12 Semanas para Mudar uma Vida
O Mestre dos Mestres da Qualidade de Vida
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.
12 Brinquem mais um com o outro. Sonhem juntos. Reclamem menos. Agradeçam cada pequeno gesto que seu marido ou esposa Ihes fizer. Tragam flores fora de data. Façam um jantar diferente. Tenham comportamentos inesperados. Libertem sua criatividade, saiam da rotina. Simples gestos trazem grandes conquistas.
13 Lembro-me de que uma vez minha esposa me "raptou". Numa sexta-feira, após uma semana estressante, ela reservou um hotel sem que eu
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soubesse. Queria que eu descansasse. Tivemos agradáveis momentos. Estou casado há 20 anos e, felizmente, ela ainda é minha namorada.
A relação entre pais / filhos e professor / aluno
14 Em nossas pesquisas, detectamos sete hábitos dos pais brilhantes Comentarei aqui alguns deles. Bons pais atendem, dentro das suas condições, os desejos dos seus filhos. Fazem festas de aniversários, compram tênis, roupas, produtos eletrônicos, proporcionam viagens. Pais brilhantes dão algo incomparavelmente mais valioso a eles. Dão sua história, as suas experiências, as suas lágrimas, o seu tempo.
15 Os pais que dão presentes para os filhos são lembrados por horas e dias, mas os pais que dão seu ser a eles se tornam inesquecíveis. Você quer ser um pai ou uma mãe inesquecível?
16 Tenha coragem de dialogar sobre os dias mais tristes da sua vida com seus filhos. Tenha ousadia de contar suas dificuldades e derrotas do passado. Fale das suas venturas dos seus sonhos e dos momentos mais alegres de sua existência. Deixe-os conhecer você. A maioria dos filhos não conhece nem a sala de visitas da personalidade dos seus pais. Só irão sentir a falta deles quando eles fecharem seus olhos.
17 Não seja um educador que critica os erros dos jovens, que aponta a ansiedade deles e faz prolongados discursos de que eles não o valorizam, não reconhecem o quanto você se desgasta por eles. Pais e professores no mundo todo fazem isso, sem resultados. Faça a diferença. Recorde-se do fenômeno RAM (Registro Automático da Memória). É preciso registrar uma excelente imagem sua no interior deles para que você possa educá-los.
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18 Encante seus filhos e seus alunos diariamente. Diga coisas que você nunca disse. Elogie mais, critique menos. Exalte cada pequeno gesto afetivo e inteligente deles. Pergunte sobre seus sonhos e seus medos. Pergunte o que você poderia fazer para ser mais amigo deles. Um diálogo nesse nível evita suicídios, supera traumas, abre avenidas para o prazer de viver.
19 Se você errar, dê o exemplo, peça desculpas, reconheça seus erros. Tais atitudes não o farão perder a autoridade, mas construirão a verdadeira autoridade, a autoridade que humaniza e desenvolve a arte de pensar. Tenha consciência de que educar é penetrar um no mundo do outro.
20 OS princípios sobre os quais discorri podem ser aplicados nas relações profissionais e transformá-las numa excelente primavera. Um verdadeiro líder é aquele que forma outros líderes, que exalta seus liderados, que explora o potencial intelectual deles.
A dependência na espécie humana e as lições de vida
21 Muitos pais trabalham para dar o mundo aos filhos, mas se esquecem de abrir o livro da sua vida para eles. Muitos professores dão milhões de informações lógicas para seus alunos, mas nunca contaram os capítulos da sua história.
22 Quanto mais inferior é a vida de uma espécie, menos dependente ela é dos seus progenitores. Nos mamíferos, há uma dependência grande dos filhos em relação aos pais, pois eles necessitam, não
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apenas do instinto, mas de aprender experiências para poderem sobreviver.
23 Na nossa espécie, essa dependência é intensa. Por quê? Porque as experiências aprendidas são mais importantes do que as instintivas. Uma criança de sete anos é muito imatura e dependente, enquanto muitos mamíferos com a mesma idade já são idosos à beira da morte.
24 Infelizmente, a família moderna tem se tornado um grupo de estranhos. Pais e filhos respiram o mesmo ar, se alimentam da mesma comida, mas não desenvolvem a arte de ouvir e dialogar. Não tem havido aprendizado mútuo das lições de vida. Eles estão próximos fisicamente, mas distantes interiormente.
25 O mesmo processo tem acontecido nas escolas. No livro Pais Brilhantes, Professores Fascinantes* comento que a educação mundial está em crise e comete vários erros. Ela desconhece os papéis da memória expostos no capítulo anterior. Por isso, não desenvolve ferramentas adequadas para formar pensadores. Usa a memória das crianças como um depósito de informações.
26 O excesso de informações gera falta de deleite de aprender e ansiedade. O pequeno microcosmo da sala de aula tornou-se um canteiro de pessoas estranhas, tensas, sem relacionamento mais profundo. A educação tem de se humanizar. O professor deve falar do seu mundo enquanto fala do mundo exterior, enquanto ensina física, matemática, química, línguas.
(Cury. Augusto. Pais Brilhantes, Professores Fascinantes, Sextante, Rio de Janeiro, 2003)
27 Professores e alunos ficam anos juntos sem cruzar suas histórias, sem aprender lições mútuas de vida. O resultado? Os alunos saem das
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universidades com diplomas nas mãos, mas despreparados para lidar com fracassos, decepções, desafios, confrontos. Não sabem abrir as janelas da sua mente, libertar sua criatividade, pensar antes de reagir, interpretar o que as imagens não revelam e resgatar a liderança do "eu" nos focos de tensão.
28 Para finalizar, gostaria de dizer que se você quiser ter uma família perfeita, filhos que não o decepcionem, alunos que não o frustrem e colegas de trabalho que não o aborreçam, é melhor mudar-se para outro planeta. Aceite as pessoas com seus limites e construa relações saudáveis com elas. Como disse, a melhor maneira de construir excelentes imagens nos solos da memória das pessoas é surpreendendo-as, tendo comportamentos inesperados.
29 Nunca critique alguém antes de valorizá-la. Não poucas vezes errei por apontar primeiro o erro dos outros, inclusive das minhas queridas filhas. Felizmente, aprendi que primeiro devemos elogiar, conquistar o território da emoção, para depois conquistar os terrenos da razão.
30 Grave esta pérola: uma pessoa inteligente aprende com os seus erros; uma pessoa sábia aprende com os erros dos outros... Transforme a relação com as pessoas que você ama numa grande aventura.
O MESTRE DOS MRESTRES DA QUALIDADE DE VIDA
Grandes homens têm medo de falar de si mesmos
31 Há muitos padres que têm um caráter excelente, amam a Deus, mas nunca tiveram coragem de abrir a caixa de segredos da sua vida. Têm receio de falar de seus conflitos, de suas crises depressivas para seus amigos, Não encontram
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alguém que possa ouvi-los sem criticá-los, Têm medo de não ser compreendidos.
32 Há muitos pastores protestantes que têm gasto sua vida para servir a Deus e às pessoas, mas igualmente se isolaram dentro de si, Conhecem muitas pessoas, mas não têm amigos a quem possam revelar seus sofrimentos. Alguns estão estressados e com síndrome do pânico, choram nos cantos dos templos, mas calam-se. Têm medo de não ser compreendidos,
33 Há rabinos que ensinam por anos nas sinagogas. Recitam a Tora com maestria, mas não recitam a linguagem das suas angústias. Falam sobre tudo, mas emudecem diante das suas aflições.
34 Há líderes mulçumanos que orientam milhares de fiéis. Eles explicam as suratas do Alcorão, comentam sobre Jesus descrito nos seus textos, mas não comentam sobre suas dores e seus temores. Ficam anos se martirizando. Adquiriram um conceito de que um líder não pode revelar suas lágrimas.
35 Há líderes budistas que ficam anos meditando, mas não abrem a sua boca para falar das suas crises depressivas. Ensinam às pessoas a mansidão e a humildade. Alguns tornam a mansidão de Cristo como modelo, mas não têm o desprendimento para falar das suas dificuldades. Têm receio de ser julgados como frágeis.
36 Não apenas esses magníficos líderes espirituais se isolam em seus mundos nos momentos em que mais precisam falar, mas também líderes empresariais, políticos e sociais se aprisionam em seus casulos. Falam sobre o mundo exterior, mas não sabem dialogar sobre si mesmos. São controlados pelo medo do que os outros vão pensar e falar deles. Represam seus sentimentos, sufocam sua qualidade de vida.
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37 Jesus, como o Mestre dos mestres da qualidade de vida, não reagiu desse modo. Ele deu-nos excelentes lições fundamentais para expandirmos a arte de ouvir e dialogar. Usou sua própria história como modelo. No Getsêmani, momentos antes de ser preso, julgado e morto, não apenas, como vimos, resgatou a liderança do "eu" no teatro da sua mente, mas também não escondeu sua angústia e seus sintomas.
38 Ele teve a coragem de chamar um grupo de amigos (Pedro, Tiago e João) e falar para eles que sua emoção estava profundamente triste. Teve a coragem de mostrar seus sofrimentos e sintomas psicossomáticos para discípulos tão jovens e inexperientes. Horas depois, eles fugiriam amedrontados, abandonando-o. Mas foi para essas frágeis pessoas que ele revelou a sua dor mais intensa. Não teve medo de ser incompreendido, julgado e criticado.
39 Poderia ter preferido mostrar heroísmo, mas ele precisava ensinar que dependemos uns dos outros, que necessitamos ser confortados e encorajados uns pelos outros. Mostrou que para ter qualidade de vida precisamos ser seres humanos e não heróis. As barreiras e as distâncias tinham de ser rompidas. A solidão deveria ser superada, pois só é útil para meditar e refletir, não para viver.
40 A pessoa mais forte que passou nesta terra chorou sem medo das suas lágrimas. Deixou-se conhecer. Foi transparente. O fenômeno RAM registrou uma imagem excelente dele no inconsciente dos seus discípulos.
41 Eles aprenderam a amá-lo em toda situação. Entenderam que também passariam por crises e precisariam enfrentá-las e compartilhá-las. Seu comportamento os surpreendeu e os ajudou mais do que ajudariam hoje décadas de escola.
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42 Mostrou-nos que não devemos ter vergonha das nossas misérias e fragilidades. Para ele, os fortes as declaram, pelo menos para os íntimos. Os fracos as escondem. Você é forte ou fraco?
43 Algumas pessoas cometem suicídio porque nunca tiveram coragem de abrir seu ser. Outras têm seus sonhos esmagados, sua esperança dilacerada, sua criatividade esfacelada, seu amor pela vida dissipado, porque não souberam cruzar suas histórias. Tiveram medo da crítica dos outros. Viveram ilhadas dentro de si mesmas.
44 A sociedade moderna é superficial. Ela tem abortado a arte de ouvir e dialogar. As pessoas representam, vivem maquiadas. Certas coisas não devemos falar publicamente, mas para um grupo de amigos íntimos, como Jesus fez. Espero que com o PAIQ possamos começar a reverter esse processo.
O Mestre na arte de ouvir e dialogar
45 Somos a única geração de toda a história que conseguiu destruir a capacidade de sonhar dos jovens. Nas gerações passadas, os jovens criticavam os conceitos sociais, sonhavam com grandes conquistas. Onde estão os sonhos dos jovens? Onde estão seus questionamentos?
46 O sistema social é tão agressivo que tornou os jovens passivos, controlou-os internamente, roubou-lhes a identidade, transformou-os em um número de identidade. Eles não criticam o veneno do consumismo, a paranóia da estética e a loucura do prazer imediato produzidos pelas propagandas da mídia. Para muitos deles, o futuro é pouco importante. O que importa é o hoje. Não têm uma grande causa para lutar.
47 Os pais e professores deveriam ser vendedores de sonhos. Deveriam plantar as mais belas sementes no interior dos jovens para fazê-los intelectualmente livres e emocionalmente brilhantes.
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48 Jesus Cristo foi um excelente vendedor de sonhos. Ele inspirava as pessoas que o seguiam. Levava-as a sonhar com grandes conquistas, conquistas de uma vida irrigada com paz, justiça, sabedoria. Conquistas de uma vida exuberante. Ele exaltava a vida humana.
49 Quando alguém queria saber sobre sua origem, ele não falava sobre sua origem eterna, mas sobre sua origem temporal. Ele era demasiado humano. Proclamava a todos os ouvintes: “Eu sou o Filho do homem”. O que isso significa? Significa que valorizava a sua natureza humana, amava ser um ser humano, amava não ter rótulo. Era profundamente apaixonado pela vida.
50 Nunca analisei alguém que amasse tanto a vida como ele. Nós amamos as coisas que a vida nos traz, como dinheiro, casa, prestígio social, carros, conforto material. Ele amava existir, pensar, sonhar, criar, dialogar, ouvir. Nunca investiguei alguém que dizia orgulhosamente que era um ser humano. A vida humana, de fato, era uma pérola inigualável para ele. E para você?
51 Ao andar com ele, os insensíveis se encantavam pela vida, os agressivos acalmavam as águas da emoção e os iletrados se tornavam engenheiros de idéias. Sempre dócil, ouvia os absurdos dos seus discípulos e, pacientemente, trabalhava nos recônditos da emoção deles.
52 Na última ceia, ele deveria ficar mudo, abatido, mas ainda teve fôlego para ter profundos diálogos com seus íntimos. Os seus olhos estavam para fechar, mas ele conseguiu gerenciar seus pensamentos para dar importantes lições de vida. Disse que no seu reino a qualidade de vida era tão elevada, que o maior não era o que dominava e controlava os outros, mas o que servia, o que se doava, o que emprestava seus ouvidos e seu coração e não cobrava juros (retomo).
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53 Ele foi um escultor da personalidade. Tinha prazer de dialogar com as pessoas que não tinham valor. Via uma obra de arte dentro do bloco de mármore da alma humana. Tinha um cuidado especial para com as pessoas complicadas, com os errantes, os ansiosos, os incautos.
54 Para o Mestre dos mestres, as pessoas que mais nos dão dor de cabeça hoje poderão vir a ser as que mais nos darão alegrias no futuro. Invista nelas, cative-as, ouça-as, cruze seu mundo com o mundo delas. Plante sementes. Não espere o resultado imediato. Colha com paciência.
55 Esse é o único investimento que jamais se perde. Se as pessoas não ganharem, você, pelo menos, ganhará. O quê? Experiência, paz interior e consciência de que fez o melhor.
Painel I
Pontos sugeridos para (Não tenha medo de trocar
reflexão e discussão:
experiências, chorar e
contar suas dificuldades.)
1. A arte de ouvir é a capacidade de ouvir sem
preconceito. Quando você escuta alguém procura
se colocar no lugar dele ou ouve o que quer
ouvir?
2. A arte de dialogar é a arte de falar de si mesmo,
trocar experiências de vida. Você tem medo de
falar de si? Tem medo de ser criticado, julgado,
incompreendido?
3. Como está seu relacionamento conjugal? Você
tem sido um livro aberto para quem ama? Estão
faltando elogios e sobrando criticas? Você tem
feito pequenos gestos para encantar seu cônjuge?
4. Como está seu relacionamento com seus filhos?
Você os critica muito? Tem cruzado sua história
com a deles? Tem parado para ouvi-los, conhecer
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seus sonhos, seus temores, suas angustias? Eles o
conhecem? Conhecem suas metas, sucessos,
fracassos, lagrimas?
5. O mestre dos mestres não tinha vergonha de falar
de si, não tinha medo das suas angustias. Existe
alguma dor emocional ou conflitos sobre o qual
você gostaria de falar e não tem conseguido?
Painel II
Exercícios para prática
diária:
1. Faça um relatório das características da lei "A arte
de ouvir e dialogar", descritas no, início desse
capítulo, que você precisa desenvolver.
2. Faça um breve relatório de como está a qualidade
do diálogo com esses seis grupos de pessoas mais
próximas: pais, cônjuge, filhos, amigos, alunos,
colegas de trabalho. Que nota você daria, de zero
a dez, para cada grupo? Leve em consideração se
vocês se conhecem internamente, se trocam
experiências e a freqüência do diálogo.
3. Desligue a TV e chame seus filhos, seu cônjuge
ou quem você gosta para dialogar uma vez por
semana. De vez em quando, saia apenas com um
filho ou com seu cônjuge e dialogue abertamente
com ele. A melhor maneira de levar as pessoas a
se abrir é deixar nosso heroísmo e contar a nossa
história.
4. Surpreenda com pequenos gestos quem você
ama. Perca o medo de chorar, de pedir desculpas,
de dizer que ama que precisa do outro.
5. Treine se colocar no lugar dos outros e
compreender o que está por trás das suas reações,
as causas de seus comportamentos. Ouça mais,
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julgue menos e entenda mais.
6. Seja espontâneo, livre e transparente. Não gravite
em torno do que os outros pensam e falam de
você.
Faça um relatório dos seus exercícios durante a semana. O que praticou e qual foi o resultado?.
Relatório:
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Capitulo 9
A ARTE DO AUTODIÁLOGO: A MESA
REDONDA DO "EU"
9ª Lei da qualidade de Vida
Nona semana do PAIQ
No capítulo anterior, vimos a arte do diálogo, que representa o diálogo interpessoal, o diálogo que devemos ter com as pessoas próximas. Agora, precisamos entender um outro tipo de diálogo, mais profundo: o Autodialogo ou diálogo intrapsíquico.
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1O Autodiálogo, que pode ser chamado de Mesa Redonda do "Eu", é:
1. Um debate lúcido, aberto e silencioso que o "eu"
faz com seu próprio ser.
2. Uma reunião com a nossa própria história.
3. Uma intervenção direta em nossos traumas,
conflitos, dificuldades, temores.
4. Uma revisão de metas, uma reavaliação de
postura de vida.
5. O exercício pleno da capacidade de decidir,
questionar e dirigir a própria história.
6. Percorrer as trajetórias do próprio ser e tornar-
se um grande amigo de si mesmo.
7. Aquietar os pensamentos e apaziguar a emoção.
2Essa lei da qualidade de vida é um dos exercícios intelectuais mais importantes do ser humano, mas um dos menos praticados. O grau de sabedoria e maturidade de uma pessoa não é dado pelo quanto ela tem de cultura acadêmica, sucesso empresarial e social, mas pela sua capacidade e freqüência de fazer uma mesa redonda com seu próprio ser, de questionar seus pensamentos e emoções, de criticar suas verdades, de repensar sua vida de refazer caminhos.
3Uma pessoa pode ter vários cursos superiores, mas pode ser uma criança na sua capacidade de autodialogar e se repensar. Você reúne-se com seu próprio ser? Analisa seus caminhos? Devemos não apenas falar sobre nossos medos, mas com nossos medos. Devemos não apenas dialogar sobre nossos conflitos, mas com nossos conflitos, com nosso mau-humor, intolerância, insegurança.
4Cada ser humano deve ter seus momentos particulares consigo mesmo. Deve exercitar ser seu grande amigo. Deve aprender a se interiorizar,
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caminhar nas trajetórias de seu ser e ter prazer de ter um autodiálogo aberto, uma conversa íntima, uma reflexão existencial. Muitas pessoas, em particular os jovens, se deprimem quando estão sozinhas, não sabem ser companheiras de si mesmas.
5O desrespeito a essa lei da qualidade de vida tem sido uma das importantes causas do adoecimento coletivo das sociedades modernas. Não me refiro às doenças clássicas catalogadas pela psiquiatria, mas ao estresse social, à síndrome SPA, à falta de proteção emocional, à solidão, à crise do diálogo.
6Não é possível sermos autores da nossa história, gerenciarmos nossos pensamentos, administrarmos nossa emoção, enfim, desenvolvermos qualidade de vida se não temos coragem e capacidade para fazer uma mesa redonda em nosso interior para debatermos com inteligência nossos próprios problemas e revisarmos nossos caminhos. A Mesa Redonda do "Eu" é um passo além da técnica do D.C.D. (duvidar, criticar, determinar). É mais profunda, serena, penetrante, prolongada.
7A mais grave solidão, não é aquela em que a sociedade nos abandona, mas aquela em que nós mesmos nos abandonamos. Muitos passam anos sem dialogar de maneira aberta, sincera e agradável consigo mesmos. Alguns nascem, crescem, morrem, sem nunca ter tido um encontro marcante com sua própria história. Viveram sem ter um romance com a vida. Você tem esse romance?
Uma espécie que não se respeita
8Muitos cientistas não têm percebido que as crianças e os jovens passam mais de dez anos aprendendo a falar sua língua materna, mas não aprendem a falar de si mesmos e muito menos consigo mesmos.
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9Que tipo de educação estamos propondo e que tipo de juventude estamos formando? Como prevenir depressão, farmacodependência e violência entre os jovens se eles não conhecem a si mesmos? Se eles ficam na superfície da sua própria personalidade, não conseguem se interiorizar e penetrar nas camadas mais profundas do seu próprio ser?
10 Se na Segunda Grande Guerra Mundial os soldados nazistas tivessem viajado para dentro do seu próprio ser, feito uma Mesa Redonda do "Eu", reunido suas verdades e questionado-as, certamente se rebelariam contra Hitler, contra o nazismo e a exclusão de pessoas. Compreenderiam que uma criança judia que morria nos campos de concentração era mais importante que todo ouro do mundo. Infelizmente, morreram mais de um milhão de crianças e adolescentes.
11 O povo alemão é um povo maravilhoso. Não foi um grupo específico de alemães que cometeu esse crime, foi a nossa espécie que o cometeu contra si mesma. Um alerta! Se a Alemanha, que era berço de um dos mais ricos conhecimentos filosóficos e acadêmicos da história, a maior vencedora de prêmios Nobel nos primeiros trinta anos do século XX, foi seduzida, pelo menos parte da sua população, pelas idéias de um psicopata, quem garante que outros povos não serão seduzidos pelas idéias de outros "Hitlers"?
12 Conhecimento acadêmico atual não produz vacina alguma entre os universitários, pois não estimula a interiorização e a consciência crítica. Somente o aprendizado coletivo da Mesa Redonda do "Eu" pode evitar novos desastres. Somente um "eu" crítico, que aprende a se questionar, se repensar, debater consigo mesmo pode não ser frágil nos momentos de tensão interna e social.
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13 Nos países desenvolvidos fala-se muito dos direitos humanos, mas o grau de tolerância das pessoas é baixo nos focos de tensão. Por exemplo, quando você erra no trânsito, algumas pessoas mostram uma agressividade súbita, buzinam, fazem gestos obscenos.
14 Há uma bomba emocional por detrás da nossa aparente gentileza. Notem que muitos perdem a paciência por coisas tolas. Você perde'?
15 Essa bomba emocional implode, gerando sintomas psicossomáticos ou explode gerando transtornos sociais. A grande causa que não temos vivido as leis fundamentais e universais da qualidade de vida discutidas neste projeto, em particular o autodiálogo. Desarme sua bomba emocional.
16 O alto índice de violência social, ataques terroristas, jovens se suicidando, crianças atirando em seus colegas são gritos de uma espécie em crise, mas eles são inaudíveis para quem não tem sensibilidade.
Viajando para nosso próprio ser: humanizando-nos
17 Parece loucura dialogar consigo mesmo, mas loucura é a ausência de um autodiálogo inteligente. Uma pessoa que pratica o autodiálogo não apenas tem mais condições de superar suas misérias psíquicas, mas também de se humanizar, ou seja, de se tornar tolerante, serena e humilde, pois reconhece suas limitações, suas fragilidades.
18 A Mesa Redonda do "Eu" nos tira do trono do orgulho, da auto-suficiência. Raramente consigo julgar, sofrer em demasia e desistir das pessoas que me aborrecem, porque tenho aprendido a fazer um autodiálogo. Essa prática me faz interiorizar e compreender que eu também tenho muitas falhas e
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limitações. Quando você entende sua pequenez é fácil entender a pequenez dos outros. Quando nos colocamos num pedestal é fácil julgar e condenar.
19 A grandeza de um ser humano está na sua capacidade de se fazer pequeno para poder se colocar no lugar dos outros e entender o que está por detrás das suas reações...
20 Se os terroristas palestinos praticassem a Mesa Redonda do "Eu", eles jamais explodiriam seus corpos para destruir pessoas inocentes. Entenderiam que não somos árabes, judeus e americanos, mas membros de uma única e inestimável espécie. Amariam mais, julgariam menos, compreenderiam mais. Entenderiam que os erros que são cometidos contra seu povo são frutos de uma espécie que não se interioriza nem reconhece suas falhas.
21 Do mesmo mo o, se os Judeus praticassem essa técnica entenderiam que, independente das diferenças culturais e religiosas, os palestinos são mais do que sangue do seu sangue, mas portadores idênticos do mesmo teatro da mente e do mesmo fascinante espetáculo dos pensamentos. Eles iriam para a Faixa de Gaza, se abraçariam, se beijariam e escreveriam novas páginas na história. Por isso, nosso sonho é que, um dia, o PAIQ contagie o Oriente Médio.
22 Quem faz a Mesa Redonda do "Eu" fortalece sua capacidade de ser autor da sua história, de tomar decisões, de fazer escolhas e de compreender que toda escolha implica em perdas. Não é possível escolher a paz sem sofrer perdas. No campo dos conflitos sociais, quem tem mais consciência da grandeza da vida tem de estar disposto a sofrer mais perdas.
Como praticar a Mesa Redonda do "Eu"
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23 A Mesa Redonda do "Eu" não é simplesmente produzir pensamentos no silêncio da nossa mente, pois todos pensam muito. É pensar construindo um debate íntimo. Essa lei de qualidade de vida pode ser usada como técnica psicoterapêutica e psicopedagógica. Psicoterapêutica porque nos faz superar ansiedade, estresse e outros transtornos psíquicos. PSicopedagógica porque expande a inteligência, nos torna pensadores e previne doenças psíquicas.
24 A Mesa Redonda do "Eu" constrói a sociedade intrapsíquica. Uma sociedade extrapsíquica é a reunião de membros da mesma espécie num determinado território que possuem cooperação e interesses comuns. A sociedade intrapsíquica é uma reunião que fazemos com personagens do teatro da nossa mente.
25 Sociedade intrapsíquica é o exercício do "eu" debatendo de maneira crítica com nossos bloqueios, frustrações, crises, perturbações, projetos, sonhos. Nesse debate, fazemos silenciosamente uma bateria de perguntas: "Onde? Por quê? Como? Quando? Quais os fundamentos? Vale a pena? Esse é o caminho?"
26 Por exemplo, uma pessoa em um ataque de pânico, caracterizado pelo medo súbito de que vai morrer ou desmaiar. Ela pode ser controlada pelo pânico ou debater com ele. Se fizer uma mesa redonda, ela critica-o, repensa-o, questiona-o com seriedade. Ela se pergunta: "Qual é a lógica do meu pânico? Quando começou? Por que começou?-Por que sou escrava dele se estou ótima de saúde? Eu exijo ser livre",
27 Essa lei da qualidade de vida não substitui um tratamento psiquiátrico com uso de medicamentos ou psicoterapêutico, mas é uma poderosa ferramenta complementar. Você não consegue imaginar a força que o "eu" tem.
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28 Muitas doenças mentais, incluindo a esquizofrenia, que é uma desorganização da coerência dos pensamentos, surgem porque o "eu" não é estruturado, crítico, líder: Ele vira joguete das fantasias, pensamentos perturbadores e emoções tensas. Perde a sua identidade e sua lógica.
29 Certa vez, um jovem universitário começou a ter insônia. Seu pensamento acelerou e começou a produzir muitas imagens mentais sem lógica. Seu "eu" não questionava suas verdades, não criticava suas fantasias, não confrontava suas imagens mentais. Começou a dar crédito aos pensamentos e às fantasias como se fossem reais.
30 Viveu os personagens do teatro da sua mente, ficou confuso, desorientado. Começou a achar que era um grande artista, uma pessoa famosa. Depois começou a pensar que era o ditador do Iraque. Enfim, teve uma crise psicótica. Precisou tomar medicamentos para desacelerar o pensamento. Voltou a ler a memória com lucidez e a organizar o raciocínio. No tratamento, aprendeu duvidar e a criticar suas fantasias e pensamentos. Resgatou a liderança do "eu". Assim, preveniu novas crises. Voltou a brilhar.
31 Nunca devemos ter um "eu" ingênuo que aceita os pensamentos e as idéias sem questioná-los. A técnica do D.C.D. (duvidar, criticar e determinar) pode ser uma excelente ferramenta para prevenir transtornos mentais.
A Mesa Redonda do "Eu" atua nas janelas da memória
32 A técnica do D.C.D. deve ser feita principalmente nos focos de tensão, quando estamos atravessando o calor da insegurança, da ansiedade, do desespero.
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33 No foco de tensão, não dá para fazer grandes reflexões. É necessário atuar com pensamentos rápidos que duvidem e critiquem os pensamentos doentios, que determinem e até ordenem para a energia emocional ser alegre e tranqüila.
34 A técnica da Mesa Redonda do "Eu", diferente da do D.C.D., é feita principalmente fora dos focos de tensão, ou seja, antes ou depois de atravessarmos o vale do problema. Nesse momento, podemos atuar com calma, refletir, analisar e discutir nossas crises fóbicas, reações ansiosas, conflito de relacionamento, desafios. Uma técnica complementa a outra e, às vezes, se mesclam. O importante é fazer com espontaneidade.
35 A técnica do D.C.D., por atuar no foco de tensão, reedita o filme do inconsciente, pois cria novas experiências que são registradas nos arquivos doentes. A técnica da Mesa Redonda do "Eu" não apenas reedita o filme do inconsciente, mas objetiva principalmente construir janelas paralelas na memória, melhorando a paisagem do inconsciente, criando novos espaços para o raciocínio lúcido.
36 Esses fenômenos estão entre os segredos mais importantes do funcionamento da mente. Se você entendê-los, reconstruirá seus caminhos. Vejamos.
JANELA DA MEMÓRIA
37 A memória humana abre-se por janelas, que são pequenos territórios de leitura. Cada janela possui um grupo de arquivos que contém milhares de informações agregadas. Temos milhões de janelas no córtex cerebral.
38 Algumas são belíssimas, geram prazer, coragem, respostas inteligentes. Outras são doentias, geram aflição, ódio, bloqueio. Às vezes, brota em nós uma alegria sem motivo ou uma tristeza sem causa. Por quê? Porque abrimos algumas janelas
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aleatórias durante o dia que produziram reações completamente distintas.
39 Já teve a sensação de conhecer um ambiente que nunca viu? Por quê? Por causa de um estímulo externo, no caso a imagem do ambiente, que abre janelas que contêm milhares de imagens do passado. Algumas dessas imagens podem conter traços e estilos bem semelhantes às do presente, gerando a sensação de conhecimento. A teoria das janelas da memória contida na teoria da Inteligência Multifocal pode elucidar muitos fenômenos.
40 Por exemplo, algumas pessoas sentem uma tristeza incompreensível ao entardecer. Mas há uma explicação convincente. Quando diminui o ritmo social, elas se interiorizam, abrem sutilmente as janelas que contêm experiências de tédio e isolamento. Assim, constroem uma experiência emocional de solidão e tristeza. Todo esse jogo de abertura e leitura das janelas da memória é inconsciente.
Janelas Killers
41 Há muitos tipos de janelas doentias da memória: janelas fóbicas (que geram claustrofobia, fobia social, ataques de pânico, etc.), janelas obsessivas (geram idéias fixas), janelas antecipatórias (geram os pensamentos sobre o amanhã), janelas da baixa auto-estima e timidez (geram transtorno de auto-imagem e preocupações excessivas com a opinião dos outros).
42 Dependendo do volume de tensão produzido por uma janela (raiva, ódio, ansiedade), ela pode se tornar killer, ou seja, tomar-se uma área que obstrui drasticamente a leitura das demais janelas, impedindo-nos de raciocinar naquele momento.
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43 Esse fenômeno é fundamental para explicar por que somos uma espécie capaz de produzir poesias e finas reações solidárias e, ao mesmo tempo, capaz de fazer guerras, destruir, matar, dominar, sem nenhuma racionalidade. Ele também explica nossas reações incoerentes e dificuldade de liderança de nós mesmos.
44 As janelas killers bloqueiam a inteligência, "assassinam" nossa lucidez, fazendo-nos reagir como animais, sob as raias instintivas. Quantas vezes nós ferimos as pessoas que mais merecem nossa compreensão? Quantas vezes perdemos o controle das nossas reações e depois de baixar a temperatura da emoção percebemos que poderíamos ter tido atitudes mais brandas? Cuidado com as áreas killers de sua memória.
45 Quantos pais e professores, num momento de irritação, dizem o que jamais deveriam dizer aos seus filhos e alunos? Quantas feridas que nunca mais cicatrizam são produzidas em pequenos momentos. Casais apaixonados, amizades, relacionamentos no trabalhos, são destruídos pelas janelas killers.
46 Muitos assassinatos ocorrem no calor das tensões. Batalhas entre nações são deflagradas porque o homo sapiens é dominado pelos instintos do homo bios. O homem mortal faz guerra como se fosse eterno. As áreas killers abortam a sobriedade até de pensadores.
47 Algumas janelas killers destroem o raciocínio de alunos brilhantes. No momento em que vão fazer a prova ou um concurso, eles aumentam o nível de ansiedade que, por sua vez, bloqueia a leitura de áreas da memória que contêm as inúmeras informações que aprenderam. Desse modo, têm um péssimo rendimento intelectual.
48 O volume de tensão impede que o "eu" tenha acesso às demais janelas da memória bloqueando
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sua inteligência. Se as pessoas aprendessem a não ser vítimas das janelas killers através da técnica do D.C.D. e da Mesa Redonda do "Eu", não apenas doenças seriam resolvidas, mas conflitos sociais também.
49 Duvidar drasticamente das nossas reações agressivas, criticar nossa impulsividade e determinar ter autocontrole no ato das tensões é um ato de amor pela vida que poucos praticam. Devemos aprender a gritar dentro de nós sem dizer palavras.
50 Alguns psiquiatras tratam apenas com antidepressivos a síndrome do pânico e a depressão, porque supervalorizam a hipótese teórica da alteração da serotonina e outras substâncias no metabolismo cerebral. Não compreendem as janelas do pânico, as áreas killers que criam o teatro da morte e fazem com que o "eu" seja um espectador passivo das misérias encenadas no palco.
51 O uso de medicamentos pode ser importante, mas é incompleto. É fundamental entendermos que as doenças psíquicas são geradas através da construção de cadeias de pensamentos e emoções doentias produzidas pelo jogo de abertura das janelas da memória. É igualmente fundamental entender que é necessário fazer o resgate da liderança do "eu" através das técnicas que tenho preconizado.
52 O "eu" tem de entrar no palco e aprender a ser livre e líder.. .
Compreendendo os segredos da superação psíquica
53 Uma pessoa que possui claustrofobia, medo de lugar fechado, abre subitamente uma janela killer quando entra no elevador. Minutos atrás, ela estava no céu da tranqüilidade; agora, está no inferno emocional.
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54 Ao abrir a janela killer que contém a claustrofobia, ela experimenta um medo súbito e dramático que, transmitido para o córtex cerebral, irá produzir sintomas psicossomáticos, como taquicardia, aumento da pressão sanguínea, suor excessivo e aumento da freqüência respiratória. Ela sente como se o ar fosse faltar, como se corresse risco de morrer.
55 Se ela fizer a técnica do D.C.D., poderá deixar de ser escrava do seu medo, registrar novas experiências saudáveis e reeditar a janela killer, enfim, superar sua zona de conflito ou seu trauma. Se não conseguir fazer a técnica do D.C.D., deverá fazer a técnica da Mesa Redonda do "Eu", após passar a crise fóbica.
56 Qual o objetivo de fazer a Mesa Redonda do "Eu" atuar depois da crise passar? Criar janelas paralelas que se vinculem com as janelas doentias. Ao fazer uma bateria de perguntas para si, questionar seu medo, debater a insegurança, ela criará uma série de experiências no palco da sua mente, que serão registradas nos bastidores da memória, criando janelas paralelas.
57 Quando ela entrar novamente no elevador, duas coisas acontecerão ao mesmo tempo. Ela abrirá subitamente a janela killer da sua memória e simultaneamente abrirá também as janelas paralelas saudáveis que fortalecem seu "eu" e financiam a segurança. desse modo, ela ficará livre.
58 'Esses fenômenos que abordei revelam alguns segredos do inconsciente que pensadores da psicanálise perceberam' que existem, mas não tiveram a oportunidade de estudar e compreender.
59 Esses fenômenos se aplicam a todos os transtornos psíquicos e sociais. Não é possível apagar o passado, apenas reeditá-lo ou construir janelas paralelas para nos alicerçar à construção de uma nova visão do mundo e das coisas.
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60 As janelas killers podem transformar uma barata em um monstro (fobia simples), um elevador num cubículo "sem ar" (claustrofobia), uma reunião pública num tormento (fobia social).
61 A timidez, tão comum na atualidade, atinge mais da metade da população e tem de ser entendida à luz das janelas da memória. Existem diversos níveis de timidez. A timidez é causada por um conjunto de experiências psíquicas que supervalorizam a opinião dos outros, a crítica social e a imagem que a sociedade tem de si. Essas experiências são arquivadas gerando janelas doentias, algumas killers. .
62 Ao enfrentarem novos ambientes, desafios e reuniões sociais, as pessoas tímidas abrem essas janelas, bloqueando sua inteligência e gerando, às vezes, sintomas psicossomáticos, como mãos frias, taquicardia, suor excessivo.
63 As pessoas tímidas são ótimas para os outros, mas não para si mesmas. Querem agradar a todos, mas não cuidam da sua qualidade de vida. Policiam suas palavras e dosam seus gestos, mas perdem sua espontaneidade. Falam pouco, mas pensam muito e gastam energia biopsíquica excessiva; o que gera fadiga, ansiedade e apreensão. Embora pensem muito, a construção do pensamento não é dirigida para produzir a Mesa Redonda do "Eu".
64 Se Fizerem a Mesa Redonda do "Eu" associada à técnica do D.C.D., por seis meses, com exercícios intelectuais diários que duvidem dos fundamentos da imagem doentia que têm da sociedade, que critiquem o sentimento de vergonha, que questionem a hipersensibilidade diante da opinião dos outros, elas encontrarão a tão sonhada liberdade. Por quê?
65 Porque reeditarão as principais janelas doentias e construirão riquíssimas janelas paralelas
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que contêm ousadia, segurança, determinação. Resgatarão a liderança do "eu". Deixarão de ser controladas para controlar suas vidas.
66 Fazer a Mesa Redonda do "Eu" é fundamental para que possamos deixar de ser vítimas dos conflitos e desenvolver capacidade de fazer escolhas, recomeçar depois de falhar, corrigir caminhos. Algumas pessoas perpetuam suas misérias porque não sabem como reeditar o filme do inconsciente e nem construir janelas paralelas.
67 Se você aprendeu algo sobre esses segredos do funcionamento da mente, nunca mais enxergará a vida da mesma maneira. Não será mais um espectador passivo no teatro da sua mente.