As leis do amor: crie o relacionamento dos seus sonhos

Lei 3 Sua filosofia determina a qualidade do seu relacionamento

Lei 3

 

Sua filosofia determina a qualidade do seu relacionamento

 

O homem é feito por suas crenças. Quando acredita, então, ele é.

Bhagavad Gita, poema épico indiano (500 a.C.)

Todos nós temos uma filosofia pessoal, que é tudo aquilo que acreditamos ser verdadeiro e real a respeito do mundo e do seu funcionamento. Sua filosofia faz com que você responda aos eventos de uma maneira particular; em contrapartida, determina como os fatos e as circunstâncias o afetam e como você os afeta de volta. Pode ser que você não esteja atento à força de sua filosofia na modelagem da vida e como ela é capaz de direcionar as ações e ser responsável pelas escolhas que faz diariamente. No entanto, a filosofia pessoal trabalha o tempo todo, todos os dias, a cada momento. Se você mudar sua filosofia, sua vida vai mudar, seu relacionamento vai mudar e tudo ao seu redor vai mudar, como resposta à nova filosofia.

Ao longo dos anos, você foi modelado e moldado para ser a pessoa que é hoje por seus pais, professores, amigos, pela mídia, pelos livros que leu, filmes que viu e também pelas experiências pessoais. Sua percepção do mundo e o modo como vê a si mesmo na vida criaram conceitos na sua mente que, somados, caracterizam sua filosofia. Ela foi sendo formada sem que você percebesse que isso estava acontecendo. Basicamente, a filosofia que você estruturou desde o seu nascimento é a responsável por aquilo que sua vida é hoje, no momento em que está lendo este livro. Ou seja, é a causadora de quem você é e daquilo que tem. As ações nela baseadas também são responsáveis pelo estado em que se encontra seu atual relacionamento ou pela falta de um. Numa abordagem simplificada, podemos dizer que as opiniões que você formou sobre como é um relacionamento maravilhoso são o guia para suas ações e reações atuais. Em resumo: pelas suas escolhas, baseadas naquilo que acredita – isto é, sua filosofia –, você cria os bons e os maus aspectos de seu relacionamento e da sua vida. Como Anna Eleanor Roosevelt disse: “As palavras não são a melhor expressão da filosofia de vida de uma pessoa; a melhor expressão dessa filosofia pessoal está nas escolhas que fazemos... Ao longo do tempo, nós modelamos nossa vida e somos modelados por ela”.

 

Aquilo que você acredita

 

Um antigo ditado diz: “Quanto mais você fizer o que tem feito, mais receberá do que já tem”. Há muita sabedoria nessa frase e expressa uma fórmula operacional muito simples: se o que você é e o que você tem – nos relacionamentos, em casa ou no trabalho – são aquilo que quer, então, está perfeito; siga em frente, faça o que tem feito e receberá muito mais disso. No entanto, se o que você é e o que você tem estão aquém ou são diferentes daquilo que gostaria, alguns ajustes básicos fazem-se necessários. Não será possível produzir resultados diferentes dos vivenciados hoje em dia em seu relacionamento ou na sua vida sem mudar o modo de agir e de pensar.

Você terá que reinventar a maneira de ver seu mundo. Refiro-me ao seu mundo porque cada um de nós vive em um mundo diferente. Claro! Todos nós vivemos no planeta Terra, temos nossos altos e baixos e precisamos de comida, roupa e abrigo. Mas você teve uma infância diferente de todos os outros, os seus pais ou a falta deles, suas experiências, seus traumas, seu histórico de saúde, sua formação escolar, seus desafios, as lições que aprendeu, seus pensamentos e suas conclusões. Você tem a sua vida. Como consequência, sua filosofia – como acredita que o mundo funciona – é diferente. Mesmo que as diferenças sejam pequenas, elas fazem toda diferença. Isso significa que o que é verdadeiro para outra pessoa, talvez não seja para você e, provavelmente, não é. O que funciona para os outros, pode não funcionar para você e, provavelmente, não funciona mesmo. As Leis do Amor servem para todos, mas você deve aplicá-las a seu próprio modo, de acordo com suas circunstâncias. As mudanças que você precisa fazer para reinventar seu mundo são específicas para você.

Traçarei alguns exemplos de crenças formadoras de nossas filosofias (alguns podem fazer parte da sua filosofia): “Neste mundo, vence o mais forte”; “Na vida de todo mundo, tem que chover um pouco”; “As coisas ruins acontecem para as pessoas boas”; “A felicidade duradoura é impossível”. Ou talvez você acredite que: “As coisas na minha vida sempre caminham para o melhor”; “Toda nuvem tem um tom prateado”; “Sou responsável pelo curso da minha vida”.

E no que diz respeito ao seu relacionamento? Como já dito, a filosofia pessoal também determina o que se acredita sobre relacionamentos, o que se pensa sobre eles e sobre como criar ótimos relacionamentos; até mesmo se você crê que isso seja realmente possível. Sua filosofia também abrange o que você julga merecer em um relacionamento. Por sua vez, cada uma de suas ideias e crenças modelam a transformação do seu relacionamento.

Você pode, por exemplo, ter algumas das seguintes crenças: “Em geral, não se pode confiar nas pessoas”; “Você tem que aceitar a dor que vem com o amor”; “Eu realmente não mereço o relacionamento perfeito”; “Minha felicidade depende da pessoa com quem me casei”; “Você tem que ter muita sorte para encontrar um ótimo relacionamento”; “Não sou uma pessoa sortuda”. Talvez elas estejam mais em sintonia com as seguintes frases: “Espero que boas coisas aconteçam para mim”; “Sempre consigo enxergar o melhor nos outros”; “Não importa quão difícil seja a situação, eu consigo transformá-la em algo positivo”; “Todo fim traz em si mesmo um novo começo, uma nova oportunidade”; “Como eu ajo e reajo determina a qualidade do meu relacionamento”; “Sou uma pessoa legal e mereço ser amada”.

 

Os padrões ensinados

 

Eu também tive minha filosofia formada pelas primeiras experiências. Já contei as histórias sobre minha mãe em outros livros, mas é importante incluir também aqui pelo menos uma parte para mostrar a você como o que aprendemos com as pessoas importantes de nossas vidas influencia nossos relacionamentos – a não ser que, conscientemente, façamos algo para nos retreinar. A minha história é um tanto dramática, mas todos nós aprendemos padrões com quem nos cria – crenças para as quais não estamos atentos. Minha mãe, Bea, era uma fora da lei, que aprendeu a sobreviver por seus próprios meios e inteligência (nunca pude chamá-la de mãe ou mamãe, apenas de Bea). Quando eu tinha uns 3 anos e meio, uma de suas primeiras lições, fixada em mim por uns vinte anos, foi: “Nunca diga a verdade”. E acrescentava: “Nunca diga a verdade se uma boa mentira pode resolver tudo”.

Na arte de mentir, outro de seus ensinamentos foi: “O bom mentiroso tem que ter uma boa memória”. Por isso, eu decorava longos e intermináveis poemas para aprimorar minha memória. Ela dizia ainda que, seu eu fosse pego em uma mentira, nunca deveria admitir, mesmo em flagrante. Bea contava histórias de pessoas acusadas de mentir, mas que nunca admitiram. Segundo ela, com o passar do tempo, aqueles que ouviram a mentira não tinham mais a absoluta certeza se tinham sido enganados, ou não.

Minha mãe nasceu em Nova York, em 1900. Seu pai era um estivador, que trabalhava nas docas e a mãe uma dona de casa, que cuidava de Bea, de mais duas filhas e um filho. Eles eram muito pobres. Quando Bea fez 15 anos, foi estuprada por um homem mais velho, que foi forçado a casar-se com ela, por ter engravidado. Eles se odiavam, e ele adorava atormentá-la. Para ganhar cinquenta centavos por dia, ela pregava botões em camisas. Precisava economizar um pouco de dinheiro para um dia se livrar daquele casamento. Três anos depois, ela finalmente conseguiu sair daquele relacionamento, mas havia se tornado tão dura e resistente quanto um diamante. Era também implacável. Nunca esquecia algum mal que lhe houvessem feito e era capaz de esperar pacientemente para se vingar. Eu testemunhei Bea esperar vinte e quatro anos por uma vingança, e aquilo a deixar feliz por vários meses. Ao homem que a estuprou, ela causou males intermináveis até que ele morresse. Na trepidante década de 1920, Bea estava com 20 anos e, por ser pobre, aprendeu a sobreviver por sua conta no ambiente selvagem e sem lei de Nova York. Ela entrou para o mundo do crime e, quando fez 21 anos, já liderava um grupo de ladrões em Nova Jersey e uma gangue de golpistas em Nova York. Com o início da Lei Seca, entrou em cena imediatamente para distribuir uísque em bares clandestinos – milhares de clubes ilegais que passaram a operar em Nova York. Bea foi bem-sucedida como uma fora da lei e estava decidida a me iniciar no mesmo caminho.

Quando fiz 4 anos, ela começou a me ensinar a furtar nas lojas e eu era alegremente parabenizado por meus pequenos sucessos. Bea não precisava mais furtar; apenas adorava fazê-lo. Como único adulto que cuidava de mim, ela me ensinou a sobreviver a qualquer preço e eu aprendi muito bem. Dizia para que não acreditasse em ninguém, especialmente nas mulheres, que, segundo ela, só queriam saber do que podiam tirar de mim. O começo da minha vida profissional foi feita de dolos, golpes e fraudes. Ninguém com quem eu negociasse estava a salvo. Eu enganava até os meus próprios amigos. Achava tudo aquilo muito divertido e ganhei muito dinheiro. No final do dia, Bea e eu sentávamos para conversar sobre as fraudes e os golpes que estávamos dando e ríamos muito de nossas artimanhas.

 

Você cria o seu futuro momento a momento

 

Pode-se imaginar como eram meus relacionamentos na época em que estive sob a influência de Bea. Eu sempre decepcionava minhas namoradas por causa das minhas atividades escusas; mentia para elas até mesmo em coisas bobas. Eu as traía e não tinha remorsos. Na verdade, adorava fazer isso, sem perceber que estava destruindo qualquer possibilidade de vir a ter um relacionamento amoroso e de confiança. Mantinha, inclusive, várias relações ao mesmo tempo, sem que uma namorada soubesse das outras. Casei quando estava com 21 anos, mas o relacionamento tinha chance zero de sucesso, diante da minha abundante falta de caráter. Quando minha esposa deu à luz nosso filho, eu estava em um clube noturno com outras duas mulheres. O casamento acabou um ano e pouco depois, quando minha esposa me viu saindo de um restaurante com uma de minhas namoradas. O que, finalmente, me salvou daquela vida criminosa e decepcionante foi meu apetite pela leitura. Lia diariamente, de preferência livros de ficção, e comecei a perceber que havia um jeito diferente de viver. Lia sobre coragem, bravura, integridade e heroísmo e passei a me sentir poderosamente atraído por uma vida como aquela.

Um dia, quando estava com 23 anos, mentalmente comecei a rever a carnificina que tinha feito na minha vida. Com certeza, tinha meu próprio escritório, e um patrimônio que eu mesmo construíra: erguera casas, vendera terras, fizera os negócios crescerem, mas não tinha sido capaz de manter nada. Não tinha amigos de verdade, minha reputação era terrível e todo mundo tinha medo de mim; eu era absolutamente decepcionante. Era um fracasso como marido, pai, amigo, empresário – um fracasso como homem; tinha magoado e prejudicado muita gente.

Naquele momento, percebi que Bea, aquela mãe protetora, generosa, amorosa e divertida que eu amava tanto e que também me amava muito, tinha me programado na direção errada. Seguindo o caminho que ela havia definido para mim, eu, com certeza, acabaria preso, sem amigos, sozinho e sem um relacionamento gratificante. Eu me sentia massacrado por meus remorsos e tomei a decisão de descobrir a rota para o verdadeiro sucesso, a verdadeira felicidade, o verdadeiro amor, a verdadeira paz interior e da prosperidade duradoura. Por vários anos, tentei modificar minha vida na cidade em que morava – Nova Jersey –, mas a influência de Bea era muito forte. Então, em 1965, aos 29 anos, peguei o carro e fui para a Califórnia, disposto a me tornar o homem que eu sonhava ser. Quando contei a Bea sobre meu plano de me transformar em uma pessoa honrada e íntegra, seu único comentário foi: “Que tolo!”. Ela tinha desprezo por esse modo de vida honesto. Desde 1965, eu tenho procurado a sabedoria para dar apoio às pessoas e trazê-las para o caminho do sucesso, amor de verdade, prosperidade abundante e felicidade duradoura. Essa busca levou-me a outros países e contatou-me com os mais antigos textos que têm sido transmitidos por milhares de anos. Um livro em particular – I Ching –, o livro da sabedoria chinesa com mais de cinco mil anos, foi de enorme valor. Nos textos desse e de outros livros, eu encontrei um caminho nítido para me levar aos maravilhosos dons que tanto procurava. Também aprendi sobre as Leis Universais – e sobre as Leis do Amor. Uma das lições mais importantes que aprendi naqueles anos foi que sou protagonista na criação do meu futuro, momento a momento, conforme vou respondendo aos eventos da minha vida. E isso se aplica também a você. Ser do jeito que você é, a todo momento, vivendo sua vida de acordo com sua filosofia foi o que o trouxe até aqui. Mudar sua filosofia vai provocar a mudança de tudo – dentro e fora de você. Na essência, nossos pensamentos produzem nossas ações, as quais, de acordo com as Leis Universais, produzem efeitos. Para nós, os efeitos se tornam o futuro.

Quais são suas expectativas?

 

Suas expectativas e intenções são uma parte poderosa de sua filosofia. Você cria seu mundo a partir delas. Funciona mais ou menos assim: se você pensa o mundo como um lugar de egoísmo, encontrará egoísmo. Ele é aquilo que você espera, o que procura, consequentemente, é o que terá. Recebendo atitudes de egoísmo e vendo suas expectativas confirmadas, você diz a si mesmo: “Eu sabia!”. Mas se pensar que o mundo é um lugar generoso, encontrará generosidade. Pensando em você mesmo como uma pessoa capaz, você se prepara para a realização; acreditando ser incapaz, você já falha desde o início e, assim, dificilmente vai conseguir realizar suas metas.

Quando você imagina a si mesmo como um fracasso ou com problemas intransponíveis em qualquer área de seus relacionamentos ou de sua vida, você está pensando no fracasso, agindo na direção do fracasso e produzindo fracasso. A antiga sabedoria chinesa diz o seguinte: “Momento a momento, moldamos nosso futuro. Usando a imaginação, você planta as sementes do sucesso ou planta as sementes de seu fracasso”. As pessoas que voluntariamente colocam fim na própria vida, fazem-no por uma única razão: elas ficaram desesperançadas porque usavam a imaginação para prever um futuro sombrio e infindável. Outras pessoas nas mesmas condições e circunstâncias usam suas imaginações para vislumbrar esperança. Como enxergam a possibilidade de que haja luz, felicidade e prosperidade no futuro, elas sobrevivem e se tornam felizes, prosperam naquele futuro positivo que conseguiram imaginar.

Quais são suas expectativas no que se refere ao seu relacionamento? Acredita que pode vir a ter um relacionamento gratificante e recompensador? Caso os relacionamentos que viu e vivenciou enquanto estava crescendo tenham feito você acreditar que ótimas relações não são possíveis, desafie essa crença agora, abrindo-se para a possibilidade de que isso pode ser diferente para você. Isso não é apenas uma possibilidade; é a verdade. Você é muito mais poderoso do que acredita e tudo o que você imagina está ao alcance de suas mãos.