As leis do amor: crie o relacionamento dos seus sonhos
Lei 10 Seu relacionamento será duradouro quando se tornar prioridade
Lei 10
Seu relacionamento será duradouro quando se tornar prioridade
A perseverança é a qualidade soberana.
James Russell Lowell, poeta americano (1819-1891) Todos os relacionamentos correm o risco de que
os desacordos e os mal-entendidos que surgem acabem provocando uma separação. Diante desses
perigos, se você seguir em frente sem ter em mente como meta absoluta a longevidade do
relacionamento, vai achar que ele continua, ou não, conforme o dia. Perseverar é seguir adiante até o
final – continuar enfrentando os obstáculos, as dores, os cansaços, as frustrações, as oposições e as
dificuldades. A perseverança é uma condição que não se desgasta. Para se comprometer com a meta da
perseverança – a meta de manter permanentemente seu relacionamento –, você vai estabelecer um
padrão de comportamento que servirá para avaliar todas as ações e decisões.
Para desfrutar de uma vida gratificante e criar um relacionamento duradouro, você deve colocar a continuidade da relação acima de tudo. Vamos dizer, por exemplo, que seu companheiro não aprendeu ou não foi ensinado a se sentir seguro nos relacionamentos. Além disso, suponhamos que você tem um amigo de quem é muito próximo, há bastante tempo. Imagine que seu parceiro se sinta ameaçado por essa amizade e queira que você deixe de ver a pessoa. Talvez ele sinta ciúme, suspeite de que exista uma atração entre você e seu amigo ou que aquela pessoa esteja influenciando-o de forma negativa. Pode ser que haja centenas de outras razões reais ou imaginárias. O que você faz?
Se você está comprometido com a longevidade de seu relacionamento, a decisão é clara: você para de ver seu amigo. Não faz a menor diferença se o que seu parceiro sente está baseado, ou não, em algo real. A meta é a sobrevivência do relacionamento. Isso quer dizer que você abre mão daquela amizade, imediatamente, de forma alegre, bem disposta e com boa vontade. Você age assim porque toma todas as decisões com o objetivo de possibilitar a continuidade e o desenvolvimento de seu relacionamento.
Colocando seu relacionamento em primeiro lugar
Provavelmente, surgirão em sua mente muitas razões para continuar a encontrar seu amigo. Você pode pensar: “Meu companheiro não está sendo razoável. Eu posso ter amigos fora de nosso relacionamento. Estou sendo indevidamente controlado. Por que eu deveria sofrer quando meu parceiro sente ciúme e fica paranoico?” Você pode até ir mais longe: “Tenho que parar de encontrar meu amigo porque meu parceiro fica inseguro, o relacionamento vale isso? Se atender ao pedido dele e me afastar de meu amigo, onde isso vai parar? O que virá a seguir?”. Ou ainda: “Não é um pedido justo – eu também tenho direitos. Por que tudo que faço tem que estar na perspectiva de proteger e preservar o relacionamento?”.
No entanto, só existe uma pergunta verdadeira: “Se eu continuar a encontrar meu amigo, meu relacionamento será afetado?”. Caso a resposta seja “sim”, você deve procurar seu amigo, explicar a situação e colocar a amizade em suspenso.
Todas as razões para considerar o pedido de seu parceiro injusto e inválido devem ser postas de lado, porque para que o relacionamento seja duradouro é necessário esse tipo de compromisso, reflexão e cuidado. Você não gostaria de ter alguém que cuidasse de você assim?
Essa é uma questão de preto no branco; não existem áreas cinzentas aqui. Ou você coloca o relacionamento acima de tudo ou corre o risco de ameaçá-lo. Se falhar ao atender o pedido de seu companheiro, vai ficar infeliz e os dois começarão a discutir. Os fundamentos mais profundos da relação ficarão estremecidos e enfraquecerão. Quando criança, talvez um de seus pais ou outro adulto tenha infringido seus direitos como ser humano. Pode ser que você tenha jurado nunca mais deixar isso acontecer e, então, parece estar acontecendo de novo. Embora você possa achar que está lutando por seus direitos individuais, a mensagem para seu parceiro é que aquela amizade ou a questão de princípio pela qual luta é mais importante do que ele – e, de fato, é. É simples: se você insistir em manter aquela amizade, estará violando uma das Leis do Amor e pagará um preço por isso. Assim que seu parceiro entender que seu relacionamento com ele é o aspecto mais importante de sua vida e sentir que a ameaça foi eliminada, você poderá, então, gentilmente explorar a possibilidade de que o perigo representado por aquela amizade era apenas imaginário. Talvez, quando seu companheiro perceber que não há nada a temer, você possa reassumi-la e trazer o amigo para passar um tempo agradável com vocês. Pode ser até que os três se tornem amigos. Por outro lado, caso se recuse a abrir mão daquela amizade, como resultado de uma lei natural, você poderá perder seu relacionamento.
Tomando a decisão de proteger o relacionamento
A seguir, apresento outro exemplo, que, inclusive, já mencionei na Lei 2. Suponha que você recebeu uma oferta de emprego que o obrigará a passar muito tempo longe de casa e seu companheiro não queira que você aceite a proposta. O que você faz? Rejeita a oportunidade. Mesmo que o novo emprego pareça essencial, recusará a proposta. Se você aderiu totalmente às Leis do Amor, nem mesmo uma questão de sobrevivência financeira servirá de desculpa para tomar uma decisão que ameace o relacionamento. Digamos que você decida voltar a estudar para desenvolver uma competência ou talento. É um grande compromisso e, como consequência, seu parceiro e talvez seus filhos tenham que fazer algumas mudanças para se adaptar à sua nova agenda, assumindo mais responsabilidades na casa, pelo menos, por algum tempo. E se seu companheiro simplesmente se recusar a assumir mais essas responsabilidades? O que você faz? A resposta é clara: depois de esgotar todas as possibilidades, se não houver uma solução satisfatória, você tem que, pelo menos temporariamente, desistir da ideia de voltar a estudar. Outra vez: esse é um ponto preto no branco, sem meios-tons. Sua escolha se dá entre proteger ou arriscar seu relacionamento. Uma situação frequente que surge nos relacionamentos envolve a família de um dos parceiros. Se permitido, os familiares podem arruinar um relacionamento. Suponha que um de seus parentes ou vários deles desgostem de seu companheiro. Você deve fazer todo esforço possível para melhorar o relacionamento entre sua família e seu parceiro. Seja criativo: tente tudo o que puder para remediar a situação. Por fim, no entanto, se não conseguir selar a paz entre eles, você deve limitar ao máximo o contato com sua família ou, até mesmo, romper completamente. É uma decisão difícil, mas você deve sempre optar por proteger o relacionamento com a pessoa que escolheu passar sua vida.
Em poucas palavras, todas as decisões e ações que possam afetar seu relacionamento devem ser tomadas depois de você responder a uma pergunta bem simples e direta: “Minha atitude terá um impacto negativo sobre meu relacionamento?”. Se a resposta for “sim”, não faça.
O padrão é exatamente esse: você deve colocar seu relacionamento em primeiro lugar, acima de todo o resto. Se todas as decisões levarem em conta a sobrevivência dele, naturalmente a Lei Universal de Causa e Efeito fará com que perdure. Você tem todo o tempo da vida para tornar seu relacionamento maravilhoso, mas não terá a oportunidade de fazê-lo se não for duradouro.
A seguir, conto a história verdadeira de um casal (os nomes serão mantidos em segredo), que mostra as consequências de tomar decisões que não priorizam a sobrevivência do relacionamento. Eles se casaram quando a mulher tinha 20 anos e ele era um pouco mais velho. Ela era doce, bonita e até um pouco ingênua. De início, o casamento era maravilhoso e eles tiveram vários filhos. Ele conquistou um fantástico sucesso financeiro e o casal se tornou famoso.
Quando a esposa amadureceu, decidiu capitalizar a fama do casal e abriu um negócio, que se tornou um sucesso. Então, abriu outro e mais outro, até que ficou à frente de seis empresas e de negócios, no mundo todo. Nesse ponto da história, o marido pediu o divórcio.
Nós nos conhecemos dez anos após o divórcio e ela ainda tinha o coração partido pela perda do casamento. Chorando, disse-me que não entendia por que eles se separaram. Respondi que a razão mais provável era que o marido havia se casado com uma jovem linda, doce e inocente que se transformou em uma mulher de negócios internacionais, que viajava muito a trabalho e estava diariamente envolvida em questões empresariais. Ele já havia conquistado mais dinheiro do que poderia gastar em uma vida e não queria uma esposa com aquele perfil. A prova disso é que sua próxima esposa era uma jovem doce, terna e inocente, que correspondia perfeitamente ao modelo.
Não estou dizendo que os parceiros não possam realizar suas próprias expectativas e administrar negócios bem-sucedidos ou que cada um não tenha suas metas, nem que um dos dois deva abrir mão de suas realizações. O que digo é que as decisões têm consequências. Nesse caso, se aquela mulher e o marido tivessem levado em consideração as Leis do Amor ao longo dos anos, teriam encontrado uma abordagem diferente frente à questão do trabalho dela. A mulher devia ter perguntado a si mesma – e ao marido – se uma vida empresarial muito dinâmica poderia impactar o casamento. Da mesma forma, se o marido valorizasse o casamento acima de tudo, teria sido honesto com ela sobre como se sentia, quando percebeu que estavam em uma situação de crise. Se os dois tivessem levado em consideração o que ele queria e o desejo profissional dela, talvez tivessem encontrado uma forma de satisfazer ambas as expectativas. E, mesmo que não encontrassem, pelo menos, o divórcio não teria sido uma surpresa e tamanho desapontamento para essa mulher. Como você pode perceber por todos esses exemplos, as decisões que você toma quando é uma das partes de um relacionamento são diferentes daquelas que assume quando não tem um compromisso amoroso com alguém.
Quebradores de acordo
Com certeza, há o que chamo de “quebradores de acordo”. São situações que exigem uma abordagem firme. A seguir, apresento algumas.
Vício: Suponha que seu parceiro use drogas ou álcool em excesso e que isso esteja ameaçando seu relacionamento e também sua segurança. O que você faz? Você protege o relacionamento e insiste para que o excesso acabe. O mesmo vale para outros comportamentos relacionados ao vício – jogo, pornografia, sexo, uso excessivo da internet ou da televisão ou qualquer outro que ameace o relacionamento, o qual deve estar acima de tudo ou não será duradouro.
Faça tudo o que puder ou busque ajuda, mas se o comportamento destrutivo continuar, provavelmente o relacionamento seguirá uma longa e dolorosa trajetória até acabar. A melhor forma de se proteger e preservar o relacionamento é esclarecer tudo. Se seu companheiro valoriza mais o álcool ou as drogas do que o relacionamento e você, então, é melhor terminar tudo rapidamente. Talvez, depois do fim, ele consiga parar de beber e se prepare para retomar o relacionamento. De vez em quando, é preciso deixar os limites bem claros para resolver uma situação desse tipo. No Passages Addiction Cure Center, sempre temos várias pessoas que foram se tratar porque seus companheiros exigiram isso.
Abuso físico: O mesmo se aplica ao abuso físico, que ameaça não apenas o relacionamento, mas sua segurança e de sua família. Quando alguém agride você fisicamente, é um “quebrador de acordo”. Caso você ache que merece ser punido, procure um psicólogo e faça terapia. Você realmente não merece ser machucado e existem formas mais saudáveis de eliminar as culpas do passado e as emoções dolorosas.
Abuso mental e emocional: Os abusos mental e emocional devem ser encarados da mesma forma. Coloque um ponto final. Ame a si mesmo. Tenha orgulho de si mesmo. Felicite-se. É assim que seu parceiro conseguirá sentir orgulho e respeito por você. Não se condene a um relacionamento de quinta categoria ao aceitar um tratamento desrespeitoso. Você está em busca de um relacionamento de primeira classe, gratificante e saudável – nada menos do que isso. Tenha essa expectativa, exija isso e vá atrás.
Infidelidade: Se o seu companheiro engana você e tem relações sexuais com outra pessoa, a confiança se foi, o respeito se foi e é pouco provável que retornem ao relacionamento. A confiança, quando se quebra, pode ser recuperada em circunstâncias ideais ao longo de um grande período de tempo, mas raramente acontece. Para a maioria, isso é um “quebrador de acordo”. Pode haver outras considerações a fazer, como filhos, finanças, dependência física, família e implicações sociais. Avalie os vários aspectos envolvidos na situação e chegue à sua própria conclusão. Se fizer a escolha de seguir adiante, perceba que estará vivendo um relacionamento de terceira classe por um longo tempo (na Lei 12, você lerá mais sobre a importância do fator confiança no relacionamento).
Quanto você dá de si mesmo?
Uma das dificuldades para colocar o relacionamento em primeiro lugar é simplesmente o desafio de oferecer toda a atenção que ele necessita. E é muita atenção que você deve dar. Nesses dias de comunicação global instantânea, se permitir, sua atenção salta de uma distração para outra. As distrações são de toda forma e tamanho, mas a maioria delas não tem o menor valor para você. Quando você permite que sua mente fique repleta de informações inúteis, negligencia aquelas que estão em seu ambiente imediato – ou seja, aquelas que você ama.
“Prestar atenção ao que está ao alcance de nossas mãos traz grande progresso e boa sorte”, diz o I Ching. Em outras palavras, cultivar o próprio jardim – prestar atenção na própria família e nas pessoas amadas – tem muito mais valor do que se concentrar nas atividades das celebridades, figuras políticas ou qualquer outro evento interessante. Embora esses temas possam ser fascinantes, na realidade, tem pouco ou nada a ver com sua vida diária ou com seus valores mais importantes. Fique atento!
A quantidade de tempo, energia e atenção que fornece a algo demonstra a dimensão do cuidado que tem. Quanto você dá de si mesmo para o relacionamento? A resposta a essa pergunta está diretamente ligada ao fato de você estar presente, de corpo e alma, ao lado de seu parceiro, a cada momento, e como trata esses momentos. No livro Um estranho numa terra estranha, o clássico de ficção científica de Robert A. Heinlein, há uma bela passagem que aborda o estar presente no momento. A história é sobre um humano, Michael Valentine, criado em Marte e que retorna à Terra, já como um jovem adulto. Ele tem que aprender tudo sobre os costumes e a cultura na Terra, nunca tinha visto uma mulher e possuía habilidades excepcionais aprendidas em Marte. A certa altura da história, um dos personagens principais pergunta a uma das mulheres que Michael beijou por que aquela foi uma experiência tão especial para ela. Com o olhar sonhador, ela responde: “Mike dá a um beijo toda a sua atenção”. Explicou que a maioria dos homens, não importa quanto se esforce, mantém parte da mente em outra coisa: se conseguirá pegar o próximo ônibus ou se preocupa com o trabalho, dinheiro ou com o que seus vizinhos podem estar dizendo. E ela conclui: “Quando Mike beija você, ele não faz mais nada. Nada mesmo. Para ele, você é todo o Universo naquele momento”.
Essa pequena lição do livro de Heinlein deve ser aplicada a todos os momentos de seu relacionamento. Isso significa o mesmo que todos os sábios iluminados vêm tentando nos dizer, de todas as maneiras: esteja completamente presente em todos os momentos. Também é verdade que, quando entrega 100% de si a algo, está criando as melhores circunstâncias possíveis para seu desenvolvimento. Existe uma cantiga de crianças chamada “Hokey pokey”. Todo mundo faz uma roda e canta: “Você põe o pé esquerdo, você tira o pé esquerdo, você põe o pé esquerdo e balança o corpo todo”. Depois, põe-se e tira-se o pé direito e assim por diante com as outras partes do corpo, até cada um entrar inteiro na brincadeira. Pense nessa cantiga como se fosse seu relacionamento.
Quanto de si você coloca em seu relacionamento? Coloca apenas o pé esquerdo e depois se senta, imaginando que está recebendo menos do que queria? O que você entrega ao jogo estabelece os limites do que você vai receber da vida. Tenha o melhor, oferecendo o melhor que tem.