As leis do amor: crie o relacionamento dos seus sonhos
Lei 7 O relacionamento lhe dará tudo que precisa
Lei 7
o relacionamento lhe dará tudo que precisa
Existem forças secretas em atuação, mantendo unido o que deve permanecer em união.
I Ching (3000 a.C.)
É provável que você já tenha ouvido que as pessoas semelhantes se atraem e as opostas se repelem. Trata-se de uma verdade parcial. O que você atrai é aquilo de que necessita; o que repele é aquilo de que não precisa. Existem forças constantemente em ação para manter unido o que deve seguir unido. Faz parte da antiga sabedoria transmitida há milhares de anos. Seu significado é que não é necessário preocupar-se em atrair a pessoa certa para seu relacionamento maravilhoso. Você atrairá o parceiro que possui o que você precisa para continuar seu aprimoramento, tornando-se o melhor ser humano possível.
É o Universo que coloca as pessoas em sua vida. O encontro aparentemente casual é seu destino acontecendo. A seguir, apresento uma pequena história para ilustrar. Minha esposa, Lyn Hamaguchi Prentiss, descendente de japoneses, tinha 18 anos quando entrou em um prédio para buscar um livro emprestado de uma colega de classe. Ao caminhar pelo corredor, ela notou uma mesa de escritório verde-claro muito parecida com a que seu pai usava para trabalhar em casa. Foi até a mesa e sobre o tampo viu um livro com capa cinza e amarela, cujo título era I Ching. Lyn abriu-o e leu alguns parágrafos. É um livro bastante complexo, escrito há milhares de anos. Deixou-o sobre a mesa, mas pensou que um dia gostaria de aprender mais sobre seu conteúdo. Vinte e seis anos depois, quando estava morando na ilha de Kauai, no extremo norte do Havaí, foi visitar uma amiga, Takako, também de origem japonesa. Estava olhando as estantes da biblioteca da amiga e viu um livro que tinha a expressão I Ching no título. Excitada por encontrar um livro sobre aquele tema tantos anos mais tarde, pegou o livro e o levou até Takako, que lhe disse: “Foi um amigo meu que escreveu esse livro”. O livro que Lyn tinha em mãos era um dos sete que escrevi sob meu pseudônimo chinês, Wu Wei, e tratava de filosofia chinesa, I Ching e o funcionamento do Universo. Na vez seguinte que fui a Kauai, Takako nos apresentou.
Essa foi a “coincidência” que fez com que Lyn e eu nos conhecêssemos. O Universo preparou Lyn vinte e seis anos antes para esse encontro. Talvez seja importante esclarecer que vinte e seis anos para o tempo do Universo representa menos do que a trilionésima parte de uma batida de asa de beija-flor. É assim que o Universo funciona. Você pode achar que foi coincidência. Mas essa é apenas uma palavra que usamos para descrever a fantástica e milagrosa forma de o Universo colocar juntos aqueles que devem estar juntos e tantos outros acontecimentos “por coincidência”.
Você pode estar em uma sala com centenas de pessoas e aquela que lhe chamar atenção é a escolhida pelo Universo para você conhecer. Depois, se vier a ter um relacionamento com essa pessoa, vocês contarão aos amigos como se conheceram e como ficaram surpresos por encontrar um ao outro naquela sala tão cheia de gente. Se perguntar aos próximos dez casais que conhecer, cada um deles terá uma história para contar sobre a “coincidência” que os apresentou um ao outro. Os relacionamentos são arranjados por escolha do Universo. Talvez você queira se casar com alguém rico. Esse pode ser seu principal critério, sua diretriz mais importante. Mas, se você casar com alguém rico, será porque o Universo está lhe oferecendo alguém com os atributos que precisa para se desenvolver em todos os aspectos. A riqueza dessa pessoa e seu desejo por riqueza são como o Universo atraiu você para seu parceiro.
Você pode se sentir atraído por uma pessoa devido à sua aparência, personalidade, suas realizações, caráter, maneiras (ou falta delas) ou por todas as outras características que formam um ser humano. Mas saiba que esse “pacote” contém todos os aspectos dos quais você precisa.
O propósito das parcerias
Está na hora de eliminar todas as dúvidas ainda existentes a respeito da intencionalidade do Universo de aproximá-lo de pessoas com quem você precisa estar. Ele os colocou juntos com um propósito: aprender um com o outro e aprimorarem-se como seres humanos. Provavelmente, haverá momentos felizes e horas apaixonadas; caso contrário, vocês não estariam juntos. Também haverá tensão, desacordo, ideias conflitantes, valores diversos e diferentes formas de expressão. Existe um modelo previsto para isso: o que mais o incomoda no relacionamento com seu parceiro, quase com toda certeza, é aquilo que você precisa aprimorar.
Se você é uma pessoa impaciente, que se irrita com facilidade, poderá relacionar-se com alguém que lhe dará muitas razões para praticar a paciência e a compaixão. Caso você seja muito preocupado ou excessivamente analítico, seu parceiro pode vir a ser uma pessoa intuitiva e espontânea. Se não consegue estabelecer e impor limites, talvez seu companheiro seja alguém que desrespeita os limites alheios e isso o forçará a desenvolver essa qualidade muito bem-vinda. E, claro, será você a ensinar seu companheiro o respeito pelos limites dos outros.
Para melhorar o relacionamento, dê uma olhada nas áreas de insatisfação e observe quais informações seu parceiro e as circunstâncias estão lhe oferecendo. Outro modo de dizer isso é: o que quer que esteja em sua vida agora é o que você precisa agora. Em qualquer estágio de desenvolvimento que esteja, o necessário virá até você naturalmente. O Universo o trará de um modo que vai parecer “coincidência”. E, quando você estiver pronto para dar o próximo passo em sua evolução, o novo parceiro estará à espera (ou já está em sua vida e você ainda não percebeu) e foi escolhido pelo Universo. Essa é a Lei Universal da Atração. Disse no capítulo anterior e repito: você não deve tolerar um relacionamento tóxico, que seja realmente destrutivo, caso esteja em uma situação assim, agora. Existem muitas razões que podem levá-lo a tal relacionamento, inclusive aprender a se valorizar mais para terminar essa relação perigosa e colocar foco naquela que você merece.
Quem nós atraímos
Um fator-chave, sempre deixado em segundo plano na dinâmica dos relacionamentos, é que atraímos pessoas em sintonia com nosso atual nível de desenvolvimento. Costumamos pensar sobre o tipo de parceiro que queremos, mas um aspecto tão importante quanto é quem nós podemos atrair sendo o tipo de pessoa que somos. Ralph Waldo Emerson, escritor, poeta e filósofo estadunidense, expressou esse conceito quando escreveu: “Veja outra vez a perfeição da Lei quando ela se aplica aos afetos... Como somos define com quem nos relacionamos”. Vi esse conceito em ação muitas vezes, mas uma delas chama mais minha atenção. Entre 1985 e 1986, eu realizava oficinas em Los Angeles para pessoas que não tinham a vida que queriam e desejavam trabalhar comigo por um mês para assumir o controle do que estava em desequilíbrio. Nós sempre sentávamos em círculo e, no primeiro dia de oficina, perguntava a cada pessoa presente o que queria para sua vida. As respostas eram as mais variadas: comprar a casa própria, conquistar independência financeira, encontrar a alma gêmea, progredir no trabalho, assumir o controle da empresa, sair da casa dos pais, aprender a namorar, encontrar a paz e tantas outras coisas que a maioria de nós costuma desejar. Se você estivesse em uma dessas oficinas, diria que uma de suas metas era aprender como atrair e criar o relacionamento dos seus sonhos. Um homem do grupo, que disse estar procurando seu par ideal, contou que já fizera um curso para encontrar o relacionamento dos seus sonhos, mas as aulas não funcionaram. Esse homem tinha aproximadamente 55 anos, cerca de quinze quilos de sobrepeso, não fazia a barba há uns dois dias, estava mal vestido e foi para lá dirigindo um carro antigo, obviamente, em péssimo estado.
Quando perguntei o que havia aprendido na oficina anterior, disse--me que o palestrante solicitou a todos uma lista dos atributos que gostariam de encontrar em seu par ideal e que carregassem sempre essa descrição. Quis saber se tinha a lista com ele e, quando disse que “sim”, pedi para que compartilhasse com todos os atributos que esperava encontrar em uma companheira ideal. Ele pegou duas folhas de papel, digitadas em espaço simples, e leu para nós.
Entre os itens listados, enumerou que gostaria de uma parceira bonita, sem sobrepeso, com cerca de 1,65 metro de altura, corpo longilíneo, seios grandes e cabelo castanho-escuro comprido e ondulado. Disse ainda que ela devia ter um estado de espírito amigável e sentir prazer em agradá-lo. Também queria que ela fosse uma boa massagista, cozinheira, pianista, talentosa como amante, soubesse esquiar e estivesse em boa situação financeira, porque ele nunca tivera sucesso nos negócios e, na verdade, estava trabalhando naquela época como temporário. A lista daquele homem era realmente fantástica.
Eu olhei para ele e perguntei: “E onde está a sua lista?”
“O que você quer dizer. Essa é a minha lista”, ele respondeu.
“Não.” Eu continuei. “Estou falando da lista para você mesmo. O homem que combina com a sua parceira. Você é um bom cozinheiro e massagista? Toca algum instrumento, considera-se um homem bonito ou tem outras qualidades que o tornariam o homem que combina com a parceira que descreveu?”
“Bem, eu sei esquiar”, ele concluiu.
“Se a mulher que você descreveu entrasse exatamente agora nessa sala”, eu disse, “e visse o homem que a chamou, ela provavelmente pensaria que alguém está lhe fazendo cair numa grande piada. Você precisa de uma lista para você com os atributos que combinem com a parceira que deseja. Sugiro que faça essa lista para você mesmo. Quando conquistar os atributos que combinem com a parceira que descreveu como a dos seus sonhos, ela vai aparecer”.
A vida não funciona do jeito que aquele homem acreditava, e sim do seguinte modo: você tem que ter valor para seu parceiro. Não estou dizendo que deve possuir exatamente as mesmas características que o companheiro dos seus sonhos. Na verdade, sempre atraímos as pessoas com qualidades que não dispomos, justamente para que haja aprendizado e equilíbrio. Se você não é uma mulher deslumbrante ou um homem maravilhoso, não significa que não atrairá uma pessoa bonita. Mas você deve ter outras boas qualidades e interesses em comum, capazes de atrair esse tipo de beleza para sua vida – e se manter ao lado de seu parceiro.
Atração não é amor
A maioria de nós não percebe por que atrai determinadas pessoas. Como já escrevi, seu conceito de companheiro ideal é formado de acordo com suas experiências anteriores de relacionamento e com o que observa nos outros. Você, provavelmente, já viu pessoas que estão em um relacionamento que gostaria de ter e também já deve ter conhecido relações que o fazem ficar feliz por aquele não ser seu parceiro. Também aprendemos sobre o “par ideal” em nossa família e com o que vemos e lemos na mídia. Grande parte dessas ideias instala-se em nosso subconsciente e nem percebemos que estão lá.
Quando olhamos alguém e nos sentimos atraídos é porque a pessoa remete àquela imagem subconsciente. Conforme você conhece melhor o caráter dela, pode sentir mais atração ainda ou repulsa, devido às experiências que já teve e as lições que aprendeu na vida.
O problema de confiar apenas na atração é que o relacionamento acaba quando termina a atração. Como observou Montaigne, pensador renascentista do século XVI: “Não há casamentos que fracassem mais depressa do que aqueles que se baseiam na beleza e no desejo amoroso”. A atração pode ser aquilo que nos conduz até o outro para gerar um relacionamento, mas não é o que nos mantém juntos. Atração não é amor. Ela explode no início do relacionamento por causa do desejo físico ou sexual ou por uma necessidade estar sendo atendida. Mas esses impulsos arrefecem mais cedo ou mais tarde. Mesmo que seja uma pessoa muito agradável, isso por si só não é suficiente para manter duas pessoas juntas.
De vez em quando, as pessoas se aproximam por causa de um interesse comum compartilhado em um momento da vida. O que acontece, então, quando o objetivo é conquistado ou quando elas não conseguem perseguir aquele objetivo comum? O que acontece se um dos parceiros não se interessa mais por aquele propósito? Vamos dizer, por exemplo, que você e seu companheiro se sentiram atraídos um pelo outro, basicamente, por uma paixão louca por montanhismo, mergulho submarino ou qualquer outro projeto. Depois do casamento, você perde o interesse em escalar ou mergulhar ou o projeto acaba e nunca mais se envolve nessa atividade com seu parceiro. Caso esse seja o único vínculo que vocês compartilham, os dois podem se afastar emocionalmente e o relacionamento talvez termine.
Portanto, quando você cria um relacionamento com base em um propósito comum e espera que dure, talvez se decepcione. Depois que o objetivo é alcançado, a menos que surja um novo propósito para criar um vínculo, o mais provável é que o relacionamento acabe. Essa verdade universal, ensinada no I Ching, é conhecida há milhares de anos: “Um relacionamento formado com base em um interesse comum dura somente enquanto durar o interesse comum”. Para ter um relacionamento de qualidade e de longo prazo, você deve ser capaz de ir além das razões que os uniram e compartilhar metas de longo prazo que sustentem o relacionamento. No começo e ao longo do relacionamento, você precisa construir os interesses em comum com seu companheiro. Envolver-se na vida dele. Não se torne um mero espectador. Caso esses vínculos de longo prazo estejam faltando em seu relacionamento, trate de encontrar metas compartilhadas, bem depressa. Interessar-se pela vida pessoal do parceiro é uma das melhores formas de encontrar aquilo que vai mantê-los juntos além da atração inicial. Por exemplo, descubra como você pode ajudá-lo em um negócio, projeto, hobby ou esporte. Talvez você possa se aproximar da família ou dos amigos dele ou ajudá-lo a realizar um antigo sonho ou desejo. Para descobrir qual pode ser essa área de interesse, converse com seu companheiro sobre suas esperanças, sonhos, aspirações e planos. Veja como é que você pode se encaixar neles.