A Morgadinha de Val d'Amores / Entre a Flauta e a Viola

Camilo Castelo Branco · Capítulo 7 de 146

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A Morgadinha de Val d'Amores / Entre a Flauta e a Viola

2.º Creado

 

Eu tambem já bi esse abentesma, salbo seja, ahi ós pois da mêa noute; mas aquillo, meu amo, non podia ser o escribon das fazendas por que Vossenhoria faça de conta que elle por este caminho alem lebaba-se assim têzo e hirtego que não bolia c'os pezes. Havéra de ser o mesmo que tu enxergaste, Antonho!

 

Pantaleão

 

Pois creiam vossês que não era outro senão o escrivão de fazenda. N'estes arredores não ha homem d'aquelle feitio senão elle... Sabem{21} o que eu quero, rapazes? é que lhe dêem uma boa sova de estadulho.

 

1.º Creado

 

Só se for a tiro; que non ha home que o pilhe na carreira.

 

2.º Creado

 

E p'ra lh'acertar c'uma bala faz minga saber atirar ás lebres. (Ouvem-se risadas de mulheres já perto.)

 

Pantaleão

Por ora, nada de tiros; o que mando é que lhe arrumem quatro bordoadas, sem lhe dizer isto nem aquillo. Vossês zupem-lhe e escamem-se, que eu com a justiça não quero testilhas; mas não lhe batam, sem o apanharem cá á volta da casa... Vamos conversar aqui p'ra carvalheira que vem ahi as raparigas da freguezia. (Sáem pela esquerda.){22}