Visões da Morte
– Não sei o que dizer –…
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 2 partes.
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– Não sei o que dizer – Sarah falou enquanto dirigia para levá-lo em casa.
– A sua experiência foi a prim eira que chegou perto de um a possível
transcendência.
– E quanto a todos os outros voluntários?
– Eu só estou no proj eto há poucos m eses.
– Mas você deve ter visto os registros.
– Pouca coisa, e nada m uito prom issor. Apenas um a ou duas eram
possíveis experiências extracorpóreas. Mas incidentes isolados, sem
repetições com o no seu caso.
O que estava longe de ser reconfortante.
– Então, você está m e dizendo que a m inha m ente se separou do m eu
corpo e eu experim entei o atropelam ento daquela m ulher.
– Eu estou dizendo que os dados brutos m ostram um a experiência
m uito intensa. Quanto ao cenário de atropelam ento e fuga, poderia ser algo criado na sua própria cabeça, um sonho-relâm pago.
– E sobre a possibilidade de essas experiências estarem destruindo o
m eu cérebro? Alguém se preocupa com isso? – retrucou. – Que tanta
toxina e tantas paradas cardíacas estej am m e deixando m aluco?
– Você j á teve pesadelos ruins antes, todos nós tem os. Mas você não
perdeu a cabeça por causa deles, não é?
– Então, você está m e dizendo que aquilo pode ter sido um pesadelo
estranho.
– Estou repetindo Morris aqui, m as, sim . Coisas em seu inconsciente
foram ativadas assim que deixou o estado de quase m orte.
Ele não saberia dizer se ela realm ente acreditava naquilo ou estava
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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apenas tentando acalm á-lo.
– Mas você disse que os estím ulos foram registrados em tem po real,
enquanto eu estava apagado.
– Sim . – Ela ficou em silêncio por um m om ento. – Zack, eu realm ente
não tenho um a boa resposta.
– Mas, no m eu lugar, você se subm eteria a outra sessão de quase
m orte?
– Não posso responder a essa pergunta. Depende de quanto essa experiência foi perturbadora para você e de quanto risco está disposto a
correr para passar por outra.
Em um flash, ele viu o pai com sua veste m onástica, parado na
floresta, diante de um a grande rocha. Hora de um a conversa de gente
grande.
– Vou pensar sobre isso.
Quando ela o deixou em casa, ele j á estava se sentindo m ais estável.
Antes de ele descer do carro, ela lhe deu um abraço.
– Quer subir?
– Hoj e, não. Tenho um a tonelada de trabalho.
Ele lhe deu um beij o de despedida e subiu para o seu apartam ento.
Tom ou dois com prim idos para dorm ir e, antes de m ergulhar em um a noite
inteira de sono sem sonhos, novam ente viu o pai com a longa veste
m arrom parado diante de um afloram ento de rocha de grandes
dim ensões. Conversa de gente grande.
No dia seguinte, sexta-feira, ele telefonou à Sarah para dizer que se
subm eteria a outra sessão na próxim a terça-feira. Com o ela estava livre
naquela noite, e Dam ian não precisaria do carro no fim de sem ana, Zack
levou Sarah até a orla m arítim a e fizeram um passeio de balsa no Boston
Harbor.
No fim de sem ana, Zack trabalhou em sua dissertação. Por sugestão
de By ron Cates, ele usou a receita e com prou o antipsicótico Haldol, que
aparentem ente funcionou: nada de sonhos sobre rastej ar na areia. Nada de
visões psicóticas de passar com o carro por cim a de alguém . Nada de flashes repentinos.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Na terça-feira à noite, Sarah o apanhou e o levou para o laboratório.
Todos estavam encantados, especialm ente a doutora Luria, que m al podia
conter seu alívio.
Ele foi preparado e estava pronto para deslizar para dentro da m áquina
de ressonância m agnética. Seu últim o pensam ento foi: Pai, por favor,
estej a lá.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Aquela seria uma noite memorável para Billy – sua vida praticamente
reiniciaria a partir dali. Quebraria o seu recorde pessoal.
Ele havia convertido a garagem em um a academ ia particular,
acrescentando um rack de pesos e dois bancos, um inclinado, e outro reto.
Tam bém tinha um a m áquina usada Cy bex para as costas e os om bros.
Ele ainda estava m atriculado na academ ia local, m as gostava de ter o seu próprio espaço de treino onde podia executar suas séries sem um
m onte de outras pessoas ao redor. Na verdade, preferia se exercitar
sozinho. Com o sua esposa fora visitar os pais em Albany , tinha o lugar
todinho para si e podia puxar ferro com toda paz e sossego. Esperava
naquela noite elevar seu desem penho no banco supino a um novo
patam ar.
Billy estava orgulhoso com o desenvolvim ento de seu tronco. Estava
levantando 18 kg na rosca direta e 30 kg no encolhim ento de om bros. Mas
ele tinha de trabalhar seu peito. Queria peitorais m aiores, esculpidos,
com o de alguns atletas e de estrelas de cinem a. E poderia obtê-los com o
supino regular, aum entando ao m áxim o, o que significava identificar a
parte m ais fraca no desenvolvim ento do peito e concentrar-se nela.
Sua parte m ais fraca era a elevação do peso do peito, de m odo que ele
se concentrava em levantar a barra não m ais que quinze centím etros. Os
vídeos de exercícios recom endavam ir devagar, trazendo a barra na fase
negativa até o final, e não trapacear estufando os peitorais. Seu obj etivo
era ficar com o corpo sarado para a praia, agora que o verão estava
chegando. Seu tio favorito era um advogado que tinha um a casa em
Martha’s Viney ard, onde ele e sua esposa passavam um a sem ana todos os
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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anos, em j ulho.
Ele fez um aquecim ento com 100 kg, com pletando três séries com
bastante facilidade. Após um descanso e um pouco de água, fez um a série
com 118 kg, que correu bem , e ele sentia-se forte. Tão forte que colocou
m ais um peso em cada extrem idade da barra, elevando o total para 126 kg
– 8 quilos acim a do seu m áxim o. Sim , ele estava erguendo aquele peso,
m as tudo o que queria era um levantam ento total para quebrar seu
recorde.
Ele plantou os pés firm em ente de cada lado do banco e, em seguida,
levantou os braços e agarrou a barra que descansava no suporte. Era o
m aior peso que j á havia levantado, e estava ciente do esforço para m antê-lo
no alto com os braços esticados. Muito do fisiculturism o estava na cabeça,
na força de vontade. O truque era focar totalm ente no m om ento e se
concentrar nos m úsculos específicos para chegar ao próxim o nível.
Para isso, desligou o telefone celular, dim inuiu as luzes e inseriu
tam pões de ouvido para bloquear o barulho de carros subindo a rua, cães
latindo, aviões passando. Então, enquanto estava ali deitado no banco,
segurando a barra, ele se concentrou com o um laser nos seus peitorais,
deixando de lado todo o resto até ele próprio se tornar apenas aqueles
m úsculos.
Fechou os olhos em concentração total, sentindo os braços se
estenderem , os peitorais se enrij ecendo. Com o os vídeos de treinam ento
aconselhavam , ele im aginou um Billy m ais forte, m ais poderoso. Im aginou-
se deixando o próprio corpo e entrando em seu corpo ideal.
Enquanto m antinha os olhos bem fechados, Billy pensava: Forte.
Poderoso. E: Eu posso fazer isso. Sou todo m úsculos.
Aj ustou o aperto de suas m ãos na barra até sentir-se totalm ente
confortável. Ergueu a barra do suporte sobre o rosto, sentindo o esforço
com pleto; depois, baixou-a para o peito, onde a deixou descansar um
pouco.
Quando estava totalm ente decidido, usou toda a sua força para
levantar a barra por com pleto, com total extensão dos braços, onde os seus
ossos a m anteriam no lugar. Seus braços trem iam enquanto o sangue
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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inchava seus braços e om bros e dilatava as artérias nas laterais do pescoço.
Assim que ele atingiu a posição alm ej ada, um a voz atravessou seus
tam pões de ouvido.
– Billy .
Seus olhos se abriram enquanto o coração quase explodia em seu
peito.
Na penum bra, viu um reflexo na parede espelhada à sua frente, um
vulto escuro parado bem atrás de sua cabeça. O qu... o qu..., foi tudo o
que Billy conseguiu dizer.
Então, ouviu um a voz sussurrante m urm urando algo m ais.
Mas, antes que conseguisse entender, seus braços caíram para os
lados, a barra desabou sobre o cavalete de seu nariz e nos olhos e, em
seguida, rolou por seu rosto, indo parar na depressão m acia de seu
pescoço.
Tudo aconteceu num a rapidez tão violenta que ele m al conseguiu
processar que a barra estava esm agando sua traqueia, pressionando-o
im placavelm ente na direção do chão, interrom pendo de im ediato o fluxo
de ar para os pulm ões e de sangue para o cérebro.
Billy não conseguia gritar. Não conseguia enxergar, pois o sangue
inundava as órbitas oculares. Não conseguia respirar.
Debateu-se, agitando os braços e os quadris, m as era im possível lutar
contra o descom unal peso da barra em sua garganta, prendendo-o ao
banco. E quanto m ais ele se debatia, m ais seu cérebro esm aecia e a força
escoava de seus m úsculos.
Num m icrossegundo de consciência, tentou ver o rosto de seu
assassino, m as nem ao m enos tinha certeza de que havia de fato alguém lá
ou de que a figura estava apenas em sua cabeça. Não fazia diferença,
porque a noite tom ou conta do seu cérebro e, no m om ento seguinte, ele
estava m orto.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Demorou alguns minutos para Zack voltar.
Deram -lhe um a inj eção de norepinefrina, m as ele ainda estava preso
em um espaço pequeno e escuro, olhando para o rosto do hom em que ele
havia m atado.
Podia sentir o cheiro do terror em seu hálito, com o lixo queim ado.
Ainda podia ouvir-se pronunciando o nom e do hom em . Ainda podia sentir
suas m ãos segurando firm em ente as extrem idades da barra, enquanto as
m ãos do hom em , dobradas para trás, tentavam inutilm ente afastar a barra
de sua garganta.
Zack focou nos olhos do hom em , saltados com o ovos de galinha nas
cavidades ósseas irregulares. Quanto m ais o hom em se esforçava, m ais a
pressão hidrostática do sangue fazia o sangue j orrar das órbitas e narinas,
m isturando-se com catarro. Seus lábios se m oviam , com o se dissesse
algum a coisa, m as não havia som algum , apenas o sapatear de seus pés
contra o chão, enquanto se debatia nos estertores da m orte.
Zack observou-o se sacudindo e chutando até que todo m ovim ento
cessou e a boca do hom em afrouxou, deixando escorrer um fio de saliva
verm elha que pingava no chão, enquanto a língua pendia m ole por entre os
dentes ensanguentados, parecendo um a lesm a.
Zack fez um a com pressão final com todo o peso do corpo sobre a barra
e com sinistra satisfação observou o hom em m orrer, seu últim o suspiro
sufocado em um gorgolej o profundo na garganta esm agada, o sangue
escorrendo do sulco dos olhos e do nariz, form ando um a poça no chão. Zack, que estava deitado na m aca, sentou-se de repente e olhou ao
redor da sala; seus olhos se em bebedaram daquela lum inosidade
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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fluorescente para lavar as horríveis im agens de sua cabeça.
Quatro rostos o encaravam : Sarah, Luria, Stern e Cates.
– Você está bem ? – alguém perguntou, talvez Sarah. – O que
aconteceu?
Ele olhou para as próprias m ãos, ainda congeladas em form a de garras,
em torno da barra de halteres que j á não estava lá. Ele balançou a cabeça,
m as não conseguiu responder.
– Você ainda está acordando – disse Luria.
Zack esfregou os olhos. Um horror caudaloso preenchia sua cabeça,
com o se tivesse acabado de voltar da cena de um assassinato. Um
que ele com etera.
Deitou-se na m aca. Suas m ãos trem iam incontrolavelm ente. Podia ver
a preocupação no rosto da doutora Luria. Queria dizer que estava tudo
bem , m as sentia que a qualquer m om ento iria desabar.
Olhou para o m onitor de frequência cardíaca: 138 batim entos por
m inuto. Sua pressão sanguínea estava registrando 10 por 18. O aparelho
de ECG oscilava com o louco.
– Dê-lhe um tem po para se acalm ar – disse Stern.
Zack fechou os olhos novam ente e recitou as casas decim ais do
núm ero pi até cinquenta e, em seguida, com eçou de novo. Recitou
m entalm ente letras de canções, o Discurso de Getty sburg, que havia
m em orizado na quinta série, o Juram ento de Lealdade à República e à
Bandeira dos Estados Unidos, estrofes de O corvo, de Edgar Allan Poe.
– Ele está desacelerando – By ron Cates anunciou, depois de alguns
m inutos. – Pressão 9 por 14. Pulso 92.
Alguns m inutos depois, ele se sentia m ais calm o, m ais centrado. Abriu
os olhos. Sarah estava ao seu lado. Ela pegou a m ão dele.
– Zack, o que aconteceu?
Ele encheu os pulm ões de ar e, então, deixou-o sair lentam ente.
Sentou-se outra vez. Luria e Stern o encaravam do outro lado da m aca.
By ron Cates o observava do com putador.
– O que foi? – Sarah perguntou.
Bad trip.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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– Ainda estou grogue.
– Não se apresse – a doutora Luria disse. – Você consegue se lem brar
de algum a coisa?
Ele balançou a cabeça, tentando aparentar neutralidade em seu rosto,
sob o bom bardeio daquelas im agens.
– Nada. Zero.
A doutora Luria aproxim ou-se dele.
– Zack, conte-m e o que você experim entou.
Ele balançou a cabeça novam ente. Não queria colocar aquilo em
palavras. Não queria fixar aquilo em im agens por m edo de assom brar seu
cérebro perm anentem ente com elas. Só queria ir para casa e m ergulhar em
um sono profundo.
– Quero ir em bora.
– Ok, tudo bem – disse Sarah.
Mas Luria se introm eteu.
– Dentro de instantes. – Lançou um olhar fulm inante para Sarah e,
em seguida, serviu-se de um a xícara de café puro. Tom ou um gole
enquanto estudava Zack e, então, clicou no m onitor acim a e m oveu o
m ouse até que um a im agem do cérebro de Zack encheu a tela. Apertou
algum as teclas e exibiu as im agens da atividade neural a partir do
m om ento em que ele apagou até ser despertado.
Sarah pegou um a garrafa de água para Zack enquanto ele esperava.
Um zum bido estranho na parte frontal de seu cérebro estava lhe criando
um a sensação de vertigem .
– Eu gostaria de ir em bora.
– Você atravessou. – As palavras da doutora Luria foram quase
inaudíveis. – Desta vez, tem os certeza.
– O quê? – Ele olhou para Stern. – É m esm o?
Stern respirou fundo e deixou o ar sair lentam ente.
– O que eu posso dizer é que há paridade com as últim as sessões, m as
com intensidade m aior. A atividade em grupos de neurônios de seus lobos
frontal e parietal não parece relacionada com a atividade neuroelétrica
inconsciente.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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– O que isso quer dizer?
– Pode ser um fato inédito – disse Stern –, m as parece que a sua
consciência separou-se do seu cérebro.
– Um a experiência de quase m orte.
– Sim , m as há dados anôm alos que precisam os analisar por m eio dos
algoritm os.
Zack estava zonzo dem ais para processar por com pleto a inform ação.
– Você se lem bra de algo m ais específico que tenha ocorrido enquanto
você estava apagado? Qualquer noção de lugar ou de quem estava com
você ou do que você estava fazendo?
– Não. – A sensação de desconforto de Zack estava piorando. Ele
deslizou para fora da m aca, foi para trás do biom bo e trocou de roupa. –
Ou alguém m e leva para casa ou vou cham ar um táxi.
– Eu levo – disse Sarah.
Algo atravessou o rosto de Luria.
– Está certo. Vou ligar para você dentro de poucos dias, Zack.
– E enfiou um cheque no bolso da cam isa dele.
A m ulher era im placável, m as Zack não disse coisa algum a e saiu com
Sarah.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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– Eu matei um homem.
– O quê?
– Na sessão, fui parar na academ ia de treino de um cara e o sufoquei
até a m orte com um a barra de haltere.
Passava um pouco das onze da noite, e Sarah estava dirigindo pela
pista norte da Rota 128.
– Por que você não contou isso lá?
– Porque Luria teria m e alugado com perguntas o resto da noite.
– Mas o obj etivo é exatam ente este: descobrir o que você
experim entou.
– Só que eu não vou fazer m ais isso.
– Foi tão ruim assim ?
– Sim , e tão real com o estar andando neste carro agora. O que m e
assusta é o que eu sentia. Um a raiva vulcânica. Eu queria esprem er a vida
para fora do cara. Ainda posso sentir isso. E não tenho a m enor ideia de
quem ele é.
– Que coisa horrível!
– E tam bém é a segunda vez que acontece. Tam pouco conhecia
aquela m ulher, não faço a m ínim a ideia de quem sej a. Mas eu queria
m atá-la tam bém .
– Não sei o que dizer.
– E tem outra coisa. Não foram experiências extracorpóreas
‚flutuantes', com um a perspectiva aérea. Minhas m ãos realm ente estavam
naquela m aldita barra, vi o rosto do cara m e olhando de cabeça para baixo
porque eu estava por trás dele. Eu o vi m orrer de perto e do m eu ponto de
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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vista: o ponto de vista do assassino. O m esm o com a m ulher. Eu olhei nos
olhos dela, depois j oguei o carro sobre ela. O que diabos aconteceu?
– Eu não sei, m as agora estou ficando com m edo.
– Sim , e eu atravessei túneis suficientes para o resto da m inha vida –
disse Zack. – Não estou tão desesperado por dinheiro a esse ponto.
Sarah pôs a m ão na perna dele.
– Eu entendo. Vou dizer a Elizabeth.
– Vou ligar e explicar eu m esm o. Sinto m uito se isso estraga a sua
pesquisa, m as eu não posso continuar por aí m e perguntando se eu sou um
assassino.
Ou pior.
Zack não acreditava no sobrenatural. Não acreditava em vida após a
m orte. Não acreditava em espíritos, fantasm as, percepção extrassensorial
ou outros fenôm enos paranorm ais. Para ele, m ilagres eram apenas boa
sorte, com o a que ele teve, por acordar do com a. Tudo m ais era fantasia,
im pulsionada pela ignorância, incluindo bons palpites de pôquer, logotipos
de root beer e recitar frases de Jesus. Mas estava com eçando a se
perguntar se talvez não houvesse realm ente atravessado e esbarrado na
psique de algum m aníaco hom icida.
Por favor, faça com que haj a um a explicação m ais racional para isso.
– Talvez sej a apenas um a reação ruim à anestesia – disse ele. – Isso é
possível, não é?
– Sim , é possível.
Sarah m anteve os olhos na pista, m as, à luz bruxuleante do tráfego,
Zack podia perceber que ela não estava convencida. Após alguns instantes,
ele disse:
– Sarah, o que está passando pela sua cabeça? E, por favor, não m inta
para m im .
Ela continuou dirigindo sem responder. Então, disse:
– Eu não entendo, m as pela atividade neurológica e pelo exam e contínuo do seu sangue, o que você experim entou aconteceu em tem po
real.
– O quê?
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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– Não foi um sonho-relâm pago, pouco antes de acordar.
– Você quer dizer um a experiência extracorpórea.
Ela assentiu com a cabeça.
– Essa é um a das possibilidades que irem os exam inar... de que você
tenha encontrado outra consciência.
Outra consciência. Zack sentiu um calafrio percorrer o seu corpo.
– Jesus!
– Eu sei que você não quer m esm o passar por outra sessão. Eu
realm ente sei disso.
– Não quero.
Ela olhou para ele.
– Mas esta pode ser a única m aneira de descobrir o que está
acontecendo.
– A única m aneira de eu não acabar com as suas chances de publicar
um artigo sobre a experiência, você quer dizer.
Sarah explodiu instantaneam ente:
– Essa não é a m inha m otivação, Zack. Não estou nessa para ser
publicada. Este é um território virgem , e é por isso que estou aqui,
caram ba.
Rodaram em silêncio por alguns m om entos.
– Desculpe.
– Está desculpado.
Passava um pouco da m eia-noite quando ele entrou em seu
apartam ento. Estava exausto e ansioso, e tem endo ir para a cam a e ser
assaltado por m ais flashes hom icidas. Mas Luria tinha razão. Aquilo não
parecia um sonho, era m uito m ais intenso do que as visões da praia. Era
perturbadoram ente real e cru, e ele tem ia que tudo voltasse assim que ele
adorm ecesse. Por isso, obrigou-se a ficar acordado.
Seu cérebro estava m uito cansado para que pudesse trabalhar em sua
dissertação ou ler. Então, ligou a televisão e tentou se distrair com o
program a do David Letterm an. Mas, cada vez que a câm era focava no
rosto de alguém , seu cérebro tropeçava em flashes dos olhos do cara
saltando do rosto ensanguentado e destruído. Ainda podia sentir tam bém
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
os dedos com o garras em torno da barra, forçando para baixo contra a
traqueia dele. Fora horrível, com o se o seu cérebro tivesse sido infectado por algum m iasm a psíquico.
Pior foi a fúria desconhecida que o dom inou enquanto o cara se
debatia e esperneava. Ele havia assassinado o hom em com satisfação. E ao
m esm o tem po em que não fazia ideia de quem ele era, logo abaixo do
lim iar da consciência, sentiu um a fam iliaridade perturbadora. Mas nada
que pudesse definir.
Vagou pelo apartam ento, indo de um côm odo para o outro. Com o seu
quarto estava um a bagunça, catou as roupas espalhadas e arrum ou a cam a,
caprichando para copiar a m aneira com o aj eitavam os cantos do lençol no
hospital e esticando bem as cobertas. Quando term inou, lim pou a cozinha
e, em seguida, foi para o banheiro, onde lavou a banheira e dobrou as
toalhas. Quando se sentiu sonolento, tom ou um Haldol e um a dose dupla
de Lunesta. Provavelm ente, fora um a coisa idiota m isturar as duas
m edicações, m as ele queria um a noite de esquecim ento.
Com eçou a lavar o rosto, m as, quando olhou para o espelho, foi o
rosto de outro que o encarou. Um gem ido subiu em sua garganta, m as em
um piscar de olhos o rosto do estranho havia ido em bora e em seu lugar
estava seu próprio reflexo, m agro e apavorado.
– Que diabos está acontecendo com igo? – disse ele em voz alta.
O que eles colocaram naquela droga?
O que eles fizeram com o m eu cérebro?
Enxugou o rosto, voltou para a sala e sentou-se diante de seu laptop
para ler seus e-m ails. Havia m ensagens de Dam ian, Anthony , de outros
am igos e um a de sua m ãe. Avisos da universidade e spam . Abriu o m ais recente de Dam ian, que queria saber por onde ele andava e com o o estudo
do sono estava indo. Um de Sarah, desculpando-se pela sessão daquela
noite. Ele apreciou isso. Luria estava obcecada com a intenção de provar
suas teorias e contar ao m undo.
Mas ele não seria m ais sua cobaia.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Roman encontrou uma listagem para Zachary Kashian em um site dedicado a
‚pessoas m ilagrosas'.
Leu um m onte de artigos de j ornal, incluindo ‚Milagre? Vítim a de
Com a Ressuscita dos Mortos', ‚Em com a, ele falou as palavras de Jesus' e
‚Médicos intrigados com o Hom em Milagroso'.
Tam bém leu blogs de pessoas que estiveram à cabeceira de Zack, uns
alegavam enxergar a im agem de Jesus em m anchas na parede ou sentir o
perfum e de rosas da Virgem Maria. Absurdos exem plos de autossugestão,
é claro. Além disso, ninguém sabia qual era a aparência de Jesus nem a
flor favorita de Maria. Entretanto, algum as declarações não podiam ser
desprezadas.
‚Acreditam os que os sinais e prodígios eram evidentes em Zack. Ele
m anifestou feridas inexplicáveis em seu corpo, com o as de Jesus Cristo.
Nas m ãos e nos pés. Um a m arca no flanco. Eu senti a presença de Jesus
naquele quarto.'
Outro afirm ava: ‚São Paulo nos diz que o sofrim ento é a nossa
m aneira de continuar o sofrim ento redentor de Cristo... Eu acredito que
Zachary estava fazendo isso por nós, unindo o seu sofrim ento ao de Cristo,
Nosso Senhor'.
‚Eu vim porque m inha filha tem leucem ia e eu queria que Jesus a
salvasse. Quando entrei no quarto de Zack, senti a presença do Senhor...'
‚Creio que o Senhor falou por interm édio de Zack, dando-nos um
sinal de esperança e m isericórdia. E ele escolheu Zack porque ele estava
debilitado no corpo e em estado de pureza total de espírito. Jesus falou por
interm édio dele. Eu acredito nisso de todo coração.'
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Havia m uitos outros depoim entos com o m esm o teor.
Mas na lista do Google havia outros resultados, respostas m ais
som brias, avisos de que esses fiéis em busca de m ilagres estavam sendo
brutalm ente enganados, e não por ilusões ou autossugestão, m as pelo
próprio Satanás.
‚Lem bre-se da advertência das escrituras, Segunda Epístola aos
Coríntios 11:14: ‘Satanás se disfarça de anj o de luz’. E não nos esqueçam os de que Zachary Kashian é um ateu professo e m em bro da
Sociedade Hum anista Secular de sua universidade.'
‚Estou lhes dizendo que as artim anhas de Satanás são com o um
caleidoscópio: quando o tubo é girado, os m esm os cacos de vidro colorido
form am um novo desenho. Aqueles que afirm am ter visto Jesus no quarto
do rapaz são m arionetes do dem ônio. Não era Jesus ou a Santíssim a
Virgem , m as o próprio Satanás, o grande enganador.'
As palavras soaram fam iliares a Rom an, m as ele considerou-as m eros
ataques religiosos, blá-blá-blá teológico. Da m esm a form a, o nom e do
blogueiro não significava coisa algum a para ele: Norm an Babcock, diretor
da Fraternidade de Jesus.
Mas o que lhe cham ou atenção foi que o rapaz nascera no dia 6 de
j unho de 1986. Fosse Rom an um hom em supersticioso, teria se adm irado
do significado daqueles núm eros: 666. O núm ero da besta.
Por um m om ento, Rom an tam bém se perdeu nas possibilidades do
que teria ocorrido naquele quarto de hospital: se Zachary Kashian
canalizara Jesus Cristo ou o Anticristo. Fosse um a coisa ou outra, talvez
estivesse na hora de conhecer aquele hom em ‚m ilagroso'.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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– Achamos que ele se fundiu com outra mente.
– O quê? O quê? Quem ?
– Não sabem os quem . E não há m aneira de descobrirm os isso – disse
Morris Stern. – Mas estam os certos de que foi um a autêntica fusão.
– Glória, Aleluia – Warren Gladstone disse. – Obrigado, bom Deus.
Obrigado.
Estavam de volta à suíte de Warren no Taj . Morris Stern m anobrou o
m ouse até um a im agem de vídeo da ressonância m agnética do cérebro de
Zack aparecer.
– Aqui estão as im agens da atividade elétrica em sua prim eira EQM.
Você pode perceber distintos padrões de assinatura consistentes com a
análise m atem ática. Agora, olhe para isso. – A próxim a tela m ostrou outras
m anchas pulsantes em sobreposição à prim eira im agem .
– Santo Deus – disse Warren.
Com um a caneta, Stern destacou as novas configurações.
– Estas atividades aqui, aqui e aqui não estavam presentes na EQM
original. São m arcas com pletam ente alheias.
– Nós estam os olhando para a m ente de Deus – declarou Gladstone.
– O m ais provável é que sej a a m ente de outra pessoa.
– Mas do outro lado.
– Isso eu não sei – disse Stern.
Era o m áxim o que ele cederia.
– Por que não Deus?
– Porque não tem os o perfil de Deus em arquivo.
– Mas você está m e dizendo que o garoto estava em com unicação com
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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alguém do outro lado. Então, por que não Deus? Por que a m ente dele não
poderia ter se fundido com a do Senhor? – Warren m al podia se conter.
Stern balançou a cabeça.
– Eu não disse do outro lado.
Elizabeth interrom peu:
– Warren, o que captam os claram ente foi um a presença elétrica
intrusiva im posta à própria atividade dele. É um grande salto declarar um a
fusão com Deus. O m ais provável é que ele tenha se fundido com alguém
j á falecido, o que, ainda assim , é um a coisa notável. Inédita!
– Aleluia.
Warren assistira aos vídeos dos outros voluntários, incluindo vários
j ovens universitários; havia escutado seus relatos de experiências de quase
m orte, alguns tão cheios de detalhes e paixão que ele quase se convenceu.
Ele até perm itira que Luria m ontasse seu laboratório em um a propriedade
do próprio m inistro, que eles tiveram de destruir para instalar o aparelho
de ressonância m agnética. Ele gastara 10 m ilhões de dólares do dinheiro
do m inistério, um investim ento que havia virado alguns diretores do
conselho contra ele. E, depois de todos aqueles anos de despesas e falsas esperanças, depois de tantas varreduras cerebrais e vídeos dos testes de
voluntários, pela prim eira vez Elizabeth Luria e com panhia m ostravam
evidências reais de contato espiritual.
Sim , m ais testes seriam necessários, com o Elizabeth havia dito. Mas
ele esperava extasiado o dia em que poderia pôr as m ãos no Santo Graal e
m ostrar ao m undo que o Senhor Deus Todo-Poderoso existe.
E as possibilidades eram infinitas. Crer j á não seria sim plesm ente um
salto de fé. A m orte j á não seria m ais definitiva. Ele teria em suas m ãos a
prova das coisas invisíveis. Prova essa que todo o m undo iria abraçar.
Cairiam as barreiras que separavam cristãos e j udeus, m uçulm anos,
hindus, budistas, e assim por diante. Todos seriam fundidos em um
sistem a de crença unificadora, no centro da qual estaria Warren Gladstone
e o seu tabernáculo. Sim , alguns iriam dizer que seria um artifício, até
m esm o um a heresia, talvez houvesse m esm o retrocessos tem porários – a
inevitável resistência e protestos contra qualquer pronunciam ento do
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
cristianism o evangélico. Mas ele haveria de cruzar essas pontes quando
chegasse a hora, fortalecido pela percepção de que ele estava na vanguarda
da m aior revelação de todos os tem pos: que ele tinha encontrado Deus.
– E você disse que ele declarou não ter filiação religiosa?
– Sinto m uito. Ele m arcou ‚NENHUMA' no questionário.
– Sinto m uito nada – Gladstone gargalhou. – Melhor assim . Ele será o
nosso próprio São Tom é, que não apenas vê a luz, m as lança-a ao m undo.
– Então, ele acrescentou: – Guarde-o bem . Esse j ovem é m aná do céu,
um a dádiva do Senhor Deus Todo-Poderoso.
– Não poderia ter acontecido sem a sua generosidade.
– Valeu cada centavo. – Warren olhou para as im agens da IRMf. – E
que deliciosa ironia: Deus ex m achina.
Elizabeth Luria sorriu.
– Pode ser, m as ainda tem os m ais cálculos a fazer antes de
reivindicarm os a propriedade de nossos argum entos.
– Então, façam o que têm de fazer.
E, enquanto Warren perdia-se nas cores pulsantes do esquem a do
cérebro de Zack Kashian, sentia a avassaladora prom essa: sabia que estava
olhando para a m ente do Criador, m as sabia tam bém , no fundo de sua
alm a, que habitaria de fato na casa do Senhor por longos dias.
Am ém .
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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Zack havia telefonado para a doutora Luria dois dias antes para explicar que ele não estava interessado em fazer outras sessões. Estava tom ando m uito
do seu tem po, e ele tinha de term inar sua dissertação. Suas m aneiras
foram educadas, e o tom foi neutro. Não disse nada sobre os flashes de
assassinato porque ela iria usar aquilo para alim entar a sua insistência para
que ele voltasse e fizesse m ais testes.
Com o esperado, ela não aceitou de bom grado a notícia, pedindo que
ele reconsiderasse, afirm ando que eles estavam à beira de um a grande
descoberta, et cetera, et cetera. Ela em pregou seus m elhores argum entos,
só faltou im plorar. Para suavizar o golpe, ele disse que voltaria a procurá-
la, caso m udasse de ideia.
Nesse m eio-tem po, trabalhou em sua dissertação, ocasionalm ente
folheando livros da biblioteca sobre EQM. A m aioria dos relatos descrevia
a experiência padrão: travessia de túneis, total serenidade, integração com
o universo. E a presença típica de seres de luz, espirituais. Muitos
testem unhos declaravam que a EQM m udara a vida das pessoas para
m elhor, tornando-as m ais fiéis e m ais afetuosas. Mas ninguém relatava
qualquer coisa parecida com os seus shows de horror.
Com o fazia na m aioria das m anhãs, naquela quinta-feira, Zack dirigiu-
se para um a m esa isolada na lanchonete do centro estudantil. Era bom
estar de volta à sua dissertação, sem distrações. Progrediu regularm ente
boa parte da m anhã, até que um a voz o sobressaltou.
– Olá, Zack.
Ele olhou por cim a da tela, e, com o ele m eio que pressentira que
aconteceria, lá estava Elizabeth Luria. Segurando um a bandej a com dois Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
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cafés e croissants.
– Eu não sei se você gosta de queij o ou de chocolate, então, trouxe um
de cada.
Zack estava acostum ado a vê-la apenas com o j aleco branco do
laboratório, m as, naquela m anhã, ela estava vestida elegantem ente, com
um a blusa rosa, calça bege e blazer preto. O cabelo estava arrum ado, e ela
usava um m edalhão de prata no pescoço.
– Posso m e j untar a você?
– Claro – respondeu ele. Ele se levantou e puxou um a cadeira para
ela. – Com o sabia onde m e encontrar? – Ele tentou não deixar
transparecer a sua irritação.
– Não foi fácil. – Ela sentou-se. – Trabalhando em sua dissertação?
– Tentando.
– Bem , eu não vou m e dem orar m uito.
– Quero dizer, é difícil recuperar o entusiasm o.
– Tenho certeza de que ele vai voltar. – Ela tom ou um gole de seu
café. – Você provavelm ente j á sabe por que estou aqui.
– Sim , e não estou interessado.
– Porque você teve um a experiência desagradável, e eu sinto m uito
pelo que aconteceu.
Sarah havia lhe contado? Ele não achava que ela iria traí-lo. Mas
talvez o tivesse feito. Luria era a chefe dela, afinal de contas.
– Não im porta. Eu sim plesm ente não tenho tem po.
– Eu entendo.
Ela enfiou a m ão na bolsa e puxou um envelope, do qual tirou um a
fotografia. Em purrou-a na direção dele. Era um a foto feita em estúdio de
um bonito garoto sorrindo para a câm era. Atrás dessa estava outra foto do
m esm o garoto com um labrador dourado e um hom em m ais velho.
– Este era o m eu filho, Kevin, e o pai dele, m eu m arido. Eles
m orreram em um acidente autom obilístico, há alguns anos. Ele tinha 12
anos na época.
– Sinto m uito, doutora Luria. – Era a m esm a criança da fotografia em
sua m esa no laboratório.
Karen Wells e stava no com utador atrás do bal cão do pr onto -socorro do Jorda n Hospital qua ndo atende u à cham a da de um a a m bulâ ncia. Era m qua se três horas da m adruga da e os param é dicos estavam traz endo um hom e m nã o identi ficado de cerca de 50 a nos de idade, com si nais vitais m íni m os e possível parada car díaca. Ela alertou a s outras enferm eiras, o m édico de plantão, o doutor Brian Ken nedy e dois residentes. Ele s preparara m um cubí culo vazi o espe cialm ente eq uipado para pa cientes cardíacos.
a
– Obrigada, e, por favor, pode m e cham ar de Elizabeth. – Então, ela
continuou: – Eu vou ser direta com você. Quando com ecei a trabalhar no
proj eto, eu considerava todos os relatos de EQM com o um m ecanism o de
defesa do cérebro contra a investida da m orte. Mas eu tenho observado
evidências crescentes que apontam para a transcendência. E as suas sessões confirm am isso.
Ele podia perceber que ela estava lutando para não se em ocionar.
– Zack, eu acredito que estam os no lim iar de confirm ar a existência de
vida após a m orte.
Ele balançou a cabeça, com eçando a sentir pena dela.
– Tem os analisado todos os dados de ressonância m agnética da últim a
sessão e, com o da prim eira vez, tudo aponta para a conclusão de que você
atravessou.
– Aham .
– Fui criada em um lar religioso, m as, desde a j uventude, eu j á não
acreditava na existência da alm a ou de Deus. Não via nenhum a evidência
de que o sobrenatural existisse. Mas, agora, sim . E o m eu investim ento
neste proj eto vai além da ciência. Francam ente, eu gostaria de saber que o
m eu filho e o m eu m arido estão em um bom lugar, que eles estão bem .