12 Semanas para Mudar uma Vida

Augusto Cury · Capítulo 7 de 13 · parte 2/3

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12 Semanas para Mudar uma Vida

O Mestre dos Mestres da Qualidade de Vida

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 3 partes.

35 Nunca devemos pensar que a depressão é fingimento, fragilidade ou frescura. Quem pensa assim, além de ser injusto, está totalmente despreparado para a vida, tem facilidade de desenvolver grave depressão nas perdas e frustrações.

36 A depressão não é um estado de tristeza temporário, que dura horas ou dias. É uma doença. Se ela for importante, deve ser tratada por um profissional de medicina, de preferência, por um psiquiatra experiente. O tratamento com antidepressivos pode e deve ser complementado por uma psicoterapia.

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37 A depressão leva o mais forte dos seres humanos às lágrimas. Ela representa o último estágio do sofrimento humano. Só conhece o seu drama quem já viveu esse tétrico espetáculo.

Risco de suicídio

38 Importante: Quando uma pessoa pensa em suicídio, na realidade, ela não quer matar a vida e sim sua dor. Filosoficamente falando, todo pensamento sobre a morte é uma manifestação da vida, pois representa o pensamento vivo pensando na morte e não a morte pensando em si mesma. Portanto, não existe idéia de suicídio pura como muitos psiquiatras pensam. Não existe consciência da inexistência.

39 Quem pensa em morrer tem, no fundo, fome e sede de viver. Está procurando desesperadamente destruir a angústia e não terminar com sua vida. Muitos dos meus pacientes deprimidos que pensavam em suicídio deram um salto na sua qualidade de vida ao descobrir que, na realidade, não querem morrer, mas viver. Saíram da platéia, aprenderam a resgatar a liderança do "eu". Deixaram de ser vítimas da sua miséria emocional.

40 Se você tiver parentes ou amigos com depressão e que estão sem coragem para viver, ouça-os sem criticar. Não lhes dê conselhos superficiais. Empreste-lhes seu coração. Diga a eles que são fortes, que têm uma grande fome e sede de viver. Encoraje-os a se tratar sem culpa.

41 Jamais devemos desistir da vida. Devemos enfrentar com humildade e ousadia as nossas perdas e decepções. Devemos diariamente criticar, confrontar, administrar nossas emoções doentias. Grite silenciosamente dentro de você.

42 A emoção doente ama pessoas passivas, mas a emoção saudável ama as pessoas que a lideram. Se

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você treinar administrar sua emoção, depois de alguns meses o resultado será fabuloso. Você viverá mais tranqüilamente. Terá mais encanto pela existência. A sensibilidade e a serenidade serão incorporadas paulatinamente em sua personalidade. Por isso, exercite ser o ator principal do teatro da sua mente.

O MESTRE DOS MESTRES DA QUALIDADE DE VIDA

43 Certa vez, no último dia de uma grande festa judaica, uma escolta de soldados procurava por Jesus Cristo. Ele tinha de ser preso e condenado rapidamente, pois contagiava a nação com seus discursos sobre o amor, o perdão e a tolerância. O movimento em torno dele era considerado um motim pela cúpula judaica e romana.

44 O clima era tenso. Os soldados designados para prendê-lo estavam ansiosos. Movimentos bruscos, olhares furtivos. Queriam identificar o homem que abalava o país com seus discursos inflamados.

45 Ele pediu para seus discípulos subirem sozinhos à festa. Depois ele subiria. Talvez pensassem que ele estivesse apreensivo. No período de maior calor emocional, ele penetrou no meio da multidão. O momento recomendava que dessa vez ele fosse discreto. Mas quando todos pensavam que o medo o controlaria e a ansiedade o abateria, ele, mais uma vez, os surpreendeu. Levantou-se e fez um discurso que não apenas abalou os presentes, mas abala até hoje a psiquiatria e a psicologia modernas.

46 Fez uma apologia sobre a saúde psíquica. Encorajou aos brados que todos os que têm sede de qualidade de vida viessem a ele e bebessem: "Quem tem sede venha a mim e beba". Gritou para milhares de pessoas que quem bebesse da sua fonte teria uma

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fonte inesgotável dentro de si mesmo de felicidade e tranqüilidade.

47 Que homem é esse que discursava sobre o prazer de viver quando estava cercado pelos vagalhões do terror? Que homem é esse que em vez de reclamar das pressões e incompreensões sociais cantava recitais de alegria? Ele foi o mais excelente especialista em qualidade de vida.

48 Descartes, Kant, Hegel, Freud, Einstein e todos os brilhantes pensadores que pisaram nesta terra jamais tiveram coragem ou sequer pensaram em fazer uni discurso como esse. Que psiquiatra teria coragem de fazê-lo'?

49 Não há um psiquiatra que não atravesse os vales da ansiedade, decepções e humor triste. Não poucos deles, por trabalhar constantemente com as mazelas da psique, tornam árido seu encanto pela vida, perdem sua alegria e singeleza. Cuidam dos outros com maestria, mas se esquecem de cuidar dos solos da sua emoção.

50 Somente alguém tão resolvido e feliz é capaz de fazer um convite tão ousado! Somente alguém que é capaz de administrar sua emoção nos focos de tensão e não gravitar em torno da crítica e do estresse social é capaz de transitar suavemente pela vida. Não aceitava ser escravo do medo, do desespero, dos pensamentos negativos e nem das circunstâncias externas. Não abria mão de ser livre dentro de si mesmo.

51 OS soldados, ao ouvirem seu discurso, ficaram pasmados. Não conseguiram prendê-lo. Fascinados com sua sabedoria, foram embora de mãos vazias. Indagados pelos seus mandantes, disseram-lhes: "Nunca alguém falou como este homem!" Eles ficaram assombrados com sua atitude. Viram um homem sereno na terra do ódio. Contemplaram um grande líder, um líder da sua própria emoção.

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52 Jesus discursava poeticamente sobre a alegria em ambientes onde não havia motivo algum para ser alegre. Discorria sobre o sentido de vida quando as causas revelavam que a vida era um peso estressante. Ele criava os motivos para ser feliz. Era livre para sentir.

53 Muitos têm motivos para se alegrar, mas são tristes e ansiosos. Não passam por privações sociais, têm uma boa família, amigos, dinheiro para viajar, mas são especialistas em reclamar. Não governam sua emoção, são governados por ela.

54 Uma emoção insatisfeita exige muito para ter pouco. Uma emoção saudável, como a de Jesus, faz muito do quase nada. Ele agradecia a areia do deserto e as gotas do oásis.

Enfrentando o caos da emoção

55 O Mestre dos mestres da qualidade de vida também atravessou o caos emocional. Logo antes de ser preso e morto, o jardineiro da vida estava no jardim do Getsêmani. Judas estava vindo com uma escolta de cerca de 300 soldados.

56 Nesse jardim, ele estava se preparando para suportar o insuportável. Ele teria de enfrentar, no dia seguinte, quatro julgamentos (na casa de Anás, Caifás, Herodes Antipas e Pilatos) e, por fim, a crucificação.

57 Teria de suportar seu caos de maneira diferente de qualquer miserável que morrera crucificado. Teria de amar em vez de odiar, de perdoar em vez de condenar, de manter a serenidade em vez de ser controlado pela tensão. Quem conseguiria ter tais características? Quem seria líder em tais situações?

58 Como ele começou a se preparar? Ele entrou no anfiteatro dos seus pensamentos e no território da sua emoção e começou a gerenciar suas reações. Reviu todas as possibilidades da sua dor. Seu

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pensamento acelerou-se, sua emoção deprimiu-se. Para surpresa dos discípulos que o achavam imbatível, ele disse que sua alma estava profundamente angustiada até à morte.

59 Os discípulos se abalaram mais ainda porque presenciaram seus sintomas psicossomáticos, como falta de ar e suor excessivo. Teve um sintoma raríssimo, que só ocorre no topo do estresse, hematidrose, suor sanguinolento. Mas, no instante que o volume de tensão era enorme, ele se levantou. Saiu, deixou de ser vítima da sua miséria, entrou no palco da sua mente e assumiu o papel de diretor da sua inteligência.

60 Nesse momento, ele se interiorizou e bradou altissonante ao seu Pai dizendo que queria fazer cumprir plenamente o seu projeto. Ele amava a humanidade e desejava se sacrificar por ela. Desejava resgatá-la e colocar a eternidade no coração humano. Seu projeto transcendental e a sua relação com seu Pai entram na esfera da fé, portanto, não é assunto deste livro.

61 O que é assunto deste livro é a sua ousadia de resgatar a liderança do "eu" no limite da ansiedade e angústia. É admirável: ele nunca perdeu o controle de si mesmo. Deixe-me destacar um fenômeno psicológico importantíssimo ocorrido nessa situação.

62 À medida que ele orava e clamava ao seu Pai. fazia um exercício psíquico de primeira grandeza. A sua mente havia se tornado um teatro de terror. Mas em vez de ser passivo e se entregar ao desespero, ele levantou-se. Declarou solenemente que não queria ser escravo da sua emoção, prisioneiro dos seus pensamentos.

63 Em situações brandas deixamos nossos pensamentos e emoções nos pisotearem. Ele nunca se entregava. Mesmo chorando, taquicárdico e suando sangue. Ele virou a mesa dentro do seu

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próprio ser. Duvidou da força do medo, criticou suas idéias perturbadoras e determinou ser livre. Ele saiu da platéia, entrou no palco e se tornou ator principal do teatro da sua mente. Fez. à Sua maneira, o D.CD.

64 Desse modo, governou com incrível maestria sua angústia depressiva e sua crise de ansiedade. Sua emoção se tranqüilizou e sua capacidade de pensar voltou a ser livre. Somente isso explica as reações poéticas e gentis que ele teve quando Judas chegou. Mas esse é um assunto do próximo capítulo.

Painel I (Não tenha medo de trocar

Pontos sugeridos para

reflexão e discussão experiências, chorar e

contar suas dificuldades.)

1. Administrar a emoção é ser livre para sentir, mas

não algemado pelos sentimentos. É capacitar o

"eu" para dissipar o medo, reciclar a ansiedade,

superar a insegurança. Que tipo de emoção o

perturba? Você é uma pessoa paciente ou

impulsiva?

2. A emoção é desencadeada pelos pensamentos.

Você atua quando percebe que a irritação. a

agressividade e o medo são disparados ou fica

remoendo seus pensamentos e emoções?

3. O Mestre dos mestres não era escravo das

circunstâncias. Ele era capaz de convidar as

pessoas para beber da sua qualidade de vida.

Você é capaz de convidar quem ama a beber da

sua tranqüilidade e alegria? Você sofre por

pequenas coisas? Tem proteção ou defesa

emocional?

4. Existem vários tipos de ansiedade e depressão.

Você tem algum desses transtornos? Você tem

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coragem de abrir seu coração emocional para

seus íntimos ou esconde a sua dor? Sabe procurar

ajuda?

 

Painel II

Exercícios para prática

diária

 

1. Faça um relatório das características da lei

"Administrar a emoção", descritas no início desse

capítulo, que você precisa desenvolver.

2. Faça um relatório sobre como está sua qualidade

de vida emocional. Analise se você exige muito

para ser feliz, se espera muito retorno dos outros,

se é muito preocupado com o que os outros

pensam de você, se pequenas ofensas o ferem

muito.

3. Faça um relatório se anda estressado, se tem

sintomas psicossomáticos.

4. Não fuja das suas dores emocionais, enfrente-as,

encare-as, repense-as. Se você fugir dos seus

sofrimentos, eles se tornarão um monstro para

você. Se enfrentá-los, serão superados, reciclados,

domesticados como um animal de estimação.

5. Quando somos abandonados pelo mundo, a

solidão é superável; Quando somos abandonados

por nós mesmos, a solidão é quase incurável.

6. Não faça da sua emoção uma lata de lixo dos

seus problemas. Proteja-se.

7. Pense antes de reagir diante das ofensas. 8. Administre sua emoção para ter esperança,

brindar a vida e contemplar o belo. Não se

esqueça de que o PAIO pode lhe dar os tijolos,

mas só você pode edificar. Ele pode lhe mostrar

os lemes, mas só você pode navegar nas águas da

emoção...

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Faça um relatório dos seus exercícios durante

a semana. O que praticou e qual foi o resultado?

Relatório

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Capitulo 7

 

TRABALHAR OS PAPÉIS DA MEMÓRIA:

REEDITAR O FILME DO INCONSCIENTE

7ª Lei da qualidade de Vida

Sétima Semana do PAIQ

1Trabalhar os Papéis da Memória é:

1. Descobrir os fenômenos básicos da caixa de

segredos da personalidade: o processo de

registro, arquivamento e utilização das

informações da memória.

2. Compreender a formação dos traumas e das

zonas de conflitos inconscientes na memória.

 

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3. Compreender o papel da emoção no processo

de abertura do território de leitura da memória

e na construção de cadeias de pensamentos.

4. Usar ferramentas para reeditar o filme do

inconsciente.

5. Usar ferramentas para proteger a memória e

filtrar os estímulos estressantes.

6. Não entulhar a memória de "lixo" psíquico e

social.

7. Utilizar processos para expandir a arte de

pensar.

8. Cultivar o mais importante solo da existência: o

solo onde nascem o mundo das idéias e o

universo das emoções.

2Nossos erros históricos relativos à memória parecem coisa de ficção. Há milênios atribuímos à memória funções que ela não tem. Há graves erros no entendimento da memória tanto na psicologia como na educação. A ciência desvendou pouco os principais papéis da memória. A teoria da Inteligência multifocal vem contribuir humildemente para corrigir algumas importantes distorções nessa área fundamental.

3Milhões de professores no mundo estão usando a memória inadequadamente. O registro da memória depende da vontade humana? Muitos cientistas pensam que sim. Mas estão errados. O registro é automático e involuntário. A memória humana pode ser deletada como a dos computadores? Milhões de usuários dessas máquinas crêem que sim. Mas é impossível deletá-la.

4Precisamos compreender os papéis básicos da memória para encontrar ferramentas para poder expandir nossa inteligência, enriquecer nossas relações e reconstruir a educação. Eu farei uma

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abordagem sintética. Procurarei traduzir assuntos complexos numa linguagem simples e agradável.

1- O registro na memória é involuntário

5Certa vez, um professor foi ofendido por um aluno. Sentiu que fora tratado desumana e injustamente. Queria excluir o aluno da sua vida. Fez um esforço enorme. Mas quanto mais tentava esquecê-la, mais pensava nele. Ao vê-lo, sentia raiva. Por que não conseguia esquecê-lo? Porque o registro é automático, não depende da vontade humana.

6Nos computadores, o registro depende de um comando do usuário. No ser humano, o registro é involuntário, realizado pelo fenômeno RAM (registro automático da memória).

7Cada idéia, pensamento, reação ansiosa, momento de solidão, período de insegurança é registrado em sua memória e fará parte da colcha de retalhos da sua história existencial, do filme da sua vida. Diariamente, você planta flores ou acumula lixo nos solos da sua memória. Você tem plantado flores no secreto do seu ser ou acumulado entulhos?

8Infelizmente, por desconhecermos os papéis da memória, não sabemos trabalhar o mais complexo solo da nossa personalidade. Tornamo-nos péssimos agricultores da nossa mente.

9Quanto mais tentarmos rejeitar uma pessoa que nos perturbou, uma perda, uma rejeição social, mais ela será registrada, será lida e construirá milhares de pensamentos.

10 A melhor maneira de filtrar os estímulos estressantes não é tendo raiva, ódio, rejeitando-os ou reclamando deles, mas:

1- Entendendo-os;

2- Criticando-os;

3- Enxergando-os multifocalmente, ou seja, por outros ângulos;

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4- Usando-os como oportunidade para crescer;

5- Determinando não ser escravo deles.

2-A emoção determina a qualidade do registro

11 A emoção determina a qualidade do registro. Quanto maior o volume emocional envolvido em uma experiência, mais o registro será privilegiado e mais chance terá de ser lido. Você registra milhões de experiências por ano, mas resgata freqüentemente as experiências com maior conteúdo emocional, como as que envolveram perdas, alegrias, elogios, medos, frustrações.

12 Onde as experiências são registradas? Primeiramente, na MUC (Memória de Uso Contínuo), que é a memória utilizada nas atividades diárias, a memória consciente. As experiências tensas são registradas no centro consciente e, a partir daí, serão lidas continuamente. Com o passar do tempo, à medida que não são utilizadas com freqüência, vão sendo deslocadas para a parte periférica da memória, chamada de ME (Memória Existencial). Veja dois exemplos.

13 Alguém acabou de elogiá-lo. Você registra na MUC. Leu diversas vezes esse elogio. No dia seguinte, você não o lerá tanto. Na semana seguinte, é provável que já não o leia mais. Entretanto, esse elogio não foi apagado, foi para o território inconsciente, para a ME. Continuará influenciando a sua personalidade, porém com menor intensidade.

14 Você acabou de dar uma conferência e perdeu o raciocínio no meio da preleção. Não conseguiu falar o que queria, estava nervoso. As pessoas perceberam sua insegurança. Você registrou essa experiência na MUC.

15 Se você conseguiu filtrá-la, através de criticá-la

e compreendê-la, ela foi registrada sem grande intensidade. Se não conseguiu proteger sua

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memória, ela foi registrada intensamente. Nesse caso, será lida com freqüência, produzirá milhares de pensamentos angustiantes, que serão registrados, gerando uma zona de conflito, um trauma. Assim, ela não irá para a ME, ficará plantada na MUC como janela doentia. Trabalhe os papéis da memória para não formar zonas de conflitos.

16 A emoção não apenas determina a qualidade

do registro das experiências, mas também o grau de abertura da memória. Emoções tensas podem fechar a área de leitura da memória (Janela), fazendo-nos reagir sem inteligência, por instinto. Mas esse importante assunto é tema de outra lei da qualidade de vida: a Mesa Redonda do "Eu". Na ocasião, estudaremos as Janelas Killers, janelas que destroem a capacidade de pensar.

17 Em alguns momentos, entramos em janelas

belíssimas e produzimos pensamentos que cultivam belas emoções; em outros, entramos em janelas doentias que promovem tormentos, angústias e desolações.

18 Você já notou que às vezes somos incoerentes

diante de pequenos problemas e lúcidos diante de grandes? Nossas mudanças intelectuais não são promovidas pelo tamanho dos problemas externos, mas pela abertura ou fechamento das áreas de leituras da memória.

19 Pequenos problemas, como um olhar de

desprezo ou a imagem de uma barata, podem gerar uma crise de ansiedade a qual fecha áreas nobres da memória e impede, obstrui a inteligência.

20 Em alguns casos, o volume de ansiedade ou

sofrimento pode ser tão grande que você reage sem nenhuma lucidez. Toda vez que tiver uma experiência que gera alta carga emocional ansiosa você tem de atuar.

21 Certa vez, presenciei um pai e um filho

adolescente brigarem fisicamente na minha frente

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por um problema tolo. O motivo externo era pequeno, mas ele acionava as imagens monstruosas que um tinha do outro e que geravam grave intolerância e crise de ansiedade.

22 Nunca se esqueça de que você deve ser o autor

da sua história. Gerencie seus pensamentos, administre sua emoção, duvide da' sua incapacidade, questione sua fragilidade, veja as coisas por múltiplos ângulos. Se não proteger a memória, não há como ter qualidade de vida.

23 Uma crítica mal trabalhada pode romper uma

amizade. Uma discriminação sofrida pode encarcerar uma vida. Uma decepção afetiva pode gerar intensa insegurança. Uma falha pública pode gerar bloqueio intelectual. As brincadeiras em que certos alunos são chamados por apelidos pejorativos podem gerar graves conflitos.

3-A memória não pode ser deletada como reeditar o filme do inconsciente. Reeditar os arquivos da memória é registrar novas experiências sobre as experiências negativas nos arquivos onde elas estão armazenadas.

24 Nos computadores, a tarefa mais simples é deletar ou apagar as informações. No homem, ela é impossível, a não ser por lesões cerebrais, como um tumor, trauma crânio-encefálico, degeneração celular.

25 Você pode tentar com todas as suas forças apagar seus conflitos, pode tentar com toda a sua habilidade destruir as pessoas que o machucaram, bem como os momentos mais difíceis de sua vida, mas não terá êxito.

26 Há duas maneiras de resolvermos nossos conflitos, traumas, transtornos psíquicos:

1- Reeditar O filme do inconsciente;

2- Construir janelas paralelas às janelas doentias da memória.

27 O segundo caso, construir janelas paralelas, será visto em outro capítulo. Aqui veremos sobre

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28 Quando fazemos a técnica do D.C.D. no momento em que estamos num foco de tensão, nós produzimos novas experiências que são registradas no local em que as experiências doentias estavam armazenadas.

29 Se uma pessoa impulsiva, que agride seus íntimos por qualquer coisa, duvidar continuamente do pensamento de que não consegue superar sua impulsividade, criticar sua agressividade, compreender que ela fere muito quem ama e determinar constantemente ser tolerante, após três meses de treinamento e aplicação diária da técnica do D.C.D., ela reeditará o filme do inconsciente.

30 Ela será mais calma, dócil, mansa. Poderá ainda ter reações impulsivas, mas com menos freqüência e intensidade. Um dos papéis mais inteligentes do "eu" como autor da sua história é reescrever seu passado, reeditar o filme do inconsciente. Não é fácil mudar, reorganizar ou transformar a personalidade, mas é possível, depende de treinamento, perseverança, meta e reeducação.

31 Há outros importantes papéis da memória que não abordarei neste livro.

 

Cuidar da memória é cuidar do futuro da qualidade de vida

32 Muitos se preocupam com o que é registrado nos arquivos dos seus computadores, mas raramente se preocupam com as mazelas arquivadas em sua memória. Achamos que, pelo fato de não nos

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recordarmos de uma experiência negativa, ela foi embora.

33 Como nos enganamos! Não temos consciência do deslocamento das experiências da memória consciente (MUC) para a memória inconsciente (ME). Tudo aquilo de que você não recorda ainda faz parte de você.

34 Não compreendemos que vamos formando bairros doentios na grande cidade da memória, contaminando seu ar, esburacando, suas ruas, destruindo sua iluminação. Não se esqueça dessa figura. Pouco a pouco podemos perder saúde emocional se não filtrarmos os estímulos estressantes, reeditarmos o filme do inconsciente e protegermos a memória.

35 É possível ter uma vida adulta infeliz, mesmo tendo tido uma infância feliz. Mas também é possível, através do gerenciamento dos pensamentos e das emoções, ter uma vida adulta saudável, mesmo tendo tido uma infância traumática.

36 Há ricos que vivem miseravelmente e há miseráveis que fazem de cada dia um novo dia. Eles não possuem roupas de marca, carros luxuosos, casa na praia, mas sua memória é um jardim onde brotam espontaneamente ricas emoções e belos pensamentos. Seus invernos são curtos e suas primaveras são longas.

37 Se você quiser trabalhar os papéis da memória com sabedoria, precisa viver as demais leis da qualidade de vida do PAIQ. Creio que você está entendendo que uma lei depende da outra. Decida mudar seu estilo de vida se ele é estressante, gaste tempo contemplando as pequenas coisas da vida, liberte sua criatividade, treine colocar seus pensamentos debaixo do seu controle, dê um choque de lucidez na sua emoção.

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38 Se fizer isso, seus dias serão felizes; mesmo atravessando seus desertos, suas manhãs serão irrigadas pelo orvalho, seu sorriso será espontâneo e prolongado...

O MESTRE SOS MESTRES DA QUALIDADE DE VIDA.

39 Jesus atingiu patamares espetaculares de gentileza e mansidão. Ele nunca pediu conta dos erros das pessoas. Nunca inquiriu das prostitutas, dos coletores de impostos, dos da terceira idade ou dos jovens seus erros, suas falhas, seus fracassos.

40 Nenhuma pessoa o decepcionava a tal ponto que ele desistisse dela. As ofensas, as críticas, as agressividades, as traições, as negações, as rejeições não eram depositadas como lixo na sua memória. Sua paz valia ouro. Quanto vale a sua paz?

41 Vamos analisar um dos fenômenos sociais mais conhecidos da história, a traição de Judas, e desvendar como Jesus trabalhou com os papéis da memória, como filtrou os estímulos estressantes em situações-limite e como ajudou seus discípulos a desenvolver a arte de pensar.

42 O Mestre dos mestres, ao longo da sua caminhada, recebia pequenas quantias de dinheiro para seu sustento e dos jovens que o acompanhavam. A quem ele confiou a bolsa que continha esse dinheiro? A Judas. Ele era ingênuo ao dar essa atribuição a Judas? De modo algum. Ele conhecia o caráter frágil do seu discípulo, mas nunca desistiu dele. Por quê? Ele não tinha medo de ser roubado por Judas, mas de perdê-lo.

43 Sua atitude revela que ele tinha metas claras para seus discípulos. Trabalhar neles a solidariedade, a arte de pensar, o amor mútuo era mais importante do que todo o dinheiro do mundo.

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Ele desejava que Judas revisse a sua história enquanto cuidava das finanças do grupo. Judas era o mais culto dos discípulos, mas era o menos preparado para a vida.

44 O desprendimento de Jesus indica uma excelente proteção da sua memória. Não ficava remoendo pensamentos negativos em relação ao seu discípulo e contaminando sua memória. Ele sabia que quem é desonesto rouba a si mesmo. Rouba o quê? Rouba sua tranqüilidade, sua serenidade, seu amor pela vida. Queria que Judas aprendesse a pensar antes de reagir e valorizasse o que ele, o Mestre, mais amava.

45 O maior erro de Judas não foi a traição a Jesus, foi sua incapacidade de reconhecer suas limitações. Foi não aprender a ser transparente e perceber que seus maiores problemas estavam dentro dele mesmo. Ele acumulava entulhos na sua memória, principalmente nos últimos meses antes de trair Jesus.

46 No começo, ele estava fascinado com o poder e a eloqüência de Jesus, mas pouco a pouco se frustrou com ele, pois Jesus não tomava o trono político. Ele não entendeu que Jesus queria o trono do coração humano. Trono esse que só poderia ser conquistado com liberdade, sabedoria e amor.

Fascinando intelectuais

47 As atitudes de Jesus deixam fascinados os intelectuais lúcidos. Na última ceia, Jesus anunciou a sua morte e disse, com o coração partido, que um dos discípulos o trairia. Abalados, todos queriam o nome do traidor. Mas Jesus nunca expunha publicamente os erros das pessoas. E você, expõe os erros dos seus filhos, colegas de trabalho e outras pessoas publicamente?

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48 A melhor maneira de bloquear o crescimento de uma pessoa é fazê-la passar por vexame em público. Jesus não daria o nome do traidor, protegeria Judas. Eles insistiram. Então, mostrando uma humanidade admirável, em vez de acusar Judas, deu um pedaço de pão a ele. O traidor queria golpeá-lo, mas o Mestre dos mestres queria saciá-lo. Sabia que ele tinha fome de paz.

49 Ninguém percebeu o que se passava, apenas Judas. Em seguida, mais uma vez, ele demonstrou uma força e serenidade brilhante como o sol. Disse sem temor a Judas: "O que pretendes fazer, faze-o depressa".

50 Ele não o criticou, não o pressionou, não o controlou. Teve a ousadia de dizer que se Judas quisesse traí-lo, poderia fazê-lo e depressa. Nunca na história alguém teve uma atitude tão altruísta com seu traidor. Mais uma vez eu afirmo: ele não tinha medo de ser traído por Judas, tinha medo de perdê-lo.

51 Ao dar-lhe um pedaço de pão em vez de agredi-lo e ao encorajá-lo a tomar livremente a atitude que quisesse, ele estava gritando docilmente para que Judas repensasse sua história, protegesse sua memória e se tornasse líder de si mesmo.

52 Stalin matou milhões de pessoas. Foi um dos maiores carrascos da história. Dentre suas vítimas, estavam dezenas de amigos. Por quê? Porque tinha paranóia: idéia de perseguição associada à insensibilidade, incapacidade de sentir a dor dos outros. Era um homem grande por fora, mas pequeno por dentro.

53 O simples fato de suspeitar que seus amigos o estavam traindo era suficiente para condená-tos e fazê-los declarar publicamente que eram traidores. Ele dominava a mente e o destino das pessoas.

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54 Infelizmente, em grau menor, mesmo pessoas éticas querem controlar as pessoas. Desejam que elas gravitem em torno de si. Jesus era diferente. Mesmo sabendo que iria ser traído por Judas e negado por Pedro, liderou seus pensamentos, administrou sua emoção, protegeu a sua memória e deu plena liberdade a eles.

55 No ato da traição, houve mais uma prova de que Jesus estava tramando reconquistar Judas, Judas chegou com uma grande escolta. Estava nervoso e ofegante. Precisava identifica-lo naquela noite escura e fria. Embora fosse trair o Mestre dos mestres, sabia que ele era profundamente dócil. Bastava um beijo para identificá-la. Então, tomou a frente da escolta e foi beijá-lo.

56 Você se deixaria beijar por seu traidor? Muitos nunca mais conversaram com seus amigos depois de uma decepção. Jesus se deixou beijar. As atitudes incomuns de Jesus continuaram. Ele fitou seu traidor e disse-lhe: "Amigo, para que vieste? Com um beijo trais o Filho do homem?".

57 Não se tem notícia na história de que um traidor tenha sido tratado com tanta gentileza. Nunca o amor chegou a patamares tão altos. Ele chamou seu traidor de amigo. Não mentiu. Como o mais fiel e consciente dos homens, ele cumpriu sua palavra ao extremo. Ele havia dito no Sermão do Monte que deveríamos dar a outra face aos inimigos e amá-los. Ele amou Judas deu a outra face a ele no limite superior da frustração.

58 Somente alguém que tem uma saúde emocional excepcional e uma força psíquica imbatível é capaz de tomar essa atitude. Nenhum psiquiatra chegou perto dessa maturidade. Freud baniu da família psicanalítica quem pensava diferente de suas idéias. Jesus incluiu seu traidor, atraiu-o para si e procurou; proteger sua emoção e

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sua memória. Queria conquistar Judas e evitar que ele se suicidasse.

 

Somos traidores da nossa qualidade de vida

59 Quem analisa esses fatos sob o ângulo da psicologia e psiquiatria tem de se dobrar diante da sua grandeza. Há menos de uma hora o Mestre da vida estava no extremo do estresse, agora ele estava no extremo da inteligência.

60 Jesus golpeou a ambição de Judas. Nunca alguém amou tanto, incluiu tanto, apostou tanto, deu tantas chances a pessoas que mereciam tão pouco. Infelizmente, Judas não conseguiu entender a linguagem do seu mestre.

61 Ele através do fenômeno RAM, registrou de maneira intensa sua traição nos solos da sua memória. Saiu de cena perturbado. Percebeu a incompreensível amabilidade de Jesus, mas não se deixou ser alcançado por ela. O que é pior, ele começou a gravitar em torno da zona de conflito (Janela Killer, a ser estudada) que criou.

62 O fenômeno do Autofluxo começou a ler velozmente essa zona de conflito e produziu milhares de pensamentos sem autorização do "eu", que, por sua vez, alimentou seu sentimento de culpa e o atormentou intensamente. Desse modo, o fenômeno do Autofluxo, que deveria gerar uma fonte de prazer, gerou um teatro de terror. Não foi autor da sua história, mas vítima dos seus erros. Infelizmente, contra o clamor de Jesus, ele desistiu de si mesmo.

63 Pedro não cometeu um erro menos grave do que o de Judas, mas deixou-se ser alcançado por seu mestre. Seus erros lapidaram a pedra tosca e produziram nele um diamante. Ele aprendeu com

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Jesus a ser compreensivo, amável e gentil com todas as pessoas, pois entendeu que a sabedoria de um ser humano não está em não errar, mas em usar seu erro como alicerce de crescimento.

64 Nesses anos todos, exercendo a psiquiatria e pesquisando os segredos da mente humana, descobri que não sabemos proteger a memória e, por isso, todos nós temos algumas atitudes de Judas em nosso currículo, ainda que inconscientemente. Quem não é traidor? Você pode nunca ter traído alguém, mas dificilmente não traiu sua qualidade de vida.

65 Quantas vezes você disse que seria uma pessoa mais paciente, mas uma ofensa o levou à ira? Você traiu a sua intenção. Quantas vezes você prometeu que amaria mais, sorriria mais, viveria mais suavemente, trabalharia menos, se preocuparia menos, mas não cumpriu sua promessa? Alguns traem seu sono, outros traem seus sonhos.

66 O Mestre da qualidade de vida tem muito a nos ensinar. Você está disposto a ser um pequeno aprendiz?

 

Painel I (Não tenha medo de trocar

Pontos sugeridos para

reflexão e discussão experiências, chorar e

contar suas dificuldades.)

1. Precisamos conhecer os papéis da memória para

ter ferramentas para proteger a caixa de segredo

da nossa personalidade e filtrar os estímulos

estressantes. Que papel da memória mais

impressionou você?

2. O registro da memória é automático, realizado

pelo fenômeno RAM. Tudo que se passa no palco

da nossa mente é registrado automaticamente.

Todos os dias, plantamos flores ou acumulamos

entulhos em nossa memória. Você sabia disso?

242

Você tem se preocupado com o que é registrado

em sua memória?

3. A emoção determina a qualidade do registro. As

experiências com maior volume de tensão são

registradas privilegiadamente. Você procura

trabalhar sua ira, raiva, ansiedade, frustração,

para proteger sua memória?

4. A memória não pode ser deletada, só reeditada.

Você duvida dos pensamentos negativos, critica

suas reações ansiosas e determina ser livre para

reeditar o filme do inconsciente? Ou espera

passivamente suas crises passarem?

5. O Mestre do amor nunca desistiu de ninguém.

Deu todas as chances aos que erraram, falharam,

traíram, negaram e desprezaram sua qualidade

de vida. Você dá novas chances para si mesmo?

Sabe começar tudo de novo? Aposta nas pessoas

que o desapontam?

Painel II

Exercícios para prática

diária

1. Faça um relatório das características da lei

“Trabalhar os papéis da memória descritas no

início desse capítulo, que você precisa

desenvolver”.

2. Faça um relatório registrando se você filtra os

estímulos estressantes, se protege sua memória

ou permite que pequenas coisas lhe causem

perturbações, angústias, ansiedade.

3. Lembre-se de que uma lei da qualidade de vida

depende da outra: contemple o belo, liberte a

criatividade, gerencie os pensamentos e emoções;

244

enfim, pratique essas leis para trabalhar

adequadamente os papéis da memória.

4. Atue nos traumas, conflitos, dificuldades internas

dos quais você tem consciência usando a técnica

do D.C.D. Reedite o filme do inconsciente. Abra

as janelas saudáveis da sua memória.

5. Não seja passivo diante das idéias e reações

emocionais que o perturbam. Enfrente e repense

sua ansiedade, preocupação social excessiva,

excesso de atividades, imagens mentais e

pensamentos doentios. Seja autor da sua história.

Eis sua grande meta!

Faça um relatório dos seus exercícios durante a semana. O que praticou e qual foi o resultado?

Relatório

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Capitulo 8

A ARTE DE OUVIR E A ARTE DE DIALOGAR

8ª Lei da qualidade de vida

Oitava Semana do PAIQ

1A arte de ouvir é:

1. Arte de se esvaziar para ouvir o que os outros

têm para dizer e não o que queremos ouvir.

2. A capacidade de se colocar no lugar dos outros

e perceber suas dores e necessidades sociais.

3. Penetrar no coração psíquico e desvendar as

causas da agressividade, da timidez, da

angústia, dos comportamentos estranhos.

4. Interpretar o que as palavras não disseram e o

que as imagens não revelaram.

5. Ter a sensibilidade para respeitar as lágrimas

visíveis e perceber as que nunca foram

choradas.

A arte de dialogar é:

1. Arte de falar de si mesmo.

2. Trocar experiência de vida.

3. Revelar segredos do coração.

4. Ser transparente. Não simular os sentimentos e

as intenções.

5. Não ter vergonha das suas falhas nem medo dos

seus fracassos.

6. Respeitar os limites e os conflitos dos outros.

Não dar respostas superficiais.

7. O diálogo interpessoal que cruza os mundos

psíquicos e implode a solidão.

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2A arte de ouvir e de dialogar são duas das mais nobres funções da inteligência. Elas são cultivadas no terreno da confiabilidade, da empatia e da liberdade. Onde há falta de confiança, muitas cobranças excessivas e controle social, essas duas preciosas artes da inteligência não sobrevivem.

3As duas artes se complementam. Uma depende da outra. Quem não aprender a ouvir nunca saberá dialogar. Quem não aprender a falar de si mesmo, nunca será um bom ouvinte.

A relação conjugal

4Grande parte dos casais desenvolvem uma grave crise afetiva porque não aprendem a arte de ouvir e dialogar. Sabem conversar, mas não sabem falar de si. Conversam sobre política, dinheiro, teatro, mas emudecem sobre suas histórias. Sabem ouvir sons, mas não a voz da emoção. Têm ousadia para brigar, mas têm medo de falar dos próprios sentimentos. Ficam anos juntos, mas não se tornam grandes amigos.

5A personalidade é uma grande casa. A maioria dos maridos e esposas conhece, no máximo, a sala de visitas uns dos outros. Conhecem os defeitos de cada um, mas não as áreas mais íntimas do seu ser. Discutem problemas, mas não se tornam cúmplices da mesma aventura.

6Não revelam suas mágoas, não falam dos seus conflitos, não apontam suas dificuldades. Se você quer cultivar o amor. O melhor caminho não é dar caros presentes, mas dar uma jóia que não tem preço: o seu próprio ser. A arte de ouvir refresca a relação e a arte de dialogar nutre o amor. São leis universais que fundamentam a qualidade devida das relações sociais.

7Quem desejar cultivar o amor precisa ter coragem para fazer pelo menos quatro importantes

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perguntas durante toda a vida à pessoa que ama: Quando eu a(o) decepcionei? Que comportamentos meus a(o) aborrecem? O que eu devo fazer para torná-Ia(lo) mais feliz? Como posso ser um(a) amigo(a) melhor?

8Você tem feito com freqüência essas perguntas? Muitos nunca as fizeram. Eles consertam as trincas da parede, mas não as trincas do relacionamento; estancam a água da torneira que vaza, mas não o vazamento da amizade e afetividade.

9Belos casais com belos começos têm tristes finais porque não treinam ser amigos, não treinam trocar experiências. São ótimos para defender seus pontos de vista, mas raramente reconhecem seus erros. Quem não erra? Quem não tem atitudes tolas? Ganham batalhas, mas perdem o amor.

10 Por que não sabem falar de si mesmos? Porque têm medo de ser criticados, incompreendidos, ridicularizados. Têm medo da guerra emocional que se instala quando falam os segredos do coração, quando comentam sobre os reais sentimentos.

11 Para dialogar é necessário não ter medo de reconhecer as próprias falhas e nem ter vergonha de si mesmo. Para ouvir é necessário ter medo do que o outro vai falar. É preciso cumplicidade. Uma das coisas mais relaxantes de uma relação é ter a convicção de que não somos perfeitos, é saber que precisamos uns do outro.

Continuar: parte 3 de 3