Dinâmicas e suportes para conhecer, reconhecer e integrar saberes em Comunicação e Educação

Eliana Nagamini, Ana Luisa Zaniboni Gomes (orgs.) · Capítulo 15 de 23

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Dinâmicas e suportes para conhecer, reconhecer e integrar saberes em Comunicação e Educação

Parte 3 - Meios e conteúdos

 

Polivoz: um ensaio

 

educomunicativo para o

 

fortalecimento do Jornalismo 1

 

Andrea Trigueiro2

Davi Saboya Barretto3

Milena Cavalcanti Lira 4

Rossini Pereira Gomes 5

Jéfte Fernando de Amorim Barbosa 6 Universidade Católica de Pernambuco, Recife, PE Universidade Federal de Pernambuco, Recife, PE

 

Palavras-chave: Educação. Comunicação. Educomunicação. Radiojornalismo. Webradiojornalismo.

 

Polivoz: transmídia no

 

webradiojornalismo

 

Em meio ao debate sobre o fim ou não do rádio no cenário da internet, é urgente que professores e profissionais que lidam com esse dilema atentem para as inúmeras experiências que estão sendo desenvolvidas país afora e que trazem práticas capazes de dar fôlego novo a esse veículo e à práxis jornalística. Nesse sentido, apresentamos o Polivoz, uma experiência de ensino de radiojornalismo com práticas educomunicativas em ambiente formal de educação, como possibilidade de um caminho para o ensino da Comunicação que contribui para o fortalecimento não só do veículo, mas do Jornalismo e do processo de aprendizagem na área.

O programa de rádio Polivoz foi uma experiência desenvolvida na disciplina de Radiojornalismo III, com estudantes do quarto e quinto períodos do curso de Jornalismo da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), situada no Recife/PE, que envolveu 20 estudantes da graduação e foi produzido durante dois semestres consecutivos.

O primeiro Polivoz foi ao ar em 4 de setembro de 2014 e, em sua “primeira temporada”, foi produzido semanalmente, na perspectiva do Jornalismo Especializado, com temáticas como Educação, Cultura e Saúde. Foi adotado um sistema de rodízio de funções entre os estudantes, que se alternaram na reportagem, produção e apresentação. O objetivo foi permitir a experimentação das rotinas do radiojornalismo nas suas diversas atividades e garantir uma diversidade de situações cotidianas do veículo, a fim de que se pudesse identificar vocações e desenvolver habilidades. Naquele primeiro semestre, foram produzidas, em uma iniciação ao universo radiofônico, vinhetas e spots do programa. Em seguida, foram elaborados os conteúdos das matérias, de acordo com técnicas que permitiram aos alunos aprimorar a apuração, entrevista, texto, edição e locução. A produção do script e a execução propriamente ditas do programa, gravado “ao vivo”, foram as etapas finais que atestaram que o processo teria alcançado seu fim: o produto.

A “segunda temporada”, desenvolvida no semestre seguinte pelo mesmo grupo de estudantes, teve como proposta aprimorar técnicas de radiojornalismo a partir da produção e cobertura de grandes eventos na área de Comunicação: o Encontro Nordestino pelo Direito à Comunicação (ENDC) e a Semana de Comunicação Pública, ambos realizados no Recife. Desta vez, um ingrediente novo foi adicionado à receita para desafiar ainda mais os comunicadores a uma nova experimentação: o uso das mídias sociais e a produção de conteúdo para a web, como propõe a ementa da disciplina ministrada à época, Radiojornalismo III.

A partir das temáticas dos dois eventos, os estudantes debateram entre si e concluíram que a Comunicação Social na contemporaneidade demanda um modelo de Jornalismo que se apresente de forma participativa e democrática. Neste momento da experiência, contextualizada no seio da cibercultura, foram produzidos conteúdos transmídia para as redes sociais — Facebook e Instagram — com a publicação de diferentes formatos jornalísticos, entre fotos, vídeos, textos e áudios.

O telefone celular foi o principal meio utilizado pelos estudantes para a gravação e edição dos conteúdos, aproveitando, como propôs Freire (1998), o contexto que lhes é familiar — neste caso, as ferramentas proporcionadas pela cibercultura. Tal fato nos leva ao que diz Jenkins (2006) sobre o aparelho celular ao afirmar que ele não tem mais as chamadas como uso primário e que a convergência em que vivemos atualmente começa nas próprias mídias. Esse processo, e a discussão dele em sala, levou os alunos a perceberem melhor as características do rádio, vistas previamente em teoria a partir de Luiz Artur Ferraretto (2007) e Eduardo Meditsch (2007). Este último destaca que

 

o termo radiojornalismo, originalmente, remete à palavra impressa e embora

historicamente a tenha superado, com a transposição da atividade aos meios

eletrônicos, essa mudança não se fez sem que trouxesse, em sua esteira,

uma série de tradições, normas, hábitos e técnicas daquele outro tipo de

suporte material. Na medida, porém, em que os novos suportes modificaram

a atividade, a fixação na designação anterior — o congelamento do conceito

— por vezes obscurece as diferenças estabelecidas nessa mutação. O rádio

informativo não é apenas um novo canal para a mesma mensagem do

jornalismo, é também um jornalismo novo, qualitativamente diferente, e a

designação diversa procura dar conta dessa transformação (MEDITSCH,

2007, p. 30).

 

Tal processo contribuiu para a formação dos alunos, uma vez que permitiu o debate sobre a democratização da Comunicação, tema caro à formação do jornalista e pauta central dos dois eventos que foram a fonte dos programas especiais. Durante as discussões, foi possível observar nas falas o exercício e o amadurecimento do pensamento articulado em ideias, posicionamentos e propostas de debates aprofundados sobre os assuntos que permeiam o contexto da Comunicação, como concentração da mídia, oligopólios e monopólios midiáticos, participação da sociedade nos meios de comunicação de massa, entre outros.

Além disso, no fazer prático dessa experiência, observou-se a apropriação de técnicas do webradiojornalismo, levando os estudantes a desenvolverem as habilidades previstas para o curso de Jornalismo. Assim, o Polivoz se constituiu uma importante ferramenta de aprendizagem, em consonância com as atuais demandas sociais e culturais do fazer jornalístico e as novas práticas do mercado de trabalho.

Se de um lado o caráter educomunicativo do processo, como veremos a seguir, foi primordial para o aprofundamento da reflexão teórica e compreensão dos temas propostos na ementa; de outro, o uso dos elementos da cibercultura, na qual os estudantes estão imersos, foi imprescindível para o trabalho e contextualização do radiojornalismo contemporâneo. Além disso, o rodízio de funções propiciou aos alunos muito mais apropriação da diversidade de habilidades e possibilidades de atuação profissional oferecidas pela atividade jornalística no rádio e na web.

Em tempos que se vivem profundas transformações sociais e políticas, e o Jornalismo tem buscado se reinventar como modelo de negócio, a experiência do Polivoz aponta uma possibilidade metodológica de ensino de Comunicação que empodere o estudante e o nutra com possibilidades de aprendizagem. Não apenas no espaço formal, mas também fora da sala de aula, no bairro, na cidade, garantindo seu aperfeiçoamento profissional e pessoal em relação à sociedade em que vive.

Do ponto de vista processual e tecnológico, tais características ganham ainda mais peso, uma vez que os estudantes estão cada vez mais mergulhados em um momento histórico em que

 

um único meio físico — sejam fios, cabos ou ondas — pode transportar os

serviços que no passado eram oferecidos separadamente. De modo inverso,

um serviço que no passado era oferecido por um único meio — seja a

radiodifusão, a imprensa ou a telefonia — agora pode ser oferecido de várias

formas físicas diferentes. Assim, a relação um a um que existia entre um

meio de comunicação e seu uso está corroendo (JENKINS, 2006, p. 35).

A experiência educomunicativa

 

aprimora o processo de produção

 

Os estudiosos do campo da Educomunicação defendem um processo educacional capaz de favorecer o protagonismo e a emancipação das pessoas por meio de experiências dialógicas que se configurem como uma opção ao modelo educacional vigente atualmente. Um dos principais defensores dessa perspectiva é o professor Ismar de Oliveira Soares (2000, p. 115), para quem a Educomunicação é

 

o conjunto das ações inerentes ao planejamento, implementação e avaliação

de processos, programas e produtos destinados a criar e a fortalecer

ecossistemas comunicativos em espaços educativos presenciais ou virtuais,

tais como escolas, centros culturais, emissoras de TV e rádios educativas,

centros produtores de materiais educativos analógicos e digitais, centros

coordenadores de educação a distância ou e-learning, e outros.

 

Nos espaços acadêmicos formais, o que se observa é que ainda é incipiente o uso dos princípios educomunicacionais que são definidos por Soares (2000): a) a promoção do acesso democrático à produção e à difusão de informação; e b) a facilitação do ensino-aprendizagem por meio do uso criativo dos meios de comunicação. Por essa razão, a experiência do Polivoz é relevante para o campo, uma vez que sistematizou a prática desses princípios no espaço formal da Universidade.

Esse campo de atuação educomunicativo tem ligação direta com a perspectiva de compartilhar, trocar e de se relacionar. Nesse sentido, esse debate se aproxima do trabalho de teóricos da educação, como Paulo Freire, que definiu a Comunicação como aspecto fundamental das relações humanas. Em seus estudos, Freire (1981) defende a Comunicação como premissa para haver conhecimento de fato e entende esse processo dentro de uma uma relação igualitária e dialogal entre os sujeitos. “Ninguém educa ninguém, ninguém educa a si mesmo, os homens se educam entre si, mediatizados pelo mundo” (FREIRE, 1981, p. 78), define o autor.

Durante a experiência educomunicativa do Polivoz, também foi possível perceber o campo fértil para a existência de um

ecossistema comunicativo7, com a participação ativa dos sujeitos e o respeito à diversidade de opiniões em que todos e todas são ouvidos e têm garantido o direito à fala e ao exercício da reflexão sobre o fazer proposto por Paulo Freire (2008). Para este, “ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção” (FREIRE, 2008, p. 22).

Tanto os programas temáticos produzidos no primeiro semestre da disciplina de Radiojornalismo II quanto as duas grandes coberturas especiais feitas durante o Encontro Nordestino pelo Direito à Comunicação e a Semana de Comunicação Pública, vivenciadas na disciplina de Radiojornalismo III, foram marcados pela autonomia dos estudantes na tomada de decisão e debates durante todo o processo.

No segundo semestre, consolidadas as práticas de radiojornalismo e ainda desvendando o universo do webradiojornalismo, os alunos foram divididos em equipes com, em média, 11 repórteres de rádio, três social media, um produtor e três âncoras (já não apenas apresentam, mas também comentam, opinam). A cobertura dos dois eventos foi realizada em tempo real nas redes sociais com a produção de flashes, textos, fotos, entrevistas e vídeos, sejam eles do evento ou mesmo da preparação do programa final, os bastidores.

Em todas as edições, o produto final do Polivoz foi um programa de rádio com 50 minutos de duração, ao vivo, com vinhetas, spots, reportagens, quadros fixos e entrevista de estúdio ao vivo. No entanto, o uso das redes sociais permitiu uma vivência prática de convergência midiática, ressaltando, assim, o papel da internet nas novas formas do fazer Jornalismo.

O início da produção das duas edições especiais do Polivoz se deu por meio de uma entrevista coletiva com os organizadores dos referidos eventos para que surgissem as pautas. Esse foi o momento em que os estudantes se apropriaram da temática de cada evento para, então, se dividirem entre as diferentes funções e pautas. Não havia a função do editor, pois a proposta era que a versão final do texto fosse conquistada de forma colaborativa, em um processo de ensino e aprendizagem mútuo no qual a hierarquia era horizontalizada com base nos preceitos das práticas educomunicativas, mediadas pela professora autora deste artigo. Tal conduta, calcada nos ensinamentos de Freire (1998), pode ser sintetizada na fala de Jenkins (2006, p. 28): “nenhum de nós pode saber tudo; cada um de nós sabe alguma coisa; e podemos juntar as peças, se associarmos nossos recursos e unirmos nossas habilidades”.

O passo seguinte à coletiva foi a reunião de pauta, realizada com os alunos, mediada pela professora, na qual as funções do programa e as pautas foram divididas. A escolha das funções e das pautas a serem cumpridas seguiu a lógica das aptidões e disponibilidades de cada um, com o encorajamento à experimentação. O encaminhamento das matérias foi feito por meio da discussão em sala de aula sobre as principais temáticas em

torno dos assuntos com base em critérios de noticiabilidade8.

Enquanto os repórteres cuidavam da apuração e produção de suas respectivas matérias, tendo o espaço do grupo secreto do Facebook para tirar dúvidas, a equipe das redes sociais criou e

alimentou as páginas nos perfis do Facebook9 10 e do Instragram,

além da conta na plataforma de 11 streaming de áudio SoundCloud.

Todas as redes sociais têm os conteúdos armazenados e disponíveis com as publicações originais para consulta.

Dentro desse processo de construção do programa, em uma segunda reunião presencial, os estudantes expuseram o tema de suas matérias para o fechamento da abordagem do tema proposto. Com a pauta encaminhada, todos seguiram para a cobertura factual on-line, em tempo real, das atividades previstas nos dois eventos que tiveram a cobertura do Polivoz.

Como última tarefa da disciplina, para que fosse possível materializar a experiência do Polivoz, foi feita a sistematização dos dados da cobertura da Semana de Comunicação Pública para uma etapa final de armazenamento de dados a seguir. O evento durou quatro dias e contou com atividades nas seguintes instituições de ensino superior: Universidade Católica de Pernambuco, Universidade Federal de Pernambuco, Faculdades Integradas Aeso/Barros Melo, Faculdade Joaquim Nabuco, Centro Universitário Maurício de Nassau e Senac. Nesses dias, foram produzidos e publicados, ao todo, no Facebook: 70 fotos, 15 flashes e dez vídeos. Além disso, foram compartilhadas seis publicações de outros perfis que também noticiaram o evento. O balanço final trouxe os seguintes números: 13.508 visualizações, 803 curtidas e 38 compartilhamentos. Os dados foram contabilizados pela equipe que atuou nas redes sociais.

O momento que se seguiu à cobertura em tempo real dos dias do evento foi caracterizado pela discussão, em um terceiro encontro presencial, de como transformar esse material bruto, fruto da cobertura factual, em reportagens especiais que seriam utilizadas no programa de rádio, com o desafio de tornar os produtos jornalísticos atemporais. Como primeiro passo, foi criado o espelho do programa. Posteriormente, os três âncoras se reuniram em outros três momentos distintos para desenvolver o script.

Ao longo de todo esse processo, o uso do grupo secreto do Facebook foi a sala de aula sem paredes, em que todos puderam postar para tirar dúvidas, fazer perguntas, consultas ou compartilhar textos para subsidiar o trabalho da equipe, além de informações sobre tempo e deixas das matérias. Depois da opinião dos integrantes do grupo, e de forma colaborativa, os estudantes finalizaram suas produções.

O programa Polivoz Especial Comunicação Pública foi exibido com dez reportagens de rádio, ao todo, com os seguintes temas/retrancas: 1. Regulação/Mídia (Rebeka Rodrigues); 2. Regulamentação/Proposta (Agostinho Santiago); 3. Dificuldades/Qualidade (Mayara Ezequiel); 4. Direitos Autorais (Maria Eduarda Barbosa); 5. Audiovisual/Distribuição (Marina Meireles); 6. Voz/Regionalização (Kamyla Brito); 7. Radialista/Mercado (Karoline Gomes); 8. Áudio/Qualidade (Marcela Moreira); 9. Imagem/Qualidade (Marina Araújo); Comunicação/Saúde (Tatiana Ferreira); e 10. Adesão/Mobilização (Eliane Lima). Durante o programa, houve ainda um debate sobre as temáticas exibidas com um dos coordenadores do evento, Felipe Peres Calheiros.

Além das matérias e entrevistas, o Polivoz ainda contou com quatro spots educativos e temáticos que foram produzidos pelos estudantes e inspirados nos princípios da Comunicação Pública, instituídos pela Lei nº 11.652, de 7 de abril de 2008, e que serviram de base durante a apuração das pautas, entre eles:

 

1. Produção e programação com finalidades educativas, artísticas,

culturais, científicas e informativas;

2. Promoção da cultura nacional, estímulo à produção regional e à

produção independente;

3. Não discriminação religiosa, político-partidária, filosófica, étnica, de

gênero ou de opção sexual;

4. Observância de preceitos éticos no exercício das atividades de

radiodifusão;

5. Participação da sociedade civil no controle da aplicação dos princípios

do sistema público de radiodifusão, respeitando-se a pluralidade da sociedade brasileira (BRASIL, 2008, p. s/p).

 

Desse modo, a produção deste material também permitiu aos alunos uma incursão sobre a legislação que dispõe sobre a Comunicação Social, possibilitando, assim, um espaço para a reflexão e debate sobre a dialética das relações entre legislação, práticas profissionais, mercado e demandas sociais e culturais contemporâneas.

Depois de pronto, o programa Polivoz Especial Comunicação

Pública foi disponibilizado na plataforma SoundCloud12 e, em seguida, compartilhado na fanpage para que fosse disponibilizado para os internautas. Todos os programas produzidos durante a cobertura feita pelos estudantes estão disponíveis na fanpage do grupo.

Além disso, o programa foi submetido ao Comitê de Conteúdo da Rádio Universitária, no Recife. Ele foi aprovado e veiculado

posteriormente na grade de programação 13.

 

Um ensaio para o fortalecimento do

 

Jornalismo

 

O Polivoz foi traçado com base em estratégias educomunicativas desde a sua concepção. A hierarquia horizontalizada contribuiu para que os alunos percebessem o quão proativos podem ser em suas atividades dentro e fora da sala de aula. Ter a liberdade para tomar iniciativas e solucionar juntos os desafios fez do grupo não somente conhecedor dos temas propostos, mas também emancipou os sujeitos envolvidos no processo para que trilhassem seus próprios caminhos a partir de um ambiente favorável ao conhecimento de forma crítica e autônoma.

O trabalho em equipe fortaleceu a comunicação e a sintonia entre os integrantes do grupo, favorecendo, assim, o clima de confiança mútua e aprendizado colaborativo. Mais do que a produção de programas, o Polivoz cooperou para que fosse possível descobrir habilidades dentro das técnicas previstas para o Radiojornalismo em diálogo com a internet. Aumentou, ainda, a disposição em ouvir e compreender as habilidades uns dos outros.

O papel da professora na disciplina foi o de animar o processo e mediar as discussões, aprendizagem e conflitos. Uma postura de mediadora em vez de mera depositária dos saberes. A prática vivenciada durante o Polivoz dialoga com o pensamento de Moran (2000 p. 57):

 

Educar é colaborar para que professores e alunos — nas escolas e

organizações — transformem suas vidas em processos permanentes de

aprendizagem. E ajudar os alunos na construção de sua identidade, do seu

caminho pessoal e profissional — do seu projeto de vida, no

desenvolvimento das habilidades de compreensão, emoção e comunicação

que lhes permitam encontrar seus espaços pessoais, sociais e profissionais

e tornarem-se cidadãos realizados e produtivos.

 

O processo desenvolvido por meio das práticas educomunicativas se mostrou fundamental na aprendizagem. Além do amadurecimento na prática e na produção de conteúdos para o Polivoz, tal processo possibilitou aprender a trabalhar em equipe por meio da diversidade de temas e rodízio de funções.

Assim, pode-se concluir que o Polivoz é uma experiência relevante de ensino das técnicas do radiojornalismo com práticas educomunicativas em um ambiente formal de educação, que contribui para o fortalecimento do Jornalismo na formação dos estudantes, por meio de experiências comunicacionais contemporâneas e leitura crítica de mídia. A partir dele, é possível observar posturas mais protagonistas e emancipatórias dos sujeitos envolvidos, que estão saindo da universidade para ocupar as vagas do mercado tendo uma outra compreensão de seu papel social diante da Comunicação e atentos às demandas sociais pelas quais clama a população, nem sempre representada nos veículos da mídia corporativa que temos atualmente. A experiência do Polivoz nos convida — professores, pesquisadores e jornalistas — a novas incursões nas relações entre sala de aula e mercado de trabalho com vistas ao favorecimento de um Jornalismo de qualidade tendo a graduação como semente a ser germinada para que seus frutos sejam colhidos mais adiante.

 

Referências

 

FERRARETO, Luiz Artur. Rádio: o veículo, a história e a técnica. Porto Alegre: Editora Doravante, 2007.

 

FREIRE, Paulo. Pedagogia do oprimido. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1981.

 

______. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 2008.

 

JENKINS, Henry. Cultura da convergência. São Paulo: Aleph, 2006.

 

LIMA, Venício Artur de. Mídia: teoria e política. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2000.

 

MARTÍN-BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e hegemonia. Rio de Janeiro: UFRJ, 1997.

 

MEDITSCH, Eduardo Barreto Vianna. O Rádio na era da informação: teoria e técnica do novo radiojornalismo. Florianópolis: Insular/Edufsc, 2007.

MEDITSCH. A informação sonora na webemergência: sobre as possibilidades de um radiojornalismo digital na mídia e pós-mídia. In: MAGNONI, Antônio Francisco; CARVALHO, Juliano Maurício. O novo rádio: cenários da radiodifusão na era digital. São Paulo: Editora Senac, 2010. p. 203-238.

 

MORAN, José Manuel. Mudanças na comunicação pessoal. São Paulo: Paulinas, 1998.

 

__________. Mudar a forma de ensinar e de aprender. In: Revista Interações, São Paulo, 2000. vol. 5, nº 9, jan/jun 2000, p.57-72

 

PARADA, Marcelo. Rádio: 24 horas de Jornalismo. São Paulo: Editora Panda, 2000.

 

SOARES, Ismar de Oliveira. Educomunicação: um campo de mediações. Revista Comunicação & Educação. São Paulo: Segmento/ECA/USP, n. 19, ano 7, p.12-24, set/dez 2000.