Visões da Morte

Gary Braver · Capítulo 8 de 10 · parte 1/3

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Visões da Morte

– Volker e G retch mataram o…

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

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– Volker e G retch mataram o meu irmão. E a mulher era a prima de G retch...

um a das testem unhas que afirm aram que não viram nada. – Zack passou

para Sarah os obituários que havia im prim ido.

– O quê?

Passava um pouco das duas da m anhã, e ele ligara para ela pedindo

que fosse ao seu apartam ento, apavorado com sua descoberta.

– E estas são as m esm as pessoas que você viu em suas EQMs? – disse

ela, enquanto lia.

– Sim . Incluíram fotos nos obituários. Eu os reconheci.

– Talvez sej am apenas coincidências bizarras.

– O quê? Os assassinos do m eu irm ão foram m ortos e eu estava lá

todas as vezes? Sarah, eu os vi. Senti suas m ortes. Eu estava lá. Meu Deus,

ou estou enlouquecendo ou eu os m atei. – Ele estava bebendo um copo de

leite m orno e tinha de segurar o copo com as duas m ãos, de tanto que

trem ia.

Sarah olhou para os obituários.

– Eu não acredito em nenhum a das duas coisas.

– Mas a tetrodotoxina tem efeitos colaterais terríveis – disse ele. – E

se eu desm aiei e fui atrás deles? Matei-os e não m e lem bro de nada?

Enquanto ela lia as folhas im pressas, Zack foi até a pia para apoiar-se,

olhando para o seu copo de leite e pensando que talvez tivesse perdido a

cabeça, que talvez a com binação do traum atism o craniano, do com a e da

anestesia zum bi houvesse criado algum dano cerebral estranho, que o

havia transform ado em um perseguidor insano sedento de vingança. Tivera

pesadelos durante toda a sua vida com o qualquer outra pessoa. Mas

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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aqueles não haviam sido com o os outros: intensos, brutalm ente vívidos. E

pelos olhos de outra pessoa, disso ele tinha quase certeza.

A voz de Sarah trouxe-o de volta para o m om ento.

– Mas isto diz que Volker m orreu no dia 10 de j unho. Foi quando

estávam os no Grafton’s. Um vizinho diz que ele sem pre se exercitava

depois do j antar.

– Sim , e saím os do bar por volta das nove. Eu poderia ter ido lá depois

de nos separarm os, m atado o cara... e bloqueado da m inha m em ória.

– Mas ele vivia em Waltham . Mesm o se você tivesse ido de m etrô, levaria m ais de um a hora – disse ela. – Você ao m enos sabia onde ele

m orava?

– Sim . – Volker se m udara de Allston para Waltham após a decisão do

tribunal. A m ãe de Zack não quis saber para onde, m as Zack procurara

descobrir. E, antes m esm o de ter tirado sua carteira de m otorista,

fantasiava que dirigia até a residência de Volker e a bom bardeava enquanto

ele dorm ia. Tem pos depois, ele, às vezes, ia até lá e seguia Volker ao

trabalho, ao superm ercado ou a casa de am igos.

– Eu estava com a m inha bicicleta, e a casa dele fica só a uns onze

quilôm etros, acom panhando o rio.

– Você se lem bra de ter feito isso?

– Não.

– Não é exatam ente algo de que você iria se esquecer – disse ela. –

Lem bra-se de pedalar de volta para casa?

– Não. Apenas de cam inharm os j untos até a sua casa.

Sarah pegou o outro obituário.

– Isto diz que Gretch m orreu em Vernon, Connecticut, no sábado, dia

25, oito dias atrás. Você se lem bra de onde estava?

– Na biblioteca.

– Você tem com o confirm ar isso?

– Eu peguei um livro em prestado. – De sua escrivaninha, ele puxou

um a coletânea de ensaios sobre Mary Shelley . O com provante dentro do

volum e forneceu-lhes a data e a hora: m esm o dia da m orte de Gretch.

– E a hora?

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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– Quatro e dezoito.

– Aí está. Um m otorista encontrou-o em torno de um a da m anhã, a

um a centena de quilôm etros daqui. Não há com o você ter pedalado até lá.

– Só que eu estava com o carro de Dam ian naquele fim de sem ana.

O rosto dela enrij eceu.

– Você se lem bra de ter ido até lá?

– Não.

– Então, com o você pode se lem brar de ter pegado o carro

em prestado?

Ele puxou a carteira do bolso e tirou dali um papel.

– O recibo de um posto em Huntington. Coloquei 43 dólares de

gasolina às cinco horas daquela tarde. Nenhum recibo de pedágio da

MassPike, m as a entrada ficava a um quilôm etro e m eio a leste pela

avenida.

– E você não se lem bra de onde você foi?

– Não. – O m edo fez Zack trem er com o se tivesse um a bola de gelo

dentro do peito.

Eles ficaram em silêncio por um longo tem po, enquanto Sarah olhava

para ele, provavelm ente, tem endo por sua própria segurança, ele pensou.

Então, ela disse:

– Mas isso significa que você precisaria ter investigado o cara, onde

m orava, trabalhava, o que estava fazendo naquela noite. Um m onte de

incógnitas.

Ele balançou a cabeça, concordando.

– Você se lem bra de ter tentado descobrir qualquer um a dessas

coisas?

– Não – disse ele. – Mas, às vezes, eu acordo no m eio da noite diante

do com putador e não m e lem bro de ter ido até lá.

– Sonam bulism o. Você sem pre foi sonâm bulo?

– Não até recentem ente. – Ele tom ou o resto do leite, que não surtira

efeito em acalm á-lo. – Ele trabalhava na Sears da região. Talvez eu tenha

ligado e obtido inform ações com um colega de trabalho. – Mesm o quando

disse isso, nada dentro dele deu um ‚clique', dizendo-lhe que algo assim

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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poderia realm ente ter acontecido.

Sarah não disse nada. Parecia assustada.

Ele pegou o obituário de Celia Gretch, a corredora. Fora atropelada

em um a estrada rural em Reading, a 24,5 quilôm etros ao norte de Boston,

na tarde de 25 de j unho, no m esm o dia em que Volker fora encontrado m orto em sua garagem .

– Dam ian não teria m encionado danos ao carro dele?

– Não, se ela foi derrubada.

– Mas ela m orreu ao ser atropelada.

– Ela m orreu ao ser esm agada debaixo das rodas.

Os olhos dela estavam arregalados de m edo.

– Então, o que significa tudo isso?

– Isso significa que eu não tenho álibi para três assassinatos que eu vi

eu m esm o com eter.

Sarah retrocedeu até a pia da cozinha, com os braços cruzados sobre o

peito, em atitude defensiva.

– Você está m e assustando, Zack.

– Eu estou m e assustando.

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Roman chegou ao confessionário no começo da manhã. Havia telefonado duas

noites antes pelo celular seguro e insistira para que eles se encontrassem .

O Padre X não ficou satisfeito, m as concordou quando Rom an disse que

tinha algo im portante a propor.

A igrej a estava vazia quando Rom an sentou-se dentro da cabine. Às dez em ponto, o Padre X entrou do outro lado.

– Deus estej a com você, m eu filho. Você fez um bom trabalho.

– Obrigado.

– Então, o que quer m e propor?

– Quero propor-lhe cortarm os esse papo-furado de padre e filho e

falarm os a verdade.

– Com o disse?

Rom an atravessou a treliça com o punho. Agarrou o hom em e

esprem eu o rosto dele contra a j anela.

– Você é tão padre quanto eu. Você é Norm an Babcock, e eu quero

saber que diabos é isso tudo.

O hom em deixou escapar um grunhido involuntário, enquanto sua

cabeça careca e gorda ficava verm elha com o um tom ate m aduro.

– Não estou em um a m issão para a Igrej a. Você m e contratou para

resolver algum as coisinhas pessoais.

– O quê? Isso não é verdade.

– Então diga logo que diabos está acontecendo ou eu vou bater em

você até parar de se m exer.

– Por favor, abaixe a voz.

Com a outra m ão, Rom an sacou sua arm a e enfiou o cano com o

silenciador através da j anela.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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– Está m elhor assim ?

– Meu Deus, não. Por favor.

Rom an puxou com m ais força a cam isa de Babcock.

– Então diga-m e por que você quer que essas pessoas m orram .

– Ok, ok.

Rom an puxou o colarinho branco da cam isa de Babcock e o j ogou em

cim a dele.

– C… com o você sabe...?

– Com o eu sei que você é Babcock? ‚Capangas de Satanás',

‚m arionetes do dem ônio'. Suas frases de estim ação estão por todo o seu

site.

Norm an olhou para o silenciador encostado em seu peito.

– O que você quer?

– Quero saber por que eu estou m atando essas pessoas. E não m e

venha com essa história para boi dorm ir de m issão para a Igrej a. – Rom an

teria gostado de estrangular aquele filho da m ãe gordo até a m orte por pura

raiva: raiva por ter sido usado por Babcock, raiva de si m esm o por quase

ter sido enganado. Por querer acreditar que estava em um a m issão genuína

para elim inar os inim igos da cristandade e, ao fazê-lo, abrir cam inho para o

céu.

– Você está em um a m issão para a Igrej a. Para o Senhor Jesus Cristo.

– Eles são um grupo de m alditos m édicos e nerds de com putador.

Babcock hesitou, provavelm ente se perguntando quanto Rom an sabia.

Ele havia sido contratado para m atar, e não para questionar o m otivo.

– Sim , e o que eles estão fazendo é ruim .

– Eles estão pesquisando experiências de quase m orte.

– Então você descobriu. Mas você sabe o que eles estão tentando

fazer?

– Eu li o seu site.

– Eles estão com etendo um a blasfêm ia. Estão violando a ordem de

Deus para não praticar a adivinhação. E é isso que a pesquisa deles é:

violação da Palavra de Deus.

O site de Babcock na Web era um discurso sem fim contra as

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

experiências de quase m orte – ‚a Grande Mentira Cósm ica', outra de suas

frases favoritas.

– Então, algum as pessoas dizem que veem entes queridos falecidos.

Qual é o problem a disso?

– Qual é o problem a disso? As cobaias são inocentes. Os que

conduzem os testes é que estão violando a proibição de Deus, levando as

pessoas a acreditar que estão encontrando seres de luz, vislum brando o

céu. Mas isso são enganações, m aquinações de Satanás...

Rom an bufou.

– Tá, tá. Eu li tudo isso.

– Então você tam bém sabe que detê-los é um a m issão sagrada para o

Senhor e para a Igrej a.

No fundo de seu coração, Rom an queria acreditar nele.

– Mas essa m issão não é sancionada pela Igrej a. É coisa sua e de seus

Am igos de Jesus.

– Não. A Fraternidade de Jesus é dedicada à crença de que todos os

m em bros da Igrej a são cham ados à santidade; um a vida de dedicação à

obra de Deus. E lutar contra os inim igos de Deus é a m aior das m issões e

um a aspiração à santidade.

Rom an riu.

– Então, se eu continuar a fazer o que estou fazendo, vão fazer de

m im um santo?

– Eu não disse isso. Seu trabalho em defesa da Igrej a é um a m issão

abençoada. A história vai decidir se o seu sucesso é digno de santidade.

Mas isso não é um acerto de contas pessoal.

Nada nos m odos de Babcock sugeria que ele não acreditava em suas

próprias palavras. E ele havia gastado 45 m il dólares no que dizia acreditar.

Rom an puxou a pistola para fora da j anela arrom bada entre eles.

– Qual é a sua bronca com Warren Gladstone? E não banque o idiota

com igo. Seus ataques violentos contra ele estão em toda a Internet.

– Acho que ele está por trás do proj eto EQM.

– Quer dizer que ele está bancando tudo?

– Sim . E j ogando seu peso m oral por trás disso. Ele é um m inistro

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evangélico desgraçado que está tentando voltar para o centro das atenções.

– Por que não elim iná-lo, então?

– Ele não é im portante, a m enos que tenha a sua assim cham ada

prova. A m elhor estratégia é expô-lo: ‚o rei está nu!' Além disso, se o

elim inássem os, correríam os o risco de fazer dele um m ártir, o que seria

contraproducente.

– Tudo bem – disse Rom an. – Então, por que aquele garoto m ilagroso

é tão im portante?

– Que garoto?

– Zachary Kashian.

Babcock não se esforçou para disfarçar a expressão do seu rosto ou

fingir ignorância.

– O que eles estão fazendo é convertê-lo em um j oguete de Satanás,

para exibi-lo perante o m undo com o prova de que encontraram vida após a

m orte. É a grande ilusão deles: a Ciência descobre Deus.

– Será que o garoto sabe o que está fazendo?

– Não, m as eles o estão condicionando a canalizar o diabo.

– Mas ele citou Jesus quando estava em com a.

– Aquilo não era Jesus. Era Satanás. É assim que funciona. Esse é o

seu m odus operandi: m entir – sussurrou Babcock, com o rosto todo

verm elho. – Esse j ovem tornou-se porta-voz de Satanás, seu canal, e ele

nem ao m enos sabe disso. Pelo m enos, ainda não.

– O que quer dizer com ‚ainda não'?

– Quando ele com eçar a agir por conta própria, vai cum prir sua

m issão.

– Que m issão?

– Trazer para a terra o Anticristo.

– Você deve estar brincando.

Babcock m eteu o rosto no buraco irregular aberto pelo punho de

Rom an. Sua face era redonda, carnuda e ardente.

– Eu tenho cara de quem está brincando, senhor Pace? Ele é a arm a

secreta deles.

– Com o você sabe de tudo isso?

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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– Tem os os nossos contatos.

A despeito de si m esm o, um a faísca elétrica no peito de Rom an

originou-se em algo próxim o à convicção. Talvez fosse um a ilusão, m as

Rom an com eçou a se contentar com aquele estranho consolo.

– Vocês vão querer que eu vá atrás dele?

– Ainda não. Eles podem se autodestruir antes de se chegar a isso.

– Com o assim ?

– Só os m ais próxim os do proj eto sabem quem está sendo elim inado.

Ou eles entendem a m ensagem e param ou vão em frente. De qualquer

m aneira, falharão. E será um cam inho sem volta.

Com o Rom an não entendeu o que ele quis dizer, ele perm aneceu em

silêncio.

– Mas você terá notícias nossas no devido tem po.

– Enquanto isso...?

– Enquanto isso, não faça nada além de orar por sua alm a.

Rom an guardou a arm a no coldre de om bro e puxou sua j aqueta para a

frente. Fez um sinal de aquiescência para Babcock e deixou a cabine. A

igrej a ainda estava vazia.

Em vez de sair, parou no final da nave e olhou para dentro da igrej a.

Com o o dia estava parcialm ente nublado, os vitrais coloridos filtravam a

luz de m odo disperso, salpicando o chão de verm elho, verde, azul e

dourado.

Ergueu os olhos do chão de pedra e seguiu a direção induzida pela

arquitetura: o círculo de luz colorida sobre o altar e dali para o alto, o teto

abobadado. As pessoas que proj etavam aquelas igrej as sabiam o que

estavam fazendo, Rom an pensou. Os olhos eram atraídos do chão de pedra

– da fria e m ortal terra – para o céu.

Rom an adm irou as cores e a arte, m as não sentia a presença de Deus.

Nem estava certo de com o seria isso. Mas, estando lá, podia sentir algo

superior a si m esm o. E isso o fez sentir-se bem . Com o tam bém o fizera

sentir-se bem a reafirm ação de que estava em um a m issão. Sabia que não

estava nele se tornar um paroquiano assíduo. Não gostava de m ultidões.

Não gostava de pessoas. Era divorciado, sem filhos e tinha poucos am igos.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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Assim , não podia se im aginar sentado em bancos lotados com alguém no

púlpito falando em latim . Aquilo nada tinha a ver com ele. Seu

relacionam ento com Deus era estritam ente particular.

Molhou os dedos na água benta e benzeu-se.

Obrigado.

Então, saiu da igrej a, para a incerta luz do sol, rem oendo dois

pensam entos em seu cérebro.

Prim eiro, que o reverendo Warren Gladstone era um financiador.

Segundo, que um sim ples garoto de faculdade podia estar atiçando o

céu contra o inferno.

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Eram quase três da manhã, e Zack e Sarah ainda estavam sentados no

apartam ento dele, os obituários em pilhados em cim a da m esa da cozinha

entre os dois.

– Há outra possibilidade – disse ele.

– Qual?

– Que eu tenha atravessado e m e ligado a algo m au do outro lado.

– Mau? Sobrenatural?

Ele balançou a cabeça, confirm ando.

– Sarah, m inha m ente parece que foi violada, com o se eu estivesse

fisicam ente ligado a um assassino psicopata.

– Mas isso é im possível.

– É? Vocês todos disseram que experim entei transcendência, não foi?

– Sim , clinicam ente. Mas...

– E o m eu sangue m ostrou picos de raiva?

– Bem , a adrenalina...

– E que eu m e fundi com outra m ente?

– Possivelm ente.

– E se a outra m ente for o m eu pai m orto?

– O quê?

– Eu sei que parece loucura – disse ele. – Mas e se eu tiver

atravessado e liberado o espírito dele, sedento de vingança, e ele tiver ido

atrás daqueles filhos da m ãe? E, de algum a form a, nossas m entes podem

ter se unido. Venho sentindo a presença dele desde o prim eiro dia no laboratório.

– Você quer dizer que o fantasm a dele pode ter voltado e m atado

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

aquelas pessoas?

– Tem um a explicação m elhor?

– Não. Mas eu não acredito em fantasm as.

– Nem eu acreditava, m as, agora, estou com m edo deles.

– Zack, m esm o que os fantasm as existam , eu duvido que eles possam

dom inar um levantador de peso ou dirigir um carro.

– Se não fui eu m esm o quem fez isso, então, que diabos eu estou

sintonizando?

– Eu não sei, m as não acredito que você tenha m atado alguém .

– Isso é um alívio. – Ela não quis nada, m as Zack foi até a geladeira

pegar m ais um copo de leite. Leite, pensou, enquanto olhava para o

vidro. Tão inocente e com um . Não fazia m uito tem po, sua própria vida

tam bém era inocente e com um . – Então, se não era eu, caram ba, com o foi

que eu vi esses assassinatos?

– Eu não sei. Nem ao m enos posso explicar a transcendência, e todas

as m edições dizem que sua m ente deixou seu cérebro. Mas não consigo

explicar com o.

Zack tom ou um gole de leite.

– Eu m e sinto com o aquele m enino de O sexto sentido. Ele via gente

m orta. Eu vej o gente m orrer. Seria engraçado se não fosse tão trágico e

real.

Ela pensou por um instante, depois olhou para ele.

– Talvez você tenha tido de fato um a experiência paranorm al. De

verdade.

– Isso funciona em livros e film es, m as com o você explicaria a

telepatia ou a proj eção astral ou sej a lá que diabos for em term os

racionais?

– Isso é algo em que eu estive pensando desde que com ecei. Mas se

você captou a senciência de outra pessoa, teria de ser por m eio de um dos

quatro cam pos de força conhecidos: nuclear, atôm ico, gravitacional ou

eletrom agnético. Os dois prim eiros não contam , o alcance deles é m uito

pequeno. E até onde nós sabem os a gravidade não transporta inform ações.

Só nos restam , então, as ondas eletrom agnéticas.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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– Com o as ondas de luz e de rádio.

– Sim , m as, para captar os pensam entos de alguém a oito quilôm etros

de distância, você precisaria de um a fonte de energia que cozinharia o seu cérebro. E Gretch estava em Connecticut.

– Então, com o você explica isso?

– Eu não posso, m as Elizabeth diria que você experim entou o

sobrenatural.

– Mas o que você acha?

Ela balançou a cabeça negativam ente.

– Eu ainda sou um a cética. Ou se trata de um m eio desconhecido,

algo que nunca vim os antes, ou estam os falhando em algum a coisa no

diagnóstico. Não fique anim ado, m as só conseguiríam os saber com certeza

realizando m ais sessões.

– Bem , isso não vai acontecer.

– Não posso culpá-lo por isso.

– Mas e se ela estiver certa? E se houver outro nível de consciência do

qual os m ísticos sem pre falaram ? Algum tipo de lago m ental do qual

bebi... – Ele term inou o leite e cam inhou até a pia. – Minha cabeça parece

assom brada. E tem sido assim desde que com ecei esses m alditos testes.

– Você j á teve... hum ... experiências psíquicas antes?

Ele podia perceber o tom de cautela na voz dela.

– Um a vez. – E Zack contou a ela sobre a noite no Foxwoods Resort

Casino.

– Por que você nunca m e contou isso?

– Porque pensei que não fosse nada m ais do que um a coincidência

estranha.

– Eu não sei. Talvez você tenha feito um a conexão anorm al ou algo assim . Isso é algo que você deveria ter dito a Elizabeth e Morris.

– Elizabeth e Morris j á causaram bastante dano. – Ele foi até a m esa,

apanhou alguns papéis e entregou-os a ela. – Três m oradores de rua foram

encontrados m ortos com tetrodotoxina na corrente sanguínea, ao longo dos

últim os dois anos. – Ele se serviu de outro copo de leite e aqueceu-o no

m icro-ondas, enquanto ela lia os artigos. – Todos eles tiveram m ortes

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

bizarras. Um cara foi m orto m isericordiosam ente com um taco de

beisebol. Outro atirou-se debaixo de um cam inhão. Um a m ulher m artelou

um a chave de fenda em seu cérebro através do ouvido.

– O quê?

– De acordo com am igos, todos eles se queixavam de dores de cabeça

e de ter visões ruins. Um rapaz afirm ou que estava possuído por dem ônios.

Outro disse que insetos estavam com endo o seu cérebro. Sej a com o for,

foram torturados até a m orte por causa de suas sessões.

Sarah continuou a ler.

– O elem ento de ligação é que todos tinham tetrodotoxina no corpo.

Nada que a polícia j á tivesse visto.

– Porque é um a droga experim ental.

– Aí é que está.

O rosto dela se anuviou.

– Todos os nossos m edicam entos estão guardados a sete chaves, e

nunca tivem os um arrom bam ento. Ao m enos, não desde que estou lá.

– Acho que eles eram os voluntários dos testes antes de você chegar.

– De j eito nenhum . Se os voluntários tivessem se queixado de algum

efeito colateral, eles teriam parado os testes. Além disso, os voluntários

vinham de faculdades locais, não de abrigos.

– Mas você só está lá há alguns m eses.

– E daí?

Ele virou um dos artigos para ela.

– O cara que se j ogou debaixo de um cam inhão tinha um am igo que

disse que ele com eçou a se queixar do ruído de besouros e de um a terrível

dor de cabeça depois que um cientista se ofereceu para pagar por testes do

sono.

Sarah leu o que ele apontou.

– Isso não quer dizer que tenha sido nós.

– Quantos laboratórios você acha que existem fazendo testes do sono

usando tetrodotoxina?

Ela olhou para o papel.

– Não acredito nisso.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

a

– Diga-m e um a coisa. Desde que você com eçou, quantos voluntários

você apagou?

– Não sei, talvez quinze de cada cem entrevistados.

– Você sabe quantos foram desde que com eçaram ?

– Nunca verifiquei os registros.

– Você deveria, porque acho que vai encontrar um m onte de

estrangeiros ilegais e nom es falsos.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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65

Sarah saiu, dizendo que a primeira coisa que iria fazer pela manhã seria ir até

o laboratório para verificar os registros.

Enquanto isso, Zack tom ou dois com prim idos para dorm ir e apagou a

luz, esperando forçar a m ente a parar de especular sobre as hediondas

opções. Com o Sarah, ele não acreditava em fantasm as. E se recusava a

aceitar a insanidade ou a possibilidade de que houvesse assassinado três

pessoas e reprim ido os atos da m em ória consciente. Tirando isso, restava,

então, ter cruzado com algum a percepção psíquica – algum a senciência

alheia à sua que havia deixado em sua m ente a sensação de ter sido

contam inada.

Após vários m inutos, deslizou para um crepúsculo sonolento,

sentindo-se desvanecendo em um vazio sem sonhos. Não sabia se, no

início, estava im aginando, m as pensou ter ouvido algum a coisa do lado de

fora do quarto.

Seu prim eiro pensam ento foi Sarah. Talvez ela houvesse esquecido

algum a coisa. Ou, talvez, o carro dela não estivesse pegando. Ele cham ou

o nom e dela. Nada. Então, ao estender a m ão para acender a luz,

um flashbrilhante passou em seus olhos e um a m ão com prim iu

firm em ente um a toalha branca contra o seu rosto.

Enquanto se debatia contra a pressão, vapores quím icos agressivos

encheram a sua cabeça. Clorofórm io. Reconheceu o odor. Ele tam bém

reconheceu o hom em careca que pressionava o corpo contra o dele, com a

toalha sufocando seu rosto.

Mas, antes que pudesse associar a im agem à pessoa, sua m ente

m ergulhou na escuridão.

Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.

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– Ele está acordando. – Um a voz m asculina.

Zack apertou os olhos contra a luz brilhante. O céu, pensou ele. Céu

branco brilhante.

Mas, então, o painel texturizado e translúcido que recobria as luzes fluorescentes no teto do laboratório tom ou form a. Ele tentou se m over,

Continuar: parte 2 de 3