Visões da Morte

Gary Braver · Capítulo 6 de 10 · parte 1/3

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Visões da Morte

– Qualquer m ovim ento de qualquer…

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

– Não.

– Qualquer m ovim ento de qualquer tipo... cam inhar, pular, nadar,

interagir com as pessoas?

– Não m e lem bro de nada.

– E da presença de outras pessoas?

Zack balançou a cabeça negativam ente.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Eu estava sozinho.

By ron Cates voltou do com putador.

– Zack, você pode caracterizar o seu estado em ocional, enquanto

estava na praia?

– Meu estado em ocional? – Ele pensou por um m om ento, tentando se

lem brar da experiência. Então, balançou a cabeça novam ente. – Não,

m esm o. Apenas um branco.

Cates olhou para Luria por um m om ento.

– Nenhum sentim ento de ansiedade ou m edo?

– Não.

– Você tem certeza?

– Sim , tenho certeza. Por que você está perguntando isso?

– Porque a quím ica de sangue registrou um alto nível de cortisol, que

é um horm ônio do stress secretado pela glândula adrenal.

O doutor Stern entrou na conversa. Estava estudando o feedback do

m onitor do com putador em que estava.

– Zack, tem os feito testes deste tipo há algum tem po, com binando a

avaliação do sangue e a atividade neuroelétrica com relatos subj etivos. Há todas as indicações de que sua experiência inconsciente foi violenta ao

extrem o.

– Mas eu não m e lem bro de nada.

– Ainda bem – disse Stern. – Porque parece que você estava lutando

para sobreviver.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

39

– Zachary Kashian – Roman Pace sussurrou para si mesmo. – Descobri o

nom e dele!

Na m anhã seguinte à sua visita ao casal Devereux, Rom an foi até a

Biblioteca Pública de Providence, na Em pire Street, onde procurou no

Google pelas palavras ‚com a', ‚acordou' e ‚Jesus'. Retornaram m ais de

277 m il resultados. Ele refinou a pesquisa, adicionando ‚Massachusetts',

reduzindo-a a 5 m il resultados. No topo apareciam m atérias recentes sobre

um estudante de pós-graduação da Northeastern University que tinha

sofrido um acidente de bicicleta em j aneiro últim o e acabou em com a por

quase três m eses, acordando no Dom ingo de Páscoa.

O que prendeu a atenção de Rom an foi que, durante o com a, o rapaz

havia m isteriosam ente m urm urado frases de Jesus, inclusive o pai-nosso,

na língua original. Isso e tam bém o fato de um m onte de fanáticos

religiosos ter invadido o seu quarto no hospital em busca de m ilagres e

depois ter sido rem ovido por seguranças.

Um dos m édicos afirm ara que ‚devido à gravidade de seu traum a e ao

nível do com a', suas chances de recuperação eram ‚m uito pequenas',

precisaria praticam ente de um m ilagre. Outros não tinham dúvida de que Kashian estava canalizando Jesus Cristo. Segundo todos os relatos, o rapaz

nunca havia tido contato com o aram aico. Ele tam bém era m em bro de um

círculo ateu da faculdade.

O que fez o coração de Rom an disparar foi o fato de um a auxiliar de

enferm agem , de tão im pressionada com o ‚m ilagre', ter capturado os

m urm úrios em aram aico em um vídeo de celular. Posteriorm ente, ela

acabou sendo dem itida por quebra de sigilo. Mas o vídeo foi postado no

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

YouTube, e Rom an assistiu à cena várias vezes seguidas.

É claro que o rapaz estava abatido e sua cabeça tinha sido raspada, e

havia fios saindo dela. E, com os olhos fechados, parecia m ais um cadáver.

Rom an não saberia dizer qual seria sua real aparência, m as congelou o

vídeo e im prim iu um quadro.

A im agem , m uito granulada, não facilitaria m uito o reconhecim ento.

Mas teria que servir.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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Sarah morava perto da Harvard Square, em um apartamento no segundo

andar, na Harvard Street, em frente ao dorm itório Penny packer. Ela se

encontrou com Zack na porta, sexta-feira à noite, e eles desceram a rua em

direção ao Grafton Street Pub & Grill, na Massachusetts Avenue, onde

sentaram a um a m esa diante do bar.

Ela estava vestida com j eans, um a cam isa crem e e um a j aqueta

com binando. Com seu cabelo castanho curto, m ais parecia um a m odelo

francesa do que um a neurocientista. Um garçom correu para a m esa deles

e anotou as bebidas. Zack quis um a Guinness, e Sarah, um sauvignon

blanc.

– Então, o que é que um a garota legal com o você está fazendo em

experiências de quase m orte? – Zack perguntou.

Ela riu.

– Isso é que é pegar um clichê e torná-lo original... Bem , o m eu

trabalho de pós-graduação foi com Morris Stern em seu laboratório de

neurobiologia na Tufts. Ele estava trabalhando no aprim oram ento de

im agem por ressonância m agnética m olecular e acabou com o m eu

orientador de tese. Ele com eçou a trabalhar com a doutora Luria e depois

m e convidou para m e j untar ao grupo.

– Qual foi o tem a de sua tese?

– Neuroteologia.

– Ah, sim : ‚O papel dos receptores de serotonina... na

espiritualidade'.

Ela assentiu com a cabeça.

– Os m ecanism os neurológicos ativos em experiências espirituais e

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a

religiosas.

– Mais ou m enos o que você está fazendo com a doutora Luria...

vendo se estam os predispostos a crer em Deus.

– Sim . Sabem os que as experiências m ísticas se originam dos m esm os

m ecanism os que produzem alucinações, sabe? Pessoas que afirm am ver a

Virgem Maria, avós m ortas, até m esm o alienígenas. Quando o lobo parietal

é estim ulado, essa região produz a sensação de um a presença.

– O que aconteceu com igo na cabine.

– Sim . Estim ulam os o lobo parietal, e você sentiu a presença de seu

pai.

– Mas parecia tão real...

– Com o sabíam os que seria. O desafio era encontrar um m eio de

diagnóstico para distinguir essas experiências das reais.

O garçom voltou com as bebidas.

– Antes de conseguir o protótipo de IRMf, Elizabeth estava lim itada a

entrevistar pacientes de hospital que diziam ter tido EQMs. Agora,

podem os fazer isso em laboratório em condições controladas.

– Então, faz quanto tem po que você vem ‚quase m atando' pessoas?

– Apenas três m eses, m as o proj eto j á existe há alguns anos.

– Quantos vocês apagaram ?

– Os dados são confidenciais, m as alguns.

– Pode dizer o que vocês determ inaram até agora?

– Nada conclusivo, m as Elizabeth está m uito anim ada com o seu

teste.

– Porque eu tenho um lobo de Deus m uito ativo.

Ela tom ou um gole de vinho.

– É.

– Então, com o é que eu volto com desej o de tom ar root beer em vez

de voltar com um a história de um túnel para os portões do Céu?

– Quem sabe... da próxim a vez.

E com o é que eu tenho flashes de estar lutando para m e desenterrar

da areia?,interrom peu um a vozinha interior. Mas ele a sufocou, e o garçom

veio anotar seus pedidos. Sarah quis risoto de cam arão, e Zack, atum à

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

m oda creole.

– Um a das dificuldades – disse ela – é tentar separar experiências de

quase m orte reais de confabulações. As pessoas fazem todo tipo de

declarações; algum as, com o resultado da autossugestão, o que elas acham que deveriam experim entar: deslocar-se por túneis, rever a vida com o um

film e, encontros com seres de luz. Declarações que não correspondem às

atividades neurais e m etabólicas.

– Então, é m ais fácil verificar experiências extracorpóreas, porque ou

eles identificam im agens ou não.

– Sim , e os relatos de EQMs praticam ente não podem ser

com provados. Tudo o que podem os observar é a atividade e a quím ica do

sangue, que nos dizem algo sobre as em oções da experiência.

– As pessoas tam bém relatam EQMs ruins, algo diferente de luz e

paz?

– Às vezes. Por quê?

– Só pra saber. Só ouvim os falar de experiências felizes.

– A literatura cita alguns casos de experiências desagradáveis. Mas eu

m esm a nunca presenciei nada assim .

Zack tom ou um gole de cervej a. – Você é cientista, então, qual é a sua

posição em relação a tudo isso? Você acha que m inha m ente realm ente se

separou do m eu cérebro e flutuou até o teto?

– A resposta curta é ‚talvez'. Mas esta é a grande pergunta, a questão

central de todo o debate ciência versus fé: será a m ente redutível a redes

neurais ou há algo além da fisicalidade do cérebro? E, se assim for, ela

continuaria em outro reino, no céu, no nirvana, no além ?

– Sim , entendo.

– Bem , eu tam bém cresci com o católica rom ana convicta. Costum ava

acreditar que a religião era um salto de fé, intocada pelo racionalism o. Mas, quanto m ais eu estudava, m ais m e distanciava da fé. – Ela tom ou

outro gole de vinho. – No entanto, esse proj eto levanta outras

possibilidades.

– Com o o quê?

– De que talvez o m undo espiritual exista, em bora não no sentido

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

bíblico.

– Então, você acredita em Deus, m as não acredita.

Ela sorriu.

– Eu gosto de com o você coloca as coisas.

– Um dos poucos benefícios de ser form ado em língua inglesa: saber

dizer as coisas para im pressionar um a garota num encontro.

– E eu estou im pressionada. Então, digam os que eu ainda sej a cética,

m as, se há um a senciência espiritual, eu não acredito que sej a a figura

paternal j udaico-cristã-m uçulm ana que cuida de todas as vidas e responde

às orações.

– Então, a EQM não chegou a convencê-la a recuperar a fé.

– Não, eu ainda estou presa na escola m aterialista, sabe? Ou sej a, a

consciência é um a função do cérebro vivo, e um a vez que o cérebro está

m orto, a senciência tam bém está. Portanto, um a EQM é um m ecanism o de desligam ento do cérebro dizendo ao corpo para m orrer.

– Então, com o você explica todos os relatos de luz celestial e grande

paz?

– Possivelm ente, estratégias evolutivas para tornar a m orte m ais fácil

de aceitar; ‚am ortecedores' para o horror da própria m orte.

– Pura neurobiologia – disse ele, usando a frase de Stern.

– Sim . Para um a EQM ser real, seria preciso dem onstrar

cientificam ente que a consciência sobrevive à m orte clínica. E só

conseguiríam os fazer isso por interm édio de alguém que obtivesse

inform ações no caso de sua m ente inconsciente deixar seu corpo.

– Com o ocorreu no dia em que tive vontade de beber root beer.

– Talvez.

– Mas isso tam bém poderia ser um a coincidência ou lem brança do

teste com as fotografias.

– Só que você não poderia ter se lem brado dele. Além disso, vim os

outras experiências extracorpóreas antes.

– Talvez m ais coincidências.

– Ou talvez evidência de que a m ente pode se separar do corpo.

– Você acredita nisso?

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Estou aberta à possibilidade, m as ainda não cheguei lá. – Então, ela

se inclinou para a frente; seu rosto estava radiante com o se um a luz

houvesse sido acesa lá dentro. – Mas, se for verdade, que incrível

possibilidade: a de que, no final, passam os por um a transform ação de

estados, do físico para a senciência não física. Em resum o, não há tal coisa

com o a m orte. E que, quando m orrem os, nossa m ente se funde com um a

senciência cósm ica: a superm ente[16].

[16].

No

original,

‚Overm ind',

do

livro O

Fim

da

Infância (Childhood’s End, 1953), de Arthur C. Clarke. (N. da T.)

A intensidade com que Sarah disse aquilo reverberou nele.

– A superm ente?

– Outro term o da ficção científica. Alguns pensam que a telepatia é

um vislum bre da superm ente. E tam bém que alguns de nós som os

geneticam ente program ados para isso.

Por um assustador m om ento, veio-lhe à m ente o rosto de Winston

encarando-o na m esa de pôquer.

– E que as pessoas telepáticas são evidência de que todos nós nos fundim os com a superm ente, que é o que todas as religiões falam . Se isso

puder ser dem onstrado, um enorm e ‚se...', poderá ser a m aior descoberta

de todos os tem pos. Com o diz Elizabeth, o que precisam os são segredos do

túm ulo.

– Tais com o?

– Inform ações que são do conhecim ento apenas do falecido, e não do

voluntário.

– Com o encontrar sua falecida avó, que diz que há um tesouro

enterrado no quintal. Aí, você pega um a pá e voilà.

– Isso serviria.

Zack estava curtindo a flexibilidade da m ente de Sarah e o vigoroso

entusiasm o que lhe ilum inava os olhos e fazia seu belo rosto resplandecer.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

Ele tam bém sentia que ela estava gostando de estar com ele, e isso dava a

Zack o alívio de saber que havia vida após Am anda. Quando os dois se

separaram no ano anterior, Zack quase se convencera de que suas

m elhores opções haviam ficado para trás, e que ele não estava destinado a

encontrar um a m ulher que fosse tão fascinante, inteligente e atraente.

– Tenho a im pressão de que a doutora Luria é m ais aberta às

possibilidades espirituais...

– Sim .

– E o doutor Stern é pura neurobiologia, um pouco com o você

m esm a.

Ela sorriu com carinho à m enção daquele nom e, com o se ele fosse

m ais do que um m entor, talvez um a figura paterna.

– Ele é um racionalista linha-dura, um geneticista por form ação, que

tem um interesse evolutivo nesses fenôm enos. Ele acredita que um

pequeno núm ero de pessoas tem um a tendência para a espiritualidade,

m as isso é o m ais longe que ele vai.

– Que estam os program ados para acreditar em Deus – disse Zack.

– Sim , o que traz a vantagem evolutiva de criar com unidades baseadas

em sistem as de crenças, e no centro delas encontram -se os xam ãs,

sacerdotes e outras pessoas especialm ente predispostas.

– Mas isso não é o m esm o que dizer que existe um Deus.

– Não, apenas que alguns têm anseios neurológicos por um Deus.

– E visões de túneis de luz e parentes m ortos são a m aneira que o

cérebro tem de ‚am aciar' a m orte.

– Sim . Curiosam ente, quando o cérebro m orre, o centro óptico cria

ilusões de deslocam ento dentro de um túnel em direção à luz.

– Posso entender por que alguns considerariam isso um sacrilégio.

O garçom chegou com os pratos, e eles com eram em silêncio por

alguns m om entos. Zack não conseguia se lem brar da últim a vez que tivera

um prim eiro encontro tão agradável com o aquele. Se é que aquilo era um

encontro. – Quando eu era criança, costum ava pedir a Deus que m e enviasse um sinal, provocasse um barulho estranho, fizesse um anim al sair

da floresta, um m eteorito cruzar o céu. Algo fora do com um . Mas nunca

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

tive um . – E quando o pai m orreu, Zack rezava para que ele aparecesse,

sussurrasse algum a coisa para ele ou fizesse um carinho em seu rosto. Mas

tam bém não obteve resposta.

– Todos nós fazem os isso. Toda vez que eu pego um avião, sussurro

um a prece para não acontecer um acidente. Quando m inha m ãe teve

câncer, eu orei para salvá-la. Mas se Deus interviesse sem pre que fosse

solicitado, não haveria ciência. Na verdade, o m undo seria um lugar

assustador, nada seria previsível.

O garçom passou. Sarah pediu um segundo copo de vinho. Zack, outra

cervej a. Ele olhou ao redor do restaurante. A m aior parte da clientela era

form ada de j ovens, estudantes universitários e profissionais em início de

carreira. – Eu tenho a sensação de que não há m uita gente por aqui

discutindo se existe vida após a m orte.

– Provavelm ente, estão m ais preocupados com o Red Sox.

– Isso, sim , é im portante. – Nos m onitores do bar, o Sox estava

perdendo para o Toronto por 6 a 2. Enquanto Zack exam inava o bar, ele

reparou em um hom em sentado sozinho, lendo um j ornal. Seus olhos se cruzaram e, então, o hom em voltou para a sua leitura. Zack inclinou-se

para Sarah. – Aquele cara ali com o j ornal e o boné do Patriots, ele parece

fam iliar para você?

Sarah olhou por cim a do om bro.

– Na verdade, não. É alguém fam oso?

O hom em era branco, estava na casa dos 50 anos, e tinha um rosto

oval parcialm ente escondido pelo boné e pelos óculos.

– Eu não sei, m as ele está de olho em nós desde que entrou.

– Ninguém que eu tenha visto antes.

– Talvez ele estej a de olho nas m ulheres bonitas.

– Ou nos hom ens de boa aparência.

– Ele se daria m elhor com a opção núm ero um .

Zack pagou a conta, e os dois se levantaram para sair. Enquanto isso, o

cara por trás do j ornal não prestou atenção neles enquanto cam inhavam

para a saída.

A noite estava agradável, e a praça, m ovim entada. Cam inharam até a

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

Brattle Street e, em seguida, voltaram para a Massachusetts Avenue. Zack

gostava da praça, apesar de ela ter perdido o seu charm e rebelde; suas

loj inhas e os restaurantes m ixurucas haviam cedido lugar para convencionais shopping centers. Eles cortaram cam inho pelo Harvard

Yard, que os levou de volta para a Harvard Street e o edifício de Sarah,

diante do qual ele havia deixado sua bicicleta presa com cadeado.

Zack esperava que ela o convidasse para subir, m as ela não fez isso.

Talvez aquele encontro houvesse sido apenas profissional e não um

encontro pra valer. Passou-lhe pela cabeça a ideia de beij á-la, m as ele não

queria forçar as coisas. Assim sendo, agradeceu pela noite agradável e

estendeu a m ão para ela. Sarah segurou sua m ão e, surpreendentem ente,

deu-lhe um abraço. – Vej o você na terça-feira.

Zack sentiu-se tão feliz por aquele gesto que, distraído enquanto

soltava a bicicleta de um poste próxim o, não percebeu um hom em de

cam isa azul e boné do Patriots observando-o de um SUV prata do outro

lado da rua.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

41

Bruce deixou Zack no laboratório por volta das sete horas, na terça-feira

seguinte, e Sarah o recebeu na entrada e acom panhou-o até o escritório do

laboratório.

– Onde vocês acharam esse cara?

– Bruce?

– Sim . Não é exatam ente o Hoke Colburn.

– Quem é Hoke Colburn?

– Morgan Freem an em Conduzindo Miss Daisy . Ele tem tanta

personalidade quanto um trecho de asfalto.

Sarah riu.

– Vou ver o que posso fazer.

– Além disso, vej a se consegue m e arranj ar um autêntico túnel de luz.

– Vam os trabalhar nisso tam bém .

– Com a m inha sorte, vou acabar um Ted Williams[17], sem dinheiro, e fazendo pedágio nas estradas, m eio doido.

[17]. Locutor am ericano, conhecido com o ‚Voz de Ouro', descoberto quando era um sem -teto m endigando nas estradas, segurando um curioso

cartaz de papelão que dizia: ‚Um a ótim a voz que é um dom de Deus'. O

pequeno vídeo com um a dem onstração de sua habilidade foi parar no

YouTube e ele se tornou um a celebridade, recebendo ofertas de em prego e

dando entrevistas na TV. Mesm o após o sucesso, seu vício em drogas e

bebida, que o levou às ruas, continua sendo um a am eaça em sua vida. (N.

da T.)

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Você está de bom hum or – disse ela.

– Para um cara que vai m orrer...

– Você não vai m orrer – disse ela. – E obrigada novam ente por sexta à

noite. Eu m e diverti.

– O suficiente para repetir a dose?

– Claro!

Ela abriu a porta para a sala de ressonância m agnética, onde os

doutores Luria, Stern e Cates o cum prim entaram . Ele, então, trocou de

roupa e deitou-se na m aca, onde Sarah e Cates o conectaram aos

m onitores e colocaram o escalpe. Ele podia sentir seu coração batendo de

expectativa. Enquanto Sarah aj ustava um a conexão, ele sussurrou:

– No caso de eu não voltar, saiba que você é linda.

– Você tam bém é lindo – disse ela. – Vej o você em breve.

Zack sorriu e apagou.

Sua prim eira percepção foi a de estar se deslocando através de um

túnel em direção à luz. Não, não um túnel. Um buraco acim a dele com

um a nesga de luz fraca brilhando por m eio da abertura. As paredes eram

de areia, e ele foi abrindo cam inho para o alto. Mas não tinha ideia de

quem ele era ou de onde estava. No céu, um a Lua leitosa proj etava seu

brilho desbotado, e ele estava coberto de areia, gelado até os ossos, e

torturado por agulhadas pinicando toda a sua carne. Sua boca estava

dorm ente e os dedos estavam duros, com o se o seu sangue houvesse se

transform ado em cera.

Arrastou-se para fora do buraco e cam baleou pela areia em direção à

água, guiado por um instinto prim itivo. Seus pés estavam descalços e

sem idorm entes, m al sentindo as rochas e conchas que iam pisando, descuidados dem ais com o gélido ar.

– E aí, atleta, quer j ogar?

Ele parou e olhou para trás, e na direção dele, cam inhando pelo banco

de areia aquecido pelo sol, vinha o seu pai, com um reluzente bastão de

beisebol am arelo e um balde de bolas. Na praia, sua m ãe estava recostada

em um a espreguiçadeira, e Jake estava sentado em um cobertor j unto com

o garoto da casa alugada vizinha à deles.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

Im ediatam ente, o m undo tornara-se ensolarado e bom .

– Claro.

Seu pai tinha 1m 77 de altura, m as aparentava o dobro parado ali em

pé diante de Zack, com seu corpo forte e rij o brilhando de protetor solar, e

o crucifixo de ouro pendurado na correntinha em torno do pescoço

piscando para ele.

– E o Jake? Ele pode j ogar tam bém .

– Ele disse que prefere pegar um sol.

– Você perguntou a ele?

– Sim , m as ele não é do tipo que curte beisebol. Mas você é, atleta. E

tam bém é um rebatedor dos bons, certo?

– Certo.

Com o bastão, o pai riscou na areia a últim a base, a hom e plate, e em

seguida se deslocou alguns m etros e fez o m ontinho do lançador. Quando

Zack disse que estava pronto, o pai lançou um a bola baixa. Zack tentou

rebater com força, m as errou.

– Tudo bem . Vai acertar da próxim a vez. – O pai fez m ais três

lançam entos, e ele errou todos.

– Você está balançando o bastão com o um a m enina. Não é para agitá-

lo. Faça um balanço firm e e em linha reta.

Mortificado, Zack tentou novam ente, e novam ente perdeu.

O pai cam inhou até ele e se agachou.

– Eu acho que você anda observando o seu irm ão dem ais. O segredo

de rebater a bola está em com o você segura o bastão. – Enquanto Zack

segurava o taco com as duas m ãos, o pai posicionou seus pés e ensinou-lhe

o m ovim ento correto para o balanço. – E m antenha a parte superior de seu

braço paralela ao chão. Sabe o que significa paralelo?

– Claro. – Ele podia sentir o cheiro do protetor solar do pai, um

perfum e que ele adorava e que sem pre associou a ele. – Assim ? – Zack

ergueu o braço, o bastão em ângulo firm e acim a do om bro.

– Perfeito.

O pai sorriu e deu um tapinha em seu om bro. E um a onda de prazer

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

passou por ele agora que estava pronto para se exibir para o pai.

– Ok, agora se m antenha assim . – Ele voltou para a linha de

lançam ento. – Pronto?

– Pronto. – Quando a bola seguinte foi lançada, Zack balançou, m as

errou novam ente. E ele bateu na areia com o bastão. – Sou um lixo.

– Não, não é. Você balançou m uito cedo. Mantenha os olhos na bola.

Mais um a bola foi lançada, e ele a acertou.

– Agora você está pegando o j eito. – Antes de lançar a bola seguinte, o

pai disse: – Você é um rebatedor dos bons, Zack.

E ele rebateu a bola seguinte, m andando-a m uito acim a da cabeça do

pai.

– É isso aí, garoto! – O pai gritou, e ele com em orou dando um soco no

ar.

Rebateu várias outras.

Então, eles foram cam inhando pela parte plana do banco de areia, que

brilhava ao sol do final da m anhã com o se o m ar a tivesse polvilhado com

pó de diam ante. Gaivotas voavam em círculos lá no alto, às vezes,

pousando no banco de areia, grasnando histericam ente atrás de um peixe

m orto.

– Papai, você gosta do Jake, certo?

– Claro que sim . Por que pergunta?

– Só pra saber. Sabe de um a coisa?

– O quê?

– Eu queria que você nunca m ais tivesse que voltar a trabalhar e que

fosse verão o tem po todo.

– Eu tam bém . – E o pai colocou o braço ao redor de seus om bros e

beij ou-o na cabeça.

Eles pegaram conchas enorm es, m ariscos do tam anho de um cinzeiro,

clareados pelo sol. Eles saltaram pedras. Saltaram conchas de m ariscos. E

o m ar faiscava com frenética alegria.

Foi o m om ento m ais feliz do verão.

Eles continuaram a cam inhar pelo banco de areia aquecido pelo sol

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

m ais alguns m inutos e, depois, o pai se deteve. Ele olhou para trás, em

direção à praia, para onde a casa deles se debruçava sobre as dunas.

Nuvens cinzentas se aproxim avam , vindas do continente.

– Eu tenho de lhe dizer um a coisa – disse o pai. – É im portante.

O pai o segurava pelos om bros, e seu rosto estava sério.

– O quê?

– Hora de acordar.

– É isso aí, Zack. Abra os olhos. Com o você se sente?

Levou alguns instantes para ele se dar conta de que estava

despertando. Olhou em torno do brilhante laboratório e viu Sarah, que estava parada ali, segurando um a prancheta. Ao lado dela, a doutora Luria,

e os doutores Stern e Cates estavam diante dos m onitores de seus

respectivos com putadores. Dois técnicos, em outra sala, acom panhavam

tudo através de j anelas.

– Você está bem ? – Sarah perguntou, entregando-lhe um copo d’água.

Sua voz soava com o se viesse do outro lado de um túnel de

quilôm etros de extensão. Ele fez que sim com a cabeça.

– A m enos que você prefira cervej a.

Ele balançou a cabeça negativam ente e tom ou um gole da água.

– Você se lem bra de algum a coisa? – Luria perguntou.

Zack sentiu-se aj ustar ao m om ento.

– Apenas de algum as partes soltas.

– Com o o quê?

– O banco de areia de um a praia. Acho que era Sagam ore.

– Sagam ore Beach?– Luria perguntou.

– É tudo m eio vago – disse ele. – Estava com m eu pai, rebatendo

arrem essos.

– Prossiga – disse Luria.

Ele lutava para encontrar as palavras. Pelo que se lem brava, era um a

estranha visão dupla, e não sabia explicar com o podia se ver com o criança

através de seus próprios olhos e, em seguida, através dos olhos de outra

pessoa, alternando o ponto de vista estranham ente. Lem brou-se de ver o

pai falando com ele e, depois, a distância, viu-se com largos calções verdes

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

balançando o bastão.

– Eu estava rebatendo bolas, m as não m e lem bro de m ais nada.

– Com o você caracterizaria o seu estado em ocional?

– Feliz. – Instantaneam ente, sentiu um nó na garganta de em oção.

Controlou-se recitando m entalm ente o núm ero pi.

Sentindo seu conflito, Sarah interveio:

– Zack, você tinha a noção da presença de outras pessoas?

Queria agradecer a ela por m udar de assunto. Fez que não com a

cabeça.

– Não havia m ais ninguém na praia? – Luria perguntou.

– Algum as pessoas ao longe, no banco de areia. Acho que m inha m ãe

e m eu irm ão estavam na praia.

– Mas você se lem bra de j ogar bola com seu pai.

Ele sentiu que tinha o controle sobre si m esm o novam ente.

– Sim , e pareceu m uito real, não com o um sonho, m as com o se eu

realm ente estivesse lá, naquele banco de areia. – Ele ainda podia sentir o

calor do sol em sua pele quando o doutor Cates com eçou a descolar os

eletrodos. Ainda podia sentir a areia suave e fina sob os pés, a m ão de seu

pai na sua enquanto cam inhavam .

– Você se sentiu separado do seu corpo? – a doutora Luria perguntou.

– Não, eu estava em m inha própria cabeça – Zack disse, tentando se

recordar. Mas a experiência foi desaparecendo rapidam ente, com o se ele

estivesse se afastando da cena.

– Mais algum a coisa aconteceu na experiência? – Luria perguntou. –

Quero dizer, além de rebater arrem essos com o seu pai e depois cam inhar

pelo banco de areia... Ele disse algum a coisa?

– Ele falou que queria m e dizer algo.

– O que exatam ente ele disse?

– Só isso. Então, eu acordei. – Ele ainda podia ver a expressão séria de

seu pai, era hora de terem um a ‚conversa de gente grande'. A expressão

lhe veio do nada. Conversa de gente grande.

– Só isso?

– Só.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

Continuar: parte 2 de 3