As leis do amor: crie o relacionamento dos seus sonhos
Lei 5 Relacionamentos bem-sucedidos põem o passado às claras
Lei 5
relacionamentos bem-sucedidos põem o passado às claras
O passado não é uma bagagem que se possa jogar fora.
Emily Elizabeth Dickinson, poetisa americana (1830-1886) Um dos principais requisitos para um
relacionamento bem-sucedido é que você e seu companheiro conheçam e entendam um ao outro à luz
de suas experiências passadas. Suas vivências anteriores criaram impressões e padrões de
comportamento trazidos para o relacionamento atual, afetando-o – para o bem e para o mal – de
diversas maneiras. Isso inclui os relacionamentos com pais e amigos, assim como com outras pessoas,
especialmente as relações amorosas, que foram modelando você e seu parceiro. Como cada um tem
experiências próprias, reagirá de forma diferente aos novos fatos que acontecerão no relacionamento.
Compreender por que cada pessoa reage de um jeito é um fator crítico para ser capaz de lidar com os
comportamentos do outro e ajudá-lo a trazer a dor que pode estar latente à superfície e a superá-la.
Relacionamentos gratificantes e bem-sucedidos precisam iluminar o passado. Está aqui um exemplo de como compreender o passado pode fazer toda a diferença ao longo de um relacionamento. Paulo e Mariana viviam juntos havia três anos e eram muito felizes, a não ser no Natal, Ano-Novo, Semana Santa, Páscoa – ou seja, os feriados eram marcados por brigas. Mariana começava as discussões sem razão aparente, destruindo a harmonia dos dias de folga. Paulo era todo cuidadoso para evitar os conflitos nos feriados, mas não importava quanto se esforçasse, não conseguia impedir o desastre.
Entre os dois, Mariana, com certeza, tinha a personalidade mais forte. Ela era uma agressiva vendedora de seguros, enquanto Paulo trabalhava como programador de computação e se mostrava tranquilo e pouco assertivo. Nessas ocasiões, ele se sentia desamparado e não sabia como evitar as discussões. Pediu, então, que Mariana procurasse ajuda, mas a sugestão só conseguiu deixá-la com raiva.
Ele próprio buscou a ajuda de um psicólogo e foi orientado a conversar com Mariana sobre os feriados que ela passava com a família. Para criar uma atmosfera segura para que ela falasse sobre o assunto, começou a conversa lembrando o tempo em que ele passava os feriados com os pais. Depois de escutar as boas lembranças dele, Mariana comentou que os feriados junto com a mãe e o padrasto eram sempre cheios de raiva e brigas. Os pais de Mariana tiveram um divórcio complicado quando ela tinha apenas 4 anos e sua mãe voltou a se casar um ano depois. A mãe e o padrasto se mudaram para longe e ela raramente via o pai. Quando Paulo quis saber por que os feriados com a mãe e o padrasto eram tão ruins, Mariana se recusou a falar e se mostrou distante. Sabiamente, Paulo não forçou o assunto, mas entendeu que estava no caminho certo. Alguns dias mais tarde, ele voltou a falar sobre os bons momentos que passara com os pais nos feriados. Passados alguns instantes, Mariana comentou novamente que, para ela, essas ocasiões eram sempre desastrosas. Com tranquilidade, Paulo apenas reagiu: “É mesmo?...” e ela, finalmente, encontrou as palavras para lhe contar sua história.
Como o passado modela o presente
O padrasto de Mariana era um militar aposentado, que enxergava a si mesmo como um homem durão, um severo capataz. Infelizmente, também tinha uma natureza um pouco sádica. Logo depois de casar com a mãe de Mariana, ele começou a dominar mentalmente a menina que estava com 5 anos. Sua estratégia favorita para conseguir que ela fizesse tudo o que ele queria era criar a ilusão, por exemplo, de que havia comprado um maravilhoso presente.
Ele costumava dizer, por exemplo: “Espere para ver o presente que lhe comprei de Natal! Você vai adorar!”. E fazia isso com uns quatro ou cinco meses de antecedência. Então, quando queria que a menina fizesse algo que ela não gostava, ameaçava: “Se você não fizer isso, não vai ganhar o presente de Natal que lhe comprei!”. Ele fazia constantemente esse tipo de ameaça até a manhã do Natal, quando arranjava uma discussão desagradável. Como resultado, Mariana não recebia o tal maravilhoso presente, não importando quão bem tivesse se comportado. O padrasto arruinava o Natal e colocava a culpa em Mariana. Da mesma forma, ele costumava prometer feriados prolongados maravilhosos. Ele falava durante semanas sobre a viagem que fariam e sobre toda a diversão que teriam juntos. Então, quando queria que Mariana o obedecesse, ameaçava cancelar a viagem: “Se você não fizer o que eu estou mandando, não vai haver viagem no feriado!”. Ele se comportava dessa forma até o dia da viagem. Então, provocava uma briga, cancelava a diversão e culpava Mariana.
A mesma situação acontecia não apenas no Natal e no Ano-Novo, mas em todos os feriados prolongados e em todas as férias escolares. Esse comportamento torturante continuou até que Mariana completou 10 anos e começou a se rebelar. Ela não esperava mais que o padrasto arruinasse os dias de folga; ela mesma tomava a iniciativa bem depressa. Assim, ela tentava se proteger do desapontamento e da mágoa. Sempre que seu padrasto prometia uma viagem, ela esperava pelo dia e, então, criava uma briga terrível para estragar tudo. Como ela já sabia que ele ia agir assim, isso a poupava da decepção que poderia sentir. Tratava-se de um comportamento condicionado que Mariana estava trazendo para o relacionamento com Paulo.
Compaixão intencional
Paulo contou ao psicólogo sobre a experiência de Mariana com o padrasto e os dois criaram um plano para ajudá-la a superar o problema. O Natal, sempre uma boa época para as brigas, estava próximo. Uns dias antes dos feriados de final de ano, ele a levou para jantar e perguntou se podia falar sobre uma questão delicada. Disse que sabia que era complicado, mas como garantiu que era importante para os dois, ela concordou. Paulo contou que a sua última namorada, antes de se casar com Mariana, havia lhe dito que ele jamais teria um relacionamento duradouro porque não era confiável.
Ele, então, explicou a Mariana que procurou a ajuda de um psicólogo logo depois desse rompimento e que isso foi importante para conseguir superar as experiências anteriores. Com o apoio de um profissional, foi capaz de perceber que sua mãe mentiu a vida inteira para seu pai e que ele estava reproduzindo o mesmo comportamento em seus relacionamentos. Assim que percebeu isso, conscientizou--se de que estava destruindo os relacionamentos. Prometeu nunca mais agir desse jeito e essa era uma das principais razões para os dois agora terem uma relação tão boa e forte.
Paulo explicou que estava contando tudo isso a Mariana porque ela também tinha padrões de comportamento adquiridos na infância, que estavam afetando o relacionamento deles. Quando criança aprendeu a criar problemas durante os feriados em família para se proteger e agora estava reproduzindo esse comportamento no casamento.
Pouco a pouco, Paulo conseguiu fazer com que Mariana falasse sobre os feriados desastrosos e explicou que, como não pretendia machucá-la, ela não precisava mais se proteger. Mariana chorou, Paulo abraçou-a e disse sentir muito ela ter passado tudo aquilo na infância. Como o Natal estava próximo, disse que, se ela conseguisse confiar nele, os dois teriam um dia bem tranquilo, cuidando com carinho um do outro. Os feriados foram um sucesso, um sucesso amoroso que continuou a se realizar nos feriados seguintes. Ao ser intencionalmente paciente e compassivo, Paulo criou o Espaço Seguro para que Mariana se abrisse e deixasse para trás os padrões doentios de comportamento dos quais não precisava mais. Sem colocar às claras as terríveis experiências de Mariana com seu padrasto, os dois continuariam a sofrer e se aborrecer nos feriados por muitos anos ou destruiriam completamente o relacionamento.