A Menina do CEO
Capítulo
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 9 partes.
Gracy solta um suspiro aliviado, colocando a mão no peito. No entanto, há algo que ainda não se encaixa.
— E este Pedro? O que ele fez?
— Eu não sei. Bia disse para conversarmos depois porque agora ela não está com cabeça para isso.
Assinto, mesmo não me dando por satisfeito sobre as informações. Não enquanto não descobrir cada detalhe do que aconteceu aqui.
Ao virar-me para ir embora, vejo Raquel aproximando-se com um sorriso aberto, mantendo a satisfação estampada no olhar. Ela chega até mim, ignora Gracy completamente, e faz menção de entrelaçar as mãos no meu pescoço.
— Mi amor, pensei que já tivesse ido embora. Será que pode me levar para cas…
— Tire as mãos de mim, Raquel — advirto, segurando o seu pulso com firmeza. — Você me enoja, mulher!
Ela arregala os olhos, surpresa, mas ainda tenta me tocar.
— Querido, o que aconteceu? — pergunta, mas, antes que possa concluir a fala, a mulher é interrompida pela voz de Gracy.
— Então é você a Vaquel?
Virando-se na direção da garota, Raquel a encara e franze a sobrancelha, surpresa.
— O que disse? — questiona, nervosa, passando a mão nos cabelos.
Vejo Gracy gargalhar cinicamente. Mal posso acreditar no que ela faz quando se aproxima de Raquel e acerta um soco bem em cima do olho esquerdo. As duas soltam um grito de dor.
— Nunca mais se aproxime da minha amiga, sua vaca — adverte Gracy, fora de si, enquanto sacode a mão no ar. — Porra! Como isso dói! — reclama.
— Você é louca! — grita Raquel, levando a mão ao machucado, enquanto tenta se reequilibrar, apoiando-se nas pessoas à sua volta.
Ainda estou chocado, observando a cena, mas não consigo evitar que um sorriso divertido escape da minha garganta assim que Raquel se aproxima de mim.
— Vai deixar essa pirralha me agredir, mi amor?
Gargalho e dou de ombros. Com certeza, essa é uma briga na qual não irei me meter.
— Não me diga que está com medo de uma garota, Raquel? — provoco.
Gracy resmunga algo que não consigo compreender e coloca um cacho do cabelo rebelde atrás da orelha, ao mesmo tempo em que encara Raquel com olhar ferino.
A mulher esbelta, mas terrivelmente enjoativa, me encara com ódio no olhar, olha para a garota do meu lado e nos dá as costas. Sai, pisando fundo.
— Ei, Raquel! — chamo-a. Ela se vira, curvando os lábios em um sorrisinho vitorioso. — Antes que se vá … Quero deixar claro que ratifico o que disse a Gracy. Não se aproxime mais da Bia ou se verá comigo. Aliás, não se aproxime de mim também. Se insistir, tomarei medidas judiciais.
O sorriso vitorioso morre em seu rosto e o olhar de ódio retorna, agora acompanhado de algo mais: decepção, rancor, humilhação. Encaro Gracy e aceno, murmurando um obrigado silencioso. Ela balança a cabeça em afirmativa e retorna até onde deixou seu parceiro.
Caminho na direção da porta de saída, pego o meu carro e arranco para casa. Os pensamentos vagueiam para longe, diretamente nos olhos brilhantes que tanto me fascinam. Minha mente diz para que eu continue longe e a esqueça de uma vez por todas, mas há algo que me impele a ir atrás dela, mesmo eu não tendo o que dizer. A lembrança dela indo embora com outro homem me faz perder toda a órbita. Trinco os dentes e piso o pé no acelerador. A adrenalina acompanha o meu estado caótico.
Quando dou por mim, estou estacionando o carro em frente à casa de Felipe. Eu me camuflo debaixo de uma árvore, pego o telefone e ligo para ela. Suspiro aliviado quando Beatriz atende no terceiro toque: — Cadu?
— Oi, Beatriz. Tá tudo bem? — questiono, apesar de saber que essa não passa de uma pergunta idiota.
— Sim, está! — responde seca, a voz ainda rouca pelo choro. — O que deseja?
— Quero conversar com você um minuto — digo, indo direto ao que interessa.
— Olha. Eu estou muito cansada e…
— Eu estou em frente à sua casa. — Ouço sua respiração ofegar do outro lado e, de alguma forma, isso me instiga, me excita de uma maneira terrivelmente dolorosa.
— Eu… não sei se é uma boa ideia.
— Prometo que não tomarei muito do seu tempo. Serei breve.
— Tudo bem… Irei descer em alguns instantes.
Os minutos se arrastam em câmera lenta, parecendo se transformar em horas. Após o que parece uma eternidade, vejo o vulto de alguém no portão. Beatriz se aproxima do carro, envolvida em um roupão preto. Abro a porta do carona à sua espera.
À medida que ela caminha, analiso cada detalhe do corpo pequeno, marcado pelo tecido de seda. As formas bem feitas e voluptuosas fazem o meu pau reagir com espasmos, empurrando o tecido da minha calça.
Trinco os meus dentes, sem conseguir controlar a ereção que me toma só por vê-la se aproximar, parecendo um bichinho acuado. Os cabelos soltos, balançando ao vento, deixam-na extremamente deliciosa.
Bia para, um pouco reticente, e me encara, confusa. Indico para que ela entre e, quando o faz, dou a partida e sigo para um local mais reservado, longe dos olhares curiosos.
— Para onde estamos indo? — questiona, olhando para os lados. — Acho que não estou vestida adequadamente para sair por aí.
Paro o carro no acostamento, debaixo de uma árvore de sombra espessa, e suspiro.
— Não se preocupe. Não seria muito inteligente conversarmos em frente à sua casa, acho que seu pai não veria isso com bons olhos. — Destravo o cinto de segurança e viro-me na sua direção.
Ela me encara com um certo interesse.
— Eu soube da Raquel. Soube o que ela disse a você na boate — digo, fitando-a. — Beatriz estreita os olhos e permanece calada por alguns instantes, permitindo que eu continue. — Imagino que tenha acreditado nas palavras dela.
Seu suspiro desconfortável corta o ambiente, mas não impede que ela responda com calma: — Pra falar a verdade, eu não sei… Aconteceram tantas coisas… — Leva as mãos aos cabelos e os penteia com os dedos, parecendo desnorteada. — Mas de qualquer forma, isso não importa agora. Você não me deve nenhuma satisfação…
Ouvir essas palavras da sua boca deveria fazer com que eu respirasse aliviado. Até porque ela tem razão, não devo satisfações a ninguém. No entanto, suas palavras me causam um efeito contrário, e tudo que sinto é um aperto estranho no peito. Um buraco negro que cresce a cada maldito segundo. Um vazio que me deixa tonto.
Cada movimento que ela faz me fascina de uma forma enlouquecedora e, quando cravo os meus olhos nos lábios avermelhados, a vontade de beijá-los é tanta que me sinto sufocado.
— Eu não irei me casar… — digo. Não sei de onde vem tamanha necessidade de deixá-la a par disso. Mas é preciso. — Você sabe que Raquel era apenas uma amiga. Alguém que ficou no passado.
— Cadu, não sei por que está me dizendo essas coisas agora, mas não é necessário. Não precisa se explicar. — Ela suspira e se agarra ainda mais no roupão. — Sei que está preocupado comigo porque é o amigo do meu pai, principalmente depois de toda aquela confusão que armei no hotel. — Ela me fita, parecendo decidida. Neste instante, sinto uma agonia inexplicável nascer em meu âmago. A conversa está tomando uma direção que eu não esperava. — Acho que lhe devo um pedido de desculpas. Não deveria ter feito o que fiz… As fotos, as provocações… Enfim, tudo. Peço que me desculpe, por favor. Isso não vai voltar a acontecer.
Se ela tivesse dito essas coisas há algum tempo, certamente eu teria relevado e fingido que nada realmente havia acontecido. Eu me sentiria até aliviado. Mas, apesar de admirar a forma franca e madura com que ela conversa comigo agora, sinto algo bem diferente de alívio.
Um gosto amargo predomina em minha boca, fazendo minha garganta ficar seca. O pior é que não consigo decifrar que diabos está acontecendo. Tenho uma sensação de perda. Mas como estar perdendo algo que nunca tive?
Ainda encarando-a, pergunto algo que está martelando a minha mente há dias, impedindo que eu raciocine direito: — Você está saindo com aquele cara? Está indo pra cama com ele?
Beatriz abre e fecha a boca algumas vezes, sem conseguir formular uma resposta. Contudo, não espero que ela diga algo. Aproximo-me certeiro, fitando os lábios macios que tanto me enlouquecem, pronto para tomá-los em um beijo ardente. Ela não pode simplesmente ter me esquecido assim, não agora, quando não consigo arrancá-la da minha cabeça. Maldita!
BEATRIZ
Não sei se estou mais trêmula por ter aberto o jogo com ele, pedindo desculpas, ou por estar dentro de um carro desse nível ao lado dele. Já estive em veículos de alto luxo, mas este é exageradamente luxuoso. Tenho até medo de tocar em algo ou deixar alguma mancha no estofado. É como se eu estivesse sentada em cima de milhões de dólares.
Céus, que merda eu fui fazer? Como pude achar que conseguiria conquistar um homem como ele? Rico e poderoso, e, ao mesmo tempo, mesquinho e mulherengo. Um idiota metido a filantropo. Pensando bem, como pude me apaixonar por ele?
Cadu me olha de uma forma enigmática. Está sério, os olhos focados em cada compartimento do meu rosto, o maxilar trincado.
— Você está saindo com aquele cara? Está indo pra cama com ele? — pergunta.
O rosto está tão expressivo em raiva que, por um instante, sinto-me acuada. Abro e fecho a boca, sem reação. Quem ele pensa que é para me questionar? Ele me rejeitou, não tem o direito de se intrometer na minha vida.
Meu coração dispara quando vejo a aproximação dele, fitando a minha boca. Parece decidido, o que me deixa ainda mais confusa. O que esse homem quer? Quer me humilhar mais?
Coloco a mão em seu peito para contê-lo, enquanto as palavras daquela mulher ainda martelam na minha cabeça. Mesmo que ela tenha mentido, ainda o odeio por se envolver com alguém de tão baixo nível, uma qualquer. Mais uma razão para que eu me mantenha longe.
Quando Eduardo encosta a boca na minha, na internação de roubar um beijo, viro o meu rosto e o empurro novamente, pedindo para que se afaste. Seu corpo forte não se move. Minha força comparada à dele é praticamente nula e tudo o que faço é ranger os dentes para evitar que um gemido escape quando os lábios experientes beijam e mordiscam o lóbulo da minha orelha. Meu corpo inteiro se arrepia.
O cheiro do seu perfume me inebria e minha voz sai entrecortada: — Pare com isso! — exijo. Não irei me render aos beijos desse safado, ainda tenho orgulho.
— Me deixe beijá-la, menina — sussurra no meu ouvido. — Estou ansiando por isso.
Balanço a cabeça em negativa e me afasto mais, enquanto minhas mãos continuam na tentativa falha de empurrá-lo.
— Ficou louco? Foi você mesmo quem disse o quanto me queria longe e agora quer me beijar? O que acha que sou, senhor Carlos Eduardo? Um brinquedo para você jogar de um lado para o outro como bem quiser?
Vejo-o afastar o rosto e me encarar. A cor do seus olhos se intensifica ao mesmo tempo que sua expressão se torna mais fechada.
— Apenas um beijo! — Ele volta a se aproximar, segurando os fios de cabelo na minha nuca. Como se eu estivesse dentro de uma espécie de hipnose, sentindo meu queixo tremer, fecho os olhos quando os lábios experientes tocam os meus e, em seguida, ele penetra a língua dura e possessiva dentro da minha boca. Ofego.
Sinto seu gosto misturado a um leve sabor de álcool e quero mais. Contudo, prometi a mim mesma que não iria mais sucumbir ao desejo e à paixão que sinto por ele. Mordisco seu lábio inferior uma última vez e me afasto, ao mesmo tempo em que tateio a porta do carro, tentando abri-la.
— Eu sinto muito, Cadu. Falei muito sério quando me desculpei e disse que não faria mais aquelas loucuras. Estou tentando fazer o que me pediu, mantendo-me afastada. Então, por favor, não confunda as coisas. Você é o amigo do meu pai, como você mesmo gosta de destacar, e apenas isso — relembro-o.
Eduardo nega com a cabeça, como que decidido a conseguir o que quer. Passa a língua nos lábios e acaricia o meu rosto levemente.
— Você me quer, princesa, não tente negar. Vi o quanto estava abalada na boate após o que a louca da Raquel disse… — Seus dedos passeiam por meus lábios e os acaricia. — Não há lugar para outro homem na sua vida…
Meu coração falha algumas batidas quando ouço suas palavras, expressando tanta certeza. Parece-me uma sentença maldita. Mas não lhe darei esse gostinho, não hoje e, muito menos, agora. Por mais que o ame, Eduardo precisa entender que não sou como elas. Eu o superarei e seguirei em frente.
Gargalho, mesmo sem emoção, mas no momento é o suficiente para fingir que suas palavras não têm nenhum significado para mim.
— Está enganado. — Respiro fundo para impedir que uma lágrima transborde pelos meus olhos quando relembro o ocorrido na boate. Pensar em Pedro me dói a alma. — O que Raquel falou só serviu para abrir os meus olhos. Me fez perceber o quanto estive enganada sobre os meus sentimentos todo esse tempo. Mas o que aconteceu lá antes disso, com outra pessoa, sim, me feriu como ferro em brasa, mas isso não vem ao caso agora.
Franzindo a sobrancelha, ele questiona: — O que quer dizer, Beatriz? O que aconteceu naquela boate? Alguém te machucou?
— Não aconteceu nada que possa ser resolvido — afirmo.
— Me diga! — Sua expressão é séria e, ao mesmo tempo, preocupada. No entanto, ele é a última pessoa no mundo que quero que saiba o que aconteceu.
— Esqueça isso! — digo, ofegante — E… Eduardo, por favor, não se aproxime mais. Estou saindo com o Victor agora, ele é um cara legal.
Encontrando a tranca que destrava a porta, abro-a e saio o mais rápido que consigo, sem dar tempo de ele me impedir.
Bato a porta do Aventador e corro por entre as ruas mal iluminadas, rogando a Deus para não ter deixado nenhum arranhãozinho no carro. Do contrário, terei que rodar a bolsinha na esquina para conseguir pagar o reparo.
CARLOS EDUARDO
Diabos! O que foi isso? Beatriz sai do carro após jogar na minha cara que está saindo com aquele cara e corre, sumindo na rua sombreada. Merda! Irritado, ligo o veículo e saio atrás dela. Nem maluco deixaria a menina voltar pra casa sozinha a essa hora da noite.
Ao me aproximar, desço o vidro e a chamo: — Beatriz, entre no carro!
— Vá se ferrar, Cadu — xinga e continua correndo, sem me dar atenção.
Inferno!
— Não seja teimosa, garota. Não vê que é perigoso?
Beatriz me ignora, demonstrando o quanto falou sério quando disse que queria distância. Frustrado e sem um pingo de paciência, arranco o carro para ultrapassá-la alguns metros, desço e corro até conseguir alcançá-la.
— Espere. O que acha que está fazendo? — Seguro o seu braço, fazendo Beatriz parar e voltar-se para mim. — Não pode sair assim, está muito tarde.
Ao fitar o seu rosto, sinto meu coração se apertar assim que vejo as camadas grossas de lágrimas que banham a sua pele. Ela solta um suspiro e vira o rosto, evitando me encarar.
— Me deixe ir. Por favor… — Soluça. — Por que não me deixa em paz, Cadu?
Por alguns instantes, não sei exatamente o que responder a ela. Nem eu mesmo entendo por que estou aqui. Mas quando recordo das vezes em que me peguei pensando no seu cheiro, seu gosto, ou quando puxava conversa com Felipe para saber como ela estava, percebo que, pouco a pouco, Beatriz vem se incrustando na minha pele muito mais do que pensei ser possível. Imaginá-la longe, de repente, não é algo que meu corpo deseja.
— Eu não sei… — respondo ao ver que ela voltou a me olhar. — Eu simplesmente não consigo ficar longe! — confesso.
Essa constatação me atordoa, faz com que eu me recorde de anos atrás, quando era noivo e iria me casar. Eu estava apaixonado… merda!
Fito seu olhar incrédulo na minha direção e engulo em seco. Ela é tão linda, doce. Cada parte do seu corpo me enlouquece desesperadamente. Fecho os meus punhos ao sentir o meu pau tomar força de novo e me sinto um tarado por desejá-la tanto.
Ela é só uma menina! Uma menina!
Repito isso na minha cabeça mil vezes, tentando afastar o desejo de agarrá-la e fazê-la minha em cima do capô do carro. Diabos! Por que ela tinha que ser tão deliciosa?
Beatriz passa o pulso trêmulo nos olhos, secando as lágrimas, e balança a cabeça de um lado a outro. Está confusa, incerta. Não tiro a sua razão, porque é exatamente assim que me sinto.
— Eu preciso ir — diz e volta a andar na direção da sua casa, não me dando mais nenhuma chance de falar algo.
— Droga! — murmuro, nervoso, e retorno ao carro, odiando-me por sentir essas coisas. Esse desejo louco, essa vontade incontrolável de beijá-la, tocar seu corpo e sentir meu pau afundando na sua boceta enquanto a ouço gritar. Sinto minhas bolas doerem de tesão.
Passo a mão na minha barba por fazer, ligo o carro e a sigo a uma distância considerável até que ela entra em casa.
Um pouco mais calmo, pego meu celular e ligo para uma pessoa na qual confio e sei que poderá me ajudar no que preciso.
— Alô — atende o homem do outro lado da linha.
— Eu preciso de um favor — respondo. Vou direto ao ponto.
Não importa a quem eu tenha que recorrer ou subornar, descobrirei toda a merda que aconteceu naquela boate.
BEATRIZ
Fecho a porta do meu quarto às pressas, como se o mundo estivesse sendo destruído e esse fosse meu único refúgio. Meu coração bate desesperado e ainda consigo sentir o sabor dos lábios dele sobre os meus: álcool, paixão e desejo. Foi tudo o que senti naquele momento, uma mistura de sensações tão intensas que me vi sem ar.
Céus!
Estou muito abalada com essa atitude inesperada do Cadu. Mas preciso me manter firme em meu propósito de me manter afastada. Quanto mais deixar que ele se aproxime, mais eu sofrerei.
Com a mão direita sobre os meus lábios, caminho até a cama e pego meu celular. Desbloqueio o visor, verifico as redes sociais e respondo mais algumas mensagens de Gracy perguntando como estou e informando que também já está em casa.
Além das mensagens dela, há uma outra de Víctor, perguntando se estou bem.
Suspiro com pesar, imaginando o quanto ele é um cara legal e bonito. Cheio de atrativos capazes de fazer qualquer mulher cair aos seus pés. Exceto eu. Como o destino é cruel às vezes.
Mordisco meu lábio inferior e o respondo:
Sim, estou bem.
A resposta não demora. Chega alguns minutos depois, enquanto me arrumo para dormir.
Pensei que já estivesse dormindo. ;)
Estou sem sono. Desculpe por acordar você
Não se preocupe.
Estou contente que tenha sido você a pessoa que respondeu a mensagem às duas da madrugada e quase me fez cair da cama de susto rs
Bobo kkk
Sorridente, deixo o celular de lado e me agasalho debaixo dos lençóis. Os pensamentos vagueiam por minha mente como uma teia de aranha: confusos e difíceis de me livrar.
Impaciente por ficar deitada e não conseguir pregar os olhos, penso em ir até a cozinha tomar um chá calmante, no entanto, uma batida na porta me faz dar um pulo para a frente, assustada.
Na ponta dos pés, caminho até a porta, tomando todo o cuidado do mundo para não fazer barulho.
— Querida? — Ouço a voz de mamãe e não sei se me exaspero ou se respiro aliviada. Será que ela percebeu quando saí de casa novamente e veio me dar a bela de uma bronca? Por outro lado, é melhor ter sido ela do que o papai.
— Oi — respondo assim que destranco a fechadura.
Ao fitar o seu rosto, sinto meu peito se apertar devido às expressões tão bem definidas em seu rosto. Uma mistura de preocupação e mágoa.
— Querida, onde estava? — Ela desce o olhar pelo meu corpo, como se tentando adivinhar o que fui fazer na rua a essa hora. — Ouvi quando você desceu as escadas e, quando me levantei para ir até a janela do meu quarto, vi você atravessar a rua, usando apenas um roupão, e entrar em um carro escuro. O que você fez, Beatriz?
Seu olhar de descrença e decepção me faz engolir em seco, nervosa.
— Mamãe, eu não fiz nada demais. — Tento explicar — Só estava conversando com…
— Com o Cadu? Você estava com ele?
Diante da sua expressão preocupada, não consigo omitir a verdade estampada em meu rosto e apenas assinto com a cabeça. Mamãe passa a mão pelos cabelos, parecendo aflita, e caminha para o interior do quarto.
Cruza as mãos uma na outra e volta seu olhar para mim.
— Seu pai vai ficar louco se souber disso, Beatriz. Filha, ele tem o dobro da sua idade e… vocês estavam na rua, correndo o risco de serem flagrados por algum vizinho…
— Mamãe, por favor, não tire conclusões precipitadas. — Interrompo-a e me aproximo. — Entre nós dois não aconteceu nada do que está pensando. Estávamos apenas conversando.
Puxando o ar com força, mamãe balança a cabeça negativamente e me encara: — Querida, ninguém sai a esta hora usando roupão apenas para conversar com um homem dentro do carro dele. Não nasci ontem, minha filha. Sei que você ama este homem, está escrito no seu olhar em cada momento que fala dele.
— Eu sei. Eu sei. — Sinto minhas pernas tremerem, mas ainda assim caminho na sua direção. — Sei que pode parecer estranho, mas estou falando a verdade, mamãe. — Uma lágrima rola pela minha face, mas eu a enxugo com a palma da mão. — Por favor, acredite em mim, eu não fiz nada.
Mamãe olha de um lado a outro, descrente, como se tentasse acreditar no que digo, mas a dúvida falasse mais alto. Ela dá alguns passos até onde estou, segura na minha mão e diz: — Querida, eu sou a sua mãe e preciso que seja sincera comigo. — Vejo no fundo do seu olhar o quanto está preocupada com a situação. — Você… fez sexo com ele?
Balanço a cabeça em negativa, ao mesmo tempo em que mordo o meu lábio, aflita.
— Não… Nem com ele, nem ninguém. Ainda sou… virgem.
Ouço um suspiro aliviado escapar da sua boca. Ela assente com a cabeça e continua: — Amanhã irei marcar uma consulta no ginecologista pra você. Irá usar anticoncepcional.
— Como? Mas, mamãe, que parte do “eu sou virgem” a senhora não entendeu? — questiono, surpresa, fazendo um sinal de aspas com os dedos.
— Querida, eu já tive a sua idade. Está apaixonada por aquele homem, é difícil segurar. Eu sei! Por isso, ficarei mais tranquila quando tiver certeza que você estará protegida de uma gravidez.
Sinto minhas bochechas enrubescerem ao ouvir seu posicionamento. Tento explicar a ela que entre ele e eu não acontecerá nada, porém, mamãe não me dá ouvidos, deixando claro que passaremos na consulta no dia seguinte antes que eu siga para a faculdade. Antes de sair do quarto, ainda me dá o belo de um sermão sobre o uso de preservativos, como se eu fosse alguma espécie de ignorante. Mães e seus sensos de proteção exagerados.
Mas pondero que ela tem razão. Afinal, quase perdi a virgindade com o Cadu naquela noite. Claro que usaríamos preservativo, não sou tão inconsequente. Mesmo que eu não tenha ninguém em vista no momento, é melhor que comece a me prevenir.
Um pouco mais tranquila, eu me agasalho debaixo das cobertas e logo pego no sono.
No dia seguinte, acordo mais cedo que o costume, seguindo as instruções que minha mãe havia passado na noite anterior. Respondo uma mensagem do Victor, convidando-me para sair, e aceito, afinal, sou livre e desimpedida e minha missão de superar o Cadu ainda está de pé.
Saio do quarto e encontro meus pais na cozinha, tomando café. Junto-me a eles para o desjejum e, quando terminamos, sigo com mamãe para a clínica ginecológica, conforme o combinado.
O dia passa depressa, pois mantenho-me concentrada em minhas atividades. Depois de sair da clínica, sigo para a faculdade, assisto às aulas com Gracy e, mais tarde, almoçamos juntas. Durante esse tempo, conto a ela tudo o que aconteceu na boate. Gracy fica fora de si, tenho que segurá-la para que não vá na casa de Pedro armar um barraco.
Depois de fazê-la prometer ficar quieta, seguimos o plano do dia e, agora, estamos concentradas no projeto de proteção às tartarugas marinhas, no qual nos voluntariamos.
Os trabalhos de hoje, apesar de cansativos, são gratificantes. Já estamos há algumas horas auxiliando no trabalho dos biólogos, que consiste em capturar algumas futuras mamães-tartarugas para coletar material genético para estudos e colocar números de identificação nas nadadeiras Além disso, há um imenso caminho a percorrer até o nascimento dos filhotes.
Após colocar a tartaruga-mestiça de volta no mar, esboço um sorriso, admirada por todo o esplendor e beleza desses animais e, claro, admirada com a vista. A água límpida e azulada, contrastando com o amarelo forte do sol, me deixa sem ar. Meus olhos brilham, maravilhados.
Estamos em uma praia afastada da correria da metrópole, onde anualmente acontece a desova das tartarugas-mestiças no litoral carioca. Apesar da distância dos grandes arranha-céus, preocupa-me o fato de a obra que acontece a alguns metros de distância, próximo demais de alguns dos ninhos, e a grande circulação de pessoas.
Chuto uma poça de água após me afastar das demais pessoas, limpo uma gota de suor que desce em minha testa e caminho até uma das biólogas que está entretida em examinar uma outra tartaruga. Devagar, me aproximo e me sento na areia.
— Victoria, me tire uma dúvida? — A moça simpática, e de lindos olhos amendoados brilhantes, pausa o que está fazendo e me encara.
— Sim, Bia. Pode falar.
— Aquela obra ali do outro lado não vai atrapalhar a desova? — Aponto na direção de alguns homens que escavam próximo à praia. — Digo, não colocará os ovos em perigo? Percebi que há alguns ninhos por ali.
Victoria move um cacho de cabelo que se desprendeu do coque e agora teima em cair por sua testa e bochecha.
— Na verdade, sim. Mas o que podemos fazer? Além de palestras sobre a conscientização das pessoas, não há muito o que ser feito. — Suspira. — Ouvi boatos que será um resort, o maior da América Latina. Mas esse povo não quer saber se vai prejudicar a desova das tartarugas, eles só enxergam dinheiro, Bia.
Ouço sua reclamação com um enorme aperto no peito. Sinto-me de mãos atadas.
— Mas já contataram os órgãos de fiscalização ambiental? Essas coisas não são contra as normas de conservação?
Victoria chama um dos outros colegas para ajudá-la com o animal e volta a responder os meus questionários: — Infelizmente, não. A pesca e abate desses animais são proibidas por lei, mas nada diz respeito às construções habitacionais ou comerciais próximo à praia. — A mulher passa a mão na testa para secar o suor e continua: — Pelo que verifiquei, a obra possui todos os licenciamentos ambientais para seguir adiante. De todo modo, tentamos entrar em contato com o responsável pela empresa de construção, mas não conseguimos nem sequer passar da equipe de advogados.
Indignada, levanto-me, passando as mãos completamente sujas de areia pelo meu cabelo.
— Essa gente não tem um pingo de escrúpulos. Eles se negaram a receber vocês? — Vic dá de ombros e responde: — Infelizmente, sim. Fizeram pouco caso da situação e ficou por isso mesmo.
— Isso não pode continuar, Vic, precisamos fazer alguma coisa.
Ela me encara com tristeza, levanta-se e caminha na direção do mar. Acompanho-a.
— O que poderíamos fazer? Já tentamos de tudo!
— Eu não sei… Talvez se eu pudesse pedir ajuda para o meu pai, ele é advogado… — Paro no meio do caminho e concluo, esperançosa: — É isso. Pedirei ajuda para o papai. Só preciso que você me informe o nome da empresa.
Victoria para de andar um pouco pensativa e diz que irá pegar um cartão com os contatos dentro do carro. Enquanto a espero, vejo Gracy se aproximar eufórica e com um sorriso nos lábios.
— Estou me sentindo a “Gaia”, do Capitão Planeta. A salvadora da pátria.
Sorrio e assinto com a cabeça. O que estamos fazendo não tem preço e a cada segundo me sinto mais conectada e encantada com a profissão que escolhi. Em poucos minutos, Victoria retorna com um cartão de visitas e me entrega. No entanto, sinto meu fôlego falhar quando leio as inscrições informando o nome da empresa. Minhas pernas tremem e meu coração acelera pelo susto. Um gosto amargo se apossa da minha boca, deixando-me desnorteada.
Ferraz Engenharia.
— Não. Não pode ser — murmuro.
CARLOS EDUARDO
Com o auxílio de um perito em imagens, assisto à gravação das câmeras de segurança da boate na noite em que vi Beatriz.
— Não há dúvidas. É a mesma garota da foto! — afirma o homem, confiante, apontando para a foto impressa de Beatriz em cima da mesa.
Apesar dos jogos de luzes, consigo distinguir quando ela conversa com um rapaz como se já o conhecesse. Neste momento, o vídeo é cortado e continua no instante em que Bia começa a dançar e o mesmo cara a agarra por trás. Ao ver a cena, sinto uma secura incômoda se instaurar em minha garganta. Meus músculos se tensionam de uma forma absurda e uma sensação de perda me invade. É como se eu estivesse perdendo algo que nunca tive, e essa ideia me atordoa.
Contudo, ao vê-la lutar para se soltar, ao mesmo tempo em que ele a apalpa em todos os lugares sem permissão, sinto o ciúme dando espaço à ira, fazendo-me trincar o maxilar tamanha é a minha raiva.
— Porra! — Bato a mão sobre a mesa, possesso, e, puxo o ar com força. Tenho vontade de matá-lo por tocar nela dessa maneira. Desgraçado!
Continuo assistindo à gravação e, quando consigo ver o rosto do cara com melhor nitidez, peço para o perito congelar a imagem. De imediato, não reconheço a fuça do imbecil, mas, ao analisar com mais calma e atenção, percebo que ele lembra alguém que conheço.
Os cabelos pretos um pouco compridos, o porte físico magro. Diabos! É o amigo de Beatriz, o mesmo que vive com ela para cima e para baixo e que não sai da casa de Felipe. Recordo-me que o nome dele é Pedro. Estuda com ela. Ora vejam … Um lobo em pele de carneiro.
Mas que merda esse imbecil foi inventar de fazer? Era por isso que ela estava chorando, concluo, passando a mão em meus cabelos. Ela foi molestada pelo melhor amigo da maneira mais covarde possível e bem debaixo dos meus olhos. Meu sangue ferve em ira como a lava de um vulcão raivoso. As besteiras que Raquel disse a ela só pioraram a situação. Vagabunda!
— Já chega disso — digo e coloco as mãos em cima da mesa, puxando o ar em busca de calma. Peço ao perito que confirme a identidade do cara, mesmo eu já tendo certeza de quem se trata. No entanto, quero provas concretas o mais breve possível.
Passo as informações necessárias a ele e o dispenso. Acompanho o homem até a porta do escritório, retorno à minha mesa e me jogo na cadeira. Preciso pensar na melhor estratégia de lidar com essa situação.
Confiro as horas, percebendo que já são quase cinco da tarde. Coloco dois dedos na minha testa que lateja como nunca, parecendo que irá rachar no meio de tanta dor de cabeça.
Em alguns instantes, Felipe entra na sala, deixa alguns papéis e se retira apressadamente, alegando estar atrasado para um compromisso. Penso em questioná-lo sobre esse Pedro, tentar descobrir se ele sabe de algo, mas decido não tocar no assunto sem antes ter uma conversa séria com Beatriz. É óbvio que a garota me odiará se eu me intrometer em seus assuntos dessa forma. Maldição!
Ainda perdido em meus pensamentos, ouço o interfone da minha secretária tocar e atendo-o.
— Sim, diga, Sandra.
— Senhor Carlos Eduardo, a senhorita Beatriz, filha do doutor Felipe, está aqui na recepção e deseja falar com senhor. Eu avisei que o senhor deveria estar muito ocupado, mas ela insistiu. Quer que eu marque outro horário para uma reunião?
O que ela está falando? A Bia está aqui e deseja falar comigo? Meu coração dá um salto em expectativa.
— Não precisa, Sandra. Por favor, deixe-a entrar — digo, ansioso para saber do que se trata. Afinal, ela poderia ter me mandado uma mensagem.
BEATRIZ
— Você é um desumano, Eduardo! — acuso assim que entro no escritório e caminho na direção dele, decidida. Com certeza, Eduardo está ciente do prejuízo que a obra vai causar às tartarugas, portanto, está sendo insensível à questão.
O homem me encara com o olhar pacífico, como se nada o abalasse. O que me deixa ainda mais irritada. Como ele pode ser tão frio? Mas não me deixo abalar por sua expressão que se torna acirrada. Também o encaro irritada, deixando claro que irei até o fim com as minhas pretensões.
— Por que está fazendo isso? É só o dinheiro que importa para você? — indago, enquanto ele me analisa de cima a baixo com curiosidade. Pouco me importa se estou suada e coberta de areia.
Ele se levanta da cadeira, parecendo confuso, mas não abandona a expressão autoritária e intimidante.
— Do que está falando, menina? — questiona.
Não me abalo diante da sua aproximação. Continuo parada, encarando-o de frente.
— Como do que estou falando? Disso! — Pego um dos papéis que trouxe comigo e o entrego: — Não vê que está destruindo a ecologia da região e colocando em risco animais ameaçados de extinção? Não percebe? Seu egoísta!
Vejo o homem arquear uma sobrancelha, intrigado ao abrir os papéis e se deparar com imagens da obra que está sendo realizada próximo à praia de desova das tartarugas. Ele olha algumas vezes de mim para o papel antes de questionar: — O que essas imagens dizem respeito à minha índole, Beatriz? É apenas a construção de um resort, e está tudo dentro das normas.
Balanço a cabeça de um lado ao outro, incrédula. Será que ele não percebe o que está fazendo? Como pode ser tão desumano assim?
— Essa sua obra está destruindo os ninhos de tartarugas que desovam naquela região. Estão sendo pisados por seus funcionários! — exclamo e ando de um lado a outro com a mão na cintura. — Sem mencionar o fato de as luzes, à noite, prejudicarem a eclosão dos ovos e afastarem algumas tartarugas da praia, forçando os animais a procurarem outros lugares para abrirem seus ninhos.
Percebo que ele distancia sua atenção para o meu corpo, analisando o short jeans e a camiseta azul da ONG que estou usando. Desce o olhar pelas minhas pernas à mostra e sinto o rosto corar de raiva, tamanha é audácia dele.
Fico horrorizada quando o vejo passar a mão em cima do pau, discretamente. O volume que começa a se formar naquela região me faz querer sair correndo. Tenho vontade de estapeá-lo.
Ao perceber que eu o observo, incrédula, Eduardo fita o meu rosto e volta à sua expressão anterior. Frio!
— O que quer que eu faça? Cancele a obra?
Arqueio a sobrancelha e o olho, desafiadora. Não me abalarei. Prometi a mim mesma que conseguiria.
— Alguma atitude deve ser tomada, senhor Carlos Eduardo. São animais ameaçados de extinção!
Ele balança a cabeça de um lado ao outro e sorri. Um sorriso presunçoso, arrogante. Como se tudo o que acabei de dizer não passasse de uma mera besteira aos seus olhos.
— Está prestando atenção no que está me pedindo, Beatriz? São milhões de reais em jogo. Os órgãos ambientais responsáveis me deram o aval e as licenças para a obra. A construção está dentro dos padrões exigidos pela legislação. Eu sempre me certifico disto.
Dou alguns passos para trás, sentindo o meu coração doer a cada palavra indiferente que ele profere, e abro os meus braços: — Evidentemente, as leis ambientais, criadas por representantes de empresários com interesses naquela região, foram bastante condescendentes. Olhe à sua volta, Eduardo. Você já tem tudo. Não precisa destruir vidas animais para ganhar mais dinheiro! — exclamo. Minha voz está tão carregada pela mágoa que preciso pausar a fala e puxar o ar.
Ele coloca as mãos nos bolsos da calça e, devagar, caminha até a vidraça. Para pensativo por alguns segundos e diz: — Não posso acatar ao seu pedido, Beatriz. — Vira-se na minha direção, sério. — Não é apenas uma simples obra. É a construção de um dos maiores resorts da América Latina. Não estou sozinho nesse empreendimento, tenho parceiros. Um único dia de atraso pode causar prejuízos imensos. Além disso, a obra é legal e está dentro de todas as normas. Não tenho argumentos para defender sua interrupção junto aos meus sócios.
Gargalho, debochada. De onde estou, posso imaginar que ele ouve minha respiração ofegante.
— É só isso que importa pra você, não é? Dinheiro, poder. Não interessa o custo ambiental, não importa o prejuízo à natureza. — Sinto meus olhos se encherem de água, mas disfarço e continuo: — Não pense que irei parar por aqui, está me ouvindo? Se for necessário, irei à mídia e promoverei uma sensibilização social para essa causa. Irei lutar contra você, o papai e todo esse massacre. Tem que haver uma forma alternativa que não destrua o meio ambiente.
Viro as costas e caminho na direção da porta. Porém, antes de alcançá-la, sou surpreendida pelo calor da sua mão segurando o meu pulso.
— Espere!
— O que quer? — pergunto ao me virar.
Ele sorri, leva a mão até o meu rosto e o acaricia.
— Você é admirável, menina. Mas saiba que pode ir à mídia e gritar para os quatro cantos do mundo. Nada irá adiantar.
— Eu te odeio, Cadu — digo, trêmula. A raiva me toma por dentro.
— Tem certeza? — questiona e se aproxima mais, passando as mãos em minha cintura. Seu toque quente faz meu corpo entrar em combustão instantaneamente.
— Ficou louco… — Minha voz é abafada pelos lábios famintos e vorazes que se apossam dos meus. A língua dura penetra na minha boca com tanta vontade que fico tonta e por alguns instantes me esqueço do meu próprio nome.
— Deliciosa! — sussurra, fazendo com que eu recobre a consciência.
— Me solta… — Tento revidar, mas ele volta a esmagar a boca contra a minha e eu perco o ar. Meu cérebro o odeia, quer distância de tudo o que tem a ver com ele, mas o meu corpo o deseja desesperadamente.
Quando dou por mim, estou sendo imprensada na parede, com o corpo másculo sendo esfregado no meu de todas as forças possíveis. Eduardo me segura pelos quadris e me impulsiona para cima, abrindo as minhas pernas. Encaixa meu sexo em cima do seu pau rígido e movimenta o quadril como se estivesse me penetrando.
Gemo alto.
— Me deixe tomar você. Estou doido para meter o pau na sua boceta. Me arrependo todos os dias por não ter levado a cabo e te fodido aquela noite. — Suas palavras sujas fazem o meu sexo pulsar e eu o sinto ficando melado. — Eu preciso acabar com essa obsessão louca de te comer, menina. Estou ficando louco.
Porém, Cadu não espera que eu responda. Volta a me beijar, desesperado, mas dessa vez eu correspondo. Mas o que acaba de passar pela minha cabeça é totalmente contrário ao que ele deseja.
Eduardo me põe de volta no chão e eu aproveito o momento para passar a mão em seu pênis por cima da calça, provocando-o. Ele geme baixinho e mordisca o meu lábio, fazendo-me estremecer de prazer.
Beijo os seus lábios, mordo e o provoco sem pudor, fingindo ter esquecido a nossa última conversa. Toco-o e permito que ele me toque até ter certeza de que está enlouquecendo. Percebo isso na forma desesperada com que ele me aperta contra si, beijando e lambendo os meus lábios.
— Passe a noite comigo… — sussurra mais uma vez, fora de controle.
Sorrio e o encaro, decidida. Meus olhos lacrimejam, minha garganta fica seca, mas nada pode me deixar mais realizada do que dispensar o todo poderoso Carlos Eduardo e ainda deixá-lo de pau duro.
— Eu sinto muito, querido. — Solto-me do seu abraço e me distancio, saindo de perto da parede. — Pode “gritar para os quatro cantos do mundo”. Nada irá adiantar — cito as mesmas palavras que ele havia dito, dou-lhe as costas e corro o mais rápido que consigo até a porta. Já no corredor, ainda posso ouvir sua voz rouca e raivosa me chamando, carregada de tesão. Sei que ele vai me confrontar depois, mas estou pouco me fodendo.
CARLOS EDUARDO
Estou ficando louco. É a única justificativa para o que acabei de fazer. Mas foda-se. Quero essa menina como um louco e não é de hoje que venho me controlando para conseguir me manter longe. A cada “não” que ela me diz, o desejo aumenta drasticamente, chegando a ser impossível conseguir tirar o gosto e o cheiro dela da minha cabeça.
Em pé na porta do escritório, vejo Beatriz se distanciar no corredor às pressas, deixando-me com o pau a ponto de explodir. Minhas bolas estão doendo por causa do tesão reprimido.
Coloco a mão no batente da porta e fecho os meus olhos, frustrado. No entanto, permito-me sorrir ao lembrar das palavras dela me confrontando em defesa das pobres tartaruguinhas. A menina estava tão nervosa que nem se deu conta do absurdo que estava pedindo. Se eu simplesmente interromper a obra, outra empresa retomará a construção. A Ferraz sairá no prejuízo, provavelmente respondendo a um processo por quebra de contrato, várias pessoas ficarão sem emprego e as tão amadas tartarugas de Beatriz continuarão a ter seus ninhos pisoteados.
Contudo, a maneira com que ela me confrontou, tão decidida em defesa dos seus ideais, me atraiu de uma forma enlouquecedora. Isso me fez recordar a época em que eu era jovem, que lutava contra tudo e todos pelo que eu acreditava, a ponto de sair de casa, largar tudo e ir morar em uma cidade completamente desconhecida porque não queria viver à sombra do meu pai.
Ah, Beatriz!
Tão menina e tão mulher. Diabos! O Felipe vai me matar, inferno, mas eu não aguento mais. Preciso meter nela, fazê-la minha por uma noite e acabar com toda essa loucura.
Volto a fechar a porta do escritório e termino de analisar alguns papéis sobre a mesa. Ligo para a secretária e peço-a para agendar uma reunião com os clientes donos do resort no primeiro horário do dia seguinte. Enquanto isso, convoco a equipe de engenheiros até a minha sala, passo algumas instruções e ideias sobre o que tenho em mente e os dispenso.
Os minutos passam rápido e logo se transformam em horas. O prédio fica em total silêncio com o fim do expediente dos funcionários. Continuo na minha sala, rascunhando a melhor proposta possível para ser discutida na reunião do dia seguinte, pensando no sorriso bonito que verei nos lábios dela se eu for bem-sucedido no meu plano. Mesmo do seu jeito errado, Beatriz me encanta por não se acomodar, por lutar e correr atrás do que acredita ser certo. Ela fez o que eu também faria há alguns anos.
Também estou articulando algo em relação àquele maldito amigo dela. Não vou deixar que ele saia impune, nem que a menina corra o risco de sofrer tal assédio novamente.
Quando me dou conta, já passa das oito. Estou exausto, louco por um banho e uma boceta quente para acalmar os meus nervos. Preciso me distrair daquela menina. Tentar tirá-la da minha mente. Uma boa trepada irá ajudar. Estou cheio de tesão acumulado e preciso me libertar.
Tiro o paletó sufocante, saio da sala e caminho depressa até o elevador. Em alguns minutos, estou chegando na minha cobertura no Leblon. Após tomar um banho e jantar, procuro em meus contatos alguma mulher que eu ainda não tenha comido. Não quero repetir para não criar expectativas. Só quero uma foda ocasional. Encontro o WhatsApp de uma vizinha que mora no segundo andar e que vive se insinuando para mim. Não é apropriado que seja uma pessoa que mora no mesmo prédio, mas admito que a facilidade me tenta. Terei que deixar as coisas bem claras para que ela não pegue no meu pé depois.
Abro a foto do perfil, analisando o par de seios siliconados e os lábios carnudos experientes. Essa safada, com certeza, tem uma carreira extensa. Servirá bem ao meu propósito. Meu pau se anima no mesmo instante. Envio mensagem e aguardo.
Boa noite, minha linda.
Chamo todas as vadias de “linda” para evitar confusão com os nomes. A resposta não demora, vem em menos de dois minutos.
Eduardo? Que surpresa, querido.
Gargalho, debochado, e coloco uma mão atrás da minha cabeça, louco para ir logo aos finalmentes.
Não quer vir assistir um filminho aqui em casa?
Estou à procura de companhia ;)
Uau. Que convite tentador.
Te espero em dez minutos, tudo bem?
Combinado.
Espreguiço-me na cama, entediado. A facilidade das coisas às vezes chega a ser frustrante.
Coloco uma cueca boxer e caminho até o quarto de hóspedes, lugar que trago as minhas fodas de vez em quando. Não gosto de levá-las ao meu quarto, prefiro resguardar a minha intimidade. Ligo a TV, coloco em um filme qualquer e, após alguns minutos, a campainha toca.
Atendo a porta, e a mulher que nem lembro o nome entra na sala rebolando. Ela tem os cabelos castanho-claros e compridos, batendo na altura do bumbum. Inspeciono a forma do seu traseiro dentro de um vestido micro e sinto o meu pau crescer, almejando tudo o que irei fazer com ela. Irei meter até o dia amanhecer e eu me sentir saciado, livre desse tesão que aquela pequena megera tem me provocado.
— Boa noite, Edu. — Ela se aproxima e sorri. — Uau. Seu apartamento é o máximo — comenta, inspecionando todos os lugares.
— É mesmo? Que bom que gostou, minha linda — digo, orgulhoso, meu ego nas alturas. — Iremos nos divertir muito aqui hoje.
Ela sorri novamente e passa a mão pelo meu pescoço.
— Pensei que nunca iria me convidar para vir aqui, querido.
Desço minha mão esquerda pelas suas costas e apalpo o traseiro cheio, esfregando sua pélvis no meu pau duro. Com a outra, acaricio seus lábios.
— Shhh… Não diga mais nada. Vamos aproveitar cada minuto. — Pisco. Prefiro que ela fale o mínimo possível. Desço minha outra mão pelo seu busto. Aperto um seio e ela geme baixinho, envolvida.
A mulher fica na ponta dos pés e busca os meus lábios, desejosa, doida para ter tudo de mim. Sinto o sabor dos seus lábios sobre os meus, da língua ávida e experiente varrendo a minha boca, mas me frustro a não sentir absolutamente nada. É como se eu estivesse beijando um buraco negro. Frio, vazio e sem nenhuma emoção.
A lembrança dos lábios de Beatriz vem à minha mente e eu fecho os meus punhos. Doces, inocentes e sensuais. Um verdadeiro pecado em forma de menina. O inverso dessa mulher que me beija agora. Diabos! Isso só pode ser alguma espécie de maldição. Não é possível que eu não consiga arrancar aquela garota da minha mente até mesmo quando estou prestes a me enfiar em outra boceta.
Nervoso, afasto a mulher dos meus braços e faço com que ela se vire, ficando de costas para mim.
— Gostosa! — Disfarço o incômodo e a minha falta de interesse, dando-lhe um tapa no traseiro.
— Ai! — geme com voz manhosa. — Que selvagem.
— Vem, querida. Chupa o meu pau. — Seguro o seu pulso e caminho até o sofá. Sento-me e tiro o meu cacete para fora, deixando-o ao deleite dela.
Sorrio quando a vejo se abaixar, ficando de joelhos na minha frente, e abrir a boca, admirada com o tamanho. Passa a língua nos lábios vermelhos e comenta: — Jesus! Esse pau vai acabar comigo, Cadu.
Seguro os seus cabelos firmemente e forço a sua cabeça na direção do meu pênis, almejando sentir a suavidade da sua boca me tomando. Ela segura na base e chupa a cabeça para logo depois engoli-lo todo.
— Humm. — Fecho os meus olhos para aproveitar melhor a sensação deliciosa e relaxo o corpo.
Contudo, mais uma vez, a imagem dela vem na minha cabeça com toda a intensidade, fazendo-me ranger os dentes ao imaginá-la me chupando como essa mulher que nem lembro o nome faz agora.
Porra!
Posso imaginá-la, com detalhes, nua na minha frente. Os olhos verdes me fitando dengosa, os lábios inchados me dando prazer. Posso sentir as minhas mãos tocando o seu rosto, passeando e apertando os seios delicados, acariciando a boceta rosada e melada, enfiando os meus dedos até ouvi-la gemer. Porra!
— Bia… — sussurro o nome dela quando sinto o gozo me atingir com força. Todo o meu corpo treme. — Beatriz…
Abro os meus olhos no instante em que a mulher se afasta e um jato de sêmen atinge o seu rosto, fazendo-a gritar assustada.
— Seu… Seu cretino! Estava murmurando o nome de outra enquanto eu te chupava! — esbraveja, irritada.
Puta merda!
Nem consigo formular uma palavra, pois no instante seguinte ela acerta os cinco dedos no meu rosto com toda força que tem.
— Babaca! — diz e sai pisando duro na direção da porta.
Diabos! Levo a mão ao local que ela acertou o tapa, sentindo uma ardência descomunal, e deixo a minha cabeça cair para trás. O que está acontecendo comigo?
CARLOS EDUARDO
Limpo os vestígios de esperma do meu pênis e do chão com o auxílio de um papel toalha que peguei na cozinha. Tiro a cueca que também está suja e caminho na direção do meu quarto, irritado. Essa merda nunca aconteceu antes, porra! Eu tinha um mulherão delicioso para enfiar o pau a noite inteira e simplesmente meti o pé pelas mãos chamando o nome de outra enquanto ela me chupava. Será alguma maldição?
Entro debaixo do chuveiro para me lavar, mas me frustro ainda mais ao ver a minha ereção erguendo-se, majestosa, como se eu não tivesse acabo de gozar. A situação chega a ser cômica de tão absurda.
Gemo, rouco e baixo, quando a imagem dela me invade novamente. Parece alguma espécie de alucinação descabida. Pensar nela me deixa duro ao extremo e a culpa me invade.
Sorvo o ar com dificuldade, enquanto o líquido transparente escorre pelos meus cabelos, varrendo todo o restante do meu corpo. Mesmo debaixo da água fria, sinto-me em meio ao deserto, morrendo de sede e fome. É assim que me sinto quando os meus pensamentos voam até ela. Beatriz é um oásis em meio às dunas de areia debaixo do sol escaldante. E eu sou o viajante perdido que não mata a sua sede há vários dias.