Atendimento Nutricional a Crianças e Adolescentes: Visão Prática

Capítulo 2 Avaliação Nutricional

AVALIAÇÃO ANTROPOMÉTRICA

 

O método antropométrico baseia-se na medição das variações das dimensões físicas e da composição global do corpo humano, em diferentes idades.

A antropometria, por ser um método sensível às alterações do

crescimento, do desenvolvimento e da composição corporal do público infanto-juvenil, é prático, não invasivo e de fácil utilização e padronização. Como não envolve altos custos, permite avaliar a condição atual do estado nutricional, tanto em nível individual quanto populacional deste grupo etário, bem como acompanhar alterações corporais a longo do tempo e/ou verificar o impacto das intervenções nos casos dos distúrbios nutricionais.

As medidas antropométricas mais utilizadas para a faixa etária

de 2 anos completos até 20 anos incompletos são: peso, estatura, perímetro braquial e dobras cutâneas do tríceps e subescapular.

Por serem atividades relativamente simples e de rotina em

diversos serviços de saúde, a tomada das medidas antropométricas necessita de local próprio e reservado para a coleta dos dados, equipamentos adequados, calibrados e com manutenção, treinamento e capacitação dos antropometristas.

A seguir será detalhado cada procedimento de coleta das

medidas antropométricas propostas pelo Ministério da Saúde (Brasil, 2004).

 

Local para a coleta das medidas antropométricas Para a coleta satisfatória de medidas antropométricas, inicialmente deve-se optar por um espaço suficiente que permita a liberdade de movimentos, bem como o adequado posicionamento dos equipamentos antropométricos.

 

Requisitos dos examinadores

 

São evidentes os erros observados nos procedimentos de coleta das medidas, leitura ou anotação dos valores obtidos. Diversas são as situações que poderiam ser evitadas com bom treinamento do examinador, mediante orientação dos protocolos para os procedimentos, resultando em dados precisos e confiáveis, além de manutenção dos equipamentos.

O examinador deverá estar concentrado e atento às coletas,

sobretudo em crianças, devido à dificuldade em manter as posições adequadas para obtenção dos valores. Quando tiver dúvidas, sempre deve repetir o procedimento, sendo que o valor deverá ser registrado, com boa caligrafia, imediatamente após a coleta.

 

Descrição dos equipamentos e técnicas

antropométricas

 

Pesagem em crianças e adolescentes

 

O peso deve ser obtido com crianças/adolescentes (de 2 anos completos a 20 anos incompletos) descalços e com roupas bem leves. Objetos pesados, como chaves, cintos, óculos, telefones celulares e quaisquer outros que possam interferir no peso total, devem ser retirados. A balança deve estar afastada da parede.

A pesagem em crianças e adolescentes requer:

◆ Equipamento: balança plataforma mecânica ou eletrônica

(digital)

◆ Técnica para medir o peso, em balança plataforma mecânica:

• o 1 : Destravar a balança

• o 2 : Verificar se a balança está calibrada (a agulha do braço e

o fiel devem estar na mesma linha horizontal). Caso contrário, calibrar girando, lentamente, o calibrador

• o 3 : Esperar até que a agulha do braço e o fiel estejam

nivelados

• o 4 : Travar a balança

• o 5 : Posicionar a criança/adolescente de costas para a

balança, descalça, com o mínimo de roupa possível, no centro do equipamento, ereta, com os pés juntos e os braços estendidos ao longo do corpo

• o 6 : Destravar a balança

• o 7 : Mover o cursor maior sobre a escala numérica, para

marcar os quilos

• o 8 : Mover o cursor menor, para marcar os gramas

• o 9 : Esperar até que a agulha do braço e o fiel estejam

nivelados

• o 10 : Travar a balança, evitando que sua mola desgaste,

assegurando o bom funcionamento do equipamento

• o 11 : Realizar a leitura, de frente para o equipamento, a fim

de visualizar melhor os valores apontados pelos cursores

• o 12 : Anotar o peso imediatamente

• o 13 : Retirar a criança/adolescente

• o 14 : Retornar os cursores ao zero, na escala numérica.

 

OBSERVAÇÃO

 

Se for utilizar balança eletrônica (digital), no 1o passo, a balança deve ser ligada, o

examinador deve esperar o aparecimento do zero no mostrador, e só então a criança/adolescente deve ser colocada sobre ela, para dar início aos demais

procedimentos descritos anteriormente. A Figura 2.1 mostra a técnica de modo esquemático.

Figura 2.1 Pesagem de crianças/adolescentes com idade de 2 anos completos a 20 anos incompletos. Fonte: Ministério da Saúde, 2004.

 

Estatura em crianças e adolescentes

 

A estatura é a medida com a criança/adolescente na posição de pé. Para adquirir a medida da estatura em crianças e adolescentes são necessários:

◆ Equipamento: estadiômetro/antropômetro vertical, fixo/portátil

ou fita métrica inextensível (fixada em parede lisa, sem rodapé) e esquadro

◆ Técnica para medir a estatura:

• o 1: Posicionar a criança/adolescente descalça e com a cabeça

livre de adereços no centro do equipamento. Mantê-la de pé,

ereta, com os braços estendidos ao longo do corpo, com a cabeça erguida, olhando para um ponto fixo na altura dos olhos

• o 2: A cabeça do avaliado deve ser posicionada no plano de

Frankfurt (quando a margem inferior da abertura do orbital e a margem superior do meato auditivo externo ficarem na mesma linha horizontal)

• o 3: As pernas devem estar paralelas, mas não é necessário

que as partes internas das mesmas estejam encostadas. Os pés devem formar um ângulo reto com as pernas

• o 4: Abaixar a parte móvel do equipamento/esquadro,

fixando-a contra a cabeça, com pressão suficiente para comprimir o cabelo

• o 5: Realizar a leitura da estatura, sem soltar a parte móvel do

equipamento/esquadro

• o 6: Anotar, imediatamente, o resultado.

 

OBSERVAÇÃO

 

De modo ideal, a criança/adolescente deve encostar calcanhares, panturrilhas,

glúteos, escápulas e parte posterior da cabeça (região do occipital) no equipamento. Quando não for possível encostar esses cinco pontos, devem ser posicionados no mínimo

três deles. A Figura 2.2 mostra a técnica de modo esquemático.

Figura 2.2 Medida da estatura de crianças/adolescentes, com idade de 2 anos completos a 20 anos incompletos. Fonte: Ministério da Saúde, 2004.

 

 

Índices e indicadores antropométricos

 

Os índices antropométricos são obtidos a partir da relação entre duas ou mais variáveis, principalmente o peso e a estatura com o gênero e a idade, permitindo a interpretação e o diagnóstico antropométrico de crianças/adolescentes. A partir dos índices antropométricos, é possível construir os indicadores que permitem localizar crianças ou adolescentes dentro de uma faixa aceita como normalidade, de acordo com a referência de crescimento adotada, podendo ser representada como percentil ou escore-z.

O percentil indica a posição de um indivíduo em uma dada

distribuição de referência.

Por exemplo: uma criança de 4 anos de idade do gênero

masculino, com 103,3 cm de estatura, encontra-se no percentil 50 para o índice E/I (vide curva de crescimento A. 23, no Apêndice).

Escore-z é outro termo estatístico e quantifica a distância do

valor observado em relação à mediana dessa medida. É expresso em unidades de desvios padrão.

O escore-z é calculado pela seguinte fórmula:

 

No exemplo citado, a criança de 4 anos de idade do gênero

masculino, com 103,3 cm de estatura, encontra-se no escore-z zero, pois coincide com a mediana. Vide curva A.7 | no Apêndice.

Tanto o percentil quanto o escore-z são formas utilizadas para

representar os índices antropométricos, adotados para análise individual e populacional de crianças/adolescentes. As curvas de crescimento para crianças/adolescentes adotadas pelo Ministério da Saúde são expressas em escore-z e permitem o acompanhamento do crescimento.

Para estudo populacional usa-se o escore-z e definem-se,

estatisticamente, como baixo peso ou estatura, valores abaixo de “– 2 escores-z”; para excesso de peso são considerados os valores acima de “12 escores-z”.

Estes valores críticos delimitam, em uma distribuição normal, o

intervalo de “normalidade”, em cerca de 95,4% das observações, dentro de dois desvios padrão acima e abaixo da mediana.

Para avaliação de populações, assume-se que as medidas

antropométricas dos indivíduos sigam uma distribuição normal, ou

seja, conforme a curva ilustrada na Figura 2.3.

 

Diagnóstico coletivo

 

Em uma análise populacional, considerando-se o conjunto de crianças com baixo peso ou baixa estatura, a prevalência esperada (i. e., abaixo do escore-z – 2,0) é de apenas 2,3% das crianças, assim como também são esperados 2,3% de crianças acima do peso

(acima do escore-z 12,0) (Figura 2.3).

 

Figura 2.3 Curva de distribuição normal (curva de Gauss). dp = desvio padrão; Z= escore-z.

Diagnóstico individual | Análise das curvas de

crescimento

 

Para análise individual, é possível verificar por meio das curvas de crescimento o valor ganho da medida coletada (peso ou comprimento/estatura) e acompanhar a evolução antropométrica

das crianças, conforme ilustrado na Figura 2.4. Os gráficos com as curvas de crescimento de crianças/adolescentes encontram-se no Apêndice, ao final da obra.

 

Figura 2.4 Interpretação do gráfico de crescimento em relação à inclinação do traçado em medidas consecutivas.

Assim sendo, esses traçados podem ser analisados da seguinte

maneira:

◆ Curva ascendente: quando a criança apresenta velocidade de

ganho pôndero-estatural adequada, porém deve-se atentar quando a inclinação do traçado de índice de massa corporal

para idade (IMC/I) e peso para idade (P/I) demonstrar ganho de peso excessivo

◆ Curva estacionada: semelhante a uma reta, indica crescimento

inadequado, devendo-se realizar intervenções nutricionais e acompanhamento da evolução nas consultas sequentes

◆ Curva descendente: demonstra diminuição da velocidade de

ganho de peso e/ou de estatura. Sugere-se investigação do problema, bem como a intervenção e acompanhamento da evolução nas consultas seguintes.

 

O mesmo deve ser observado nos adolescentes, no entanto

devem-se utilizar somente os índices IMC/I e estatura para idade (E/I).

Os índices antropométricos utilizados, tanto para a população

infantil quanto adolescente, têm significados específicos e expressam indicadores distintos.

A seguir serão descritos os índices antropométricos e os

respectivos indicadores, bem como os pontos de corte para avaliação individual.

 

Peso para idade (P/I)

 

Reflete o peso corporal em relação à idade da criança. O baixo peso ou o excesso de peso para idade pode ser apenas um indicativo de

problemas, de déficit ou excesso ponderal (Quadro 2.1). Nesse sentido, deve-se averiguar, por meio de outros índices, o desvio nutricional encontrado ou realizar o acompanhamento da criança ao longo do tempo, observando-se o traçado da curva de crescimento: ascendente, horizontal ou descendente.

 

Quadro 2.1 Pontos de corte do índice de peso para idade, para análise

individual, de crianças menores de 10 anos.

Valores críticos Diagnóstico nutricional

< Percentil 0,1 < Escore-z –3 Muito baixo peso para a idade

≥ Percentil 0,1 e ≥ Escore-z –3 e Baixo peso para a idade < Percentil 3 < Escore-z –2

≥ Percentil 3 e ≥ Escore-z –2 e Peso adequado ou eutró co ≤ Percentil 97 ≤ Escore-z +2

> Percentil 97 > Escore-z +2 Peso elevado para a idade*

Fonte: OMS, 2006, 2007.

*Este índice não é o mais recomendado para a avaliação do excesso de peso entre as crianças, sugere-se que a interpretação seja realizada pelos índices P/E ou IMC/I.

 

Estatura para idade (E/I)

 

O índice estatura para a idade faz uma estimativa do crescimento linear das crianças, sendo um importante indicador para os casos crônicos ou pregressos de desnutrição, o que caracteriza baixa

estatura para idade (Quadro 2.2). A análise deve ser cautelosa, uma vez que existem crianças que são, geneticamente ou naturalmente, mais baixas que a referência, e esse valor não necessariamente será reflexo de má nutrição ou condições patológicas.

 

Pontos de corte do índice de estatura para idade, para análise

Quadro 2.2 individual, de criança/adolescente com idade de 2 anos completos a

20 anos incompletos.

Valores críticos Diagnóstico nutricional

< Percentil 0,1 < Escore-z -3 Muito baixa estatura para a idade

≥ Percentil 0,1 e ≥ Escore-z -3 e Baixa estatura para a idade

< Percentil 3 < Escore-z -2

≥ Percentil 3 ≥ Escore-z -2 Estatura adequada para a idade

Fonte: OMS, 2006, 2007.

 

Peso para estatura (P/E)

 

É um indicador que permite verificar o estado nutricional atual de crianças. Também é útil para avaliar os impactos de programas de intervenções, sendo sensível às alterações do estado nutricional

(Quadro 2.3). Reflete a distribuição do peso corporal em relação à estatura. O ganho de peso insuficiente em relação à estatura, ou perda de peso, resulta frequentemente de um processo recente e grave ligado a fome aguda e/ou doença grave (p. ex., diarreia, infecção respiratória aguda) associada a um processo “agudo”. A análise deve ser cautelosa, uma vez que este índice não leva em consideração a idade.

 

Quadro 2.3 Pontos de corte do índice de peso para estatura para análise

individual, de crianças menores de 5 anos.*

Valores críticos Diagnóstico nutricional

< Percentil 0,1 < Escore-z –3 Magreza acentuada

≥ Percentil 0,1 e ≥ Escore-z – 3 e Magreza

< Percentil 3 < Escore-z –2

≥ Percentil 3 e ≥ Escore-z – 2 e Eutro a

≤ Percentil 85 ≤ Escore-z 11

> Percentil 85 e > Escore-z 11 e Risco de sobrepeso

≤ Percentil 97 ≤ Escore-z 12

> Percentil 97 e > Escore-z + 2 e Sobrepeso ≤ Percentil 99,9 ≤ Escore-z 13

> Percentil 99,9 > Escore-z 13 Obesidade

Fonte: OMS, 2006.

*A Organização Mundial da Saúde apresenta referências de peso para estatura, apenas para menores de 5 anos, pelo padrão de crescimento de 2006. A partir desta idade, deve ser utilizado o índice de massa corporal para idade para avaliar a proporção entre o peso e a estatura da criança.

 

Índice de massa corporal para idade (IMC/I)

 

Expressa a distribuição do peso corporal em relação à estatura e à idade da criança/adolescente (≥ 2 anos e ≤ 20 anos), tendo como indicador antropométrico o excesso de peso (sobrepeso ou

obesidade) ou o baixo peso (Quadros 2.4 e 2.5).

 

Estágios de Tanner

 

Na adolescência, devido ao estirão puberal e à rápida velocidade

de mudanças corporais, os dados antropométricos tornam-se ainda mais importantes para o acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento.

 

Quadro 2.4 Pontos de corte do índice de massa corporal para idade, para

análise individual, de crianças menores de 5 anos.

Valores críticos Diagnóstico nutricional

< Percentil 0,1 < Escore-z –3 Magreza acentuada

≥ Percentil 0,1 e ≥ Escore-z –3 e Magreza ≤ Percentil 3 ≤ Escore-z – 2

> Percentil 3 e > Escore-z –2 e Eutro a

≤ Percentil 85 ≤ Escore-z +1

> Percentil 85 e > Escore-z +1 e Risco de sobrepeso

≤ Percentil 97 ≤ Escore-z +2

> Percentil 97 e > Escore-z +2 e Sobrepeso

≤ Percentil 99,9 ≤ Escore-z +3

> Percentil 99,9 > Escore-z +3 Obesidade

Fonte: OMS, 2006

 

Pontos de corte do índice de massa corporal para idade, para

Quadro 2.5 análise individual, de crianças a partir de 5 anos completos até 20

anos incompletos.

Valores críticos Diagnóstico nutricional

< Percentil 0,1 < Escore z –3 Magreza acentuada

≥ Percentil 0,1 e ≥ Escore z –3 e Magreza

< Percentil 3 < Escore z –2

≥ Percentil 3 e ≥ Escore z –2 e Eutro a

≤ Percentil 85 ≤ Escore z +1

> Percentil 85 e > Escore z +1 e Sobrepeso

≤ Percentil 97 ≤ Escore z +2

> Percentil 97 e > Escore z +2 e Obesidade

≤ Percentil 99,9 ≤ Escore z +3

> Percentil 99,9 > Escore z +3 Obesidade grave

Fonte: OMS, 2007.

 

Os índices mais adequados para serem utilizados na adolescência são P/E e IMC/I, propostos pela OMS, 2007.

Para a avaliação e o acompanhamento do crescimento e o

desenvolvimento de adolescentes, Tanner estabeleceu cinco estágios para classificar a maturação sexual, os quais levam em consideração o desenvolvimento das mamas e o aparecimento de pelos pubianos em meninas e, em meninos, o desenvolvimento da genitália e o aparecimento de pelos pubianos.

A avaliação desses estágios é feita por exame físico realizado

por um médico, com experiência clínica com adolescentes, ou utilizando a autoavaliação. Neste último método podem existir falhas, mas em casos individuais o profissional pode confirmar ou suspeitar do resultado, pela avaliação nutricional.

Para auxiliar o nutricionista a realizar o diagnóstico nutricional e

a estabelecer a melhor estratégia de intervenção nutricional, são descritas a seguir as principais características de crescimento e compleição corporal de acordo com os estágios propostos por

Tanner e demonstrados na Figura 2.5 e no Quadro 2.6.

 

Estágio 1 (P1M1/P1G1). Nessa fase, meninos com menos de 11

a 12 anos e meninas com menos de 9 a 10 anos apresentam características físicas infantis. A transição desse estágio para o estágio 2 é muito importante para a verificação de parâmetros que possam sugerir algum distúrbio metabólico ou endócrino. No período que antecede o estirão pubertário, ou seja, por volta de 8 a 9 anos no gênero feminino e 10 a 11 anos no gênero masculino, a criança passa por uma fase denominada repleção energética. Essa fase caracteriza-se por acúmulo de tecido adiposo, que consiste em uma reserva de energia para o estirão de crescimento. Isto é, a criança tem uma aparência mais “gordinha” o que é considerado normal desde que não ultrapasse 20% de excesso de peso em relação ao esperado para a estatura.

Estágio 2 (P2M2/P2G2). Essa fase para os meninos é

representada como início da puberdade, diferentemente do que ocorre com as meninas. As meninas iniciam o estirão de crescimento, isto é, um aumento em torno de 20 a 25 cm (o valor depende do potencial genético). Cerca de 2 anos após este período, elas apresentarão a menarca.

 

Estágio 3 (P3M3/P3G3). Nesse estágio, a adolescente pode

apresentar um aspecto físico longilíneo e “emagrecido”, pois já passou pelo estirão pubertário. A menarca vai ocorrer no final desse estágio, na transição para o estágio 4. Para os garotos, o estágio 3 representa o período do estirão pubertário. Em média, os meninos estão entre 13 e 14 anos e têm estatura média de 150 cm, iniciando o processo de desaceleração do crescimento.

 

Estágio 4 (P4M4/P4G4). No estágio P4M4 as meninas já

apresentam um aspecto físico mais semelhante ao adulto, deixando para trás o corpo “infantil”. A estatura já deve ter atingido ou estar próxima do potencial genético esperado, e a composição corporal poderá sofrer mudanças por mais alguns anos. Já para os meninos, este estágio reflete a desaceleração do crescimento, saindo da fase do estirão pubertário e, portanto, podem apresentar características emagrecidas. No final desta fase, os garotos ganham tecido adiposo e muscular com mais intensidade. A estatura dos meninos, neste estágio, está próxima da definitiva, podendo ocorrer variações individuais, como, por exemplo, o acréscimo de 6 a 7 cm.

 

Estágio 5 (P5M5/P5G5). Essa fase, tanto para os meninos quanto para as meninas, indica a finalização do processo de maturação sexual, de grandes modificações corporais e do crescimento linear. Os parâmetros físicos desse estágio sinalizam a entrada dos adolescentes na vida adulta.

Os adolescentes de mesma idade e gênero podem apresentar

estágios diferentes de maturação sexual, o que torna mais complexa a avaliação do estado nutricional. Portanto, neste período, a idade cronológica é uma variável inadequada para caracterizar o crescimento, sendo necessário associar os indicadores de maturação sexual ao peso, à estatura, à idade e ao gênero para melhor classificação do estado nutricional nesta faixa etária.

 

Quadro 2.6 Características do adolescente de acordo com o gênero e o estágio

de maturação sexual de Tanner.

Gênero masculino Pelos pubianos Genitália

Estágio 1 Ausentes Características infantis em alteração

Estágio 2 Presença de pelos nos e Aumento do pênis pequeno ou

claros ausente, aumento inicial do volume

testicular

Estágio 3 Púbis coberta Crescimento peniano em

comprimento, maior crescimento dos

testículos e do escroto

Estágio 4 Com características Crescimento peniano, principalmente

semelhantes às do adulto, no diâmetro sem extensão para coxas

Estágio 5 Com características Desenvolvimento completo da

semelhantes às do adulto, genitália com extensão para coxas

Gênero feminino Pelos pubianos Mamas

Estágio 1 Ausentes Sem modi cação da fase infantil

Estágio 2 Pequena quantidade: Brotos mamários, elevação da aréola

longos, nos e lisos, e das papilas, formando uma

distribuídos ao longo dos pequena saliência grandes lábios

Estágio 3 Aumento em quantidade e Maior aumento da mama e da aréola,

espessura, mais escuros e mas sem separação dos contornos

encaracolados

Estágio 4 Com características Maior crescimento da mama e da

semelhantes às do adulto, aréola, sendo que há separação dos

cobrindo mais densamente contornos a região púbica, sem

atingir as coxas

Estágio 5 Com características Mamas com aspecto adulto, o

semelhantes às do adulto, contorno areolar é incorporado, invadindo a parte interna novamente, ao contorno da mama

das coxas

Fonte: Ministério da Saúde, 2006e.

Figura 2.5 A Estágios de maturação sexual feminina - pranchas de Tanner.

Figura 2.5 B Estágios de maturação sexual masculina – pranchas de Tanner.

 

AVALIAÇÃO BIOQUÍMICA

A análise dos exames laboratoriais em crianças/adolescentes auxilia no diagnóstico de carências específicas, e o nutricionista pode utilizar os resultados dos exames como indicadores de estado nutricional e/ou de acompanhamento metabólico.

Os exames laboratoriais mais solicitados e/ou analisados para

crianças/adolescentes em consultórios e ambulatórios são: perfil lipídico, glicemia e hemograma completo.

 

AVALIAÇÃO CLÍNICA

 

O exame clínico permite observar sinais e sintomas, dentre eles: alterações nos tecidos epiteliais externos como pele, olhos, cabelo e mucosa bucal, que podem estar relacionados com nutrição inadequada. Trata-se de um exame prático, simples (embora exija treinamento do avaliador) e de baixo custo, porém com limitações ao ser analisado isoladamente.

O Quadro 2.7 ilustra os sinais mais frequentes de carências

nutricionais e sua associação ao diagnóstico em crianças e adolescentes.

 

Quadro 2.7 Sinais mais frequentes de carências nutricionais especí cas e sua

associação ao diagnóstico.

Sinais clínicos Diagnóstico

Cabelo Perda de brilho natural; Desnutrição proteico-calórica (DPC)

no e esparso; quebradiço;

despigmentado; fácil de

arrancar; sinal de bandeira

Face Seborreia nasolabial; face De ciência de ribo avina (B2);

edemaciada (“lua cheia”); desnutrição proteico-calórica (DPC);

palidez de ciência de ferro

Olhos Conjuntiva pálida; mancha De ciência de ferro, de vitamina A,

de Bitot; xerose de ribo avina (B2) e/ou piridoxina conjuntival; xerose de (B6) córnea; queratomalacia;

vermelhidão e ssura de

epicantos; arco córneo

Lábios Estomatite angular; De ciência de ribo avina (B2)

escaras do ângulo;

queilose

Língua Língua escarlate e De ciência de niacina (B3 ou PP ou

in amada; língua magenta ácido nicotínico) (púrpura); língua

edematosa

Dentes Esmalte manchado De ciência de úor

Gengivas Esponjosas, vermelhas e De ciência de ácido ascórbico (C)

sangrantes

Pele Xerose; hiperqueratose De ciência de vitamina A, de ácido

folicular; petéquias; ascórbico (C), de niacina (B3 ou PP ou pigmentação edematosa ácido nicotínico) e de ribo avina (B 2)

avermelhada nas áreas de

exposição ao sol;

dermatose vulvar e

escrotal

Unhas Coiloníquia; quebradiças De ciência de ferro

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria, 2009.

 

AVALIAÇÃO DIETÉTICA

A avaliação dietética tem como objetivo identificar a qualidade e quantidade da ingestão alimentar para, posteriormente, avaliá-la em relação às recomendações nutricionais. Os inquéritos dietéticos são essenciais para a investigação de deficiências ou excessos nutricionais, assim como o padrão de consumo alimentar.

Crianças/adolescentes apresentam limitações em sua capacidade

de cooperação com a avaliação dietética, relacionadas com vocabulário restrito, entendimento limitado do conceito tempo, memória limitada e pouco conhecimento sobre alimentos, modo de preparo e porcionamento.

Vários estudos de validação foram realizados para testar técnicas

e instrumentos de avaliação do consumo alimentar de crianças em idade escolar fora do Brasil.

No Brasil são raros os estudos destinados à avaliação do

consumo alimentar de crianças. Para tanto, foi desenvolvido por Assis et al. (2009), o Questionário Alimentar do Dia Anterior (QUADA). Trata-se de um instrumento ilustrado, para a faixa etária de 6 a 10 anos, com a finalidade de obter dados de consumo de alimentos, nas diferentes refeições do dia anterior.

Os alimentos incluídos no QUADA foram selecionados levando-

se em conta: os hábitos alimentares das crianças da faixa etária em observação, a disponibilidade de alimentos, o cardápio oferecido nas escolas públicas e o Guia Alimentar para a População Brasileira, 2008.

Para os adolescentes sugere-se o uso dos mesmos inquéritos

dietéticos aplicados para a população adulta.

 

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