A Menina do CEO

Jéssica Larissa · Capítulo 2 de 5 · parte 9/9

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A Menina do CEO

Capítulo

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 9 partes.

— Querida, você e o Cadu…

— Sim, mamãe. Passamos a noite juntos — confirmo.

— Eu sabia. Esse sorrisinho apaixonado não engana ninguém, menina.

— Meu Deus, mãe. É tão obvio assim? — Desvio o olhar e sorrio, envergonhada.

— Quer mesmo que eu responda? — Olho na sua direção e a vejo esboçar um sorriso divertido. — Não precisa ficar com vergonha, menina. Sou sua mãe e também sou mulher. Entendo o que está sentindo.

— Tudo bem. É que é estranho falar dessas coisas com a senhora, dona Karine.

Arqueio uma sobrancelha e ela sorri, balançando a cabeça.

— Como será agora, filha? Digo… Foi só dessa vez ou vão continuar se encontrando? Espero que tenham se protegido, mocinha.

Sinto um frio gelado na barriga quando ouço sua pergunta sobre termos nos protegido, no entanto, respondo-lhe, omitindo alguns fatos e acrescentando outros: — Bom, sim… O Cadu me pediu em namoro. Na verdade, ele quer pedir a minha mão para o papai, mas insisti para ele esperar um pouco, até eu conversar com a senhora. Acho que o papai não vai encarar isso com bons olhos.

— Sim, tem razão, querida. Nem quero ver o dia que ele descobrir tudo. Vai ficar uma fera. — Seu olhar sereno passa de divertido para preocupado.

Levanto-me e fico de costas. Abraço o meu corpo e fito as pequenas plantas que ela trouxe consigo.

— Tenho medo que o papai cometa alguma besteira. Ele sempre confiou cegamente no Cadu. Será um choque grande — comento, aflita.

— Sim, é verdade. — Ela também se levanta e caminha até onde estou, tocando o meu ombro. — Mas não tem que ficar pensando nisso. — Viro o meu corpo na sua direção e mamãe coloca as mãos sobre os meus ombros. — Apesar de tudo, seu pai precisa entender que você não é mais uma menininha. É uma mulher, linda e inteligente, que corre atrás dos seus objetivos e sabe o que quer.

Meus olhos marejam quando escuto suas palavras, e a abraço.

— Obrigada… Obrigada por tudo. — Seco as minhas bochechas usando a palma da minha mão e continuo: — O seu apoio é muito importante para mim.

— Não chore, querida. Saiba que tenho muito orgulho da pessoa que você se tornou.

Afasto o meu corpo do seu abraço e sorrio, ainda mais feliz.

— Também sou orgulhosa de tê-la como a minha mãe.

 

Alguns dias depois.

 

Enquanto meus pais me aguardam na sala, termino de me arrumar, borrifando um perfume suave no meu pescoço. Olho uma última vez no espelho e sorrio, aprovando o resultado.

O vestido preto e discreto com mangas compridas, batendo na metade das minhas coxas, cai como uma luva sobre o meu corpo, valorizando as minhas curvas. Dou uma voltinha, sentindo o movimento balançar os meus cabelos, e pego a minha bolsa.

Meu corpo está exasperado em expectativa para chegarmos logo ao casamento de Priscila e eu poder ver meu namorado dentro de um terno elegante. A última vez que nos vimos foi há dois dias, quando fizemos amor em um motel próximo à faculdade durante o intervalo de almoço dele.

Desço os degraus quase correndo e sou amparada por papai, que segura a minha mão e me faz dar um giro na sala.

— Gostaram? — pergunto e dou mais uma voltinha.

— Com certeza está mais bonita que a noiva — diz meu pai, sorridente.

— Está perfeita, querida — diz mamãe, piscando o olho. Ela mais que ninguém sabe o motivo da minha empolgação.

Abro um sorriso imenso e seguimos para o carro. Ao chegarmos na igreja, sento-me em um dos bancos da frente, ao lado dos meus pais, e aguardo a cerimônia começar.

Em alguns instantes, vejo o Cadu chegar com a sua mãe e caminhar na nossa direção. Ele está maravilhoso, todo elegante com seu paletó preto e gravata borboleta. Os cabelos bem penteados, a barba bem-feita. Meu coração dá um salto quando ele me olha e sorri por poucos segundos, mas logo retoma a compostura séria e nos cumprimenta com um aperto de mão.

Dona Rebeca também nos cumprimenta sorridente e olha para a minha mãe de soslaio como se para confirmar se ela sabe de algo. Quando mamãe pisca um olho e olha para o Cadu disfarçadamente, vejo dona Rebeca abrir um sorriso brando e abraçá-la alegre.

Minhas bochechas coram e meu coração dispara quando sinto a mão do Cadu procurar a minha enquanto conversa com o meu pai. Ele a acaricia de leve, fazendo uma corrente elétrica correr por todo o meu corpo devido à temperatura do seu toque, e depois a solta, deixando-me trêmula e quase sem ar. Uma mistura de adrenalina e medo me invade.

Eles seguem até o altar e cada um toma o seu lugar. O Cadu será padrinho do casamento com uma outra amiga da noiva. Infelizmente, quando eu e Priscila nos conhecemos, os padrinhos e madrinhas já estavam definidos e ela me pediu um milhão desculpas.

Mas tudo bem também. Sinto-me feliz por saber que em alguns instantes ela estará se casando com o amor da sua vida, enquanto o meu não para de me olhar.

A noiva entra na igreja, tão linda quanto uma princesa, e a cerimônia se inicia. Tento focar minha atenção no casal, mas vez ou outra meu olhar recai sobre o homem elegante, em pé, próximo ao altar. Os olhos oceânicos e brilhantes se encontram com os meus e não consigo disfarçar um sorriso modesto. Preciso desviar a atenção para não entregar a todos os presentes o segredo que guardamos.

Quando o casamento termina, espero que os noivos e padrinhos sigam para a saída da igreja. Parabenizo os recém-casados e sigo para o carro para aguardar os meus pais e seguirmos para o local da festa.

O local do evento é amplo e bem iluminado. A decoração é requintada e elegante, com detalhes prateados e dourados nas paredes. Muitos lustres e arranjos aéreos dão um toque romântico e alegre na decoração, além das mesas de doces espalhadas pelo salão, decoradas com lindas flores brancas.

Fico encantada com o requinte e bom gosto agregado a cada detalhe. Meu sorriso se amplia ao imaginar que algum dia poderá ser eu.

Meus pais se encontram com alguns amigos e aproveito para pegar um drink e aguardar o Cadu chegar. Encontro um salão decorado com sofás e almofadas e sento-me. Após alguns minutos, recebo uma mensagem dele, informando que chegará em alguns instantes.

Os minutos se arrastam demoradamente. Balanço a perna cruzada em cima da outra por diversas vezes enquanto observo algumas pessoas andarem de um lado a outro no salão. Pouco tempo depois, eu o vejo se aproximar e seu sorriso se ilumina ao pôr os olhos em mim. Meu coração bate descompassadamente dentro do meu peito a cada passo que ele dá.

— Oi. — Senta-se do meu lado e passa a mão pela minha cintura. — Que saudades, querida.

A boca quente vai de encontro à minha, mergulhando a língua morna para o meu interior, roubando-me um beijo ardente.

— Cadu… Espera. — Afasto-o sem ar. — Não podemos fazer isso aqui.

Percebo que algumas pessoas nos observam surpresas, mas voltam a nos ignorar.

— Bia… Eu não suporto mais essa situação — sussurra — Quero poder beijar e abraçar você em qualquer lugar. Sem medo!

— Eu sei, mas precisa esperar um pouco — digo temerosa.

— Porra, Bia! Tem ideia de como estou me sentindo por não poder tocar você? Estou enlouquecendo.

— Logo iremos mudar isso, Cadu. Por favor, espere mais um pouco.

Ele suspira pesadamente e toca o meu queixo.

— Do que tem medo, Bia? Por acaso sente vergonha por eu ser mais velho? Diz! — Vejo a mágoa se apossar do seu semblante, e então ele se afasta. — Não sou mais um garoto para continuar com joguinhos, menina.

— Não diga isso. — Eu me aproximo mais do seu corpo e sussurro: — Claro que não tenho vergonha. Por acaso já se olhou no espelho, tio? — Sorrio, provocando-o.

Sua expressão se fecha mais, fazendo-o fechar os punhos.

— Do que tem medo, Beatriz?

— Tenho medo por você, Cadu. Não sei qual será a reação do papai — confesso.

— Eu me entenderei com ele, menina. O que não suporto mais é continuar assim, distante. Sem poder beijar ou tocar você sempre que eu quiser. Minhas bolas vivem doendo de tanto tesão reprimido.

Não consigo disfarçar um sorriso e gargalho, vendo o Cadu sorrir também.

— Também estou louca para fazer algumas coisas com você… — confesso, mordiscando o lábio, voltando a me aproximar.

Nossos lábios se encontram outra vez em um beijo lento e sensual.

— Quero fazer amor com você, querida. Meu pau está queimando…

— Acho que podemos fugir um pouquinho, o que acha? — pergunto baixinho, próximo ao seu ouvido.

— Meu apartamento?

— Hum. Acho que não. Tenho outro lugar em mente — digo e me afasto. — Me encontre lá fora em alguns minutos.

Ele sorri, passando a mão em cima do pênis disfarçadamente, e balança a cabeça em concordância.

Tomo distância, rebolando e olhando na sua direção, sorridente, tendo o olhar azulado focado na minha bunda. Assim que passo pela área da piscina e sigo na direção do portão, escuto alguém me chamar e então paro no meio do caminho.

Vejo Victor caminhando na minha direção, aproximando-se com um sorriso no rosto.

— Bia? — chama. A expressão leve, decidida. O olhar focado nos meus olhos. — Como está linda.

— Obrigada! — Forço um sorriso amarelo e olho em volta à procura do Cadu. Sei que ele não ficará muito satisfeito se me vir conversando com o Victor.

— Está sozinha? — pergunta e toca a minha mão, levando-a até seus lábios, depositando um beijo.

— Estou com os meus pais — respondo nervosa.

— Posso te fazer companhia? — Sinto minhas pernas tremerem e minha respiração falhar quando ele dá mais um passo na minha direção, quase colando os nossos corpos.

— Victor, olha, não podemos… — No entanto, sou interrompida por sua boca ávida que procura a minha de repente.

Nervosa, desvio o meu rosto e sinto sua respiração descompassada no meu pescoço. Empurro-o.

— Bia… Quero que seja a minha namorada.

— Sinto muito, Victor, mas eu amo outra pessoa. Sempre deixei isso claro para você!

Os olhos escuros me fitam tristes e meu coração se aperta. No entanto, sinto cada músculo do meu peito se enrijecer quando ouço a voz do Cadu nas minhas costas e logo as mãos firmes e possessivas me seguram pela cintura.

— Ela já tem um namorado, frangote. Afaste-se da minha mulher.

CARLOS EDUARDO

— Se divertindo, Beatriz? — digo hostil, virando-me para ela, vendo o fedelho se afastar.

O ciúme me toma de forma dolorosa. Meu sangue ferve sem controle, as lembranças amargas me atingem.

— Cadu, eu… — Ela tenta se explicar, mas sua voz não sai. Está nervosa, trêmula.

Preciso respirar fundo para não fazer uma besteira. Meus nervos se afloram mais, a imagem dele tentando beijá-la não sai da minha cabeça. Victor nos encara surpreso, como se não acreditasse no que está vendo, e questiona na direção de Beatriz: — É por causa dele que você nunca me deu uma oportunidade, Bia? É ele o homem que você vive dizendo amar?

Beatriz assente de forma silenciosa e meu coração dispara. Passo a mão por meus cabelos, nervoso, sem saber o que dizer ou como reagir. A verdade é que, por um instante, pensei que ela seria como a outra, uma mentirosa que apenas me usou. Mas, agora, vendo-a me encarar receosa, os olhos lacrimejando, a confissão de Victor sobre os sentimentos dela, percebo o quão idiota sou.

— Sim, é por causa dele, Victor. Sinto muito por nunca ter podido corresponder aos seus sentimentos.

Victor olha de mim para ela, alarmado. Vejo em seu semblante que o que sente por ela é real. É exatamente assim que eu ficaria se descobrisse que a mulher que amo é apaixonada por outro.

Logo em seguida, ele assente com a cabeça e sai desnorteado, perdido.

Um bolo se forma em meu peito quando ela me abraça, trêmula, a voz entrecortada.

— Cadu, ele tentou… Eu não fiz…

— Bia — chamo o seu nome, interrompendo-a, e faço com que ela me olhe. Os olhinhos verdes brilham, fazendo meu coração disparar desesperadamente. — Eu amo você, pequena. — Abraço-a e enfio meu nariz nos seus cabelos. — Sei que você não fez nada.

Digo isso para ela e para mim mesmo, colocando uma pedra no passado e permitindo que o presente e o futuro me abracem. Deixo para trás as amarguras que me fizeram duro e permito que minhas muralhas caiam por terra. Beijo os seus lábios e pego Beatriz nos braços, ouvindo-a gritar assustada. Levo-a até o carro, estacionado do outro lado da rua.

— E então, para onde estamos indo? — pergunto, lembrando que ela havia dito ter um lugar em mente para irmos.

Um pouco mais calma, Beatriz passa as instruções, e eu sigo a rota até sairmos da cidade. No caminho, ela conecta o celular ao bluetooth do carro e seleciona uma playlist do Zayn. Ao chegarmos no local indicado, perco o fôlego ao ver que é a mesma praia do resort, iluminada pela luz da lua cheia. A esta hora, está deserta.

Beatriz tira as sandálias e sai do carro, sorridente. A brisa do mar balança os cabelos longos e sedosos, e, então, peça por peça, ela começa a tirar a roupa. Com o olhar cravado no dela, saio do carro e caminho até Beatriz, admirando cada pedacinho do corpo nu que tanto me enlouquece.

Seguro minha menina pela cintura e encosto minha boca na sua, minhas mãos descendo até o traseiro durinho, apertando-o.

— Eu quero você aqui, amor… — sussurra e leva a mão até a minha camisa.

Gemo baixinho ao alcançar os seios pequenos e apertá-los. Como se minha vida dependesse disso, começo a apalpar o seu corpo em todos os lugares, gravando as formas das curvas dela na minha mão.

— Porra! — Grunho quando ela termina de retirar o meu terno, abre os botões da minha camisa e depois enfia a mão dentro da minha calça, arrancando o meu pau para fora. — Eu nunca pensei que pudesse desejar alguém tanto assim. — Deslizo minhas mãos até o interior das suas pernas e acaricio o triângulo do seu sexo. — Meu pau está tão duro que chega doer.

Ela sorri baixinho e mordisca o lábio. Segura meu pênis com firmeza e o masturba devagar, arrancando outro gemido da minha garganta, enlouquecendo-me.

— Perfeita para mim — murmuro.

Abraço Beatriz com força, ergo-a do chão e a levo na direção do carro. Quando me aproximo o suficiente, coloco o seu corpo em cima do capô, com as pernas abertas, e me posiciono entre elas.

Começo chupando os peitinhos pequenos, lambo e sugo os bicos durinhos até fazê-la se contorcer de prazer. Quando alcanço o pescoço delicado, mordisco e chupo a pele macia, deliciando-me com seu gosto e o seu cheiro.

— Cadu… Meu Deus…

Continuo lambendo-a toda, abro as suas pernas e arreganho os lábios da sua boceta, meto e retiro a língua várias vezes. Subo novamente com movimentos libidinosos e alcanço a sua boca. Chupo e mordo sem pena, devorando-a, demonstrando o quanto ela me enlouquece.

Ainda vestido, termino de descer o zíper da minha calça e levo o pau até a entradinha melada. Com uma única estocada entro todo dentro dela, deixando Beatriz arfante, a respiração errática.

— Aiii — ela grita e firma os braços no capô do carro, levantando a cabeça para me ver entrando todo.

— Vem, princesa, olha o seu macho te comendo. — Alcanço os cabelos da sua nuca e puxo, deixando seu pescoço à mercê da minha boca. — É gostoso, não é?

Giro o quadril, alucinado, vendo a boceta pequena e esticada além do limite, engolindo-me por completo.

— Sim… Sim… — Ela grunhe e eu saio do seu corpo. Sorrio quando ela reclama, mas, para suprir a sua necessidade, coloco a minha menina de quatro em cima do capô e abro as bandas do traseiro gostoso.

Sem cerimônia, enfio o meu rosto entre as suas pernas e meto a língua no anelzinho virgem. Minha respiração acelera quando enfio um dedo na entrada do sexo escorregadio e sinto seus líquidos descendo, melando a minha mão. Beatriz ofega e choraminga mais, empinando a bunda, dando-me total acesso ao seu corpo.

Afasto-me e subo para as suas costas, mordendo e lambendo sua pele enquanto masturbo o meu pau. Puxo Beatriz para mim e a abraço por trás, perdido no momento que nos envolve, sentindo o meu membro quente esmagado entre o meu corpo e o dela.

Seguro o seu queixo com brusquidão e faço com que ela vire o rosto na minha direção. Chupo os lábios deliciosos com vontade, mordo e penetro a língua na sua boca de forma imoral, dura e crua.

Ela geme mais, perdendo o equilíbrio das pernas, e eu a seguro entre os meus braços. Abro a porta do Aventador e a coloco sentada no banco do carona.

O olhar cheio de luxúria fixa-se no meu, faminto e guloso. Os cabelos compridos grudam no corpo suado, deixando Beatriz extremamente sexy, um verdadeiro pecado em forma de mulher.

— Bia … — gemo o seu nome e fecho os meus olhos quando ela segura o meu pau e o leva até a boca. Lambe a cabeça robusta, suga os nossos líquidos e depois chupa, engolindo-o quase todo. Seguro os seus cabelos, formando um rabo de cavalo, e acaricio o seu queixo, voltando a abrir os olhos para fitá-la.

Os estalos das suas chupadas no meu pau lambuzado me deixam louco e preciso me segurar para não gozar em sua boca como um animal no cio.

— Querida… — Tento sair da sua boca, mas ela parece estar disposta a ir até o fim. — Bia, vou encher a sua boca de porra se você não parar — advirto ao sentir o meu corpo tremer e as ondas do prazer se apossarem das minhas bolas. — Porra!

Afasto o meu corpo, tentando me controlar, mas ela crava os dedos nas minhas coxas, ao mesmo tempo em que abocanha meu pau todo, impedindo que eu o retire da sua garganta.

É o meu fim.

O primeiro jato sai forte, fazendo-me ranger os dentes tamanho é o prazer que sinto. Seguro-me na porta do carro, firmando-me para não desabar no chão, e me entrego à sensação do prazer, sentindo minhas bolas se contraírem, liberando todo o tesão acumulado.

Beatriz engasga e se afasta um pouco, tomando outro jato forte entre os lábios. Meu gozo mela o seu queixo e escorre por seu pescoço, fazendo o meu prazer se prolongar com a cena mais erótica e deliciosa que já vi em toda a minha vida.

Louco e insensato, puxo as suas pernas na minha direção, fazendo a minha menina se deitar bruscamente, e monto o seu corpo, enterrando-me todo dentro dela, até o talo.

— Oh, céus! — Ela reclama devido à invasão inesperada, mas não paro, o prazer ainda me consumindo.

Meto forte. Profundo. Uma, duas, três vezes, fazendo Bia gritar mais e me arranhar alucinada. O interior do carro é tomado pelo som dos nossos sexos lambuzados chocando-se, nossas bocas resfolegando uma na outra, e então a sinto estremecer.

Enfio uma última vez e sinto a boceta gulosa contraindo-se, liberando todo seu prazer.

Beatriz abre a boca formando um "O" e fecha os olhos. Suas unhas cravam-se nos meus braços, o corpo tremendo, o suor escorrendo por sua testa. Puxo o ar para os meus pulmões e desabo em cima dela, sentindo-me saciado e de peito inflado.

CARLOS EDUARDO

A música First do SoMo começa a tocar baixinho no som do carro, fazendo-me relaxar mais, quase dormindo em cima dela. A letra praticamente define o que acabamos de fazer aqui.

— Cadu… — Beatriz reclama debaixo do meu corpo e coloca a mão no meu ombro. — Você está… me sufocando.

Sorrio com a respiração entrecortada e apoio um braço no banco, ao lado das suas costelas. Afasto-me um pouco e a encaro.

— Ajoelhou tem que rezar, menina! Estou morto de cansado.

— Você é pesado. Quase me esmaga. — Sorri e retira um punhado de cabelo que gruda no seu pescoço. — Já não basta ter quase me afogado com um litro de esperma?

Gargalho e me afasto mais, retirando o meu pau da sua entrada. Beatriz ofega e contrai o corpo.

— É o preço que se paga por ter deixado seu homem louco, danada.

— Eu amo deixar você louco — confessa com carinha de safada, mordiscando o lábio.

— Eu sei… — Curvo meus lábios em um sorriso e tiro mais alguns fios de cabelo do seu rosto e pescoço. — Me deixou tão louco que cometi a maior loucura de toda a minha vida.

— Por acaso está arrependido, senhor Ferraz? — questiona.

— Nem um pouco. Faria tudo de novo se fosse preciso. — Acaricio o seu queixo e ela toca a minha mão, retribuindo a carícia. Seu sorriso se abre brandamente, mas então logo vejo um resquício de preocupação tomar a sua face.

— Amor, olhe o meu estado. Como poderei voltar para a festa assim? — diz, referindo-se ao cabelo molhado de suor e ao esperma escorrendo pelo pescoço.

— Para mim, você está perfeita. — Pisco.

Ela fecha a cara, irritada.

— Cadu, estou falando sério. Mesmo que eu me lave na água do mar, como explicarei meu cabelo molhado para o papai e a mamãe? Não dá para simplesmente inventar uma desculpa.

Respiro fundo, entendendo perfeitamente o que ela quer dizer, e tomo a decisão mais sensata possível, algo que eu já deveria ter feito há muito tempo.

— Ainda hoje irei conversar com o seu pai, Beatriz. Chega de omitir sobre nós dois. Poderemos ficar juntos onde quisermos, você poderá ir a eventos como minha namorada e dormir em minha casa …

Ela arregala os olhos, surpresa.

— Cadu… mas…

— Bia, por favor. Chega disso! — Levanto-me e subo o zíper da calça. — O Felipe precisa saber. Ele é meu amigo, como acha que me sinto escondendo algo assim dele?

— Céus! Eu vou morrer de vergonha — diz, tapando o rosto com as duas mãos.

— Vem, querida. Precisamos encarar as consequências, não há outra saída — digo e estendo a mão para ela se levantar.

Ela segura a minha mão e assente com a cabeça. Beijo seus lábios mais uma vez e aguardo que ela se vista. Contudo, sou surpreendido quando Beatriz corre na direção do mar e vira-se para mim.

— Vem, Cadu… — Sorri enquanto dá alguns passos para trás dentro da água e prende os cabelos no topo da cabeça para não molhar. — Entre aqui comigo.

— Bia… — Tento adverti-la e pedir para irmos embora, mas o traidor do meu pau começa a ficar duro de novo e o corpo dela nu, banhado pela luz da lua, me deixa tonto.

Fascinado, dou alguns passos na sua direção, vendo a minha menina sorrir tendo as ondas suaves como pano de fundo.

Caralho, Bia.

Com o olhar preso nos dela, retiro a minha camisa, seduzido, e a jogo na areia. Faço o mesmo com a calça e a cueca boxer.

De repente, sinto um arrepio estranho na espinha e uma sensação ruim me toma, no entanto, ignoro e continuo andando até sentir a água fria tocando os meus pés.

Beatriz corre na minha direção e pula em meus braços, entrelaçando as pernas na minha cintura, grudando os lábios na minha boca, feliz.

Seguro o seu quadril com firmeza e caminho com ela dentro do mar até ter metade dos nossos corpos cobertos pela água azul do oceano. Ela se enrosca mais em mim, acaricia os meus cabelos e procura a minha boca. Nossos corpos se arrepiam por causa do vento que sopra sobre nossas peles molhadas. Permanecemos assim, em silêncio, amando-nos devagar entre beijos e carícias, tomados pela sensação deliciosa de estarmos abraçados.

Quando saímos da água, forro a minha camisa na areia e me deito, trazendo minha menina comigo, por cima do meu corpo.

Beatriz monta no meu pênis e desce lentamente, entregando-se mais uma vez ao nosso desejo.

Prendo a respiração e a deixo comandar o ritmo, subindo e descendo devagar até não aguentarmos mais e então gozamos juntos, entre gritos e gemidos ofegantes, beijos ardentes e arranhões.

Ela encosta a cabeça no meu peito e permanecemos assim, em silêncio, até nossas respirações se normalizarem. De volta à realidade, lembro que temos que voltar. Afinal, fugimos da festa sem qualquer explicação, devemos satisfação aos seus pais.

— Vamos, querida? Precisamos voltar — chamo, e ela concorda.

Percebo no seu olhar que está receosa pelo que vamos enfrentar, contudo, assente e levanta-se.

Já vestidos, entramos no carro e dou a partida. Dirijo devagar, com a mão em cima da sua coxa, acariciando-a enquanto reflito sobre tudo, embora a tensão se faça presente em cada célula do meu organismo. Apesar de tudo, sou um homem maduro e vivido. Tenho responsabilidades, e a primeira delas é assumir as consequências dos meus atos.

Antes de voltarmos para a festa, passo no meu apartamento às pressas e troco a camisa amarrotada e coberta de areia. Beatriz, retoca a maquiagem usando algumas coisas da pequena bolsa de mão, arruma o vestido e os cabelos, e retornamos para o carro.

Enquanto dirijo, perdido em pensamentos, tomo um susto quando o celular da Bia toca e ela atende. Estaciono o carro no acostamento às pressas quando a vejo pôr a mão sobre os lábios e começar a chorar, aflita.

— Querida, o que foi? — Pego o celular da sua mão e a abraço, sentindo seu corpo tremer por causa dos soluços.

— Cadu, era a Gracy… O Pedro… Ele… — Sua voz falha.

— Bia, respira. Fale com calma — peço, segurando-a pelos ombros.

— Ele foi levado para o hospital em estado grave em decorrência de uma overdose… — Ela soluça novamente, e sinto meu sangue gelar. Apesar de ele ter sido um babaca idiota, entendo que sempre foram amigos. — Ele está morrendo.

Abraço-a mais forte e sussurro: — Querida, tenha calma. Vai dar tudo certo.

— Preciso que me leve até os meus pais para que possamos ir ao hospital. — Ela afasta o corpo do meu, mas não me encara. — O Pedro teve umas atitudes estranhas de certo tempo para cá e por isso me afastei dele. Mas … — Ela puxa o ar com força e continua: — Sempre fomos amigos e não consigo ser indiferente a isso.

Assinto, sabendo exatamente o que ela quer dizer, mas nada digo.

A sensação ruim que eu havia sentido volta com mais força e eu seguro forte no volante, incomodado. No entanto, volto a ligar o carro e sigo em frente.

Ao chegarmos no salão da festa, observo todos os lados antes de descer do Aventador, certificando-me de que esteja tudo em ordem. Aparentemente, está tudo em seu devido lugar.

Beatriz desce primeiro e caminha na direção do portão, passando a mão pelos cabelos, nervosa. Saio do carro e bato a porta, mas, antes que eu dê um passo para acompanhá-la, ouço o toque de mensagens do meu celular.

Pego o aparelho e abro a mensagem, sentindo todo o sangue esvair do meu corpo quando vejo o conteúdo. Minha testa sua e a tensão toma conta do meu organismo ao ver inúmeras fotos nossa em situações comprometedoras: nós dois nos beijando perto da piscina do salão, Beatriz sendo carregada até o carro nos meus braços, a sombra dos nossos corpos nus, devorando-nos dentro do mar.

Mais embaixo, há uma legenda que faz o meu sangue ferver como fogo.

 

Você mentiu para mim, mi amor. Disse que ficaria tudo bem. Mas não

cumpriu, continuou com ela.

 

Aflito, abro a boca para gritar o nome de Beatriz e impedir que ela siga até Felipe, temendo que ele também tenha recebido as imagens.

No entanto, é tarde mais.

Vejo Felipe sair pelo portão enraivecido enquanto conversa quase gritando com a dona Karine, dando de cara com Beatriz. Corro na direção de ambos, quando ele segura o braço da minha menina com brusquidão e a ouço gemer, assustada.

— Papai, o que… — Ela procura uma explicação para o seu comportamento irado, mas eu a interrompo.

— Não ouse machucá-la, Felipe, ficou louco?

— Felipe, solte a menina, homem — pede sua esposa, aflita, tentando puxar Beatriz para o seu lado.

Quando ele ouve a minha voz, vira a cabeça e caminha na minha direção. Vejo a raiva dançar em seus olhos, a mágoa, o sentimento de traição.

Engulo a minha saliva ao sentir um gosto amargo se apossar da minha garganta, mas permaneço no mesmo lugar. Sei que mereço isso. Mereço o seu ódio e o seu desprezo, e não me resta mais nada a não ser me desculpar por amar a sua filha.

— Desgraçado!

— Felipe, eu… — Ainda tento me explicar, mesmo não tendo muito o que dizer, mas a força de um soco me atinge em cheio na boca e o gosto metálico do sangue invade o meu paladar.

Dou um passo para trás, cambaleando, mas consigo me firmar.

— Seu miserável, maldito! Eu confiava em você, porra!

— Não, papai… — Ouço a voz de Beatriz aproximando-se, desesperada, mas nem ao menos consigo vê-la, pois, antes que eu me recupere, sinto outro soco atingindo o meu maxilar. — Por favor, não o machuque. — Percebo que ela está chorando.

— Não se aproxime, Beatriz! — ordena ele, e eu aceno para ela obedecê-lo.

Tento me proteger dos golpes e fazer Felipe se acalmar, mas é em vão. Ele está tão furioso que é quase impossível fazê-lo voltar à consciência. Vários golpes me atingem, no olho, nariz e maxilar, fazendo a minha cabeça zunir, deixando-me tonto.

— Você é um hipócrita. Um traidor. Se aproveitou da minha filha pelas minhas costas… Seu pedófilo de merda.

Ouvir essas palavras é como um soco no meu estômago. Dói muito mais do que o corte que se abriu nos meus lábios e agora mina sangue. Levo minha mão aos meus lábios, sentindo o líquido denso escorrer, e já sinto minhas pálpebras incharem.

— Felipe, não é nada disso… — Tento me justificar, mas ele não me dá espaço, vindo para cima de mim outra vez, ignorando os gritos e os apelos de Beatriz e a sua esposa.

Vejo um grupo de pessoas nos cercarem, chocados, mas nem isso o impede de me segurar pelo colarinho e meter outro soco, dessa vez acertando o meu nariz. Rodopio no meio da rua, quase perdendo o equilíbrio. Ao longe, ouço os gritos da minha menina, chorando sem consolo.

— Você é podre, Eduardo! Sujo! Mesmo sabendo o galinha de merda que você é, não pensei que fosse tão nojento a ponto de fazer isso com a minha filha. Miserável!

— Felipe… Eu amo a Bia — digo, ofegante, sentindo o sangue escorrer pelo meu nariz e a minha boca.

— Ama a minha filha? — Ele gargalha sarcástico, a voz tão trovoada que parece um demônio. — Você não ama ninguém, seu hipócrita, nem a si mesmo.

Olho para as pessoas à minha volta, encarando-me como se eu fosse um assassino ou algo pior, e sinto a vergonha me atingir como nunca antes. Céus, o que eu fiz?

Passo a mão pelos meus cabelos, sentindo meu rosto, arder e vejo Beatriz chorando abraçada à sua mãe. Ela não merecia passar por isso. A culpa me consome.

As palavras ainda vivas de Felipe gritam na minha cabeça, fazendo com que eu me sinta um merda, um nada.

— Vamos embora, Beatriz! Você está proibida de se aproximar desse homem outra vez!

— Papai, não.

Ela se desvencilha dos braços da sua mãe e corre na minha direção, abraçando-me.

— Querida… — Envolvo o seu ombro e fecho os meus olhos quando ela coloca a cabeça no meu peito e soluça.

— Eu não vou deixar você, amor.

Céus! Não mereço ser amado assim. Nunca pensei que seria, nem em mil anos.

— Vamos, Beatriz. Já chega dessa palhaçada!

Ouço a voz e Felipe nas suas costas e ela balança a cabeça em negativa. Contudo, sei que este não é o melhor momento para confrontá-lo. Está nervoso e eu não tiro a sua razão. Até eu me revoltaria vendo aquelas imagens.

— Bia, olhe para mim — peço e seguro o seu queixo, fazendo-a me encarar. — Vá com ele, princesa. Vai ficar tudo bem.

Vejo decepção em seu olhar. Ela deve estar pensando que desistirei de nós dois, mas isso nunca passou pela minha cabeça.

— Confie em mim, meu amor. Por favor!

Ela assente e suspira, afastando-se. Deixo meus ombros caírem, cansados, e o aperto em meu peito se intensifica a cada passo que ela dá para mais longe de mim.

Mas ainda falo, dirigindo-me ao Felipe: — Eu explicarei tudo quando estiver calmo, Felipe. Meus sentimentos pela Bia são profundos e sinceros. Nos falaremos amanhã.

Em resposta, ele simplesmente bufa e range os dentes.

Beatriz caminha devagar no meio da rua, um pouco atrás de Felipe e Karine, vez e outra olhando na minha direção. Contudo, antes que ela alcance o carro, ouço o disparo de um tiro vindo do meio da multidão.

Todos se abaixam, amedrontados, mas eu nem ao menos penso em me proteger quando vejo a minha menina cair no chão, inconsciente.

— Beatriz! — grito enlouquecido, sentindo uma lágrima transbordar pelos meus olhos e queimar a minha face como fogo líquido.

O desespero me toma.

CARLOS EDUARDO

Corro o mais rápido que consigo na sua direção, o vento chicoteando-me o rosto, fazendo as feridas arderem como nunca. Antes de alcançá-la, tenho o ímpeto de me virar Então, vejo a silhueta de alguém se afastando no meio da multidão.

Não consigo ver com nitidez, mas percebo que é uma mulher. O porte físico e a mensagem que recebi mais cedo não me deixam dúvidas. É a Raquel. Maldição!

Fecho os meus punhos, agoniado, e continuo correndo na direção de Beatriz. Vejo sua mãe ajoelhando-se desesperada ao seu lado, e logo depois Felipe. Aproximo-me e caio de joelhos no chão quando vejo o líquido vermelho escorrendo do seu peito e pintando o asfalto. Olho para o seu rosto pálido, inconsciente, e desejo ser eu no seu lugar, sentindo a dor que ela sentiu antes de desmaiar.

— Beatriz, minha princesa… — Toco a sua testa, trêmulo, retirando algumas mechas de cabelo do seu rosto, e é quando vejo um corte profundo na sua testa. O sangue mina do ferimento e escorre na minha mão, dando a entender que ela desmaiou quando bateu a cabeça no meio fio. — Meu Deus… Querida… Não morra. Por favor, não morra.

Enquanto ouço a voz de Felipe chamando os primeiros socorros, gemo rouco, sentindo meu coração sangrar com a possibilidade de perdê-la. Mas quando encontro um batimento cardíaco, mesmo que fraco, e a sinto respirar, é como se a vida voltasse para o meu corpo.

No entanto, o que mais me preocupa é o sangue que mancha a sua roupa sem pena. Nem ao menos percebo quando sigo meus instintos e rasgo a parte de cima do seu vestido, expondo a ferida acima do seu seio. Arranco um pedaço da minha camisa e pressiono o ferimento, tentando a todo custo conter o sangramento.

Abaixo meu rosto até os seus cabelos e beijo os fios, sentindo o mundo ruir à minha volta, enquanto as lágrimas rolam por minha face sem controle.

— Você vai ficar bem. Eu sei… — sussurro, tentando acreditar que tudo não passa de um sonho ruim, que logo irei acordar e vê-la em cima de mim, sorrindo, expondo as covinhas das suas bochechas.

Escuto sua mãe chamando o seu nome com desespero, como se estivesse distante. Os minutos se arrastam demoradamente, parecem transformar-se em horas. Ouço o barulho de sirenes, vozes e gritos distantes, mas nada me faz tirar a concentração dela.

Então, alguém me puxa para trás, e vejo Beatriz ser cercada pelos paramédicos que logo a imobilizam e a colocam em cima de uma maca.

Levanto-me o mais rápido que posso e faço menção de entrar na ambulância com ela. No entanto, Felipe me impede, destruindo-me ainda mais. Sinto alguém me abraçar com força e o seu cheiro materno me acalma um pouco.

— Fique calmo, querido. Vai ficar tudo bem… Nossa menina vai ficar bem — diz minha mãe, acariciando as minhas costas, acalentando-me.

Respiro fundo e a abraço de volta, em busca do alívio que não vem.

Uma fina garoa começa a cair e logo se transforma em uma forte chuva. Um pouco mais calmo, sigo com a minha mãe até o carro e rumo na direção do hospital para onde ela foi levada. Na sala de espera, aguardo por horas a fio uma única notícia. Felipe e Karine também aguardam, inconformados. A mulher não para de chorar um só segundo, abraçada ao marido que nem sequer olha na minha cara.

Em algum momento da noite, minha mãe me traz um café, mas não consigo beber absolutamente nada. Minha garganta parece fechada, mal consigo engolir a minha própria saliva.

As horas passam angustiantes, até que uma porta se abre e o médico entra na sala, chamando pelos parentes dela.

— Como está minha filha, doutor? — pergunta Karine, aproximando-se do homem ao lado do marido.

Também me levanto e caminho até ele, com a mão dentro dos bolsos.

— Ela está fora de perigo — comunica o médico com o aspecto exausto, cansado. — Os primeiros minutos foram cruciais para que ela sobrevivesse. Apesar da bala não ter atingido nenhum órgão interno, perfurou uma artéria e ela perdeu muito sangue. Poderia ter sido fatal se alguém não tivesse estancado o sangramento no momento do ocorrido.

Respiro aliviado quando escuto as suas palavras, informando que ela está bem, e fecho os meus olhos, agradecendo aos céus. Ao voltar a fitá-los, percebo que a mãe de Beatriz me encara emocionada e corre na minha direção.

— Obrigada, meu filho — diz, abraçando-me em prantos. — Você salvou nossa menina.

Também a abraço de volta, aliviado, e olho na direção do Felipe.

Apesar de ele se manter indiferente, vejo o homem balançar a cabeça e acenar sutilmente em agradecimento. Sei que ainda há um longo caminho a percorrer até que eu finalmente consiga reconquistar a sua confiança, mas por ela eu estou disposto a tudo.

Alguns dias depois

 

O sol brilha com toda a sua força quando chego no hospital, trazendo comigo um buquê de rosas brancas e algo especial que minha mãe me entregou na noite em que Beatriz foi baleada.

Respiro aliviado por saber que Raquel foi presa após ter sido pega no aeroporto internacional, tentando fugir do país. Assim que dei o meu depoimento sobre o que aconteceu naquela noite e entreguei para a polícia as mensagens dela, junto com algumas das fotos que ela havia tirado, automaticamente a mulher passou a ser a principal suspeita do atentado. A partir de então, não foi difícil juntar as peças do quebra-cabeça.

A arma usada no crime foi encontrada escondida dentro de um vaso de plantas no seu apartamento, contendo as suas digitais, e, se ainda não bastasse, foi encontrado mais de dois quilos de cocaína entre os seus pertences, o que deixou explícito o seu envolvimento com coisas ilícitas. Na delegacia, Raquel confessou ter se aproximado do amigo de Beatriz para adquirir informações. O caso ainda está sendo investigado.

Caminho pelo corredor que dá acesso ao quarto onde ela está internada, ansioso para ver minha menina e louco de saudades.

Desde que ela acordou, ainda não consegui vê-la devido às barreiras impostas pelo Felipe. O homem se opôs a todas as minhas tentativas de visitar Beatriz e, por respeito à sua dor, não quis forçar a barra, mesmo eu estando aqui todos os dias, dormindo noite após noite na sala de espera, aguardando notícias sobre o seu estado. No entanto, embora eu ainda sinta remorsos pela forma que ele descobriu meu envolvimento com ela, Felipe precisa entender que Beatriz não é mais uma garotinha. Ela cresceu, tornou-se uma linda mulher. A minha mulher.

Aproximo-me da porta do cômodo onde ela está internada e avisto Felipe conversando com o médico. Ao me ver, sua expressão torna-se acirrada, o maxilar trincado e os punhos fechados.

— Bom dia — cumprimento-o e vou direto ao ponto. — Podemos conversar um minuto, Felipe? De homem para homem.

— Acho que nossos assuntos já estão encerrados, Eduardo. Não vejo o que mais precisa ser discutido — responde, seco. O médico, percebendo a situação delicada, despede-se e sai para nos dar privacidade.

— Está equivocado, Felipe, e você sabe disso — respondo um pouco exaltado. Procuro manter a calma e respiro fundo. — Não estou aqui pedindo que me perdoe e esqueça tudo o que viu naqueles imagens. Tenho consciência do quão chocante foi para você ver tudo aquilo. — Levo minha mão até o meu pescoço, tentando quebrar um pouco da tensão, enquanto o observo fechar a expressão. — Só quero que saiba que lutei com todas as minhas forças para resistir ao que estava sentindo por ela. Eu tentei, juro que tentei. Mas não consegui. — Puxo o ar com força, sentindo a ira dele aumentar a cada palavra que digo, mas foda-se. — Eu amei aquela menina com tudo de mais forte que havia em mim, mesmo tendo prometido nunca mais amar alguém. Ela entrou na minha vida como um furacão raivoso e tomou tudo, eu não tive a menor chance contra o seu sorriso ou sua personalidade marcante. Por isso, peço que reconsidere, por favor. Permita que eu a veja, que eu me aproxime novamente. Beatriz é o que há de mais importante em mim. Eu a amo e jamais a magoaria.

Felipe continua calado, encarando-me com o olhar aceso, cheio de ódio.

Neste momento, vejo sua esposa se aproximar e me encarar com pesar, pedindo uma desculpa silenciosa pela teimosia do marido.

— Querido, não se oponha mais. — Karine chama a atenção dele para si e segura o seu rosto. — Nossa filha cresceu, se transformou em uma mulher belíssima e fez suas próprias escolhas.

Felipe balança a cabeça contrariado e questiona: — Você sabia de tudo, não é, Karine? E mesmo assim não disse nada.

A mulher suspira, afastando-se dele, e responde: — Sim, eu sabia de tudo. Nossa filha fez questão de me dizer, porque ela sabia que eu não a julgaria. — Olhando o marido com seriedade, Karine segura na sua mão e continua: — E sabe por que não me opus, Felipe? Porque nossa filha estava feliz. Para mim, é a única coisa que importa.

Felipe me encara desconcertado, a respiração pesada. Vejo um mix de dúvidas se apossar do seu olhar. Percebo que ele balança a cabeça de um lado a outro, nervoso, sem rumo. O olhar ferido fixa-se no meu e, então, ele questiona: — Por que não me disse? Por que deixou que eu descobrisse tudo por outra pessoa?

Sinto sua revolta, o sentimento de traição carregado na sua voz, mas não há muito o que justificar a não ser dizer a verdade.

— Foi tudo uma questão de oportunidade… Eu e a Bia conversamos e estávamos esperando o melhor momento para lhe contar que estávamos juntos. Naquela noite, eu a trouxe de volta para a festa disposto a dizer a você tudo o que estava acontecendo, mas infelizmente aquela mulher foi mais rápida e, para se vingar de mim, lhe enviou aquelas imagens. Eu sinto muito.

— Você é um miserável! — O homem dá um passo na minha direção, mas continuo imóvel. — Não pense que compactuo com isso. Jamais voltarei a confiar em você. — Ele fita o chão e para, pensativo. — Mas se minha filha está feliz assim, não posso impedi-la de tomar as suas próprias decisões, por mais tortuosas que sejam. — Dito isso, ele olha de soslaio para a esposa e ruma na direção da saída. Antes de sumir no corredor, vira-se na minha direção e diz: — Não machuque a minha filha, Ferraz. Não tenho medo de ser preso acusado de homicídio.

Aceno com a cabeça, sutilmente concordando, e respiro aliviado, sentindo meu coração disparar dentro do peito tamanha é a felicidade que me toma.

— Vá vê-la, Cadu — diz dona Karine, sorrindo, emocionada. — Ela está esperando você.

— Obrigado! — agradeço e corro até o quarto em que está Beatriz. Abro a porta e a vejo olhando a paisagem além da janela, o olhar focado no céu azulado.

— Querida… — Ela se vira na minha direção e abre o sorriso mais lindo que já vi em toda a minha vida, fazendo meu coração disparar descontroladamente.

Caminho devagar até seu leito e inclino o meu corpo, devorando os seus lábios, louco de saudade. Seguro suas mãos trêmulas e coloco o delicado buquê sobre o seu colo, arrancando outro sorriso da sua boca.

— Como senti sua falta, Cadu… — murmura, encostando a testa na minha.

— Eu estou aqui agora, para sempre — sussurro.

Meus dedos procuram a maciez da sua pele e deslizam até as mechas escuras do seu cabelo. Sem esperar que ela diga nada, enfio a mão no meu bolso e pego o anel de brilhantes que trouxe comigo, herança que está na minha família há gerações, passado de mãe para filho durante décadas, para que pudesse ser entregue para a única mulher que verdadeiramente valeu a pena.

Seguro sua mão com delicadeza e deslizo o anel pelo seu dedo anelar. Levanto o meu olhar e deparo-me com o dela, arregalado, confuso.

— Agora você é oficialmente a minha namorada! — digo, levando sua mão aos meus lábios. — Aceita ser minha, querida? Para sempre?

Com lágrimas nos olhos, Beatriz passa a mão por meus cabelos e me puxa para perto de si.

— Eu amo você — diz, soluçando. — Nunca valeu tanto a pena esperar.

— Também amo você, princesa.

Semanas depois

 

Um coro de aplausos agita o grande auditório da Ferraz quando Beatriz termina o seu discurso sobre a preservação das tartarugas marinhas.

Os empresários, donos do resort, sorriem satisfeitos. Um deles caminha até ela para parabenizá-la pelo grandioso discurso, no qual Beatriz apresentou ideias e soluções plausíveis que satisfazem ambos os lados. Orgulhoso, também sigo na sua direção e a enlaço pela cintura, sentindo meu peito inflado.

— Parabéns, senhorita — diz o homem gorducho e careca, apertando a mão da minha menina. — Foi uma grandiosa palestra.

— Obrigada! — Beatriz sorri, confiante. — Agradeço muito pela oportunidade e a confiança dada a mim.

— Estou impressionado. Foi genial a sua ideia de usarmos a temporada de desova das tartarugas marinhas para atrairmos turistas para o resort. Será com imenso prazer que investirei nessa nova etapa do projeto, criando um centro de preservação e conservação naquele local.

— Não sabe o quanto isso me deixa feliz, senhor.

Ele se vira na minha direção e também me estende a mão.

— Parabéns, Ferraz. Você tem uma joia ao seu lado.

— Sim. Eu sei…— Sorrio e aperto a sua mão, enquanto a outra acaricia a cintura dela. — Acho que agora podemos trabalhar sem interrupções para adaptarmos o novo projeto da obra.

— Nunca estive tão ansioso para isso.

Enquanto o homem se afasta um pouco para conversar com outras pessoas, um grupo de homens e mulheres cumprimentam e parabenizam Beatriz pelo discurso impecável. Seus pais se aproximam e a abraçam também, orgulhosos. Felipe me olha de soslaio. Ainda não resolvemos todas as nossas diferenças, mas sei que isso será passageiro.

Gracy se aproxima sorridente, e confesso que ergo a sobrancelha, surpreso ao ver sua mão entrelaçada à mão de Victor. As duas conversam por alguns minutos e se abraçam, deixando transparecer o quanto estão realizadas. Por último, vejo um casal se aproximar. Reconheço-os como sendo os pais do Pedro. Pela expressão pálida e o olhar repleto de olheiras da mulher, concluo que ela ainda sofre dia após dia com o que aconteceu com o filho.

— Bia? — chama a mulher, olhando Beatriz, emocionada. — Como você foi maravilhosa. Tenho orgulho da mulher que está se tornando.

Beatriz segura sua mão e a puxa para um abraço.

— Que alegria a ver aqui, dona Ísis. Não sabe o quanto estou feliz.

— Eu também, querida. Eu também.

Beatriz a afasta e, olhando nos seus olhos, questiona: — Como ele está? — pergunta, referindo-se a Pedro, que foi internado em uma clínica de reabilitação para dependentes químicos.

Secando uma lágrima, Ísis suspira e cruza as mãos na frente do seu corpo.

— Se recuperando, querida.

Beatriz assente e a abraça novamente.

Após nos despedirmos de todos. Retiro Beatriz do evento, sob o olhar irado do seu pai, e a levo para o meu apartamento. Meu pênis pulsa quando ela passa pela porta do quarto, puxando-me pela gravata, e deita-se na minha cama. Cubro o seu corpo com o meu e sugo o lábio inferior, provocando-a. Suas mãos são certeiras no colarinho da minha camisa.

— Enfim, sozinhos — falo rente ao seu ouvido. — Sei que vou levar outras porradas do seu pai quando te deixar em casa mais tarde, mas eu precisava te trazer aqui para fazermos aquele amorzinho gostoso.

Ela ri, gargalhando, e passa os braços em volta do meu pescoço.

— Não vejo a hora de ganhar uma surra de pau.

Também gargalho, sentindo meu pênis esticar o tecido da calça, e abro as suas pernas com as minhas. Levanto a saia social até a altura do seu quadril e acomodo a minha virilha no meio das suas pernas.

— Você é muito danada, menina.

— Aprendi com você, amor — responde, fitando a minha boca, ansiando por um beijo.

Grudo os meus lábios nos seus e a sinto ofegar debaixo do meu corpo. Desesperadamente, retiro as nossas roupas, deixando os nossos corpos completamente nus, e volto a enroscar-me nela, beijando e lambendo cada pedacinho da sua pele. Toco o sexo pequeno e ofego quando a sinto molhada. Tão minha…

Penetro-a lentamente, ouvindo Beatriz grunhir enrouquecida enquanto me envolve. O olhar esverdeado cravado no meu rosto, o coração descompassado batendo junto com o meu.

Distribuo beijos pelo seu queixo e paro, admirando as formas perfeitas do seu rosto, tendo a certeza de que, mesmo da maneira errada, ela entrou na minha vida no momento certo, quando eu estava perdido e precisava ser reencontrado.

— Minha menina — sussurro.

— Meu CEO — Ela sorri e me abraça mais forte.

— A menina de um CEO — concluo, voltando a beijá-la, enterrando o meu rosto entre os fios do seu cabelo.