A Menina do CEO
Capítulo
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 9 partes.
— Onde estão Felipe e o meu pai? — pergunto, desviando o foco da conversa.
— Estão no quarto, querido. Logo vão aparecer por aqui — diz minha mãe.
— Irei até eles, com licença. — Viro-me e dou um passo para sair. Deixo Raquel na companhia do restante dos convidados. Preciso me afastar antes que eu perca os últimos frangalhos de paciência e a mande embora. Não aturarei outra indiscrição da parte dela.
Passo por Beatriz e, involuntariamente, meu corpo roça em seu braço de leve. A sensação de tocá-la me causa arrepios. Acabo virando o meu rosto e a fito. Percebo que ela me encara também, mas desvia o olhar rapidamente.
Ergo uma sobrancelha, curioso, ao ver que ela respira descompassadamente. Parece um gatinho assustado, e não a mesma menina que me desafiou na sala de sua casa, há uma semana, embora o nariz empinado e a tentativa falha de indiferença continuem estampada em seu rosto. A garota simplesmente finge que não me vê parado, encarando-a.
Por que merda ela está agindo dessa maneira?
Desvio minha atenção dela e sigo para o quarto do meu pai. Ao entrar, vejo-o de pé, segurando uma bengala, enquanto Felipe o ajuda.
O homem está magro, definhando dia após dia. O rosto enrugado está sem vida, o olhar já não brilha mais. A doença praticamente levou a vida do meu pai embora, e vê-lo assim não me agrada, por mais que tenhamos nossas diferenças. No entanto, continuo impassível. Não quero que ele confunda a minha aflição com pena.
— Precisa de ajuda? — pergunto.
— Não é necessário — diz meu pai, ríspido. Tudo que ele mais odeia na vida é depender dos outros. Lá no fundo, compreendo-o, porque sou da mesma forma.
Dou de ombros e me afasto para que eles passem pela porta. Felipe me encara pesaroso, mas nada diz. Acompanho-os até a sala de jantar, e logo o restante dos convidados se junta a nós, sentando-se em seus lugares.
Raquel faz questão de sentar-se do meu lado. Enquanto a comida é servida, minha mãe engata uma conversa com Andrew, Felipe e sua esposa.
Hora ou outra, vejo o olhar cintilante de Beatriz passar por mim e por Raquel. Ela mal toca na comida e mantém-se calada todo o tempo.
— Que garota mais estranha, não acha, querido? — Raquel sussurra em meu ouvido e indica na direção de Beatriz, sutilmente.
— Por que estranha? Ela é apenas uma menina tímida — respondo, sem muito interesse na conversa.
— Tímida ou bobinha apaixonada?
Confuso, viro-me para fitá-la.
— O que quer dizer?
— Ah, Eduardo, faça me o favor. Não diga que não percebeu? — Raquel ergue uma sobrancelha e crava os olhos no meu rosto, como se perguntasse em que mundo vivo.
— E o que eu deveria perceber, Raquel? Seja clara.
— É simples: a menina está apaixonada por você. Percebi isso assim que chegamos, pela forma com que ela nos encarou decepcionada. — A mulher sorri com sarcasmo e volta a falar. — Imagine só, uma coisinha dessas achando que tem chances com você. Era só o que me faltava.
Desacreditado, passo meus olhos pela garota, que leva um mínimo pedaço de frutos-do-mar à boca, e viro-me na direção de Raquel.
— Não diga besteiras. Como disse, ela é só uma menina.
— Uma menina que também sente tesão. E pelo visto é gulosa. — A mulher sorri. — Coitadinha.
— Já chega. Você está ultrapassando todos os limites — repreendo-a em um sussurro, nervoso. — Não irei mais tolerar suas indiscrições. Beatriz é filha de Felipe, ele é praticamente meu irmão, e eu os respeito.
Digo a última palavra mais alto do que deveria, e, ao voltar minha atenção para os convidados, vejo que todos me encararam confusos, inclusive Beatriz.
— Tá tudo bem? — pergunta minha mãe.
— Está sim, senhora Ferraz — responde Raquel, fingida. Pergunto-me onde eu estava com a cabeça quando resolvi trazer uma foda para jantar na casa dos meus pais. — Só estou discutindo um assunto importante com seu filho.
Respiro fundo e volto a comer. Ao terminar o jantar e a sobremesa, todos se retiram da mesa e vão para a sala de visitas, inclusive meu pai.
Vejo que Beatriz não se junta aos outros. Parece deslocada. Ela pega uma taça de vinho e se acomoda em um canto afastado, enquanto beberica a bebida.
— Querido, onde fica o toalete? — pergunta Raquel.
Digo a ela a localização do banheiro e, enquanto se afasta, junto-me aos outros. Minutos depois, pego meu celular para verificar as mensagens e vejo que há uma resposta bem ousada da tal Bianca.
É um prazer saber que te deixei excitado. Precisamos dar um jeito nisso.
;)
Sorrio e digito uma resposta.
Vai acabar se queimando, criança.
Volto a guardar o aparelho e, quando levanto os olhos e fito na direção de Beatriz, percebo que ela olha algo no seu aparelho e também sorri. Confesso que essa coincidência deixa meus sentidos aguçados. Seria possível? Será que… Não!
Tiro da minha cabeça qualquer possibilidade de que seja ela a autora das mensagens, mas a curiosidade me instiga a aguardar uma resposta. Fico prestando atenção em cada movimento que ela faz, contudo, sua atenção é desviada quando Raquel se aproxima e segura em seu braço.
As duas trocam algumas palavras, mas a essa distância não consigo identificar o assunto. Franzo a testa, desconfiado do teor dessa conversa, e dou um passo na direção das duas. Porém, paro no meio do caminho, incrédulo quando vejo Beatriz virar a taça de vinho no decote de Raquel, enquanto a encara desafiadoramente. A essa altura, conhecendo minha acompanhante como conheço, sei que ela falou o que não devia e recebeu exatamente o que mereceu.
Admito que essa atitude de Beatriz me surpreende. Vê-la fitando Raquel corajosamente, tão menina, mas também tão mulher. A mesma que me desafiou dias atrás.
Isso, garota!
Quando percebo, estou sorrindo, orgulhoso da mulher linda e confiante que ela está se tornando.
BEATRIZ
O jantar transcorre lento e agoniante. A cada segundo que se arrasta, preciso me segurar para não vomitar de tanta repulsa que sinto dessa Raquel. Seu olhar de indiferença na minha direção, enquanto conversa com o Cadu, deixa claro que ela não passa de uma víbora asquerosa e, quando o vejo conversando com essa mulher, tenho ímpetos de jogar a comida na cara dele.
Como o Cadu pode se envolver com uma mulher tão baixa?
Quando o jantar termina, todos se retiram da mesa. Pego uma taça de vinho para tentar disfarçar a minha irritação e me afasto das demais pessoas. Sinto-me perdida, arrependida de ter vindo.
Encaminho-me para a sala e me acomodo em um canto afastado, enquanto tomo um pequeno gole da bebida suave. A tristeza me toma e um aperto tão grande em meu peito faz com que meus olhos se encham de água. Sinto-me humilhada.
Vejo a mulher sair na direção do toalete, mas finjo que suas ações não me incomodam. Tentarei ignorá-los o máximo que posso até finalmente poder ir embora.
Estou presa em meus pensamentos, quando ouço o toque de mensagens do meu celular. Pego o aparelho e olho o visor para me certificar que não estou perdendo nada importante. Meu coração dispara quando vejo que é uma mensagem dele em resposta à que enviei mais cedo.
Vai acabar se queimando, criança.
No mesmo instante, até me esqueço de toda a raiva que estou sentindo. Sorrio e, dessa vez, tenho certeza que o sorriso alcança os meus olhos. Ele nem imagina o quanto estou disposta a me queimar.
Cogito responder-lhe, movida pelo calor da ansiedade, e começo a digitar algo bobo.
De repente, ficou quente aqui.
Espero alguns segundos, ainda decidindo se envio ou não. Contudo, sou surpreendida por alguém que segura o meu braço com força, obrigando-me a ignorar o conteúdo da mensagem e a levantar o olhar. Meu sangue ferve e meu corpo treme assim que me dou conta de quem se trata. Raquel, em carne e osso, na minha frente, a dita cobra.
— O que pensa que está fazendo, ratinha? — A mulher analisa-me dos pés à cabeça, desdenhosa. Seu olhar escuro está enfurecido, destilando cólera.
Fecho a minha expressão, irritada. Ela pode até estar com o Cadu, mas não me permitirei ser pisada.
— Primeiramente, solte o meu braço. Segundo, para você é Beatriz. Tenha mais respeito ao falar com as pessoas.
Ela sorri e aperta ainda mais o meu pulso.
— Coitadinha. — Aproxima-se e fala quase sussurrando. — Fique longe dele, querida. Acha que não vi seu olhar apaixonado? Tire os olhos do meu homem. Ele não é compatível com uma ratinha magricela e inexperiente como você.
Sinto meus nervos inflamarem com as palavras dela. Meus olhos lacrimejam, minhas pernas tremem. Mas não darei esse gostinho a ela. Posso estar ferida e magoada, mas não irei baixar a cabeça para essa mulher.
Fito os seus olhos, decidida, e, quando ela aperta ainda mais meu braço, levanto a mão livre que segura a taça de vinho e despejo todo o conteúdo dentro do seu decote.
A mulher arregala os olhos, surpresa, e se afasta.
— Tire as mãos de mim, sua louca — digo, ríspida. Encaro-a, destemida. Seja o que Deus quiser.
— Olha o que você fez, garota! Meu vestido de grife. — Ela passa a mão pelo vestido vermelho, lamentando a mancha que se forma no busto. Engulo em seco quando imagino o que ela irá fazer comigo assim que os olhos chamuscados se voltam para mim.
Dou um passo para trás.
— Sua ratinha asquerosa…
— O que está acontecendo? — Ouço a voz de Eduardo e olho em sua direção. O homem encara-nos, impassível, mas percebo um traço de divertimento nos olhos azulados. Ele aproxima-se ainda mais. Olha para mim e em seguida para a Raquel. — Digam, estou esperando.
— Mi amor, por favor, leve-me para casa. Olha o que essa guria fez com o meu vestido — diz ela, apontando para o decote molhado. Os seios quase saltam para fora.
Reviro os olhos e bufo, mal podendo acreditar no quão cínica ela pode ser.
— Não poderei ir agora, Raquel, irei chamar um táxi para você — diz ele e acena para o mordomo que está servindo algumas taças de vinho para os convidados.
Raquel fecha a expressão e me encara uma última vez, destilando veneno pelos olhos. Em seguida, vira-se na direção dele.
— Pensei que fosse passar a noite comigo, Edu. Foi o que combinamos.
Aperto a taça que seguro com mais força quando ouço as palavras dela. Sinto que ela diz isso apenas para me provocar, e meu peito se aperta.
— Me chamou, senhor Carlos Eduardo? — pergunta o mordomo ao se aproximar.
— Chame um táxi para a senhorita Raquel — ele ordena e vira-se na direção da mulher. — Sinto muito, querida. Mudança de planos.
Chocada, vejo-o passar os dedos pelo queixo dela e piscar o olho, descartando a mulher como um nada. Engulo em seco e sorrio internamente. Mal posso acreditar que ele realmente vai mandá-la embora.
Ao me dar conta que os encaro sorridente, disfarço e decido sair de vista. Caminho na direção da porta de saída e dou a volta pelo jardim.
Tudo em mim parece se renovar.
A noite está agradável, um vento suave sopra e balança os meus cabelos enquanto caminho. Quando vejo que Cadu e Raquel também saem, resolvo me camuflar pelas sombras na lateral da casa para passar despercebida por eles. Acabo caminhando mais do que deveria e, quando me dou conta que estou quase nos fundos, ouço alguns sussurros vindos da área de serviço.
Curiosa, dou alguns passos devagar na direção dos sussurros e fico atrás de algumas plantas, escondida. Abaixo-me e retiro alguns galhos da minha frente, contudo, a essa distância, não consigo identificar do que se trata.
Eu deveria ignorar os sussurros e retornar para dentro, fingir que nada chamou a minha atenção. Mas a gata que vive dentro de mim fala mais alto e tudo que faço é sair de trás das plantas e andar agachada até me aproximar o suficiente para descobrir do que se trata.
Atrás de alguns vasos grandes de barro, vejo o casal Alexander e Angelina aos beijos. Percebo que a mulher tenta se esquivar dos braços do marido, mas o homem a instiga a continuar.
Preciso tapar a boca para não deixar escapar um murmúrio de surpresa quando vejo o homem virá-la de costas e traçar beijos pelo seu pescoço, enquanto ergue o vestido. Assim que ela se firma na parede, ele a penetra forte, por trás, ao mesmo tempo que coloca a mão na boca da mulher para abafar seus gemidos.
Admito que os ver dessa maneira, tão intensos e apaixonados, faz o meu corpo ficar quente e tudo o que penso é em ter um momento assim com o Cadu. Aos poucos, sinto um líquido quente e denso umedecendo a minha calcinha. Ofego e, instintivamente, firmo as minhas mãos em um dos vasos.
Quando eles terminam, forço meu corpo a erguer-se para que eu possa sair daqui o mais rápido possível. Contudo, minhas pernas trêmulas falham e preciso segurar-me com força em um dos jarros. O problema é que, devido à distração, não percebo que este é o único vazio e, com o peso do meu corpo, ele cai no chão com tudo, e vou junto, com os joelhos no piso.
Arde um pouco, mas o que mais me apavora erguer o olhar e ver que o casal me observa com os olhos arregalados. A mulher principalmente. Envergonhada, levanto-me depressa e corro na direção do jardim, ofegante, com o coração quase saindo pela boca.
Ao me aproximar da porta de entrada, paro e coloco a mão no meu peito. Preciso me acalmar um pouco antes de entrar e ter que responder às milhares de perguntas que mamãe irá fazer por eu ter sumido.
Estou com a cabeça baixa, distraída, quando ouço a voz de Eduardo nas minhas costas, chamando-me.
Viro o meu corpo e o encaro. Os olhos oceânicos me fitam, pacíficos, intensos. Deixam-me ainda mais tensa. Desço meu olhar pelo seu corpo e quase deixo escapar um gemido quando observo tronco másculo e viril, moldado pelo terno elegante. Os braços fortes, os ombros largos, as coxas grossas e bem torneadas. Não sei se corro dele ou para cima dele.
CARLOS EDUARDO
— Estou triste com você, mi amor — Raquel aproxima-se, fica na ponta dos pés e enlaça o meu pescoço. — Combinamos de passar a noite juntos, fazendo loucuras entre quatro paredes. — Pisca.
Seguro os seus pulsos e os retiro do meu pescoço. O riso sarcástico que deixo escapar da minha boca faz com que ela feche a cara, irritada.
— Sinto muito destruir os seus sonhos, querida, mas já deixei claro que este é um jantar de família. O único motivo pelo qual eu a convidei foi porque pensei que você poderia ser uma boa companhia, mas, ao invés de se comportar como se deve, na primeira oportunidade fez um escândalo. Acrescente a isso a forma intimista com que age e me chama por esse apelido ridículo em público. Que merda deu em você, Raquel?
— Eu fiz um escândalo? Aquela rat…
— Olha como fala — interrompo-a, nervoso. — Já falei para se referir à Beatriz com respeito.
— Qual é agora, Cadu? Vai ficar defendendo aquela pirralha? Olhe o que ela fez com o meu vestido. — Ela aponta para o decote do vestido, manchado com o vinho, e continua — Por acaso está interessado nela?
— Porra! Beatriz é só uma menina. Pare de falar merda e entre logo no táxi. — Aponto para o carro que está parado próximo à calçada a alguns metros de distância.
— Não é o que parece. Acha que não vi você olhando para ela quando fui ao banheiro?
Impaciente, franzo a testa e passo a mão na barba que começa a despontar. Raquel está ultrapassando todos os limites da minha paciência. Nunca lhe dei liberdade para se meter nos meus assuntos. Nem ela, nem nenhuma outra mulher.
— E se eu estiver interessado? O que isso mudaria? Você nunca se importou em me dividir com mais dezenas de mulheres — digo com rispidez apenas para provocá-la e fazê-la entender que não lhe devo satisfações. — E esse é o único motivo pelo qual ainda te fodo. Só te trouxe porque pensei que você se portaria como uma dama e não como uma puta.
— Não percebe, Cadu? Ela está te seduzindo e você nem se dá conta!
— Não diga asneiras, Raquel. Entra logo na merda desse táxi, antes que eu te jogue aí dentro.
— Por que está agindo assim? Não vê que ela não é mulher para você? Aposto que ainda é virgem, sem experiência nenhuma.
Puxo o ar para os meus pulmões e conto até três para não perder as estribeiras com essa mulher.
— Terminou? — pergunto, cerrando o maxilar. — Já pode ir, está dispensada. Não irei te comer hoje.
Raquel arregala os olhos, chocada, e logo depois fecha a expressão. Contudo, pouco me importo com seu fingimento barato. Nunca menti ou a enganei, sempre deixei claro que para mim só importava a sua boceta.
Assim que ela entra no táxi, dou meia volta e sigo na direção do jardim.
Ainda do portão, vejo Beatriz passar correndo e parar próximo à porta de entrada, ofegante. Apresso o passo na sua direção, mantendo meu olhar compenetrado em cada movimento que ela faz, e, ao me aproximar o suficiente, a chamo: — Beatriz? — Ela se vira com o olhar assustado e me analisa dos pés à cabeça. — Aconteceu alguma coisa?
A garota abre e fecha a boca algumas vezes, sem conseguir formular uma frase. De onde estou, posso sentir as tremuras do seu corpo.
— É que… Eu… — gagueja e gruda o corpo na parede, como se se sentisse incapaz de permanecer em pé sem se firmar em algo sólido.
“A menina está apaixonada por você.” Lembro das palavras de Raquel e estreito os olhos, pensativo, enquanto a observo. Ela estará assim devido a minha aproximação? Estará nervosa? Essa possibilidade nunca havia se passado pela minha cabeça, da mesma forma como jamais a olhei como uma mulher, mas, agora, vendo-a tão perto, observo os lábios vermelhos tão sensuais e os desejo, mesmo que minha consciência diga para que eu mantenha distância.
Desço os meus olhos pelo corpo esguio e atraente. Pergunto-me onde ela havia se enfiado todo esse tempo? Como demorei tanto para notar o quanto ela cresceu e se transformou em uma mulher tão bonita?
— O senhor… quer dizer, você quer alguma coisa? Está me olhando de uma forma estranha — diz ela, em um murmúrio tímido.
Só então percebo que demorei mais do que deveria em seu corpo. Levanto meu olhar e fito os seus. Beatriz encara-me confusa.
— Sou tão velho assim? — pergunto, ao recordar que ela se referiu a mim como senhor.
— Na verdade, não. É costume. Papai sempre me incentivou a chamá-lo assim.
A menção de Felipe no meio da conversa deixa-me irritado comigo mesmo. Lembrar que ela é filha dele faz todos os meus nervos entrarem em combustão, e eu me amaldiçoo internamente.
Balanço a cabeça em negativa e sorrio contrariado. Porra! É a Bia, Cadu. Você não pode desejá-la. Praticamente a viu crescer.
— Diga-me, Beatriz. Qual a sua idade? — questiono e volto a fitá-la.
Continuo passivo, admirando-a, enquanto aguardo a sua resposta. A pele é levemente bronzeada e o olhar vívido e encantador como um quartzo esverdeado.
— Dezoito, Eduardo — responde, arfante. — Por quê?
Puta que pariu. Dezoito aninhos e já com esse corpo tão sedutor?
— Curiosidade apenas — desconverso e tento disfarçar o efeito eletrizante que ela me causa. Porém, o clima tenso e o teor magnético que parece surgir entre nós deixa bem claro que o meu corpo a quer, mesmo que eu lute para negar.
Coloco as mãos nos bolsos da minha calça quando sinto que meu pau começa a enrijecer apenas por ela passar a língua nos lábios grossos e suculentos. Admito que este movimento tão inocente me faz imaginar loucuras.
Vejo Beatriz abrir a boca para falar algo, contudo, parece mudar de ideia quando percebe um movimento incomum em minhas costas. Também olho para trás. O que vejo me faz entender por que Beatriz está tão nervosa. Não tem nada a ver com a minha aproximação.
Alexander segura a mão da esposa, enquanto caminha na direção da porta, mantendo um sorriso sacana na cara. Um sorriso satisfeito de quem fodeu e gozou gostoso para caramba, enquanto Angelina está com os cabelos desgrenhados e o rosto vermelho, envergonhada.
Volto a minha atenção para Beatriz e vejo que ela tenta não olhar para os dois.
Quando a ficha cai, começo a gargalhar descaradamente, sem me importar com seu olhar matador na minha direção.
— Porra. Não acredito que você flagrou os dois — digo, ainda sorrindo.
— Foi sem querer, Cadu — responde, o rosto corado de constrangimento.
— Não precisa ficar envergonhada, Beatriz. Todo mundo faz isso — comento, tentando quebrar o clima tenso e constrangedor que a cerca. Contudo, ao observá-la, vejo que a menina continua séria, encarando-me com os olhos arregalados como um gatinho assustado. — Espera. Não me diga que… você nunca fez? — pergunto, desacreditado.
Por que alguém se manteria intocada até os dezoito anos? Imaginei que, em pleno século vinte e um, virgindade fosse artigo de luxo. Agora, estou frente a frente com uma virgem.
O problema é que essa descoberta, deixa-me ainda mais excitado e o meu instinto predador começa a gritar na minha cabeça.
— Prefiro não falar sobre isso — responde e olha para os lados.
— Nunca teve um namoradinho, menina? — Aproximo-me e pergunto, sério.
— Sim, eu já tive…
— E ele nunca tentou nada?
— É claro que tentou. Não sou mais virgem, nem nada disso que está pensando — responde com a voz falha, o peito subindo e descendo com a respiração descompassada.
— Você mente muito mal, pequena.
Ela abre a boca para revidar, mas sua voz falha quando percebe que fito a sua boca. Admito que a atração que começa a ser desperta em meu corpo faz com que eu anseie sentir a textura dos seus lábios. Esqueço momentaneamente que ela é proibida para mim.
Devagar, permito que meus dedos toquem o seu rosto. Deslizo-os até o seu queixo, fazendo com que ela me encare.
— O que vai fazer, Cadu? — pergunta, rouca. A voz tão aveludada faz ondas de desejo surgirem por todo o meu corpo.
— Uma loucura… — respondo e me aproximo mais. Porém, passos rápidos e precisos, vindos na direção da porta, me fazem recuar. Pareço acordar de um transe enlouquecedor.
— Filha? Onde estava? — Sua mãe aproxima-se e questiona. — Já vamos para casa, vá se despedir dos outros, querida.
Como se nada tivesse acontecido, afasto-me e sigo para o interior da mansão, mas a cada passo que dou, sinto os olhos dela queimarem as minhas costas.
BEATRIZ
Meu coração parece falhar uma batida quando ele toca o meu queixo e faz com que eu o encare. Prendo a respiração, trêmula, em expectativa. É como se eu estivesse pisando em nuvens, perdida dentro de um sonho que, por tantas noites, sonhei. O homem que amo, pela primeira vez na vida, está me olhando como uma mulher, não apenas a menina que viu crescer.
Quando ele se aproxima, fazendo menção de encostar os lábios sobre os meus, vejo dúvidas, mas também um fogo flamejante exalando do fundo do seu olhar. Cadu parece estar desnorteado. Sua expressão transmite hesitação, mas logo dá lugar à certeza.
Meu corpo treme.
Meu Deus! Ele quer… Ele me quer.
Conto os segundos para senti-lo e me perder no sabor do seu beijo. Mas, como diz um velho ditado, tudo que é bom dura muito pouco. O barulho de passos próximos à porta faz com que ele dê um passo para trás e tire a mão do meu queixo, como se acordasse de um transe.
Quero gritar e chorar, pedir para que me beije, mas mudo de ideia quando ouço a voz da mamãe. Meu sonho de princesa se desfaz no ar como fumaça.
— Filha? Onde estava? Já vamos para casa, vá se despedir dos outros, querida. — Sem conseguir fitá-la, vejo Cadu virar-me as costas e sair, como se nada tivesse acontecido. Como se não tivesse quase me beijado há poucos segundos. — Beatriz?
Minha mãe me chama, e eu a encaro, sem rumo. Vejo seu olhar estreitar-se quando me encara. Ela olha para trás, no momento que o Cadu passa pela porta, e depois volta sua atenção para mim. Seus olhos se arregalam.
— Mamãe, oi… — respondo. Contudo, mesmo tentando disfarçar o choque momentâneo de tê-lo quase beijado, não consigo impedir que uma lágrima solitária e frustrada escape dos meus olhos. Ela percebe.
— Oh! Meu Deus. — Minha mãe coloca as mãos sobre a boca, assustada. — É ele… Como que não percebi antes… Por que não me disse, filha? — questiona.
Desvio o olhar e me recomponho. Amaldiçoo-me por ter permitido que ela percebesse o segredo que guardo há tantos anos.
— Desculpa, mãe. Do que a senhora está falando? — desconverso.
Ela abre a boca para falar, mas é interrompida pela voz de papai, que chega nos chamando.
— Em casa a gente conversa, querida.
Assinto e sigo até o interior da mansão. Despeço-me de todos e em poucos minutos chegamos em casa. Ao entrar, corro direto para o meu quarto. Procuro evitar essa conversa com mamãe, ao menos por hoje.
Após tomar banho e me trocar, deito-me na cama com o celular em mãos e vou direto no contato dele. Releio sua mensagem.
Vai acabar se queimando, criança.
Não sou criança coisa nenhuma, querido.
Envio a mensagem e aguardo. Em alguns minutos, vem a resposta.
Prove-me. O que sabe fazer, menina?
Meu coração dá um salto quando leio sua mensagem. Quanta ousadia.
Sorrio internamente e mordo os meus lábios, imaginando o que farei a seguir. Penso que se de alguma forma eu fizer com ele tenha interesse em mim virtualmente, Cadu não ficará tão bravo quando descobrir quem é a pessoa que se esconde atrás das telinhas.
Levanto-me e ando pelo quarto, pensativa. Decido ousar também.
Faço o que você desejar.
A resposta dele vem de imediato em uma chamada de vídeo. Quase deixo o celular cair no chão tamanho é meu susto. Corro de um lado a outro, pensando no que farei, mas, verdade seja dita, não posso atendê-lo. Do contrário, ele saberá de quem se trata.
Meu Deus, estou tão ferrada.
Espero a chamada de vídeo ser encerrada e, após alguns minutos, ele envia um áudio.
— Ficou com medo, menina? — A voz rouca e libertina explode no ar. Faz meus nervos inflamarem de uma forma terrivelmente deliciosa. — Não irei morder você. Não tanto.
Ainda é cedo para te atender. Talvez outro dia;
Respondo, trêmula, quase deixando o celular cair no chão.
Eu sou um homem feito, criança, e não tenho muito saco para ficar
trocando mensagens. Mas se quiser ir para um motel agora, é só dizer
que te pego em alguns minutos. Do contrário, irei dormir ;)
Pasma, leio e releio sua resposta mais algumas vezes para logo depois deixar o aparelho sobre a cama. Ao mesmo tempo que sorrio, tenho vontade de esganá-lo por ser tão cachorro. Como pode? Há pouco tempo quase me beijou, e agora está chamando outra mulher para um motel. Cretino descarado…
Bufo irritada e volto a pegar o celular quando ouço o toque de mensagens. Quase infarto quando abro a mensagem e vejo a foto sensual e terrivelmente erótica que ele acabou de enviar.
A camisa social está com todos os botões abertos, revelando o peito forte, salpicado de poucos pelos escuros. A barriga definida e levemente bronzeada deixa-me sem ar, pareço perder os sentidos. Admito que minha boca saliva e uma sensação quente invade o meu íntimo. Preciso esfregar minhas pernas uma na outra para tentar controlar todas as sensações libidinosas que meu corpo expressa descaradamente.
Quando desço o olhar, preciso puxar o ar para os meus pulmões e contar até três. O zíper da sua calça também está aberto e revela a boxer branca que molda perfeitamente o volume e as formas da sua excitação de uma maneira tão voluptuosa que sinto a secura em minha garganta.
Engulo a minha saliva com dificuldade, sem conseguir desgrudar os meus olhos da tela do celular. Estou quase babando.
A curiosidade me instiga, me excita e faz minha cabeça imaginar coisas. Quase posso ver as veias vigorosas e a cabeça rosada, suculenta. Estou em êxtase. Porém, recordo-me do quanto ele é um safado e, ainda irritada, decido ignorá-lo um pouco, mesmo que por dentro meu corpo implore para que eu aceite o seu convite, mesmo sendo tão arriscado.
Sinto muito. Hoje já tenho compromisso.
Com o coração martelando o meu peito, clico em enviar, mas, em meu íntimo, acolho uma combinação perigosa de audácia e inconsequência que se misturam ao desejo que sinto por ele. Uma vontade incontrolável de ir até o fim, mesmo que no final eu saia magoada.
CARLOS EDUARDO
Sinto muito. Hoje já tenho compromisso.
Cerro o maxilar ao ver a recusa dela em sair comigo. Deixa-me irritado. Que merda essa garota quer de mim?
Olho a foto do perfil e, mais uma vez, confirmo as minhas suspeitas. É ela, só pode ser… O corpo pequeno, os longos cabelos… A recusa em atender a minha ligação. Só pode ser ela. A não ser que Raquel tenha se precipitado quando falou aquele monte de besteiras.
Deixo o celular de lado e relembro a forma como Beatriz meu olhou tão assustada quando tentei beijá-la. Não há como negar que ela estava nervosa, e eu não deveria ter feito aquilo. O problema é que, a cada segundo que se passa, a vontade de sentir o sabor daqueles lábios triplica.
Levanto-me da cama e caminho pelo meu quarto, irritado. Termino de tirar as minhas roupas, impaciente, e as deixo em qualquer lugar. Minha irritação só aumenta quando coloco os meus punhos na parede e olho para baixo. Meu pau está duro feito uma rocha e tudo o que penso é em foder aquela boquinha deliciosa. Amaldiçoo-me por ter permitido que as coisas chegassem a esse ponto. Não posso desejá-la, caralho.
No dia seguinte, acordo cedo, visto-me e sigo direto para a sede da empresa. Quando chego, cumprimento alguns funcionários que estão entrando no elevador, mas mantenho a minha pose de chefe, dono da porra toda, como faço todos os dias. Olhar firme, expressão severa, peito estufado.
Assim que o elevador para no andar da presidência, sigo na direção da minha sala, caminhando a passos firmes. Ajeito o paletó no meu corpo e passo a mão no cabelo, certificando-me que esteja tudo em ordem.
— Bom dia, senhor Ferraz — cumprimenta a minha secretária, Sandra, levantando-se. — Em alguns minutos, deixarei os relatórios que me pediu na sexta na sua mesa — informa, toda prestativa.
Vejo a mulher arrumar a blusa branca, fazendo questão de deixar o decote em evidência, enquanto segura uma mexa do cabelo loiro.
Apesar de ser uma bela mulher e fazer questão de demonstrar o seu interesse em mim, tenho uma regra estritamente rigorosa dentro da empresa e que cumpro à risca: jamais misturar meu lado pessoal com o profissional. Isso inclui não levar as funcionárias da empresa para a cama. Para elas, sou o chefe, um ser inalcançável e nada mais.
— Bom dia, Sandra — também a cumprimento. — Antes de me levar os relatórios, peça um café para mim. Obrigado — peço educadamente, mas sem muitas cordialidades. Apenas o suficiente para que ela entenda qual é o seu devido lugar aqui dentro.
— Sim, senhor — responde com um sorriso amarelo e volta a se sentar.
Dou-lhe as costas e caminho na direção da minha sala, mas, antes de entrar, recordo-me de algo e me viro para ela.
— Sandra — chamo. Ela volta a me encarar e sorri com o olhar iluminado.
— Sim?
— Assim que o Felipe chegar, peça a ele que se dirija direto para a minha sala e… também atualize a minha agenda do dia.
A mulher assente, visivelmente frustrada, e volta a se sentar.
Entro na minha sala, coloco minha pasta sobre a mesa e sigo direto até as vidraças. Afrouxo o nó da gravata e suspiro, imaginando o quanto o dia será estressante e cansativo. Para começar, em uma hora tenho reunião com dois empresários importantes do ramo de hotéis de luxo. Estou prestes a fechar um grande negócio e faltam apenas alguns detalhes para fecharmos contrato e darmos início à construção do maior resort da América Latina.
Coloco as mãos no vidro, enquanto olho o movimento de carros e pessoas pelas ruas do centro do Rio de Janeiro. Após alguns minutos, retorno até a mesa e me sento no meu trono.
Com o computador ligado, reviso alguns projetos de infraestrutura. Estou concentrado nos meus afazeres quando ouço o toque de mensagens do meu celular. Pego o aparelho distraído e penso que devo colocá-lo no silencioso antes da reunião.
Deslizo a tela de bloqueio e me deparo com uma mensagem da Bianca, falando dos sonhos obscenos que teve comigo esta noite. Franzo a testa, já ficando incomodado com todo este mistério, mas decido que tirarei essa história a limpo o quanto antes. Se essa Bianca for mesmo a Beatriz, descobrirei no evento beneficente da Ferraz Engenharia que irá acontecer em poucas semanas. Insistirei que Felipe compareça com esposa e filha e, como a Bianca disse que iria, em algum momento conseguirei descobrir a verdade por trás dessa história.
Agora te imagino sentada em cima do meu pau, menina.
Digito a mensagem provocativa e envio. Quero ver até que ponto ela consegue levar essa farsa e o que pretende com isso. Claro que em nenhum momento cogito a possibilidade de levá-la para a cama, mesmo que já esteja ficando excitado só de imaginar a voz rouca gemendo o meu nome. Ela tem uma carinha de anjo com um belo corpo de mulher.
Estou apenas entrando no seu jogo para saber suas verdadeiras intenções. Não sou louco de me meter com a filha de Felipe, principalmente pelo fato de ela ser tão jovem. Imagino que seja inexperiente e mimada, e a última coisa que quero é uma pirralha no meu encalço. Além disso, ele com certeza arrancaria as minhas bolas. Mas, enquanto finjo que não sei de quem se trata, provoco. Inclusive, penso em propor um encontro casual em um dos quartos do hotel onde acontecerá o evento. Veremos se ela terá coragem de continuar me provocando quando estiver frente a frente comigo.
Sorrio e volto a me concentrar na tela do computador. Está na hora de deixar as besteiras de lado e focar em coisas realmente importantes, por exemplo, o andamento da empresa que carrego nas costas e que, nos últimos anos, desde que assumi o cargo de CEO, teve seus lucros multiplicados.
Orgulhoso, continuo analisando os projetos até ser interrompido por uma batida na porta.
— Bom dia, Eduardo. — Felipe abre a porta e entra. Volta a fechá-la e caminha na minha direção, segurando sua costumeira pasta nas mãos.
— Bom dia, Felipe. — Confiro as horas no meu relógio de pulso e confirmo que ele está com vinte minutos de atraso. Fecho minha expressão e o encaro. — Está atrasado — recrimino. Ele sabe que não tolero atrasos ou faltas dentro da empresa. Mesmo se tratando do meu melhor amigo. A regra é clara. Amigos, amigos, negócios à parte.
— Eu sei. Peço desculpas, mas precisei deixar minha esposa no aeroporto antes de vir para a empresa. Ela precisou viajar com urgência.
Deixo o computador de lado e coloco as mãos sobre a mesa.
— Tudo bem, Felipe, mas certifique-se que isso não aconteça de novo e, se acontecer, me ligue para avisar. As merdas dos celulares servem pra isso, e em poucos minutos teremos uma reunião importante.
O homem puxa a cadeira e se senta de frente para mim. Coloca a pasta sobre a mesa.
— Qual é, Eduardo? Suas ficantes dormiram com calça jeans essa noite? Quanto estresse, porra — rebate visivelmente irritado. — Já disse que precisei levar minha esposa ao aeroporto com urgência — diz e começa a abrir a pasta.
Fuzilo-o com um olhar mortal uma última vez, mas Felipe finge que não vê. A parte ruim de trabalhar com seu melhor amigo é que em alguns momentos as discussões são inevitáveis e nem sempre posso lhe enviar uma carta de demissão. Inferno.
— Aqui estão os documentos para serem assinados na reunião. Já analisei todas as cláusulas, mas peço que também dê uma lida.
Confirmo com um aceno de cabeça, pego os papéis de suas mãos e começo a ler. Porém, antes que eu termine, meu celular vibra sobre a mesa e, como ainda tenho alguns minutos livre, decido ver do que se trata.
Meu ar falta quando abro a mensagem e vejo uma foto da menina de costas, como se estivesse de joelhos em cima da cama. Seu corpo está completamente nu, mas, devido à posição, não consigo ver os seios. Quando meus olhos analisam cada centímetro das costas e da cintura bem delineada, e descem até o traseiro redondinho, sinto meu pau crescer dentro da calça, como um vulcão que estava adormecido e de repente explode, deixando-me em uma situação para lá de constrangedora. Porra, que vontade de matar essa garota atrevida. Ela sabe que não posso, por isso está me provocando.
Adoraria estar sentada no seu pau.
Minha boca saliva e minhas mãos tremem assim que leio o conteúdo da mensagem embaixo da foto, tamanha é a vontade que sinto de fazê-la pagar com juros por esse atrevimento.
Disfarçadamente, levo minha mão até o meu pau e dou uma coçadinha de leve, tentando acalmar a fera, enquanto mantenho meu olhar vidrado na tela do celular.
— Aconteceu alguma coisa? — questiona Felipe, com seriedade. — Você parece estar atordoado.
Encaro-o sem graça, bloqueio a tela do aparelho e levo minha mão até o colarinho da camisa para afrouxá-lo um pouco.
— Não é nada — minto. — Pode pegar alguns relatórios com a secretária e me trazer aqui, por favor?
Felipe assente e se levanta para ir buscar o que pedi. Assim que ele sai, corro até o banheiro do meu escritório e abro o zíper da calça para libertar o meu pênis que está sufocado. Bato a mão na parede, nervoso, e trinco os dentes, negando-me a aceitar que meu corpo reaja tão descontroladamente apenas com a porra de uma foto.
Quando a situação melhora, ajeito minhas roupas e retorno até a minha sala. Ao chegar, vejo Felipe nervoso, quase que esganando a pobre secretária, enquanto segura o terno nas mãos e aponta para algo na camisa branca.
— Sinto muito, senhor Tenório. Não foi minha intenção derramar café na sua roupa — diz ela, cabisbaixa.
— Tenho uma reunião importantíssima em poucos minutos, Sandra. Como irei aparecer assim? — questiona ele, irritado.
Sandra volta a pedir desculpas, pega a bandeja e os cacos de louça no chão e retorna para a sua sala.
— O que aconteceu? — O homem vira-se na minha direção e então vejo o porquê de ele estar tão irado. A camisa está com uma mancha de café horrível. O paletó, de cor cinza, também deve estar manchado.
— Sua secretária desastrada derramou café em mim. Agora preciso voltar em casa às pressas para me trocar. Já não basta a dor que estou sentindo por causa da queimadura — responde, bravo.
— Sandra é desastrada, mas é muito eficiente — defendo a mulher, mas preciso me segurar para não explodir em uma gargalhada ao olhar a cara de poucos amigos de Felipe. Contudo, meu sorriso morre em meu rosto quando confiro o relógio e vejo que já está em cima da hora.
— Sinto muito, mas você vai ter que comparecer à reunião assim — digo e aponto para o relógio no meu pulso.
Felipe balança a cabeça em negativa e começa a andar de um lado para o outro na sala, pensativo, até que o vejo pegar o celular e ligar para alguém.
— Filha, está em casa? — Ao perceber que ele está falando com ela, sinto que meus nervos se tencionam. — Preciso que pegue uma das minhas camisas de trabalho e traga para mim aqui na empresa o mais rápido que você conseguir. Estou na sala da presidência.
Ele desliga o aparelho e volta-se para mim.
— Beatriz vai trazer outra camisa para mim — diz e senta-se na cadeira, relaxado.
Fecho os meus punhos e volto a caminhar na direção dos vidros. Não entendo por que de repente fiquei tão enfurecido, mas a vontade que tenho é de dar uma boa lição nessa menina assim que ela entrar por aquela porta. Ela precisa entender que não se provoca um homem como eu.
BEATRIZ
Durmo com o celular em mãos, aguardando-o responder algo após a minha recusa em sair, mas nada poderia ser mais frustrante do que acordar e ver que ele não enviou mais nada. Imagino que nem tenha dado atenção ao que eu disse e que, provavelmente, tenha ido atrás de outra mulher para passar a noite.
Pensar nisso me entristece, pois, a cada passo que dou em frente, acabo retrocedendo três. Meu coração se aperta de uma forma tão dolorosa que perco o ar.
Saio da cama, cabisbaixa, e caminho devagar, seguindo até o espelho. Olho a minha imagem desgrenhada no reflexo, sem o mínimo ânimo de me arrumar e sair do quarto para ir à faculdade. Só queria passar o dia na minha cama, quietinha, como se não tivesse mil coisas para fazer.
Usando um pente, começo a desembaraçar os meus cabelos, mas desisto quando o objeto fica grudado em uma das mechas. Dou meia volta e sigo para o banheiro, escovo os dentes e entro debaixo do chuveiro na intenção de tomar um banho e dar uma rápida hidratada nos cabelos. E assim faço. Após passar o hidratante, massageio, tiro o excesso com água e finalmente desembaraço os fios. Retorno-me para o quarto e, ao me aproximar do guarda-roupas enrolada em um roupão branco, ouço uma batida na porta. É a minha mãe.
Meu coração dá um salto quando imagino o porquê de ela estar aqui. Será que veio conversar sobre o que aconteceu ontem no jantar na casa da família Ferraz? Mamãe com certeza percebeu que é ele o homem ao qual me referi quando disse que estava apaixonada. Oh, Deus! Eu definitivamente estou ferrada.
— Estou indo, mamãe — respondo receosa, mas decido que é melhor conversar com ela e lhe falar a verdade. Não tenho outra saída.
Aperto o roupão em meu corpo como se, de alguma forma, o tecido grosso fosse me proteger das inúmeras perguntas desconcertantes que ela me fará. Contudo, ao abrir a porta, vejo mamãe segurando uma pequena mala, já toda arrumada para sair. Vejo aflição em seu semblante e logo seus olhos fascinantes se enchem de lágrimas. Então, ela me abraça.
— Querida, seu avô não está bem de saúde. Eu irei vê-lo — diz ela, enquanto passa as mãos no meu cabelo.
Ao ouvir suas palavras, sinto como se tivesse recebido uma ferroada no peito. Apesar de não ser muito próxima dos meus avós maternos, por morarem longe, eu os estimo e os quero bem.
— Mamãe, o que aconteceu? — questiono e afasto-me para encará-la.
Ela leva a mão nos olhos para secar uma lágrima e suspira.
— Seu avô passou mal nesta madrugada e está hospitalizado. Sua avó me ligou aflita hoje pela manhã para avisar, e decidi que irei passar um tempo com eles, até ele melhorar. — Mamãe pega o celular para conferir as horas e volta sua atenção para mim. — Estou em cima da hora, Bia. Se cuida, tá bem? E me ligue todos os dias. Quando eu voltar, a gente conversa sobre aquele assunto — diz e dá um beijo na minha testa. — Fique bem, minha filha.
— Vá com Deus, mãe, e não se preocupe. Vou ficar bem. — Volto a abraçá-la. — Dê muitos abraços neles por mim. Eu irei orar pela saúde do vovô.
Ao se afastar, mamãe assente e vira-se para sair. Sigo-a até as escadas e vejo papai pegar a sua bolsa, seguindo-a na direção da porta.
Retorno para o meu quarto com o coração apertado, preocupada, e me deito na cama, decidida a realmente não ir para a faculdade. Volto a pegar o celular para falar com Gracy, digito uma mensagem e conto por alto tudo o que aconteceu ontem à noite, desde o jantar até a nossa curta troca de mensagens. Aguardo um pouco, ansiosa, mas logo ela me retorna com um texto enorme que mais parece um jornal, falando para que eu tome atitude e ouse mais.
Reviro os olhos com o tamanho da bronca e mordisco o lábio. Pensando bem, acho que Gracy pode ter razão. Preciso ousar mais, fazer as coisas subirem de nível. Após refletir por alguns segundos, mando uma mensagem de bom dia para o Cadu. Na mensagem, descrevo alguns sonhos eróticos que tive com ele.
A resposta vem quase de imediato. O que leio faz todo o meu corpo entrar em combustão. Meus pelos se eriçam e um frio intenso apossa-se da minha espinha.
Agora te imagino sentada em cima do meu pau, menina
Que cachorro safado!
Tenho vontade de gritar quando leio suas safadezas tão obscenas. Ainda não me decidi se sinto raiva por ele dizer isso a outra mulher ou se fico contente por saber que podemos marcar um encontro a qualquer momento. Só em pensar nisso, minhas pernas tremem e meu sexo fica úmido.
Reflito por mais alguns minutos e chego à conclusão que preciso surpreendê-lo. A ideia de enviar uma foto mais sensual vem à minha mente.
Levanto-me animada e decidida. É isso, enviarei uma foto ousada. Não tem como não chamar a atenção dele, até porque o Cadu já deu o primeiro passo ontem quando me mandou aquela foto com o pau duro dentro da cueca.
E, Senhor, que pau. Eu, definitivamente, babei por cima e por baixo e também me tremi de medo. Como poderei ficar com ele, tendo que acomodar toda aquela estrutura dentro de mim? Admito que isso é algo que vem arrancando o meu sono, noite após noite.
Sempre o observei discretamente durante os nossos poucos encontros aqui em casa ou em qualquer outro lugar, e aquele volume nas calças dele não é de Deus. Faz jus ao tamanho do seu corpo, que me deixa amedrontada, e, ao mesmo tempo, excitada só de pensar em ficar por baixo.
Balanço a cabeça e me recrimino por ficar sofrendo antes da hora. Sei que vai doer, Gracy e algumas outras colegas disseram que dói para caramba perder a virgindade, mas, com ele, eu quero e estou disposta a tudo.
Tiro o meu roupão, ficando completamente nua, e, com a ajuda de um suporte para selfie, consigo tirar uma fotografia minha, de costas, com os joelhos apoiados no colchão e o bumbum levemente empinado. É uma imagem bastante ousada, mas não revela tanto, a não ser a minha bunda e as coxas.
Digito uma mensagem provocante e envio junto com a foto. Confesso que fico um pouco nervosa e até penso em apagar, mas, antes que eu consiga raciocinar coerentemente e tomar uma atitude, ele visualiza a mensagem.
Respiro fundo e aguardo uma resposta, mas nada acontece. Deixo o celular sobre a cama e corro até os meus pertences para pegar uma roupa. Porém, sinto meu coração disparar quando ouço o toque do meu celular. Imagino ser Cadu o autor da ligação.
Corro até a cama e pego o aparelho. Respiro aliviada quando vejo que se trata do meu pai e atendo. Ele pede para que eu leve uma camisa de trabalho no seu serviço com urgência e que eu a entregue em suas mãos, na sala da presidência.
Meu coração acelera ao imaginar que verei o Cadu, e ainda penso em inventar uma desculpa, mas papai diz para que eu seja breve, pois tem uma reunião importante em poucos minutos. Sua fala soa quase que desesperada. Concluo que ele esteja em maus lençóis e me apresso.
Nervosa e trêmula, volto ao meu armário às pressas à procura de uma roupa apresentável, mas não tenho muito tempo para me arrumar, então visto um macaquinho curto, verde-militar, que cai bem no meu corpo e valoriza as minhas pernas.
Após passar um batom rosado, pego a camisa de papai e chamo um Uber. Por sorte, a empresa não é muito longe de onde moro e, em pouco mais de quinze minutos, já estou dentro do elevador.
Ao chegar no andar da presidência, cumprimento a secretária de Eduardo. Eu a conheci em uma das poucas vezes que vim aqui com o meu pai. Não sei por que, mas não simpatizo com ela. Ela diz que papai me aguarda e indica na direção da sala do Cadu.
A cada passada que dou, pareço estar pisando em areia movediça, pois não sinto a firmeza que deveria em minhas pernas, mesmo estando com sandálias rasteiras. É como se eu estivesse prestes a perder o equilíbrio.
Dou uma batida na porta e entro, devagar.
— Com licença.
— Beatriz, graças a Deus que você chegou. — Papai, que está sentado em frente à mesa, levanta-se e praticamente corre na minha direção. Estendo-lhe a camisa que pediu e começo a vasculhar a sala, à procura do Cadu. — Obrigado, querida. — Ele deposita um beijo em minha testa e segue na direção do que imagino ser o toalete.
Vejo o Cadu próximo às vidraças, com o braço esquerdo escorado na parede acima da sua cabeça e a mão direita enfiada no bolso da calça. Toda a magnitude e sofisticação desse lugar combinam perfeitamente com todo o poder que exala dele.
Sinto, de longe, toda a sua confiança quando ele se vira na minha direção.
Puxo o ar com dificuldade e, tirando coragem do fundo da minha alma, decido caminhar até ele e cumprimentá-lo. Os olhos dele me analisam de cima a baixo de uma forma terrivelmente estranha, que me deixa amedrontada. É como se ele quisesse enxergar todos os segredos que guardo na minha mente, ao mesmo tempo que parece admirar cada movimento que faço.
Ignoro esse seu gesto e, por instinto, desço os meus olhos pelo seu corpo, almejando vislumbrar o volume entre as suas pernas. Mordisco o meu lábio ao ver que ele passa a mão no pau disfarçadamente. Caminho, balançando os meus quadris em um quase rebolado, e volto a fitá-lo.
Vejo em seu olhar uma mistura de satisfação e fúria que me deixa completamente confusa. Ergo uma sobrancelha, sem conseguir entender por que ele me encara desta maneira. No entanto, sei que não tenho o que temer. Deve ser só impressão minha.
— Oi… — Sorrio confiante e o comprimento assim que me aproximo.
Eduardo olha para a minha mão estendida no ar, depois para mim. Vejo seus lábios se curvarem em um sorriso debochado e a oferta da minha mão é ignorada com sucesso.