Visões da Morte

Gary Braver · Capítulo 3 de 10

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Visões da Morte

Karen Wells e stava no com utador…

a

SEGUNDA PARTE

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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TRÊS SEMANAS DEPOIS

À distância, parecia que a Cidade Esmeralda tinha saído de Oz e caído no

m eio da floresta de Connecticut.

O Foxwoods Resort Casino consistia em um a série de torres

encim ando um a enorm e estrutura de várias cam adas feericam ente

ilum inadas. De acordo com Anthony , era o m aior cassino do m undo, com

quase 5 m ilhões de m etros quadrados, dois terços dos quais eram

dedicados a j ogos de azar, no qual circulavam 50 m il pessoas por dia. Ao

que parece, os índios Pequot estavam se desforrando do m au negócio que seus prim os fizeram quando venderam a ilha de Manhattan[6].

[6]. Pierre Minuit com prou a ilha dos índios pelo equivalente, hoj e, a m il dólares, em 1626. (N. da T.)

Três sem anas haviam passado desde a alta de Zack do hospital. Afora

um a leve dor de cabeça, sentia-se norm al. Já não precisava da bengala e

voltara a se exercitar no ginásio da universidade para recuperar sua força.

Tam bém retornara ao seu apartam ento e ao trabalho em sua dissertação.

Não contara para a m ãe, m as ainda devia cerca de 4 m il dólares no cartão

de crédito. Ganhara peso, seu cabelo tinha crescido e ele ostentava um a

barba aparada rente para evitar o reconhecim ento público. A probabilidade

disso era baixa, j á que no vídeo do YouTube ele aparecia em péssim as

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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condições. Felizm ente, nenhum m aluco o parara na rua esperando um

m ilagre. Alguns repórteres o haviam encontrado por ocasião da alta. Ele

lhes explicou educadam ente que o caso dele não podia ser cham ado de

m ilagre, que pacientes em com a, às vezes, acordam , e que a data da

Páscoa fora pura coincidência. Quanto a recitar as palavras de Jesus em

aram aico, não tinha explicação para isso.

Um a sem ana depois, a im prensa j á o havia esquecido.

Com o Zack nunca tinha ido a um cassino, para celebrar o seu

renascim ento Dam ian e Anthony o levaram ao resort de Mashantucket, Connecticut. Apesar da preocupação de sua m ãe, aquilo não iria despertar

um vício. Ele havia j urado largar o pôquer on-line. Era sim plesm ente um

passeio com os am igos. E quem sabe, se tivesse sorte, conseguiria ganhar

alguns dólares para pagar o cartão.

Entrar no cassino era com o estar em um fliperam a histérico. Havia os

ruídos das m áquinas, apitos soprando, sirenes berrando, as m oedas caindo,

luzes pulsantes. Roletas, m esas de j ogos e caça-níqueis funcionavam num

ritm o frenético. O lugar era um bom bardeio em larga escala sobre os

sentidos com o único propósito de criar um a descarga de adrenalina para

arrancar o dinheiro dos clientes. E isso estava funcionando direitinho

naquela noite de sexta-feira. O lugar estava lotado, com pessoas subindo e

descendo os corredores segurando tubos plásticos de fichas. Nada de

m ulheres em traj es elegantes e hom ens de sm oking bebericando m artinis

com o nos film es. Aquela m ultidão poderia m uito bem estar nas

arquibancadas do Fenway : calças j eans largas, shorts apertados cor-de-rosa

sobre traseiros gordos, bandanas, tatuagens, cam isas havaianas, cam isetas

do Red Sox, cervej as light.

– Não é exatam ente o Casino Roy ale – disse Zack.

– Sorte nossa – disse Dam ian.

– Olhe ao seu redor, cara – disse Anthony . – Tudo o que você está

vendo se resum e a isto: eles querem o seu dinheiro e você quer o deles. O

resto é apenas um a desculpa.

– Seu sacana cínico.

– É verdade – disse Dam ian. – O lugar é um tem plo de Mam om .

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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– Mas isso não vai im pedi-los de deixarem alguns dólares aqui.

– Claro que não. Em Rom a, com o os rom anos...

– Você acha que há j ogo no céu? – Zack perguntou.

– Estou contando com isso.

Atravessaram alguns corredores lotados e o tilintar de m áquinas caça-

níqueis trouxe-lhes à m ente o verso de Wordsworth: ‚A suave e triste

m úsica da hum anidade'.

A m aioria dos j ogadores parecia ser de clientes habituais, alim entando

as m áquinas com m oedas e apertando os botões, sem parar de apostar

quando o j orro vitorioso não acontecia. Ou m esm o quando acontecia.

Sentaram -se em m áquinas diferentes; a de Zack ficava ao lado de um a

m ulher de m eia-idade, com cabelo louro frisado e cam iseta preta Harley -

Davidson, fum ando um cigarro e bebendo o que parecia ser um a Pepsi.

Ela havia acabado de ganhar um a pequena pilha de m oedas.

– Aquilo é o que você quer – disse ela, apontando para um a m áquina

de ‚Double Diam ond Deluxe' do outro lado do corredor. – Eu tenho um

sexto sentido.

Ele agradeceu e depositou quatro m oedas de um quarto de dólar na

fenda e apertou o botão. A m áquina fez um a barulheira danada, m as os rolos deram em nada.

– Continue fazendo isso – disse a m ulher, e saiu.

Ele alim entou a m áquina m ais quatro vezes. Mais quatro vezes ele

perdeu.

– Que belo sexto sentido – disse ele. Encontrou Dam ian e Anthony e

foi para o salão de pôquer, que ostentava m ais de um a centena de m esas

abertas 24 horas por dia, sete vezes por sem ana, com j ogos com e sem

lim ite, o tem po todo.

Anthony e Dam ian foram circular, enquanto Zack se encam inhou para

a área do Texas Hold’em , onde vagou de m esa em m esa. Tinha cerca de

400 dólares em dinheiro e estava se coçando para sentar-se em um a delas.

Após alguns m inutos, ele parou para observar um quarteto m asculino: um

j ovem negro de cam iseta verm elha e óculos escuros; dois hom ens brancos

quarentões, um deles usando um gorro xadrez, com rosto corado de

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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irlandês, o outro, um cara gordo, de cara lisa e olhos rápidos. O quarto

j ogador era um corpulento asiático por volta dos 30 anos, com as fichas

em pilhadas com o torres de castelo. Ele olhou para Zack e, em seguida,

voltou a j ogar.

Durante as m ãos, os outros j ogadores estavam descontraídos, com entando sobre as cartas. Mas o cara asiático m antinha-se im passível.

Não se envolvia na brincadeira, não se im pacientava, nem suava ou

deixava transparecer a m enor expressão. Parecia um Buda com um a

cam isa polo preta, cuj a única com unicação era erguer os dedos para

o dealer. Zack assistiu a algum as m ãos até que o rapaz negro notou o

interesse de Zack e perguntou se ele queria j untar-se a eles. Mas Zack

respondeu ‚Não, obrigado' e se afastou rapidam ente.

Ele m al conseguiu pronunciar as palavras, porque algo m uito estranho

havia acontecido. Tinha assistido a quatro m ãos, recebendo

um flash m ental das cartas de bolso[7] do asiático. Da prim eira vez, tom ou com o um m ero palpite adivinhar que o cara tinha um par de noves.

Quando, de fato, o cara virou os noves, Zack disse a si m esm o que devia

ter registrado inconscientem ente algum a m icroexpressão ou um