Carrie
À noite do baile
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.
Tique-taque, tique-taque, fazia o cuco da floresta Negra.
e por fim o passarinho saiu e com um grito, anunciou as oito e trinta.
Em sua boca sentiu o gosto de olivas.
A TURMA DOS FORMANDOS APRESENTA
O BAIIE DA PRIMAVERA
27 de maio de 1979
Musica a cargo do Conjunto Billy Bosnan e de Josie e os ‘ Moonglows"
PROGRAMA
“Cabaret" - espetáculo de baliza por Sandra Stenchfield”.
„500 Miles"
“Lemon Tree”
“Mr. Tamhounine Man”
Música popular por John Swithen e Maureen Cowan
“The Street Where You Live”
“Raindrops Keep Failin" on My Head”
“Bridge Over Troubled Waters
Coro da Ewen High Schoot
ORGANIZADORES
Sr. Stephens, Miss Geer, sr e sra. Lublin, Miss Desjardin
Coroação ás 22 horas
Lembre-se, a festa é sua,torne-a um acontecimento inesquecível!
Quando ele lhe perguntou pela terceira vez, Carrie teve admitir que não sabia dançar. Ela não acrescentou que agora começada a meia hora de rock, ela se sentiria deslocada rodando lá no meio,
(e pecaminosa)
sim, e pecaminosa.
Tommy concordou e sorriu. Inclinou-se para ela disse que detestava dançar. Será que ela gostaria de dar umas voltas pelas outras mesas? Sentiu um nó na garganta de pavor mas concordou. Seria ótimo.ele estava procurando agradá-la,ela também deveria fazê-lo (mesmo que ele não estivesse contando com isto) . Era parte do trato, e ela se sentia envolvida pelo encanto da noite.De repente teve a esperança de que ninguém fosse esticar a perna, nem perfidamente lhe dar nas costas um tapa de passa-adiante, ou lhe espirrar água no rosto com um cravo, ou qualquer destas novidades e fugir as gargalhadas, enquanto que todos, rindo, apontariam para ela e assoviariam.
Se este encanto existia, ele não era divino; era pagão
(mãe me solta de sua saia já não sou mais e criança)
e ela queria que assim fosse.
- Olhe! - disse ele ao se levantarem.
Dois ou três funcionários estavam empurrando os tronos do Rei e da Rainha para fora dos bastidores enquanto o sr. Lavoie, o chefe dos funcionários, os orientava com a mão, para os lugares previamente marcados a giz Carrie achava aqueles tronos, de um branco ofuscante, semeados de flores verdadeiras e enormes bandeirolas de papel crepom tinham um aspecto bem arturiano.
- São bonitos - disse ela.
- Bonita está você - retrucou Tommy e ela teve quase absoluta certeza de que naquela noite nada poderia acontecer de ruim; talvez eles mesmos ainda acabariam sendo eleitos Rei e Rainha da festa. Sorriu diante de sua própria loucura.
Eram nove horas.
- Carne? - disse uma voz hesitante.
Estivera tão absorta contemplando os músicos, a pista de dança e as outras mesas, que
não vira ninguém se aproximar.Tommy tinha ido apanhar ponche.
Virou-se e viu Miss Desjardin.
Por um ou dois minutos ficaram apenas se olhando, a memória passando de uma a outra, se comunicando
(ela me viu me viu nua gritando sangrando)
sem palavras, nem pensamentos. Só pelos olhos
Acanhada, Carrie disse então:
-- A senhora esta muito bonita, Miss Desjardtn Estava mesmo. Usava um vestido prateado, justo e brilhante, um perfeito complemento para seu cabelo louro, penteado para cima. No pescoço um singelo pendente Estava com aspecto de muito moça, mas parecia uma formanda do patronesse.
- Obrigada disse ela hesitando, e colocando a mão enluvada em cima do braço de Carrie - você esta linda - continuou e cada palavra continha uma ênfase especial.
Carrie sentiu-se enrubescer e baixou os olhos.
- É muita delicadeza sua dizer isso.Sei que não sou... não de verdade...mas de qualquer
maneira muito obrigada.
- É verdade sim - retrucou Miss Desjardim - Carrie qualquer coisa que tenha
acontecido antes...bem, está tudo esquecido.Queria que soubesse disto.
- Esquecer, não posso - disse Carrie levantando os olhos.As palavras que lhe subiram os lábios foram: Eu não culpo mais ninguém.Engoliu-as.Era mentira.Culpava a todas, e sempre culparia e queria acima de tudo ser honesta - mas passou.Agora tudo passou. A professora sorriu, e seus olhos pareciam captar e segurar as suaves tonalidades de cores num cintilar quase transparente.olhou para a pista de dança e Carrie lhe seguiu o olhar.
- Ainda me lembro do meu baile - disse ela baixinho - de salto era quase sete
centímetros mais alta do que meu par.As flores que ele me deu não combinavam com meu
vestido.O cano de descarga estava quebrado e a máquina ...fazia uma barulheira
tremenda,meu deus.Mas era fascinante.Não sei dizer porque, mas nunca tive outro par
igual. - Olhou para Carrie - Espero que com você seja assim também.
- Está muito bom. - respondeu Carrie.
- Só isso, nada mais?
- Tem mais, sim.Eu não saberia dizer o que a ninguém.
Desjardin sorriu e apertou seu braço.
- Você nunca esquecerá.Nunca.
- Acho que tem razão.
- Divirta-se Carrie.
- Obrigada.
Quando Tommy chegou com as duas taças de ponche,Desjardin já ia se afastando,dando a
volta na pista de dança em direção a mesa da comissão.
- O que queria ela? - perguntou Tommy, depondo cuidadosamente as taças. Seguindo-a com os olhos Carrie disse:
- Acho que ela veio se desculpar.
2
Sue Snell estava em casa, sentada calmamente na sala embainhando um vestido e
ouvindo um álbum de discos do Jefferson Airplane, Long Jhon Silver, era velho e muito
arranhado, mas confortante.
Seus pais tinham saído.sabiam o que estava se passando,Sue tinha certeza disto,mas
pouparam-lhe as conversas humilhantes de como se orgulhavam de Sua Filha,ou como
estavam satisfeitos de como ela finalmente estava se Tornando Gente. Sue ficara satisfeita
por terem decidido deixa-la só, pois ainda se sentia muito pouco a vontade com seus
próprios motivos e receava examiná-los mais profundamente,para não ter que descobrir
uma centelha de egoísmo acenando para ela e cintilando como diamante,no negro veludo
do seu subconsciente.
Tinha tomado a decisão e pronto.Estava satisfeita.
(talvez ele se apaixone por ela)
Ergueu os olhos como se alguém tivesse falado com ela lá do corredor; um sorriso lhe
curvou os lábios.Se acontecesse seria um fim de conto de fadas, paciência.o príncipe que se
inclina sobre a Bela Adormecida, tocando-lhe os lábios com os seus.
Sue eu não sei como lhe dizer mas...
O sorriso desapareceu.
Sua regra estava atrasada.Quase uma semana.E ela vinha regularmente como
almanaque.
O toca discos deu um clique; outro disco caiu.No repentino e breve silêncio, ouviu
alguma coisa virar dentro de si.
Talvez fosse apenas sua alma.
Eram nove horas e quinze minutos.
Billy levou o carro até o fim do estacionamento, entrando num galpão que ficava de frente
para a rampa de asfalto que dava para a estrada. Chris ia saltar quando ele a jogou para trás,
seus olhos ardiam ferinamente no escuro.
- Que é? - perguntou ela nervosa.
Quando o Rei e a Rainha forem eleitos, o conjunto tocara o hino da escola.então eles
estarão sentados naqueles tronos,bem no alvo.
- Sei disso.Largue-me.Você esta me machucando.
Apertou seu pulso com mais força ainda e sentiu os frágeis ossos rangerem.Dava-lhe um
prazer sádico.Mesmo assim ela não gritou.Era uma grande garota!
- Escute ai.Quero que você saiba em que está se metendo.Puxe a corda quando
estiverem tocando o hino.Com força.Entre as duas roldanas a corda está frouxa,mas não
muito,quando você puxar e sentir os baldes caírem corra.Não fique em pé ouvindo os gritos
ou qualquer coisa assim.Isso não é nenhuma brincadeirinha engraçada.É assalto criminoso,
sabia?
Fora um discurso enorme pra ele.
Seus olhos ardiam,fitando-o em ira desafiadora.
- Pescou?
- Sim.
- Muito bem então.Quando os baldes caírem ,eu corro.Chegando ao carro me mando.Se
você estiver lá muito bem.Se não estiver ,azar.Se eu me mandar e você der com a língua
nos dentes ,te mato.Acredita?
- Acredito.E você tira a porra desta mão daqui.
Ele a soltou involuntariamente,uma sombra de sorriso passou pelo seu rosto.
- Muito bem.Vai ser divertido.
Saltaram do carro.
Eram quase nove e meia.
Vicky Mooney,orador da turma dos formandos, gritava alegremente para dentro dos
microfones.
Muito bem, senhores e senhoras! Instalem-se em seus lugares por favor. Está na hora de votar. Vamos eleger o Rei e a Rainha!
- Este concurso é um insulto para as mulheres - gritou Mira Crewes com forçado bom humor.
- É um insulto para os homens também! - respondeu George Dawson no mesmo tom de voz. Houve uma gargalhada geral. Myra calou-se,tinha dado seu sinal de protesto.
- Sentem-se, por favor! - Vic sorria dentro do microfone, sorria o enrubescia, furioso. mexendo numa espinha no queixo. O enorme barqueiro veneziano, atrás, olhava sonhador por sobre seus ombros - Está na hora de votar!
Carrie e Tommy sentaram-se, Tina Blake e Norma Watson distribuíam as cédulas mimeografadas e, ao colocar uma na mesa deles. Norma murmurou afobada: - BOA SORTE
Carne pegou a cédula e examinou-a. Seu queixo caiu.
- Tommy, estamos ai!
- Ë. já vi - disse ele. - A escola vota num canditato e seu par é praticamente arrastado junto,como marinheiro para o navio. Benvinda a bordo! Quer que recusemos?
Ela mordeu os lábios e olhou pra ele.
- Você quer?
- Claro que não! - disse ele alegremente - Se você for eleita tudo que tem que fazer é ficar sentada lá enquanto tocam o hino da escola, dar uma dançada, acnar com o cetro e fazer cara de idiota. Tiram seu retrato para o livro do ano, para que todo mundo possa ver a cara de idiota que você fez e pronto.-
- Em quem votamos? ela olhou duvidosa da cédula para o pequenino lápis ao lado do barquinho de nozes. - A turma é mais sua que minha. -- uma risadinha lhe escapou - Na verdade, eu nem turma tenho.
Ele deu de ombros.
- Vamos votar em nós mesmos. A falsa modéstia que vá para o inferno!
Carne deu uma gargalhada, mas logo cobriu a boca a mão. Era um som quase desconhecido para ela Antes de poder pensa,. passou um circulo em volta do nome deles.o terceiro a partir de cima. O pequenino lápis partiu-se em sua mão , e ela inspirou fundo.Uma farpa entrou na parte carnuda do dedo, fazendo brotar urna gota de sangue.
- Machucou ?
- Não - sorriu, mas de repente foi-lhe difícil sorrir.A vista do sangue lhe desagradava. Limpou-o com o guardanapo.
- Mas eu quebrei o lápis. e ele era lembrança. Idiota que sou!
- Ainda tem o barco - disse ele empurrando-o em sua direção. - Tu-tu!
Sentiu um nó na gangatita e teve certeza de que ia chorar e depois sentiu-se envergonhada. Controlou-se; seus olhos brilharam como espectro solar, mas ela baixou a cabeça para que ele nã visse.
O conjunto tocava uma música agradável,enquanto a guarda da Sociedade de honra recolhia as cédulas dobradas Eram levadas para a mesa da comissão junto a porta, onde o Vic, o professor Stophens e o casal Lublin contava os votos.Miss Geer controlava todo com olhar sombrio e penetrante.
Carrie sentiu um tensão constrangedora atravessá-la puxando-lhe os músculos da barriga e das costas. Segurou com firmeza a mão de Tommy.Claro que aqulio era absurdo. Ninguémiria votar neles.No garanhão talvez,mas não quando ajaezado em parelha com uma fêmea de boi. Seria frank e Jéssica ,ou talvez Don Farnhan e Helen Shyres.Ou o diabo quem fosse...
do microfone.
Duas pilhas estavam crescendo mais do que as outras. O professor Stephens tinha acabado de separar as tiras,e todos quatro se revezavam contando as grandes pilhas,que pareciam iguais. Conferenciavam ,conferiam , recontavam. Stephens balançou a cabeça, deu nova repassada, como quem vai distribuir cartas para pôquer e devolveu para Mike. Este subiu ao palco e se aproximou do microfone. Assustou-se com o ronco. O conjunto Billy Bosnan tocou um prelúdio. Vic sorriu nervoso , pigarreou no microfone.Assustou-se com o ronco que lhe veio em resposta, quase deixou cair as cédulas no chão ,coberto de fios elétricos. Alguém deu uma risada abafada.
- Esbarramos numa dificuldade - disse Vic simplesmente - O sr. Lublin disse que é a primeira vez desde que existe o Baile da Primavera que...
- E quando foi isso? - resmungou alguém atrás de Tommy - Em mil e oitocentos?
- Tivemos um empate.
Um murmúrio levantou-se em meio a multidão.
George Dawson fez um trocadilho, e alguns riram. Vic deu uma risada meio amarela, qauase deixando as cédulas cairem pela segunda vez.
- Sessenta e três votos para Frank Grier e Jessica Mclean e sessenta e três votos para Tommy Ross e Carrie White.
Seguiu-se um momento de silêncio, e depois, de repente o aplauso foi crescendo. Tommy olhou para seu par .Estava de cabeça baixa, como que envergonhada, mas ela teve uma súbita sensação
(carrie , carrie , carrie)
semelhante a que tivera quando a convidara para a festa. Sentiu como se dentro de sua mente alguma coisa estranha chamsse o nome de Carrie repetidamente.Como se...
Vicky Mooney,orador da turma dos formandos, gritava alegremente para dentro dos microfones.
Muito bem, senhores e senhoras! Instalem-se em seus lugares por favor. Está na hora de votar. Vamos eleger o Rei e a Rainha!
- Este concurso é um insulto para as mulheres - gritou Mira Crewes com forçado bom humor.
- É um insulto para os homens também! - respondeu George Dawson no mesmo tom de voz. Houve uma gargalhada geral. Myra calou-se,tinha dado seu sinal de protesto.
- Sentem-se, por favor! - Vic sorria dentro do microfone, sorria o enrubescia, furioso. mexendo numa espinha no queixo. O enorme barqueiro veneziano, atrás, olhava sonhador por sobre seus ombros - Está na hora de votar!
Carrie e Tommy sentaram-se, Tina Blakc e Norma Watson distribuíam as cédulas mimeografadas e, ao colocar uma na mesa deles. Norma murmurou afobada: - BOA SORTE
Carne pegou a cédula e examinou-a. Seu queixo caiu.
- Tommy, estamos ai!
- Ë. já vi - disse ele. - A escola vota num canditato e seu par é praticamente arrastado junto,como marinheiro para o navio. Benvinda a bordo! Quer que recusemos?
Ela mordeu os lábios e olhou pra ele.
- Você quer?
- Claro que não! - disse ele alegremente - Se você for eleita tudo que tem que fazer é ficar sentada lá enquanto tocam o hino da escola, dar uma dançada, acnar com o cetro e fazer cara de idiota. Tiram seu retrato para o livro do ano, para que todo mundo possa ver a cara de idiota que você fez e pronto.-
- Em quem votamos? ela olhou duvidosa da cédula para o pequenino lápis ao lado do barquinho de nozes. - A turma é mais sua que minha. -- uma risadinha lhe escapou - Na verdade, eu nem turma tenho.
Ele deu de ombros.
- Vamos votar em nós mesmos. A falsa modéstia que vá para o inferno!
Carne deu uma gargalhada, mas logo cobriu a boca a mão. Era um som quase desconhecido para ela Antes de poder pensa,. passou um circulo em volta do nome deles.o terceiro a partir de cima. O pequenino lápis partiu-se em sua mão , e ela inspirou fundo.Uma farpa entrou na parte carnuda do dedo, fazendo brotar urna gota de sangue.
- Machucou ?
- Não - sorriu, mas de repente foi-lhe difícil sorrir.A vista do sangue lhe desagradava. Limpou-o com o guardanapo.
- Mas eu quebrei o lápis. e ele era lembrança. Idiota que sou!
- Ainda tem o barco - disse ele empurrando-o em sua direção. - Tu-tu!
Sentiu um nó na gangatita e teve certeza de que ia chorar e depois sentiu-se envergonhada. Controlou-se; seus olhos brilharam como espectro solar, mas ela baixou a cabeça para que ele nã visse.
O conjunto tocava uma música agradável,enquanto a guarda da Sociedade de honra recolhia as cédulas dobradas Eram levadas para a mesa da comissão junto a porta, onde o Vic, o professor Stophens e o casal Lublin contava os votos.Miss Geer controlava todo com olhar sombrio e penetrante.
Carrie sentiu um tensão constrangedora atravessá-la puxando-lhe os músculos da barriga e das costas. Segurou com firmeza a mão de Tommy.Claro que aqulio era absurdo. Ninguémiria votar neles.No garanhão talvez,mas não quando ajaezado em parelha com uma fêmea de boi. Seria frank e Jéssica ,ou talvez Don Farnhan e Helen Shyres.Ou o diabo quem fosse...
do microfone.
Duas pilhas estavam crescendo mais do que as outras. O professor Stephens tinha acabado de separar as tiras,e todos quatro se revezavam contando as grandes pilhas,que pareciam iguais. Conferenciavam ,conferiam , recontavam. Stephens balançou a cabeça, deu nova repassada, como quem vai distribuir cartas para pôquer e devolveu para Mike. Este subiu ao palco e se aproximou do microfone. Assustou-se com o ronco. O conjunto Billy Bosnan tocou um prelúdio. Vic sorriu nervoso , pigarreou no microfone.Assustou-se com o ronco que lhe veio em resposta, quase deixou cair as cédulas no chão ,coberto de fios elétricos. Alguém deu uma risada abafada.
- Esbarramos numa dificuldade - disse Vic simplesmente - O sr. Lublin disse que é a primeira vez desde que existe o Baile da Primavera que...
- E quando foi isso? - resmungou alguém atrás de Tommy - Em mil e oitocentos?
- Tivemos um empate.
Um murmúrio levantou-se em meio a multidão.
George Dawson fez um trocadilho, e alguns riram. Vic deu uma risada meio amarela, qauase deixando as cédulas cairem pela segunda vez.
- Sessenta e três votos para Frank Grier e Jessica Mclean e sessenta e três votos para Tommy Ross e Carrie White.
Seguiu-se um momento de silêncio, e depois, de repente o aplauso foi crescendo. Tommy olhou para seu par .Estava de cabeça baixa, como que envergonhada, mas ela teve uma súbita sensação
(carrie , carrie , carrie)
semelhante a que tivera quando a convidara para a festa. Sentiu como se dentro de sua mente alguma coisa estranha chamsse o nome de Carrie repetidamente.Como se...
- Atenção - gritava vic - Um momento de atença por favor!
Os aplausos esmoreceram. - Vamos fazer o desempate. Quando as tiras de papel
forem entregues a vocês, por favor escrevam em cima o nome do casal preferido.
Deixou o microfone, aliviado.
Distribuíram as novas cédulas rasgadas às pressas de sobras de programas de baile. A
música tocava desapercebida; as pessoas conversavam animadas.
- Os aplausos não eram para nós - disse Carne levantando os olhos. Aquela coisa que
ele tinha sentido (ou achava que tinha) desaparecera. - Não podiam ter sido para nós.
- Talvez tenham sido para você.
Olhou muda para ele.
- Por que está demorando tanto? - sibilou ela. - Eu ouvi eles batendo palmas. Talvez
tenha sido aquilo, se você...
- A corda trançada balançava solta entre eles, nenhum dos dois tocara nela desde que
Billy puxara a ponta para fora, metendo uma chãve de fenda pelo buraco de ventilação.
Não se incomode - disse ele calmamente. - Eles tocarão o hino da escola. Sempre
tocam.
Mas...
- Cale a boca, porra. Você fala demais. - A ponta de seu cigarro tremeluzia pacífica no
escuro.
Ela se calou. Mas
(puxa quando isto acabar você vai ver meu chapa talvez esta noite você leve para a
cama...)
sua mente repassava furiosa as palavras dele. Ninguém falava com ela daquela maneira.
Afinal seu pai era advogado.
Faltavam sete para as dez.
Ele segurava o lápis partido na mão, pronto para escrever,quando ela. lhe tocou o
pulso de leve, hesitando:
- Não...
- Que foi?
- Não vote em nós - disse ela finalmente.
Ergueu as sobrancelhas interrogando:
-.E por que não? Já que nos metemos, vamos em frente.É o que minha mãe sempre
diz.
(mãe)
No mesmo instante uma figura surgiu em sua mente, a mãe murmurando rezas sem
fim para um Deus dominador colunar, sem rosto, que, de espada de fogo na mão, rondava
pelos motéis e estacionamentos. O terror foi subindo dentro dela, negro, e teve que lutar
com todas as suas forças para mantê-lo afastado. Não sabia como explicar este seu pavor,
seu sentido de premonição. Só conseguia sorrir, sorrir perdida e repetir:
- Por favor, não vote.
A guarda da Sociedade de Honra voltava recolhendo os papéis dobrados. Ele
hesitou mais um instante, depois, num, ímpeto, rabiscou “Tommy e Carrie” no pedaço
rasgado de papel.
- Para você - disse ele. - Esta noite você vai de primeira.
Não conseguiu responder. O pressentimento a dominava: o rosto de sua mãe.
A faca escapou da pedra de amolar e no mesmo instante entrou na. palma da mão
logo abaixo do polegar.
Ficou olhando para o cortë. Sangrava lentamente, um sangue grosso escorria do beiço
aberto do talhe, descia pela mão, pingando no chão de linóleo gasto. Muito bem. Ótimo. A
lâmina experimentara a carne, fizera correr sangue. Não fez nennhum curativo, inclinou a
mão deixando o fluxo escorrer pelo fio da lâmina, ernbaçando com o sangue seus reflexos
metálicos „Em seguida recomeçou a afiá-la, sem se importar com os pingos que lhe
salpicavam o vestido.
Se o teu olho direito te ofender, arranca-o.
Eram inclementes as palavras da Sagrada Escritura , mas também doces e sábias.
Aplicavam-se perfeitamente aos que ocultavam nas entradas escuras dos hotéis de alta
rotatividade, nas macegas atrás dos clubes de boliche.
Arranca-o.
(ah e a música horrível que tocavam)
Arranca-o.
(as meninas mostram sua roupa de baixo suando suando sangue)
O cuco da floresta Negra começou a bater e
(corte-lhe as entranhas)
se o teu olho direito te ofender, arranca-o.
O vestido estava pronto e ela não conseguia mais ver telelevisão, nem pegar nos livros ou telefonar para Nancy. Não havia nada que pudesse fazer a não ser ficar sentada no sofá olhando para o negrume da janela da cozinha, sentindo um medo estranho crescer dentro de si.
Com um suspiro começou a esfregar distraidamente os braços. Estavam frios e arrepiados. Era dez horas e doze minutos, e não havia razão nenhuma, absolutamente nenhuma, para aquela sensação de que o mundo estava chegando ao fim.
As pilhas desta vez estavam mais altas, mas ainda continuavam a parecer iguais. Mais uma vez foram contadas três vezes para evitar engano. Depois Vic voltou ao microfone. Fez uma pausa, saboreando a tensão que pairava no ar, para então anunciar simplesmente:
- Tommy e Carne ganharam; por um voto.
Silêncio sepulcral por um instante. Depois os aplausos ecoaram novamente pelo ginásio, alguns deles não isentos de colorido irônico. Assustada, Carne respirou fundo, abafando uma exclamação de espanto, e mais uma vez (apenas por um segundo), Tommy sentiu aquela misteriosa vertigem
(carrie carrie carrie)
que parecia lhe tirar a faculdade de pensar, deixando apenas
o nome e a imagem daquela estranha garota a seu lado. Por um rápido segundo ficou literalmente apavorado.
Qualquer coisa caiu com um tinido, e no mesmo instante a vela apagou-se com um sopro.
Josie e o conjunto Moonglows estavam tocando um arranjo para rock de Pompa e Circunstância, a guarda apareceu em sua mesa (quase por magia. Tudo tinha sido meticulosamente ensaiado por Miss Geer, que de acordo com os rumores saboreava guardas lentos e desajeitados), um cetro enrolado em papeI-estanho foi enfiado na mão de Tommy, e um manto com farta gola de pêlo de cachorro jogado por cima dos ombros de Carrie, e eles foram conduzidos pela passagem central por um rapaz e uma moça de blusões brancos. O conjunto atacou. A audiência aplaudiu. Miss Geer estava realizada. Tommy Ross sorria sem graça.
Foram conduzidos degraus acima até à frente do palco, onde foram instalados nos troncos. Os aplausos cada vez aumentavam mais. Não eram mais irônicos, eram honestos e profundos, um pouco assustadores até. Carrie estava satisfeita em poder sentar. Tudo tinha acontecido rápido demais. Suas pernas tremiam e de repente, mesmo apesar do decote relativamente alto de seu vestido, sentiu seus seios
(travesseirimundos)
horrivelmente expostos. Os aplausos fizeram com que se sentisse zonza, como que ébria de ponche. Parte dela estava realmente convencida de que tudo não passava de um sonho do qual ela acordaria, sentindo um misto de pena e alívio.
Vic troava ao microfone:
- Tommy ROSS e Carrie WHITE - o Rei e a Rainha do Baile da Primavera de 1979!
E os aplausos continuavam, crescendo, vibrando, estourando. Tommy Ross, agora nos derradeiros momentos de sua vida. tomou a mão de Carrie, e sorriu para ela com esforço, lembrando-se de que a intuição de Suzie estava certa. Carrie conseguiu retribuir o sorriso. Tommy
(ela tinha razão gosto muito dela assim como gosto desta aqui desta carrie que é que é linda e está certo gosto de todas elas da luz da luz em seus olhos) e Carrie
(não consigo vê-los a luz é violenta demais ouço mas não posso ver o chuveiro lembram do chuveiro oh mãe isto aqui é alto demais quero descer oh eles estão rindo de mim prontos para jogarem coisas apontar para mim rindo às gargalhadas e eu não. consigo vê-los não consigo vê-los tudo está claro demais)
e a viga por cima deles.
Numa repentina e estrepitosa fusão de rok e metais, os dois conjuntos irromperam no hino da escola. Ainda aplaudindo, os presentes se levantaram e começaram a cantar.
Era sete para as dez.
Billy tinha acabado de flexionar os joelhos fazendo as juntas estalarem. A seu lado Chris dava mostra de crescente nervosismo. Suas mãos brincavam distraídas com a costura do blusão que estivera usando; mordia o lábio inferior por dentro, roendo até ficar meio esfarrapado.
- Acha que vão votar neles? - perguntou Billy baixinho.
- Vão sim - disse ela. - Eu ajeitei tudo. Não vai nem ser muito disputado. Por que será que continuam aplaudindo?" O que estará acontecendo?
- Eu é que sei? Eu...
De repente o hino da escola retumbou, forte e estrondoso em meio à suave noite de maio, Chris deu um salto como se tivesse sido mordida. Uma exclamação de surpresa lhe escapou dos lábios.
A1l rise high for Thomas Ewen Hiiiiyyygh... (Todos se ergam altos para Thomas Ewen)
- Vamos - disse ele. - Eles estão lá. - Seus olhos brilhavam suavemente no escuro. Um estranho meio-sorriso tocara-lhe as feições.
Ela passou a língua nosdentes. Ambos ficaram olhando fixos para o pedaço de corda.
We’II raise your banners to the skyyyys. . . ( Ergueremos seu estandarte aos céus)
- Cale a boca - murmurou ela. Tremia e ele achou que seu corpo nunca lhe parecera tão sensual e excitante. Também quando tudo tivesse acabado ele iria pegá-la, possuí-la como nunca antes. Iria trepar nela, seria como espiga de milho crua atravessando manteiga.
- Como é, perdeu a coragem?
Inclinou-se para a frente:
- Eu não vou puxar para você. Por mim pode ficar la até o dia de São Nunca.
With pride we wear the red and whiiyyyte. ... (Com orgulho usamos o vermelho e branco)
Um som abafado, meio grito saiu de sua boca: ela se inclinou, puxando a corda
violentamente com ambas as maos. Por um instante sentiu a corda frouxa, chegando a
pensar que Billy estivera gozando-a o tempo todo, e que a corda estava presa no ar. Depois
estancou, resistiu por um segundo e correu violentamente, queimando-lhe as palmas da
mão.
- Eu... - começou ela
Lá dentro a música de repente parou em sons discordantes, desafinada. Por um momento, vozes roufenhas continuaram distraídas, depois se calaram. Uma fração de segundo de silêncio, e alguém gritou. Novo silêncio.
Ficaram se olhando no escuro, sem ação diante do ato que o pensamento nunca teria praticado. Até a respiração enrijeceu-se-lhes na garganta.
De repente, lá dentro, começou a gargalhada.
Era dez e vinte e cinco e a sensação piorava cada vez mais. Diante do fogão a gás,
equilibrada num pé só. Sue esperava o leite começar a ferver. Já por duas vezes começara a
subir para o quarto, vestir a roupa de dormir; duas vezes ela desistira atraída por nada para a
janela da cozinha que dava para Brickyard Hill e a espiral da Estrada 6, que levava à
cidade.
Agora que a sirene instalada no alto da prefeitura. na Main Street, começou a soar em
meio à noite, subindo e descendo em ciclos de pânico; ela não se virou imediatamente para a janela, apenas apagou o gás para o leite não derramar.
Todo dia ao meio-dia a sirene da prefeitura soava, mas só ao meio-dia, exceto em
agosto e setembro, na época da queimada, para convocar o corpo de bombeiros voluntários. Era usada estritamente para caso de graves sinistros, e naquela casa vazia soava fantástico e aterrador.
Andando devagar, foi até a janela. O apelo da sirene ia e vinha. Buzinas começaram a
soar em alguma parte, como se fosse casamento. Podia ver sua imagem refletida na vidraça escurecida, os lábios entreabertos, olhos, esgazeados e logo o vapor de sua respiração encobriu tudo.
Uma lembrança meio esquecida veio-lhe à memória. Em criança, na escola,
praticavam exercícios contra ataques aéreos. Quando a professora batia palmas e dizia: - O alarme da cidade está soando - todos deviam entrar debaixo das carteiras, as mãos sobre a cabeça, esperando pelo sinal de perigo-passado, ou que os mísseis inimigos reduzissem todos a pó. Agora aquelas palavras ressoavam-lhe na mente,
(o alarme da cidade está soando)
nítidas como folha prensada em plástico.
Lá embaixo, à esquerda, onde ficava o estacionamento da escola - o círculo de
lâmpadas de mercúrio o delineava perfeitamente, embora o prédio da escola estivesse invisível no escuro - uma centelhà brilhou como se Deus tivesse riscado sílex no aço.
(é ali que estão os depósitos de óleo)
A centelha hesitou, depois desabrochou em cor de laranja. Agora podia-se ver a
escola. Estava ardendo.
Já estava se encaminhando para o armário para apanhar um casaco quando ouviu o
primeiro estrondo surdo de uma explosão. O chão estremeceu debaixo de seus pés, a louça no armário tiniu.
Do livro: Nós Sobrevivemos ao Baile Negro, de Norma Watson (publicado em agosto de 1980 pela The Reader’s Digest, como artigo da série “Drama na Vida Real”):
...tudo foi tão rápido que ninguém realmente sabia o que estava acontecendo. Estávamos todos em pé aplaudindo e cantando o hino da escola. De repente - eu estava na mesa da guarda, logo atrás da porta principal, olhando para o palco - vi um reflexo, quando os enormes refletores armados por cima do palco incidiram em qualquer coisa metálica. Estava ao lado de Tina Blake e Stella Horan, e acho que elas também viram.
No mesmo instante desceu no ar um enorme esguicho vermelho. Parte dele atingiu o mural e ficou escorrendo em longas goteiras. Soube no mesmo instante, antes mesmo que eles fossem atingidos, que aquilo era sangue. Stella Horan pensou que fosse tinta, mas eu tive um pressentimento, como daquela vez em que meu irmão foi atingido por um caminhão de feno.
Eles ficaram encharcados. Carrie levou a pior. Parecia exatamente como se tivesse sido mergulhada dentro de um balde de tinta vermelha. Continuou sentada. Sem se mover. O conjunto que estava mais próximo do palco, Josie e os Moonglows, ficou todo respíngado. O instrumento do guitarrista principal era branco, e ficou manchado de alto a baixo.
- Meu Deus - disse eu -é sangue!
Ao ouvir minhas palavras, Tina deu um grito. Um grito alto, que ecoou por todo o ginásio.
Todos tinham parado de cantar e o silêncio era profundo. Não consegui me mexer. Estava como que pregada no chão.Olhei para cima e vi dois baldes balançando no alto, por cima dos tronos, balançando e batendo um no outro. Pingavam. De repente despencaram, com um monte de corda solta descendo atrás deles. Um acertou Tommy na cabeça. Ressoou alto como um gongo.
Alguém riu. Não sei quem, mas não era riso de alguém que viu uma coisa engraçada, divertida. Era brutal, histérico, horrível.
No mesmo instante Carrie abriu os olhos, arregalando-os.
Foi aí que todos começaram a gargalhar. Eu também, que Deus me perdoe. Era tão... tão fantástico.
Quando era pequena, tinha um livro de estórias de Walt Disney chamado Canção do Sul; nele havia a estória do boneco de piche, contada por Tio Remus. Tinha uma figura do .boneco de piche sentado no meio da estrada, igualzinho àqueles velhos menestréis negros, de cara preta e enormes olhos brancos. Quando Carne abriu os olhos foi exatamente igual. Eram única parte de seu corpo que não estava inteiramente vermelha. A luz incidia neles, pareciam de vidro. Que Deus me perdoe, mas juro que era o perfeito Eddie Cantor naquela sua cena de olhos arregalados.
Foi isto que fez todo mundo rir. Não havia jeito. Era um destas cenas que você ou ri ou enlouquece. Há tantos anos Carrie vinha sendo o alvo de todas as pilhérias, e todos sentímos que naquela noite éramos parte de algo muito especial. Era como se estivéssemos observando um ser humano se juntando novamente à raça humana, e eu, por minha parte, agradecia a Deus. E foi acontecer aquilo. Aquele horror!
Portanto, não havia outra coisa a fazer. Ou a gente ria ou chorava, mas como seria possível chorar por Carrie, depois de todos estes anos?
E ela ficou sentada, de olhos fixos, e as gargalhadas aumentavam, iam crescendo, crescendo. Tinha gente segurando a barriga, se dobrando de rir, apontando para ela. Só Tommy não olhava para ela. Arriado em sua cadeira, parecia adormecido. Não dava para ver se estava ferido: estava todo coberto de sangue.
De repente o rosto de Carrie. . . desmantelou. Não encontro outra palavra para descrevê-lo. Cobriu-o com as mãos, e ergueu cambaleando. Quase se embaraçou em suas próprias pernas, ameaçou cair, o que fez a assistência rir mais ainda. Depois saiu como que saltando do palco. Era como se fosse um enorme sapo vermelho pulando de um canteiro de lírios. Ameaçou cair mais uma vez, mas conseguiu se manter de pé.
Miss Desjardin veio correndo a seu encontro e já não estava mais rindo. Abria os braços para ela. Mas subitamente mudou de direção.e foi jogada contra a parede ao lado do palco. Foi a coisa mais esquisita. Ela não tropeçou em nada. E como se alguém a tivesse empurrado, só que não havia ninguém.
Carrie atravessou a multidão correndo, as mãos agarradas no rosto, quando alguém esticou a perna na sua frente. Não sei quem foi. mas ela se estatelou de rosto no chão, deixando uma comprida trilha vermelha. Me lembro que ela fez: - Uff! -Aquele uff! me fez rir mais ainda. Saiu engatinhando, depois ergueu-se e desandou a correr. Passou bem na minha frente. Senti até o cheiro de sangue. Um cheiro nauseabundo, de coisa podre.
Desceu os degraus dois a dois, e saiu porta afora.Desapareceu.
As gargalhadas foram esmorecendo aos poucos. Algumas pessoas ainda fungavam e bufavam. Lennie Brick tirou um enorme lenço branco para enxugar os olhos. Sally McManus estava lívida, parecia que ia vomitar. mas continuava a dar risadinhas sem conseguir parar. Billy Bosman de batuta na mão, estava de pé sacudindo o cabeça. O sr. Lublin. sentado ao lado de Miss Desjardin. pediu um papel Yes. O nariz dela sangrava
E preciso entender que tudo isto aconteceu no espaço de dois minutos no máximo. Nínguem conseguiu entender nada. Estávamos atordoados. Alguns andavam de um lado para outro; conversavam um pouco. Helen Shyres irrompeu em choro, o que fez os outros começarem a chorar também.
- Chamem um médico! Raios, um médico! - gritou alguém.
Era Josi Vreck. Estava em cima do palco. ajoelhado ao lado de Tommy Ross. O rosto branco como papel. Tentou ergue-lo, mas o trono se virou e Tommy rolou para e chão.
Ninguém se mexeu. Todos olhavam atónitos. Eu parecia ter virado pedra. Meu Deus, foi tudo que consegui pensar. Meu Deus, meu Deus, meu Deus! Depois a outra idéia veio penetrando lentament,. como se nem minha fosse. Pensei em Carrie. E em Deus. Estava tudo misturado, era horrível.
Stella se virou, olhou para mim e disse:
- Carrie voltou.
-É, voltou - foi tudo que consegui responder.
Todas as portas do salão se fecharam seguídarnente Era como se alguém estivesse batendo palmas. Uma voz no fundo gritou, e teve o início do estouro da boiada. Todos correram para as portas. Fiquei parada. sem acreditar no que estava vendo. Quando olhei para a porta, pouco antes de a primeira pessoa começar a empurra-la, vi Carrie olhando para dentro, o rosto todo pintado, como índio antes de ir para a guerra.
Sorria.
Empurravam e esmurravam as portas, mas elas nã cediam. Cada vez mais gente se aglomerava diante delas. Os pnimeiros a chegar acabaram sendo atirados contra elas, e gemiam ofegantes. As portas não abriram. E elas nunca eram fechadas. Era lei do Estado.
O sr. Stephens e O sr. Lublin foram abrindo caminho, puxando o pessoal, agarrando-os pelos casacos, pelas saias, por qualquer coisa. Todos berravam, procurando passagem, como animais. O sr. Stephens distribuiu tapas entre as meninas, deu um soco no olho de Vic Mooney. Gritavam para que todos saíssem pelos fundos, pela porta de emergência. Alguns atenderam. Foram os que sobreviveram.
Foi aí que começou a chover. . . pelo menos, a princípio achei que fosse chuva. Caía água de todos os lados. Olhei para cima e vi que todo o sistema de prevenção contra incêndio estava ligado. A água caía na quadra de basquete e respingava para todos os lados. Josie Vreck gritou para o pessoal do conjunto desligar rapidamente os microfones e amplificadores. Mas não havia ninguém por perto. Ele saltou do palco.
O pânico na porta acalmara. Todos se afastavam olhando para o teto. Ouvi alguém dizer - acho que foi Don Farnham - que aquilo ia estragar a quadra de basquete.
Algumas pessoas foram dar uma olhada em Tommy Ross. De repente senti que tinha que sair dali. Peguei Tina Blake pela mão e gritei:
- Vamos correr. Depressa!
Para chegar à saída de emergência era preciso seguir por um pequeno corredor à esquerda do palco. Ali também havia encanamentos, mas a água não estava ligada. Vi algumas pessoas saírem correndo pelas portas abertas. A maioria, no entanto, ficou parada em pequenos grupos, olhando surpresos uns para os outros. Outros ainda olhavam para as manchas de sangue onde Carrie tinha caído, e que a água agora estava lavando.
Agarrei o braço de Tina e comecei a puxá-la em direção à seta de saída. No mesmo instante houve um imenso clarão, um grito e um horrível gemido ressoou. Olhei em volta e Josie Vreck segurando-se num dos microfones. Ele não conseguia se soltar. Seus olhos estavam esbugalhados, os cabelos em pé; parecia estar dançando. Seus pés escorregaram na água e sua camisa começou a fumegar.
Caiu por cima de um dos amplificadores - eram enormes, com cerca de metro e meio de altura - e este caiu dentro d"água. Os gemidos se transformaram em gritos horripilantes. Houve mais um clarão sibilante, e a camisa de Josie estava em fogo.
- Corre! - gritou Tina para mim. - Vamos, Norma.
Por favor!
Saímos correndo e alguma coisa explodiu atrás do palco, creio que foram as chaves da rede de força. Por um segundo apenas olhei para trás. Como as cortinas estivessem abertas, podia ver exatamente o local onde Tommy estava estendido. Todos os pesados cabos de força estavam dançando no ar, sacudindo e se torcendo como serpentes saindo de um cesto de faquir indiano. De repente um deles se partiu. Bateu na água com um clarão violeta, e todos gritaram a uma só voz.
Saímos porta a fora, correndo pelo estacionamento. Acho que eu também estava gritando; não me lembro exatamente. Não me lembro de nada com clareza, aliás, depois de eles começarem a gritar. Depois que aqueles cabos de alta voltagem bateram no chão coberto d"água...
Para Tommy Ross, de dezoito anos de idade, a morte veio rápida e misericordiosa, quase sem dor.
Não chegou nem a ter consciência de que algo de importante estava se passando. Ouviu um barulho metálico, qualquer coisa se chocando que ele associou momentaneamente com
(lá vão os baldes de leite)
uma memória de infância, lá da tazenda do tio Galen, e depois com
(alguém deixou cair qualquer coisa)
o conjunto lá embaixo. Vislumbrou Josie Vreck olhando por cima de sua cabeça
(que é isto um halo ou qualquer coisa parecida)
e aí o balde com um resto de sangue o atingiu. A borda saliente do mesmo acertou-o bem na cabeça e
(hei isso machu)
desmaiou na mesma hora. Estava ainda esticado no palco quando o fogo que teve origem no equipamento elétrico de Josie e os Moonglows se espalhou para o mural com o barqueiro veneziano e depois para o depósito atrás do palco, com seus ratos, uniformes velhos, livros e papéis, e foi subindo.
Quando o tanque de óleo explodiu, meia hora mais tarde. ele já estava morto.
Do teletipo da AP dc New EngIand, ás 22h46min
CHAMBERLAIN, MAINE (AP)
UM INCÊNDIO DE PROPORÇÕES ALARMANTES ESTÁ SE ALASTRANDO EM EWEN (U-WIN) CONSOL1DA TED HIGH SCHOOL. QUANDO O FOGO IRROMPEU, CAUSADO APARENTEMENTE POR UM CURTO-CIRCUITO UM BAILE ESTAVA SE REALIZAN[)O NAQUELA ESCOLA. SEGUNDO AS TESTEMUNHAS O SISTEMA DE PREVENÇÃO CONTRA INCÊNDIO FOI LIGADO SEM AVISO PRÉVIO, CAUSANDO UM CURTO NA APARELHAGEM DE SOM DE UM CONJUNTO DE ROCK. ROMPERAM-SE AINDA ALGUNS CABOS DE ALTA TENSÃO ACREDITA-SE QUE CERCA DE CEM A CENTO E DEZ
PESSOAS ESTEJAM PRESAS DENTRO DO GINÁSIO EM CHAMAS. OS CORPOS DE BOMBEiROS DAS CIDADES V1ZINHAS DE WESTOVER, MOTTON E LEWINSTON TÊM RECEBIDO PEDIDOS DE SOCORRO E JÁ DEVEM ESTAR A CAMINHO. POR ENQUANTO NÃO HOUVE NOTICIA DE VITIMAS. FIM.
Do teletipo da AP, New England, 11 h22min.
URGENTE
CHAMBERLAIN, MAINE (AP)
TREMENDA EXPLOSÃO ABALOU .A THOMAS EWEN (U- WIN) CONSOLIDATED HIGH SCHOOL NA PEQUENA CIDADE DE CHAMBERLAIN EM MAINE. TRÊS CARROS DE BOMBEIROS DAQUELA CIDADE, ENVIADOS PARA COMBATER UM INCÊNDiO NO GINÁSIO ONDE SE REALIZAVA UM BAILE DE FORMATURA, NADA PUDERAM FAZER. POIS TODOS OS HIDRANTES DAQUELA ÁREA TINHAM SIDO DESTRUIDOS. E A PRESSÃO DA ÁGUA NOS CANOS ENTRE SPR1NG STREET E GRASS ERA PRATICAMENTE NENHUMA. UM DOS BOMBEIROS DISSE: - ARRANCARAM OS BOCAIS DAQUELAS DROGAS; DEVE TER JORRADO ÁGUA À VONTADE ENQUANTO A GAROTADA LÃ DENTRO ARDIA. -ATÉ AGORA FORAM RETIRADOS TRÊS CORPOS. UM DELES FOI IDENTIFICADO COMO SENDO
DE UM BOMBEIRO DE CHAMBERLAIN, E OS OUTROS DOIS PARECEM SER DE
PARTICIPANTES DA FESTA. TRÊS OUTROS BOMBEIROS DE CHAMBERLAIN FORAM
LEVADOS PA RA MOTTON, ONDE FORAM ATENDIDOS NUM HOSPITAL, POR QUEIMADURAS
LEVES E INTOXICAÇÃO POR
FUMAÇA. ACREDITA-SE QUE A EXPLOSÃO TENHA OCORRIDO QUANDO O FOGO ALCANÇOU OS TANQUES DE COMBUSTíVEL DA ESCOLA, QUE FICAM AO LADO DO GINÁSIO. O FOGO DEVE TER TIDO ORIGEM NUM CURTO-CIRCUITO NUM EQUIPAMENTO ELETRICO MAL ISOLADO, EM VIRTUDE DE UM DEFEITO NO SISTEMA DE MANGUEIRAS. FIM.
23H22MIN, 27 DE MAIO 70119E AP.
Sue tinha apenas uma licença provisória, mesmo assim pegou a chave do carro da mãe, no gancho ao lado da geladeira, e correu à garagem. Pelo relógio da cozinha era exatamente 23 horas.
Na primeira tentativa afogou o motor, e se controlou para esperar antes de tentar novamente. O motor engasgou, mas pegou. e ela baixou o pé. Saiu a toda sem o menor cuidado, amassando um pára-lama. Fez a curva; as rodas traseiras cuspiam pedregulhos. O Plymouth 77 derrapava pela estrada. quase virando de lado, fazendo-a sentir-se enjoada. Só então teve consciência de que estava emitindo uns gemidos guturais, como animal preso em armadilha.
Não parou no sinal do cruzamento da Route 6 com a Back Chamberlain Road. As sirenes do Corpo de Bombeiros enchiam a noite, vindas do leste, de onde Chamberlain fazia fronteira com Westover, e do sul, atrás dela, de Motton,
Estava quase ao pé da colina quando a escola explodiu.
Calcou violentamente o freio com ambos os pés. sendo jogada por cima do volante como uma boneca de trapos. Os pneus cantaram no asfalto. Sem saber como, conseguiu abrir a porta e saltar, protegendo os olhos contra o clarão. Uma enorme labareda se elevou, uma nuvem amalgamada de tirantes de aço, madeira e papel. O cheiro era denso e oleoso. Main Street parecia estar iluminada por refletores. Num terrível espaço de segundo, viu toda a ala do ginásio de Ewen devastada, um ruína em chamas.
A concussão veio logo em seguida, jogando-a para trás. Toda a sujeira da rua passou por ela de repente, numa velocidade incrível, seguida de uma rajada de ar quente que lhe recordou vagamente
(o cheiro dos metrôs)
uma viagem que fizera a Boston um ano atrás. As janelas vitrinas da drogaria Bill"s Home e da Kelly Fruit Company tiniram e se estilhaçaram com a pressão.
Sue tinha caído de lado, e o fogo iluminava a rua com o infernal e abrasador sol do meio-dia. O que aconteceu em seguida passou-se em câmara lenta, as idéias se atropelando constantemente
(estão todos eles mortos carrie morta por que pensa carrie) em sua própria velocidade. Carros passavam zunindo em direção ao sinistro, pessoas corriam em robes, camisolas e pijamas Viu um homem, nas escadas do prédio da delegacia, levar a mãos à boca e gritar qualquer coisa em meio à cidade ululante aos apitos, às sirenes, à goela-monstro do fogaréu.
A rua ali estava toda molhada. A luz dançava na água Lá no posto de Teddy Amoco.
-~- Ei, Garro!... Olha a Idalina! - parecia ele gritar.
E aí o mundo explodiu.
Do depoimento de Thomas K. Quillan, prestado sob juramento diante do júri do Maine, em relação aos acontecimentos de 27-28 de maio, em Chamberlain, Maine (esta versão abreviada é extraída de O Baile Negro: Relatório da Comissão White, Signet Books: Nova Iorque, 1980):
P.: Sr. Quillan, o senhor mora em Chamberlain?
R.: Moro.
P.: Qual o seu endereço?
R.: Moro num quarto em cima do salão de bilhar. - lá que trabalho. Varro o chão, passo aspirador nas mesas, lido com as máquinas - máquinas de pinball, sabe?
P.: Onde é que você esteve na noite de vinte e sete de maio, às 20h, sr. Quillan?
R.: Bem... na verdade estava numa cela da delegacia. Recebo às quintas-feiras, sabe. Aí sempre saio e encho a cara.Vou no The Cavalier tomar umas e jogo um poquerzinho na sala dos fundos. Mas. quando bebo viro fera. Parece até que um prado inteiro esta correndo dentro da minha cabeça. Um dia eu larguei a cadeira em cima da cabeça de um sujeito que...
P. Já era hábito seu ir procurar a delegacia toda vez que sentia esses ataques de raiva"!
R. Era sim. Otis. o Grandão. e amigo meu.
P.: Por acaso esta se referindo ao xerife Otis Doyle desta comarca?
R.: Estou sim. Ele me disse para aparecer por lá toda vez que começasse a sentir a raiva subir dentro de mim. Na noite antes do baile, um grupo de sujeitos estava jogando poquer la nos fundos do The Cavalier. e eu cismei que Marcel Dubay, o Ligeiro. estava trapaceando. Se estivesse sóbrio teria me dado conta de que um francês está a fim de enganar quando olha para suas próprias cartas. . . mas aquilo me fez perder a calma. Já tinha entornado algumas cervejinhas, por isso recolhi minhas cartas e fui para a delegacia. Plessy estava de plantão e me trancou direto na cela de detenção número 1. Plessy é um hom sujeito. Conheci a mãe dele, mas isto já faz muito tempo.