Desenvolvimentismo: o conceito, as bases teóricas e as políticas

O paradigma do Estado Desenvolvimentista e o “retorno” da Política Industrial

O paradigma do Estado

 

Desenvolvimentista e o “retorno” da

 

Política Industrial1

 

André Moreira Cunha

 

1. Introdução

 

O presente capítulo trata do que se tem denominado de um “retorno” de políticas

estatais mais ativas.2 Argumenta-se que este é o resultado, principalmente, (I) da ascensão dos grandes países emergentes, especialmente a China; (II) da crise financeira global; e (III) da perda de credibilidade do modelo neoliberal. O marco referencial central é o assim-chamado paradigma do “Developmental State” (“Estado desenvolvimentista” ou PED, de agora em diante) associado aos trabalhos seminais de Johnson (1982), Amsden (1989), Wade (1990), Chang (1994), Evans (1995), dentre outros, com seus desdobramentos posteriores (Woo-Cumings, 1999; Chang, 2006; Wang, 2008; Wade, 2010). Em essência, o PED se refere ao conjunto de contribuições para a explicação do desenvolvimento asiático, particularmente do Japão e dos NICs (Newly Industrialized Countries) de primeira geração – Taiwan, Coreia do Sul, Cingapura e Hong Kong – e que analisam o papel das políticas públicas voltadas à construção de novas estruturas produtivas e capacidades tecnológicas. As pesquisas associadas ao PED têm enfatizado o estudo das políticas industriais, gerando a conclusão de que o Estado teria sido um ator central na conformação do assim chamado “milagre asiático”. Essa tradição se afasta das explicações convencionais que explicam o sucesso asiático por meio das estratégias de extroversão comercial, com a adoção de políticas comerciais supostamente neutras e manutenção de um ambiente de estabilidade macroeconômica (Balassa, 1970, 1989; Little; Scitovsky; Scott, 1970; Krueger, 1974; World Bank, 1993).

Nossos argumentos estão estruturados da seguinte forma. A seção 2 trata da

origem e evolução do PED. A seção 3 trata da importância de se manterem políticas ativas de desenvolvimento nos marcos das transformações estruturais da economia mundial neste início de século XXI. Seguem as considerações finais.

 

2. O paradigma do developmental state

 

A ideia de que o ativismo estatal está diretamente associado ao progresso

econômico das nações remonta, pelo menos, ao período do mercantilismo (Reinert, 2007). O argumento da proteção da indústria infante de Alexander Hamilton e Friedrich List (1841) tornou-se popular em nações emergentes que procuravam reproduzir a trajetória britânica de revolução industrial (Chang, 2002). Da mesma forma, a noção de que o desenvolvimento econômico implica mudança qualitativa das estruturas produtivas, em que as inovações tecnológicas encontram um papel de centralidade, está fortemente assentada na obra de Schumpeter (1911, 1942) e encontra ecos na análise de Marx (1867).

Reinert (2007 e 2009) tem argumentado que, em uma perspectiva histórica, é

possível constatar que as nações mais bem-sucedidas no processo de acumulação de poder econômico e político e que, adicionalmente, partiram de uma situação de atraso relativo frente aos líderes em cada momento, adotaram, inicialmente, a estratégia da “emulação”. Isso implicava necessidade de uma atuação ativa do Estado. Uma vez alcançada a fronteira de eficiência técnica, era possível transitar para uma situação de predomínio das decisões descentralizadas nos termos tradicionais das vantagens comparativas ricardianas. Chang (2002) desenvolve argumento semelhante, ao demonstrar que as economias hoje avançadas lançaram mão de políticas que poderiam ser denominadas de desenvolvimentistas, nos termos do PED, nos seus períodos de “arranque”.

Entre os anos 1940 e 19503, a emergência do desenvolvimento econômico

enquanto um campo autônomo de pesquisa introduziu elementos de racionalização da intervenção consciente do Estado na coordenação do processo, até então espontâneo, de industrialização nos países periféricos. Neste sentido, o PED, que nos termos definidos anteriormente ganha corpo intelectual a partir de meados dos anos 1980, não se constitui em experimento intelectual original. Pelo contrário, ele emana, converge e se interliga (Peres; Primi, 2009), com reflexões prévias sobre o desenvolvimento em geral, e sobre a possibilidade de países retardatários em criar condições para a superação do seu atraso relativo. Assim, para os teóricos do imediato pós-guerra era evidente que as falhas de mercado, estruturais nos países periféricos, justificariam a adoção de políticas ativas de apoio à industrialização. Esta, por sua vez, estaria na base da transformação da sociedade, do seu

desenvolvimento.4

Na década de 1960, iniciou-se uma forte reação neoclássica à teoria do

desenvolvimento.5 Tendo como norte teórico os modelos de crescimento de Solow

(1956) e Swan (1956), bem como a moderna teoria do equilíbrio geral6, os economistas convencionais denunciavam que o protecionismo e o dirigismo estatal, nos marcos da industrialização substitutiva de importações, estariam gerando graves distorções de preços e, por decorrência, uma crescente ineficiência alocativa. Esta se manifestaria no viés antiexportação, na transferência de renda do Setor Primário para a indústria, na perda de dinamismo em termos de crescimento, no baixo desenvolvimento do mercado de capitais, nas recorrentes crises de balanço de

pagamentos, na elevada inflação e no predomínio de comportamentos 7 rent-seeking

(Krueger, 1974; Noland; PACK, 2003). O esforço de comprovação empírica destes problemas levou à constatação de que países que perseguiam políticas comerciais tidas como neutras, políticas cambiais e monetárias realistas, seriam capazes de

reduzir as distorções de preços e acelerar o desenvolvimento.8

A partir dos anos 1970, este debate esteve centrado no desempenho das

economias asiáticas de industrialização recente. Assim, enquanto parte da periferia, especialmente a América Latina, teria reafirmado sua opção pela estratégia introvertida, os países asiáticos teriam perseguido um conjunto distinto de políticas. Como resultado, houve um descolamento nas trajetórias comparadas das duas regiões. Os asiáticos recobraram-se rapidamente dos choques externos do período – os aumentos no preço do petróleo, o choque de juros e a crise da dívida do início dos anos 1980 – e consolidaram um processo sustentado de crescimento com estabilidade. Alguns países latinos mantiveram certo fôlego na década de 1970, mas adentraram os anos 1980 com reduzido crescimento e forte instabilidade.

Tomando por referência o debate em torno do “milagre asiático”, é possível

identificar ondas de interpretações entre os economistas de formação neoclássica, muitos deles vinculados a instituições multilaterais como o Banco Mundial e o FMI. Nesta perspectiva, o desempenho superior das economias asiáticas passou a servir de base para a afirmação de que um conjunto de políticas específicas seria mais adequado para garantir crescimento com estabilidade para aqueles países em desenvolvimento desejosos de replicar o sucesso asiático. Em essência, tratava-se de delimitar a ação estatal, combinada a certo regime ou estratégia comercial, em que caberia ao Estado (I) definir o arcabouço institucional de referência para as decisões privadas, ou seja, garantir o direito de propriedade e, assim, de transferência dos ativos (físicos, financeiros e intelectuais); (II) estabelecer informações e regulação dos padrões de ampla utilização (pesos, medidas, normas de segurança no trabalho, etc.); (III) através da política fiscal e monetária, garantir a estabilidade macroeconômica; e (IV) através do regime comercial aproximar os preços internos dos externos, estabelecendo critérios mais rígidos de eficiência para as decisões de alocação. Em alguns casos, ao se assumir a existência de falhas de mercado, admitia-se a provisão de bens, serviços e infraestrutura (Little et al, 1970; World Bank, 1987, 1993; Balassa, 1989; Pack, 1988).

As tabelas e gráficos em Anexo permitem delinear o contexto e a evolução desse

debate. Os países asiáticos9 passaram a descolar das demais regiões periféricas em termos de crescimento, participação na renda e nas exportações mundiais, bem como de estruturação de bases produtivas mais diversificadas e complexas do que as verificadas em outras regiões. E esse processo se deu com aqueles países partindo de uma base de desenvolvimento econômico e social inferior à verificada na América Latina em geral e, mesmo, àquela encontrada em muitos países africanos (Chang, 2006).

A Tabela 1 mostra que, em 2009, os países em desenvolvimento da Ásia e os

assim chamados NICs (Coreia do Sul, Taiwan, Cingapura e Honk Kong) representavam 54% da população mundial, 26% da renda e 24% das exportações. Ao se incluir o Japão, o peso econômico regional chegaria a cerca de 1/3 dos totais mundiais. O dinamismo asiático no período da globalização inaugurada no último quartel do século XX pode se expressar da seguinte forma: se, em 1980, a América Latina representava 10% do PIB mundial medido em paridade, poder de compra, a Ásia em desenvolvimento acrescida de seus NICs atingia 9%. Três décadas depois, a América Latina detinha 8,5% do PIB global, ao passo que a Ásia chegava a deter 26%. Enquanto os países asiáticos cresciam a taxas médias de 7% ao ano, os países latino-americanos e africanos experimentavam ritmos bastante inferiores, entre 2% e 3%.

Os Gráficos 1 e 2 contam a mesma história, com as principais economias latino-

americanas estagnadas com uma participação na renda mundial oscilando em torno de 5,5% no período 1960-2008, ao passo que as economias asiáticas partem de um nível de participação equivalente para algo duas vezes superior, dependendo da

inclusão ou não do Japão. A Tabela 2 mostra que, enquanto o conjunto dos países em desenvolvimento passa a ter uma menor participação nos estoques mundiais de investimento direto estrangeiro, os asiáticos mais do que dobram seu espaço entre

os anos de 1980 e 2009. O Gráfico 3 sugere que, até meados dos anos 1970, as principais economias em desenvolvimento da Ásia e da América Latina detinham participações semelhantes nas exportações mundiais. Todavia, enquanto as economias asiáticas quadruplicaram seu market-share, as economias latino-americanas permaneceram praticamente na mesma situação.

Cabe ressaltar que este crescimento veio acompanhado de profundas mudanças

estruturais (Tabelas 3 e 4). Verificaram-se intensa urbanização, perda relativa de importância da agricultura na geração da renda e forte elevação da participação do comércio exterior no PIB. Em nenhuma outra região do mundo, as exportações de bens e serviços ampliaram-se de um modo tão veloz. Ademais, a estrutura das exportações, refletindo a profunda transformação na base produtivas daquelas economias, passou a se caracterizar pelo predomínio de manufaturas de maior

conteúdo tecnológico (Gráficos 4 e 7). A comparação entre Ásia e América Latina evidencia as dificuldades das economias dos países latino-americanos em manter estruturas produtivas e de comércio exterior mais densas e sofisticadas. A partir dos anos 1980, os países asiáticos ampliam sua internacionalização, mantendo níveis elevados de participação da indústria no PIB, ao passo que os latino-americanos assistem a uma queda importante na participação da indústria na renda. Isto se dá em um contexto de redução dos níveis de formação bruta de capital na América Latina, para valores médios abaixo de 20% do PIB, enquanto na Ásia as economias

mais dinâmicas mantiveram investimentos próximos a 30% do PIB10 pode ser visto

na Tabela 3 (Palma, 2004; Cepal, 2007; Carneiro, 2007). Não à toa, a perda de dinamismo da indústria está associada a um período de retração no crescimento da renda.

O Gráfico 5 ilustra os efeitos do padrão diferenciado de crescimento sobre a renda

por habitante das principais economias das duas regiões. Percebe-se que, até a crise da dívida externa, no começo dos anos 1980, as principais economias latino-americanas vinham em um processo de redução do gap de renda per capita frente aos EUA, em um ritmo tão intenso quanto o verificado na Ásia. A partir de então, há uma nítida divergência de desempenhos, com as principais nações asiáticas mantendo sua tendência de convergência e com os países latino-americanos estagnados ou retrocedendo, à exceção do Chile. Esse fato vai ao encontro das considerações de Rodrik (2006), à medida que, para este autor, há evidências empíricas robustas que sugerem a existência de uma correlação forte entre a aceleração do crescimento e a existência de estruturas produtivas diversificadas e com elevada participação da indústria de transformação. Aparentemente, as economias asiáticas lograram manter uma base produtiva industrial densa e diversificada, com impactos diretos sobre as respectivas pautas de exportações, com a presença crescente das manufaturas intensivas em tecnologia.

Os países asiáticos mais dinâmicos também se destacam na tentativa de manter

um padrão de desenvolvimento cada vez mais alicerçado em setores portadores das inovações tecnológicas e que têm transformando a base produtiva e os padrões de

consumo nas últimas três décadas. O Gráfico 6 mostra que países como Coreia do Sul, Cingapura e Japão estão entre os que mais investem em pesquisa e desenvolvimento (P&D). A Coreia do Sul merece uma menção especial, à medida que seu esforço para alcançar as nações que determinam as fronteiras tecnoprodutivas se traduz em um gasto em P&D que, na média do período 2001-2007, ficou abaixo apenas da Suécia, Finlândia, Japão e Suíça. E isso se deu a despeito de sua renda per capita equivaler a algo entre 50% e 60% da renda per capita das nações mais ricas. A China também vem realizando um avanço nesta área. Entre 1996 e 2000, seus gastos em P&D foram, em média, de 0,7% do PIB. Entre 2001 e 2007, tais investimentos alcançaram 1,3% do PIB. Para se colocar em perspectiva, os gastos do Brasil foram, nestes dois momentos, de 0,8% e 0,9% do PIB. A despeito de despontar como um líder regional em investimentos em P&D, o Brasil segue muito atrás das economias asiáticas mais dinâmicas.

Os asiáticos lideram os investimentos em tecnologias de informação,

equipamentos e softwares (Gráfico 8), em infraestrutura para dar sustentação a

esses setores (Gráfico 9) e em termos de manutenção de um ambiente de negócios favorável às empresas. Tais aspectos merecem ser explorados mais adiante, à medida que políticas industriais voltadas para o fortalecimento e diversificação produtiva no século XXI devem estar sintonizadas com a necessidade de ampliar a capacidade dos empreendedores locais em avançar nas fronteiras tecnológicas abertas nos mais diversos setores, do agronegócio às tecnologias de informação. Esse é um ponto de convergência entre visões distintas, como as de Jomo (2005), Unctad (2006), Chang (2009, 2010), Peres e Primi (2009), Rodrik (2004, 2006, 2009), Cimoli, Dosi e Stiglitz (2009a, 2009b), dentre outros, mais próximas à tradição do PED, e as de Canuto, Dutz e Reis (2010), Lin (2010) e Lin e Monga (2010) que refletem a perspectiva do Banco Mundial e do mainstream da Economia, geralmente avesso às políticas mais ativas.

Também é importante lembrar que, no caso asiático, o crescimento esteve

associado a uma sensível ampliação na qualidade de vida da população em geral, expressa em indicadores como o aumento do consumo per capita, do acesso à água

tratada, da escolaridade, a redução da mortalidade infantil etc.11 Variável síntese deste processo é o indicador de desenvolvimento produzido pelo Programa das

Nações Unidas para o Desenvolvimento Humano, reportado na Tabela 5, em Anexo. Por fim, cabe salientar que, em comparação com outros países de desenvolvimento tardio, é possível verificar que, na Ásia, os níveis de inflação e os resultados fiscais foram relativamente mais favoráveis. Todavia, esses países não ficaram imunes às crises internacionais dos anos 1970, 1980 e 1990, e alguns conviveram com elevados déficits externos e eventuais surtos inflacionários. Em geral, os principais indicadores macroeconômicos sinalizam o fato de que as economias mais avançadas da região, como Japão, Coreia do Sul, Taiwan, Hong Kong e Cingapura, tenderam a ter um desempenho mais favorável do que os países relativamente menos

desenvolvidos, tais como aqueles que compõem a ASEAN.12 Estes, por sua vez, mantiveram um comportamento mais próximo ao dos países latino-americanos (World Bank, 1993, 2005; Birsdall; Jaspersen, 1997; Jomo, 2005; Singh, 2009).

Assim, a reafirmação do sucesso asiático tem estado no centro dos debates em

torno das estratégias de desenvolvimento, com o paradigma do Estado Desenvolvimentista emergindo, originalmente, como uma tentativa de explicar a singularidade japonesa (Johnson, 1982) sendo, posteriormente, estendido para outros casos de sucesso, como Coreia do Sul, Taiwan e Cingapura (Amsden, 1989; Wade, 1990; Chang, 1993, 2006). Para Johnson (1982, 1987, 1999) é importante identificar o “Estado desenvolvimentista” como aquele que, por meio de um processo sistemático de intervenções no sistema econômico, coloca o desenvolvimento econômico como prioridade. Tal Estado seria uma terceira via entre o planejamento central no estilo soviético e o menor nível de ativismo estatal do modelo anglo-saxônico, centrado nas decisões privadas. A racionalidade do planejamento indicativo do Estado associados a um setor privado forte teria garantido as condições para que o Japão recuperasse seu poder relativo frente ao mundo ocidental. Determinantes dessa natureza, como “segurança nacional”, “construção da nação”, busca de “autonomia” e “independência” aparecem nos estudos específicos dos outros países asiáticos (Woo-Cumings, 1999; Chang, 2006; Wang, 2008).

 

3. O paradigma do developmental state no

 

século XXI

 

A avaliação da experiência asiática à luz do PED nos conduz à percepção de que

não existe um único modelo de industrialização bem-sucedida. Se a orientação exportadora, os investimentos em qualificação do capital humano e a intervenção do Estado são pontos em comum, o contexto histórico e os objetivos industriais – e, com isso, os instrumentos utilizados – foram distintos. Os diferentes objetivos de cada país, especialmente no que se refere ao aprofundamento da industrialização, teriam implicado posições distintas frente ao investimento direto externo (IDE). Cingapura, por exemplo, seria mais liberal neste aspecto, tendo montado seu drive exportador com base nas empresas transnacionais. Isso teria implicado um menor esforço tecnológico local. Já Coreia e Taiwan teriam tido o comportamento inverso. Incentivaram o desenvolvimento tecnológico local, a cargo de empresas nacionais – grandes conglomerados na Coreia, pequenas e médias empresas e estatais em Taiwan. Isto restringiu a participação das empresas transnacionais. A experiência de Hong Kong seria mais próxima ao comportamento imaginado pelo paradigma neoclássico, com uma menor seletividade nas políticas, posto que o aprofundamento na industrialização não se mostrou fundamental em sua dinâmica de modernização. Já países como Malásia e Tailândia, com maior ênfase, e Filipinas e Indonésia (Jomo, 2001, 2005) se utilizaram de estratégias mais próximas às verificadas em outras economias retardatárias, particularmente na América Latina e Leste Europeu,

estruturando sua base produtiva industrial com forte presença de IDE (Tabela 2, em anexo).

Como síntese do debate que antecedeu a crise financeira de 19971998, é

importante enfatizar que o estudo clássico do Banco Mundial sobre o “milagre asiático” (World Bank, 1993) não deixou de ser um avanço. O Banco Mundial não negaria mais as evidências de que as políticas intervencionistas tiveram uma presença marcante na trajetória de crescimento das principais economias asiáticas. O debate deslocou-se nitidamente para a questão de quais políticas são mais eficientes, ao espírito recentemente proposto por Rodrik (2009). Verificou-se alguma convergência no que se refere às preocupações quanto aos efeitos adversos de políticas de estímulo a setores específicos sem a exigência de contrapartidas em termos de desempenho exportador e/ou tecnológico. Isso implicaria necessidade de que as políticas seletivas devem ser articuladas, de modo a não só coordenar os

investimentos, mas, também, garantir sua eficiência.13 Para os adeptos do PED, a proteção seletiva se justifica e é necessária em certos casos. Ela deve ser (I) limitada no tempo, associada a um monitoramento efetivo e eficaz com a imposição de requerimentos de desempenho; (II) acompanhada do incentivo à concorrência, especialmente nos mercados externos – o mercado interno protegido pode, em um dado momento, ser uma forma de garantir escalas de produção; e (III) atenta ao desenvolvimento da capacitação tecnológica e organizacional endógena, lembrando-se que o ambiente em que a firma interage apresenta múltiplas dimensões e que, assim, não bastaria a proteção dos mercados de bens finais para garantir sua capacitação – ter-se-ia de considerar os mercados de fatores, os mercados financeiros, tecnológicos, a infraestrutura etc.

A literatura do PED tem enfatizado o estudo detalhado das experiências nacionais

de desenvolvimento.14 Comparações entre países e regiões que apresentaram, ao longo do tempo, desempenhos cada vez mais divergentes, como no caso de Ásia e da América Latina, conduzem ao questionamento sobre as razões que levaram a resultados tão distintos diante da utilização de incentivos semelhantes. Vale dizer, nas principais economias destas duas regiões, as políticas desenvolvimentistas envolveram a criação de quase-rendas que foram apropriadas por empresas privadas e/ou estatais com o intuito de promover novos setores produtivos ou modernizar a estrutura produtiva preexistente. Tais quase-rendas nasceram da proteção ao mercado interno, de incentivos fiscais, creditícios, cambiais etc. Enquanto nas economias mais bem-sucedidas da Ásia os incentivos vieram acompanhados de mecanismos que impunham o disciplinamento no uso das quase-rendas, de modo a garantir o aprimoramento das capacidades produtivas em nível microeconômico, na América Latina “as empresas receberam incentivos consideráveis, mas se defrontaram com pouca disciplina.” (Di Maio, 2009 p. 21,

tradução do autor).15

O período de ampliação na divergência de desempenho entre as economias

periféricas coincidiu com mudanças estruturais profundas na economia e na política. Houve, por um lado, aprofundamento da interpenetração dos mercados nacionais no âmbito da globalização nos marcos da introdução de novas tecnologias que revolucionaram os padrões de produção e consumo. Por outro, o retorno do liberalismo, a crise do Estado de Bem-Estar e dos regimes de planejamento central e a disseminação de acordos de comércio e investimento de caráter multilateral, no âmbito do GATT-OMC, regional e bilateral implicaram redução no escopo da capacidade dos Estados nacionais adotarem políticas desenvolvimentistas nos moldes previamente mencionados (Rodrik, 2004; UNCTAD, 2006; Cepal, 2007; Di Maio, 2009; Peres e Primi, 2009).

Assim, por exemplo, mecanismos de estímulo à produção doméstica, mesmo que

voltada para a exportação, foram banidos ou têm o uso muito restrito pelas regras da OMC. Com exceção de países de baixa renda, os subsídios à exportação foram proibidos, bem como as exigências de conteúdo local ou restrições quantitativas às importações. No passado, tais medidas eram utilizadas para atrair empresas transnacionais e/ou criar espaços para a proteção da indústria infante. A possibilidade de fazer engenharia reversa foi severamente limitada por efeito Acordo

TRIPS.16 Todavia, há espaço para incentivos nos casos de políticas voltadas para o desenvolvimento de novas tecnologias (P&D, incentivos para empresas se instalarem em parques tecnológicos etc.), para o desenvolvimento regional e para atividades que promovam sustentabilidade ambiental. A segurança nacional também pode ser invocada para a criação de excepcionalidades que legitimem políticas seletivas. Medidas de salvaguarda podem ser utilizadas em casos especiais, nos quais a

elevação das importações implique desestabilização do balanço de pagamentos17 ou

possibilidade de desestruturação grave de um setor produtivo.18

O neoliberalismo e a globalização conformaram um ambiente internacional em que

caíram barreiras comerciais tarifárias e custos de transação associados ao transporte e às comunicações. Todavia, isso não se traduziu em um quadro de livre comércio aos moldes de um livro-texto. Não são os mercados atomizados que comandam os fluxos de comércio e de investimentos, mas sim as empresas multinacionais, com

suas cadeias hierarquizadas de valor (Jomo, 2005; Haque, 2006; Chang, 2006).19 Estas se localizam, predominantemente, nas economias industrializadas e dominam os processos de conformação e disseminação das novas tecnologias, incorporadas em produtos, processos de produção e comercialização e ativos intangíveis, como as marcas e patentes. Os governos nacionais das economias industrializadas não se furtam a apoiar os interesses globais de suas empresas, ao passo que os países periféricos buscam capturar parcelas dessas cadeias de produção. Isto implica que é a “estratégia” (de grandes empresas e governos), e não os mercados concorrenciais, que molda as forças econômicas internacionais (Reinert, 2007, 2009). Os governos não abrem mão de suas estratégias desenvolvimentistas, que devem ser adaptadas com o passar do tempo (UNCTAD, 2006; Peres; Primi, 2009).

Esta constatação é corrente entre os autores alinhados à tradição do PED e ganha

reforço quando admitida por analistas e instituições multilaterais usualmente mais avessas ao ativismo estatal (Canuto; Giugale, 2010; Lin, 2010; Lin; Monga, 2010; World Bank, 2010). Canuto, Dutz e Reis (2010) e World Bank (2010) sugerem que as políticas de inovação tecnológica devem estar no centro das estratégias de desenvolvimento das economias periféricas. Eles partem da constatação de que há tendências recentes de transformação da economia mundial que estão criando espaços para que os países em desenvolvimento possam reduzir sua defasagem relativa em termos de inovação e de produtividade. Assim, a decomposição da produção nas cadeias hierarquizadas de valor e a disseminação das tecnologias de informação, aliadas ao dinamismo de crescimento dos países emergentes e maior

comércio Sul-Sul20 criam mais oportunidades para que as empresas localizadas no mundo em desenvolvimento possam inovar, adaptando e criando novas tecnologias a

partir de suas especificidades21 e, com isso, ampliando suas possibilidades de inserção em mercados cada vez mais competitivos e globalizados. Para além do esforço de “estar na fronteira”, os países periféricos devem apostar na redução das

diferenças e, portanto, na exploração dos ganhos potenciais de produtividade.22

A agenda de políticas que emerge desta perspectiva é, em linhas gerais, um

desdobramento das abordagens anteriores do Banco Mundial. As intervenções são do tipo horizontal, envolvendo (I) a criação de incentivos para um “empreendedorismo produtivo”, vale dizer proteção às rendas geradas pela iniciativa inovadora e à propriedade, associadas às pressões competitivas que minimizem “desvio das ações inovadoras”; (II) o desenvolvimento de novas habilidades por meio da formação de recursos humanos, apoio ao P&D, estreitamento das relações entre empresas e universidades, programas de bolsas de estudos no exterior etc.; (III) a manutenção de um fluxo aberto de informações, enfatizando a abertura comercial, a atração de investimento direto estrangeiro, estímulos para que as empresas multinacionais gerem efeitos de transbordamento pelo treinamento de trabalhadores e gestores locais, ampliação do acesso às novas tecnologias de informação, particularmente a internet etc.; e (IV) o provimento de financiamento por meio de instituições privadas e públicas (Canuto; Dutz; Reis, 2010). O Banco Mundial tem defendido a importância das economias em desenvolvimento se apropriarem de inovações criadas nas economias centrais, garantindo sua adaptação e difusão por meio de um amplo leque de intervenções do tipo horizontal (World Bank, 2010).

Cabe observar que o foco na inovação tecnológica tem sido defendido por autores

mais próximos à tradição do PED, tais como Chang (1994, 2006), Suzigan e Furtado (2006), Cepal (2007), Unctad (2006), Cimoli, Dosi e Stiglitz (2009a, 2009b), Peres e Primi (2009), dentre outros. Com isso as sugestões de Canuto, Dutz e Reis (2010), consubstanciadas nas análises de Noland e Pack (2003), Pack e Saggi (2006), Canuto e Giugale (2010), Lin (2010), Lin e Monga (2010) e World Bank (2010), poderiam muito bem compor um cardápio de intervenções políticas ao espírito do PED. Ainda assim, conforme Chang (1994, 2006, 2009) tem destacado, a existência de seletividade (escolha de setores e/ ou empresas) está na essência das políticas industriais e de inovação, o que conduz a níveis mais elevados de ativismo estatal do que os supostos pelas visões convencionais. Se a visão convencional atual admite a

importância das inovações tecnológicas23 24 e das políticas públicas, ela segue

rejeitando a seletividade.25

A importância da política industrial se reafirma a partir das evidências apontadas

por Rodrik (2006). Seus fatos estilizados, baseados em evidências produzidas pela recente literatura empírica sobre os determinantes do crescimento, sugerem que: 1) o crescimento econômico está fortemente correlacionado com a diversificação das atividades produtivas e não com a especialização, conforme sugerido pelos modelos clássico e neoclássico de comércio internacional; 2) países que crescem mais rápido possuem setores industriais maiores como proporção da renda; 3) a aceleração no ritmo de crescimento se dá, com maior intensidade, em países que estão mudando suas estruturas produtivas em direção a setores mais complexos, particularmente a indústria de transformação e, também, ampliando o grau de sofisticação de suas exportações. Portanto, políticas desenvolvimentistas focadas na modernização e na diversificação do Setor Produtivo Industrial ganham maior relevância, o que garante a contemporaneidade das reflexões tributárias do PED.

A relevância da criação de novas tecnologias e sua difusão como forma de gerar

ganhos de produtividade e, com isso, crescimento da renda, se soma aos desafios das transformações do meio ambiente e da ascensão das economias emergentes. A crise financeira global tem recolocado no centro do debate e das ações de política econômica o papel do Estado na promoção do desenvolvimento. Já é possível identificar o que pode ser a emergência de uma nova rodada de disputas entre as interpretações convencionais e heterodoxas. Os recentes trabalhos do Banco Mundial, mencionados anteriormente, representam um avanço sobre a agenda do Consenso de Washington, ainda que se limitem à defesa de políticas com recortes horizontais e de adaptação e disseminação entre os países em desenvolvimento das inovações tecnológicas geradas no centro capitalista. Mesmo reconhecendo que as regras da OMC são um empecilho para a “ascensão do resto”, algo que vem sendo observado há muito tempo pelos autores do PED (Amsden, 2001, 2007; Reinert, 2007; Chang, 2002, 2007), o Banco Mundial reitera que os países devem evitar políticas de “escolha de vencedores”, quer sejam setores ou empresas específicas (World Bank, 2010). Com este mesmo espírito, a Revista The Economist (2010) percebe que as pressões depressivas sobre a economia real do período pós-crise têm levado ao que considera um retorno da política industrial. Esta é resumida como sendo fruto de lobbies protecionistas setoriais que, inevitavelmente, conduzirão ao desperdício de recursos públicos.

Rodrik (2010) e Wade (2010) vislumbram neste cenário a possibilidade de se

recolocar a discussão sobre a política industrial em torno da sua qualidade e efetividade. Desde logo, este e outros autores mais próximos à tradição do PED vêm argumentando que, a despeito do Consenso de Washington e, com isso, da retórica contrária às políticas de desenvolvimento mais pró-ativas, vários governos de países desenvolvidos e em desenvolvimento não abriram mão de suas estratégias nacionais. Se tomarmos o exemplo das economias asiáticas, a busca de projetar novos setores e modernizar os já existentes jamais saiu da agenda. A Coreia do Sul, com seu “Ministério da Economia do Conhecimento” aposta em novas tecnologias

em setores estratégicos26 – energias limpas, tecnologias de informação, robótica, nanotecnologia etc. – capazes de garantir a competitividade de seus produtos e serviços. As políticas comercial, industrial e energética envolvem ações tanto horizontais, quanto verticais e de “fronteira”. De forma semelhante, os governos de

Cingapura27 28 29 , Taiwan , Japão têm redobrado seus esforços recentes de adaptação aos desafios impostos pela globalização, por meio de políticas ativas de promoção da “economia do conhecimento”.

Para Wade (2010), é mais fácil sugerir que o Estado deve ter um papel mais ativo

do que aquele admitido pela visão convencional aos moldes do Consenso de Washington, do que definir como estruturar e operacionalizar políticas desenvolvimentistas efetivas. A “política industrial em economias abertas” deveria ser capaz de combinar as “informações, perspectivas e objetivos do setor público com as do setor privado” de modo a se constituirem “as bases de um novo projeto de

desenvolvimento nacional”.30 O desafio de combinar desenvolvimento com preservação do meio ambiente, os esforços de aumentar a produtividade em vários setores tradicionais das economias menos desenvolvidas, a concorrência da produção manufatureira chinesa e os efeitos disruptivos dos padrões de produção e de consumo globais com a emergência das novas tecnologias de informação, robótica, nanotecnologia etc., são lembradas por Wade (2010) como fundamentais para justificar o “retorno” das políticas industriais.

O estabelecimento do “Estado Desenvolvimentista” do século XXI passaria pela

capacidade de se criar sinergias entre o Estado e a sociedade em torno do objetivo maior que é o desenvolvimento. Este deveria estar acima dos interesses individuais imediatos. Portanto, o principal papel do Estado é o de organizar estruturas institucionais que viabilizem os objetivos desenvolvimentistas. Do ponto de vista histórico, o MITI japonês, o Council for Economic Planning and Development (CEPD) de Taiwan, o South Korea’s Economic Planning Board e o Singapore’s Economic Development Board estavam no topo de uma rede de agências governamentais e fóruns de interação com o setor privado, respondendo, em última instância, pelas estratégias nacionais de desenvolvimento. A partir destes exemplos e com o benefício da ampla revisão da literatura do PED, Wade (2010) conclui que há pelo menos quatro pré-condições para a emulação contemporânea dessas experiências, quais sejam: (I) a existência de equilíbrio nas relações entre o Estado e os grupos privados, onde estes, em troca do apoio estatal deveriam se comprometer a não

tentar capturar o próprio Estado para a busca de facilidades individuais31; (II) a presença de uma burocracia estatal profissional, meritocrática e voltada para a realização dos objetivos da política desenvolvimentista; (III) a proteção das agências governamentais das pressões políticas voltadas à captura das quase-rendas criadas pelo Estado, de modo a preservar a eficiência econômica da políticas adotadas; e (IV) manter um volume baixo de recursos financeiros sob o controle discricionário dos burocratas responsáveis pela política desenvolvimentista; a estes caberia definir estratégias e instrumentos que, por sua vez, deveriam ser geridos por outros órgãos.

 

4. Considerações finais

 

O paradigma do Estado desenvolvimentista está intrinsecamente associado ao

estudo das economias asiáticas mais bem-sucedidas em seus processos de transformação estrutural. Japão, Coreia do Sul, Taiwan e Cingapura, seguidas, com maior ou menor sucesso, por outras economias da região, adotaram estratégias pró-ativas de desenvolvimento, segundo os quais as políticas industriais tiveram um papel de centralidade. Entre os anos 1950 e 1980, o ambiente da Guerra Fria criou um vácuo para que a alternativa de um Estado “guia dos mercados”, intermediária ao liberalismo e ao planejamento central (Johnson, 1982), fosse tolerada e, até mesmo, apoiada pelos EUA. Instrumentos protecionistas de apoio à indústria podiam ser utilizados sem maiores sanções da comunidade internacional.

Para a visão convencional, a especificidade asiática e a mudança no contexto

histórico e institucional têm sido apontadas como obstáculos para que a experiência daqueles países possa ser emulada nestes tempos de globalização (World Bank, 1993; Noland; Pack, 2003; Pack; Saggi, 2006). Este argumento não encontra respaldo no PED. Em sua essência, esta perspectiva parte do estudo do exemplo asiático e avança para a constatação de que desde os primórdios da revolução industrial, as experiências mais relevantes de superação do atraso envolveram algum grau de ativismo estatal, expresso na busca consciente da construção de condições para a transformação das forças produtivas rumo aos parâmetros definidos pelas economias mais avançadas. Para o PED tal dinâmica de emulação não ocorre espontaneamente, a partir da exploração das vantagens comparativas estáticas derivadas da dotação prévia de fatores de produção. Cada circunstância histórica pode limitar “o que se pode fazer” e “como se pode fazer”. Seguindo a sugestão de Rodrik (2009, 2010), Chang (2009) e Wade (2010), não se trata de discutir se a política industrial é necessária, mas sim, de como implementá-la com eficiência no mundo contemporâneo. No mundo pós-crise financeira global e com o aumento do poder econômico e político de economias emergentes repõe-se o desafio da ação estatal consciente para a construção do desenvolvimento.

Neste sentido, a principal contribuição da literatura do PED aqui resgatada é

lembrar que um Estado desenvolvimentista é aquele que alinha suas políticas e instrumentos no sentido da busca de transformação qualitativa e quantitativa da base produtiva de um país. Tais políticas precisam ser (I) coerentes, à medida que não é suficiente haver políticas seletivas (a promoção de setores específicos) sem as horizontais (qualificação da infraestrutura, formação de recursos humanos etc.) e ambas podem não ser suficientes se os preços macroeconômicos retirarem incentivos para o incremento da produção, inovação e internacionalização; (II) efetivas, com mecanismos que induzam o setor privado na direção da eficiência produtiva e que evitem o rent-seeking; e (III) coordenadas entre as diversas instituições governamentais e não governamentais. Nesta perspectiva, o desenvolvimento deve ser uma prioridade que perpassa todas as esferas da sociedade e que se legitima à medida que é compartilhado por toda a sociedade. Mais do que um conjunto de políticas claramente definidas, o grande desafio parece continuar sendo o de como constituir um “Estado Desenvolvimentista”. Conforme argumentado por Wade (2010), é mais fácil identificar essa necessidade do que implementar políticas desenvolvimentistas efetivas e eficazes.

 

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Anexo estatístico

Tabela 1. Indicadores Selecionados da Economia Mundial

Participação Taxas de Participação nos Totais

no PIB Crescimento Mundiais em 2009 (%)

Mundial do PIB (% ao

(US$ PPP) ano 1980-

2009)

1980 2009 Média Desvio-PIB Exportação População

- de Bens e

Padrão Serviços

Países 63,8 53,9 2,5 1,6 53,9 65,9 15,0

Desenvolvidos

G7 51,0 41,0 2,3 1,6 41,0 36,3 10,9

NICs Asiáticos 1,7 3,7 6,2 3,2 3,7 9,1 1,2

Países 36,2 46,1 4,3 1,8 46,1 34,1 85,0

Emergentes e em

Desenvolvimento

África 2,4 2,4 3,4 2,5 2,4 1,8 11,4

Subsaariana

América Latina 10,3 8,5 2,8 2,3 8,5 5,1 8,3

Ásia em 7,2 22,5 7,3 1,6 22,5 14,4 52,5

Desenvolvimento

Europa 4,1 3,5 2,5 3,2 3,5 3,7 2,6

Emergente

Oriente Médio e 4,6 5,0 3,4 2,4 5,0 5,8 6,0

Norte da África

Memória

Ásia em 8,9 26,2 nd nd 26,2 23,5 53,7

Desenvolvimento

+ NICs Asiáticos

Fonte: Elaboração própria com base em IMF World Economic Outlook Database,

April 2010. Disponível em:

http://www.imf.org/external/pubs/ft/weo/201001/weodata/index.aspx. Acesso em

ago.2010.

(*) Para ver os países que compõem cada agregado regional, consultar a fonte.

Gráfico 1. Participação da Ásia e América Latina na Renda* Mundial, 1962-2008

(%)

 

Fonte: Elaboração Própria com base nos dados do World Development Indicators

2009. Disponível em: http://data.worldbank.org/. Acesso em agosto de 2010. Nota:

AL 7 = Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Venezuela. Ásia 9 = Coreia do Sul, Cingapura, Hong Kong, Malásia, Indonésia, Filipinas, Tailândia, China e Índia.

(*) GNI, Método Atlas em dólares correntes

 

Gráfico 2. Participação da Ásia (incl. Japão) e América Latina na Renda Mundial(*),

1962-2008 (%)

 

Fonte: Elaboração Própria com base nos dados do World Development Indicators

2009. Disponível em: http://data.worldbank.org/. Acesso em agosto de 2010. AL 7 =

Argentina, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru e Venezuela. Ásia 9 = Coreia do Sul,

Cingapura, Hong Kong, Malásia, Indonésia, Filipinas, Tailândia, China e Índia.

(*) GNI, Método Atlas em dólares correntes

Gráfico 3. Participação de Economias Selecionadas nas Exportações Mundiais de

Mercadorias, 1948-2009

 

Fonte: WTO Time Series on International Trade. Disponível em:

<http://www.wto.org/english/ res_e/statis_e/statis_e.htm> Acesso em: ago. 2010.

AL 9 = Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, México, Peru, Uruguai e

Venezuela. Ásia 10 = Coreia do Sul, Taiwan, Cingapura, Hong Kong, Malásia,

Indonésia, Filipinas, Tailândia, China e Índia

Tabela 2. Investimento Direto Externo* em Economias Selecionas, 1980-2009

Estoque de IDE US$ Bilhões Participação no Estoque de

Estoque de IDE (%) IDE/PIB (%)

1980 1990 2009 1980 1990 2009 1980 2009

Mundo 700.277 2.081.782 17.743.408 100,00 100,00 100,00 6,62 30,54

I. Países 401.633 1.555.605 12.352.514 57,35 74,72 69,62 5,07 31,81

Desenvolvidos

Alemanha** 36.630 111.231 701.643 5,23 5,34 3,95 3,98 21,02

EUA 83.046 539.601 3.120.583 11,86 25,92 17,59 2,98 22,61

Japão 3.270 9.850 200.141 0,47 0,47 1,13 0,31 3,93

II. Países em 298.644 524.526 4.893.490 42,65 25,20 27,58 11,58 27,88

Desenvolvimento

África 41.097 60.675 514.759 5,87 2,91 2,90 9,57 35,79

América Latina 41.789 111.377 1.472.744 5,97 5,35 8,30 5,25 30,95

Argentina 2.083 9.085 80.996 0,30 0,44 0,46 2,76 25,87

Brasil 17.480 37.143 400.808 2,50 1,78 2,26 7,68 26,19

Chile 10.847 16.107 121.640 1,55 0,77 0,69 36,79 75,01

Colômbia 1.061 3.500 74.092 0,15 0,17 0,42 2,39 32,44

México*** 2.984 22.424 309.523 0,43 1,08 1,74 1,47 35,65

Ásia 214.236 349.638 2.893.778 30,59 16,80 16,31 15,92 25,75

Hong Kong 177.755 201.653 912.166 25,38 9,69 5,14 616,82 431,99

Ásia excl. Hong 36.480 147.985 1.981.612 5,21 7,11 11,17 nd nd Kong

China 1.074 20.691 473.083 0,15 0,99 2,67 0,35 10,07

Cingapura 5.351 30.468 343.599 0,76 1,46 1,94 45,66 200,72

Coréia do Sul 1.139 5.186 110.770 0,16 0,25 0,62 1,71 13,34

Filipinas 914 4.528 23.559 0,13 0,22 0,13 2,82 14,54

Índia 452 1.657 163.959 0,06 0,08 0,92 0,24 13,31

Indonésia 4.560 8.733 72.841 0,65 0,42 0,41 5,73 13,47

Malásia 5.169 10.318 74.643 0,74 0,50 0,42 20,33 39,01

Tailândia 981 8.242 99.000 0,14 0,40 0,56 3,03 36,22

Taiwan 2.405 9.735 48.261 0,34 0,47 0,27 5,69 13,11

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<http://stats.unctad.org/fdi/ReportFolders.aspx?

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(*) Referente às entradas de IDE.

(**) Para 1980 os dados são da RFA (ex-Alemanha Ocidental)

(***) A primeira informação se refere ao ano de 1982.

 

Gráfico 4. Exportações de Produtos de Alta Tecnologia* em Economias

Selecionadas, 1988-2008 (% do total das exportações de manufaturas)

Fonte: Elaboração Própria com base nos dados do World Development Indicators

2009. Disponível em: <http://data.worldbank.org/>. Acesso em: ago. 2010.

(*) São produtos intensivos em pesquisa e desenvolvimento tais como produtos

aeroespaciais, computadores, produtos farmacêuticos, instrumentos científicos e

maquinaria elétrica.

 

Gráfico 5. Evolução da Renda Per Capita de Economias Selecionadas, 1950-2007

(valores correntes - EUA = 100

Fonte: Penn World Tables, 6.3. Disponível em:

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Tabela 3. Comércio Internacional, Investimentos e População Rural em Economias

Selecionadas, 1960-2008

População Comércio Internacional de Bens e Formação Bruta

Rural Serviços* (% do PIB) de Capital (% do

(% do total) PIB) Importações Exportações

1960 1980 2008 1960s 1980s 2000s 1960s 1980s 2000s 1960s 1980s 2000s

 

I. América Latina

 

Argentina 26,4 17,1 8,0 6,0 6,2 16,8 6,3 9,3 23,5 22,4 18,8 19,1

Brasil 55,1 32,6 14,4 6,5 7,3 12,5 6,7 10,1 14,4 19,7 20,7 17,1

Chile 32,2 18,8 11,6 13,8 26,2 33,2 13,7 27,5 40,5 18,1 18,9 21,7

Colômbia 55,0 37,9 25,5 13,2 13,6 21,4 12,5 15,0 17,1 19,3 19,4 21,0

México 49,2 33,7 22,8 9,6 13,7 29,0 7,7 17,2 27,3 19,3 21,9 23,8

Peru 53,2 35,4 28,6 19,9 16,7 19,8 18,2 16,7 22,6 32,6 24,5 20,2

Venezuela 38,4 20,8 6,7 15,9 20,7 20,0 25,3 25,5 32,6 25,3 19,8 23,3

 

II. Ásia

 

China 84,0 80,4 56,9 2,7 14,0 28,1 2,6 13,7 33,1 20,3 36,1 41,8

Cingapura 0,0 0,0 0,0 nd nd 196,4 nd nd 220,7 22,7 41,6 22,5

Coréia do 72,3 43,3 18,5 19,3 32,3 38,0 8,9 33,5 39,9 20,3 31,0 29,8 Sul

Filipinas 69,7 62,5 35,1 18,5 26,7 49,2 17,9 25,1 46,8 22,2 21,7 16,2

Hong 14,8 8,5 0,0 80,5 104,0 174,7 78,5 110,8 184,3 25,4 27,0 21,9

Kong

Índia 82,1 76,9 70,5 5,5 7,9 20,7 4,0 6,1 18,3 15,4 22,4 32,2

Indonésia 85,4 77,9 48,5 12,5 22,8 27,2 10,3 24,5 32,3 10,4 29,2 24,6

Malásia 73,4 58,0 29,6 37,9 56,6 92,2 41,7 59,0 112,2 17,9 28,3 22,6

Tailândia 80,3 73,2 66,7 18,4 30,0 65,7 16,2 26,9 70,4 21,5 30,7 26,8

 

III. Economias Avançadas

 

Alemanha 28,6 27,2 26,4 9,5 10,4 12,2 16,4 23,3 40,7 30,5 22,1 17,9

EUA 30,0 26,3 18,3 17,9 24,9 35,7 5,3 8,4 10,5 19,2 19,4 18,8

Japão 56,9 40,4 33,5 4,7 10,3 15,4 9,9 12,5 13,6 35,8 30,2 23,6

Fonte: World Development Indicators on Line, World Bank. Disponível em:

<http://data.worldbank.org/ topic>. Acesso em: ago. 2010.

(*) Foram calculadas as médias em cada década. Nos anos 1960 há, em alguns

casos, lacunas de informações.

Tabela 4. Distribuição Setorial do PIB em Economias Selecionadas, 1960-2008*

(%)

Agricultura Indústria Serviços

1960s 1980s 2000s 1960s 1980s 2000s 1960s 1980s 2000s

I. América Latina

 

Argentina 10,3 8,3 9,2 47,0 39,4 33,3 42,7 52,3 57,5

Brasil 16,0 10,2 6,3 36,3 44,0 28,3 47,7 45,8 65,4

Chile 8,4 7,7 4,6 40,1 39,1 41,9 51,5 53,2 53,5

Colômbia 27,9 18,1 9,8 27,0 35,2 33,0 45,1 46,7 57,2

México 12,3 8,9 3,9 28,7 33,5 32,9 59,0 57,7 63,2

Peru 18,8 9,7 7,4 30,3 31,6 33,5 50,8 58,8 59,0

Venezuela 5,5 5,9 4,3 39,6 49,6 52,1 54,2 44,4 43,6

II. Ásia

 

China 38,4 29,1 12,5 34,7 43,6 47,0 26,8 27,3 40,5

Cingapura nd 0,9 0,1 nd 36,9 31,8 nd 62,2 68,1

Coréia do 31,0 12,7 3,5 22,3 39,7 37,1 46,8 47,6 59,4 Sul

Filipinas 27,8 23,5 14,7 31,2 36,4 31,7 41,0 40,1 53,6

Hong nd 0,5 0,1 nd 28,6 10,1 nd 71,0 89,8 Kong

Índia 42,5 31,3 19,6 20,3 26,2 27,8 37,2 42,5 52,5

Indonésia 50,9 22,7 14,3 14,8 37,9 46,0 34,3 39,4 39,7

Malásia 30,7 19,6 4,4 25,8 39,1 47,6 43,4 41,3 47,9

Tailândia 31,1 16,8 10,3 22,8 32,8 43,6 46,0 50,3 46,1

III. Economias Avançadas

 

Alemanha 6,4 3,2 1,6 46,0 39,9 30,3 47,6 57,0 68,1

EUA 3,7 2,0 1,0 48,1 38,7 29,5 48,2 59,3 69,5

Japão 3,5 2,4 1,2 35,2 30,6 22,3 61,2 67,0 76,5

Fonte: World Development Indicators on Line, World Bank. Disponível em:

<http://data.worldbank.org/ topic>. Acesso em: ago. 2010.

(*) Foram calculadas as médias em cada década. Nos anos 1960 há, em alguns

casos, lacunas de informações.

Tabela 5. Evolução do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em Países

Selecionados, 1980-2007

Ranking 2007 IDH

1980 2007

Noruega 1 0,900 0,971

Japão 10 0,887 0,960

EUA 13 0,894 0,956

Singapore 23 0,785 0,944

Hong Kong 24 nd 0,944

Coréia do Sul 26 0,722 0,937

Chile 44 0,748 0,878

Argentina 49 0,793 0,866

México 53 0,756 0,854

Venezuela 58 0,765 0,844

Malásia 66 0,666 0,829

Rússia 71 nd 0,817

Brasil 75 0,685 0,813

Colômbia 77 0,688 0,807

Peru 78 0,687 0,806

Tailândia 87 0,658 0,783

China 92 0,533 0,772

Filipinas 105 0,652 0,751

Indonésia 111 0,522 0,734

Índia 134 0,427 0,612

Fonte: Human Development Report 2009. Disponível em:

<htpp://hdr.undp.org/en/statistics/>. Acesso em: set. 2010.

Gráfico 6. Gastos em P&D em Economias Selecionadas

 

Argentina: US$ 4.849; 0,45%

Brasil: US$ 3.933; 0,93%

Chile: US$ 5.591; 0,64%

China: US$ 1.576; 1,23%

Índia: US$ 657; 0,75%

Indonésia: US$ 1.040; 0,05%

Malásia: 4.794; 0,64

México: US$ 7.397; 0,45%

Fonte: World Development Indicators on Line, World Bank. Disponível em:

<http://data.worldbank.org/topic> Acesso em: ago. 2010. .

Gráfico 7. Exportação de ICT* em Economias Selecionadas, 2006-2008 (% do total

das exportações)

 

Fonte: World Development Indicators on Line, World Bank. Disponível em:

<http://data.worldbank.org/ topic> Acesso em: ago. de 2010. (*)Information and

Communication Technology: são bens de tecnologia de informação e comunicações, ou seja, telecomunicões, áudio, vídeo, computadores e equipamentos relacionados,

componentes eletrônicos, dentre outros. Exclui softwares.

Gráfico 8. Gastos em Tecnologias de Informação e Comunicação* em Economias

Selecionadas (% do PIB, média 2003-2008)

 

Fonte: World Development Indicators on Line, World Bank. Disponível em:

<http://data.worldbank.org/ topic> Acesso em: ago. 2010. Incluindo equipamentos de

informática e softwares, serviços de computação e comunicação e outros gastos

associados a estas tecnologias. (*).

Gráfico 9. Usuários de Internet em Países Selecionados, 2008 (por 1.000

habitantes)

 

Fonte: World Development Indicators on Line, World Bank. Disponível em:

<http://data.worldbank.org/topic>. Acesso em agosto de 2010.

Gráfico 10. Ranking de Competitividade de Economias Selecionadas – Doing

Business 2009

 

Fonte: World Development Indicators on Line, World Bank. Disponível em:

<http://data.worldbank.org/topic> Acesso em: ago. 2010.

O ranking se refere ao relatório "Doing Business 2007" e avalia a qualidade do

ambiente institucional onde as empresas operam. Foram avaliados 181 países. O

primeiro do ranking apresenta o melhor ambiente de negócios.