A Menina do CEO

Jéssica Larissa · Capítulo 2 de 5 · parte 7/9

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A Menina do CEO

Capítulo

Este capítulo é longo, por isso está dividido em 9 partes.

As coisas não se encaixam como deveriam. Eu não posso querê-la dessa forma tão imoral. Sou um homem maduro, experimente, já fiz todas as obscenidades que se possa imaginar. E quanto a ela? É uma menina. Apenas uma menina. Linda, inteligente, deliciosa… Diabos! Que espécie de pervertido eu sou?

Termino o meu banho, seco o copo e me deito na cama larga. O tempo não passa. Rolo de um lado a outro sem conseguir pregar os olhos. Sinto-me exausto, sufocado, com milhões de problemas para resolver. E só nas horas mortas da madrugada consigo dormir um pouco.

 

Acordo cedo. Tomo apenas um café forte para aplacar a noite mal dormida e sigo direto para a empresa. Após a reunião com a equipe de funcionários e os empresários, retorno à minha sala para dar continuidade às tarefas do dia.

Acomodo-me atrás da minha mesa, ligo o computador e respondo alguns e-mails. Uma pilha de papéis me aguarda para análise, fazendo eu me arrepender de ter saído da cama para trabalhar.

Passo a mão pela minha barba por fazer, sentindo a aspereza dos fios se despontando e espetando a minha pele. Não tive o menor ânimo para me barbear hoje pela manhã. Enquanto trabalho, aguardo a resposta dos empresários que prometeram pensar na minha proposta. Se por um acaso for positiva, começaremos as modificações no projeto principal do resort imediatamente.

As horas passam, e eu continuo enfiado no trabalho como se não houvesse amanhã. Almoço às duas da tarde após Felipe entrar na minha sala questionando por que não apareci no restaurante que costumamos frequentar no intervalo do expediente.

A verdade é que meter a cara no trabalho foi a única maneira que encontrei de parar de pensar nela alguns instantes.

Afrouxo o nó da gravata e arregaço as mangas da camisa branca, respirando fundo. Mais um dia termina. Mais um dia que a vontade de a ter em meus braços me leva à beira da loucura.

Arrumo os papéis, ligo para a secretária e peço para me enviar a agenda de reuniões do dia seguinte. Enquanto aguardo o e-mail, o telefone volta a tocar. É Sandra, informando que o perito deseja falar comigo novamente.

Autorizo a entrada e aguardo.

— Boa tarde, senhor Carlos Eduardo! — diz e caminha até onde estou, sentando-se na cadeira à minha frente.

— Boa tarde, Rogério. Alguma novidade sobre o que pedi? — questiono.

— Sim. É por isso que estou aqui! — responde e me entrega alguns papéis. — Aí estão todas as informações que precisa saber sobre o incidente da boate.

Analiso a documentação, conferindo o nome do Pedro, algumas imagens e os seus dados pessoais, incluindo o endereço.

Dispenso o homem após uma última conversa. Pego os documentos e saio da empresa, imaginando como prosseguirei de agora em diante. A primeira coisa a fazer será confrontá-lo. Não permitirei que esse desgraçado volte a se aproximar dela nem por cima do meu cadáver.

Arranco a toda velocidade, seguindo as instruções do endereço dele no GPS. Ao estacionar o carro na rua em que ele mora, aguardo até aparecer uma oportunidade de falar com ele sem precisar colocar seus pais por dentro do assunto, por enquanto.

Aguardo cerca de quarenta minutos, até ver o portão se abrir e um Ecosport vermelho sair. Quando o carro se vira para pegar velocidade na rua, consigo ver a cara do rapaz pela abertura da janela. Bingo!

Espero-o pegar uma certa distância, ligo o Mercedes e o sigo pelas ruas movimentadas do Rio. Meia hora depois, ela entra no estacionamento de um shopping e eu piso o pé no acelerador. Essa é a oportunidade que preciso.

Ao entrar, vejo-o saindo do veículo e caminhando na direção dos elevadores. Estaciono o mais rápido que consigo e corro na sua direção. Procuro as câmeras de segurança e identifico um ponto neutro atrás de uma pilastra. Alcanço-o e puxo-o para o ponto morto das imagens e, antes que ele tenha alguma reação, levo minhas mãos diretamente no seu pescoço, segurando o desgraçado pelo colarinho da camisa.

Ouço um murmúrio assustado saindo da sua boca, mas não espero que ele grite. Prenso Pedro no pilar, levo minha mão até a sua garganta e o ergo do chão, deixando-o na altura do meu rosto.

— Olá, Pedro! — digo com sangue nos olhos, apertando-o cada vez mais.

O homem arregala os olhos e leva as duas mãos até o pescoço, o rosto todo vermelho pelo medo e o aperto que profiro. Tenta a todo custo se libertar.

— Ficou … louco? Você está… me sufocando… — sussurra com a voz falha.

— Vou direto ao ponto, garoto. Eu sei de tudo o que aconteceu na merda daquela boate. Sei o que você tentou fazer com a Beatriz. Eu só não quebro a sua cara aqui e agora porque não irei sujar minhas mãos com um verme feito você, entendeu? — Encaro-o com toda a minha fúria e continuo: — Não ouse se aproximar dela novamente. Nem mesmo pense nesta possibilidade. Sob qualquer pretexto, nunca chegue a menos de quinhentos metros dela. Eu tenho os vídeos e todas as provas necessárias para te deixar em grandes apuros. Vai querer isso, pirralho?

O rapaz arregala os olhos ainda mais e balança a cabeça em negativa. Está se cagando de medo, o covarde.

— Ótimo. Lembre-se: uma única ligação e eu acabo com toda a merda de carreira que você pensa em construir. Isso se não acabar atrás das grades.

Dito isso, afrouxo o aperto em sua garganta e o jogo com toda a minha ira, no chão, fazendo o moleque gemer de dor com a força do impacto.

Viro-lhe as costas e vou embora.

Alguns dias depois

 

Sobrevivo um dia após o outro, sem ânimo. Minha rotina se resume a me deslocar entre o meu apartamento, a casa dos meus pais e o trabalho. Isso é o bastante para mim. Sinto-me vazio, confuso. É como se as coisas à minha volta tivessem perdido a cor.

Por várias vezes, fui até a casa de Felipe, alegando pegar um documento na esperança de vê-la. Mas olhá-la à distância só pirou as coisas. Em algumas dessas ocasiões, tentei me aproximar, mas fui completamente ignorado.

O desprezo dela, a indiferença, me feriu de uma maneira arrebatadora.

Tentei tirá-la da minha cabeça, procurei outras mulheres para saciar o meu desejo, mas o meu pau não correspondia aos comandos da minha mente. Fui chamado de imbecil, babaca, frouxo, tudo porque o maldito traidor do meu pau resolvia falhar. Eu sequer conseguia ter tesão, então eu as descartava antes de um vexame maior. Também dispensei várias investidas explícitas. A essa altura, estão pensando que mudei de time e agora sou gay. Tudo porque eu não consigo esquecer aquela maldita sedutora.

Confiro as horas pela milésima vez na parede do escritório, ansioso. São onze da manhã, o ponteiro do relógio deixa claro que o tempo passa e os momentos perdidos não voltam mais. Chego à conclusão que preciso dar um rumo à minha vida antes que eu perca o controle de tudo.

Olho para a tela do meu celular sobre a mesa e decido ligar. Talvez convidá-la para sair, já que as minhas outras tentativas de aproximação não surtiram efeito.

Ligo, mas a chamada cai direto na caixa de mensagens.

Deixo os meus braços caírem para os lados, mas respiro fundo ao imaginar que ela esteja na sala de aula.

— Chega disso! — Levanto-me impaciente, pego os meus pertences e caminho na direção da porta. Recordo-me de Felipe comentando uma certa vez em que faculdade a filhinha dele cursava Biologia Marinha. — Sandra, cancele todos meus compromissos do dia. Preciso sair! — digo à secretaria, assim que me aproximo da sua sala.

— Sim senhor. — Balança a cabeça em afirmativa.

— Se alguém me procurar, informe que não retornarei mais hoje. Obrigado!

Afasto-me e caminho na direção do elevador, decidido a dar um basta nessa obsessão infernal.

No percurso para a faculdade, compro um buquê de rosas vermelhas, pequeno e elegante. Estou disposto a qualquer coisa para que ela me aceite. Apenas uma noite. Uma única noite e tudo vai voltar ao normal. Tenho certeza que é apenas um desejo reprimido. Sei que ela ainda me quer, está apenas chateada comigo. Vou tratá-la bem e transformar sua primeira vez em algo maravilhoso e inesquecível. Será muito melhor para ela do que se entregar a qualquer fedelho incompetente. Vamos trepar deliciosamente, vou tirar sua virgindade, e nossas vidas poderão prosseguir normalmente. Eu satisfeito, e ela iniciada de uma forma primorosa. Sim, sairemos ambos satisfeitos. E o Felipe sequer precisará saber.

Paro o carro do outro lado da rua em frente ao prédio e aguardo.

Vejo Beatriz sair ao lado de Gracy. As duas conversam e sorriem alegremente. Ela parece feliz.

Meu coração dispara quando ela passa a mão pelos cabelos, tirando as madeixas macias do rosto. Seu sorriso encantador brilha mais que o sol, fazendo-me sorrir também, admirado do quanto ela é linda. Perfeita!

Por um momento, esqueço-me do que vim fazer aqui e desço os meus olhos pelo belo e delicado corpo. As coxas bem torneadas, apertadas dentro da calça jeans, os quadris delineados e bem feitos.

Sinto meu pau endurecer no mesmo instante, ansiando em provar cada pedacinho dela. Minha boca saliva com a possibilidade de beijá-la, lamber os seios intumescidos, chupar a boceta deliciosa. Ofego.

Pego o buquê no banco de trás, saio do carro e dou meia volta para atravessar a rua e chegar até ela. No entanto, sinto o mundo parar à minha volta e uma sensação de sufocamento me toma. Meu peito se aperta, minha garganta fica seca e todo o desejo que sinto dá lugar à angústia, ao desespero.

Como em uma câmera lenta, vejo Victor correr até ela e abraçá-la, erguendo a minha menina do chão. Ela gargalha, feliz. Fica contente em vê-lo.

Meu mundo parece ruir. Não entendo que diabos acontece comigo, mas a dor que sinto no peito assemelha-se à dor física. Dou-me conta que não posso mais fugir, não há como negar. Estou perdidamente apaixonado pela filha do meu melhor amigo, uma menina vinte anos mais jovem e que agora me odeia.

Jogo o buquê na lata de lixo mais próxima, piso o pé no acelerador e saio sem rumo. Sem destino. Eu só queria que ela saísse da minha cabeça, maldição!

BEATRIZ

Saio da sala de aula com Gracy e seguimos direto para o elevador. Minha amiga está animada. Desde ontem, quando saímos para fazer um programinha de amigos no cinema, eu, ela e o Victor, percebi que ela não tira o sorriso do rosto. Desconfio que a danada esteja de olho no bonitão e só está esperando que eu dê um empurrãozinho, já que faz questão de dizer o quanto ele é bonito e divertido e, eu, boba por não dar uma oportunidade.

— Bia, pelo amor de Deus. Ou você dá logo pra aquele homem ou sai da moita. Nesse chove não molha que não pode ficar — diz, sorridente, segurando o meu braço enquanto saímos do elevador e caminhamos pelo corredor que dá acesso à porta de saída.

— Gracy, para com isso. — Gargalho e coloco a mão em minha boca para abafar o riso. — Todos irão ouvir se continuar falando nesse tom.

Ela para por um instante e me encara com a sobrancelha franzida e olhar travesso.

— O que você tem, garota? Um gato daqueles babando por você e você dando mole? Poxa, Bia, nem parece que é minha amiga.

Balanço a cabeça e volto a sorrir.

— Somos amigos, Gracy. É tudo que posso dar a ele, minha amizade. Você sabe o porquê. — Ajeito a mochila em minhas costas e continuo. — Mas se está interessada, o caminho está livre, fique à vontade. — Pisco e volto a andar, chegando à porta de saída. De onde estou, posso ouvir Gracy comemorando: — Yes… Yes… Yes…

Sorrio mais uma vez e aguardo até que ela me acompanhe. Saímos do prédio e continuamos conversando, indo na direção da rua.

O dia está ensolarado, com poucas nuvens no céu azulado. O vento sopra, fazendo algumas mechas de cabelo caírem por meu rosto, e eu as tiro, enquanto gargalho de mais uma gracinha de Gracy.

Ao dar mais alguns passos, somos surpreendidas pelo dito cujo, que chega até nós, feliz. Abraça-me, erguendo-me do chão e, dando uma voltinha, em seguida, faz o mesmo com Gracy.

Enquanto me recupero do susto e observo minha amiga agarrá-lo pelo pescoço, tirando uma casquinha quando Victor a abraça, olho de relance para a rua e vejo um carro que parece ser familiar.

O Mercedes pega velocidade e, em poucos segundos, some da minha vista. Meu coração acelera ao imaginar que pode ser ele. Sinto meu peito se apertar devido à angústia e à saudade que sinto.

— Oi, meninas — Victor nos cumprimenta, arrancando-me dos meus devaneios, e eu balanço a cabeça, sentindo-me uma idiota por continuar sofrendo por aquele homem.

Viro minha atenção para ele e curvo os lábios em um sorriso forçado. Contudo, acabo sorrindo de verdade ao ver Gracy agarrada ao braço dele.

— Victor, que surpresa! — Passo a mão em seu outro braço e começamos a andar. — O que faz aqui?

— Oras. Ele veio me ver, é claro — diz Gracy, dando uma piscadela.

Assinto com a cabeça, tentando esconder o riso, e espero que ele responda. O homem sorri sem jeito com o comentário de Gracy e responde: — Bom, garotas. Como estou no meu horário de almoço, pensei em levá-las para almoçar comigo. Tenho novidades.

— Humm. Então é essa novidade o motivo de toda essa alegria? — questiona Gracy. — Poxa, pensei que era por minha causa. Estou decepcionada — dramatiza.

Não consigo controlar uma gargalhada diante das provocações dela e sigo andando na frente.

Ao atravessar a rua, paro para esperá-los, e é quando vejo algo intrigante dentro da lixeira. Há um buquê de rosas vermelhas. As flores ainda estão frescas e brilhantes.

— Que estranho. Quem faria isso? — sussurro para mim mesma.

Gracy e Victor me alcançam e seguimos na direção do restaurante que costumo frequentar. Olho uma última vez para as rosas e sigo andando. Estamos quase chegando no hall de entrada quando ouço o toque do meu celular. Aceno para que ambos sigam sem mim e atendo o aparelho: — Alô!

— Oi? Beatriz? Querida, aconteceu algo maravilhoso. — É a voz da Victoria, bióloga da ONG.

— Ah! Oi. Tudo bem?

— Parabéns. Você conseguiu. Estou tão emocionada que mal consigo falar direito.

Pisco os olhos algumas vezes, confusa e questiono: — Desculpa, Vic, mas o que eu consegui? Não entendi.

Ouço a respiração profunda da mulher do outro lado da linha e logo ela volta a falar eufórica: — O departamento de comunicação da Ferraz Engenharia entrou em contato conosco hoje pela manhã, informando que as obras serão paralisadas por alguns dias até que o novo projeto seja aprovado. Pediram desculpas pelos transtornos e nos enviaram um convite assinado pelo CEO, o próprio Carlos Eduardo Ferraz, destinado a um dos nossos voluntários. — Meu coração paralisa quando ouço o nome dele. Minhas pernas tremem de uma maneira tão intensa que preciso me segurar na parede mais próxima.

— Que convite? — pergunto, trêmula.

— Ele convida você para fazer um discurso sobre o projeto de preservação de tartarugas marinhas, no auditório da empresa … para os donos do resort.

— Meu Deus! — digo, incrédula. Meu coração bate tão forte no peito que posso ouvir as batidas descompassadas.

— Querida, eu não sei o que você fez, mas não tenho palavras para agradecer. Nunca teríamos conseguido sem a sua ajuda. Obrigada, Beatriz.

Nem ao menos percebo quando retiro o celular do meu ouvido e sinto uma lágrima de agradecimento cair. Meu coração transborda de felicidade, uma mistura de receio com medo e amor. Céus!

— Beatriz? Bia …? — Como um sussurro distante, ouço a voz de Victoria me chamando e recobro a consciência.

— Oi — murmuro.

— Fique bem, querida. Mais uma vez, obrigada.

— Não precisa agradecer.

A mulher desliga a chamada e eu continuo escorada na parede, sorridente. As lágrimas abundantes banham todo o meu rosto. É como se o tempo voltasse. Eu me vejo há alguns anos, quando o olhava escondida pelos cantos, suspirando, enquanto ele conversava com o papai. Eu o amava tanto… Ainda o amo…

Mas, então, a consciência fala mais alto e eu balanço a cabeça, negando-me a permitir que ele se aproxime e eu saia magoada de novo. Preciso ser forte.

Desencosto-me da parede e sigo para o interior do restaurante.

Durante o almoço, Victor fala sobre a proposta de trabalho que teve em outra empresa e que, assim que o estágio na Ferraz terminar, ele irá assinar o contrato. Parabenizo-o e tento me manter concentrada na conversa, mas meus pensamentos acabam voando até o Cadu. Ouço apenas sussurros distantes do que Victor e Gracy falam.

Ao terminarmos, nos despedimos e volto para casa. Recordo que é hoje a festa de despedida de solteiro da Priscila, a prima do Cadu. Apesar do desânimo, decido ir por ter dado a minha palavra. Combino o horário com Gracy e tiro o restante da tarde para descansar.

Assim que acordo, arrumo uma pequena bolsa com biquíni, um vestido vermelho de festa, sandálias de salto, perfumes e maquiagens, além de itens de higiene pessoal. Alguns minutos depois, estou entrando no Uber com Gracy.

Priscilla havia dito que passaríamos o fim de tarde na piscina, apenas um grupinho de mulheres curtindo e batendo papo, e à noite, após a sessão de strippers, os rapazes que estarão com o noivo dela em um outro clube se juntarão a nós para terminamos a noite em uma festa de grande estilo. Essa parte eu tive que omitir para o papai, no entanto, disse que iria dormir por lá com as garotas.

Cerca de uma hora depois, entramos na rua do local da festa. O sol ainda não se pôs e o clima está quente, perfeito para uma festa na beira da piscina. Saio do carro acompanhada da minha amiga e seguimos até o portão.

— Bem-vindas meninas — cumprimenta Priscila com um abraço, assim que abre o portão. — Entrem. Só estava faltando vocês — diz e se afasta, dando espaço para que possamos passar.

— Obrigada! — respondo.

Ao entrarmos no local, nos deparamos com um espaço imenso e bem decorado, com jardim bem cuidado e podado, repleto de flores coloridas. Ao lado da piscina, algumas mulheres beliscam alguns petiscos e conversam entre si, alegremente.

Algumas, reconheço dos eventos que já frequentei com meu pai. Outras, reconheço como sendo funcionárias da Ferraz.

— Me sigam, garotas. Irei mostrar onde poderão trocar de roupas.

Após me trocar, sigo para a piscina com Gracy. Apesar do clima alegre e descontraído, não é bem assim que me sinto. Confesso que me vejo pensando nele muito mais do que deveria, e a possibilidade de vê-lo mais tarde deixa-me ansiosa.

Recordo-me das vezes em que o vi na minha casa nos últimos dias. Eduardo estava diferente, parecia triste. Ou talvez fosse apenas a minha imaginação me pregando peças. O problema é que eu o quis desesperadamente em cada momento que ele tentou se aproximar, mas o medo da rejeição, de ser magoada outra vez, falou mais alto e eu fugi. Afastei-me dele o máximo que pude.

As horas passam, vejo as pessoas se divertindo e logo chega a hora da diversão. As mulheres gritam e batem palma quando os strippers entram em cena. Gracy é a primeira a subir no palco e se agarrar a um deles, quase que tirando a cueca do rapaz.

Não consigo ver a cena e não me acabar em risos. São um dos poucos momentos que me permito sorrir de forma espontânea.

Após o show de pênis dançantes, rouca de gritar e completamente descabelada, sigo até um dos quartos no qual deixei minhas coisas. Tomo um banho e me arrumo, tendo cuidado para não pesar tanto na maquiagem.

Ao voltar para a festa, percebo a presença de mais algumas pessoas. Homens e mulheres dançam e conversam, enquanto um DJ anima a pista.

Com o cair da noite, o vento começa a soprar frio. Recordo-me da ligação de Victoria e isso me faz pensar que preciso agradecê-lo, talvez me desculpar por ter sido tão grossa naquele dia.

Pego o celular na bolsa de mão, caminho até um local mais afastado das demais pessoas e ligo. Contudo, a ligação cai direto na caixa de mensagens.

— Beatriz? — Viro-me e dou de cara com Priscila. A loira me fita com olhos reluzentes e sorri. — Está tudo bem?

— Ah… Sim… Sim, está tudo bem — gaguejo e desvio o olhar para o portão, aflita. Um enorme aperto toma conta do meu peito.

— Eu não sei se ele virá, Bia. — Surpresa, volto a fitá-la.

— O que disse?

— Ele, o Cadu. Não sei se ele virá.

Sinto minhas bochechas corarem com o comentário dela. Minha expressão espantada faz com que ela sorria, mostrando os dentes perfeitamente alinhados.

— Mas… Como assim? — questiono, confusa. Ainda não consegui entender onde ela deseja chegar. — Você sabe de algo?

A mulher sorri e cruza os braços em volta do corpo.

— Tudo o que sei é que nunca vi meu primo apaixonado por ninguém antes… — Ela faz uma pausa, suspira e olha para a frente. — A não ser pela ex-noiva. Mas ela o traiu da pior forma possível.

Estreito os meus olhos, desacreditada em tudo o que ouço, e questiono: — Por que está me dizendo essas coisas, Priscila?

Ela volta a me encarar, parecendo pensativa.

— Porque o meu primo está apaixonado por você, Beatriz. E vejo-o sofrendo dia após dia.

Meu coração parece falhar uma batida e o ar falta em meus pulmões. Sinto que estou perdendo o chão, o mundo roda à minha volta.

— Isso … não é verdade. — Uma lágrima rola pela minha bochecha e eu a seco antes que ela perceba.

Priscila sorri e diz:

— Eu vou retornar para a festa. Espero podermos conversar com mais calma depois.

Assinto e a acompanho com o olhar até que ela se perca na multidão.

As horas passam lentamente e a ansiedade me toma. A cada minuto, olho na direção do portão, mas não vejo nenhum sinal dele. Sinto que estou retrocedendo, todos os dias que lutei para esquecê-lo se tornam insignificantes.

Impaciente, decido voltar mais cedo para casa. Despeço-me de Priscila e aviso à Gracy que estou indo embora. Minha amiga ainda se movimenta para me acompanhar, mas a convenço a ficar, afinal, não quero que ela perca a diversão por minha causa.

Já dentro do táxi, observo o circular dos carros na rua, as luzes nos prédios. As pessoas indo de um lado a outro, apressadas. O sinal fecha e, enquanto aguardo, continuo olhando o circular de pessoas na calçada. É quando o vejo.

Cadu está sentado em um dos vários bares da orla. De onde estou posso ver a decadência da situação. O Mercedes estacionado bem em frente, o mesmo carro que vi mais cedo em frente à faculdade. Mas o que mais chama a minha atenção é a garrafa de uísque quase vazia sobre a mesa e o seu olhar perdido.

Nem percebo quando simplesmente desço do carro, peço o motorista para me aguardar e corro na direção dele, aproveitando o sinal fechado. Entro no bar, mas não presto atenção em nada à minha volta. Apenas fito o homem que por tantos anos amei, com um copo de uísque na mão. A barba por fazer, o olhar fitando o nada. Ele parece acabado.

— Cadu? — chamo.

Ele levanta o olhar vermelho e fita os meus. Neste momento, constato que ele está completamente bêbado.

— Bia… — Mesmo com a fraca luz, consigo ler em seus lábios quando surra o meu apelido.

Cadu continua me olhando firmemente e eu me aproximo mais, imaginando o que o fez ir até ali. Olho a garrafa de uísque quase vazia sobre a mesa e ele segue o meu olhar. Aperta o copo com força entre os dedos e sorri. Um sorriso amargo, cheio de angústia. Meu peito fica sufocado ao vê-lo desta maneira.

Desço meu olhar para o seu corpo e vejo que ainda usa os mesmos trajes do trabalho, com exceção do paletó. A camisa branca está amarrotada, demonstrando que passara o dia com ela.

— Por que me olha assim? Não precisa sentir pena nem ficar chocada, Bia. A bebida está me ajudando a esquecer meus temores… Eu também sou humano… Também tenho minhas fraquezas… — diz, voltando a fitar o nada, e leva o copo à boca mais uma vez, tomando outro gole.

— Cadu, por favor. Não beba mais, vamos para casa! — Toco o seu ombro e o encaro de frente. — Você já tomou quase todo o uísque da garrafa, vai acabar tendo um coma alcoólico.

— Isso ajuda a esquecer… — Respiro fundo e o fito confusa. Ele fala coisas aleatórias que não consigo compreender. Imagino ser o efeito da bebida.

— Não é responsável beber desta maneira. Por favor, vamos?

Ele curva os lábios em um sorriso debochado, fecha os olhos e balança a cabeça em negativa.

— Cadê seu namorado, criança? Ele é tão idiota assim a ponto de deixá-la andar sozinha à noite?

— Cadu… O que está dizendo?

— Eu vi você… — Ele me interrompe ainda com os olhos fechados. — Estava feliz com ele… Não foi tão difícil me esquecer, não é? Mesmo depois de tudo, depois de me seduzir com seus beijos, suas carícias. — Chocada, vejo-o abrir os olhos e me fitar. — Mesmo depois de dizer que me amava…

Ele me viu com alguém? Céus, o que este homem está dizendo? Ficou louco?

— Você está delirando. — Seguro em seu braço e o puxo para que ele se levante. — Vamos para casa, não é seguro ficar aqui!

Para o meu alívio, ele não contesta. Passa mão na barba por fazer e suspira. Levanta-se um pouco cambaleante e chama o garçom.

— Talvez você tenha razão. Meu carro está logo ali — diz, apontando para o Mercedes estacionado em frente ao local.

— Não irá dirigir, Cadu. Olha o seu estado!

— Não posso deixar o carro aqui — diz, tirando as chaves do bolso.

Toco a sua mão devagar e o encaro, aflita. Sentir o calor da sua pele me arrepia, mas ignoro a sensação para me concentrar no que é preciso.

— Por favor … É perigoso — peço. Retiro as chaves da sua mão e sinto meu coração parar quando os olhos azulados fitam os meus. Eduardo assente e eu passo meu braço na sua cintura, guiando-o na direção da rua. — Vem, o táxi está esperando.

Ainda o ouço rir com acidez, mas ignoro e continuo andando.

Quando entramos no carro, passo as instruções do endereço do Cadu ao motorista e o ajudo a colocar o cinto de segurança. Cada segundo em que toco o seu corpo, recordo dos momentos íntimos que tivemos, dos beijos e carícias que trocamos. Cada toque me inebria.

Ele fecha os olhos quando o carro se movimenta, parecendo estar incomodado com a luz que vem dos prédios. O cheiro de uísque invade o interior do veículo, fazendo o meu peito se apertar angustiado, imaginando a quantidade de álcool que ele consumiu.

A viagem é feita em silêncio até o Leblon. Ao chegarmos em frente ao prédio que ele mora, volto a abraçá-lo pela cintura para que possa se firmar e seguimos para o elevador.

Eduardo está abatido. Caminha cambaleante, escorando-se na parede.

Eu poderia simplesmente deixá-lo aqui e ir embora, afinal, já está em casa. Mas algo dentro de mim grita com força para que eu entre com ele. Por mais que eu queira seguir a minha consciência e continuar distante, meu coração pede que eu fique, e é isso que faço.

— Onde está a chave do apartamento? — pergunto.

— No meu bolso — informa.

Pego a chave, destranco a porta e entramos. Ao acender a luz, deparo-me com a sala bem decorada e moderna, com paredes em tons pastéis. Continua exatamente igual a quando vim aqui com papai há alguns meses.

Vejo-o colocar a mão sobre os olhos e gemer baixinho, como se sentisse dor. Ele se movimenta e caminha até o sofá, deitando-se de olhos fechados.

— Não irei deixar você aqui. Irá acordar quebrado pela manhã. Vamos para o quarto.

Mais uma vez, ele não contesta, então o ajudo a se levantar e o levo na direção do quarto principal. Deito-o na cama e começo a tirar a sua camisa, na intenção de colocá-lo debaixo do chuveiro.

Ele sorri. É um sorriso forçado, mas ainda assim encantador.

Termino de desabotoar os botões e subo na cama para suspender suas costas e arrancar o tecido branco pelos braços. Após acomodar sua cabeça em cima do travesseiro, desço minhas mãos até sua calça e também a tiro.

— Precisa de um banho frio, Cadu, vai se sentir melhor.

Perco o fôlego ao observar o seu corpo bronzeado e suado quase nu, apenas o pênis coberto por uma cueca boxer branca. Passo os meus olhos pelo peito forte, salpicado por alguns fios de cabelos negros, e ofego. Sinto vontade de tocá-lo e sentir a maciez da pele, mas me contenho.

— Vamos.

Levo-o até o banheiro e o coloco debaixo do chuveiro. Ligo a água fria e continuo firmando-o, sentindo o líquido molhar os nossos corpos e ensopar as minhas roupas.

— Preciso que pegue alguns comprimidos para mim em cima do balcão da cozinha — diz, ofegante. — Não estou tão bêbado assim, Bia… Na verdade, estou com uma puta dor de cabeça. O álcool que consumi só piorou um pouco as coisas.

Quando ouço sua voz fraca e sussurrada, sinto minhas bochechas corarem envergonhada. Afasto-me um pouco e o fito, completamente incrédula no que acabei de ouvir. Não é possível que ele me permitiu tirar suas roupas e colocá-lo debaixo do chuveiro e, só agora, me diz isso. Não… Qualquer um ficaria extremamente bêbado ao consumir toda aquela bebida…

— Mas você secou uma garrafa de uísque… É impossível não estar…

— Por favor… Os comprimidos. — Percebo que ele tranca os olhos e suspira, demonstrando estar sofrendo muito mais do que imaginei. Diante do seu apelo, corro até a cozinha e encontro algumas cartelas de analgésicos em cima do balcão. Encho um copo com água e corro de volta para o quarto.

Encontro-o sentado na cama com uma toalha enrolada na cintura. As mãos trêmulas estão na testa, protegendo os olhos da claridade.

— Tome, Cadu. — Ele pega a água e os compridos da minha mão. Toma dois analgésicos e me entrega o copo.

— Por que ainda está aqui, Beatriz? — questiona. A expressão de dor dá espaço a algo parecido com raiva. O azul do seu olhar se intensifica. — Seu namorado não vai gostar de saber que está sozinha em um apartamento com um homem, pelado. E pior, que foi você mesma quem tirou as roupas dele. — Sinto a hostilidade vinda da sua voz, mas ignoro. Coloco o copo em cima do criado-mudo e volto a minha atenção para ele.

— Não devo satisfações a ninguém, Eduardo — respondo, magoada. No entanto, procuro disfarçar ao máximo o quanto suas palavras me ferem. — Deite-se, precisa descansar.

Ajudo-o a se agasalhar na cama e o cubro com a colcha macia.

Ao me levantar para ir embora, olho-o uma última vez, no momento exato em que ele também me fita.

— Por favor, não vá. Fique comigo essa noite — sussurra. O olhar angustiado fixa no meu.

Suspiro. Sei que devo negar o seu pedido antes que seja tarde demais, mas não consigo. Eu não conseguiria ir para casa e deixá-lo ali, sofrendo. Apenas assinto com a cabeça e o vejo fechar os olhos, a expressão fechada tornando-se aliviada.

Apago a luz do quarto, deixando apenas um pequeno abajur aceso, e corro até o armário de roupas dele. Pego uma blusa qualquer, tiro o meu vestido e peças íntimas molhadas e me visto com a camisa. Em seguida, sigo até a cama.

Assim que me aproximo, ouço sua respiração pesada e constato que ele adormeceu. Afasto a colcha que o cobre e aconchego-me no seu corpo imóvel. Deslizo minhas mãos pelo seu peito nu, admirando a musculatura rígida, e ofego, sentindo meu corpo se excitar apenas por tocá-lo.

Beijo o seu peito de leve e subo, deslizando os lábios pela pele quente do seu pescoço e queixo, sentindo os fios da barba arranhando-me, o cheiro de homem misturado a uísque invadindo cada pequena célula do meu corpo. Beijo e mordisco a sua pele até alcançar a boca macia e, então, roço os meus lábios nos dele devagar, dando a ele todo o amor que guardo dentro do meu peito.

Com a respiração descompassada, descanso a minha cabeça no seu peito até me acalmar e também adormeço.

CARLOS EDUARDO

Abro os olhos com dificuldade, sentindo um enorme peso na minha cabeça. Minhas pálpebras doem, mas, ainda assim, me forço a mexer o corpo em meio ao breu. Tudo está escuro e silencioso aqui dentro, permitindo que eu escute os sons da noite lá fora: o barulho de carros e sirenes transitando pelas ruas do Rio.

Ouço uma respiração profunda vinda do meu lado na cama e constato que não estou sozinho. Confuso, tateio debaixo dos lençóis até conseguir sentir a pele quente e macia do que imagino ser as pernas de uma mulher, fazendo com que eu me esforce mais para lembrar que diabos aconteceu.

Flashes do dia rondam a minha cabeça como um vendaval. A faculdade. Beatriz feliz com outro homem. As rosas que joguei no lixo. Maldição!

Meus nervos se tensionam de uma forma terrivelmente dolorosa e a dor que tanto lutei para esquecer volta com toda a sua força. Sinto minha alma em pedaços.

Movo o meu corpo para conseguir me sentar, sentindo cada nervo doer, e, quando finalmente consigo, ligo o abajur e volto a minha atenção para a mulher que dorme profundamente de bruços, com o rosto agasalhado no travesseiro.

Puta que pariu! Bia?

Os cabelos dela estão espalhados sobre a cama, deixando-a tão linda como um anjo. Os cílios pretos e densos emolduram os olhos que tanto me fascinam, fazendo-me tremer de angústia e uma vontade louca de tê-la em meus braços. Ofego e fecho os meus punhos ao imaginar tudo o que pode ter acontecido. Que merda ela está fazendo aqui?

Puxo um pouco os lençóis, revelando os ombros estreitos e as costas bem delineadas cobertos por uma das minhas camisas de trabalho. Meu pênis começa a inchar entre as minhas pernas, tomado pelo desejo obsceno que sinto ao vê-la tão vulnerável a mim.

A cada minuto, uma lembrança diferente me atinge e, de repente, tudo começa a fazer sentido.

Recordo-me de jogar as flores no lixo e seguir de volta para a empresa, onde me enfiei de cabeça no trabalho até anoitecer. Eu só queria arrancar aquela cena da minha mente, antes que eu enlouquecesse de vez. Estava fora de mim, odiando-me por ser fraco e ter permitido que uma menina me prendesse na sua teia daquela forma.

Continuo descendo a merda do lençol até deixá-la quase completamente descoberta. Preciso fechar os olhos e gemo baixinho quando vejo o traseiro nu descoberto, um pouco arrepiado pela falta do lençol. Porra!

Ela está sem calcinha. E está tão perto de mim… Tão doce… linda.

Fascinado, toco a pele clara e lisa como seda. Meus dedos tremem ao sentir a maciez dessa parte do seu corpo. A vontade de tomá-la me inebria de uma forma terrivelmente dolorosa e, por um instante, me esqueço do estado caótico em que me encontro e no quanto ela pode ser perigosa.

Continuo deslizando minha mão pelas suas coxas e subo-as novamente, até alcançar os quadris arredondados. Encosto o meu rosto em seus cabelos, inspiro o aroma refrescante que emana deles e ofego. Mordo o meu lábio com força quando o desejo me deixa tonto. Preciso usar todo o meu autocontrole para não a acordar e tomar o seu corpo para mim até o dia amanhecer.

Suspiro e retiro a parte do lençol que me cobre. Meu pau salta duro feito uma rocha, complemente melado, louco para ser enterrado dentro dela.

Porra!

Irritado, saio da cama e caminho na direção do banheiro. Ligo o chuveiro e permito que a água fria leve embora um pouco do meu tormento.

Recordo-me de ter recebido uma ligação de Priscila, questionando se eu não iria à sua festa de despedida de solteira. Eu simplesmente havia me negado a comparecer, disse que precisava esfriar a cabeça um pouco.

Já passava das oito da noite quando saí da empresa e comecei a dirigir sem rumo pelas ruas do Rio. Meu peito estava sufocado, a saudade dela estava me destruindo e a cena que vi só serviu para me afundar ainda mais. Minha cabeça doía como nunca, era insuportável, mas, ainda assim, não me feria tanto quanto a dor que estava cravada no meu peito.

Eu a havia perdido. Deixei Beatriz escapar por entre os meus dedos e estava pagando o preço. Eu merecia aquilo.

Nem me dei conta quando estacionei o carro em um barzinho qualquer da orla e pedi uma garrafa de uísque ao garçom. Tomei algumas doses de uma única vez, a bebida descia rasgando pela minha garganta como fogo líquido.

A dor de cabeça e o álcool me deixaram tonto e, por um momento, achei que estivesse sonhando quando ouvi a voz dela, chamando-me. Mas não era sonho, ela estava ali na minha frente, sozinha.

Termino o banho e enrolo a toalha em volta da minha cintura. Enquanto escovo os dentes para tirar o gosto amargo da boca, ouço alguns passos vindos do quarto, dando-me a certeza que ela também acordou.

Passo a mão em meus olhos, sem muita certeza do que irei dizer a ela. O que eu poderia falar? Que estou apaixonado? Que a quero para mim? Maldição!

Como pude deixar isso acontecer? Porra!

Termino de enxaguar o rosto, respiro fundo e abro a porta. Quando saio do banheiro, percebo que ela acendeu a luz principal do quarto e está concentrada olhando algo em suas mãos. Parece ser um papel.

Ela mordisca o lábio, com um movimento deliciosamente sexy e eu suspiro, querendo-a como um animal faminto. Quando me aproximo, Beatriz levanta a cabeça e me fita. As íris esverdeadas brilham com luxúria. Seu olhar hipnotizante varre o meu abdômen nu sem nenhum pudor, e a vejo encostar as pernas uma na outra, esfregando-as.

Caralho! Grunho com este movimento inconsequente, sentindo meu pênis ficar tão duro quanto uma barra de ferro. Ela percebe o volume que se forma entre as minhas pernas, deixando a toalha armada como uma barraca, e volta a me encarar com os olhos acesos e assustados.

— Cadu, encontrei isso na sua camisa… — gagueja com o olhar assustado. Parece nervosa. — Meu Deus, as rosas… Foi você!

Então é isso. É o recibo da floricultura que está em suas mãos.

Passo a mão por meus cabelos, nervoso. Ela sabe disfarçar tão bem o que sente que por pouco me convence. É certo que está fingindo-se preocupada, quando na verdade deve estar rindo da minha cara. O que tem de linda tem de mentirosa.

— Isso não tem importância agora! — Caminho na sua direção a passos firmes, a expressão séria, meu corpo tomado pelo desejo e o ciúmes. De onde estou, consigo ouvir sua respiração descompassada. — Não finja que sente alguma coisa, Beatriz, isso não combina com você.

Ela dá alguns passos para trás e então se choca com o armário de roupas, ficando presa entre mim e o móvel.

— Você entendeu tudo errado… Eu e o Victor…

— Não fale o nome daquele bastardo! — interrompo-a, enfurecido. — Me diga. Por que está aqui? Por que decidiu ficar? — pergunto com o coração acelerado, agarrando-me à esperança de que ela ainda me queira. — Diz!

— Você estava bêbado, eu não poderia deixá-lo naquela situação — responde, ofegante, o olhar vidrado no meu.

Maldita! Sinto o ciúmes corroendo-me por dentro, mas o desejo louco de tê-la nos meus braços ao menos uma vez fala mais alto que qualquer coisa.

— Só por isso?

— Não! — responde, fitando a minha boca — Eu quero você…

Quando ouço suas palavras, sinto meu corpo ser tomado por uma espécie de fogo ardente que consome cada célula do meu autocontrole.

Rendido pelo poder que ela exerce sobre o meu organismo e a minha mente, perco a razão dos meus atos e seguro o seu rosto, trazendo a boca carnuda e suculenta para a minha. Quando entreabro os seus lábios com os meus e penetro a língua na sua boca, sinto-a estremecer e gemer em meus braços.

Eu a quero como nunca quis nenhuma outra mulher, nem mesmo a minha ex-noiva. O que estou sentindo por Beatriz vai muito além do que já senti por alguém antes e confirmo isso na forma enlouquecedora com a qual meu corpo corresponde ao dela.

Sem desgrudar nossas bocas, desço minha mão pelas suas costas e quadris, avaliando cada pedaço da minha camisa no seu corpo. Ela também não fica atrás, mordisca os meus lábios e desliza as mãos delicadas pela minha barriga, até chegar à borda da toalha.

— Eu quero tudo de você, menina — sussurro entre seus lábios. — Sua boca, sua boceta, seu traseiro delicioso.

Beatriz geme e firma-se em meus braços quando afasto suas pernas com as minhas e deslizo as meus dedos entre as suas coxas. Cavo cada curva do sexo pequeno e escorregadio, enfiando os meus dedos entre os lábios da boceta melada.

— Tão quente… Vou te comer de todas as formas esta noite.

— Cadu… — choraminga e me aperta mais… — Ai!

Esfrego o clitóris endurecido e o prendo entre os meus dedos, fazendo Beatriz perder o equilíbrio das pernas. Seguro-a com mais firmeza e penetro o indicador no seu canal. Os líquidos da sua vagina lambuzam a minha mão e eu ofego, louco pra sentir seu gosto na minha língua.

— Diabos! Está pingando de tão molhada. — Minha voz sai rouca, sussurrada. — Abre mais as pernas. Se entregue para mim.

Mesmo trêmula, ela obedece e faz o que peço, dando-me total acesso ao centro do seu prazer.

Em um só movimento, trago suas mãos para a frente da toalha e faço com que ela segure o meu pênis através do tecido grosso. Beatriz puxa o tecido para baixo e liberta o meu pau, fazendo-o saltar para fora, cheio de veias vigorosas, inchadas e pulsantes.

— Ai, meu Deus… — Minha menina choraminga, envolvendo meu cacete em suas mãos. A respiração descompassada, a voz entrecortada.

— É isso que você quer, não é? — Mordo a pele do seu pescoço e chupo, para logo depois voltar a murmurar: — Quer o meu pau todo enfiado dentro de você?

— Sim — admite, arfante.

Aperto o seu traseiro e desfiro um tapa na nádega esquerda. Ela grita e enfia as unhas em minhas costas, tomada pela paixão que nos envolve.

Em um movimento brusco, puxo-a para mim e a ergo do chão, fazendo Beatriz gritar pelo susto e se agarrar ao meu pescoço. Seguro a sua bunda com firmeza e abro as suas pernas, trazendo a boceta arreganhada de encontro ao comprimento do meu pau.

Ela geme ao sentir meu membro pulsando entre os lábios da sua vagina, esmagando e esfregando o pequeno clitóris.

Caminho com ela em meus braços e a deposito sobre a enorme cama. Arranco minha camisa do seu corpo, deixando-a nua, e sorrio ao observar seu olhar assustado, analisando cada centímetro do meu membro longo e grosso.

Cego pelo desejo, seguro os cabelos da sua nuca e a beijo, enfiando e tirando a minha língua da sua boca, de forma imoral, dura e crua, deixando claro que essa noite ela será minha e eu farei o que quiser com o seu corpo.

Quando cesso o beijo, apoio os meus pés no chão, ficando inclinado entre as suas pernas e, ainda segurando os cabelos compridos, puxo sua cabeça na direção do meu pau, fazendo-a abrir a boca avermelhada e chupar a cabeça.

— Porra! — grunho entorpecido quando sinto a língua quente de Beatriz envolvendo o cogumelo melado de excitação. Impulsiono o quadril para a frente, enrolo seus cabelos em minha mão e vou ao delírio ao vê-la abrir mais a boca, tentando me tomar o máximo que consegue. Seus movimentos são inexperientes, isso me faz questionar se ela já fez isso antes, mas o calor dos seus lábios envolvendo o meu pau é devastador. Fico completamente louco. — Assim, querida, engole tudo o que é seu — digo, hipnotizado.

Beatriz segura o meu cacete com as duas mãos e o afasta, tomando fôlego, para logo depois voltar a chupá-lo. Impulsiono o meu quadril mais uma vez e começo a bombear com mais força, fazendo-a engolir até a metade.

Os sons das suas lambidas e chupadas me inebriam.

Seus olhos lacrimejam e ela grunhe sem ar, vermelha. A saliva escorre pelos cantos da sua boca.

Sinto suas mãos massageando minhas bolas pesadas, e subindo pelo meu comprimento, fazendo movimentos de vai e vem em uma tortura deliciosa. Preciso respirar fundo para não explodir em sua boca e, então, me afasto.

Não espero que ela tome fôlego. Abro as suas pernas bruscamente e me ajoelho nos pés da cama, trazendo o seu corpo para mim.

— Cadu… Ai … — geme.

Beatriz sustenta o corpo nos cotovelos e me encara, curiosa. Os lábios ainda estão molhados com uma mistura de saliva e a excitação do meu pau.

Passo o dedo pela sua boceta linda toda depiladinha, ouvindo-a grunhir, e observo os grandes lábios se abrirem, revelando o feixe de nervos rosados e inchados.

— Cadu … — Beatriz geme, tentando fechar as pernas, mas eu as seguro com força. Usando dois dedos, abro sua boceta um pouco mais e enfio o meu rosto entre as suas coxas, sentindo o cheiro cru do seu sexo penetrando as minhas narinas.

— Como eu desejei isso, menina — sussurro. — Como quero lamber essa boceta.

— Eduardo! — ela grita quando sugo o clitóris para dentro da minha boca, para logo depois esmagá-lo com a minha língua, chupando e lambendo sem pena. — Oh! Céus!

Bia arqueia o corpo e impulsiona os quadris de encontro ao meu rosto. Aproveito para meter a língua lá dentro, fazendo Beatriz gritar novamente, desesperada.

— Ahhh! — Ouço seus gritos indecentes, repletos de prazer e luxúria, mas não paro. Continuo metendo a língua na sua abertura escorregadia, vendo minha menina esfregar a boceta no meu rosto, alucinada de tesão.

Chupo e mordisco o montinho inchado, em seguida, desço para a abertura pingando e lambo de baixo para cima, arrancando outro grito da sua garganta.

— Cadu… Ai, meu Deus! — Ela fecha os olhos e impulsiona os quadris, alucinada. O corpo começa a tremer. — Eu vou gozar…

Afasto-me um pouco ao sentir o seu corpo convulsionando e vou à loucura quando vejo o buraquinho da sua vagina pulsando, os líquidos do seu gozo escorrendo até a entrada do cuzinho gostoso.

BEATRIZ

Quando os espasmos do meu corpo diminuem, sinto os lábios dele sobre a minha barriga, subindo até alcançar um dos meus seios. Ele lambe e mordisca o bico devagar, puxa com cuidado, e suga, para logo depois dar a mesma atenção ao outro.

Eduardo abre mais as minhas pernas e monta sobre o meu corpo, fazendo-me sentir todo seu peso e calor. Ofego.

Os lábios experientes continuam explorando cada cavidade do meu busto até chegar ao lóbulo da minha orelha e mordiscá-lo. Sinto todos os meus pelos se arrepiando.

— Como você é linda, Bia. Deliciosa… Uma tortura em forma de mulher.

A boca quente desliza pelo meu pescoço e sobe até o queixo, fazendo-me desejar outro beijo.

No entanto, ele se afasta e ergue os meus joelhos, abrindo as minhas pernas até o limite, deixando meu sexo completamente exposto. Meu corpo gela ao sentir a cabeça robusta do seu pênis entre os lábios da minha vagina. Eduardo me olha com a testa franzida e pincela o pau no meu clitóris, esmagando-o sem nenhuma pena, sem tirar os olhos dos meus.

Ele para na minha entrada e, então, impulsiona o quadril com firmeza.

— Ahhh! — grito e contraio o meu corpo ao sentir a invasão do seu pênis grosso dentro da minha vagina, esticando-me além do limite até se deparar com a barreira da minha virgindade. — Cadu… — Coloco a mão na sua virilha e o empurro, meus olhos marejados de lágrimas.

Percebo que ele me encara surpreso, a expressão parecendo confusa.

— Ainda é virgem — sussurra — Por que não me disse? — Sua voz se torna dura, rude. — Eu pensei que…

— Não… Nunca fui de outro homem, Cadu. Eu me guardei para você todos esses anos… — Sinto uma lágrima escorrer pelas minhas bochechas, mas ele a seca com a palma da mão.

— Me perdoa… — Seus lábios quentes e suaves se apossam dos meus, enquanto os dedos ágeis procuram o feixe de nervos entre as minhas pernas. — Quer que eu continue?

Assinto com a cabeça e ele sussurra: — Vou meter devagar, princesa, aguente firme.

Cravo minhas unhas nos lençóis quando ele coloca as minhas pernas sobre os ombros e direciona o pênis na entrada do meu sexo mais uma vez. Não consigo segurar outro grito ao ser invadida lentamente e soluço ao sentir seu pênis me esticando, como se fosse me partir ao meio. É demais para mim.

— Céus! — berro, enterrando as minhas unhas na carne do seu braço, sentindo a ardência do meu hímen sendo rompido. — Você é grande… Ai!

Suas mãos apertam as minhas coxas e ele continua enfiando com firmeza, até suas bolas baterem na minha bunda.

— Diabos, menina… que boceta deliciosa. Porra!

Choramingo dolorida e ele se inclina para alcançar os meus lábios, beijando-os suavemente.

— Passou, Bia. Você é minha agora.

Eduardo se afasta e retira o pênis todo melado de sangue do meu sexo. Esfrega a cabeça inchada entre os meus lábios vaginas e volta a me penetrar, estocando até o fundo.

— Ah! — reclamo pelo incômodo. Meu corpo ainda treme por causa da dor descomunal.

Procuro os olhos oceânicos e me perco no azul vibrante das suas íris. Eduardo também me fita, mas permanece imóvel, esperando que eu me acostume com o seu tamanho.

Seus dedos massageiam o meu clitóris de leve e eu me contorço com a mistura vibrante de prazer e ardência. Cada milímetro do meu sexo está dolorido.

Ao ver que estou mais relaxada, ele volta a tirar o pau todo, deixando apenas a cabeça dentro de mim e então enfia novamente até o talo. Grito e choramingo, alucinada, enquanto ele me come cada vez mais rápido e profundo.

Lambe e mordisca o meu pescoço, subindo devagar até a minha orelha. Sinto o calor da sua respiração no meu rosto e ofego, entregando-me às sensações de prazer que começam a surgir.

Cravo os meus dedos entre os seus cabelos e procuro a maciez da sua boca, ouvindo o meu homem gemer cada vez mais alto.

Continuar: parte 8 de 9