Caracteres
O prefácio pede que se leia tudo como caracteres e costumes deste século, inspirados na corte de França mas não limitados a um só país. Esta edição traz dez capítulos, de Das Obras do Espírito a Do Soberano ou da República. Cada defeito vem com nome próprio e retrato curto: Antimo garante que o livro de Hermodoro é mau e admite não o ter lido; Teócrines ouve a leitura de uma obra alheia e responde falando da sua; Egesipo pede emprego e serve para a Fazenda ou para o Exército, isto é, não serve para nada; de Filémon, com relógio, diamante no dedo e ouro na roupa, La Bruyère pede que lhe mandem as joias e dispensa a pessoa; Lise, já com quarenta anos, passa carmim diante do espelho e acha ridícula Clarice. Pelo meio, os julgamentos de leitura: Rabelais tratado como quimera, a Ópera que só consegue caceteá-lo, Corneille que pinta os homens como deviam ser e Racine como são.

