A Menina do CEO

Jéssica Larissa · Capítulo 2 de 5 · parte 3/9

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A Menina do CEO

Capítulo

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 9 partes.

Confesso que essa atitude inesperada faz o meu sorriso morrer e meu subconsciente grita para que eu recue. Quando menos espero, sinto o toque brusco das suas mãos em minha cintura, deixando-me embaraçada. Meu corpo inteiro estremece.

— Oi — Eduardo diz, fitando-me como um touro raivoso, os olhos oceânicos flamejando de ira. Em seguida, olha na direção da porta, por onde o meu pai saiu para arrumar a camisa.

Acontece tão rápido que meu cérebro não consegue acompanhar, mas tudo à minha volta parece parar quando ele segura o meu rosto e toma os meus lábios com ferocidade, enfiando a língua quente e possessiva dentro da minha boca.

CARLOS EDUARDO

Quando ela entra na sala e conversa com o pai, preciso usar todo o meu autocontrole para não me virar em sua direção e encará-la. Meu sangue ferve de tesão e, ao mesmo tempo, ira por permitir que uma menina me desestabilize desta maneira, apenas por ter me enviado uma foto. Com as mulheres e com os negócios, sou eu quem mantém o controle. Sou eu quem dita as ordens e dá a cartada final.

Quando seu pai sai para se trocar, ouço os passos dela na minha direção e, então, me viro. Fecho o meu punho e até sinto algumas gotas de suor brotarem em minha testa, tamanho é o calor que me toma quando a vejo dentro de uma roupa minúscula, deixando suas pernas à mostra. A peça molda os quadris bem delineados de uma forma tão sedutora que minha garganta fica seca. Caralho! E pensar que, há poucos minutos, eu a vi completamente nua em uma foto.

Agora, meu cérebro relembra cada detalhe da cor da pele e as formas das curvas por baixo desse pedaço de pano. Sinto meu pau enrijecer sem nenhum controle, obrigando-me a passar a mão para acalmá-lo um pouco. Quase posso sentir, em minhas mãos, as formas macias e deliciosas do seu traseiro.

Estreito os olhos ao vê-la abrir um sorriso encantador e balançar os quadris em um gesto sensual, mas ao mesmo tempo virginal. Ela é naturalmente sexy, sem ser vulgar, mas possui uma aura inocente no olhar de menina que me instiga.

Trinco os meus dentes, lutando para esconder a minha ira quando ela inspeciona o meu corpo por breves segundos, disfarçadamente. Contudo, por mais que ela tente manter-se confiante, percebo que seu olhar vacila quando fita os meus, encarando-a duramente. Em poucos segundos, ela passa de tigresa imbatível para gatinha assustada. Merda!

A cada segundo que a observo, tenho vontade de lhe dar umas boas e velhas palmadas, ao mesmo tempo que excomungo o meu pau por estar quase rasgando a minha calça. Essa falta de controle não faz o meu feitio. Isso me irrita além do imaginável.

Fico surpreso ao ver que, mesmo sob meu olhar severo, ela decide continuar e se aproxima. O primeiro pensamento que se passa em minha cabeça, é colocá-la contra a parede e confessar que sei que Beatriz e Bianca são a mesma pessoa. Quero saber, olhando em seus olhos, por que merda ela está fazendo esses joguinhos.

Estará mesmo apaixonada por mim? Pobre criança. Tão linda, mas tão ingênua. Não percebe que nós dois somos incompatíveis? Ela é apenas uma garota, tem metade da minha idade. Acha mesmo que pode me satisfazer?

— Oi… — Ela para em minha frente e me cumprimenta, ainda sorridente, estendendo a mão.

O cheiro do perfume suave invade as minhas narinas e afloram os meus sentidos. Meu instinto predador ruge. O olhar brilhante, que me fita esperançoso, faz o meu corpo reagir de uma forma totalmente contrária ao que imaginei durante todo esse tempo.

Ah, Bia. Se você soubesse… Já sei de tudo, pequena sedutora.

Sorrio sarcástico quando percebo que fingir que não a quero é em vão. No momento, tudo o que necessito é sentir o sabor dessa boca voluptuosa que me fez salivar na noite anterior. Seguro na sua cintura, bruscamente, sentindo o seu corpo estremecer, surpreso pelo meu toque. Olho na direção da porta em que Felipe foi se trocar e calculo que devo ter menos de um minuto para ter o quero antes que ele retorne.

Então foda-se.

— Oi — respondo, áspero, excitado, louco.

Se ela quer jogar, irei jogar. Se ela acha que pode me provocar e ficar por isso mesmo, sinto dizer que está muito enganada.

Deslizo minhas mãos até o seu rosto e seguro com firmeza. Sem esperar mais nenhum segundo, tomo os seus lábios em um beijo roubado, cheio de anseio e tensão sexual.

Quando minha língua penetra na sua boca, ofego ao imaginar o meu pau penetrando na sua boceta, tomando toda a sua pureza para mim. Todo o meu autocontrole é destruído.

Sinto suas mãos trêmulas deslizarem até o meu braço e o segurarem com força, como se ela procurasse equilíbrio para se manter de pé. Aproveito o momento para deslizar minhas mãos até seus quadris e acariciá-lo. Trago-a para mim, apertando sua barriga na minha pélvis, fazendo-a sentir o volume latejante do meu pênis excitado. Meu corpo está queimando de desejo e, a cada segundo que ela se desfaz em meus braços, tenho anseio de tomá-la, de fazê-la minha e tirar a sua virgindade.

Movo minha língua para dentro e para fora da sua boca quente e ávida, degustando o sabor dos seus lábios de uma maneira tão imoral que a sinto gemer em meus braços, com dificuldade de acompanhar o meu ritmo.

Subo minha mão pela lateral do seu corpo, esmagando a sua pele com os meus toques possessivos, com ímpetos de acariciar o seio pequeno e delicado. No entanto, tomo consciência que aqui não é hora nem lugar para isso e, juntando todos os destroços do meu autodomínio, afasto-a abruptamente e deslizo a mão pelos meus cabelos, sem ar.

Beatriz me encara, petrificada e confusa.

— Cuidado com o que deseja, Bia — advirto em um sussurro ofegante, enquanto ajeito o meu terno.

Passo a mão em meus lábios para tirar qualquer vestígio do batom suave que ela usava e volto a encará-la. Seus olhos estão expressivos e brilhantes, sua pele está corada e sua respiração ofegante.

— Cadu… Eu… O que foi isso? — Beatriz leva a mão trêmula aos lábios levemente avermelhados e questiona.

— Apenas um beijo — respondo indiferente. — Não era isso que você queria ontem à noite? — desconverso e forço um sorriso, relembrando-a que apenas continuei o que quase aconteceu no jardim da casa dos meus pais. Ainda não é o momento de ela ficar ciente que sei toda a verdade.

A garota franze a testa, fingindo descaso, aparentemente incomodada com a minha menção em dizer que ela queria isso, quando na verdade sou eu quem está louco para devorá-la.

— Isso foi … Céus! — Sua tentativa de indiferença cai por terra quando ela curva os lábios em um sorriso brando. — Cadu… Acho que…

Sinto meus nervos se retesarem quando imagino o que vem a seguir. Já posso ouvir as declarações de amor sem fundamentos, e, antes que isso aconteça, a interrompo.

— Olha, Bia, isso foi apenas um simples e inocente beijo. E não acontecerá novamente. Lembre-se de quem você é filha e o que sou do seu pai — digo, seco, certo de que isso quebrará todas as suas ilusões.

No entanto, ela apenas morde o lábio inferior e suspira, olhando-me com firmeza.

— Será mesmo? — questiona, franzindo a sobrancelha.

— Tenho certeza! — afirmo e dou um passo para trás no instante em que ouço o barulho da porta do banheiro se abrir. Dou a volta na mesa e me sento atrás dela para que o volume na minha calça não seja percebido pelo Felipe.

Alheio à qualquer acontecimento, ele caminha na nossa direção, esfregando a mancha de café na camisa branca. Percebo que o tecido está molhado.

Beatriz caminha na direção do pai, despede-se e segue até a porta, mas, antes de sair, olha-me uma última vez e sorri com suavidade.

Merda! Solto o ar que estava preso em meus pulmões. Depois que tudo passa, percebo o quanto fui inconsequente e me deixei ser guiado pelo desejo do meu pau. Inferno!

— Essa mancha não sai nem com reza. — Ouço Felipe reclamar, nervoso, quase rasgando a camisa, e reviro os olhos.

A única coisa na qual consigo me concentrar é que, em poucos dias, a verei de novo no evento beneficente.

— Com certeza uma camisa a menos não fará falta — digo impaciente e cruzo as minhas mãos em cima da mesa. — Felipe, em poucos dias acontecerá o evento beneficente, patrocinado pela Ferraz Engenharia. Gostaria que fosse com sua esposa e filha — exijo em forma de convite, velado.

O homem caminha até a mesa, joga a camisa no encosto da cadeira e se senta.

— Desculpa, cara, mas minha esposa não poderá ir. O pai dela não está bem de saúde, por isso ela teve que viajar hoje às pressas.

— Sinto muito — digo, surpreso. Só agora me dou conta do quão frio agi mais cedo quando ele me falou o motivo do atraso. — Espero que não seja nada grave.

— Eu também espero — responde e cruza os braços, pensativo. Parece preocupado.

— Então vá com a sua filha. Ela pode levar alguma amiga, se preferir — insisto.

Felipe assente e confere as horas no celular. Logo depois, ouço uma batida na porta, e a secretária entra para informar que os empresários já nos aguardam para a reunião.

Assinto para ela e pego a minha mala. Sigo com Felipe na direção da sala de reuniões, mas, ao passar pelo gabinete da secretária e olhar na direção do elevador, sinto meu sangue fervilhar com uma mistura de raiva e outra coisa que não consigo decifrar.

Vejo Beatriz conversando alegremente com o novo estagiário, com uma aproximação tão íntima que me incomoda.

Mas que diabos ela ainda faz aqui?

Ela ri de algo que ele diz e seu sorriso se abre até a orelha, deixando-me irritado. Os dois estão tão concentrados na conversa que nem ao menos percebem que os observo.

Felipe dá meia volta para falar algo com a secretária, e eu continuo andando, contudo, o fato de vê-la se despedir dele com um abraço e um beijo no rosto faz com que todos os nervos do meu corpo se ericem. Tenho vontade de socá-lo até ele esquecer que por um curto período de tempo a tocou.

BEATRIZ

— Oh, meu Deus! Oh, meu Deus! Oh, meu Deus! — sussurro, encostada na porta do escritório dele, com a mão em meu peito e os olhos trancados.

Minha empolgação é tanta que beira a histeria. Mal posso me conter. Na verdade, nem consigo me desfazer do enorme sorriso que está estampado no meu rosto.

O beijo dele foi tão grosseiro e viril que arrancou todo o ar dos meus pulmões. Agora, estou ofegante e energizada. Presumo que meus lábios estejam levemente avermelhados.

Desencosto-me da porta e cubro a minha boca para não soltar um riso involuntário, tamanha é a minha euforia. Com as pernas bambas, abro os olhos e dou algumas passadas, mas paro e me recomponho quando vejo o olhar interrogativo e desdenhoso da secretária na minha direção.

Respiro fundo e volto a andar. Penso em despedir-me educadamente, no entanto, mudo de ideia quando ouço o toque do telefone e ela desvia a atenção de mim para atender o aparelho. Apenas aceno sem ter certeza se ela viu o meu gesto, pois não faz nenhum movimento na minha direção.

Também a ignoro e sigo o meu caminho na direção do elevador. Retiro uma mecha de cabelo que cai sobre o meu rosto e a acomodo atrás da orelha. Ainda enquanto ando, vejo as portas do elevador se abrirem e surpreendendo-me ao notar uma pessoa de quem há anos eu não tenho notícias.

O homem de boa aparência, usando uma camisa social azul-bebê com um colete preto por cima, dá um passo para sair e caminha na minha direção. Ele anda distraído, parece estar pensativo, mas, quando seu olhar escuro me fita, vejo-o se espantar, como se visse um fantasma ou algo sim, para logo depois, se abrir em um sorriso tão brilhante quanto o sol.

— Beatriz? — diz ele e se aproxima, perto o suficiente para me cumprimentar com um meio abraço e um beijo na bochecha.

— Victor… Quanto tempo! — respondo sorridente e me afasto para fitá-lo melhor. Gosto muito do que vejo.

Ele sorri e também me inspeciona.

— Como você cresceu, Bia. — Seu sorriso se abre até a orelha, parecendo maravilhado. — Por quanto tempo eu dormi?

Pigarreio e solto outro risinho, vendo-o me encarar tão fascinado. Imagino que a lembrança mais recente que tenha de mim seja de quando éramos vizinhos e eu ainda não tinha peitos Se bem me recordo, não éramos muito próximos, até porque ele apreciava mais a companhia das garotas mais velhas. Mas às vezes trocávamos algumas conversas e as nossas mães costumavam se visitar de vez em quando.

Lembro-me que Victor foi embora para outro país. Pouco tempo depois, seus pais também se mudaram e não tive mais notícias.

— Na verdade, acho que a pergunta certa é: por onde você andou todo esse tempo? Não te vejo há anos.

Ele sorri amplamente e passa a mão pelos cabelos castanhos.

— Digamos que passei uma temporada fora de casa e retornei recentemente.

— E o que faz aqui? — pergunto curiosa e olho para as suas mãos. Percebo que ele segura uma pilha de papéis.

— Ah! Sou o novo estagiário. Hoje é meu primeiro dia — informa, descontraído. — Mas e você? O que faz aqui?

— O meu pai. Se lembra dele? Ele trabalha aqui.

Victor acena com a cabeça e engata uma curta e agradável conversa. Após trocarmos os números de telefone, despeço-me e entro no elevador. Contudo, antes que a porta se feche, olho de relance na direção da sala da secretária e o que vejo faz meu coração dar um salto.

Cadu está parado, encostado nos vidros, encarando-me com uma expressão fria e tempestuosa. Quase posso sentir o calor que emana dos seus olhos. Seu maxilar quadrado está trincado, como se algo o incomodasse.

As portas se fecham, e respiro aliviada por não estar mais sendo observada por ele daquela maneira. Um sentimento confuso se instaura em meu organismo quando me recordo do beijo ardente e voluptuoso que trocamos. Naquele momento, eu havia sentido em cada pequena célula do seu corpo que ele também me queria. Mas depois de ver a forma indiferente com que me encarou, tenho dúvidas.

Ao sair do prédio, pego meu celular e disco o número de Gracy. Enquanto caminho pela rua movimentada, ela atende.

— Oi, Bia… — diz, em um sussurro. Imagino que esteja no meio da aula.

— Gracy, ele me beijou — digo sem rodeios.

— O quê? Ele quem? — questiona, confusa.

— Ele. O Cadu…

Um silêncio mortal se faz presente do outro lado da linha. Se eu me esforçar um pouco, sou capaz de ver, nitidamente, a boca aberta de Gracy agora.

— Puta que pariu. Como assim?

— É isso mesmo, Gracy. Um beijo rápido e delicioso — afirmo.

— Então ele já sabe que você e a Bianca são a mesma pessoa? — questiona com uma surpresa evidente na voz.

— Não! Claro que não! — digo convicta. Estou certa que, de alguma forma, ele percebeu que não sou mais uma menininha e sim uma mulher que desperta seus nervos e desejos.

Após encerrar a ligação, pego um táxi e sigo até a orla de Ipanema. Como é próximo da minha casa, decido passar um tempo sentindo o frescor da brisa do mar em meus cabelos enquanto caminho. O barulho suave das ondas me acalma e faz com que eu relaxe um pouco. Respiro fundo e paro para observar o mar. O cristal azulado das águas, contrastando com o esplendor do céu, lembra a cor vibrante dos olhos dele. Essa constatação faz meu coração se aquecer em um mix de ternura e desejo.

 

— E então, como foi a reunião? — pergunto ao meu pai, enquanto me sirvo de um copo generoso de suco de maracujá durante o jantar.

— Um sucesso, querida — responde e leva uma garfada de comida à boca. — O projeto foi aprovado e em breve daremos início às obras.

— Fico feliz, papai. — Esboço um sorriso e volto a comer.

Contente, papai começa a falar sobre os detalhes do resort e a grandeza da obra. Assim, as horas passam até que ele se retira para dormir. Também sigo para o meu quarto, coloco um pijama confortável, pego o celular e me deito. Ao deslizar a tela do aparelho, percebo que tem uma mensagem de Victor, falando o quanto foi agradável me reencontrar e me convidando para passear na praia com ele qualquer dia.

Com um sorriso no rosto, concordo.

Enquanto conversamos, respondo algumas mensagens de Gracy e Pedro, questionando-me por que sumi durante todo o dia. Envio uma breve explicação, falando que passei parte do dia na praia e aproveitei para fazer algumas compras. Enquanto aguardo a resposta de ambos, sinto uma palpitação em meu peito quando vejo uma mensagem de áudio do Cadu.

A voz grossa, levemente rouca e autoritária, quebra o silêncio assim que aperto o play.

— Boa noite, criança.

Logo após a mensagem, ele envia uma foto que corta metade do seu rosto, deixando à mostra, apenas a barba que começa a despontar abaixo da sua boca, o peito nu e bronzeado que posso ver através do tecido da camisa desabotoada e, em suas mãos, um copo largo contendo uma bebida amarronzada e destilada que presumo ser uísque.

Meus lábios ficam secos diante da imagem. Engulo com dificuldade ao imaginar o quão másculo e viril ele possa ser entre quatro paredes. Perder-me em seus braços fortes é tudo que mais desejo agora.

Mordisco o meu lábio inferior e digito uma resposta.

 

Uau. Como eu queria estar aí com você!

 

Envio a mensagem e corro até meu armário de roupas, em busca de um lingerie sexy. Troco as peças pouco sensuais que estavam em meu corpo pelo conjunto velho e subo na cama. Fico de joelhos e me sento meio de lado de forma que consiga tirar uma foto nítida da minha boca para baixo, revelando o decote dos meus seios e a peça terrivelmente minúscula que uso na parte de baixo.

Após alguns minutos, ele responde em forma de áudio.

— Você está me deixando maluco, sabia? — Sua voz está ofegante e ainda mais marcante do que nunca. Todo o meu corpo se arrepia. — Estou louco para te foder, menina. E não medirei esforços para ter o que quero. — Trêmula, aperto o celular com força até sentir o ar faltar em meus pulmões ao ouvir as últimas palavras dele. — No dia do evento, deixarei um cartão magnético de uma das suítes do hotel na recepção. Você sabe o que isso quer dizer, não é?

Sinto um frio agudo em minha barriga ao imaginar as pretensões dele. Meu coração quase para de bater. No entanto, estou certa e ciente que esse será o momento perfeito para me entregar por completo a ele, revelando a minha identidade. O desejo ardente com o qual ele me beijou hoje pela manhã deixa claro que estou ganhando essa primeira batalha.

BEATRIZ

Deito-me de costas na cama, enquanto meus pensamentos voam ao curto momento que tive com ele. Meus lábios formigam ao relembrar nosso primeiro beijo, meu corpo se aquece com a lembrança do calor que senti dele.

Sorridente, digito uma resposta.

 

Sim. Estarei à sua espera no horário e local combinados.

 

A resposta dele vem de imediato, poucos segundos depois.

 

Boa menina. Não vejo a hora de ver você chupando o meu pau.

 

Releio a mensagem dele mais algumas milhares de vezes até ter certeza que não estou vendo coisas. Meus olhos até lacrimejam só de imaginar aquela protuberância toda na minha boca. Mas, ao mesmo tempo, fico receosa em fazer algo que nunca fiz antes. Céus! E se ele não gostar? E se eu fizer algo errado?

Nervosa, levanto-me e começo a andar pelo quarto, sem ter a mínima ideia do que fazer. Já via alguns vídeos pornôs e já sei a teoria, mas nunca pratiquei. Seria melhor testar e ver se consigo fazer como aquelas mulheres nos vídeos. Penso em algo que se pareça com aquela anatomia específica masculina e me ocorre que posso usar uma banana. Acho que terei que apelar para uma banana-nanica como um treinamento, para ter certeza que não farei nenhuma besteira.

Apressadamente, coloco um roupão e corro até a cozinha na esperança de encontrar a fruta que preciso. Pego as bananas que mamãe comprou no dia anterior e escolho a mais vigorosa. O comprimento avantajado, meio tortinho para um lado, e a grossura encorpada até me faz lembrar um pau de verdade. Será que o dele é torto assim? Ou todo perfeito com a cabeça rosa e veias espessas como sempre imaginei? Definitivamente, isso não tem importância agora.

Seguro a fruta madura em minha mão e a analiso por poucos segundos. Após descascá-la, coloco a banana na boca até a metade, que é o máximo que consigo enfiar garganta abaixo sem ter ânsia de vômito. Começo chupando lentamente, até tirar a fruta toda da boca e voltar a engolir. A cada investida, consigo abocanhar um pouco mais e isso deixa-me orgulhosa. Já me sinto uma expert em chupar paus grandes gloriosos.

Distraidamente, continuo o meu treino com afinco, chupando e lambendo a banana até conseguir acomodá-la quase que por completo na minha garganta. Embora seja uma situação um pouco estranha devido às circunstâncias, continuo dando toda a minha atenção ao que estou fazendo. Contudo, o barulho de uma porta batendo e os passos pesados de alguém caminhando na minha direção faz com que eu dê um pulo para a frente devido ao susto. Esse é o meu maior erro, pois, sem querer, engulo a banana.

Para completar a catástrofe, a fruta fica entalada na minha garganta e a voz de papai nas minhas costas deixa as coisas em um nível milhares de vezes mais constrangedor.

Desespero-me ao procurar o ar e não encontrar. Aflita, viro-me na direção do meu pai com a cabeça erguida e a boca aberta com a banana entalada. É, no mínimo, a situação mais vergonhosa que já tive o desprazer de me encontrar.

— Filha! Beatriz!

Ao ver o meu estado catastrófico, papai corre na minha direção e, com um simples movimento de primeiros socorros, pressiona as mãos sobre o meu diafragma, forçando-me a tossir e expelir a fruta da qual, a partir de hoje, quero distância.

Ainda dou algumas tossidas atordoadas enquanto respiro descompassadamente em uma busca frenética por oxigênio. Papai me ajuda a seguir até a mesa e me sento. Tomo o copo de água que ele me oferece e, após parar de tremer um pouco, encaro seus olhos escuros que me fitam confusos.

— O que foi aquilo? — questiona e põe a mão sobre a mesa. — Como você conseguiu se engasgar com uma banana?

Ah, papai. Eu só estava treinando para enfiar o pau do seu amigo na boca, penso, e até tremo de medo ao imaginar o castigo que ele me daria se descobrisse. Com certeza, ele me manteria trancafiada em casa ou me enviaria para outro país.

— Eu… Eu me assustei com a batida na porta e acabei engolindo a banana sem querer — justifico, nervosa.

— Hum. Sei! — diz, desconfiado. — Engoliu uma banana inteira sem querer.

Sinto minhas bochechas enrubescerem ao ver a expressão severa de papai. O que mais me envergonha é imaginar que ele tem lá suas desconfianças sobre o que eu estava fazendo. O que me leva a outro pensamento, um que me faz imaginar as obscenidades que ele e mamãe andaram fazendo. Só de imaginar essas coisas, sinto vontade de vomitar e tento ao máximo afastar estes pensamentos asquerosos da mente. Na minha cabeça, fui trazida por cegonhas para ser criada por eles com muito carinho e afeto. Ambos nunca fizeram sexo.

Sorrio das minhas próprias besteiras, mas volto a ficar séria ao ver a cara de poucos amigos de meu pai. Internamente, agradeço quando ele muda o foco da conversa.

— Em alguns dias, acontecerá o evento beneficente patrocinado pela Ferraz Engenharia. Como sempre, teremos a presença de inúmeros empresários e artistas importantes. A mídia que também estará presente. — Levando uma das mãos até as têmporas, papai massageia essa região e continua. — Como sua mãe não poderá nos acompanhar, você tem permissão para convidar uma das suas amigas. Certifique-se de irem às compras o mais breve possível. — Ele sorri, vendo que arregalo os olhos, surpresa e feliz por poder levar Gracy comigo. Ela me transmite confiança, com certeza será uma noite memorável.

— Fico muito feliz em poder levar Gracy comigo, papai. Esses eventos costumam ser chatos, às vezes — comento, fingindo que não estou muito interessada em comparecer, quando na verdade estou contando as horas e os minutos.

Papai balança a cabeça e sorri, descontraído.

— Acho que não, querida. Este ano terá uma atração imperdível. Você vai se divertir.

Papai continua falando do evento, empolgado. Faz questão de detalhar sobre a atração tão aguardada que será o auge da festa, mas não consigo me concentrar no nome do artista, pois meus pensamentos se perdem no único homem que tem a minha total atenção e interesse.

Ao me retirar para o meu quarto, um pouco mais calma e menos trêmula, deito-me e rolo na cama por horas a fio sem conseguir dormir. Contudo, a imagem dos lábios dele sobre os meus não sai da minha cabeça.

Pego o celular e olho seu contato. Cogito enviar uma mensagem, mas decido ousar.

O toque da minha chamada ecoando em meu ouvido faz meu coração acelerar de uma forma desesperadora, mas a necessidade de ouvir a voz dele fala tão alto que sigo em frente.

— Oi — atende, calmo. A voz grossa e inconfundível me arrepia da cabeça aos pés.

— Oi — respondo baixinho, tentando ao máximo camuflar o tom da minha voz para que ele não desconfie de nada. Estou certa que as poucas palavras que trocaremos não serão suficientes para que ele reconheça a minha voz assim tão facilmente.

— Diga, Bianca. Não consegue dormir?

— Não… não consigo — murmuro. Minha voz sai ofegante apenas por ouvir a respiração dele do outro lado da linha.

— Pensando em mim? — provoca descaradamente, e meu coração dispara. No entanto, da mesma forma que me derreto por ele, também me irrito por ser tão convencido.

Suspiro fundo e respondo em tom provocativo, quero deixá-lo louco: — Na verdade, sim. Inclusive, acabei de fazer algumas coisas pensando em você.

Ouço-o puxar o ar e me responder com a voz rouca: — Que tipo de coisas? Diz pra mim, menina!

— Quer mesmo que eu diga? — indago. — Quer que eu detalhe também?

— Sim. Me conte tudo, todos os detalhes.

Mordisco os meus lábios e decido inventar algumas coisas para provocá-lo. Tento fazer minha voz ficar parecida com os gemidos de atriz pornô, contudo, falho miseravelmente na missão da voz sensual. Mesmo assim, vou em frente.

— Eu tinha acabado de sair do banho e me deitei para dormir, mas não consegui pegar no sono. Deslizei minhas mãos pelo meu corpo até alcançar o elástico da minha calcinha, e tudo que meu corpo desejou foi estar fazendo sexo com você. Como eu não tinha o que queria, retirei minha calcinha, ficando apenas com uma fina camisola, e comecei a me tocar, pensando no seu pau dentro de mim.

Ouço-o puxar o ar com dificuldade, como se acabasse de correr uma maratona, e tranco os meus olhos, envergonhada e excitada. Meu corpo inteiro se aquece por causa do desejo e do medo de tudo o que acabei de dizer ao amigo do meu pai.

— Porra! — diz ele, ofegante. — Meu pau ficou todo melado, te querendo, garota.

— Não vejo a hora de ter o seu pau, Cadu.

— Então se toque de novo para mim? Imagine que sou eu, acariciando sua bocetinha. Goza para mim, menina…

Com os olhos trancados, deslizo minha mão lentamente para dentro do roupão, até encontrar a fina renda da lingerie que uso. Com cuidado, escorrego o tecido pelas minhas pernas e retiro a peça para ter livre acesso. Coloco minha mão no meio das minhas pernas, bem no meu centro, e arquejo quando os meus dedos tocam o meu clitóris suavemente.

Ouço seus gemidos misturados à sua voz inebriante, grave e enrouquecida, enquanto ele descreve tudo o que gostaria de fazer comigo.

— Eu… ai… Cadu, eu estou me tocando… — murmuro, excitada. — Estou tão molhada … E quente.

Ouço um longo suspiro escapando da sua boca e mordisco o meu lábio.

— Porra, menina. Tudo que quero agora é sentir o cheiro da sua boceta molhada e enfiar minha língua dentro dela… — ele diz em um sussurro arfante, e todo o meu corpo se arrepia com as palavras imorais que saem da sua boca. — Estou segurando o meu pau, imaginando ele entrando todo na sua bocetinha escorregadia.

Prendo a minha respiração ao imaginar ser tomada por ele assim, da forma que sempre sonhei. Grunho baixinho e contínuo as carícias em meu sexo.

— Eu quero muito… o seu pau… — murmuro com os olhos fechados. Sinto uma quentura se formando no meu ventre, inebriando meus sentidos.

Cadu geme do outro lado e diz mais algumas obscenidades. Nessa combinação perigosa de paixão e anseio, pela primeira vez em minha vida, chego ao orgasmo, enquanto falo safadezas com alguém no telefone.

CARLOS EDUARDO

Ouço os gemidos dela do outro lado da linha, tão intensos e verdadeiros que é impossível dizer que ela está fingindo. É real, Beatriz está gozando intensamente enquanto sussurro tudo o que gostaria de fazer com ela. Ainda agora, posso ouvir sua voz doce e sensual, tão marcante como qualquer outra vez que conversamos. Mesmo que no início da ligação ela tenha tentado disfarçar o tom, agora posso distingui-la perfeitamente entre os grunhidos e os sussurros roucos.

Meu pau reage em forma de espasmos e tranco os meus olhos, ao mesmo tempo que o massageio. Aperto os meus dedos em volta da cabeça latejante e imagino os lábios dela sugando-me com vontade. Aquela boca macia como algodão, quente e úmida, chupando a minha glande com desejo.

Deslizo minha mão com firmeza até a base e subo novamente, fazendo movimentos contínuos, masturbando o meu pau como um adolescente sem controle.

Inferno! Inferno! Isso não está certo. Mas é tão gostoso…

Ela não faz ideia do quanto é linda e do quanto me seduz sem nem ao menos perceber com essa voz doce e maliciosa. Estou a ponto de explodir. Desde que começou com esse joguinho bobo, vem testando o meu autocontrole de forma enlouquecedora.

Uma pequena sedutora…

Trinco os meus dentes quando sinto o gozo aproximando-se e sussurro que irei gozar tudo dentro dela. A respiração descompassada de Beatriz deixa-me como um louco alucinado.

Quando o primeiro jato quente mela a minha mão, mordo o meu lábio inferior, quase arrancando sangue, e me amaldiçoo internamente por ter gostado tanto. Porra!

Os espasmos de prazer diminuem gradativamente e volto a respirar. Puxo o ar com força e falo: — Que delícia, garota. — Ofego. — Você merece umas palmadas por fazer isso comigo.

— Foi maravilhoso — sussurra. — Senti como se você estivesse realmente aqui.

Abro os olhos e gargalho ao ouvir o comentário dela. Pobre inocente. Nem imagina que, se o meu pau tivesse entrado de verdade naquela bocetinha virgem, ela não estaria gemendo, e sim gritando.

— Não se engane, menina. Isso não foi nem o começo.

— Eu sei… Mas é que… Foi incrível e… — Na metade da fala, ela para. Imagino que percebeu que não está disfarçando a voz, pois logo se despede com um tom forçado, dizendo que precisa dormir, e desliga o telefone.

Ah, Beatriz. Quero ver se terá coragem de me dizer tudo isso cara a cara. Vamos ver se continuará torrando o meu juízo quando eu a colocar contra a parede.

Deixo o aparelho de lado e olho para a meleca de porra que está no edredom e na minha barriga. Que merda estou fazendo? Porra! A que ponto cheguei? Fazendo sexo pelo telefone com uma garota quando posso ter qualquer mulher experimente que eu desejar.

Dou um soco na cama, irritado, e cerro a minha mandíbula. Levanto-me e descarto o edredom sujo, em seguida, sigo para o banho.

BEATRIZ

Desligo o telefone assim que me dou conta que não disfarço mais a minha voz. Largo o aparelho na cama e levo a mão trêmula aos meus lábios. Oh, Deus! O que fiz? Será que ele percebeu alguma coisa?

Olho para o lado, onde deixei o celular, e reflito por alguns segundos. Acho que se ele tivesse percebido, teria dito algo. É isso!

Respiro um pouco mais aliviada e me levanto. Caminho lentamente até o espelho que fica acima do armário do toalete. Observo minha expressão cansada no reflexo, toco as minhas bochechas levemente coradas e deslizo meus dedos pelos meus lábios novamente. Dessa vez não é o medo que me atinge, e sim as lembranças do nosso primeiro beijo.

Com as mãos escoradas no mármore, sinto meu coração martelar meu peito ao repassar em minha mente a imagem do rosto másculo e sedutor, de uma beleza tão forte e marcante que deixa as minhas pernas bambas. O maxilar quadrado, com um furo no queixo, os olhos tão azuis quanto safiras, mas que ardem com as chamadas do desejo.

Sorrio e sigo para o chuveiro. Após tomar um banho rápido para retirar o suor do corpo, seco-me e me envolvo no roupão.

ALGUNS DIAS DEPOIS

No decorrer dos dias, dividi o meu tempo entre a faculdade, as poucas horas de serviço voluntário no aquário da cidade e algumas saídas com meus amigos. Gracy havia ficado para lá de empolgada quando a convidei para ir ao evento da Ferraz Engenharia comigo. Além de me fazer companhia, ela poderá ser uma excelente cúmplice caso eu precise inventar alguma desculpa para o papai. Já Pedro, ficou enciumado por não ter sido convidado para um evento tão importante e repleto de “beldades”, segundo ele.

Conversei algumas vezes com mamãe e respirei aliviada quando ela informou que o vovô estava melhor, mas que ela irá permanecer por lá mais alguns dias. De certo modo, tirei um enorme aperto do meu peito e agora estou mais tranquila. Exceto pelo fato que estou olhando para o vestido longo de cor marsala estendido sobre a cama, e que estarei cara a cara com ele em algumas horas.

Pego o vestido em minhas mãos e me afasto da cama para observá-lo mais detalhadamente. É uma linda peça, chamativa e sensual. Foi escolhido a dedo com a ajuda de Gracy para esta noite.

Retiro o roupão que envolve o meu corpo ainda fresco pelo banho recém-tomado e, com delicadeza, visto a peça. A saia esvoaçante cai sobre os meus pés descalços, e a fenda ousada deixa parte da minha coxa à mostra.

Caminho até o espelho para terminar de me arrumar e sorrio ao ver o profundo decote, velado apenas por uma delicada e transparente camada de tule da mesma cor do restante do vestido. Os ombros desnudos, devido às alças caídas, deixam o look ainda mais sexy.

Hoje não serei apenas uma inexperiente menina. Serei uma mulher decidida, disposta a tudo para conquistar o homem que ama.

Retiro os grampos que prendem os meus cabelos e permito que as madeixas sedosas caiam sobre as minhas costas. Após calçar as sandálias de salto e passar um perfume suave, retoco o batom vermelho, pego a bolsa e o celular, e me retiro do quarto.

Papai me aguarda na sala, distraído, como sempre falando no telefone. Vejo-o andar de um lado ao outro, ansioso. Aproximo-me a tempo de ouvi-lo falar que já está a caminho. Ele desliga o telefone e vira-se na minha direção. Os olhos escuros se arregalam, surpresos ao me observar, e sorrio.

— Filha… Você está belíssima — diz e caminha na minha direção, estendendo a mão, também sorridente. Mas, ao observar melhor o meu decote, franze o cenho. — Este decote não está exagerado, querida?

— Ora, papai, não seja antiquado. É assim que as mulheres se vestem para esses eventos — digo, já o puxando para a saída antes que retrucasse. — Vamos? Precisamos passar na casa de Gracy.

Papai assente e segue na direção da porta. Acompanho-o e, após alguns minutos, estaciona o carro em frente ao portão da casa dos pais de Gracy. Ela caminha até nós, sorridente, usando um vestido azul-turquesa que eu a ajudei a escolher. O tecido gracioso, marcado na cintura, e os cabelos soltos, com cachos bem-definidos, a deixam ainda mais bonita.

Gracy senta-se do meu lado no banco de trás e me abraça.

— Você está um arraso, Bia — sussurra. — O Cadu vai cair durinho quando te ver.

Engulo uma gargalhada e jogo os cabelos para o lado, feliz, no entanto, nervosa. Tenho consciência do quanto estou bonita e bem arrumada. Mas será suficiente para seduzi-lo? Meu peito se aperta só em imaginar a cara dele quando descobrir quem sou de fato.

Ao chegarmos no hotel, papai entrega a chave do carro ao manobrista e entramos. Já no hall, posso ver a magnitude e luxo do evento que mais parece uma festa de gala, não um evento beneficente para arrecadar fundos para o projeto “zero moradores de rua”.

Vejo empresários e políticos importantes circularem pelo local, acompanhados de lindas mulheres. Alguns artistas famosos também estão presentes e interagem entre si. Sinto-me deslocada e ao mesmo tempo maravilhada por nunca ter participado de um evento desse nível.

Continuo andando ao lado de Gracy e meu pai até avistarmos um grupo de pessoas que trabalham na empresa. Entre eles, vejo Victor, todo trabalhado na elegância, conversando alegremente com outro funcionário, mas ainda nenhum sinal do Cadu.

Ao chegarmos perto das pessoas, papai nos apresenta e engata uma conversa com o grupo. Ao ver que analiso as pessoas à minha volta, ansiosa, Gracy me puxa para o lado, longe o suficiente de ouvidos e olhos curiosos.

— Disfarça, Bia. Você está quase tendo uma crise de ansiedade.

— Não estou vendo sinal dele, Gracy — digo, nervosa.

— Não se preocupe, amiga. Com certeza, ele está em algum lugar deste hotel. Fique tranquila e respire.

Assinto e tento controlar os meus nervos. Pego um drink com um dos garçons que circulam pelo salão e o tomo quase todo de uma vez. Apesar do sabor adocicado, o gosto final do álcool queima a minha garganta.

No entanto, pego um atrás do outro em uma tentativa frustrada de me acalmar. Quanto mais os minutos passam, mas fico ansiosa e amedrontada pelos acontecimentos da noite.

Ao contrário de mim, Gracy parece estar encantada com toda a decoração sofisticada que nos cerca. Não consigo prestar muita atenção à minha volta, a não ser em cada rosto que observo, frustrando-me ao perceber que não é o dele.

Os minutos se arrastam e eu já me sinto mais animada devido à quantidade de drinks que consumi. Por um instante, até me esqueço por que estou aqui e de quem estou à espera. Logo Victor se junta a nós duas com seu charme e sorriso contagioso.

— Oi, meninas — cumprimenta assim que se aproxima.

— Oi! — Sorrio e também o cumprimento.

Victor coloca uma das mãos no bolso do paletó cinza e vira-se para Gracy. Apresento os dois e pego mais um drink, mas, ao contrário dos outros, começo a tomar este com calma.

— Não esperava vê-la aqui, Bia — diz ele, virando-se para mim novamente. — Que surpresa maravilhosa.

— Pois estou aqui. Fico feliz que minha presença o agrade — brinco, desinibida, e sorrio.

— Me agrada muito, na verdade. — Seu sorriso se abre de orelha a orelha e quase deixo um suspiro escapar da minha garganta. Já Gracy não faz tanta questão de disfarçar assim.

É incrível como os anos o deixaram extremamente bonito.

— Está gostando do evento? — pergunto.

— Oh, não. — Victor sorri e leva as mãos às têmporas. — Isso aqui estava um tédio até você chegar.

Franzo a testa ao entender o sentido das palavras dele, mas não me acanho. Na verdade, levo tudo na esportiva, como se ele não tivesse acabado de me passar uma cantada, e sorrio mais uma vez antes de responder-lhe: — Então você é um homem de sorte.

— Com certeza, sou — responde ele, olhando firmemente no meu rosto.

Um pouco desconcertada, desvio minha atenção para o lado e é quando o vejo passar, parando vez ou outra para cumprimentar alguém. Os passos firmes, confiantes e elegantes. A cabeça erguida, olhando para a frente, focado. O terno preto e impecável. Cada poro do corpo dele emana poder, controle e autoridade. Sinto minhas pernas ficarem bambas diante da figura tão máscula e viril que permeia os meus sonhos todas as noites. Contudo, algo que vejo faz minha respiração falhar e o meu coração se aperta como se estivesse sendo esmagado lentamente. Ao lado dele, vejo uma bela e elegante mulher.

Acho que a mulher mais bonita que já vi em toda a minha vida. Seus cabelos são loiros, brilhantes, batendo na altura dos ombros. A pele é tão clara e imaculada que parece porcelana, contrasta magnificamente com o vestido dourado que usa.

Sinto uma secura em minha garganta e desvio o olhar quando ela entrelaça as mãos nos braços dele. Meus olhos marejam, e a única vontade que tenho agora é de sair correndo, embora não faça muito tempo que eu tenha chegado. Deduzo que ele tenha desistido do nosso encontro, afinal, não traria uma mulher consigo se ainda fosse levar o plano adiante. Conjecturando assim, sinto-me derrotada, vazia.

— Beatriz… Beatriz… — Viro o meu rosto e fito os olhos expressivos de Victor. Seu semblante está preocupado. — Está tudo bem? Você está gelada.

Olho para baixo e só agora me dou conta que ele segura a minha mão.

— Sim… Estou bem. Não se preocupe. — Abro um sorriso forçado, tento disfarçar minha grande decepção e olho na direção de Gracy. Ela também me encara, visivelmente séria. Em seguida, olha na direção do Cadu. Ela também percebeu que ele chegou acompanhado de outra mulher.

Baixo os meus olhos, envergonhada. A sensação é de que acabo de levar um degradante e covarde pé na bunda. Ele poderia, ao menos, ter desmarcado nosso compromisso. Tento me recuperar do choque e restabelecer meu bom senso. Preciso superar esse momento e essa humilhação. Então, decido que, já que estou aqui, tentarei me divertir um pouco, ou ao menos fingir.

— E lá vem a parte mais chata da noite — comenta Victor.

— Como assim? — Pisco como se tivesse acabado de acordar de um pesadelo e questiono confusa.

— Está na hora dos discursos e blá blá blá. E com certeza o primeiro a discursar é o todo poderoso Carlos Eduardo Ferraz. Fala sério… — Victor se aproxima do meu ouvido e sussurra. — Esse cara é um porre.

Preciso me conter para não soltar um riso cínico. Realmente, tenho que concordar com ele. Cadu é um porre, um cachorro safado e eu me odeio por gostar tanto dele.

Victor pisca e aperta a minha mão um pouco mais. Porém, quando ele se aproxima novamente para falar algo em meu ouvido, ouço o toque de chamada no meu celular e me afasto. Olho para o Cadu de relance e percebo que ele acaba de guardar o aparelho no bolso do paletó e se encaminha para subir no pequeno palco.

Pego meu aparelho dentro da bolsa, vejo a chamada perdida dele e uma mensagem. Meu coração dispara freneticamente.

Pegue o cartão da suíte na recepção e me aguarde na cama. Meu

discurso vai durar apenas dez minutos.

BEATRIZ

Peço licença ao Victor, deixando-o confuso e sigo na direção de Gracy. Puxo minha amiga para um canto menos movimentado e mostro a ela a mensagem.

Gracy franze a testa. Olha para o palco onde o Cadu discursa e depois para a mulher que chegou com ele. Suspiro fundo e fecho os meus punhos, magoada. Meus olhos analisam cada detalhe do rosto másculo que eu daria tudo para deixar meus cinco dedos gravados agora.

— Eu não sei o que fazer, Gracy — digo, virando-me para ela. — Não entendo por que ele veio acompanhado. Estava certo para nos encontrarmos na suíte.

Gracy suspira e volta a sua atenção para o palco, como se procurasse as palavras a serem ditas com cautela.

— Não sabemos quem é essa mulher, muito menos o que ela representa para ele, Bia. Mas se ele já te enviou mensagem, pedindo para esperar na suíte, mesmo estando acompanhado de outra, é porque com toda a certeza ela não significa nada. — Gracy segura na minha mão e se aproxima mais. — Além disso, ele não sabe que você é a Bianca. Fazer jogo duro agora só vai afastá-lo e anular qualquer chance que você tenha de conquistar aquele homem. Então sugiro que você vá e diga a verdade, mas, por enquanto, não dê o que ele quer. Seja firme, amiga. Faça ele ver que você não é qualquer uma e muito menos se contenta com tão pouco. Estamos entendidas?

Assinto para ela e franzo a testa, preocupada. Apesar de estar um pouco mais leve devido à ingestão de álcool, sinto um enorme aperto no meu coração.

— Fique na companhia de Victor e me dê cobertura caso o papai pergunte. Eu não demoro.

Gracy balança a cabeça em afirmativa, e eu sigo na direção da recepção. Pego o cartão magnético e caminho até o elevador que dá acesso aos quartos e suítes. Após sair do elevador e encontrar a suíte que ele reservou, sinto meu coração bombardear meu peito com batidas tão frenéticas que praticamente posso ouvir os embates alucinados.

Minhas pernas fraquejam e o mundo parece rodar à minha volta. Sou obrigada a me segurar na porta para não perder o equilíbrio. Já começo a me arrepender dos drinks que tomei. Acho que passei do limite completamente.

Um pouco melhor, destranco a porta e abro apenas uma fresta para espionar lá dentro. E, uau…

Analiso cada detalhe dos móveis sofisticados em tons marfim e da decoração requintada. Fico momentaneamente impressionada com todo o luxo da suíte presidencial.

Ainda mais nervosa, entro e encosto a porta atrás de mim. Dou alguns passos pela sala de estar, tomando cuidado para não encostar e quebrar nada. Não posso confiar em meu próprio tato depois de cinco drinks.

Continuo andando até atravessar o local e chegar ao quarto.

A cama larga, com lençóis brancos e vermelhos, é como um convite velado para que eu me deite e sinta a maciez sob as minhas costas. Engulo a saliva com dificuldade ao me imaginar deitada ali, fazendo amor com ele. Sinto arrepios por todo o meu corpo.

No entanto, esses sentimentos são massacrados e pisoteados como folhas secas no chão, quando me recordo que ele teve a audácia de aparecer acompanhado de outra mulher. A raiva e a tristeza me consomem e nem ao menos percebo quando me sento na cama e coloco as duas mãos na cabeça.

Céus, o que estou pensando?

Cadu é um homem maduro, bonito e extremamente rico. Pode ter qualquer mulher, a hora que quiser. É um conquistador. Não sei se me encontrar com ele nesse estado de embriaguez é sensato. Eu abriria as pernas para ele apenas com um sorriso do cafajeste, e hoje ele não merece isso. Aquele cretino…

Decidida, pego meu celular e começo a digitar uma mensagem para informá-lo que a Bianca teve um imprevisto e não pôde ir ao evento. Voltarei para o salão e chamarei Gracy para irmos embora. Papai que me desculpe, mas não posso ficar me torturando, vendo o Cadu com outra. Também não lhe darei o gostinho de me tocar assim, não depois do que ele fez. Ele não vai morrer se levar um toco uma vez na vida.

Termino de digitar a mensagem e saio do quarto apressadamente. Passo a mãos pelos meus cabelos, visando arrumar qualquer fio que esteja fora do lugar e, assim que fecho a porta às minhas costas, corro até o elevador.

Chamo o elevador e, enquanto o aguardo, ouço o toque do meu celular. Pego o aparelho, já imaginando de quem se trata, e minhas suspeitas se confirmam quando vejo que é ele.

Respiro fundo e atendo.

— O que aconteceu? Por que não pôde vir? — questiona ele, parecendo irritado.

— É que… Eu… Estou resfriada — minto e tento mudar um pouco a minha voz. — Sinto muito.

Respiro mais aliviada quando vejo o elevador parar no andar que me encontro.

Mas, quando as portas se abrem, tudo o que desejo é correr até a janela mais próxima e me jogar.

— Tem certeza, Bianca? Ou posso dizer, Beatriz! — indaga ele, parado na minha frente com o maxilar cerrado e os olhos azuis vibrantes, encarando-me com ferocidade.

Ah, meu Deus! Estou tão ferrada. Meu nervosismo e medo são tão grandes que posso sentir o álcool e o meu sangue evaporando.

— Cadu? Oi… Que surpresa — murmuro e dou alguns passos para trás.

O homem caminha na minha direção com passadas firmes e eu praticamente perco o ar. Senhor, por que ele tem que ser tão grande e intimidante?

Continuo andando para trás até me chocar contra a parede. Fecho os meus olhos quando ele se aproxima e apoia as mãos na parede, uma em cada lado dos meus ombros, impossibilitando que eu tenha qualquer chance de fuga.

A proximidade com o calor do seu corpo faz o meu tremer, descontrolado.

— No que você estava pensando, menina? — questiona. A voz tão raivosa que, por um momento, penso que vou desmaiar.

Sinto o toque bruto da sua mão no meu queixo, fazendo com que eu vire o rosto para ele. Ao sentir o hálito quente, próximo à minha boca, estremeço ainda mais.

— Olhe para mim. Quero que diga todas aquelas coisas olhando na minha cara!

Lentamente, abro os meus olhos e fito os dele. Nossos rostos estão tão próximos que posso distinguir perfeitamente o tom amarronzado que ele possui na íris do olho esquerdo. Fico impressionada. Contudo, logo mudo o foco da minha atenção quando ele volta a falar: — Diga, Beatriz. Por que me mandou aquelas mensagens e fotos? O que pretendia com aquilo?

— Eu… amo você, Cadu — confesso, sem fôlego, hipnotizada. A voz sai em um murmúrio ofegante, mais parecido com um sussurro. — Eu sempre amei.

Ele dá um passo para trás, arregalando os olhos, como se o que acabou de ouvir fosse a confissão de um assassinato e não uma declaração de amor.

— Essa foi a única forma que encontrei de me aproximar — completo.

— O que está dizendo? — Vejo-o passar a mão pelo cabelo, desacreditado.

— A verdade! — respondo. — Foi por isso que inventei tudo isso. As mensagens, as fotos, as provocações. Eu não suportava…

Continuar: parte 4 de 9