A Menina do CEO
Capítulo
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 9 partes.
— Beatriz… — diz ele, interrompendo-me, e puxa a minha mão. — Vem comigo.
— O quê? Para onde?
— Pra suíte que reservei. O corredor não é um local adequado para se ter uma conversa como esta — responde, seco.
Meu corpo congela quando o vejo pegar outro cartão magnético do bolso do paletó e abrir a porta. Engulo em seco ao imaginar que ficarei a sós com ele em uma suíte.
— Entre! — ordena e dá um passo para o lado, dando-me espaço para entrar.
Ao fitar seu semblante furioso, paraliso no mesmo lugar.
— Acho que não é uma boa ideia… — respondo com hesitação.
Cadu caminha para o interior da sala de estar e volta a me encarar.
— Entre, Beatriz. Chega de jogos. A brincadeira acabou.
Relutante, dou alguns passos para a frente e, assim que entro, apresso o meu ritmo. Sento-me no sofá da sala de estar, trêmula, procurando não o encarar. Eduardo caminha na minha direção e para na minha frente. Levanto a minha cabeça e vejo o seu olhar gelado, analisando cada compartimento do meu rosto.
— O que sabe sobre o amor? — questiona impassível. — Você é só uma menina, Beatriz. Você não sabe o que é amar alguém!
As palavras dele são como ferro em brasa, direto no meu coração. Sinto raiva, angústia e dor. Quem ele pensa que é?
— Não tenho culpa se você não tem sentimentos, Eduardo, mas não sou como você — digo, ferida, e me levanto, desafiando-o. — Eu posso ser jovem, sim, mas não preciso pisar nos sentimentos de ninguém para me sentir superior. — Uma lágrima rola pela minha face e viro o rosto, enquanto levo a mão ao olho para contê-la.
Quando volto minha atenção para ele, percebo que o Cadu me encara intrigado, como se tentasse decifrar a verdade no fundo dos meus olhos. Mas eu não baixo a cabeça. Mantenho meu nariz erguido e o fito com todo o meu orgulho.
— Eu não quis magoar você — justifica. — Mas você é muito jovem para entender algo sobre isso — diz e volta a me olhar com seriedade. Dessa vez, o semblante furioso dá lugar a algo mais parecido com pena. — Com certeza está confundindo uma atração com amor. Jovens são volúveis e logo terá superado esta paixonite. Mesmo assim, você é inexperiente, acabará saindo magoada, e não quero isso.
Deixo um sorriso sarcástico escapar dos meus lábios e viro as costas para ele, impossibilitada de continuar encarando este homem que tanto me faz mal. Engulo as lágrimas amargas que teimam em querer cair, enquanto o meu corpo humilhado treme, quase desabando.
— Engraçado. Você não pensou que me magoaria quando chegou acompanhado de outra mulher…
Ouço seu suspiro profundo logo atrás de mim e o toque da sua mão nas minhas costas faz o meu corpo reagir com arrepios. Odeio-me ainda mais por isso.
— Ela não é quem ou o que você está pensando… — O som da sua voz soa calmo e preocupado, mas nada disso importa agora.
— Não precisa se explicar. Você não me deve explicações, Eduardo. — Viro-me na direção dele e o encaro. — Eu vou para casa.
Dou meia volta e caminho na direção da porta. Mas paro no meio do caminho quando ouço a voz dele.
— Posso não ter sentimentos, como você mesma disse. Mas eu sempre soube que a Bianca era você, Beatriz. E eu nunca usaria outra mulher para humilhá-la.
A revelação dele é como um soco no meu estômago. Se eu já estava envergonhada, agora devo estar vermelha.
— O que disse? — desacreditada, fito-o lentamente.
— Sim. Eu já sabia que Bianca e você eram a mesma pessoa. — Continuo encarando-o, confusa, começando a entender o que está acontecendo. Ao ver que permaneço calada, ele continua. — Aquela mulher que chegou na festa comigo é uma prima, filha de uma irmã da minha mãe. Ela chegou ontem da França, veio cuidar dos preparativos do próprio casamento e está hospedada na casa dos meus pais. O noivo dela desembarca no Brasil em algumas semanas e os pais chegam ao Rio amanhã.
Abro e fecho a boca algumas vezes, ainda sem conseguir processar as informações que ele jogou em cima de mim, tudo ao mesmo tempo. Percebo como fui precipitada no meu julgamento quanto à mulher que o acompanhava. Também estou envergonhada do joguinho que mantive com ele quando ele já sabia a verdade … Como fui tola.
— Por que não me disse que já sabia? Eu não entendo… — pergunto, confusa.
Cadu balança a cabeça de um lado a outro e sorri.
— Porque eu queria saber até que ponto você iria chegar. — Ele caminha na minha direção e, ao se aproximar, quase colando o corpo no meu, toca o meu queixo com cuidado. — Queria saber se toda aquela ousadia se estenderia além das telas de um celular. Mas, principalmente, queria te dar um belo corretivo para aprender a não ser tão atrevida. O que você fez não foi legal, menina. Me provocou de uma forma insana, sem pena. Eu sou um homem, é difícil manter o controle, e você é algo que eu não posso ter.
Sua mão quente desliza do meu rosto até os cabelos da minha nuca, prendendo-os. Seus olhos percorrem o meu pescoço e busto. Parece fascinado.
Puxo o ar com dificuldade para os meus pulmões, assustada e ao mesmo tempo perdida com a mudança do jogo. Em um momento, eu estava lá embaixo. Agora, estou no topo, ouvindo coisas que jamais imaginei ouvir dele.
Uma pontinha de esperança começa a surgir em meu peito quando o vejo fitar a minha boca, sedento.
Umedeço os lábios, ansiosa. Já não sei mais nem quem sou, nem o que faço aqui. É como se tudo tivesse perdido o sentido e tudo o que tem importância agora é sentir o sabor dos beijos dele.
— Eu não posso desejar você… — ele diz, mas seu corpo não reage da mesma forma que o seu raciocínio, pois, no instante seguinte, os lábios possessivos se colam aos meus.
Ergo minha mão e deslizo por seu peito, fazendo uma carícia lenta até alcançar sua nuca larga. A língua quente e ávida desliza pelos meus lábios, buscando entreabri-los a todo custo. Quando permito, ele mergulha para dentro da minha boca com movimentos desesperados que me deixam tonta. Sinto o toque da sua mão, deslizando pelas minhas costas e cintura, subindo até alcançar um seio e o envolver em sua mão. Ofego.
Ele aprofunda o beijo e aperta ainda mais o meu corpo contra si, permitindo que eu sinta toda a sua rigidez dentro da calça. E mesmo que meu corpo esteja quase paralisado de surpresa e medo, mordisco o lábio dele até ouvi-lo gemer e, lentamente, desço minha mão pelo seu peito e barriga.
— Bia… — ele grunhe quando toco seu pênis por cima da calça e aperto. Os lábios quentes deixam a minha boca e se apossam do meu pescoço. Morde e chupa de uma forma dolorosamente deliciosa, deixando-me arrepiada.
CARLOS EDUARDO
— Bia… — grunho com a voz rouca quando sinto as mãos ousadas dela descendo até o cós da minha calça. Com uma carícia lenta, ela massageia o meu pênis e o aperta. Inferno! Fico louco, principalmente quando sinto os tremores do seu corpo inexperiente, colado ao meu. A maneira quase inocente e insegura com que ela me toca é deliciosa. Meu pau está quase explodindo de tanto tesão.
Deslizo meus lábios pelo seu pescoço, passando a língua em alguns pontos e mordendo em outros, enquanto continuo acariciando o seu seio. Ela geme baixinho e me aperta mais contra si em busca de equilíbrio. Sua pele fica completamente arrepiada com as sensações que provoco em seu corpo.
— Linda … — sussurro em seu ouvido. — Tão quente, fogosa… Louca para me dar a bocetinha.
Ouço seu suspiro confuso e o estremecer do seu corpo. Beatriz coloca a mão no meu peito, como se fosse me afastar, mas não permito. Sei que ela está temerosa e eu deveria me refrear. Mas estou tão cego pelo desejo doloroso que ela desperta em mim que a aperto mais, voltando a procurar a maciez dos seus lábios.
— Eduardo… — ela murmura e tenta me empurrar, mas tudo o que faço é incliná-la sobre o sofá e, enquanto cubro o seu corpo com o meu, introduzo minha língua dentro da sua boca mais uma vez. Entorpecida com o beijo, Beatriz ofega e arranha o meu ombro por cima da camisa, entregue às minhas vontades.
Sinto suas mãos delicadas descerem pelo meu ombro e costas, massageando devagar. E nessa carícia deliciosa, desço minha boca pelo seu pescoço. Uso uma mão para me firmar no sofá e, com a outra, puxo o decote do seu vestido, expondo um seio.
Afasto-me, lentamente e a encaro. Seus olhos continuam fechados, como se estivesse entorpecida, a respiração ofegante cheia de anseios. Que merda! Como ela é deliciosa… Tão doce… Tão irresistível.
— Você é uma menina muito má — sussurro. — Quase fiquei louco quando te vi dentro desse vestido… atrevida! Exibindo esses seios lindos para aquele frangote … Ainda vai me pagar por isso também.
Envolvo o seio pequeno em minha mão e a sinto estremecer com o calor do meu toque. Fico doido. Esqueço todos os motivos que me impedem de tocá-la e fazê-la minha.
Com desespero, abaixo o meu rosto e abocanho o seio intumescido, ouvindo-a gemer e levar as mãos até os meus cabelos. Sugo o bico sensível e rosado para dentro da minha boca e depois passo a língua para aliviar a ardência causada pela pressão dos meus lábios.
— Ahh!
Beatriz murmura coisas desconexas, sem sentido algum, e eu me afasto para observá-la. Ela pende a cabeça para trás tamanho é o prazer que sente nos meus braços, deixando os seios túrgidos e a pele clara do pescoço ao meu dispor.
Perdido, excitado e embriagado com os beijos que dei dela, levo minhas mãos ao cós da minha calça, descaso os botões e desço o zíper desesperadamente. Volto a me inclinar sobre ela e, ao alcançar o lóbulo de sua orelha, mordisco e sussurro: — Pega no meu pau, menina. Sinta como ele está duro por você! — Beatriz abre os olhos e me encara assustada, contudo, não espero até que ela se acostume com a ideia, apenas pego sua mão e a levo até o meu cacete. Quando sinto o seu toque quente por cima da cueca, ofego em um ritmo curto. — Isso… Assim…
Firmo-me no encosto do sofá e fecho os olhos quando sinto as unhas da sua outra mão deslizarem por minha barriga, arrepiando até a minha alma. Beatriz inspira fundo e continua com a leve carícia até retornar ao cós da minha cueca.
Em um movimento lento, sinto-a puxar o tecido para baixo, fazendo meu caralho saltar para fora, duro como uma rocha, com a cabeça completamente lambuzada de excitação.
— Cadu… É tão… grande.
Esboço um sorriso orgulhoso e abro os olhos para observá-la. Seus olhinhos assustados analisam cada detalhe do meu pau com uma mistura de curiosidade e medo.
— Sim, criança. Mas vai caber direitinho dentro de você! Agora, acaricia para mim.
Acatando a minha ordem, ela segura o meu pau firmemente e começa a fazer movimentos de vai e vem. Os dedos finos tocam a glande vermelha e apertam, ao mesmo tempo que espalham o líquido pré-ejaculatório pelo cogumelo avantajado. Apesar da inexperiência, ela tem bons instintos. Safadinha deliciosa!
— Porra! Que gostoso… — gemo, quase perdendo o controle.
Penso em fazê-la chupar gostoso até eu me derramar nessa boquinha linda, mas no momento estou mais interessado em fazê-la gozar e meter o pau bem fundo na sua boceta, até sentir minhas bolas batendo no cuzinho que logo irei comer também.
Em um movimento rápido, seguro suas mãos e as prendo acima da sua cabeça. Com a outra mão livre, liberto seu outro seio e passo a chupá-lo com força. Ela choraminga, contorcendo o corpo, coberta de prazer.
— Ohh! — Ouço seus gemidos sofridos assim que minha boca libidinosa mordisca o bico, para logo depois abocanhar o seio inteiro, chupando e mordendo sem pena.
Desço minhas mãos até a fenda do vestido na sua coxa, aperto a carne macia e deslizo meus dedos pelo local. Exploro cada pequeno centímetro da sua pele com os meus toques. Subo minha mão até alcançar o bumbum bem feito e o aperto com vontade. Volto a beijá-la, ergo o seu vestido completamente e me coloco entre as suas pernas.
— Abre mais as pernas! — ordeno. Ela ofega, mas me obedece. Dobra os joelhos, dando-me mais acesso ao centro do seu prazer, e não perco nenhum segundo para alcançar sua calcinha e colocar o tecido para o lado. — Olhe para mim, Beatriz. — Esfrego meu dedo no centro lambuzado e quase vou à loucura quanto sinto o quanto ela está melada e toda depiladinha. Inferno! — Está pingando, menina.
Mantendo minha atenção focada em cada reação do seu rosto, dedilho o clitóris devagar e deslizo a ponta do meu dedo na sua entrada. Beatriz crava as unhas no meu braço e choraminga, franzindo a testa.
— Oh … meu Deus! Cadu… — Sinto a pressão das suas unhas afundando na minha carne por cima da camisa, mas não me retraio. Adiciono mais um dedo na sua boceta e aprofundo mais dentro dela, devagar. — Ahh! Não, por favor… — ela reclama, ofegante, e põe a mão no meu peito quando os meus dedos alcançam a barreira da sua virgindade.
Afasto minhas mãos do seu sexo e seguro suas coxas com força. Inclino o meu corpo para beijar sua boca e distribuo beijos pelo seu rosto até alcançar o lóbulo da sua orelha e mordiscá-lo.
— Eu vou te dar uma surra de pau — sussurro. — É isso que você merece por ser tão safada.
O cheiro suave da sua pele me inebria, aguça os meus sentidos de uma forma tão intensa que ofego, fico em ânsia, em busca de mais contato e prazer. Tenho vontade de devorá-la toda. Não me sentia assim, tão vivo e tão voraz, há muitos anos.
A cada beijo e carícia que trocamos, minha consciência grita para que eu pare. Mas puta que pariu. Eu não consigo. Essa garota me atrai como um ímã… Quero cada vez mais.
Ergo o meu corpo e fico de joelhos entre as suas pernas. Abro as suas coxas e inclino os seus joelhos para os lados, deixando a bocetinha toda aberta para mim. Caralho! Arregaço mais a calcinha para o lado, passo meus dedos pelos grandes lábios rosados e gemo ao ver os líquidos de sua excitação escorrendo da boceta até o cuzinho gostoso.
Beatriz contorce o corpo e me encara com os olhos arregalados, nervosa. Ela leva a mão até a boca e morde o punho fechado ao mesmo tempo em que tenta fechar as pernas. Seguro suas coxas com mais força, puxo o seu corpo para mim e desfiro um tapa no seu traseiro.
— Isso é por todas as vezes que me deixou com as bolas doendo de tesão. — Ela reclama, se contorce, deixando-me ainda mais excitado. Pego uma almofada e coloco embaixo do seu traseiro, abro sua vagina com uma das minhas mãos para expor o feixe de nervos sensíveis e rosados. Abaixo o meu rosto e enfio minha língua dura e possessiva na sua entrada, enquanto fricciono seu clitóris, arrancando mais alguns gritos da sua boca.
— Eduardo… — range e leva as mãos ao meu cabelo, bagunçando os fios. — Oh … Céus!
Dou lambidas frenéticas no seu nervinho inchado e o abocanho. Chupo e mordisco de leve, tirando e enfiando a língua como se estivesse beijando a sua boca, para logo depois voltar a lamber de baixo para cima. Quando sinto que o corpo dela começa a tremer, levanto a minha cabeça e desfiro um tapa do outro lado do seu traseiro.
— Aiii! — grita
— E isso é por você ter deixado aquele imbecil babar em cima do seu decote.
— Você está ficando louco, Edu — choraminga.
Volto a lamber sua boceta, tendo a certeza que realmente estou ficando mais louco a cada segundo. Abro os grandes lábios e rodeio o clitóris com a minha língua, empurrando o nervo para um lado e para o outro. Coloco um dedo na sua entrada e começo a fodê-la assim. Beatriz geme alto e ergue o quadril, desesperada por mais fricção. Arreganho mais suas pernas e dou uma lambida de Venom lá dentro, para logo depois deslizar a língua para cima, friccionando o montinho vermelho.
Ela volta a gritar, alucinada, e arranha os meus ombros. Quando sinto seu corpo tremer, ergo a minha cabeça para observá-la e a vejo com os olhos fechados, a testa franzida.
Sua boceta pulsa, apertando o meu dedo com um gozo tão intenso que me deixa à beira de um colapso. O cheiro do seu sexo entranha meus sentidos, e o sabor salgado e delicioso na minha boca me faz perder todo o raciocínio.
Respiro fundo e levo a mão no cós da minha calça para terminar de retirá-la, decidido a me afundar todo dentro dela. No entanto, quando volto a fitá-la e vejo as íris verdes brilhantes encarando-me com admiração, em uma mistura de desejo e amor, sinto como se eu tivesse acabado de ser esbofeteado no rosto.
Vejo no fundo do seu olhar de menina inocente e sonhadora que o que ela sente por mim vai muito além de paixão e desejo… Dou-me conta de que o que quero fazer, apenas por um desejo carnal, vai degradar seus sentimentos e magoá-la. Essa consciência é como um balde de água fria.
Engulo em seco ao me dar conta que estou prestes a cometer uma loucura. Pela primeira vez em muitos anos, uma onda de indignação e culpa me tomam, fazendo com que eu me afaste dela e leve a mão até os meus cabelos, irritado comigo mesmo. Irritado porque a quero loucamente quando não deveria e porque não posso tê-la. Caralho, que merda!
Felipe me mataria se soubesse de uma merda dessas. E pior, eu a magoaria de todas as formas possíveis, porque não posso corresponder a tudo que ela está disposta a me dar.
BEATRIZ
Meu coração bate desesperadamente dentro do peito, meu corpo parece flutuar no ar. Quando as ondas do prazer diminuem um pouco, abro os meus olhos com lentidão e o encaro, fervorosa. Sinto todo o meu corpo se aquecer ainda mais à medida que o vejo levar a mão até a calça para terminar de tirá-la.
Ver o pênis dele completamente ereto, cheio de veias vigorosas e a cabeça avermelhada, faz a minha boca salivar. Anseio em senti-lo, mesmo que esteja trêmula e temerosa por causa da dor que irei sentir quando ele me possuir.
Nossos olhares se encontram, mas eu não consigo mais fingir ou omitir o que sinto. Sorrio levemente, seduzida pela virilidade tão quente que emana dele. É certo que o brilho e a admiração que estampam os meus olhos deixam claro o quanto o amo e o quanto desejei este momento. No entanto, percebo no fundo das ondas do seu olhar que a certeza que ele parecia ter, de repente, perde força. Sinto meu sangue gelar.
Eduardo me fita por poucos segundos e, como se de repente ele se tornasse uma outra pessoa, afasta-se e passa a mão pelos cabelos, nervoso, virando as costas.
Aflita, arrumo o meu vestido e forço-me a me levantar. Não sei o que dizer ou como agir diante da situação que começa a ficar constrangedora. Ao ver que ele continua de costas, caminho devagar na sua direção e o chamo.
— Cadu…
Espero alguns segundos, mas não obtenho nenhuma resposta. Ele continua imóvel, as costas e os ombros rígidos e tensionados. Os punhos fechados com força.
— Eu não posso fazer isso, Beatriz. Vá embora!
Sinto uma tensão fora do comum tomar conta do meu corpo no instante em que ouço as suas palavras. Meus olhos lacrimejam.
Ele está me rejeitando? Depois… depois de tudo?
— O que está dizendo? A gente estava…
— Isso foi um erro, menina. — Percebo que ele arruma a calça e vira-se na minha direção. — Isso não deveria ter acontecido, merda! — esbraveja, fazendo com que eu arregale os olhos assustada.
Eduardo me encara irritado, os olhos azuis faíscam. Ele morde o lábio inferior com tanta força que mal consigo acreditar quando vejo o sangue minar do ferimento assim que ele diminui a pressão dos dentes na carne macia.
— Céus… Seu lábio… — Faço um movimento lento, ponderando se me aproximo dele, mas sou interrompida.
— Vá embora. Saia daqui! — Suas palavras rudes fazem com que eu pare. Fico estática, sem nenhuma reação.
— Por que está falando isso? Há poucos minutos estávamos… quase transando — digo a última frase quase em um sussurro. Minha voz falha devido ao bolo agoniante que se forma em minha garganta.
— Olha, menina. Não sou nenhum príncipe encantado, não posso dar o que você quer. Então, antes que se machuque mais, aconselho que vá embora. Fique longe de mim.
Respiro com dificuldade, tentando controlar o tremor que se apodera do meu corpo, e dou mais um passo em sua direção. Ainda não consigo decifrar suas palavras como deveria. Estou chocada e envergonhada demais para raciocinar coerentemente.
— Está falando isso por causa do papai? Ele não…
— Também, Beatriz. Seu pai é o meu melhor amigo e o que quase fizemos foi um erro que não vai mais se repetir.
Um soluço escapa da minha garganta quando ouço suas palavras frias, vazias. Como se o homem que me tomava nos braços há alguns instantes tivesse se desfeito no ar, dando lugar a um desconhecido completamente transtornado.
Balanço a cabeça de um lado a outro e sorrio sarcasticamente. Um erro. É isso que significo para ele?
— Não parecia errado quando você estava enfiando a língua na minha boca seu… seu ogro — gaguejo e seco uma lágrima vergonhosa que escorre pela minha bochecha. Sinto-me humilhada.
Eduardo arruma o terno no corpo e sorri de lado com cinismo.
— Sua sorte foi que usei apenas a minha língua. Você não gostaria de ser apenas mais uma na minha cama, gostaria? — Levo minha mão aos meus lábios, tentando conter o choro que vem em forma de soluços constantes. Por que ele está fazendo isso? Por quê? — Desculpe destruir os seus sonhos, princesa. — Ele caminha até mim e segura o meu queixo trêmulo, fazendo com que eu o encare. — É melhor assim.
Por um instante, percebo que seu semblante se torna pesaroso, mas essa expressão dura por pouquíssimos segundos, pois logo o sorriso debochado toma o seu lugar.
Afasto-me dele, enojada, ferida, enquanto o arrependimento me toma. Como pude ser tão ingênua, meu Deus? Para o Cadu, as mulheres servem apenas para um prazer momentâneo. Como pude achar que esse homem tão árido se apaixonaria por mim, ou por alguém? Como pude amar este homem por tantos anos? Eu me guardei para ele com a tola ilusão de que Cadu seria capaz de corresponder. Mas ele não pode, porque tem uma pedra de gelo no lugar do coração.
Engulo a saliva com dificuldade e fecho os meus olhos, em busca de forças. Eu preciso sair daqui. Só preciso ficar longe dele.
— Beatriz… — Eduardo volta a se aproximar e estende a mão para segurar o meu braço. Parece preocupado. Contudo, em um rápido movimento, me desvio dele.
— Não toque em mim, por favor. Não cansa de me humilhar?
Eduardo respira profundamente e volta a falar: — Beatriz, não haja como criança. Vamos passar uma borracha em tudo e fingir que nada aconteceu. Será melhor para nós dois.
Ainda com o corpo trêmulo, desvio meu olhar do seu rosto e termino de secar o restante das minhas lágrimas, decidida a ir embora e seguir os seus conselhos: fingir que nada aconteceu e que nunca o conheci.
— Tem razão, Eduardo. Vamos fingir que nada aconteceu. Irei fingir que nunca conheci você e, a partir de hoje, minhas prioridades serão outras. A primeira coisa que irei fazer será perder a merda dessa virgindade com o primeiro babaca que aparecer na minha frente.
Ao terminar de falar, não espero nenhuma reação vinda dele. Viro-lhe as costas e sigo na direção da porta, pronta para ir embora e esquecer que algum dia amei este imbecil.
Ao chegar no salão em que está acontecendo o evento, vejo Gracy conversando alegremente com algumas pessoas, entre elas Victor e a tal prima do Cadu. Observo-os, enquanto imagino sobre o que tanto conversam e sorriem. Passo a mão por meus cabelos, tentando reverter um pouco do estrago. Arrumo o vestido e caminho na direção de ambos.
Ao me ver, Gracy ergue a sobrancelha e torce a boca para evitar sorrir. Mantenho minha expressão fechada, finjo sorrir para algumas pessoas que me cumprimentam e, assim que me aproximo dela o suficiente, Gracy me puxa pelo braço para um lugar mais reservado.
— Amiga, você está com cara de quem fodeu — comenta ela, sorridente. — Seus cabelos estão bagunçados e suas bochechas vermelhas como pimentão.
Cruzo os braços na frente do meu corpo e balanço a cabeça em negativa.
— Ele é um babaca, Gracy — digo sem rodeios — O Cadu já sabia de tudo, sabia quem eu era e simplesmente me dispensou. Por favor, vamos para casa, eu não quero vê-lo mais.
Gracy arregala os olhos, confusa, e segura na minha mão.
— Como assim, amiga? Me explique tudo com calma.
Assinto e conto a ela tudo o que aconteceu entre nós dois no quarto do hotel, inclusive os detalhes sórdidos e a súbita mudança de comportamento dele. Gracy ouve tudo atentamente, mas nada diz, apenas dá alguns sinais com a cabeça para que eu prossiga.
— E foi isso. O homem que amo desde os meus quinze anos é um ogro insensível e babaca.
— E o que você vai fazer a respeito?
Inspiro fundo e aperto os meus braços ainda mais em volta do meu corpo.
— Eu não sei… — Olho à minha volta e vejo Cadu se aproximando de um grupo de pessoas. O terno e os cabelos estão novamente impecáveis, como se há poucos minutos ele não estivesse me atacando como um louco. Ao desviar meu olhar, percebo que Victor me encara entre um gole e outro da bebida que está em suas mãos. Seus olhos brilham quando o encaro de volta e esboço um sorriso.
Em instantes, ele caminha na minha direção, deixando o grupo de pessoas que conversam animadamente. Ao ver que Victor se aproxima, Gracy fala alguma coisa que não consigo entender e volta a se juntar aos outros.
— Oi… me acompanha em um drink? — pergunta.
Desvio minha atenção do seu rosto disfarçadamente e vasculho o salão em busca do Cadu. Vejo-o sorrir enquanto conversa com algumas pessoas. Parece não notar a minha presença. É como se aqui no meio das pessoas eu não existisse para ele.
Abaixo a cabeça, triste, e volto a fitar o Victor. Seu semblante expressivo me encoraja a aceitar seu convite e, apesar de não ser o Cadu, ele também é um homem bonito, muito bonito.
Não sei se em algum momento estarei preparada para novas aventuras ou novos amores, mas este me parece ser um bom momento para seguir em frente e tentar, ou ao menos fazer novas amizades.
— Claro — aceito, e ele curva os lábios, esboçando um sorriso tão perfeito que me encanta.
CARLOS EDUARDO
— Tem razão, Eduardo. Vamos fingir que nada aconteceu. Irei fingir que nunca conheci você e, a partir de hoje, minhas prioridades serão outras. A primeira coisa que irei fazer será perder a merda dessa virgindade com o primeiro babaca que aparecer na minha frente.
Merda! Só em imaginá-la com outro homem, sinto meus nervos aflorarem ainda mais. Tenho vontade de socar qualquer idiota que ousar olhá-la com segundas intenções.
O problema é que eu não deveria me importar, até porque eu a tive nos meus braços e não fui até o fim exatamente porque não posso. Mas a verdade é que, mesmo não querendo, eu me importo. A raiva que me toma ao imaginá-la com outro homem é tão grande que, quando ela sai e fecha a porta, caminho até o toalete e acerto o meu punho fechado no espelho acima do armário.
Ofegante, abaixo a minha cabeça e inspiro profundamente. Os cacos de vidro que brilham em cima do mármore contrastam com as gotas vermelhas do sangue que escorre por meus dedos. Sinto a ardência em minha mão, mas nada se compara com a frustração que sinto por desejar tanto uma mulher e não poder possui-la.
— Merda! Merda! Merda! Maldita sedutora… — esbravejo irritado, encarando o estrago que acabei de fazer. Ela é tão linda e doce que não consigo nem ao menos disfarçar o desejo que passei a sentir com tanto descontrole.
Quando foi a última vez que me vi tão louco para foder uma mulher assim? Acho que isso nunca aconteceu.
Meu lábio inferior lateja, fazendo-me relembrar o quão longe fui. Meu tesão por ela era tanto que mordi o meu lábio com toda a força, tentando me concentrar na dor e esquecer que ela estava ali na minha frente, entregue e excitada. Passo a língua pelo local ferido e sinto o gosto de ferrugem. Mas o sabor da bocetinha dela ainda está entranhado em mim, deixando-me louco. Porra!
Abro a torneira e coloco a mão ferida debaixo da água fria. Permaneço assim até os pequenos cortes pararem de sangrar e os meus nervos se acalmarem um pouco. Seco minhas mãos, arrumo o terno e o cabelo em um outro espelho do toalete e caminho para fora da suíte. Apesar de tudo, preciso manter a pose de CEO respeitado e seguir para o evento. Afinal, é para isso que estou aqui hoje.
Ao retornar para o salão, logo engato uma conversa forçada com um grupo de pessoas, enquanto finjo não perceber que ela me encara do outro lado do local.
Pego um drink na bandeja de um dos garçons que circulam pelo salão, cumprimento algumas pessoas e me mantenho focado na missão de ignorá-la, até porque o que Beatriz faz ou deixa de fazer não é problema meu. Não permitirei que uma garota me tire de órbita e me faça cometer alguma loucura. Sou um homem experiente que mantém o controle sobre tudo e todos.
— Boa noite, cara. — Ouço a voz de Felipe nas minhas costas e viro-me na sua direção. — Você simplesmente desapareceu. Não me diga que já estava flertando por aí! — Felipe sorri e toma um gole da sua bebida, enquanto eu apenas franzo a testa.
— Não exatamente — respondo, impassível. — Tive alguns contratempos — justifico e tomo mais um gole do drink.
Felipe assente e começa a falar sobre o evento. Agradeço por ele não fazer mais perguntas porque, apesar de tudo, seria muita cara de pau da minha parte fingir que não me sinto mal por ter quase tirado a virgindade da filha dele.
Outras pessoas se juntam a nós em uma conversa ampla e eu me perco no tempo, até que a principal atração da noite é anunciada.
De relance, olho na direção dela e sinto meu sangue ferver quando a vejo conversando com Victor. Os dois estão com os rostos tão próximos um do outro que posso garantir que em alguns instantes ele tentará beijá-la.
Beatriz balança os quadris no ritmo da batida eletrônica e sorri. Nem parece a mesma garota que saiu irritada e triste da suíte do hotel. Muito pelo contrário, está se divertindo como nunca. Seria ela tão volúvel assim? Por outro lado, conheço a natureza feminina. Ela está frustrada e muito puta da vida comigo, por isso tentará se vingar. Com certeza vai dar mole para esse idiota.
Merda!
Tenciono os meus músculos e corro os meus olhos pelo restante do salão. Vejo a amiga dela conversando com outras pessoas, incluindo a minha prima Priscila que chegou recentemente da França. As duas conversam de forma tão espontânea que parecem se conhecer há séculos.
Volto minha atenção para Beatriz e sou obrigado a descontar minhas frustrações no copo que seguro, apertando-o.
Ela vira as costas para o Victor. Permite que o imbecil a segure pela cintura e cochiche alguma coisa no seu ouvido. Ao olhar na minha direção, Beatriz percebe que mantenho minha atenção focada nela. Sorri e dá um rebolado discreto, voltando a conversar com ele.
Cerro o meu maxilar irritado e encaro Felipe, possesso de ódio. Ele agora conversa animado com um dos nossos clientes mais poderosos, não parece se importar que sua filha esteja quase agarrada a um marmanjo do outro lado do salão. Será que ele ainda não percebeu essa pouca vergonha da princesinha dele? Porra! Para deixar a situação ainda mais estranha, vejo Beatriz segurar na mão de Victor por alguns segundos e, então, ele ruma na direção da saída. Em seguida, ela caminha sorridente na nossa direção.
— Papai … — Beatriz passa por mim e toca o braço de Felipe, chamando-o. Apesar do som alto, consigo ouvir nitidamente a conversa de ambos devido à nossa proximidade.
— Oi, querida. Tá tudo bem? — pergunta ele, preocupado ao fitá-la.
— Na verdade, sim. Estou um pouco cansada. Pedi para o Victor levar a mim e a Gracy para casa, o senhor se importa?
Que merda! Fecho os meus punhos, segurando-me para prensá-la na parede mais próxima e perguntar que porra ela tem na cabeça. Não percebe que o cara está louco para levá-la pra cama?
No entanto, balanço a cabeça e sorrio ao me dar conta que estou me preocupando em vão. O pai dela não permitirá que o Victor, um estagiário novato da Ferraz, a leve para casa.
— O Victor? O novo estagiário da Ferraz?
— Sim, papai. Ele era nosso vizinho, o senhor se lembra?
— Ah, claro, lembro, sim. Ele era um bom garoto … — Felipe faz uma pausa, analisando a situação e continua. — Tem certeza que quer ir com ele, querida? Eu não irei demorar.
— Não se preocupe, papai.
Aperto o copo mais uma vez, desacreditando no que ouço. Felipe vai mesmo permitir que ela vá com aquele idiota? Enfurecido, nem ao menos percebo quando abro a boca para falar o que não deveria.
— Posso levar você, Beatriz. Creio que seja mais conveniente para o seu pai.
Ela me fita de repente com os olhos arregalados e as maçãs da face coradas. Com certeza não imaginou que eu me ofereceria para levá-la. Contudo, diante das circunstâncias, eu seria capaz de tudo para vê-la bem longe do trombadinha.
— Não será necessário, senhor Carlos Eduardo. Mas, obrigada! — Sorri descaradamente e passa por mim, seguindo na direção da saída para ir ao encontro do outro homem, deixando-me ali ainda mais enraivecido pela sua audácia em me chamar de senhor, quando há poucas horas estava gritando alucinada enquanto eu a chupava.
Vejo Felipe voltar a conversar com o cliente como se a filha ser levada para casa por um homem qualquer fosse algo normal. Mesmo que aquele babaca tivesse sido um vizinho e amigo da família no passado, ele não passa de um aproveitador barato, louco para enfiar o pau no primeiro buraco que aparecer. O problema é que, só de imaginar uma merda dessas, sinto o sangue congelar em minhas veias de uma forma terrivelmente assustadora.
Sem pensar coerentemente, sigo no encalço dela e, antes que Beatriz alcance a porta de saída, seguro em seu braço.
— Onde pensa que vai com aquele cara, Beatriz? — questiono, e ela vira-se na minha direção, assustada.
— Para… para casa… — murmura.
— Você acha que sou idiota? Acha mesmo que irei acreditar nessa história de cansaço?
Ela puxa o braço, libertando-se da minha mão, e responde: — E o que você tem a ver com isso, senhor Eduardo? Que eu saiba, não te devo nenhuma satisfação!
Cerro o maxilar, nervoso diante do seu atrevimento, mas decido partir para outra estratégia. Sei muito bem que ela está fazendo tudo isso apenas para me provocar.
— Tentando me deixar com ciúmes, Beatriz? Isso não vai funcionar, menina. — Sorrio de lado, debochado ao ver que ela perde a fala, ficando ainda mais nervosa.
— Não tenho nenhuma pretensão em te deixar com ciúmes, Eduardo. Agora, se me der licença, minha noite está apenas começando, e eu não quero me estressar discutindo com o senhor novamente — rebate ela com atrevimento, fazendo o sorriso vitorioso se desmanchar no meu rosto.
— Você não teria coragem de ir pra cama com ele…
— Não? Paga pra ver, então! — responde e dá meia volta.
Ainda me movimento para ir atrás dela e impedi-la de sair daqui com aquele projeto malfeito de homem, contudo, no instante seguinte, sou cercado pela imprensa e inúmeros repórteres cheios de perguntas infinitas me rodeiam.
Tento me desviar e seguir atrás dela, porém, ao procurá-la entre as pessoas, percebo que simplesmente a perdi de vista no meio da multidão. Sinto o ar faltando em meus pulmões, tamanha é a minha fúria.
BEATRIZ
Percebo que ele se embaraça com os repórteres que o cercam e me perde de vista. Com o coração batendo forte no peito, corro o mais depressa possível na direção da saída, tomando todo o cuidado para me camuflar em meio às pessoas que circulam pelo local.
As palavras ditas por ele feriram como brasa. Ainda sinto a ferida recém-aberta, minando sangue dentro do meu peito junto com o peso da rejeição. O sorriso debochado foi a gota d'água para mim.
Ao sair do hotel, sinto uma lufada do vento frio balançar os meus cabelos. Avisto Victor dentro do carro, acenando para mim, e aperto o meu passo. Assim que me aproximo, indico para que ele espere um segundo e pego meu celular para falar com Gracy.
— Bia? Cadê você mulher? — pergunta Gracy, atendendo à ligação.
— Amiga, estou na frente do hotel. Preciso que venha até aqui, por favor.
— Aconteceu alguma coisa? Você está bem?
Afasto-me do carro dele e me encosto na parede do hotel para poder falar com mais privacidade.
— Eu disse ao meu pai que Victor iria levar nós duas para casa. Falei isso, alegando estar cansada, apenas para fazer ciúmes no Cadu. Se papai te vir aí dentro sem mim, com certeza vai me dar a bela de uma bronca. Sei que tentar fazer ciúmes no Cadu foi uma tremenda inconsequência. Mas eu agi por impulso. Agora preciso que você me ajude.
Gracy bufa do outro lado da linha e já posso imaginar o quanto está ranzinza por eu ter interrompido sua diversão essa noite.
— Porra, Bia. Você se mete em confusão com esses homens e sobra até para mim?
— Desculpa, amiga. Quebra esse galho para mim, por favor — falo, prometendo a mim mesma agir com mais racionalidade no futuro.
Ela suspira pesadamente.
— Espere um instante. Estou indo.
Retorno para o carro de Victor e entro no banco do carona, um pouco sem jeito.
— Gracy já está vindo — informo. Ele assente e sorri.— Desculpe te tirar da festa para nos levar para casa. Eu realmente estou cansada — explico.
— Não precisa se desculpar, Bia. Para mim é um prazer. — Pisca.
Engulo em seco, vendo seu olhar com segundas intenções fitarem cada milímetro do meu rosto. Quando o pedi para me levar em casa, alegando estar exausta, não parei para pensar nas consequências disso. Naquele momento, eu só queria provar para o Cadu que ele não era o único homem na face da Terra capaz de despertar o meu interesse. No entanto, agora que cheguei até aqui, dou-me conta que acabei abrindo uma brecha para o Victor pensar que estou interessada nele. Apesar das provocações que deixei escapar da minha boca na discussão com o Eduardo, não tenho a mínima pretensão de ir para a cama com o homem que praticamente me devora com o olhar agora.
Senhor!
Abro um sorrisinho amarelo e desvio o olhar, morta de vergonha.
Em que situação fui me meter?
Após alguns instantes, Gracy aparece e se aproxima do carro. Respiro mais aliviada ao ver minha amiga vindo ao meu encontro, pronta para me ajudar a sair dessa enrascada. Contudo, não é bem isso que acontece.
A louca se debruça na minha janela e simplesmente nos informa que vai pegar um táxi para ir embora. Alega para o Victor que mora em outra direção e não deseja incomodar. Cochichando no meu ouvido, diz que de forma alguma vai segurar vela para mim. Ele compreende a intenção da Gracy e assente para ela com um sorriso matreiro. Não tenho meios de contestá-la sem que o Victor perceba. Agora estou mesmo lascada.
Tenho ímpetos de assassiná-la aqui mesmo, só não o faço porque sei que sofrerei depois. Mas a vontade é grande.
Gracy sorri e se afasta, dando um tchauzinho descarado que me faz ranger os dentes de raiva. Não vejo a hora de poder torcer o pescoço dessa amiga da onça que ignora na cara dura o meu apelo silencioso.
Após dar a partida no carro, Victor liga o som em uma música contagiante do Zayn, o que me faz relaxar um pouco, mesmo com o seu olhar travesso na minha direção.
Enquanto ele guia o veículo pelas ruas movimentadas da capital carioca, não consigo pensar em mais nada que não seja no Cadu e no quanto agi como uma criança boba por tanto tempo. Confesso que ao relembrar do momento em que declarei o meu amor para ele, sinto vontade de me jogar da ponte para nunca mais ter que olhar naquela cara de cachorro cretino. Percebo agora que ele não me leva a sério. Deve achar que é uma paixonite infantil. Nisso, não posso culpá-lo. Até o momento, não tive qualquer atitude adulta. Mas isso vai mudar.
Estou perdida em meus pensamentos quando ouço o toque de mensagens do meu celular. Pego o aparelho para verificar de quem se trata e vejo que é de Gracy.
Amiga, já estou a caminho da minha residência. Divirta-se ;)
Reviro os olhos e aperto o celular com toda a minha força. Gracy tem sorte de não ser ela que está na minha frente.
Quero te matar, Gracy
Vai querer me matar ainda mais quando souber o que eu disse para o Cadu quando ele chegou na frente do hotel enquanto eu aguardava a minha condução :)
Quando leio a menção do nome dele, sinto meu sangue coagular em minhas veias. Meu corpo inteiro fica gelado.
O que você disse?
Que vocês tinham ido para um motel, lógico.
O homem ficou transtornado.
Meu Deus…
Chocada, inspiro fundo e escoro a minha cabeça no encosto da poltrona. Se ele tinha alguma dúvida de que eu realmente iria pra cama com o Victor, agora deve estar se mordendo de raiva. E deve me achar ainda mais leviana e infantil. Merda!
Não precisa agradecer. Afinal a fila anda, não é mesmo? Depois me
conte tudo. Beijos
Mordisco o meu lábio e volto a guardar o celular na pequena bolsa de mão. Permaneço em silêncio, concentrada na melodia da música e em cada beijo que troquei com ele mais cedo. Queria odiá-lo, porém não tenho forças o suficiente para isso. Mas saber que feri o seu ego, mesmo que minimamente, me dá uma sensação de revanche. Sim, eu sei: vingança não é um sentimento nobre nem maduro. Mas também tive meu ego ferido e não vou negar que sinto um gostinho bom pela desforra.
Fecho os meus olhos e cantarolo um trechinho da música Dusk Till Dawn, tentando esquecer um pouco do desastre que foi essa noite.
— Tem certeza que quer ir para casa, Bia? Podemos fazer alguma outra coisa se você desejar. — Ouço a voz de Victor e viro-me na sua direção. — Ainda é cedo, podemos tomar alguma coisa em um barzinho aqui perto — sugere.
Balanço a cabeça e nego.
— Acho que não é uma boa ideia. Já bebi mais do que devia e estou realmente cansada. Quem sabe outro dia — digo para desfazer o mal-entendido e eliminar qualquer ideia equivocada.
— Tudo bem. — Assente sorridente. — Irei considerar que você esteja realmente cansada para não me sentir tão mal com a sua recusa.
Mesmo estando triste, sorrio e ajeito a barra do meu vestido.
— Você não mudou praticamente nada, Victor. Continua o mesmo garoto divertido que morava ao lado da minha casa.
— Divertido e bonito, diga-se de passagem — diz, curvando os lábios.
Gargalho com o comentário bobo dele e volto a respondê-lo, lembrando o quanto ele fazia sucesso com as garotas. Engatamos uma conversa agradável, relembrando alguns momentos engraçados que vivemos. O tempo parece voar e, em poucos minutos, ele estaciona o carro no meu condomínio.
— Chegamos… — Victor destrava o cinto de segurança e eu faço o mesmo.
— Obrigada. E mais uma vez desculpa por…
— Shhh … — Ele coloca o dedo nos meus lábios, impedindo que eu continue falando, e me encara. Seu olhar escuro como a noite me arrepia, hipnotiza-me por breves segundos. No entanto, a sua aproximação, fitando a minha boca, faz com que eu desperte do meu transe e desvie o meu rosto para o lado, rejeitando o seu beijo.
— Victor… Eu… não posso — murmuro ofegante e abro a porta do carro.
Ele assente em silêncio, seriamente, como se compreendesse por que o estou recusando. Fita o meu rosto uma última vez e desvia o olhar, focando a atenção à sua frente. Saio do carro rapidamente e aguardo até que ele dê a partida no veículo e vá embora.
Com o coração martelando forte, confusa, entro em casa e sigo direto para o meu quarto.
Tomo um banho morno para tentar relaxar e aliviar um pouco da tensão do dia, no entanto, nem mesmo o banho relaxante consegue fazer com que minha mente desacelere. Coloco os fones de ouvido, escolho a playlist de Zayn e me agarro a um dos travesseiros.
Cansada de tentar ser forte e fingir que não me importo, permito que uma lágrima escorra pelo meu rosto e molhe o travesseiro. Por mais que eu tente sorrir e mentir para mim mesma, dizendo que ele não vale a pena, sei que não é verdade. Meu coração traidor insiste em bater descompassado quando o maldito do meu cérebro repassa milhões de vezes a imagem do seu rosto na minha cabeça.
Retiro os meus fones, disposta a tudo para tirá-lo da mente e conseguir dormir um pouco, mas nada no mundo havia me preparado para ver o nome dele na tela do meu celular em uma ligação.
Um frio na barriga me faz ranger os dentes, nervosa e ansiosa. Reflito se o atendo, porém, diante dos acontecimentos do dia, concluo que o melhor para mim agora é me afastar um pouco antes que eu enlouqueça. Preciso me desintoxicar desse homem para dar outro rumo à minha vida.
Respiro fundo e, enquanto outra lágrima escorre pelos meus olhos, clico em rejeitar chamada.
CARLOS EDUARDO
— Diabos! — esbravejo irritado em frente ao hotel, enquanto vejo a amiga de Beatriz sumir da minha vista dentro de um táxi.
Beatriz só pode estar brincando com a minha cara. Pela primeira vez na vida, eu desisti de uma transa. Fiz isso para evitar que ela se machucasse posteriormente. Não quero que ela se magoe com um cara como eu: com o coração árido. Posso ser um homem sem coração, mas tenho consciência. Mas, aí, o que ela faz? A menina simplesmente se manda para um motel com outro homem. Um outro qualquer que não a valorizará como merece. Que merda!
Porra! Porra!
Jogo a taça que ainda estava em minhas mãos no chão da calçada, fazendo o objeto cristalino se estilhaçar em milhões de partículas. Alguns transeuntes olham na minha direção, surpresos, e ficam ainda mais assustados quando se dão conta de quem eu sou. Respiro fundo e aceno, indicando que está tudo bem, como se a taça quebrada fosse apenas um acidente. Disfarço, mesmo que minha única vontade agora seja ir atrás daquela pirralha sem juízo e deixá-la trancada em um quarto para nenhum gavião inescrupuloso chegar perto.
Passo a mão pelo meu cabelo e pescoço, nervoso, e ando de um lado para o outro. Contudo, não tenho outra saída a não ser voltar para o evento e cumprir com as obrigações às quais me dispus. Afinal, não posso perder a merda do meu controle por causa de uma menina inconsequente. Preciso ser racional e dimensionar devidamente a situação. Ela é apenas uma menina brincando de seduzir.
Gargalho com sarcasmo e me repreendo internamente por perder meus minutos preciosos com uma garota. Passei anos da minha vida sem dar a mínima para o que as mulheres que frequentavam a minha cama faziam quando eu não estava por perto. Não darei importância e nem perderei a minha cabeça e controle com isso agora. Foda-se.
Quando caminho para retornar ao hotel, volto a ser surpreendido pela imprensa, que faz inúmeras perguntas sobre o projeto e evento beneficente, além de alguns questionamentos mais invasivos sobre a minha vida pessoal. Respondo-os, tentando manter a calma e discrição, mesmo que por dentro esteja me mordendo de raiva. Procuro responder a todas as perguntas sem deixar transparecer o meu estado de espírito ou expor a minha vida particular. Respiro aliviado quando finalmente consigo abrir uma brecha para escapar dos holofotes. Retorno para o interior do hotel, pego outro drink e passo a conversar com um grupo de empresários do ramo da construção civil.
Alguns minutos depois, minha prima, Priscila, que me acompanhou até o evento, aproxima-se e começa a questionar sobre o paradeiro de Beatriz e a amiga Gracy, sem deixar de mencionar o machucado no meu lábio inferior. Achei estranho ela me interpelar sobre a Bia. Elas foram apenas rapidamente apresentadas. Dou de ombros, invento uma desculpa qualquer sobre a ferida e digo que não tenho ideia para onde elas foram. No entanto, Priscila me encara com a testa franzida e a sobrancelha erguida, deixando claro que não está convencida com as minhas justificativas.
— Engraçado, Cadu. Pensei ter visto você indo atrás da Bia na direção do hall e, alguns minutos depois, a Gracy, amiga dela, que estava conversando comigo, atendeu um telefonema, deu uma desculpa qualquer e também saiu. — A mulher despeja tudo de uma vez e cruza os braços em frente ao abdômen. — Tenho um excelente instinto e sei que tem coelho nesse mato. Vai me dizer o que está acontecendo? — Sorri e me fita com ar divertido.
— Definitivamente, nada, Priscila. Você deve ter se confundido ou está vendo coisas — desconverso e ajeito o relógio no meu pulso, dando a entender que não tenho interesse nenhum nessa conversa.
— Tem certeza? — Seu olhar interrogativo e o sorriso estampado no rosto, deixam claro que ela não vai parar com o inquérito até alcançar o fio da meada. Porém, não estou disposto e nem irei revelar nada a respeito, principalmente por eu já ter colocado um ponto final nessa história. — Então eu devo ter me confundido quando pensei ter visto você segurar a mão dela e falar algo que a deixou bastante assustada.