A Morgadinha de Val d'Amores / Entre a Flauta e a Viola
Frederico (muito inquieto)
Morrer aqui, seria uma morte ingloria, Joanninha! Dá-me armas que eu quero defender-me com uma bravura digna de ti! Armas! armas! um revolver de doze tiros! Quero armar-me até aos dentes, e combater, e morrer gloriosamente ao teu lado!{124}
Morgadinha
Frederico, tu estás maluco!.. Olha que elles não vem cá... Não percas o juizo!
Frederico (muito á tragica, alludindo ao estrondo da gritaria)
Não vem? Vem! Escuta! escuta! Não ouves o bramido do tigre popular? Olha... é o leão que ruge, partidos os grilhões de respeito á lei! É a Libia e a Hircania a vomitarem féras! Olha o lago sujo como se levanta em vagalhões e como elles roncam!
Morgadinha
Vem então esconder-te, vem esconder-te!
Frederico
Não! Um homem não se esconde quando olhos como os teus são testemunhas de tamanha covardia! É mister ser heroe!.. Mas eu estou vestido ignobilmente! (Arranca os vestidos mulheris:{125} fica de quinzena; mas conserva o chapéo e os boucles) Agora, armas! armas! (A morgada ri-se apontando-lhe para a cabeça.) Por que ris tu, mulher forte! porque ris tu, se fazes favor?!