A Morgadinha de Val d'Amores / Entre a Flauta e a Viola
Macario
Se elle fugir, amigo Macario, deixal-o ir. Nada de o agarrar, que não vão os meus creados escadeiral-o e eu ter de o pagar por bom. O que{103} eu desejo é que elle não appareça mais em Santo Thirso. Lá a respeito da papellada isso é queimal-a toda; que depois o governo como não tem cadernos para a cobrança dos impostos, não o manda para cá a elle nem a outro.
Macario
Grande idêa é essa, snr. morgado! E o governo faz uma economia bem boa. Se a gente fosse dando cabo dos empregados, ajudava o governo a fazer economias, porque depois não havia quem quizesse servir os empregos. O sytema é um bocado violento para os empregados, mas eu não vejo outro meio de os ir acabando...
Pantaleão
Não acho isso humanitario!
Macario
Meu caro amigo e snr. morgado, eu sou homem politico ha trinta annos, leio jornaes, e tenho feito muita somma de deputados; conheço{104} por dentro e por fóra o paiz e as suas necessidades. Fique certo d'isto; em quanto se não der fim a uma casa a que os jornaes chamam burrocracia, não se indireita a patria.
Pantaleão