Cinquenta Tons de Liberdade
— Eu suspiro, ignorando o resto de sua sentença.
Este capítulo é longo, por isso está dividido em 4 partes.
— Mas eu preciso saber... por que você usou a palavra de segurança, Ana?
Deu-me um branco. O que eu posso dizer para ele? Que ele me assustou. Que eu não sabia se ele iria parar. Que eu implorei para ele... e ele não parou. Que eu não queria que as coisas aumentassem... como... como daquela vez aqui.
Eu estremeço enquanto me lembro dele me dando uma surra com o seu cinto.
Eu engulo.
— Porque... porque você estava tão bravo e distante e...
frio. Eu não sabia o quão longe você iria.
A expressão dele é ilegível.
— Você iria me deixar gozar? — Minha voz é apenas um sussurro, e eu sinto um rubor roubar as minhas bochechas, mas eu seguro o olhar dele.
— Não, — ele diz eventualmente.
300
Puta merda.
— Isso é... duro.
Sua junta gentilmente acaricia minha bochecha.
— Mas eficaz, — ele murmura. Ele olha para mim como se ele estivesse tentando ver a minha alma, seus olhos escurecendo. Depois de uma eternidade, ele murmura, — estou contente pelo que você fez.
— Oh! — Sério? — eu não entendo.
Seus lábios se torcem em um sorriso triste.
— Sim. Eu não quero te machucar. Eu me deixei levar. –
Ele se aproxima e me beija. — Me perdi no momento.
Ele me beija novamente.
— Acontece bastante quando estou contigo.
Oh? E por alguma razão bizarra o pensamento me agradou... eu sorrio. Por que isso me deixa feliz? Ele sorri também.
— Eu não sei por que você está sorrindo, Sra. Grey.
— Nem eu.
Ele se envolve ao meu redor e coloca a cabeça em meu peito. Nós somos um emaranhado de pernas nuas e cobertas por jeans, e lençol vermelho de cetim. Eu acaricio as costas dele com uma mão e corro os dedos da minha outra pelo cabelo dele. Ele suspira e relaxa nos meus braços.
— Isso significa que eu posso confiar em você... para me parar. Eu nunca quero te machucar, — ele murmura. — Eu preciso... — ele para.
— Você precisa do quê?
— Eu preciso de controle, Ana. Como eu preciso de você.
É a única maneira que eu consigo funcionar. Eu não consigo parar com isso. Eu não consigo. Eu já tentei... E no entanto, com você... – Ele balança a cabeça em exasperação.
Eu engulo. Esse é o ponto principal do nosso dilema... a necessidade de controle dele e a sua necessidade por mim.
Eu me recuso a acreditar que elas são igualmente exclusivas.
— Eu preciso de você também, — eu sussurro, abraçando-o mais apertado. — Eu vou tentar, Christian. Eu vou tentar ter mais consideração.
— Eu quero que você precise de mim, — ele murmura.
301
Puxa vida. Claro que eu preciso dele!
— Eu preciso. — Minha voz é apaixonada. Eu preciso tanto dele. Eu o amo tanto.
— Eu quero cuidar de você.
— Você cuida. O tempo todo. Eu senti tanto a sua falta quando você estava longe.
— Sentiu? — Ele soou surpreso.
— Sim, claro. Eu odeio quando você viaja.
Eu sinto o sorriso dele.
— Você poderia ter vindo comigo.
— Christian, por favor. Não vamos ressuscitar essa discussão. Eu quero trabalhar.
Ele suspira enquanto eu passo meus dedos gentilmente pelo cabelo dele.
— Eu te amo, Ana.
— Eu te amo também, Christian. Eu sempre vou te amar.
Nós dois ficamos deitados calmos e silenciosos depois da nossa tempestade. Ouvindo a batida constante de seu coração, eu adormeço exausta.
Eu acordo de repente, desorientada. Onde eu estou? O
quarto de jogos. As luzes ainda estão ligadas, suavemente iluminando as paredes vermelhas. Christian geme de novo, e eu percebo que foi isso que me acordou.
— Não, — ele geme. Ele está deitado ao meu lado, a cabeça para cima, com os olhos bem fechados, seu rosto contorcido em angústia.
Puta merda. Ele está tendo um pesadelo.
— Não! — ele grita de novo.
— Christian, acorda. — Eu luto para levantar, chutando para longe os lençóis. Ajoelhando-me ao lado dele, eu pego os ombros dele e o balanço enquanto lágrimas nascem dos meus olhos.
— Christian, por favor. Acorde!
Os olhos dele se abrem, cinzas e selvagens, suas pupilas largas pelo medo. Ele olha vagamente para mim.
302
— Christian, você está tendo um pesadelo. Você está em casa. Você está seguro.
Ele pisca, olha ao redor freneticamente, e faz uma careta enquanto ele observa o nosso arredor. Então seus olhos voltam para os meus.
— Ana, — ele suspira, e sem qualquer preâmbulo ele me alcança com as duas mãos, agarrando meu rosto, e me puxa para baixo em seu peito e me beija. Duramente. A língua dele invade a minha boca, e ele tem o sabor de desespero e necessidade. Mal me dando uma chance para respirar, ele se vira, seus lábios presos nos meus, de modo que ele está me pressionando no colchão duro da cama enorme. Uma de suas mãos aperta minha mandíbula, a outra se abre em cima da minha cabeça, mantendo-me parada enquanto seu joelho separa minhas pernas e ele se acomoda, ainda vestido em seus jeans, entre as minhas coxas.
— Ana, — ele suspira, como se ele não pudesse acreditar que eu estou lá com ele. Ele olha para mim por meio segundo, dando-me um momento para respirar. Então seus lábios estão nos meus de novo, saqueando a minha boca, pegando tudo que eu posso oferecer. Ele geme alto, flexionando seus quadris em mim. Sua ereção coberta pelo jeans empurra contra a minha pele macia. Oh... eu gemo, e toda a tensão sexual reprimida de antes entra em erupção, ressurgindo como uma vingança, enchendo o meu corpo de desejo e necessidade. Impulsionado por seus demônios, ele beija o meu rosto com urgência, meus olhos, minhas bochechas, ao longo da minha mandíbula.
— Estou aqui, — sussurro, tentando acalmá-lo, a nossa respiração ofegante e aquecida se misturando. Eu envolvo meus braços ao redor de seus ombros, enquanto roço a minha pélvis contra a dele o recebendo.
— Oh, Ana, — ele arfa com sua voz rouca e baixa. — Eu preciso de você.
— Eu também, — eu sussurro com urgência, meu corpo desesperado pelo toque dele. Eu o quero agora. Eu quero curá-lo. Eu quero me curar... eu preciso disso. As mãos dele descem e empurra o zíper de sua braguilha, mexendo rapidamente, liberando sua ereção.
303
Puta merda. Meu coração salta enquanto eu rapidamente penso que eu estava dormindo a menos de um minuto atrás. Ele se mexe, me encarando por uma fração de segundo, suspenso acima de mim.
— Sim. Por favor, — eu sussurro, minha voz rouca e necessitada. E
em um rápido movimento ele se enterra dentro de mim.
— Ah! — Eu grito, não de dor, mas surpresa pela espontaneidade. Ele geme, e seus lábios encontram os meus novamente enquanto ele se empurra dentro de mim, várias vezes, sua língua me possuindo também. Ele se move freneticamente, compelido pelo seu medo, seu desejo, sua luxúria, seu...
amor? Eu não sei, mas eu o encontro estocada por estocada, o recebendo.
— Ana, — ele grunhi quase inarticuladamente, e ele goza com vontade, derramando-se em mim, o rosto tenso, seu corpo rígido, antes de ele cair com seu peso sobre mim, ofegante, e me deixar no vácuo... de novo.
Puta merda. Essa não era a minha noite. Minha deusa interior está se preparando para se trucidar. Eu o abraço, puxando uma golfada de ar e praticamente me retorcendo de necessidade embaixo dele. Ele se desenrosca de mim e me abraça por alguns minutos... muitos minutos.
Finalmente ele balança a cabeça e se apoia nos cotovelos, tirando um pouco do seu peso. Ele olha para mim como se tivesse me vendo pela primeira vez.
— Oh, Ana. Meu Deus. — Ele se abaixa e me beija com ternura.
— Você está bem? — eu sussurro, estendendo a mão e acariciando seu rosto adorável. Ele pisca e assente com a cabeça. Ele parece abalado e definitivamente agitado; meu próprio garoto perdido. Ele franze a testa e me encara fixamente como se finalmente estivesse registrando onde ele está.
— Você? — ele pergunta, preocupação evidente em sua voz.
— Hum... — Eu me remexo embaixo dele e depois de um momento ele sorri, um lento sorriso carnal.
— Sra. Grey, você tem necessidades, — ele murmura. Ele me beija rapidamente, então sai da cama.
O quê?
304
Se ajoelhando no chão na beira da cama, ele me alcança, agarrando-me um pouco acima dos joelhos e me puxa em direção a ele para que as minhas costas estejam na beirada da cama.
— Sente-se, — ele murmura. Eu luto para me sentar, meu cabelo caindo como um véu ao meu redor, até os meus seios. Seus olhar cinzento segura o meu enquanto ele gentilmente abre as minhas pernas até onde elas conseguem ir. Eu me apoio nas mãos... sabendo muito bem o que ele vai fazer. Mas... ele apenas... hum....
— Você é tão fodidamente linda, Ana, — ele sussurra, e eu vejo o seu cabelo avermelhado mergulhar e plantar uma trilha de beijo subindo a minha coxa direita, seguindo para o norte. Meu corpo inteiro fica tenso em antecipação. Ele olha para cima para mim, seus olhos escurecendo através de longos cílios.
— Assista, — ele fala roucamente então sua boca está sobre mim.
Oh meu Deus. Eu grito enquanto o mundo está concentrado no vértice das minhas coxas, e é tão erótico...
Merda... assistindo ele. Ver sua língua contra o que parece
ser a parte mais sensível do meu corpo. E ele não mostra piedade, provocando sempre, me adorando. Meu corpo fica tenso e os meus braços começam a tremer da tensão de ficar apoiada.
— Não... ah, — eu murmuro. Gentilmente, ele acomoda um dedo dentro de mim e eu mal consigo aguentar, caindo com as costas na cama, saboreando essa boca e dedos dentro e fora de mim. E é isso... estou perdida. Eu explodo ao redor dele, gritando uma interpretação incoerente de seu nome enquanto o meu intenso orgasmo arqueia as minhas costas para fora da cama. Eu acho que vejo estrelas é a sensação tão primal...
Vagamente estou ciente de que ele está aninhando a minha barriga, me dando beijos doces e suaves.
Esticando minha mão, eu acaricio o seu cabelo.
— Eu ainda não terminei contigo, — ele murmura. E antes que eu esteja novamente de volta a Seattle, Planeta Terra, ele está me alcançando, pegando meus quadris e me puxando para fora da cama para onde ele está ajoelhado, seu colo me esperando, assim como também sua ereção.
Eu suspiro enquanto ele me preenche. Meu Deus...
305
— Oh, bebê, — ele sussurra enquanto ele coloca os braços ao meu redor e fica parado, segurando minha cabeça e beijando o meu rosto. Ele flexiona seus quadris, e picos de prazer chegam quentes e duros dentro de mim. Ele alcança o meu traseiro e me ergue, balançando sua virilha para cima.
— Ah, — eu gemo, e seus lábios estão no meu novamente enquanto ele lentamente, ah tão lentamente, ergue e balança... ergue e balança. Eu jogo meus braços ao redor de seu pescoço, me rendendo ao seu ritmo gentil e para onde ele for me levar. Eu flexiono minhas coxas, montado-o... ele é tão bom. Inclinando-me para trás, eu inclino minha
cabeça, minha boca aberta em uma expressão silenciosa de prazer, deleitando-me em sua doce maneira de fazer amor.
— Ana, — ele suspira, e se inclina para baixo, beijando o meu pescoço. Segurando-me firme, lentamente saindo e entrando, me empurrando... cada vez mais alto... tão refinadamente cronometrado, uma força de fluído carnal.
Um prazer maravilhoso irradia para fora de mim enquanto ele me segura tão intimamente.
— Eu te amo, Ana, — ele sussurra próximo ao meu ouvido, sua voz é baixa e áspera, e ele me ergue novamente... para cima, baixo, cima. Eu curvo minhas mãos ao redor do seu pescoço e em seu cabelo.
— Eu também te amo, Christian. — Abrindo meus olhos, eu o encontro me olhando, e tudo que eu vejo é o seu amor, brilhando com força na luz suave do quarto de jogos, seu pesadelo aparentemente esquecido. E
enquanto eu sinto o meu corpo se preparando para a minha liberação, eu percebo que é isso que eu queria... essa conexão, essa demonstração do nosso amor.
— Goze para mim, querida, — ele sussurra, sua voz baixa.
Eu fecho meus olhos enquanto meu corpo fica tenso por causa do tom baixo de sua voz, e eu gozo alto, me contorcendo em um clímax intenso. Ele se tranquiliza, a testa dele contra a minha, enquanto ele sussurra suavemente o meu nome, e coloca os braços ao meu redor e encontra a sua própria liberação.
306
Ele me ergue gentilmente e me deita na cama. Eu deito nos seus braços, exausta e finalmente saciada. Ele me dá um cheiro no pescoço.
— Melhor agora? — ele sussurra.
— Humm.
— Devemos ir para a cama, ou você quer dormir aqui?
— Humm.
— Sra. Grey, fale comigo. — Ele soa entretido.
— Humm.
— É isso o melhor que você pode fazer.
— Humm.
— Venha. Deixe eu te colocar na cama. Eu não gosto de dormir aqui.
Relutantemente, eu me mexo e viro para encará-lo.
— Espera, — eu sussurro. Ele pisca para mim, com os olhos arregalados e inocente, e ao mesmo tempo totalmente fodido e contente consigo mesmo.
— Você está bem? — eu pergunto.
Ele assente, sorrindo presunçosamente como um garoto adolescente.
— Estou agora.
— Oh, Christian, — eu faço uma careta e estendo a mão para acariciar gentilmente seu rosto adorável. — Eu estava falando sobre o seu pesadelo.
A expressão dele se congela momentaneamente, então ele fecha seus olhos e aperta seus braços ao meu redor, enterrando seu rosto no meu pescoço.
— Não, — ele sussurra, sua voz está rouca e áspera. Meu coração pula e se retorce mais uma vez em meu peito, e eu o aperto com força, correndo minhas mãos pelas suas costas e pelo seu cabelo.
— Sinto muito, — eu sussurro, alarmada pela reação dele.
Puta merda... como eu vou conseguir acompanhar essas mudanças de humor?
Sobre que inferno foi esse pesadelo? Eu não quero causá-lo mais dor ao fazê-
lo reviver os detalhes. — Está tudo bem, — eu murmuro suavemente, desesperada para tentar traze-lo de volta a ser o garoto brincalhão de um momento atrás. — Está tudo bem, — eu repito de novo tentando acalmá-lo.
307
— Vamos para cama, — ele disse baixinho depois de um tempo, e ele se afasta de mim, deixando-me vazia e
dolorida enquanto ele se levanta da cama. Eu me apresso atrás dele, mantendo o lençol de cetim enrolado em mim, e me abaixo para pegar minhas roupas.
— Deixe-as, — ele diz, e antes que eu percebo, ele me pega em seus braços. – Eu não quero que você tropece nesse lençol e quebre seu pescoço.
— Eu coloco meus braços ao redor dele maravilhando-me com o fato de que ele recobrou a sua postura, e me aconchego a ele enquanto ele me carrega escada abaixo para o nosso quarto.
Meus olhos se abrem. Algo está errado. Christian não está na cama, apesar de ainda estar escuro. Olhando para o alarme do rádio, eu vejo que é três e vinte da manhã. Onde o Christian está? Então eu ouço o piano.
Rapidamente saio da cama, pego o meu roupão e corro pelo corredor até a sala de estar. A melodia que ele está tocando é tão triste... um lamento triste que eu já ouvi ele tocar antes. Eu paro na porta e o assisto em bolha, enquanto a música dolorosamente triste enche a sala. Ele termina e então começa a melodia novamente. Por que uma melodia tão melancólica? Eu coloco os braços ao meu redor e escuto enfeitiçada enquanto ele toca. Mas o meu coração dói; Christian, por que tão triste? É por minha causa? Eu fiz isso? Quando ele termina, apenas para começar pela terceira vez, eu não consigo aguentar mais. Ele não olha para cima enquanto me aproximo do piano, mas se mexe para um lado para que eu possa me sentar ao lado dele sobre o banquinho do piano. Ele continua a tocar, e eu coloco a minha cabeça no ombro dele. Ele beija o meu cabelo, mas não para de tocar até que ele termina a melodia. Eu dou uma olhada nele e ele está me encarando, cautelosamente.
— Eu te acordei? – ele pergunta.
— Apenas porque você tinha sumido. Qual é o nome dessa música?
— É Chopin. É um dos seus prelúdios em Mi menor. —
Christian pausa.— Se chamada Sufocação...
Eu me estico para pegar sua mão.
— Você realmente está abalado com tudo isso, não é?
Ele bufa.
308
— Um idiota demente entra no meu apartamento para sequestrar a minha esposa. Ela não faz o que diz. Ela me deixa furioso. Ela usa palavras de segurança comigo. — Ele fecha seus olhos brevemente e quando ele os abre novamente, eles estão desolados e sinceros. — Sim, eu estou bem abalado.
Eu aperto a mão dele.
— Desculpa.
Ele se inclina e pressiona sua testa contra a minha.
— Eu sonhei que você tinha morrido, — ele sussurra.
O quê?
— Deitada no chão... tão fria... e você não acordava.
Ah, Cinquenta.
— Ei... foi apenas um pesadelo. — Aproximo-me, pego sua cabeça em minhas mãos. Seus olhos ardem nos meus e a angústia neles é preocupante.
— Estou aqui e estou com frio sem você na cama. Venha para a cama, por favor. — Eu pego a mão dele e fico de pé, esperando para ver se ele irá me seguir. Finalmente ele fica de pé também. Ele está vestindo a calça de pijama, e ela está posicionada daquela maneira de sempre, e eu quero correr meus dedos ao longo da parte interna de seu cós, mas eu resisto e o guio de volta para o quarto.
Quando eu acordo ele está enrolado em torno de mim, dormindo pacificamente. Eu relaxo e desfruto do seu calor envolvente, sua pele na minha pele. Eu fico deitada totalmente parada, sem querer perturbá-lo.
Caralho, que noite. Eu me sento como se tivesse sido atropelada por um trem... o trem era o meu marido. Difícil
de acreditar que o homem deitado ao meu lado, parecendo tão sereno e jovem em seu sono, estava tão torturado ontem à noite... e me torturou tanto ontem a noite. Eu olho para o teto, e me ocorreu que eu sempre penso no Christian como forte e dominador... no entanto, a realidade ele é tão frágil, meu garoto perdido. E a ironia é que ele pensa em mim como sendo frágil... e eu não acho que sou.
Comparada a ele eu sou forte.
Mas eu sou forte o suficiente para nós dois? Forte o suficiente para fazer o que me dizem e dar a ele um pouco de paz de espírito? Eu suspiro.
309
Ele não está pedindo muito de mim. Eu relembro a nossa conversa de ontem à noite. Falamos algo sobre tentarmos mais? Resumindo eu amo esse homem, e eu preciso traçar um caminho para nós dois. Um que me permita manter minha integridade e independência, mas que me deixe ser mais para ele. Eu sou o mais dele, e ele é o meu. Eu resolvo fazer um esforço a mais nesse final de semana e não dar a ele motivo para se preocupar.
Christian se mexe e ergue sua cabeça do meu peito, piscando sonolento para mim.
— Bom dia, Sr. Grey. — Eu sorrio.
— Bom dia, Sra. Grey. Você dormiu bem? — Ele se estica ao meu lado.
— Quando o meu marido parou de fazer aquela terrível balbúrdia no piano, sim, eu dormi.
Ele sorri o seu sorriso tímido, e eu derreto.
— Terrível balbúrdia? Vou me certificar de mandar um email para Srta. Kathie e informá-la.
— Srta. Kathie?
— Minha professora de piano.
Eu dou uma risadinha.
— Esse é um som adorável, — ele diz. — Vamos ter um dia melhor hoje?
— Ok, — eu concordo. — O que você quer fazer?
— Depois de eu ter feito amor com a minha esposa, e ela me preparar o café da manhã, eu gostaria de levá-la a Aspen.
Eu fico boquiaberta.
— Aspen?
— Sim.
— Aspen, Colorado.
— Esse mesmo. A menos que eles o moveram de lugar.
Afinal de contas, você pagou vinte e quatro mil dólares pela experiência.
Eu sorrio para ele.
— Aquele era o seu dinheiro.
— Nosso dinheiro.
310
— Era o seu dinheiro quando eu fiz o lance. — Eu desvio o olhr.
— Ah, Sra. Grey, você e seu revirar de olhos, — ele sussurra enquanto sobe a mão pela minha coxa.
Não demorará horas para chegar ao Colorado? — eu pergunto para distraí-lo.
— Não, com o jato, — ele diz sedosamente enquanto sua mão alcança o meu traseiro. Claro... o meu marido tem um jato. Como eu pude esquecer?
A mão dele continua a roçar o meu corpo, erguendo a minha camisola enquanto isso, e logo eu esqueço de tudo.
Taylor nos leva pela estrada até o Sea-Tac e vai até onde o jato GEH
está aguardando. É um dia cinzento em Seattle, mas eu me recuso a deixar o clima amortecer o meu espírito animado. Christian está com um humor muito melhor... ele está animado com algo; aceso como Natal, e se retorcendo como um garotinho com um grande segredo. Eu me pergunto que esquema ele está armando. Ele parece um sonho... cabelo despenteado, camiseta branca e calça jeans
preta... nem um pouco parecido com o executivo de hoje.
Ele pega a minha mão enquanto Taylor para no começo dos degraus do jato.
— Eu tenho uma surpresa para você, — ele murmura e beija a junta dos meus dedos. Eu sorrio para ele.
— Surpresa boa?
— Eu espero que sim. — Ele sorri carinhosamente.
Humm... o que pode ser?
Sawyer salta do carro e abre a minha porta. Taylor abre a porta de Christian e então pega as nossas malas do porta-malas. Stephan está esperando no topo das escadas enquanto entramos na aeronave. Eu olho para a cabine do piloto para ver o Beighey, Primeiro Oficial mexendo em interruptores no imponente painel de instrumentação.
Christian e Stephan dão as mãos.
— Bom dia, Sr. — Stephan sorri para Christian.
— Obrigado por fazer isso em tão pouco tempo. —
Christian sorri de volta para ele. — Os nossos convidados estão aqui?
— Sim, senhor, — Stephan responde.
311
Convidados? Eu viro e arfo. Kate, Mia, e Ethan estão todos sentados nos assentos creme de couro, sorrindo para nós.
Uau! Meus olhos se lançam para o Christian.
— Surpresa! — ele diz.
—Como? Quando? Quem? — eu murmuro
inarticuladamente, tentando conter o meu prazer e alegria.
— Você disse que não estava vendo muito os seus amigos. — Ele encolhe os ombros e me dá um sorriso torto apologético.
— Ah, Christian, obrigada. — Eu jogo meus braços ao redor do pescoço dele e o beijo com força na frente de todos. Ele coloca as mãos nos meus quadris, prendendo seus polegares nas presilhas da minha calça jeans, e aprofunda o beijo.
Oh Meu Deus.
— Continue assim e eu vou te arrastar para o quarto, —
ele murmura.
— Você não ousaria, — eu sussurro contra seus lábios.
— Ah, Anastásia. — Ele sorri, balançando a cabeça. Ele me solta e sem maiores explicações, se abaixa, pega minhas coxas, e me ergue por cima do ombro.
— Christian, me coloca no chão! – Eu dou um tapinha nas costas dele.
Eu brevemente pego o sorriso de Stephan enquanto ele se vira e segue para a cabine. Taylor está de pé na entrada tentando conter seu sorriso. Ignorando as minhas súplicas e minhas lutas fúteis, Christian atravessa a cabine estreita passando por Mia e Ethan que estão um de frente para o outro nos assentos, passando por Kate e Eliot, que estão gritando como gibões dementes.
— Se vocês me dão licença, — ele diz para os nossos quatro convidados. — Eu preciso conversar com a minha esposa em particular.
— Christian! — Eu grito. — Me coloca no chão!
— Tudo a seu tempo, amor.
312
Eu tenho uma breve visão da Mia, Kate e Eliot rindo.
Droga! Isso não é engraçado... é vergonhoso. Ethan olha para nós, boquiaberto e totalmente chocado, enquanto nós desaparecemos para dentro da cabine.
Christian fecha a porta da cabine atrás dele e me larga, deixando-me deslizar pelo corpo dele... lentamente, para que eu possa sentir cada nervo e músculo duro. Ele me dá um sorriso de menino, completamente satisfeito consigo mesmo.
— Esse foi um grande show, Sr. Grey, — eu murmuro, cruzando meus braços e o observando com uma falsa indignação.
— Isso foi divertido, Sra. Grey. — E seu sorriso aumenta...
ah cara.
Ele parece tão jovem.
— Você vai cumprir o que foi dito? – Eu arqueio uma sobrancelha, incerta de como eu me sinto sobre isso. Quer dizer, os outros vão nos ouvir, pelo amor de Deus. De repente, eu me sinto tímida. Olhando ansiosamente para a cama, eu sinto um rubor nas minhas bochechas enquanto eu me lembro da nossa noite de núpcias. Nós conversamos tanto ontem, fizemos tanto ontem... eu me sinto como se nós tivéssemos saltado alguns obstáculos desconhecidos –
mas esse é o problema. É desconhecido. Meus olhos encontram o olhar intenso, porém entretido do Christian, e eu sou incapaz de manter o rosto sério – o sorriso dele é muito infeccioso.
— Eu acho que pode ser rude manter nossos convidados esperando, — ele diz suavemente enquanto ele anda na minha direção. Quando ele começou a se importar com o que as pessoas pensam? Eu dou um passo para trás contra a parede da cabine e ele me aprisiona, o calor de seu corpo me segurando no lugar. Ele se inclina para frente e passa o seu nariz ao longo do meu.
— Boa surpresa? — ele sussurra, e há uma pitada de ansiedade em sua voz.
— Ah, Christian, surpresa fantástica. — Eu passo minhas mãos em seu peito, curvando — as ao redor de seu pescoço e o beijo.
— Quando você organizou isso? — eu pergunto quando me afasto, acariciando o seu cabelo.
313
— Ontem a noite, quando eu não consegui dormir. Eu mandei um email para o Eliot e a Mia, e aqui estão eles.
— Foi muito atencioso — obrigada. Eu tenho certeza que nós vamos nos divertir muito.
— Eu espero que sim. Eu espero que isso torne mais fácil de evitar a impressa em Aspen do que em casa.
Os paparazzi! Ele está certo. Se nós tivéssemos ficado no Escala, nós teríamos ficado aprisionados. Um arrepio percorre a minha espinha enquanto eu me lembro das câmeras tirando fotos e dos flashes estonteantes dos poucos fotógrafos que o Taylor passou nesta manhã.
— Venha. É melhor nós tomarmos nossos assentos...
Stephan irá decolar logo mais. — ele oferece a mão dele e nós voltamos juntos para a cabine.
Eliot aplaude enquanto entramos.
— Esse realmente foi um serviço rápido de bordo! – ele fala ironicamente.
Christian o ignora.
— Por favor, sentem-se, senhoras e senhores, nós em breve estaremos taxiando para a decolagem. — A voz do Stephan ecoa calmamente e autoritariamente ao redor da cabine. A mulher morena... hum... Natalie?...
era quem estava no nosso vôo na nossa noite de núpcias aparece da cozinha e recolhe as xícaras de café descartadas. Natalia... O nome dela é Natalia.
— Bom dia Sr. Grey, Sra. Grey, — ela diz com um ronrono.
Por que ela me deixa desconfortável? Talvez porque ela seja morena. Por admissão própria, Christian normalmente não emprega morenas porque ele as acha atraentes. Ele dá a Natalia um sorriso educado enquanto ele desliza atrás da mesa e senta-se de frente a Eliot e Kate. Eu abraço rapidamente a Kate e a Mia e dou ao Ethan e ao Eliot um aceno antes de sentar-me e colocar o cinto ao lado do Christian. Ele coloca a mão no meu joelho e me dá um aperto afetuoso. Ele parece relaxado e feliz, apesar de nós termos companhia.
Futilmente, eu me pergunto porque ele não pode ser sempre assim... nem um pouco controlador.
314
— Espero que você tenha trazido suas botas de escalar, — ele diz, sua voz quente.
— Nós não vamos esquiar?
— Isso seria um desafio, em Agosto, — ele diz, entretido.
Ah... claro.
— Você esquia, Ana? — Eliot nos interrompe.
— Não.
Christian move sua mão do meu joelho e pega a minha mão.
—Tenho certeza que o meu irmãozinho pode te ensinar. —
Eliot pisca para mim. — Ele é bem rápido nos declives também.
E eu não consigo evitar e fica ruborizada. Quando eu olho para o Christian, ele está olhando impassivamente Eliot, mas eu acho que ele está tentando suprimir o seu contentamento. O avião se lança para frente e começa a taxiar na direção da pista. Eficientemente, Natalia repassa os procedimentos de segurança do avião em uma voz clara e cantada. Ela está vestida com uma camisa de manga curta azul marinho e saia combinando.
Sua maquiagem é impecável, ela é realmente muito bonita. Meu subconsciente levanta sua sobrancelha bem feita para mim.
— Você está bem? — Kate me pergunta sem rodeios. —
Quer dizer, depois do negócio com Hyde?
Eu assinto. Eu não quero pensar ou falar sobre Hyde, mas Kate parece ter outros planos.
— Então por que ele ficou louco desse jeito? – ela pergunta, chegando ao fundo da questão no seu estilo inimitável. Ela joga o cabelo para trás enquanto se prepara para investigar o assunto. Olhando para ela friamente, Christian dá de ombros.
— Demiti o traseiro dele, — ele diz sem rodeios.
— Ah? Por quê? — Kate inclina a cabeça para um lado, e eu sei que ela está em total modo detetive.
— Ele deu em cima de mim, — eu murmuro. Eu tento chutar o tornozelo da Kate embaixo da mesa, e erro. Merda!
— Quando? — Kate me olha feio.
— Há tempos atrás.
315
— Você nunca me contou que ele deu em cima de você!
— ela explode. Eu dou de ombros, me desculpando.
— Não pode ser apenas um rancor sobre isso, certamente.
Quer dizer a reação dele foi muito extrema, — Kate continua, mas agora ela direciona suas perguntas para Christian. — Ele é mentalmente instável? E quanto todas as informações que ele tem sobre vocês os Greys? — A maneira de interrogar Christian faz os meus cabelos ficarem em pé, mas ela já percebeu que eu não sei de nada então não pode me perguntar. O pensamento é irritante.
— Nós achamos que há uma conexão com Detroit, —
Christian diz ligeiramente. Muito ligeiramente. Ah não, Kate... por favor, desista disso agora.
— Hyde é de Detroit também?
Christian assente.
O avião acelera, e eu aumento o meu aperto na mão do Christian. Ele olha para mim tentando me deixar calma. Ele sabe que eu odeio decolagens e pousos. Ele aperta a minha mão e o seu polegar acaricia minhas juntas, me acalmando.
— O que você sabe sobre ele? — Eliot pergunta, alheio ao fato de que estamos arremessando para a pista em um pequeno jato prestes a se lançar ao céu, e igualmente alheio a crescente exasperação crescente de Christian com a Kate. Kate se inclina para frente, escutando com atenção.
— Isso é sigiloso, — Christian diz diretamente a ela. A boca de Kate se define em uma linha sutil.
Eu respiro fundo. Ah merda.
— Nós sabemos pouco sobre ele, — Christian continua. —
O pai dele morreu em uma briga de bar. A mãe dele bebeu até o esquecimento. Ele entrou e saiu de famílias adotivas
quando criança; entrou e saiu de problemas, também...
principalmente roubando carros. Passou um tempo no reformatório. A mãe se curou através de algum programa social, e Hyde deu a volta por cima. Ganhou uma bolsa escolar para Princeton.
— Princeton? — A curiosidade da Kate aumentou no máximo.
— Sim. Ele é um garoto inteligente. — Christian deu de ombros.
316
— Não tão inteligente. Ele foi pego, — Eliot murmura.
— Mas certamente ele não deve ter feito tudo isso sozinho? — Kate pergunta. Christian fica tenso ao meu lado.
— Nós não sabemos ainda. — Sua voz está muito baixa.
Puta merda. Poderia haver alguém trabalhando com ele?
Eu me viro e olho aterrorizada para Christian. Ele aperta minha mão uma vez mais, mas não olha nos meus olhos. O
avião sobe suavemente no ar, e eu tenho aquela sensação terrível no meu estômago.
— Quantos anos ele tem? — eu pergunto para Christian, se inclinando mais para perto para que apenas ele possa ouvir. Por mais que eu quisesse discutir o que está acontecendo. Eu não quero encorajar as perguntas de Kate.
Eu sei que ela esta irritando o Christian, e eu tenho certeza que ela está na lista negra dele desde o coquetel.
— Trinta e dois. Por quê?
— Curiosidade, só isso.
A mandíbula do Christian fica tensa.
— Não fique curiosa sobre o Hyde. Eu apenas estou feliz que aquele fodido está trancafiado.
É quase uma reprimenda, mas eu decido ignorar o seu tom.
— Você acha que ele está trabalhando com alguém? —
Pensar que possa haver mais alguém envolvido me deixa doente. Isso significaria que não terminou ainda.
— Eu não sei, — Christian responde, e sua mandíbula fica tensa mais uma vez.
— Talvez alguém tenha um rancor contra você? — eu sugiro. Puta merda. Eu espero que não seja aquela biscate monstro. — Tipo Elena? — eu sussurro. Eu percebo que murmuro o nome dela alto... mas somente ele pôde ouvir.
Eu olho ansiosamente para a Kate, mas ela está numa conversa profunda com Eliot. Eliot parece puto com ela.
Humm.
— Você gosta de endemonizá-la, não é? — Christian revira seus olhos e balança a cabeça decepcionado. — Ela pode guardar algum rancor, mas ela não faria esse tipo de coisa.
— Ele me prende com um olhar cinzento de 317
ferro. — Não vamos discutir sobre ela. Eu sei que ela não é o seu tópico favorito de conversa.
— Você já a confrontou? — eu sussurro, incerta se eu realmente quero saber.
— Ana, eu não falo com ela desde a minha festa de aniversário. Por favor, deixe quieto. Eu não quero falar sobre ela. — Ele ergue a minha mão e acaricia as minhas juntas com seus lábios. Seus olhos queimam nos meus, e eu sei que essa não é uma linha de questionamento que eu devo perseguir agora.
— Arrumem um quarto, — Eliot provoca. — Ah certo...
vocês já têm um, mas vocês não precisaram dele por muito tempo. – Ele dá um sorrisinho de escárnio.
Christian olha para cima e perfura Eliot com um olhar gelado.
— Vai se foder, Eliot, — ele diz sem malícia.
— Cara, só estou dizendo a verdade. — Os olhos de Eliot se acenderam com hilaridade.
— Como se você soubesse, — Christian murmura sarcasticamente, erguendo uma sobrancelha.
Eliot sorri, curtindo a brincadeira.
— Você se casou com sua primeira namorada.
Eliot gesticula para mim.
Ah merda. Onde isso estava indo? Eu fico vermelha.
— Você pode me culpar? — Christian beija a minha mão de novo.
— Não. — Eliot ri e balança a cabeça.
Eu fico vermelha, e Kate dá um tapinha na coxa do Eliot.
— Pare de ser um bundão, — ela o repreende.
— Escute sua namorada, — Christian diz para Eliot, sorrindo, sua preocupação anterior não mais evidente. Meus ouvidos estouram quando nós ganhamos altitude, e a tensão na cabine se dissipa quando o avião se nivela. Kate faz uma careta para Eliot. Humm... algo está acontecendo entre eles? Não tenho certeza. Eliot está certo. Eu bufo por causa da ironia. Eu sou... era... a primeira namorada do Christian, e agora eu sou a esposa dele.
As quinze e a malévola Sra. Robinson... elas não contam.
Mas Eliot não sabe 318
sobre elas, e claramente Kate não contou para ele. Eu sorrio para ela, e ela me dá uma piscada conspiratória.
Meus segredos estão seguros com a Kate.
— Ok, senhoras e senhores, nós estaremos cruzando uma altitude de aproximadamente trinta e dois mil pés, e nosso tempo estimado de vôo é uma hora e cinquenta e seis minutos, — Stephan anuncia. — Podem ficar a vontade para se moverem pela cabine.
Natalia aparece abruptamente da cozinha.
— Eu posso oferecer café? — ela pergunta.
319
Capítulo 13
Nós pousamos suavemente em Sardy Field às 00:25.
Stephan faz o avião parar um pouco depois de pousar no
terminal principal, e através das janelas eu vejo uma grande van esperando por nós.
— Bom pouso. — Christian sorri e balança a mão de Stephan enquanto nós nos preparamos para sairmos do jato.
— Tudo se resume sobre a densidade da altitude, senhor.
— Stephan sorri de volta.
— Beighley é bom em matemática.
Christian assente para a primeiro-comandante de Stephan. — Você acertou em cheio, Beighley, pouso suave.
— Obrigada senhor. – Ela sorri presunçosamente.
— Aproveite o seu final de semana, Sr. Grey, Sra. Grey.
Nós os veremos amanhã. — Stephan dá um passo para o lado para nos deixar desembarcar e pegando a minha mão, Christian me guia pelos degraus da aeronave para onde o Taylor está nos aguardando ao lado do veículo.
— Van? — diz Christian surpreso enquanto Taylor desliza a porta para abri-la.
Taylor dá-lhe um sorriso apertado, contido e um encolher leve de ombros.
— Última hora, eu sei, — Christian diz, imediatamente conformado. Taylor retorna para o avião para recuperar nossa bagagem.
— Quer dar uns amassos no fundo da van? — Christian murmura para mim, um brilho malicioso em seus olhos.
Eu dou uma risadinha. Quem é esse homem, e o que ele fez com o Sr.
Incrivelmente Bravo dos últimos dois dias?
— Vamos lá, vocês dois. Entrem, — Mia diz por detrás de nós, escorrendo impaciência ao lado do Ethan. Nós subimos, cambaleamos até o 320
assento duplo na parte de trás, e me sento. Eu me aconchego contra Christian, e ele coloca seu braço em torno da parte de trás do meu assento.
— Confortável? — Ele murmura enquanto Mia e Ethan tomam um assento a nossa frente.
— Sim. — Eu sorrio e ele beija a minha testa. E por alguma razão incompreensível eu me sinto tímida com ele hoje. Por quê? Ontem à noite?
Estar com companhia? Eu não consigo entender.
Eliot e Kate se juntam a nós por último enquanto Taylor abre o porta-malas e começa a carregar as bagagens. Cinco minutos depois, nós estamos a caminho.
Eu olho para fora da janela enquanto seguimos em direção à Aspen.
As árvores são verdes, mas um sussurro do outono que está chegando é evidente aqui e ali nas pontas amareladas das folhas. O céu é de um azul claro, apesar de haver nuvens escurecidas ao oeste. Ao nosso redor, ao horizonte se encontram as Rochosas, o pico mais alto diretamente a frente.
Elas são exuberantes e verdes, e as mais altas estão cobertas por neve e parece uma montanha desenhada por criança.
Estamos no parque de diversão dos ricos e famosos. E eu tenho uma casa aqui. Eu mal posso acreditar. E de dentro da minha psique, o mal-estar familiar que sempre está presente quando eu tento entender a riqueza do Christian aparece e me persegue, fazendo me sentir culpada. O que eu fiz para merecer esse estilo de vida...? Eu não fiz nada; nada, exceto me apaixonar.
— Já esteve em Aspen antes, Ana? — Ethan se vira e pergunta arrastando-me para fora do meu devaneio.
— Não, primeira vez. Você?
— Kate e eu costumávamos vir aqui bastante quando nós éramos adolescentes. O papai é um esquiador nato. A mamãe nem tanto.
— Estou esperando que o meu marido me ensine como esquiar. — Eu olho para o meu homem.
—Não aposte nisso, — Christian murmura.
— Eu não serei tão ruim!
— Você pode quebrar o seu pescoço. — O sorriso dele some.
321
Oh. Eu não quero discutir e azedar o bom humor dele, então eu mudo de assunto.
— Há quanto tempo você é dono desse lugar?
— Quase dois anos. É seu agora, também, Sra. Grey, —
ele diz suavemente.
— Eu sei, — eu sussurro. Mas de alguma forma eu não me sinto encorajada das minhas convicções. Inclinando-me, eu beijo sua mandíbula e me acomodo mais uma vez ao lado dele escutando-o rir e brincar com Ethan e o Eliot. Mia dá pitaco ocasionalmente, mas Kate está quieta, e eu me pergunto se ela está emburrada por causa do Jack Hyde...
ou alguma outra coisa. Então eu me lembro. Aspen... a casa de Christian aqui foi remodelada pela Gia Matteo e reconstruída por Eliot. Eu me pergunto se é isso que está preocupando a Kate. Eu não posso perguntar para ela na frente do Eliot, dada sua história com a Gia. A Kate sabe da conexão da Gia com a casa? Eu franzo a sobrancelha me perguntando o que poderia estar incomodando-a e resolvo perguntar para ela quando nós estivermos sozinhas.
Nós dirigimos pelo centro de Aspen e o meu humor melhora enquanto eu absorvo a cidade. Há edifícios quadrados de tijolo vermelho na maioria dos lugares, chalés de estilo suíço, e numerosas casinhas de virada do século pintadas com cores divertidas. Vários bancos e lojas de grife, também, traindo a afluência de população local. Claro que o Christian combina com isso aqui.
— Por que você escolheu Aspen? — eu pergunto para ele.
— O quê? — Ele me olha intrigado. — Para comprar um lugar.
— Mamãe e papai costumavam nos trazer aqui quando nós éramos crianças. Eu aprendi a esquiar aqui, e eu gosto
do lugar. Eu espero que você goste, também... do contrário nós venderemos a casa e escolhemos outro lugar.
Ah! Simples assim. Ele enfia uma mecha solta do meu cabelo atrás da minha orelha.
— Você está adorável hoje, — ele murmura.
322
Minhas bochechas esquentam. Eu estou apenas usando a minha roupa de viagem; jeans e camiseta com uma jaqueta azul leve. Droga?
Porque ele sempre me deixa tímida?
Ele se inclina e me beija, um beijo amoroso, terno e doce.
Taylor nos leva para fora da cidade, e nós começamos a subir o outro lado do vale, retorcendo ao longo de uma estrada na montanha. Quanto mais alto nós vamos, mais excitada eu fico, e Christian fica tenso ao meu lado.
— O que está errado? — eu pergunto quando nós viramos uma curva.
— Eu espero que você goste, — ele diz baixinho. — Nós chegamos.
Taylor desacelera e contorna através de um portão de acesso feito de pedras cinzas, beges e vermelhas. Ele segue pela entrada e finalmente encosta do lado de fora da impressionante casa. Uma fachada dupla com telhado alto e construído com madeira escura e as mesmas pedras misturadas da entrada de acesso... é impressionante.
Moderna e austera, bem do estilo do Christian.
— Casa, — ele balbucia para mim enquanto nossos convidados começam a sair da van.
— É bonita.
— Venha. Veja, — ele diz, um brilho excitando, apesar de ansioso em seus olhos... como se ele estivesse prestes a me mostrar o seu projeto de ciências, ou algo assim. Mia corre pelos degraus para onde uma mulher está de pé na entrada da porta. Ela é pequena e seu cabelo negro possui mechas cinza. Mia coloca os braços ao redor de seu pescoço e a abraça apertadamente.
— Quem é essa? — eu pergunto enquanto Christian me ajuda a sair da van.
— Sra. Bentley. Ela vive aqui com seu marido. Eles tomam conta do lugar.
Meu Deus... mais gente?
323
Mia está fazendo as apresentações... Ethan, então Kate.
Eliot, também, abraça a Sra. Bentley. Enquanto Taylor descarrega a van, Christian pega a minha mão e me leva para a porta da frente.
— Bem-vindo novamente, Sr. Grey. — Sra. Bentley sorri.
— Carmella, esta é minha esposa, Anastásia, — Christian diz orgulhosamente. Sua língua acaricia meu nome, fazendo o meu coração vacilar.
— Sra. Grey, — Sra. Bentley faz um aceno respeitoso. Eu estendo minha mão e nós nos cumprimentamos. Não é surpresa para mim que ela é bem mais formal com o Christian do que com o resto da família.
— Eu espero que vocês tenham tido um vôo agradável. O
tempo é para estar bom o final de semana todo, apesar de eu não ter certeza. –— Ela observa as nuvens cinzentas atrás de nós. — O almoço será servido quando o senhor quiser. — Ela sorri novamente, seus olhos escuros brilhando, e eu gosto dela imediatamente.
— Aqui. — Christian me pega e me ergue do chão.
— O que você está fazendo? — eu guincho.
— Carregando você novamente por outra soleira, Sra.
Grey.
Eu sorrio para ele enquanto ele me carrega para dentro da grande sala, e depois de um breve beijo, ele me coloca gentilmente no piso de madeira. A decoração interior é
austera e me lembra da sala principal no Escala... paredes brancas, madeira escura, e arte contemporânea abstrata.
O corredor se abre para uma larga sala de estar onde três sofás de couro off-white cercam uma fogueira de pedra que domina o cômodo. A única cor vem das almofadas fofas espalhadas pelos sofás. Mia agarra a mão de Ethan e o arrasta para dentro da casa. Christian estreita seus olhos para as suas figuras partindo, sua boca se afinando. Ele balança a cabeça e se vira para mim.
Kate assobia alto.
— Ótimo lugar.
Eu olho ao redor para ver Eliot ajudando Taylor com a nossa bagagem. Eu me pergunto novamente se ela sabe que a Gia tem uma mão nesse lugar.
324
— Um tour? — Christian me pergunta, e seja lá o que esteja passando pela cabeça dele sobre a Mia e o Ethan some. Ele está radiando excitação... ou é ansiedade? Difícil dizer.
— Claro. — Mais uma vez eu fico embasbacada pela riqueza. O
quanto esse lugar deve ter custado...? E eu não contribuí nada com isso.
Brevemente eu sou transportada para a primeira vez que o Christian me levou para o Escala... eu fiquei embasbacada então. Você se acostumou, meu subconsciente sibila para mim. Christian franze a sobrancelha, mas pega a minha mão, me levando pelos vários quartos. A cozinha de última geração é composta por balcões claros de mármore e armários pretos. Há uma adega impressionante, e um espaço grande, completo com tela de plasma, sofás macios... e uma mesa de bilhar. Eu fico pasma, e ruborizo, quando Christian me pega.