A Morgadinha de Val d'Amores / Entre a Flauta e a Viola

Camilo Castelo Branco · Capítulo 145 de 146

Páginas do PDF

A Morgadinha de Val d'Amores / Entre a Flauta e a Viola

Pimenta e Victorina (ajoelhando)

 

Meu pae! piedade!

 

Aniceto (erguendo-se de impeto)

 

Oh! (Grito rouco e prolongado; com os braços affasta tragicamente da vista o espectaculo dos dois que se ajoelharam.)

 

Guterres

 

Snr. Aniceto, deixemo-nos de attitudes. Abençôe a união d'essas creaturas. Deixe-os casar; alegre-se com a esperança de que ha de ainda vêr meia duzia de netos a tocarem flauta; e meia duzia de netas, com o genio de sua mãe, amando uma orchestra de sujeitos distinctos desde a{189} trompa até á corneta de chaves. Vamos, volte o seu semblante misericordioso para os propagadores da sua individualidade tipica.

 

Aniceto

 

Levantem-se d'ahi! (Erguem-se submissos.)

 

Guterres

 

Bem; estão os senhores absolvidos. Parabens. Ó snr. Pimenta, eu creio que algum serviço lhe fiz, provocando com esta viola o poder fascinador da sua flauta. Em recompensa, faça-me o senhor o favor de dizer se foi realmente com a aria da Sombra de Nino que enfeitiçou esta sympathica joven?