Atendimento Nutricional a Crianças e Adolescentes: Visão Prática
Capítulo 7 Diagnóstico e Intervenção Nutricional – Processo de Assistência Nutricional
A avaliação do estado nutricional é uma etapa fundamental no atendimento de nutrição de crianças/adolescentes, uma vez que, por meio dela, é possível acompanhar o crescimento e o desenvolvimento e verificar se estes estão se afastando do padrão esperado, seja por doenças e/ou condições sociais desfavoráveis.
As informações obtidas a partir de estudos dietéticos,
bioquímicos, antropométricos e clínicos são os principais métodos para avaliar o estado nutricional e são usadas para determinar o estado de saúde da criança/adolescente influenciado pela ingestão e utilização de nutrientes. A importância da avaliação nutricional é evidente ao considerar que o diagnóstico nutricional é estabelecido a partir dela.
A finalidade do diagnóstico nutricional é identificar a existência
de distúrbios nutricionais e possibilitar assistência nutricional adequada.
O processo de assistência nutricional (PAN), segundo a
American Dietetic Association (ADA), deve ser um “método sistemático para resolução de problemas que os profissionais de nutrição empregam para pensar de modo crítico e tomar decisões para resolver problemas nutricionais”.
O PAN é um protocolo de assistência nutricional, elaborado com
base em um programa americano, o Nutrition Care Process (NCP), cujos objetivos são a resolução de problemas e o cuidado nutricional.
PASSOS PARA REALIZAR O PROCESSO DE
ASSISTÊNCIA NUTRICIONAL
Primeiro passo | Avaliação nutricional
A avaliação nutricional é a primeira etapa da assistência nutricional proposta pelo PAN e tem como objetivo identificar e diagnosticar os riscos nutricionais e planejar intervenções adequadas. Essa etapa consiste em uma avaliação abrangente e compreende medidas antropométricas, dados bioquímicos, exame físico e história clínica.
Segundo passo | Diagnóstico nutricional
O diagnóstico nutricional é expresso e documentado em um formato específico: problema, etiologia, sinais e sintomas (PES). O problema (P) descreve a(s) alteração(ões) apresentada(s) pelo indivíduo. Em geral, o problema é descrito por adjetivos, por exemplo: alterado, reduzido, risco de. A etiologia (E) descreve a(s) causa(s) ou o(s) fator(es) contribuinte(s) do problema. É relacionada com o problema por palavras como “relacionada com”. Os sinais e sintomas (S) são os fatores que constituem evidências de que há um problema. Eles quantificam e descrevem a gravidade do problema. Estão relacionados com a etiologia pelas palavras “evidenciado(s) por”.
Terceiro passo | Intervenção nutricional
O diagnóstico nutricional orienta a intervenção nutricional, que pode melhorar ou eliminar o problema nutricional. Essa intervenção é definida como uma ação que visa tratar o(s) problema(s) detectado(s) pela avaliação nutricional e descrito(s) no formato PES, no diagnóstico nutricional. A etapa de intervenção nutricional consiste em planejamento e implementação. É recomendado o estabelecimento de intervenções baseadas nas melhores evidências disponíveis e no julgamento clínico do nutricionista.
A primeira etapa do planejamento da intervenção nutricional é a
prescrição nutricional, que considera o estado nutricional em que a criança se encontra e também a existência de doenças associadas ou condições clínicas temporárias ou definitivas, que exijam modificação na dieta.
A prescrição nutricional aborda o(s) problema(s) nutricional(ais)
de forma geral. A segunda etapa do planejamento nutricional é o estabelecimento de uma intervenção para cada problema detectado.
Quarto passo | Monitoramento e reavaliação
nutricional
Os sinais e sintomas são monitorados pelo nutricionista para determinar o progresso em relação à resolução do diagnóstico nutricional. A reavaliação é realizada comparando os novos dados reunidos durante o monitoramento com as condições preexistentes, os resultados esperados e/ou os padrões de referência estabelecidos.
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