café expresso, que o aj udou a clarear a m ente. Ele lavou a louça e deixou um bilhetinho de agradecim ento, pensando em com o ela havia segurado as
pontas em vez de fugir para um convento. Ele tom ou o transporte público
na cidade e passou o restante do dia na biblioteca da universidade,
trabalhando em sua dissertação.
Naquela noite, recebeu um telefonem a da doutora Luria. Ela gostaria
de fazer outro teste com ele na terça-feira seguinte, à noite, e queria saber
se ele estaria livre. Sim , estaria. Antes disso, pediu-lhe que enviasse por e-
m ail fotografias de seus fam iliares, am igos, anim ais de estim ação, sua casa
e seus lugares favoritos. Sua explicação era a de que eles iriam usá-los para
estabelecer um a base para as varreduras do cérebro. Zack não sabia o que
aquilo significava, m as obedeceu.
Ele tam bém entrou na Internet e pesquisou no Google os nom es de
todas as pessoas-chave no laboratório.
Elizabeth Luria era um a em érita professora de m icrobiologia da
Escola de Medicina de Harvard, com um a longa lista de artigos sobre
neuroplasticidade e neuroim agem em prestigiosas publicações com o The
National Review of Neuroscience, Neuron, The Journal of Neuroscience.
Alguns eram sobre IRM funcional, com títulos sem sentido com o
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‚Explosões do lobo tem poral' ou ‚Experiências transcendentais' ou ‚Total
desaferentação
do
lóbulo
parietal
posterossuperior
LPPS
e
autotranscendência'. As palavras transcendentais e parietal saltaram -lhe
aos olhos.
Morris Stern era descrito com o professor de neurociência
com portam ental do Departam ento de Ciências Cerebrais e Cognitivas da
Escola de Medicina da Tufts University . Era es- pecialista em
neuroim agem e dirigia um laboratório de pesquisas sobre as bases neurais
da aprendizagem e da m em ória. Tinha um a longa lista de publicações na
revista Neuroim age and Neurobiology .
By ron Cates era professor de neurociência com putacional e de
ciências da saúde e da tecnologia no MIT. Pelo que Zack conseguiu
apurar, ele era um especialista em ‚gravações neuropsicológicas' e
‚m odelos m atem áticos para estabelecer definições de estados anestésicos'.
Zack não entendeu nada, m as achou im pressionante a lista de títulos
publicados pelo cientista.
Todos eles tinham seus em pregos regulares na área de pesquisa e/ou
ensino, de m odo que aquele estudo do sono era algo que faziam
paralelam ente, à noite.
A página da Web sobre Sarah Wy m an dizia que ela era solteira e ex-
enferm eira e fazia pós-doutorado na Tufts. Na lista de suas publicações
estava um artigo acadêm ico cham ado ‚O papel dos receptores de
serotonina 5-HT (1A) na espiritualidade', para o The Am erican Journal of
Psy chiatry .
Espiritualidade? Aquilo não parecia ser tem a para um a tese de
doutorado em neurofisiologia. Mas ele estava m uito sonolento – por causa
do Lunesta que tom ara – para especular, e foi para a cam a pensando nela.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Às seis horas da tarde, na terça-feira, o mesmo Bruce antipático apanhou Zack
na esquina das avenidas Huntington e Massachusetts. Mesm a viagem para
o laboratório. Mesm a m úsica am biente. Mas, dessa vez, Zack estava
sozinho. Dam ian não passara na triagem . Ele disse que não se im portava.
Tam bém não estava afogado em dívidas.
Zack chegou um pouco antes das sete, dessa vez, preparado para
dorm ir. Mais um a vez os doutores Luria, Stern e Cates e Sarah Wy m an o
receberam no m esm o escritório. A doutora Luria explicou com o era o
plano para aquela noite.
– Este vai ser um tipo diferente de procedim ento. Vam os estabelecer um padrão de reconhecim ento inicial de várias im agens, m as vam os fazê-lo
em um a m áquina de ressonância m agnética funcional. Você j á fez um a
ressonância m agnética?
– Só no m eu om bro, há alguns anos.
– E na cabeça?
Consciente, não.
– Não.
– Você é claustrofóbico?
– Não que eu saiba.
– Ótim o, porque nós irem os posicionar sua cabeça e seus om bros na
m áquina de RM com um m onitor visível que irá proj etar um a série de
im agens selecionadas aleatoriam ente. Tudo que você tem de fazer é
sim plesm ente olhar para elas. Ok?
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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– Quanto tem po eu vou ficar dentro do tubo?
– Uns quarenta m inutos.
– Tudo bem .
– Se você se sentir um pouco desconfortável, avise-nos – disse Sarah.
– O que estam os fazendo é tentar determ inar assinaturas neuroelétricas de
seus estados em ocionais.
– Para quê?
– Bem – disse a doutora Luria –, em nossa próxim a sessão, se estiver
de acordo, darem os a você algo para dorm ir e, em seguida, farem os um a
varredura de sua atividade cerebral.
Ela continuou com um a linguagem m ais técnica, que não esclareceu
m uito. A principal preocupação de Zack era receber m ais 250 dólares.
– Tudo bem – disse ele, e seguiu-os para outra sala.
Zack se assustou com o tam anho da m áquina de IRM – um cubo
branco gigante com um eletroím ã tubular e um a m a- ca acoplada, que
deslizava para dentro dele através de um a abertura.
– Deve ter sido necessário um bocado de engenharia criativa para
colocar esse troço aqui dentro.
Atrás de um pequeno biom bo, ele tirou a roupa e vestiu a parte de
baixo de um pij am a folgado e, em seguida, deitou-se sobre a m aca, na
abertura do tubo de ressonância m agnética. Um m onitor de com putador
fora posicionado à boca do tubo, de m odo que ele pudesse vê-lo do interior
do equipam ento.
– As im agens vão m udar a cada cinco segundos – explicou Sarah. –
Tudo o que você tem a fazer é olhar para elas. Não diga nada, não se m exa,
basta olhar para elas. Ok?
– Tranquilo.
Antes que a m aca fosse m ovida para o interior do tubo, Sarah e By ron
Cates colaram eletrodos no peito, no queixo e no couro cabeludo de Zack.
Um sensor foi preso ao seu lábio superior para m edir a tem peratura e o fluxo de ar pela boca e pelo nariz. Outros sensores m ediam as funções do
corpo, bem com o os níveis de oxigênio e de dióxido de carbono no sangue,
a frequência cardíaca, a frequência respiratória e a pressão arterial.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Percintas elásticas foram colocadas em torno do peito e da barriga para
m edir a respiração. E um clipe no lóbulo da orelha m edia o nível de
oxigenação.
Sarah posicionou um a câm era de vídeo em um tripé.
– Com o fazem os com todos os voluntários, irem os gravar o
procedim ento. Novam ente, se você sentir qualquer desconforto, é só dizer.
Estarem os logo ali.
– Ok.
– Só m ais um a coisa – disse Sarah. – Colocarem os protetores com um
silenciador em seus ouvidos para que os sons da m áquina não o distraiam .
Ele concordou, e quando Sarah term inou, todo o som am biente
desapareceu. Em seguida, Zack sinalizou que estava pronto, e ela apertou
um botão, m ovendo-o para dentro do tubo até a altura do peito. Eles
aj ustaram o m onitor para que ele pudesse visualizá-lo.
Em seguida, por vários m inutos, im agens vivam ente coloridas
sucederam -se no m onitor: crepúsculos, gatos, praias, m ontanhas, paisagens urbanas, um a perturbadora cena de guerra, logotipos de
produtos, carros, e assim por diante. Havia tam bém algum as das fotos que
ele havia enviado para Luria – de si m esm o, de seus pais, de seu cachorro
Coco, um cocker spaniel que m orreu quando Zack tinha 7 anos. A ordem
parecia totalm ente aleatória. E depois de alguns incontáveis m inutos ele
com eçou a se sentir entediado e sonolento, em bora m antivesse os olhos
abertos conform e fora instruído.
Quase no fim , algum as fotos de seu pai apareceram , inclusive algum as
que haviam sido recortadas de fotos em que toda a fam ília aparecia,
isolando apenas ele. E tam bém aquela foto do pai com Zack e o robalo,
tirada um ano antes de seu pai desaparecer. Onze anos antes de ele m orrer
de verdade. Em seguida, m ais fotos de crepúsculos, golfinhos, flores,
igrej as, carros esportivos. Mas foram as fotos do pai que m exeram com ele.
Quando a sessão term inou, m overam a m aca para fora da m áquina e
rem overam o espelho e o laptop.
– Com o você está se sentindo? – perguntou Sarah.
– Um pouco cansado. – Mas seus olhos se encheram d’água, o que,
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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disse a si m esm o, era ridículo, j á que para com eço de conversa fora ele
quem fornecera as fotos.
Ela colocou a m ão em seu om bro para confortá-lo, notando
claram ente que Zack estava fazendo força para conter as lágrim as. Então,
para não constrangê-lo, tudo o que ela disse foi:
– Você se saiu bem – e, em seguida, acom panhou-o até o biom bo,
para ele se trocar.
Quando ele j á estava vestido, a doutora Luria foi vê-lo.
– Nós vam os precisar de algum tem po para analisar os dados. Mas, se
não for problem a para você, gostaríam os de fazer outra sessão.
Ele assentiu, odiando ter de lutar para não chorar ali na frente de todo
m undo. Mentalm ente, recitou o valor de pi até vinte casas decim ais,
sabendo que, se alguém tentasse confortá-lo, ele desabaria.
– Na próxim a quinta-feira, à noite, está bom para você?
Ele assentiu e respondeu, com voz estrangulada:
– Está.
Luria lhe entregou um cheque.
Ele agradeceu, e Sarah acom panhou-o até a porta, onde Bruce o
esperava.
– Até breve.
– Até.
Ele entrou no carro e se acom odou na escuridão reconfortante do
assento traseiro vazio. Enquanto rodavam em silêncio, Zack sentiu um a
profunda raiva. Sarah sabia que aquelas fotos do pai recortadas e
am pliadas acabariam com ele. A j ogada fora calculada para conseguirem os
picos que estavam procurando. Talvez tenha sido aquele capacete do outro dia. Talvez eles tivessem sensibilizado algum a região do cérebro
relacionada ao sentim ento de nostalgia, deixando-o vulnerável. Fosse com o
fosse, Zack estava certo de que naquela noite haviam cutucado a zona
verm elha da dor.
Então, o que diabos aquilo tinha a ver com insônia?
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Um pouco depois das sete da manhã seguinte, Sarah telefonou a Zack para
dizer que ela iria se encontrar com um a am iga enferm eira no Beth Israel
Deaconess Medical Center, na m esm a rua em que ele m orava, e queria
saber se os dois podiam tom ar um café antes.
Zack concordou, e eles se encontraram no My Place, um pequeno
café na Gainsborough. Cada um deles pediu um café com bolinho e
sentaram -se a um a m esa de canto. Sarah tinha um belo rosto aveludado,
com grandes olhos castanhos dourados e um nariz fino e delicado. Usava o
cabelo curto, expondo o pescoço longo e branco. Naquela luz oblíqua da
m anhã, parecia um a santa de um a pintura m edieval.
– Eu só queria pedir desculpas pela noite passada. Às vezes, essas
sessões podem despertar em oções.
– Acho que fui apanhado de surpresa.
– Eu entendo.
Ele tom ou um gole de café.
– Entende? Achei que a intenção fosse j ustam ente m e abalar.
– Abalar você?
– As únicas fotos que foram recortadas e am pliadas foram as m inhas
com m eu pai.
Ela pareceu surpresa.
– Não eram as fotos que você enviou para a doutora Luria?
– Sim , m as elas foram alteradas para concentrar o foco apenas nele, e
foram repetidas várias vezes na sequência.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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– Eu não sabia disso. – Ela ficou em silêncio por um m om ento,
enquanto m ordiscava seu bolinho. Então, perguntou: – Por que você diz
que a intenção era abalá-lo?
– No outro dia, com o teste do capacete, vocês encontraram um ponto
fraco. – Ele tinha com pleta noção de que pronunciara ‚papai' com o se
ainda fosse aquele garotinho de 10 anos no alto da escada. – E usaram
esse ponto para baixar m inha guarda e confirm ar um a ‚assinatura de
tristeza'?
– Estávam os tentando obter um perfil am plo.
– Bem , vocês acabaram com igo, sem dó nem piedade.
– Sinto m uito por isso, realm ente.
Ficaram em silêncio por um m om ento enquanto ele tom ava m ais café.
– A verdade é que a experiência na cabine foi estranha, era tão real...
Eu j uro que senti a presença do m eu pai.
– Esse é o efeito do capacete. A estim ulação tem com o alvo os centros
de em oção do hem isfério direito, e para dar sentido a eles o lobo parietal
esquerdo cria essas sensações.
Lobo parietal. Onde ele sofreu a concussão que o deixou em com a por
doze sem anas.
– Então, você está dizendo que os im pulsos elétricos criaram a ilusão
de ele estar lá.
– Sim . Algum a coisa fez você pensar em seu pai, e os im pulsos
elétricos sim ularam um a ilusão da presença dele.
– O fantasm a na m áquina[12].
[12]. A expressão originalm ente foi cunhada pelo filósofo britânico Gilbert Ry le em sua análise crítica do dualism o ‚m ente-corpo' cartesiano.
(N. da T.)
– Por assim dizer.
Ficaram em silêncio por alguns m om entos. – Isso é um tanto
decepcionante.
– Entendo m uito bem o que você quer dizer – disse ela.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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– Você se preocupa com o que estão fazendo?
– Com o assim m e preocupo?
– Eu não sou do tipo espiritualizado, m as acho que ainda carrego
algum a noção distorcida de Deus desde a infância. Só estou querendo
saber algo sobre as pessoas que são religiosas, que afirm am ter
experiências espirituais. – Com o aqueles que acorreram à m inha cam a
esperando m ilagres. – Ou até m esm o sobre as pessoas não tão com uns,
sabe? Os xam ãs, os m ísticos, os sacerdotes, os santos... Joana d’Arc.
– Eu não sei onde você está querendo chegar.
– Você está dizendo que, quando essas pessoas afirm am sentir Deus
ou ver Jesus ou sei lá o quê, não são m ais do que descargas elétricas em
seus cérebros?
Ela bancou a desentendida novam ente.
– Os neurocientistas estão interessados em com preender a base
neurológica da experiência hum ana.
– ‚O papel dos receptores de serotonina (…) na espiritualidade.'
As sobrancelhas dela se arquearam .
– Você andou m e investigando.
– Isso m esm o. – Ele havia encontrado um a cópia com pleta do artigo
acadêm ico da m oça na Internet. – Só estou querendo saber se a sua teoria
não a faz sentir-se um pouco culpada.
– Culpada por quê?
– Não sou religioso, m as eu conheço pessoas que são. E eu respeito a
fé delas. Tam bém acho que, para algum as pessoas, a religião preenche
um a necessidade hum ana. Ela as aj uda a atravessarem crises.
– Tudo bem – disse ela.
– O que estou querendo dizer é que, se eu estivesse fazendo o que
você e seus colegas estão, acho que m e sentiria m al.
– Por quê?
– Porque o obj eto da pesquisa de vocês parece ser elim inar o divino do
universo, reduzindo-o à quím ica do cérebro.
Por um m icrossegundo, Zack sentiu a em ocionante consciência de
estar na cabeça de Winston Song, lendo suas cartas.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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– É um a acusação e tanto.
– Mas não é isso que você está fazendo? Reduzindo enlevações
espirituais e êxtases religiosos a um aum ento de endorfina?
O rosto dela corou, e ele não saberia dizer se ela estava prestes a
rom per em lágrim as ou atirar o café nele. Ela não fez nenhum a das duas
coisas, m as tom ou um gole para ganhar tem po e elaborar um a resposta.
– Esse, decididam ente, não é o m eu obj etivo. Na verdade, em outros lugares, aplicam os o m esm o diagnóstico a autoproclam ados m ísticos:
pessoas com relatos de intensas experiências religiosas, incluindo freiras
carm elitas. Elas alegrem ente assinam em baixo e saem com a sensação de
que a intensificação das experiências só confirm a a sua fé. Quando
m ostram os a freiras im agens religiosas, pinturas m edievais de Jesus,
a Pietà de Michelangelo, o Vaticano, entre outras coisas, quase todas elas
disseram que sentiram a presença de Deus na cabine.
– Então, qual é sua conclusão?
– Que o fato de as experiências m ísticas poderem ser associadas a
um a atividade neurológica específica não significa que essas experiências
sej am ilusões. Da m esm a form a, ninguém pode dizer que a atividade
neurológica que você está experim entando ao com er o bolinho tenha feito
o bolinho deixar de existir.
Ele balançou a cabeça, concordando. O argum ento dela era válido.
Então, ela consultou o relógio e bebeu o restante do café.
– Preciso ir. – Ela se levantou e colocou a bolsa no om bro. – Vej o você
na quinta-feira.
Ele se levantou e observou-a sair pela porta, querendo entender o que
significara aquele encontro.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Zack soube que algo estava diferente no momento em que chegou ao
laboratório na quinta-feira. Não conseguia definir exatam ente o que era,
m as um a sensação de grande expectativa pairava no ar. Sarah olhava-o
com um ligeiro brilho nos olhos, e a m arca de nascença da doutora Luria
flam ej ava. Os rostos de Stern e Cates aparentavam um a neutralidade
forçada, m as ele percebeu um a diferença no com portam ento deles quando
se reuniram no escritório da doutora Luria.
– Zack, os dados de IRMf do outro dia foram analisados, e estam os
bastante im pressionados.
– Porque eu m e em ocionei com algum as fotos antigas?
– De fato, sim . Na sem ana passada, você perguntou sobre a natureza
desses testes, e dissem os que parte de nossa investigação era relativa à
neurobiologia dos sonhos. Bem , a verdade é que você cum priu os
requisitos para avançar para o próxim o nível. Nossa preocupação não é
tanto com sonhos ou o sono em si, m as com a experiência subj etiva que
um a pessoa pode ter em um estado de sono m uito profundo.
Zack sentiu a form ulação cuidadosa, m as as três últim as palavras
pairavam no ar com o gaivotas.
– Nós pedim os a você que voltasse, porque a atividade elétrica em seu
lobo tem poral é bastante elevada, tornando-o um candidato ideal para a
nossa pesquisa.
– Então, tudo o que aconteceu antes foi apenas um a triagem .
– Sim , na qual a m aioria dos indivíduos é elim inada – disse Luria. –
Com o seu consentim ento, poderíam os passar para a próxim a fase.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
Gostaríam os de dim inuir sua atividade m etabólica para que seu cérebro
entre em um estado de repouso total, no qual a atividade elétrica é
m ínim a.
– Mínim a até que ponto?
Ninguém respondeu por um m om ento. Em seguida, a doutora Luria
disse:
– Irem os adm inistrar um com posto anestésico que irá cortar
tem porariam ente a atividade elétrica dos axônios das células... os circuitos
entre as células cerebrais. As células individuais perm anecerão vivas e
saudáveis, é claro. Ainda teriam suas enzim as, m etabolism os ATP,
adenosina trifosfato, que fornece energia às células. Mas, enquanto você
estiver anestesiado, os neurônios individuais deixarão de se com unicar uns
com os outros.
– Vocês irão interrom per a atividade elétrica no m eu cérebro?
– A atividade intercelular, e apenas por um curto espaço de tem po. E,
assim que term inarm os e você for reavivado, a com unicação celular será
restabelecida.
Foi com o se os seus ouvidos de repente se abrissem , pois, então, ele
com preendeu:
– Você está falando sobre um a experiência de quase m orte.
– Essa é a term inologia popular.
– Com o no film e Linha Mortal[13].
[13]. Flatliners (1990), do diretor Joel Schum acher, com Kiefer Sutherland, Kevin Bacon, Julia Roberts, William Baldwin e Oliver Platt.
(N. da T.)
– Mas com resultados m uito m elhores – disse Sarah.
A doutora Luria continuou:
– Estam os investigando os poucos m om entos que separam a
proxim idade da m orte da m orte real, que é quando as células cerebrais
com eçam a m orrer. Mas, com o nós vam os acom panhar de perto a
atividade das células, sabem os exatam ente quando parar antes que isso
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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aconteça. Portanto, é perfeitam ente seguro. Podem os lhe garantir isso.
Todos tinham os olhos fixos nele: quatro grandes cientistas, altam ente
qualificados, cercados por equipam entos sofisticados e pilhas de literatura
especializada. Ele não podia acreditar no que estavam dizendo.
– Vocês querem m e deixar à beira da m orte e depois m e trazer de
volta? Com o podem garantir isso?
– Porque j á fizem os isso m uitas vezes antes. E porque a nossa m etodologia passou por ensaios rigorosos, prim eiro, com ratos, depois,
com prim atas superiores. E, claro, seres hum anos.
Stern acrescentou:
– Nós estarem os m onitorando sua pressão arterial, frequência
cardíaca, todos os seus sinais vitais atentam ente, e podem os reanim á-lo
quase instantaneam ente. É perfeitam ente seguro, acredite em m im .
– Isso tudo foi aprovado pelo FDA ou por outro órgão qualquer?
Luria confirm ou com um m ovim ento de cabeça.
– Tem a autorização do Conselho Estadual de Medicina.
– Então, por que encobrir a coisa toda cham ando-a de ‚estudo do
sono'?
– Porque não querem os que o público saiba o que estam os fazendo
aqui. Na verdade, se você concordar em continuar, nós lhe pedirem os para
assinar um term o de confidencialidade.
– Mas por quê? – Zack perguntou.
– Por causa dos nossos obj etivos.
– E quais são eles?
– Descobrir se há algum a verdade nas alegações de experiências de
quase m orte.
– Com o o quê?
– Com o vida após a m orte.
As m edidas da sala pareciam se alterar.
– E eu que estava esperando que vocês curassem a m inha insônia.
– Isso você consegue em qualquer farm ácia – disse Sarah. – O que estam os fazendo é tentar descobrir se há algo além da vida ou se todas as
reivindicações podem ser explicadas pela neurobiologia.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
– Mas vocês estão pedindo o m eu consentim ento para m e m atar.
– Nada disso – disse Stern. – Zack, nós desenvolvem os um sedativo
m aravilhoso que sim ula com segurança a m orte cerebral. Em outras
palavras, vam os enganar a eletroquím ica do seu cérebro para pensar que é
term inal. Você vai efetivam ente entrar em um estado de ‚m orte' por
alguns m inutos e, então, nós vam os lhe dar um estim ulante que acionará
im ediatam ente a plena atividade do cérebro de novo.
Ele olhou para Luria.
– Será?
– Sem dúvida. De m odo algum colocaríam os sua vida em risco.
– Mas e se m eu cérebro realm ente pensar que está m orrendo e
com eçar a desligar o restante de m im ?
– Isso não vai acontecer – disse Sarah. – Nós o estarem os
m onitorando ininterruptam ente.
– E se tiverem um a falha de energia?
– Tem os geradores que se ligam instantaneam ente nesse caso – disse
ela. – Acredite em m im , você vai ficar bem .
Ele se refugiou na prom essa daqueles olhos cor de m el.
– E quanto aos efeitos colaterais, a m inha m em ória, a m inha
capacidade de pensar...?
– Não há nenhum efeito colateral – disse Luria. – Sua m em ória irá