Biologia e Ecologia dos Vertebrados
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Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.
Família RecurvirostridaeBR (3 gên., 9 spp.), pop. pernilongo; distribuição global. Aves de médio a grande porte, associadas a hábitats aquáticos continentais e marinhos. Apresentam pernas e bicos excepcionalmente longos e finos.
Família BurhinidaeBR (2 gên., 9 spp.), pop. téu-téu; distribuição global. Aves de grande porte, que ocorrem em áreas abertas ou semiabertas, e algumas associadas a hábitats aquáticos. Apresentam hábito noturno e são semelhantes em aparência a Charadriidae.
Família ChionidaeBR (1 gên., 2 spp.), pop. pomba-antártica; distribuição restrita à Antártida. Aves de grande porte, associadas a hábitats marinhos. Apresentam corpo compacto. São oportunistas, se alimentam das fezes de outras aves ou até mesmo de filhotes de outras aves marinhas.
Família ScolopacidaeBR (20 gên., 95 spp.), pop. narceja e maçarico; distribuição global. Aves de pequeno, médio e grande porte, associadas principalmente a hábitats aquáticos, em especial marinhos costeiros. Mostram dois tipos de adaptações do bico, ranfoteca dura e ranfoteca elástica com a ponta sensível, para a captura de presas dotadas de exoesqueleto rígido e presas moles, respectivamente.
Família ThinocoridaeBR (2 gên, 4 spp.), pop. agachadeira; distribuição restrita à América do Sul. Aves de médio a grande porte, associadas a hábitats abertos, por vezes desérticos. Pernas e bico curtos lhes conferem aparência muito similar à dos Columbidae.
Família JacanidaeBR (6 gên., 8 spp.), pop. jaçanã; distribuição global. Aves de médio porte e algumas espécies de grande porte, associadas a hábitats aquáticos com vegetação aquática flutuante. Exibem dedos extremamente longos, adaptados para caminhar sobre a vegetação aquática enquanto forrageiam.
Família RostratulidaeBR (2 gên., 3 spp.), pop. narceja; distribuição abrange a América do Sul, África, Sul e Sudeste Asiático e Austrália. Aves de médio porte, associadas a hábitats aquáticos como planícies alagáveis. Seus bicos são medianamente longos, podendo ser retilíneos ou curvilíneos.
Família GlareolidaeBR (4 gên., 17 spp.), pop. perdiz-do-mar; distribuição global. Aves de médio porte, associadas a hábitats abertos e áridos, mas algumas espécies são associadas a hábitats aquáticos. Apresentam bico curto e curvilíneo. Capturam insetos em voo, o que é pouco comum dentre Charadriiformes.
Família Alcidae (11 gên., 25 spp.), pop. alca ou papa-gaio-do-mar; distribuição restrita aos oceanos mais frios do hemisfério norte. Aves de grande porte e algumas espécies de médio porte, associadas a hábitats marinhos. Apresentam aparência similar à dos pinguins (Spheniscidae); no entanto, apesar de suas asas curtas, conseguem voar. Exibem pés dotados de membranas interdigitais.
Família StercorariidaeBR (1 gên., 7 spp.), pop. skua; distribuição abrange as regiões litorâneas temperadas e polares do globo terrestre. Aves de grande porte, associadas a hábitats marinhos. Semelhantes aos petréis (Procellariidae). São predominantemente carniceiras, mas algumas espécies podem ser predadoras.
Família LaridaeBR (24 gên., 105 spp.), pop. gaivota, trinta-réis e talha-mar; distribuição global. Aves de grande porte, associadas a hábitats marinhos e algumas a grandes rios. Corpo robusto, com pernas e bico curtos e asas longas. Há membranas interdigitais completas.
Ordem Cathartiformes
Família CathartidaeBR (5 gên., 7 spp.), pop. urubu e condor; distribuição restrita às Américas. Aves de grande porte, associadas a uma variedade de hábitats, desde florestas até ambientes antropizados, inclusive cidades. Apresentam grande eficiência para o voo planado, o que, em associação ao seu olfato bem desenvolvido, auxilia na localização de carne em putrefação, sua fonte de alimento.
Ordem Accipitriformes
Família Sagittariidae (Sagittarius serpentarius), pop. secretário; distribuição restrita à África Subsaariana. Ave de grande porte com corpo similar ao de outras aves de rapina (Accipitridae), com exceção das pernas excepcionalmente longas, semelhantes às das garças (Ardeidae). Apresenta crista na porção posterior da cabeça.
Família PandionidaeBR (Pandion haliaetus), pop. águia-pes-cadora; distribuição abrange todos os continentes, com exceção da Antártida. Ave de grande porte, associada a hábitats aquáticos, como grandes rios e lagos. Suas características são muito similares às dos gaviões e águias em geral (Accipitridae). Apresentam reversibilidade do dedo mais externo, o que aumenta a eficiência da captura de peixes, suas principais presas.
Família AccipitridaeBR (67 gên., 251 spp.), pop. gavião e águia; distribuição global. Aves de grande porte e algumas espécies de médio porte, que ocorrem em grande variedade de hábitats terrestres, tais como florestas, áreas abertas e ambientes antropizados; algumas espécies são associadas a hábitats aquáticos. Apresentam bico e garras fortes e afiados, que juntamente com sua grande capacidade visual os torna predadores notavelmente eficazes na captura e abate de suas presas.
Ordem Coliiformes
Família Coliidae (2 gên., 6 spp.), pop. rabo-de-junco; distribuição restrita à África Subsaariana. Aves de médio porte, cuja aparência lembra a dos anus. O dedo mais externo é reversível, o que, dentre outras adaptações, confere a estas aves grande eficiência no deslocamento em folhagem densa.
Ordem Strigiformes
Família StrigidaeBR (29 gên., 202 spp.), pop. coruja, caburé; distribuição global. Aves de médio a grande porte, associadas a uma grande variedade de hábitats terrestres, tais como florestas, áreas abertas e semiabertas e ambientes antropizados. Olhos grandes posicionados à frente da cabeça lhes conferem excelente visão binocular que, associada à audição bem desenvolvida, possibilita a captura de presas mesmo sob condições de pouquíssima luminosidade. Algumas espécies também exibem as penas da face dispostas na forma de um disco facial, que atua como estrutura de captação e convergência do som em direção ao ouvido. Suas penas são pouco rígidas e a disposição das rêmiges torna seu voo excepcionalmente silencioso.
Família TytonidaeBR (2 gên., 18 spp.), pop. coruja-da-igreja; distribuição global. Aves de grande porte, associadas a hábitats semiabertos, incluindo ambientes antropizados, tais como áreas rurais e até mesmo cidades. Exibem disco facial claramente delimitado, o qual apresenta formato de “coração”.
Ordem Leptosomiformes
Família Leptosomidae (Leptosomus discolor), pop. courol; distribuição restrita a Madagascar e a ilhas adjacentes. Ave de grande porte, que apresenta uma crista pequena posicionada posteriormente à cabeça.
Ordem Trogoniformes
Família TrogonidaeBR (7 gên., 44 spp.), pop. surucuá; distribuição abrange a região Neotropical, África Subsaariana e Sudeste Asiático. Aves de médio porte, associadas a hábitats florestais. Exibem corpo compacto, porém delicado. O arranjo de seus dedos, denominado heterodáctilo, é único dentre as aves.
Ordem Bucerotiformes
Família Upupidae (1 gên., 3spp.), pop. boubela; distribuição restrita ao Velho Mundo. Aves de médio porte, que apresentam uma crista peculiar.
Família Phoeniculidae (2 gên., 9 spp.), pop. bico-de-foice; distribuição restrita à África Subsaariana. Aves de médio porte e algumas espécies de pequeno porte, com aparência similar à dos Passeriformes. Apresentam bico longo e curvilíneo e cauda longa.
Família Bucorvidae (1 gên., 2 spp.), pop. bico-de-corno; distribuição restrita à África Subsaariana. Aves de grande porte, que apresentam coloração destacada em áreas da face desprovidas de penas. Exibem pernas longas em comparação com o restante de Bucerotiformes; apresentam bicos de formato e tamanho similares aos dos tucanos (Ramphastidae), porém com a existência de uma crista óssea em sua porção superior.
Família Bucerotidae (14 gên., 59 spp.), pop. calau; distribuição restrita à África Subsaariana. Aves de grande porte e algumas espécies de médio porte. Exibem bicos grandes e curvos, sustentados por forte musculatura e por vértebras cervicais fundidas. Suas pernas mais curtas que às das espécies de Bucorvidae são mais adaptadas à vida nos estratos superiores da vegetação.
Ordem Coraciiformes
Família Meropidae (3 gên., 27 spp.), pop. abelharuco; distribuição abrange África, Ásia, sul da Europa, Austrália e Nova Guiné. Aves de pequeno a médio porte, com pernas curtas e bicos curvos, que utilizam para a captura e manipulação de insetos (principalmente abelhas). Apresentam cabeça proporcionalmente pequena, em comparação com o restante dos Coraciiformes.
Família Brachypteraciidae (4 gên., 5 spp.), cuco-roliero; distribuição restrita a Madagascar. Aves de médio porte, com corpo compacto e cabeça relativamente grande.
Família Coraciidae (2 gên., 12 spp.), pop. rolieiro; distribuição restrita ao Velho Mundo. Aves de médio porte, com aparência geral muito similar à dos Passeriformes. Os dois dedos mais externos dos membros posteriores são unidos.
Família Todidae (1 gên., 5 spp.), pop. cartacuba; distribuição restrita a algumas ilhas caribenhas. Aves de pequeno porte, com aparência similar à dos Passeriformes. Seus bicos são longos e ficam apontados para cima quando a ave está em repouso.
Família AlcedinidaeBR (19 gên., 93 spp.), pop. martim-pescador; distribuição global. Aves de pequeno, médio e grande porte, associadas a uma grande variedade de hábitats aquáticos. Apresentam bico grande em formato de punhal, que utilizam para a captura de peixes sob a água a partir de mergulhos rápidos.
Família MomotidaeBR (6 gên., 15 spp.), pop. juruva; distribuição restrita à região Neotropical. Aves de médio porte, associadas a hábitats florestais. Apresentam bico grande e serrilhado em suas bordas e cauda proporcionalmente longa, terminando em um par de raquetes em algumas espécies. Balançam a cauda.
Ordem Piciformes
Família GalbulidaeBR (5 gên., 18 spp.), pop. ariramba; distribuição restrita à região Neotropical. Aves de pequeno a médio porte, associadas a hábitats florestais, sendo algumas associadas a florestas ribeirinhas. Exibem bico excepcionalmente longo e fino e coloração iridescente em algumas espécies.
Família BucconidaeBR (12 gên., 35 spp.), pop. macuru; distribuição restrita à região Neotropical. Aves de médio porte e algumas espécies de pequeno porte, que ocorrem em uma variedade de hábitats terrestres, tais como florestas e áreas semiabertas. Apresentam bico grande e forte, com um gancho na ponta ligeiramente curvada. É comum passarem horas no mesmo poleiro, o que lhes vale o nome de joão-bobo em algumas regiões do Brasil.
Família Megalaimidae (2 gên., 30 spp.), pop. barbudo; distribuição restrita a Ilhas do Sudeste Asiático. Aves de médio porte, dotadas de bicos robustos, porém não muito longos e circundados por cerdas.
Família Lybiidae (9 gên., 42 spp.), pop. barbaças ou barbudo; distribuição restrita à África Subsaariana. Aves de pequeno, médio e grande porte. Apresentam bico forte e plumagem dotada de cores vivas. Sua aparência é parecida com Semnornithidae e Capitonidae.
Família Semnornithidae (1 gên., 2 spp.), pop. barbudo; distribuição restrita à América Central. Aves de médio porte, que vivem em pequenos grupos. Sua aparência é parecida com Capitonidae e Lybiidae.
Família CapitonidaeBR (2 gên., 15 spp.), pop. capitão-de-bigode; distribuição restrita às Américas Central e do Sul. Aves de pequeno a médio porte, associadas a hábitats florestais. As relações existentes entre as espécies de Capitonidae, Lybiidae e Semnornithidae ainda são confusas, não havendo limites claros entre essas famílias.
Família RamphastidaeBR (5 gên., 44 spp.), pop. tucano e araçari; distribuição restrita à região Neotropical. Aves de médio a grande porte, sendo a maioria associada a hábitats florestais, com algumas espécies ocorrendo em hábitats semiabertos. Apresentam bico notavelmente grande, com bordas serrilhadas e uma longa língua queratinizada, utilizada na manipulação do alimento. Seus pés são zigodác-tilos.
Família Indicatoridae (4 gên., 17 spp.), pop. indicador; distribuição restrita às regiões tropicais do Velho Mundo. Aves de pequeno a médio porte, com aparência similar à dos Passeriformes. Seu nome se deve à associação mutua-lística que estabelece com caçadores de tribos africanas, indicando-lhes o caminho para uma colmeia em que o caçador pilha o mel e a ave consegue acesso às larvas e à cera, anteriormente inacessíveis no interior da colmeia.
Família PicidaeBR (33 gên., 232 spp.), pop. pica-pau; distribuição global. Aves de pequeno a médio porte e algumas espécies de grande porte, que ocorrem em grande variedade de hábitats arborizados, tais como florestas e áreas semiabertas. Apresenta bico resistente implantado diretamente em um crânio adaptado à absorção de impactos intensos, realizados enquanto buscam invertebrados sob o súber em troncos. Enquanto buscam alimento, ficam apoiadas nas penas rígidas da cauda e se fixam no substrato com pés zi-godáctilos.
Ordem Cariamiformes
Família CariamidaeBR (2 gên., 2 spp.), pop. seriema; distribuição restrita à América do Sul. Aves de grande porte, associadas a hábitats abertos e semiabertos. Sua aparência é similar à das abetardas (Otididae). Exibem um tufo de penas na fronte e são dotadas de cílios, característica rara dentre as aves.
Ordem Falconiformes
Família FalconidaeBR (11 gên., 66 spp.), pop. falcão; distribuição global. Aves de médio a grande porte, associadas a uma grande variedade de hábitats terrestres, tais como florestas, hábitats semiabertos e áreas antropizadas, inclusive em cidades. Diferentemente de gaviões, matam suas presas com o bico. Suas asas são adaptadas a voos rápidos, conferindo capacidade de manobra superior à dos gaviões, perdendo, no entanto, a eficiência no voo planado. Apesar do grande número de adaptações similares, não pertencem à linhagem que originou a família Accipitridae.
Ordem Psittaciformes
Família Strigopidae (2 gên., 4 spp.), pop. kakapó; distribuição restrita à Nova Zelândia. Aves de grande porte, com hábitos terrestres, vivendo em maiores altitudes. Sua coloração é menos vistosa que a de Psittacidae e Cacatuidae.
Família Cacatuidae (6 gên., 21 spp.), pop. cacatua e calopsita; distribuição restrita à Australásia. Aves de pequeno a médio porte que se reúnem em bandos. Exibem vistosas cristas.
Família PsittacidaeBR (79 gên., 353 spp.), pop. papagaios, maritacas, araras, periquitos e afins; distribuição abrange as regiões Neotropical, Afrotropical, Oriental, Australásia e, marginalmente, Neártica e Paleártica. Aves de pequeno, médio e grande porte, associadas a hábitats florestais e semiabertos. A característica mais notável é o bico arredondado e forte, que apresenta a parte superior articulada. Exibem pés zigodáctilos. As espécies arara-canindé (Ara ararauna) e o papagaio-cinza-africano (Psittacus erithacus) estão dentre as aves mais inteligentes, com capacidade equiparável à de primatas.
Ordem Passeriformes
Consiste em aproximadamente 60% das espécies das aves modernas. Mesmo antes das técnicas de genética molecular, parecia não haver dúvidas sobre o que era propriamente um Passeriforme, ainda que as relações internas de parentesco fossem confusas. Apesar de os Passeriformes serem considerados bons voadores, não tendo sua migração impedida por grandes corpos de água ou cadeias de montanhas, há fortes indícios de que a evolução das principais linhagens tenha ocorrido por vicariância.32 De acordo com essa hipótese, as linhagens basais dos Passeriformes eram restritas a ambientes florestais e as características que proporcionavam maior dispersão teriam se desenvolvido secundariamente, depois do estabelecimento das principais linhagens. A família neozelandesa Acanthisittidae, sobrevivente da radiação evolutiva inicial dos Passeriformes, pode ser considerada a mais primitiva dentre os Passeriformes.
Família Acanthisittidae (2 gên., 4 spp.), pop. acantisitas; distribuição restrita à Nova Zelândia. Aves de pequeno porte, com aparência similar à da família Troglodytidae.
O restante dos Passeriformes, grupo-irmão de Acanthisittidae, pode ser dividido em duas subordens monofiléticas: Tyranni (Suboscines) e Passeri (Oscines). A única característica morfológica que suporta o monofile-tismo dos Suboscines é a morfologia da columela, um dos ossos que compõem o ouvido interno. O local de origem do ancestral comum a todos os Suboscines é incerto, mas sabe-se que o grupo se dividiu em duas linhagens: Eurylaimides, os Suboscines do Velho Mundo; e Tyrannides, os Suboscines do Novo Mundo. A família monotípica Sapayoidae, com apenas uma espécie (Sapayoa aenigma), é o único representante dos Eurylaimides fora do Velho Mundo, o que provavelmente ocorreu por migração de um ancestral dessa espécie para o Novo Mundo. Os Suboscines do Novo Mundo representam uma grande radiação evolutiva, algumas das famílias mais ricas em espécies dentre todas as aves modernas Tyrannidae, Furnariidae e Thamnophilidae.
Subordem Tyranni | Eurylaimides – Velho Mundo
Família Sapayoidae (Sapayoa aenigma), pop. sapaioa; distribuição restrita ao norte da América do Sul e sul da América Central. Ave de pequeno porte, com aparência muito parecida com os membros da família Pipridae.
Família Philepittidae (2 gên., 4 spp.), pop. asites ou filepitas; distribuição restrita a Madagascar. Aves de pequeno porte, de classificação ainda pouco resolvida, sendo provável sua inserção na ordem Piciformes.
Família Eurylaimidae (9 gên., 15 spp.), pop. bico-largo; distribuição abrange regiões da África Subsaariana até o Sudeste Asiático. Aves de pequeno a médio porte, dotadas de bico largo e curvado na ponta.
Família Pittidae (3 gên., 33 spp.), pop. pita; distribuição compreende África, Sul e Sudeste Asiático e Oceania. Aves de médio porte, que apresentam pernas longas como adaptação à vida mais próxima ao solo.
Subordem Tyranni | Suboscines – Novo Mundo
Família PipridaeBR (12 gên., 51 spp.), pop. tangará; distribuição restrita à região Neotropical. Aves de pequeno porte, associadas a hábitats florestais. A maioria das espécies apresenta acentuado dimorfismo sexual, sendo o macho dotado de coloração vistosa e a fêmea, de coloração discreta. Os machos exibem notáveis danças ritualizadas às fêmeas.
Família CotingidaeBR (25 gên., 65 spp.), pop. anambés e cotingas; distribuição restrita à região Neotropical. Aves de médio porte, com algumas espécies de pequeno porte e algumas espécies de grande porte, associadas a hábitats florestais. Algumas espécies exibem uma plumagem exuberante e algumas vocalizações audíveis a longas distâncias.
Família TityridaeBR (11 gên., 41 spp.), pop. maria-leque, anambé e caneleiro; distribuição restrita à região Neotropical. Aves de médio porte e algumas espécies de pequeno porte, que ocorrem em hábitats florestais e semiabertos. Sua aparência é muito similar à da família Tyrannidae; no entanto, apresentam alguns padrões de plumagem distintos destes.
Família TyrannidaeBR (106 gên., 415 spp.), pop. papa-moscas; distribuição restrita às Américas. Aves de pequeno a médio porte, associadas a uma grande variedade de hábitats terrestres, tais como florestas, áreas abertas, semiabertas, antropizadas e hábitats aquáticos continentais. É a família com o maior número de espécies dentre os Passeriformes, representando uma boa parcela da avifauna em todos os ambientes terrestres do neotrópico. Reúnem vários gêneros, que devem ser convertidos em famílias com mais estudos.
Família RhynchocyclidaeBR (84 gên., 305 spp.), pop. maria-bonita, bico-chato e ferreirinho; distribuição restrita à região Neotropical. Aves de pequeno porte, associadas a uma variedade de hábitats florestais e semiabertos. Suas espécies compunham parte da família Tyrannidae, com a qual se parecem bastante.
Família MelanopareiidaeBR (1 gên., 4 spp.), pop. tapaculo-de-colarinho; distribuição restrita à região Neotropical. Aves de pequeno porte, associadas a hábitats florestais. Seu parentesco é incerto com relação a outras famílias.
Família ConopophagidaeBR (2 gên., 11 spp.), pop. chupa-dente; distribuição restrita à região Neotropical. Aves de pequeno porte, associadas a hábitats florestais. Estavam incluídas em Thamnophilidae, com os quais apresenta semelhança em vários aspectos biológicos.
Família ThamnophilidaeBR (55 gên., 222 spp.), pop. chocas, choquinhas e afins; distribuição restrita à região Neotropical. Aves de pequeno porte e algumas espécies de médio porte, que ocorrem em hábitats florestais, com poucas espécies ocorrendo em hábitats semiabertos. Apresentam grande diversidade de formas e adaptações. Algumas espécies apresentam áreas desprovidas de penas e com pele de coloração viva na região dos olhos.
Família GrallariidaeBR (4 gên., 51 spp.), pop. tovaca, tovacuçu e afins; distribuição restrita à região Neotropical. Aves de médio porte e algumas espécies de pequeno porte, associadas a hábitats florestais. Apresentam pernas longas, adaptadas à vida próxima ao solo.
Família RhinocryptidaeBR (12 gên., 56 spp.), pop. tapaculo; distribuição restrita à região Neotropical. Aves de pequeno porte e algumas espécies de médio porte, associadas a hábitats florestais. Suas narinas são parcialmente cobertas por uma membrana, característica que confere o nome à família. Mostram a redução de algumas características esqueléticas voltadas para a eficiência do voo, pois as asas são utilizadas quase exclusivamente para a manutenção do equilíbrio em saltos, para o deslocamento na vegetação densa que têm como hábitat.
Família FormicariidaeBR (2 gên., 11 spp.), pop. tovaca, pinto-do-mato; distribuição restrita à região Neotropical. Aves de médio porte, associadas a hábitats florestais. São similares à família Grallariidae.
Família FurnariidaeBR (66 gên., 284 spp.), pop. joão-de-barro e afins; distribuição restrita à região Neotropical. Aves de pequeno porte e algumas espécies de médio porte, que ocorrem em grande variedade de hábitats, incluindo florestas, áreas abertas, áreas semiabertas e hábitats aquáticos continentais. Uma característica marcante desta família é a coloração predominantemente em tons de marrom. Apresentam grande diversidade de formas e adaptações aos mais variados tipos de ambientes em que vivem.
Família ScleruridaeBR (2 gên., 17 spp.), pop. vira-folha; distribuição restrita à região Neotropical. Aves de pequeno a médio porte, associadas a hábitats florestais. A aparência é intermediária à das famílias Furnariidae e Formicariidae. Forrageiam no solo da floresta e nidificam em túneis que escavam no solo.
Família DendrocolaptidaeBR (20 gên., 57 spp.), pop. arapaçus; distribuição restrita à região Neotropical. Aves de médio porte e algumas espécies de pequeno porte, associadas a hábitats florestais. Prendem-se à superfície de troncos de forma similar aos pica-paus (Picidae), utilizando as penas da cauda como suporte enquanto capturam artrópodes na superfície dos troncos, diferentemente dos pica-paus que capturam principalmente larvas no interior dos troncos. Algumas espécies apresentam bicos longos e curvos.
Subordem Passeri ou Oscines
As espécies pertencentes à subordem Passeri (Oscines) são denominadas aves canoras, pois são capazes de emitir vocalizações mais complexas. Acreditava-se que a morfologia da siringe fosse um caractere que dava suporte à divisão de Oscines (siringe traqueofônica) e Suboscines (siringe haplofônica); no entanto, depois de identificadas linhagens de Suboscines dotadas de siringe traqueofônica, verificou-se que este caractere é plesiomórfico dentre os Passeriformes, não devendo ser utilizado para estimar relações entre linhagens mais basais.34 Devido a constantes modificações, as classificações das linhagens mais basais dentre os Oscines ainda permanecem pouco resolvidas.
Parece certo que o ancestral comum dos Oscines habitava o território que hoje é a Austrália, quando esta começou a se separar da Antártica no fim do Cretáceo.34 A subordem Passeri (Oscines) é formada pelas seguintes famílias: Menuridae, Atricornithidae, Climacteridae, Ptilonorhynchidae, Maluridae, Dasyornithidae, Pardalotidae, Meliphagidae, Ortonychidae, Pomatostomidae, Psophodidae, Mohouidae, Campephagidae, Oreoicidae, Pachycephalidae, Oriolidae, VireonidaeBR, Neosittidae, Artamidae, Pityrisiareidae, Rhagologus, Aegithinidae, Platysteiridae, Vangidae, Malaconotidae, Dicruridae, Platylophus, Rhipiduridae, Corcoracidae, Melampitta, Paradisaeidae, Monarchidae, Laniidae, CorvidaeBR, Melanocharitidae, Cnemophilidae, Notiomystidae, Callaeidae, Petroicidae, Picathartidae, Chaetopidae, Eupetidae, Hyliotidae, Stenostiridae, Remizidae, Paridae, Panuridae, Alaudidae, Nicatoridae, Macrosphenidae, HirundinidaeBR, Phoepygidae, Acrocephalidae, DonacobiidaeBR, Bernieridae, Locustellidae, Pycnonotidae, Cisticolidae, Hyliidae, Aegithalidae, Cettiidae, Phylloscopidae, Sylviidae, Paradoxornothidae, Zosteropidae, Timaliidae, Pellorneidae, Leiotrichidae, Regulidae, Dulidae, Hypocoliidae, Mohoidae, Bobycillidae, Ptilogonatidae, Tichodrmomatidae, Sittidae, Certhiidae, PolioptilidaeBR, TroglodytidaeBR, Buphagidae, MimidaeBR, Sturnidae, Cinclidae, TurdidaeBR, Muscicapidae, Promeropidae, Dicaeidae, Nectariniidae, Irenidae, Chloropseidae, Urocyncramidae, Peucedramidae, Prunellidae, Ploceidae, Viduidae, EstrildidaeBR, PasseridaeBR, MotacillidaeBR, FringilidaeBR, Calcariidae, Lamprospizidae, ParulidaeBR, IcteridaeBR, EmberizidaeBR, Passerelidae, CardinalidaeBR, ThraupidaeBR e CoerebidaeBR.
Dentre as famílias citadas, destacam-se a seguir as que ocorrem no Brasil.
Família VireonidaeBR (6 gên., 62 spp.), pop. pitiguarí, juruviara; distribuição restrita às Américas. Aves de pequeno porte, associadas a hábitats florestais e semiabertos. Algumas espécies apresentam voz forte, sendo muito mais ouvidas do que vistas. Apesar do pequeno porte, algumas espécies desta família são migrantes de longas distâncias.
Família CorvidaeBR (25 gên., 128 spp.), pop. corvo, gralha e pega; distribuição global. Aves de médio a grande porte, associadas a uma grande variedade de hábitats florestais e semiabertos. São muito adaptáveis na exploração dos seus hábitats e consideradas, juntamente com psitacídeos, as aves mais inteligentes. Algumas espécies possuem repertórios vocais vastos, emitindo mais de 20 vocalizações, distintas em suas características acústicas e em suas funções.
Família HirundinidaeBR (18 gên., 88 spp.), pop. andorinha; distribuição global. Aves de pequeno porte e algumas espécies de médio porte, associadas a uma grande variedade de hábitats, principalmente abertos e semiabertos, incluindo áreas rurais e cidades. Apresentam silhueta em voo similar à dos andorinhões (Apodidae), de quem são parentes distantes. Exibem asas proporcionalmente longas em formato de foice, o que lhes proporciona grande capacidade de manobra durante o voo. A maioria das espécies realiza migrações.
Família DonacobiidaeBR (Donacobius atricapilla), pop. japacanim; distribuição restrita à América do Sul. Ave de médio porte, associada a hábitats aquáticos continentais. Seu formato se assemelha ao das corruíras (Troglodytidae), de quem foi separada há pouco tempo.
Família PolioptilidaeBR (3 gên., 15 spp.), pop. balança-rabo; distribuição restrita às Américas. Aves de pequeno porte, associadas a hábitats florestais e semiabertos. Costumam ocupar vegetação densa próxima ao solo.
Família TroglodytidaeBR (20 gên., 86 spp.), pop. corruíra, garrinchão, uirapuru e afins; distribuição restrita às Américas, havendo uma espécie presente na Eurásia. Aves de pequeno porte e algumas espécies de médio porte, associadas a hábitats florestais e semiabertos. Algumas espécies apresentam cantos notavelmente melodiosos e complexos.
Família MimidaeBR (10 gên., 34 spp.), pop. sabiá-do-campo; distribuição restrita às Américas. Aves de médio porte, associadas a hábitats semiabertos. A aparência é similar à de espécies da família Turdidae, das quais se distinguem por uma linha superciliar branca, pela cor da íris e por terem pernas mais adaptadas à caminhada no solo.
Família TurdidaeBR (19 gên., 165 spp.), pop. sabiá; distribuição global. Aves de médio porte e algumas espécies de pequeno porte, que ocorrem em grande variedade em hábitats com vegetação arbórea, tais como florestas, ambientes semiabertos, áreas rurais e cidades. Seus cantos estão dentre os mais elaborados e melodiosos produzidos pelas aves.
Família EstrildidaeBR (34 gên., 143 spp.), pop. bico-de-lacre; distribuição restrita às regiões tropicais da África, Ásia e Australásia; contudo, foi introduzida na América do Sul. Aves de pequeno porte, associadas a hábitats abertos e semiabertos. Apesar da grande variação de coloração entre suas espécies, sua aparência geral lembra a dos pardais (Passeridae).
Família PasseridaeBR (8 gên., 42 spp.), pop. pardal; sua distribuição original é restrita ao Oriente Médio. Aves de pequeno porte e algumas espécies de médio porte, associadas a hábitats abertos e semiabertos, incluindo zonas rurais e cidades. O pardal-doméstico é a espécie de distribuição geográfica mais ampla atualmente, pois foi introduzida em diversos locais durante os séculos 19 e 20. Apresenta uma estrutura ossificada na língua que auxilia na manipulação do alimento.
Família MotacillidaeBR (7 gên., 67 spp.), pop. caminheiro; distribuição global. Aves de pequeno porte e algumas espécies de médio porte, associadas a hábitats abertos e semiabertos. Exibem plumagem críptica e a unha do hálux modificada em um esporão de curvatura e comprimento variáveis, o que favorece seu modo de vida terrícola.
Família FringillidaeBR (60 gên., 217 spp.), pop. gaturamo, pintassilgo e verdilhão; distribuição global; no entanto, há mais espécies no hemisfério norte. Aves de pequeno porte e algumas espécies de médio porte, associadas a hábitats abertos e semiabertos, com algumas espécies associadas a hábitats florestais. São caracteristicamente dotadas de bicos fortes adaptados a uma dieta que consiste principalmente em sementes. Algumas espécies tropicais são atípicas (gêneros Euphonia e Chlorophonia), exibem bicos mais delicados, adaptados à dieta constituída sobretudo de frutos.
Família ParulidaeBR (30 gên., 130 spp.), pop. pula-pula; distribuição restrita ao Novo Mundo. Aves de pequeno porte, associadas a hábitats florestais e semiabertos. Os machos das espécies migratórias apresentam coloração viva somente na época reprodutiva.
Família IcteridaeBR (27 gên., 106 spp.), pop. chopim, japu, guaxe e afins; distribuição restrita às Américas. Aves de médio porte, com algumas espécies de grande porte e outras de pequeno porte. Ocorrem em grande variedade de hábitats terrestres e aquáticos continentais, incluindo florestas, áreas semiabertas, várzeas e planícies de inundação. São dotadas de bicos fortes e versáteis, combinando com sua dieta onívora. Suas vocalizações estão dentre as mais complexas de todas as aves.
Família EmberizidaeBR (32 gên., 156 spp.), pop. canário-da-terra, canário-do-campo, curió, tico-tico e papa-capim; distribuição global. Aves de pequeno porte e algumas espécies de médio porte, associadas a uma grande variedade de hábitats abertos e semiabertos e algumas espécies associadas a hábitats florestais. São dotadas de bicos fortes, adaptados à dieta constituída principalmente de sementes. Por apresentarem vocalizações melodiosas e fácil adaptação ao cativeiro, alguns de seus membros são aves cobiçadas no comércio de aves silvestres, como o curió (Sporophila angolensis).
Família CardinalidaeBR (11 gên., 50 spp.), pop. trinca-ferro, galo-da-campina, azulão; distribuição restrita às Américas. Aves de médio porte e algumas espécies de pequeno porte, associadas a hábitats florestais e semiabertos. Assim como Emberizidae e Fringillidae, também apresentam bico adaptado à dieta granívora, mas várias espécies incluem frutos e pequenos invertebrados na alimentação.
Família ThraupidaeBR (95 gên., 375 spp.), pop. sanhaçu, saíra, saí e afins; distribuição abrange as Américas, mas é predominantemente Neotropical. Aves de pequeno a médio porte, associadas a hábitats florestais e semiabertos, incluindo áreas rurais e cidades. Exibem plumagem vistosa. Algumas espécies apresentam bico similar ao de beija-flores (Trochilidae), embora relativamente menor, que é especializado na coleta de néctar.
Família CoerebidaeBR (Coereba flaveola), pop. cambacica; distribuição restrita às Américas Central e do Sul. Ave de pequeno porte, associada a hábitats florestais e semiabertos, incluindo áreas rurais e cidades. Seu bico é ligeiramente curvo, adaptado para a coleta de néctar. No Brasil, é a única espécie considerada nectarívora, além dos beija-flores (Trochilidae).
Glossário
Aerodinâmico: que tem formato capaz de oferecer menos resistência ao ar.
Agonístico: comportamento de luta; diz respeito ao comportamento de um indivíduo direcionado às interações de
disputa. Este tipo de interação envolve não obrigatoriamente agressão real, e pode ser realizado por meio de
comportamentos ritualizados.
Amniotas: todos os animais cujos embriões são rodeados por uma membrana amniótica.
Antrópica: com relação ao ser humano ou a sua ação ou, ainda, a processo que resulta de ação humana.
Bípedes: em zoologia, usa-se o termo bípede para qualificar os animais terrestres que se deslocam normalmente na
posição vertical, com o auxílio dos membros posteriores.
Congêneres: em biologia, são organismos congêneres aqueles pertencentes ao mesmo gênero.
Convergência: ocorre em linhagens distintas, originando adaptações semelhantes em espécies que ficam em hábitats
similares. Ou seja, a seleção natural força linhagens distintas que vivem em hábitats semelhantes a apresentarem
características parecidas ou convergentes.
Diapsida: animais de origem nos Diapsida, um grupo de vertebrados terrestres que inclui lagartos, tuataras, crocodilos e
aves; além de inúmeras ordens de répteis pré-históricos, incluindo dinossauros, pterossauros, plesiossauros,
notossauros, rincossauros, prolacertiformes e aetossauros. Apresentam esse nome pelo fato de exibirem duas aberturas
na região temporal do crânio, ao contrário dos Synapsida (classe à qual pertencem os mamíferos), com apenas uma
fenestra temporal.
Ecolocalização: sofisticada capacidade biológica de detectar a posição e/ou distância de objetos (obstáculos no meio
ambiente) ou animais por meio de emissão de ondas ultrassônicas, no ar ou na água; e análise ou cronometragem do
tempo gasto para essas ondas serem emitidas, refletirem no alvo e voltarem à fonte sobre a forma de eco (ondas
refletidas).
Endêmicos: em biologia são grupos taxonômicos que se desenvolveram em uma região restrita.
Espécies crípticas: são aquelas com cores crípticas, ou seja, tons bege, cinza ou marrom, que normalmente as fêmeas
apresentam, assim como seus filhotes. Isso facilita a camuflagem no meio ambiente em que vivem, pois como a cor da
terra ou das pedras é parecida com a de seu corpo, passa a ser mais difícil avistá-los.
Estratégia de vida: engloba um conjunto de comportamentos, adaptações e especializações, características que
favorecem a sobrevivência e a reprodução dos seres vivos em determinados ambientes.
Estratificação vertical: divisão de uma a floresta verticalmente em cinco camadas: dois estratos de dossel, sub-bosque,
estrato arbustivo e chão da floresta. Cada camada tem uma relação única de interação animal-planta com o ecossistema
ao seu redor.
Forrageio: ou comportamento de forrageamento consiste em mover ao redor de seu próprio hábitat à procura de
alimento.
Fotoperíodo: intervalo de tempo decorrido entre o nascimento e o ocaso do sol. Também chamado de duração efetiva do
dia, o fotoperíodo depende da latitude local e da inclinação do sol na data considerada.
Fusiforme: é chamado de fusiforme um objeto ou organismo em formato de fuso (antigo instrumento usado para fiar), ou
seja, alongado e com as extremidades mais estreitas que o centro; elipsoide alongado.
Helicoidalmente: de modo helicoidal, palavra derivada de hélice. Aquilo que repete movimentos circulares, em espiral, da
hélice.
Hidrodinâmico: com formato capaz de oferecer menos resistência à água.
Homeotermos: animais capazes de regular a temperatura interna corpórea; ou seja, independentemente do meio
externo, seu corpo sempre está com a mesma temperatura.
Interespecífica: relação ecológica ou interação biológica entre organismos de espécies diferentes.
Intraespecífica: relação ecológica ou interação biológica entre organismos da mesma espécie.
Neotropical: região biogeográfica que compreende a América Central, incluindo a parte sul do México e da península da
Baja Califórnia, o sul da Flórida, todas as ilhas do Caribe e a América do Sul.
Nicho: termo simplificado de nicho ecológico, que inclui não somente o lugar restrito em que vive um organismo, mas
também sua função (posição trófica e posição com relação aos gradientes de vários fatores físicos, tais como
temperatura, pH e umidade) na comunidade da qual faz parte.
Pneumático: dotado de cavidades, contém pequenos orifícios que possibilitam a passagem do ar.
Repertório vocal: conjunto de todas as vocalizações emitidas por uma espécie.
Sazonalidade: época do ano em que algo acontece; em termos ecológicos ou biológicos, é a época das chuvas, secas,
ventos, acasalamento, hibernação, florescimento, frutificação, germinação, dentre outros.
Sonograma: representação gráfica do som do canto; registra a frequência pelo tempo gasto. Pode-se ver o gráfico de
nota por nota, ficando evidente o tempo de cada uma delas, para que seja possível entender melhor a correta
apresentação da frase musical.
Tetrápodes: os tetrápodes (Tetrapoda) constituem uma superclasse de vertebrados terrestres, que dispõem de quatro
membros.
Sugestão de aulas práticas
O grupo Aves é uma ótima ferramenta para aulas práticas sobre biologia e ecologia de vertebrados. Tanto em laboratório quanto em ambientes naturais, a obtenção de material para as aulas é relativamente fácil. As aves estão presentes na maioria dos ambientes e geralmente em maior número de espécies, se comparadas a outros grupos de vertebrados, como mamíferos, por exemplo. Além disso, a maioria das pessoas está bastante familiarizada com o grupo e seus aspectos gerais. Outra vantagem é a grande variedade de adaptações apresentadas pelas aves, o que permite explorar questões evolutivas de especializações em hábitats e dieta, por exemplo.
Aula 1 | Tipos de penas e suas funções
O objetivo desta aula é levar os alunos a conhecerem os diferentes tipos de penas existentes em aves e discutir sobre suas funções.
Material necessário. É preciso providenciar:
• penas de vários tipos: da asa, da cauda, de contorno, plumas, plúmulas, cerdas etc. Como nenhuma ave apresenta todos os tipos
de penas – diferentes espécies podem ter diferentes tipos de penas – é recomendável a utilização de penas de mais de uma
espécie (quanto mais, melhor), contudo, penas de uma única galinha, ou de outra ave doméstica, de várias partes do corpo já
possibilitam abordar o tema
• laboratório com bancadas para desenho e lupas para a observação de microestrutura • material para desenho das penas: lápis, caderno de desenho ou folhas de sulfite.
Desenvolvimento. Durante a aula os alunos deverão: • observar e desenhar as diferentes estruturas e microes-truturas das penas (raque, barba, bárbulas etc.) • observar e também registrar em desenho a variação na assimetria de alguns tipos de penas • discutir a diferença de estrutura e textura dos diversos tipos de penas em relação à sua função • discutir sobre os diferentes tipos de voos que as aves podem apresentar e relacioná-los aos diversos tipos de penas da asa.
A avaliação da aula pode considerar os desenhos feitos pelos alunos, as respostas a perguntas feitas durante as discussões reatizadas na aula ou as respostas a questionário posteriormente à aula.
Aula 2 | Relação entre o tipo de bico e a dieta
O objetivo desta aula é mostrar aos alunos diferentes tipos de bico que as aves apresentam e relacioná-los aos diversos tipos de dieta.
Material necessário. É preciso providenciar:
• binóculos (pelo menos um para cada 4 alunos)
• guia para identificação das espécies (em número adequado para que todos os alunos tenham acesso à informação em campo)
• é desejável considerar a presença de alguém familiarizado com as espécies de aves do local a ser visitado (preferencialmente
um ornitólogo) para direcionar a observação das aves em ambientes mais propícios ao rendimento do conteúdo e auxiliar na
identificação correta das espécies.
Desenvolvimento. Durante a aula, os alunos, divididos em equipes, deverão: • percorrer um transecto em um local com vegetação variada. É recomendável que haja diferentes tipos de hábitat, e que, de
preferência, haja ambientes aquáticos, pois as aves aquáticas podem apresentar adaptações em seus bicos facilmente
observáveis e relacionáveis com a sua dieta e a forma de captura de suas presas. Também seria interessante observar árvores
e arbustos que fornecem frutos comestíveis para as aves e que estejam frutificando, pois são locais que atraem aves
frugívoras e onívoras. Parques com lagos em áreas urbanas geralmente atendem bem ao proposto. O transecto deve ter, no
mínimo, 1.000 metros e ser percorrido nas primeiras horas da manhã, período de maior atividade das aves diurnas • observar do que as diferentes espécies de aves se alimentam e como capturam o alimento • após o trabalho de campo, compilar os dados, pesquisar em literatura informações sobre a dieta das espécies observadas e
desenvolver uma discussão em relação ao que foi observado em campo.
A avaliação da aula pode ter como base um relatório em formato de artigo científico, abordando a diversidade da dieta encontrada no grupo Aves e relacionando isso ao sucesso evolutivo do grupo. Pode-se explorar também a especialização das espécies em relação à dieta, argumentando sobre as mais generalistas versus as mais especialistas. Os resultados também podem ser apresentados em forma de seminários, com os mesmos dados sugeridos para o relatório.
Aula 3 | Riqueza de espécies de aves e diversidade de nichos ecológicos utilizados por elas
O objetivo desta aula é apresentar aos alunos a riqueza de espécies de aves em um determinado local e a diversidade de nichos ecológicos explorados por elas. Isso reflete o sucesso evolutivo e a irradiação ecológica deste grupo de vertebrados.
Material necessário. É preciso providenciar:
• binóculos (pelo menos um para cada 4 alunos)
• guia para identificação das espécies (em número adequado para que todos os alunos tenham acesso à informação em campo)
• um ornitólogo para auxiliar na identificação correta das espécies. Se o professor não for um ornitólogo, ele pode convidar um.
Desenvolvimento:
• percorrer um transecto em um local com vegetação variada. É preciso que haja diferentes tipos de hábitats para as aves. O
transecto deve ter, no mínimo, 1.000 metros e ser percorrido nas primeiras horas da manhã, período de maior atividade das
aves diurnas
• relacionar todas as espécies de aves observadas
• registrar o hábitat utilizado por cada espécie observada. O grau de refinamento da análise da distribuição das aves nos hábitats
deve ser determinado pelo professor, podendo ser mais ou menos genérico, de acordo com o objetivo da aula. Pode ser
registrado, por exemplo, o tipo de vegetação que a ave utiliza, a sua distribuição vertical, ou seja, a que altura a ave estava, a
forma como explora o hábitat etc.
• após o trabalho de campo, compilar os dados, pesquisar em literatura informações sobre o uso do hábitat das espécies
observadas e desenvolver uma discussão em relação ao que foi observado em campo.
A avaliação da aula pode ter como base um relatório em formato de artigo científico, abordando a riqueza de espécies de aves que é possível encontrar em um determinado local e a diversidade de nichos que as aves podem explorar, relacionando isto com o sucesso evolutivo do grupo Aves. Pode-se explorar também a especificidade do nicho das espécies, argumentando sobre as mais generalistas versus as mais especialistas em relação ao uso do hábitat. Os resultados também podem ser apresentados em forma de seminários, com os mesmos dados sugeridos para o relatório.
Sugestão de leitura
Stotz DF, Fitzpatrick JW, Parker III TA et al. 1996. Neotropical birds: Ecology and Conservation. The University of Chicago Press,
Chicago, Illinois.
Sick H. 1997. Ornitologia Brasileira. Nova Fronteira, Rio de Janeiro, Brasil. Del Hoyo J, Elliott A, Sargatal J. Handbook of the birds of the world. Vol. 1. Barcelona: Lynx Editions, 1992. 696 p. Del Hoyo J, Elliott A, Sargatal J. Handbook of the birds of the world. Vol. 2. Barcelona: Lynx Editions, 1994. 638 p. Del Hoyo J, Elliott A, Sargatal J. Handbook of the birds of the world. Vol. 3. Barcelona: Lynx Editions, 1996. 821 p. Del Hoyo J, Elliott A, Sargatal J. Handbook of the birds of the world. Vol. 4. Barcelona: Lynx Editions, 1997. 679 p. Del Hoyo J, Elliott A, Sargatal J. Handbook of the birds of the world. Vol. 5. Barcelona: Lynx Editions, 1999. 759 p. Del Hoyo J, Elliott A, Sargatal J. Handbook of the birds of the world. Vol. 6. Barcelona: Lynx Editions, 2001. 589 p. Del Hoyo J, Elliott A, Sargatal J. Handbook of the birds of the world. Vol. 7. Barcelona: Lynx Editions, 2002. 613 p. Del Hoyo J, Elliott A, Christie DA. Handbook of the birds of the world. Vol. 8. Barcelona: Lynx Editions, 2003. 845 p. Del Hoyo J, Elliott A, Christie DA. Handbook of the birds of the world. Vol. 9. Barcelona: Lynx Editions, 2004. 863 p.
Sites sugeridos:
www.birds.cornell.edu/page.aspx?pid=1609
proj.lis.ic.unicamp.br/fnjv/
www.ararajuba.org.br/sbo/index.htm
www.avesderapinabrasil.com/
www.xeno-canto.org/
www.wikiaves.com/
www.zoonomen.net/
www.natureserve.org/
ibc.lynxeds.com/
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__________
* A subespécie que ocorre no Brasil, T. a. furcata, foi recentemente
elevada a categoria de espécie.4 Desta forma, T. alba não ocorre
mais em território brasileiro, mas sim T. furcata.