Visões da Morte
Maggie olhou para as im agens estupefata.…
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
Maggie olhou para as im agens estupefata. A prim eira coisa que lhe
veio à m ente foi Dam ian. Ele film ou as im agens de Zack m urm urando sílabas sem sentido com o telefone celular. Com o ele pôde fazer aquilo
com Zack? Violar-lhe a privacidade em seu estado m ais vulnerável?
– Deus escolheu Zachary para operar seus m ilagres, e é por isso que
estam os aqui – disse a esposa, e ela olhou para a filha na cadeira de rodas.
– Sinto m uito pela filha de vocês, m as não podem visitar o m eu filho.
Ele está em um quarto particular, e só a visita de fam iliares é perm itida.
Está claro?
Ela disparou pelo corredor até a ilha da enferm agem para solicitar um
segurança, m as o posto estava vazio. Então, ouviu um tum ulto no corredor
perpendicular àquele. Seu coração quase parou. Do lado de fora do quarto
de Zack, um a pequena m ultidão discutia com a enferm eira Beth Howard,
duas outras enferm eiras e um m édico residente, todos tentando evitar que
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
as pessoas forçassem a entrada.
– O que está acontecendo? – Maggie perguntou para Beth. –
Cham em os seguranças.
– Já cham am os.
Maggie abriu cam inho para dentro do quarto, onde cerca de um a
dúzia de pessoas acotovelava-se em torno do leito de Zack: adultos, j ovens,
velhos, brancos, negros. Um a m ulher baixa com síndrom e de Down alisava suplicante o braço de Zack enquanto um flash de câm era era disparado.
Por entre elas, Maggie pôde constatar aliviada que Zack ainda respirava e
que os m onitores continuavam a registrar seus sinais vitais. Mas sua m anta
estava coberta com rosários, santinhos de papel com orações, bugigangas
religiosas, im agens e fotografias. E à sua volta as pessoas m urm uravam
orações e persignavam -se, tocando as m ãos e o rosto de Zack.
Maggie enlouqueceu.
– Saiam daqui! – ela gritou. – Este é o m eu filho. Saiam daqui!
– Eu tenho um tum or – disse um a m ulher. – Tudo o que eu quero é
ser curada – sua boca trem ia enquanto im plorava.
Outra, ao lado dela, disse:
– Jesus está aqui para m e fazer m elhorar. Não quero m orrer.
Um hom em em purrado contra ela insistiu em afirm ar que havia um a
presença divina em Zack:
– Querem os que Jesus salve a m inha esposa. Ela está m uito doente.
– Então, procure um m édico e deixe m eu filho em paz.
Enquanto Maggie abria cam inho de form a m ais incisiva, reparou em
um a m ulher alta e pálida que destoava da cena em um tailleur azul-
m arinho. Estava em um canto atrás dos outros, olhando para Maggie
atentam ente. Havia um a m arca de nascença averm elhada, ou talvez um
m elanom a, em seu rosto.
As vozes enérgicas dos seguranças encheram a sala.
– Muito bem , todo m undo pra fora!
Meia dúzia de guardas forçavam as pessoas a deixarem o quarto protestando.
– Vocês não têm esse direito – um a m ulher gritou.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
– O Senhor Jesus Cristo está falando por interm édio de Zachary –
gritou outro. – Está no vídeo. Eu vi com m eus próprios olhos.
Mas os guardas esvaziavam o quarto, apesar dos apelos e protestos.
Enquanto as pessoas eram conduzidas para fora, um a m ulher agarrou o
braço de Maggie e disse:
– Ela está aqui! Ela está aqui! – os olhos da m ulher estavam
arregalados.
– Quem ? – Maggie perguntou.
– A Virgem Santíssim a. Sinto o cheiro de rosas. Rosa é a sua flor. – A
m ulher parecia enlouquecida.
Maggie se afastou e andou em direção à cam a, e um segurança
agarrou-a pelo braço. Ela se virou e disse:
– Eu sou a m ãe dele!
Do hall, a enferm eira Beth confirm ou a inform ação para o guarda. Ele
soltou Maggie e continuou rem ovendo os outros. Ela arfava quando
alcançou Zack. Não havia sido perturbado pelo tum ulto, e os m onitores
estam pavam funções vitais estáveis. Mas a m anta encontrava-se repleta de obj etos religiosos e dezenas de fotografias de pessoas, lem brando o
relicário de um santo m orto.
Beth tom ou-lhe o braço e disse:
– Sinto m uito. Vam os arrum ar tudo isso. Eles devem ter subido pela
escada dos fundos.
– Há um vídeo dele na Internet.
– Mas que droga!
Menos de doze horas haviam se passado, e um vídeo de cinquenta
segundos de seus m urm úrios sem sentido no YouTube havia reunido um a
pequena m ultidão fam inta por m ilagres.
– Acho que foi Dam ian quem o postou.
– Não. Foi Stephanie, m inha auxiliar.
– O quê?
– Ela estava com o telefone celular, m as pensei que fosse para cham ar
o residente. Sinto m uito. Não sei o que estava pensando, m as não consigo
acreditar que tenha feito isso.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
– Onde ela está?
– É seu dia de folga, m as vam os encam inhá-la para o adm inistrador
chefe.
– Quero que ele sej a transferido para um quarto reservado com
seguranças.
– Claro.
Beth segurou o braço de Maggie e levou-a para fora, enquanto
atendentes com eçavam a rem over o m aterial do leito. As salas de espera
haviam sido esvaziadas e vários seguranças patrulhavam os corredores.
Maggie cam inhou com Beth até a sala de enferm agem , onde alguém lhe
serviu um café.
Quando voltava pelo corredor, avistou a m ulher alta e elegante, com a
m arca de nascença, diante dos elevadores. A m ulher olhou para ela. Um
instante depois, a luz do elevador acendeu e a porta se abriu. Antes de
adentrá-lo, a m ulher disse algum a coisa.
– Com o disse?
– Rezo para que seu filho sej a m ilagroso.
Antes que Maggie pudesse responder, a m ulher entrou no elevador e
foi em bora.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
11
O porteiro de Satanás vivia em uma mansão estilo Tudor na G reendale Road,
em Falm outh, Cape Cod. Rom an Pace estava sentado em seu carro em um a pequena rua paralela ao lado de um terreno baldio que perm itia um a
visão clara dos fundos da casa.
Rom an nunca se encontrava com quem o contratava – apenas
telefonem as anônim os e dinheiro deixado nos pontos previam ente
com binados. Era um bom arranj o, um a vez que o anonim ato m antinha as
coisas discretas e sim ples, sem o risco de com prom etim ento. Rom an não
sabia se o cara do outro lado do confessionário era um sacerdote, um bispo
ou o Frei Tuck. Só que não era o padre Tim othy Callahan. E, depois de
um a sem ana, isso j á não fazia diferença, porque um a parte de Rom an
com eçara a acreditar que ele estava, de fato, a serviço de Deus. A m esm a
parte que tam bém com eçara a acreditar que o próprio Deus o havia
dirigido para aquele confessionário, para com eço de conversa.
Sua chance de restaurar a sua alm a em Deus.
Era a prom essa, e Rom an se agarrou a ela.
A parte traseira da garagem independente tinha um a j anela que
perm itia a visão de seu interior – não que se im portasse com o que havia lá
dentro. A porta da garagem estava aberta e, vinte m inutos antes, os faróis
de um Lexus branco haviam ilum inado a j anela quando o proprietário
estacionou em seu interior e depois entrou na casa pela porta de trás. Os
vizinhos pareciam estar fora, talvez porque fosse fim de sem ana de Páscoa.
Depois de quinze m inutos, Rom an saiu de seu carro alugado e
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
cam inhou até a frente da casa. Havia luzes acesas no prim eiro andar e em
um dos quartos no segundo. A entrada era ladeada por vitrais através dos
quais ele pôde observar o hall de entrada, m as nenhum m ovim ento. Tocou
a cam painha, e um a luz externa se acendeu. Logo depois, um velho abriu a
porta.
– Desculpe incom odá-lo, m as o senhor é o doutor Thom as Pom eroy ?
– Sim .
Fora descrito com o tendo 71 anos e aparentava isso. Seu rosto era
m agro e pálido, com a pele flácida sob o queixo. Tinha olhos escuros com
bolsas sob eles e grandes entradas nos cabelos grisalhos. Traj ava um a calça
de algodão e cam iseta de m angas longas. Sua expressão dem onstrava
aborrecim ento.
– Meu nom e é Rom an Pace, e tenho um a m ensagem de Thom as
Infantino.
– Quem ?
– Thom as Infantino. – E, com a m ão esquerda, Rom an entregou um
envelope pardo a Pom eroy com seu nom e im presso em letras m aiúsculas.
Quando Pom eroy pegou o envelope, Rom an puxou um a pistola do casaco
e pressionou-a contra o corpo de Pom eroy dizendo:
– Acho que é m elhor discutirm os isso aí dentro.
– O… o que você está fazendo?
– Pra dentro, e não dê um pio. – O rosto de Pom eroy congelou em estado de choque e horror, m as ele voltou para o hall, e Rom an fechou a
porta atrás de si.
– O que você quer? Quem é você?
– Eu faço as perguntas.
Um tapete oriental verm elho cobria o hall, ilum inado por um lustre de
vidro. Um par de escadas escuras corria para o segundo andar, onde havia
um a luz acesa no canto superior direito.
– Tem m ais alguém em casa?
– Não.
– Sua esposa?
– Minha esposa m orreu.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
Era verdade. Sua filha m orava no Arizona e ele não tinha outros filhos,
de acordo com o dossiê que recebera.
– Outros parentes? Governanta?
– N… não. Estou sozinho. Quem é você? Quer dinheiro? Posso lhe
dar algum . – Fez um m ovim ento em direção à escada.
Mas Rom an o deteve.
– Não quero o seu dinheiro. – Em purrou o hom em para a sala de
estar: um espaço com estantes de m adeira escura, um piano de cauda preto e um conj unto de sofá e poltronas de couro m arrom , e dirigiu
Pom eroy para o sofá.
Pom eroy fez com o lhe foi dito, o rosto lívido de terror. Rom an se
sentou na poltrona de couro de frente para ele.
– Quero que você m e diga um as coisas – falou. – E, se eu gostar das
respostas, facilito as coisas para você.
Pom eroy olhou no olho im passível da Beretta.
– Ok, m as, por favor, não...
Rom an ergueu o dedo:
– Shhh. Coopere, e ninguém se m achuca. Ok?
– Ok, ok.
– É um hom em religioso, doutor Pom eroy ?
– O quê?
– Eu perguntei: é um hom em religioso?
Pom eroy hesitou.
– Não.
– Já teve algum relacionam ento com a Igrej a de São Pio, em
Providence, Rhode Island?
– Não, nunca ouvi falar.
– E quanto ao nom e Tim othy Callahan?
– Não.
– Acredita em Deus?
– Não.
– Ok. Acredita em Satanás?
O rosto de Pom eroy nublou-se de perplexidade.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
– Não.
– Olhe, você é um físico de renom e, laureado. Então, com o é que
alguém na Igrej a Católica quer você m orto?
Um gem ido involuntário subiu de seus pulm ões.
– Eu não sei. Por favor, não m e m ate. Eu lhe pago o que quiser.
De acordo com sites na Internet, Pom eroy era fam oso por ter resolvido
alguns problem as envolvendo ressonância m agnética, o que resultou no
desenvolvim ento de equipam entos hospitalares com m elhor captação de
im agens de células cancerosas.
Aparentem ente, um grande avanço, porque ele era coautor de vários
artigos no Journal of Chem ical Phy sics e em outros veículos. Rom an
entendera a im portância do trabalho de Pom eroy , em bora não pudesse
im aginar por que, aos olhos da Igrej a Católica, ele era um a abom inação.
O hom em continuou a im plorar.
– Tem dinheiro em casa?
– Sim , sim , no andar de cim a, em um pequeno cofre.
Rom an calçou um par de luvas de látex.
– Vam os. – Manteve a arm a nas costas do hom em , enquanto o seguia até um dos quartos, onde ele abriu a porta de um arm ário. No chão, havia
um pequeno cofre, do tipo que se encontra em hotéis. – Se algum alarm e
disparar, considere-se m orto.
– Não, não há alarm e aqui em cim a. Apenas na porta dos fundos.
Rom an ficou de olho enquanto Pom eroy girava a com binação, abria o
cofre e tirava dali quatro m aços de notas de 50 e 100; 5 m il dólares.
Rom an pegou o dinheiro e m eteu-o no bolso da j aqueta.
– Ótim o. Você acabou de com prar o restante de sua vida. Para o andar
de baixo, vam os.
Desceram a escada e voltaram para a sala de estar.
– Vam os fazer isso parecer um a invasão, por isso, preciso am arrá-lo.
Vou ligar para o 911 da estrada. Capice?
– Sim .
Então, ele am arrou as pernas de Pom eroy com algem as plásticas. Fez
a m esm a coisa com os pulsos, m as sobre a cam isa, para evitar m arcas.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
Colocou-lhe um a toalhinha sobre os olhos e, em seguida, prendeu-a com
um a corda elástica pequena. Então, deitou-o no chão com um a alm ofada
do sofá sob a cabeça.
De acordo com o dossiê, Pom eroy tinha um histórico de arritm ia e estava tom ando rem édio para pressão alta e colesterol. As estatísticas das
com panhias de seguro de vida lhe dariam um risco m aior do que 70% de
m orte por parada cardíaca. Aquilo reduzia as opções para um a.
E aquilo vinha de um a planta crescida a 4 m il quilôm etros ao sul de
Cape Cod, nas florestas tropicais da Am azônia – curare, um a trepadeira
cuj o com posto era usado por índios locais para envenenar suas flechas e os
dardos das zarabatanas. Tam bém conhecido com o cloreto de tubocurarina,
a substância, quando inj etada, causa paralisia dos m úsculos esqueléticos,
resultando em insuficiência respiratória e m orte. Com a autópsia padrão,
nenhum traço do com posto poderia ser detectado, e a causa da m orte
poderia ser listada com o parada cardíaca.
Você é um guerreiro de Deus, um a voz sussurrou na cabeça de
Rom an. Com o São Miguel.
– Ok, deite-se quieto. – Para um hom em de 77 quilos, levaria cerca de
sete m inutos. Durante esse tem po, a vítim a perm anece consciente, m as
incapaz de inspirar. Ele m orreria por asfixia. Para parecer natural, o corpo
não poderia ter quaisquer sinais de luta. E, com o a toxina teria de ser
inj etada, nem m esm o a picada de agulha poderia ser visível na m esa de
autópsia. Circunstâncias especiais exigiam estratégias especiais.
Rom an foi para o côm odo adj acente e encheu um a seringa com 4cc de
curare. Quando voltou, aj oelhou-se ao lado de Pom eroy no chão.
– Antes de sair, preciso fazer algum as perguntas. Existe algum a coisa
em sua pesquisa que seria um problem a para a Igrej a Católica?
– Não, eu lhe disse isso.
– E para algum a agência do governo ou algo assim ?
– Não.
– Quaisquer inim igos pessoais ou associados?
– Não que eu possa im aginar.
Pôde perceber Pom eroy relaxando na expectativa de que aquilo tudo
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
acabaria em breve, de que Rom an daria os toques finais na encenação da
invasão e sairia. Em sua cabeça, Rom an ensaiou o passo seguinte.
– Só m ais um a coisa...
– O quê?
– Não devia ter perdido a sua fé. – Com um m ovim ento ligeiro, ele se
j ogou de corpo inteiro sobre o corpo de Pom eroy , em purrando a agulha
profundam ente em sua narina esquerda e pressionando o êm bolo com o
polegar. O corpo de Pom eroy agitou-se sob o de Rom an enquanto soltava
um grito esganiçado. Rom an retirou a agulha, ao m esm o tem po em que se
esforçava para não ser atirado ao chão. A toalhinha e a corda elástica
deslizaram do rosto de Pom eroy na luta, e Rom an fez tudo que podia para
im pedir o hom em de adquirir quaisquer contusões denunciadoras que
levantassem dúvidas para o legista.
Com o, num a escala de zero a seis de toxicidade, o com posto era avaliado em seis, em m enos de um m inuto o tronco e as pernas de
Pom eroy enrij eceram -se. Seus olhos se arregalaram com o bolas brancas e
sua boca afrouxou incapaz de inspirar. Em questão de segundos, ele se
transform ou em um cadáver quente, com as pernas estrem ecendo
ocasionalm ente e as pálpebras descendo sobre fendas flácidas.
Rom an esparram ou-o no sofá. Retirou as algem as plásticas e aj ustou
as roupas e os pés de Pom eroy , até que parecesse um hom em que
houvesse m orrido de um ataque cardíaco enquanto lia um a revista. Pegou
um exem plar da revista Tim e na m esa de centro e posicionou-a no chão.
Quando term inou, Rom an olhou para o hom em m orto.
– Mas com o você pode ser porteiro de Satanás? – Não im portava.
Rom an não se sentia m ais perto de Deus, apenas 20 m il dólares m ais rico.
Desarm ou o alarm e da porta dos fundos e saiu para a noite.
Meia hora depois, parou em um a área de estacionam ento panorâm ico
ao longo da Rota 6A.
Durante o dia, dezenas de pescadores estariam em poleirados nas
rochas lá em baixo, lançando suas linhas atrás de robalos riscados. Às dez
da noite, apenas um obstinado m antinha-se naquilo. Um longo e elegante
veleiro deslizava pelo canal das águas do porto de Boston. Um dia, ele
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
haveria de com prar um com o aquele e rum ar para as Berm udas. Rom an
puxou o telefone celular seguro que o cara no confessionário lhe dera e
teclou o núm ero que fora passado a ele.
Um a voz m asculina respondeu com um sim ples e direto ‚Sim ?'
– Missão cum prida.
– Ótim o. Da m aneira prescrita?
A voz soava com o a do Padre X.
– Sim .
– Estam os m uito gratos por seu serviço. E o Senhor Deus tam bém .
Você está purificando sua alm a e chegando m ais perto de garantir a vida
eterna, m eu irm ão.
Rom an sentiu algo dentro dele acelerar, e aquele não era o tipo de
conversa sacerdotal que o deixava em baraçado quan- do pequeno.
– Quer dizer que ainda não estam os conversados?
– Em poucos dias, você terá notícias nossas. Obrigado, m eu filho. – E
o hom em desligou.
Por um m om ento, Rom an continuou a olhar para o celular desligado,
pasm o. Depois, fechou-o e m eteu-o no bolso da j aqueta. Então, a coisa
não havia acabado.
Lá em baixo, o pescador apanhou um robalo. Ilum inado pelas luzes do
estacionam ento, ele segurou a linha com um a m ão, aparou o peixe na rede
com a outra e o levou para as rochas.
Parecia m enor do que o tam anho m ínim o de abate regulam entado, 74
centím etros, m as, depois de rem over o anzol da boca do peixe, o pescador o j ogou em um cooler.
Rom an tom ou um gole de sua garrafinha d’água. Enquanto observava
o iate deslizar pela escura vastidão do canal, o pensam ento de um novo
serviço desencadeou um a sensação vertiginosa em suas entranhas. Talvez,
m ais outros 15 m il. E, talvez, outro m ilênio no paraíso.
Olhou para a água, as luzes da costa na m argem oposta refletindo-se
na superfície negra. Pensou sobre com o a vida havia se tornado
interessante nos últim os tem pos. Ergueu os olhos para o céu. Acim a do
escuro horizonte ao leste, as estrelas com eçavam a surgir, com o se trazidas
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
pelo m ar. Inspirou o ar fresco salgado e m ergulhou na noite. Acim a do
distante horizonte, avistou um a estrela cadente.
Obrigado, Deus.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
12
– A última coisa de que eu preciso é um bando de fanáticos religiosos reunidos em torno do m eu filho com o se ele fosse Nossa Senhora de
Lourdes – disse Maggie.
– Bem , eles não vão m ais chegar até ele – disse Kate.
Estavam sentadas na cafeteria do hospital na m anhã após o incidente.
Zack havia sido transferido para outro quarto, em um a ala diferente,
conhecido apenas por um punhado de funcionários e fam iliares. Por
insistência de Maggie, o hospital havia postado um guarda do lado de fora
do quarto o tem po todo.
– Se ele fosse um a força de cura, seria o caso de eles se perguntarem
por que Zack não consegue despertar a si próprio.
– A lógica não parece ser o ponto forte deles – disse Kate, tom ando
seu café.
– Tanto faz. Não tenho certeza se vou aparecer no dom ingo. – Seria
Páscoa, e Kate norm alm ente organizava um alm oço, não tanto com o um a
celebração religiosa, m as, sim , com o um pretexto para reunir a fam ília.
– Talvez você possa dar só um a passada lá para a sobrem esa, depois do
hospital.
Maggie assentiu, distraída com algum a coisa no com portam ento de
sua irm ã. Estava certa de que faltar ao alm oço de Páscoa não era o
problem a.
– Está tudo bem ?
Kate olhou para ela por um m om ento, enquanto rem oía algo em sua
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
m ente.
– Ontem , Bob se encontrou com um am igo, Art Avedisian, no
Departam ento de Línguas do Oriente Próxim o, de Harvard.
Bob lecionava literatura francesa na Wellesley College.
– E?
– Bem , ele lhe m ostrou o vídeo de Zack.
Maggie pôs-se, subitam ente, em alerta.
– E então?
– Não foi glossolalia.
– Claro que não. Eram som ente sílabas sem sentido.
– Na verdade, não. Era aram aico.
– Aram aico? Não é um a língua antiga?
– Sim , é a língua nativa de Jesus Cristo.
– O quê?
– De acordo com o am igo de Bob, que é um erudito, especialista em
aram aico, essa língua ainda é falada em pequenas regiões do Oriente
Médio. Disse que Zack falou em um velho dialeto.
Tudo o que Maggie conseguiu dizer foi:
– O quê?
Kate confirm ou.
– Foi o que ele disse.
– Bem , isso não é possível. Ele está errado. Zack não conhece
nenhum a língua antiga. Isso é um absurdo.
– Estou apenas relatando o que ele disse. Ele tam bém traduziu o que
conseguiu entender. – Ela tirou um bloco de notas de sua bolsa. – Acho
que ele estava repetindo várias frases: ‚Pai, tudo te é possível; Afasta de
m im este cálice! Contudo, não se faça o que eu quero, senão o que tu
queres'. Então, Zack recitou a oração do pai-nosso em aram aico.
– Não acredito nisso.
– Eu sei. Mas, de acordo com Avedisian, foi isso, um excerto
da Suprem a Angústia no Getsêm ani no dialeto original.
– O… o quê?… Com o?
– Eu não sei – disse Kate. – Até onde você sabe, ele algum a vez fez
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
um curso de aram aico?
– Não, e por que faria?
– Sei lá. E acho que isso não faz parte do currículo norm al de
qualquer faculdade. Segundo Art, o único lugar em que se pode encontrar
esse curso na Nova Inglaterra é na pós-graduação em Harvard. E sabem os
que ele nunca fez isso. Nem o aram aico é algo que se pode aprender com
a Pedra de Roseta[4].
[4]. A Pedra de Roseta é um fragm ento de um a estela do Egito Antigo que registra um m esm o decreto do rei Ptolom eu V. Em 1822, Jean-François Cham pollion usou essa estela para decifrar os hieróglifos,
com parando os três textos. (N. da T.)
– Então, o cara está errado. Não era isso – Maggie insistiu.
– Pode ser. Mesm o se quisesse, onde você encontraria versões em
aram aico das falas de Jesus?
Maggie sentiu um a onda de arrepio percorrer seus braços.
– Ele nem m esm o é religioso.
– Eu sei, m as com o você explica isso?
– O cara está errado. Com pletam ente errado.
Kate balançou a cabeça concordando e tom ou um gole do café.
E Maggie esfregou os braços para conter um calafrio.
Mais tarde, em casa, Maggie ouviu a fita várias vezes seguidas. Não
conseguia entender a língua, é claro. Soava um pouco com o um a m istura
do árabe com o grego. Mas o que perm aneceu em sua m ente quando foi se
deitar e encostou a cabeça no travesseiro no escuro não foi a língua, m as a
voz.
Tudo o que ela conseguia ouvir era Nick.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
13
Besouros estavam comendo o seu cérebro.
Podia ouvi-los dentro de seus ouvidos – um zum bido agudo e elétrico
enquanto eles abriam cam inho até o núcleo de sua cabeça m astigando-lhe
os m iolos.
Centenas deles. Talvez m ilhares. Podia senti-los vibrando por baixo de
seu crânio, quase cegando-o com seu frenesi. Ele lutava para se controlar e
não fazer um a cena no fundo do ônibus, não gritar nem bater a cabeça na
trave de equilíbrio.
Com o fazia todas as m anhãs ao nascer do dia, encam inhou-se para a
Harvard Square de Boston e tom ou o ônibus 350, que desceu a
Massachusetts
Avenue
até
a
parada
Alewife,
na
linha
Cam bridge/Arlington, onde ele saltou e cam inhou uns oitocentos m etros
até a interseção das Rotas 16 e 2, o seu território para m endigar por entre
os carros parados no sem áforo. Era um bom lugar, rendia um dólar ou dois
a cada vinte carros.
Mas naquela m anhã estava pior. O barulho e os zum bidos agudos e as
im agens de suas pequenas pinças escavando túneis haviam piorado na sem ana anterior, tanto que ele m al era capaz de erguer o seu cartaz de
papelão:
Aj ude por favor
Doente e desabrigado
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
Deus abençoe
Pouco conseguia se concentrar em sua pequena e costum eira
cam inhada ao longo da fila de carros parados, a partir do sem áforo.
Norm alm ente, olhava para os m otoristas, esperando que não fingissem que
ele era invisível e que baixassem a j anela para lhe dar um a esm ola.
O zum -zum -zum alucinante no interior de seu crânio vinha
acontecendo fazia dias, m as naquela m anhã estava pior do que nunca –
com o se estivesse passando por um a bad trip de cogum elos. Na noite
anterior, teve um sonho em que caía de sua cam a e escorregava para um
funil grande e escuro, avançando em alta velocidade em direção a um a luz
enevoada e cinzenta no final dele. Mas não lhe pareceu um sonho, porque
ouvia um estalido elétrico que ia aum entando à m edida que ele deslizava
no tubo em direção ao tal final que ele não queria alcançar. Ao se
aproxim ar da luz, tentou parar, arrastando os pés e as m ãos contra as
laterais, m as acabou desem bocando no fim em um buraco negro infestado
de besouros.
Quando acordou, cam baleou até o ponto de ônibus, tentando se
desvencilhar da sensação de que eles estavam dentro de sua cabeça e
am eaçavam abrir cam inho para fora de seus ouvidos com endo-o por
dentro. Ao saltar em Alewife, o zum bido havia se intensificado a um nível
insano, forçando-o a esfregar o rosto e golpear os ouvidos. Seu m undo
inteiro tinha sido reduzido àqueles pequenos corpos brilhantes com
m andíbulas de pinça que com eçavam a fluir de suas orelhas e de seu nariz.
Tropeçava em m eio ao trânsito, tentando freneticam ente elim inar
aquelas coisas do rosto e da cabeça, cuspindo e engasgando, lutando para
respirar j unto àquele zum bido de perfuração ininterrupto.
Foi ao chão, totalm ente alheio aos m otoristas que prestavam m ais
atenção ao sem áforo do que ao espetáculo de Wally , que urrava e
arrancava os cabelos do couro cabeludo e a pele do rosto com o um
dem ente.
Com o rabo do olho, percebeu um enorm e cam inhão verde de lixo
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
parado no sem áforo, as grandes rodas duplas enchiam sua visão.
No m om ento em que a luz m udou e o tráfego com eçou a se m over
novam ente, Wally deslocou-se para a pista e m eteu a cabeça debaixo dos pneus traseiros do veículo.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Maggie não fazia ideia de como Zack havia murmurado as palavras de Jesus