A Morgadinha de Val d'Amores / Entre a Flauta e a Viola

Camilo Castelo Branco · Capítulo 97 de 146

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A Morgadinha de Val d'Amores / Entre a Flauta e a Viola

Frederico (muito inquieto)

 

Morrer aqui, seria uma morte ingloria, Joanninha! Dá-me armas que eu quero defender-me com uma bravura digna de ti! Armas! armas! um revolver de doze tiros! Quero armar-me até aos dentes, e combater, e morrer gloriosamente ao teu lado!{124}

 

Morgadinha

 

Frederico, tu estás maluco!.. Olha que elles não vem cá... Não percas o juizo!

 

Frederico (muito á tragica, alludindo ao estrondo da gritaria)

 

Não vem? Vem! Escuta! escuta! Não ouves o bramido do tigre popular? Olha... é o leão que ruge, partidos os grilhões de respeito á lei! É a Libia e a Hircania a vomitarem féras! Olha o lago sujo como se levanta em vagalhões e como elles roncam!

 

Morgadinha

 

Vem então esconder-te, vem esconder-te!

 

Frederico

 

Não! Um homem não se esconde quando olhos como os teus são testemunhas de tamanha covardia! É mister ser heroe!.. Mas eu estou vestido ignobilmente! (Arranca os vestidos mulheris:{125} fica de quinzena; mas conserva o chapéo e os boucles) Agora, armas! armas! (A morgada ri-se apontando-lhe para a cabeça.) Por que ris tu, mulher forte! porque ris tu, se fazes favor?!