A Morgadinha de Val d'Amores / Entre a Flauta e a Viola
Scena Xiv
JOSÉ PIMENTA, GUTERRES, VICTORINA, NO
QUARTO E DEPOIS NA SCENA, ANICETO MAIS
TARDE, E O CREADO
José Pimenta entra embuçado, medindo os passos á tragica. Chega ao meio da
scena, arroja o chapéo, deixa cahir a capa, cruza os braços, relançando um olhar sinistro. Depois tira da algibeira interior d'uma jaqueta de pelle os canudos d'uma flauta, liga-os, dá dois passos á frente, e com a maior solemnidade toca a aria da Sombra de Nino, da Semiramis. Guterres tem passado com a viola para o outro lado, e faz menção de se defender com uma cadeira, em quanto o outro não toca. Victorina, assim que José Pimenta tem tocado a primeira parte da aria, começa aos empurrões á porta.)
Victorina (dentro)
Josésinho, Josésinho, eu estou aqui. Acode-me, salva-me! Arromba esta porta! (Aniceto rompe do quarto com os braços no ar, a tempo que Victorina faz saltar a fechadura e corre aos braços de José Pimenta, exclamando:) José, José, quero morrer nos teus braços. Ai! (Desmaia nos braços d'elle.){187}