Empreendedorismo: Dando Asas ao Espírito Empreendedor
P a R T e
III
PLANEJANDO
O VÔO
CAPÍTULO 7 O
PLANO DE NEGÓCIO
CAPÍTULO 8 DEFININDO MISSÃO, VISÃO, VALORES,
OBJETIVOS E ESTRATÉGIA
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C A P Í T U L O
7
O PLANO DE
NEG ÓCIO
■ A necessidade de um plano de negócio
■ Pondo as cartas na m esa
■ Com o elaborar o plano de negócio
■ Utilidades do plano de negócio
Para ser bem -sucedido, o em preendedor precisa planej ar o seu negócio.
Im provisar j am ais. Saltar no escuro não é exatam ente um a boa pedida.
Em preendedores tendem a negligenciar o estágio de planej am ento sej a pela ansiedade em iniciar o novo negócio, sej a pela descrença no instrum ento ou m esm o pela desinform ação sobre com o elaborar um planej am ento.
Planej ar signifi ca estudar antecipadam ente a ação que será realizada ou colocada em prática e quais os obj etivos que se pretende alcançar. Visa proporcionar condições racionais para que a em presa sej a organizada e dirigida com base em certas hipóteses a respeito da realidade atual e futura. Se o futuro vai chegar — e ele chega de qualquer m aneira —, por que deixar que ele surj a sem que se estej a devidam ente preparado para enfrentá-lo, a ponto de se im provi-sar soluções repentinas e apressadas, que nem sem pre são as m elhores ou m ais adequadas à nova situação?
O planej am ento produz um resultado im ediato: o plano. Todos os planos têm um propósito com um : a previsão, a program ação e a coordenação de um a seqüência lógica de eventos, os quais, se bem -sucedidos, deverão conduzir ao alcance do obj etivo que se pretende. Geralm ente, um plano é um curso predeterm inado de ação sobre um período especifi cado de tem po e proporciona respostas às seguintes questões: o que, quando, com o, onde e por quem . Na verdade, é um a tom ada antecipada de decisões sobre o que fazer, Chiavenato_Book.indb 131
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antes de a ação ser necessária. Planej ar consiste em sim ular o futuro desej ado e estabelecer previam ente os cursos de ação exigidos e os m eios adequados para atingi-los.
O planej am ento é um a relação entre coisas a fazer e o tem po disponível para realizá-las. Com o o passado j á se foi e o presente vai andando, é com o futuro que o planej am ento se preocupa. O planej am ento pode ser aplicado a qualquer atividade. Existe o planej am ento físico (para lidar com arranj os espa-ciais ou físicos, com o localização de fábricas ou de equipam entos, arranj o de loj as, escritórios ou agências bancárias), o planej am ento fi nanceiro, o planej am ento orçam entário etc. O planej am ento global é um a com binação de todos os planos existentes na em presa e é o processo que am arra todos os seus planos internos ao esquem a m aior.
A NECESSIDADE DE UM PLANO DE NEG ÓCIO
Se você pretende abrir um novo negócio, precisa ter algum proj eto em m ente para colocá-lo em prática. É com o se você quisesse fazer um a longa viagem de carro por vários estados do país: você precisa de um roteiro, de um m apa detalhado, de um proj eto e de um cronogram a para guiá-lo nessa em preitada. No caso da abertura de um negócio, a viagem é bem m ais longa e com plicada, além de estar suj eita a problem as de travessia, chuvas e tro-voadas. O roteiro do plano de negócio não elim ina os possíveis erros, m as aj uda a enfrentá-los e a direcionar m elhor os esforços. Além disso, um bom plano de negócios é um instrum ento que aj uda a atrair investidores, fornecedores e parceiros.
Mas o que é um plano de negócios?
O plano de negócio — business plan — descreve a idéia de um novo em preendim ento e proj eta os aspectos m ercadológicos, operacionais e fi nanceiros dos negócios propostos, geralm ente, para os próxim os três ou cinco anos.
Seu preparo perm ite a análise da proposta e aj uda o futuro em preendedor a evitar um a traj etória decadente que o levará do entusiasm o à desilusão e ao fracasso. O Sebrae desenvolveu um esboço de plano de negócio para aj udar os futuros em preendedores que ali procuram socorro. O Quadro 7.1 a seguir m ostra os seus itens principais.
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Quadro 7.1 Roteiro esquem atizado para o proj eto do negócio, segundo o Sebrae Plano de negócio
1. Ram o de atividade:
• Por que escolheu este negócio?
2. Mercado consum idor:
• Quem são os clientes?
• O que tem valor para os clientes?
3. Mercado fornecedor:
• Quem são os fornecedores de insum os e serviços?
4. Mercado concorrente:
• Quem são os concorrentes?
5. Produtos/serviços a serem ofertados:
• Quais são as características dos produtos/serviços?
• Quais são os seus usos m enos evidentes?
• Quais são as suas vantagens e desvantagens diante dos concorrentes?
• Com o criar valor para o cliente por m eio dos produtos/serviços?
6. Localização:
• Quais são os critérios para a avaliação do local ou do “ponto”?
• Qual é a im portância da localização para o seu negócio?
7. Processo operacional:
• Com o sua em presa vai operar etapa por etapa? (Com o fazer?)
• Com o fabricar?
• Com o vender?
• Com o fazer o serviço?
• Qual trabalho será feito? Quem o fará? Com que m aterial? Com que equipam ento?
• Quem tem conhecim ento e experiência no ram o?
• Com o fazem os concorrentes?
8. Previsão de produção, previsão de vendas ou previsão de serviços:
• Qual é a necessidade e a procura do m ercado?
• Qual é a sua provável capacidade de produção?
• Qual é a disponibilidade de m atérias-prim as e de insum os básicos?
• Qual é o volum e de produção/vendas/serviços que você planej a para seu negócio?
9. Análise fi nanceira:
• Qual é a estim ativa da receita da em presa?
• Qual é o capital inicial necessário?
• Quais são os gastos com m ateriais?
• Quais são os gastos com pessoal de produção?
• Quais são os gastos gerais de produção?
• Quais são as despesas adm inistrativas?
• Quais são as despesas de vendas?
• Qual é a m argem de lucro desej ada?
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PONDO AS CARTAS NA MESA
O plano de negócio m ovim enta todos os aspectos do novo em preendim ento. Ele representa um levantam ento exaustivo de todos os elem entos que com põem o negócio, sej am internos — o que deverá ser produzido, com o, onde, quanto — sej am externos — para quem produzir, qual é o m ercado, quais são os concorrentes etc.
Em princípio, o plano de negócio procura responder a algum as perguntas fundam entais, que estão listadas no item “A viabilidade fi nanceira do negócio”
do Capítulo 4.
Vej a, na Figura a seguir, as etapas para a preparação de um plano de negócios.
• Perfil do cliente
Faça um a análise com pleta
• Características do m ercado
do setor em que a nova
• Características da concorrência
em presa irá funcionar:
• Cenário econôm ico, social e tecnológico
Faça um levantam ento
• Características do produto/serviço a ser ofertado com pleto sobre as
• Preço e condições de venda
características do novo
• Form atação j urídica do em preendim ento
em preendim ento:
• Estrutura organizacional
• Definição da m issão, da visão e dos valores
Elabore um plano
• Definição do negócio
estratégico para o novo
• Determ inação dos obj etivos estratégicos de
em preendim ento:
longo prazo
• Estabelecim ento da estratégia do negócio
• Previsão de vendas
Elabore um plano
• Planej am ento da produção
operacional para o novo
• Previsão de despesas gerais e fluxo de caixa
em preendim ento:
• Balancete sim ulado
Faça um resum o executivo
• Condensação e resum o de todas as inform ações
das inform ações:
acim a relatadas
Revise cuidadosam ente
• Relação de todos os custos, preços, previsões e
todo o conj unto para
despesas que com põem o plano para verificar
obter consonância:
sua viabilidade e confiabilidade
Figura 7.1 Passos necessários para elaborar o plano de negócio.
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Amplie continuamente o seu negócio
1. Defi na seu produto/serviço do m odo m ais detalhado possível.
2. Procure identifi car um a característica diferencial para seu
produto/serviço.
3. Focalize o m ercado-alvo. Observe os lim ites do m ercado, sej a do ponto de vista geográfi co, sej a do ponto de vista do perfi l dos clientes.
4. Busque várias alternativas e opções para colocar seu produto/serviço no m ercado: shopping centers, loj as, revendedores, vendas por telefone, m arketing direto, internet etc.
5. Se você pretende ser um com erciante e quer vender um determ inado produto, é necessário decidir entre produzi-lo ou consegui-lo com um fornecedor.
6. Ponha no papel todos os aspectos necessários para tocar a sua atividade: instalações, espaço físico, equipam entos, investim entos e, sobretudo, equipe de trabalho.
7. Adote um a postura de crítica sistem ática: sej a crítico em relação ao seu proj eto e procure encontrar e solucionar possíveis falhas. Mais que isso, nunca se satisfaça com o padrão de excelência alcançado. Você pode sem pre m elhorar seu negócio.
COMO ELABORAR O PLANO DE NEG ÓCIO
Todo novo em preendim ento deve ser visualizado do ponto de vista de um plano de negócio com pleto e que contenha todos os elem entos im portantes para caracterizá-lo adequadam ente. O plano deve trazer a descrição do setor, a natureza j urídica do negócio, a estrutura organizacional da em presa, os relatórios fi nanceiros sim ulados, um plano estratégico e um plano operacional.
Na verdade, a elaboração com pleta de um plano de negócio para um a em presa de grande porte está acim a dos obj etivos deste livro introdutório, m as o em preendedor deve ter plena consciência da im portância do processo de planej am ento.
A seguir, apresentam os o m odelo de um plano de negócio com posto de sete partes básicas envolvendo um sum ário executivo, um a análise com pleta e Chiavenato_Book.indb 135
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detalhada do setor em que a m icroem presa vai operar e um resum o sobre as características do negócio com sim ulações fi nanceiras e planos estratégico e operacional do negócio.1
1. Sum ário executivo:
■ texto de um parágrafo sobre a natureza do negócio e os aspectos m ais im portantes do em preendim ento; inclui m issão e visão do negócio;
■ texto de um parágrafo sobre as necessidades que a em presa vai atender no m ercado; inclui o papel do em preendim ento em relação à responsabilidade social;
■ resum o das características do m ercado em que a em presa vai operar; m ostra com o o m ercado está se com portando em relação ao produto/serviço a ser oferecido;
■ breve relatório sobre os sócios do em preendim ento;
■ breve relatório sobre os recursos fi nanceiros necessários.
2. Análise com pleta e detalhada do setor:
■ principais características do setor; inclui as variáveis econôm icas, sociais, dem ográfi cas e políticas que infl uenciam o m ercado;
■ oportunidades encontradas no m ercado;
■ identifi cação dos fornecedores de entradas (m atérias-prim as, dinheiro e crédito, tecnologia, m ão-de-obra etc.).
3. Natureza j urídica e estrutura organizacional da em presa:
■ currículo dos sócios do em preendim ento que contenha a form ação e as com petências pessoais de cada um ;
■ funcionários necessários para o em preendim ento estabelecendo o perfi l profi ssional e técnico de cada um .
4. Sim ulação de relatórios fi nanceiros:
■ balanço de abertura da em presa;
■ previsão de receitas, fl uxo de caixa e balanço para o período coberto pelo planej am ento.
1 WILLIAMS, Edward E.; THOMPSON, Jam es R.; NAPIER, H. Albert. Plano de negócios: 25 princípios para um planej am ento consistente. São Paulo: Publifolha, 2002. p. 26-27.
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5. Plano estratégico:
■ defi nição da m issão e da visão da em presa;
■ defi nição do negócio;
■ estabelecim ento dos obj etivos específi cos da em presa;
■ defi nição da estratégia da em presa;
■ declaração de prem issas do planej am ento;
■ estabelecim ento dos obj etivos estratégicos de longo prazo.
6. Plano operacional:
■ previsão de vendas;
■ planej am ento da produção;
■ orçam ento de despesas gerais;
■ previsão do lucro operacional;
■ previsão do fl uxo de caixa e balancete;
■ balanço patrim onial sim ulado;
■ previsão de índices operacionais e fi nanceiros.
7. Apêndices:
■ contatos pertinentes;
■ inform ações técnicas.
A terceira parte do plano deve conter os relatórios fi nanceiros sim ulados.
O balanço de abertura sim ulado deve relacionar os bens patrim oniais e os com prom issos fi nanceiros da em presa no início de suas operações, bem com o o ativo e passivo, os bens nos quais os recursos foram alocados. Se a em presa j á estiver em atividade, o balanço deve refl etir a situação do em preendim ento no início do período abrangido pelo plano. A previsão de receita e o fl uxo de caixa podem ser alterados com base nos obj etivos da em presa.
Os banqueiros e capitalistas de risco exigem um plano de negócio para aprovar em préstim os ou fi nanciam entos para todo e qualquer novo em preendim ento. Muitos candidatos a sócios querem analisar o plano de negócio para avaliá-lo e decidir sobre sua participação. Relatórios fi nanceiros sim ulados são im portantes para que tanto investidores com o sócios saibam antecipadam ente quais serão os futuros desdobram entos do em preendim ento. De qualquer m aneira, o novo negócio precisa ter um a form a específi ca e ser bem adm inistrado para alcançar o sucesso. O plano de negócio deve ser sim ultaneam ente conciso e abrangente de tal m aneira que quem o leia e o analise tenha um a idéia com pleta do em preendim ento.
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Contudo, o plano de negócio é um proj eto a ser im plem entado e desenvolvido. Não se deve esquecer que as pessoas ocupam um papel determ inante na realização do plano e no sucesso de um em preendim ento. Daí a vantagem de incluir os currículos profi ssionais dos sócios em preendedores.
Um exemplo de plano de negócio
Resum o executivo
■ Descrição da atividade:
Com ércio de roupas fem ininas.
■ Localização:
São Paulo.
■ Sócios:
José Paulino e Márcia Nogueira.
■ Equipe de trabalho:
Três vendedoras.
■ Mercado:
O público-alvo é com posto de consum idoras de classe alta e m oradoras da capital paulista. A loj a m ais próxim a fi ca a 5 km de distância.
■ Instalações:
A loj a tem 650 m 2 em ponto de excelente localização.
■ Nom e da loj a:
La Bella Donna.
■ Faturam ento:
Estim ativa de R$ 600 m il para o prim eiro ano e de R$ 900 m il para o segundo ano.
■ Financiam ento:
O capital necessário é estim ado em R$ 300 m il, dos quais os sócios contam com R$ 150 m il. O restante será integralizado por m eio de fi nanciam ento bancário de R$ 100 m il fi nanciados em dois anos, m ais um investim ento inicial de R$ 50 m il para form ação de estoque.
■ Cronogram a:
O início das atividades será em j unho, para ofertar m oda típica de inverno. O
pedido dos produtos será feito com antecedência de 60 dias.
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■ Introdução:
O obj etivo é m ontar um a loj a de roupas fem ininas em bairro de classe A. Os produtos oferecidos se diferenciam pela alta qualidade para clientes de alto poder aquisitivo. O obj etivo deste plano de negócio é obter recursos fi nanceiros para a im plantação do em preendim ento.
■ Pesquisa de m ercado:
Durante sua longa experiência no setor, os sócios perceberam que a m aior parte das clientes de alto nível se desloca até outros bairros para encontrar boas loj as de roupas. A pesquisa de m ercado constatou que existe forte expectativa para um a loj a desse nível no bairro. Além disso, o m ercado abrange clientes de bairros próxim os. A concorrência direta de loj as sim ilares é m uito pequena. Os principais concorrentes atuam em outros bairros da capital. O preço está aj ustado a um público com alto poder aquisitivo, que se preocupa m ais com estilo, qualidade e caim ento que apenas com o preço das roupas.
■ Instalações:
O em preendim ento requer um a loj a a ser alugada com cerca de 650 m 2 no bairro de Moem a. Quatro im óveis estão sendo cogitados e a previsão do fl uxo de caixa será condizente com o aluguel e im postos. Os proprietários propõem um contrato de locação de três anos.
■ Gerenciam ento:
A loj a fi cará sob a gestão direta dos dois sócios. José Paulino é engenheiro quím ico e possui am pla experiência no setor de tecidos e tecelagem . Márcia Nogueira é m odelista e recebeu o Prêm io Nacional por seus trabalhos no setor.
■ Equipe:
É form ada por três vendedoras a serem recrutadas, selecionadas e treinadas com 60 dias de antecedência à abertura da loj a.
■ Fornecedores:
Márcia Nogueira participou de várias feiras de m oda e conhece profundam ente o m ercado fornecedor. Os principais fornecedores oferecem prazo de 30 dias. Esse crédito está previsto no planej am ento de fl uxo de caixa.
■ Aspectos j urídicos:
A sociedade será de responsabilidade lim itada, com capital inicial acim a m encionado, com participação de 50% para cada sócio.
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■ Anexos:
Utilização do capital inicial
Proj eção de lucros e perdas
UTILIDADES DO PLANO DE NEG ÓCIO
O plano de negócio é um proj eto indispensável para defi nir os rum os atuais e futuros do novo em preendim ento. As utilidades do plano de negócio são m uitas, estas são algum as:
■ cobre todos os aspectos internos e externos do negócio;
■ abrange todos os aspectos atuais e futuros do negócio; funciona com o um a visão integrada e sistem atizada do negócio;
■ serve com o um guia abrangente para a condução do negócio;
■ inform a o m ercado — principalm ente investidores, bancos e fi nanceiras — a respeito do negócio;
■ divulga aos parceiros internos e externos as características do negócio;
■ funciona com o um m eio de avaliação dos desdobram entos do negócio.
Na verdade, o plano de negócio perm ite m elhores condições para planej ar, organizar, dirigir, avaliar e controlar o negócio. Em outras palavras, ele serve para retratar o início, o m eio e o fi m de um em preendim ento. É im prescindível fazer revisões contínuas no plano de negócio para m antê-lo atualizado e dinâ-
m ico. Lem bre-se de que ele se assem elha a um plano de vôo: indica o início, o m eio e o fi m de um a viagem e deve levar em conta todos os acidentes de per-curso, a infl uência do clim a externo e as possíveis turbulências do cam inho.
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DEFININDO MISSÃO,
VISÃO, VALORES,
OBJETIVOS E ESTRATÉG IA
■ Defi nindo a m issão do negócio
■ Defi nindo a visão de futuro
■ Defi nindo os obj etivos globais do negócio
■ Defi nindo a estratégia do negócio
Todo negócio tem um a m issão a cum prir. Deve ter um a visão do futuro que o norteie. Deve defi nir os valores que pretende consagrar. Tudo isso precisa ser m uito claro para que todos os grupos de interesse saibam exatam ente o que fazer, com o, quando e onde. Conceitos com o m issão, visão, valores e obj etivos globais são fundam entais para nortear os rum os do negócio.
Quando todos esses conceitos são bem defi nidos e estabelecidos, o negócio se torna m ais racional, um a vez que todas as decisões e ações são regidas e orientadas para o alcance de determ inados fi ns que se tem em vista. A racionalidade decorre da escolha dos m eios certos para atingir determ inados fi ns.
Toda em presa tem a sua racionalidade. Se os fi ns são econôm icos — com o lucro ou, sim plesm ente, o ganho fi nanceiro —, os m eios devem se aj ustar a um a racionalidade econôm ica. Se os fi ns são legais — com o a escolha da m elhor com posição j urídica para o negócio —, os m eios devem se aj ustar a um a racionalidade legal. E assim por diante. Se o novo negócio pretende utilizar um a tecnologia sofi sticada para aum entar sua efi ciência e efi cácia, os m eios devem se aj ustar a um a racionalidade técnica ou tecnológica. Um a vez defi nida a m issão, a visão, os valores e obj etivos globais, o passo seguinte é defi nir a estratégia para conduzir esses aspectos em direção ao alcance dos obj etivos estabelecidos.
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DEFININDO A MISSÃO DO NEG ÓCIO
Missão signifi ca a razão de ser do próprio negócio. Por que ele foi criado.
Para que ele existe. O em preendedor pode abrir um negócio por m uitas razões diferentes. Algum as dessas razões são positivas e construtivas: prestar um novo e diferente serviço à sociedade, satisfazer novas expectativas dos consum idores, aproveitar e increm entar novas tecnologias, aj udar a com unidade em determ inados setores m ais carentes, expressar criatividade e inovação ou investir a poupança em um negócio rentável. Outras razões são fugidias: um m eio de se livrar de um em prego desagradável, pagar m enos im postos, fi car m enos tem po em casa ou sim plesm ente ter o que fazer.
A m issão da em presa sem pre está centrada na sociedade. Em síntese, a m issão da em presa defi ne os produtos/serviços, os m ercados e a tecnologia, refl etindo os valores e as prioridades do negócio.
Assim , o m ercado, os produtos/serviços e a tecnologia — o m odo de fazer as coisas — quase sem pre são considerados os três com ponentes indispensáveis na form ulação da m issão da em presa. São os três com ponentes econôm icos que guiam a direção estratégica de quase todos os negócios viáveis, defi nindo as atividades da organização no presente e o potencial futuro do negócio.
Tecnologia:
m odo de fazer
(com o fazer)
Qual é o
negócio da
em presa?
Missão
Produtos/serviços
da em presa
(o que fazer)
Qual é o cliente
e o que tem
valor para ele?
Mercado
(para quem fazer)
Figura 8.1 A m issão da em presa e seus desdobram entos.
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DEFININDO MISSÃO, VISÃO, VALORES, OBJETIVOS E ESTRATÉGIA 143
Assim , a m issão da em presa está voltada para a defi nição do negócio e do cliente, a fi m de saber o que fazer (produto/serviço), com o fazer (tecnologia a ser utilizada) e para quem fazer (m ercado).
O sim ples desej o de ter um negócio próprio ou de obter lucro com um determ inado negócio não j ustifi ca a existência de um a em presa nem é sufi -
ciente para que ela alcance sucesso. É necessário m uito m ais do que isso. O
lucro é um a decorrência do negócio e não deve ser considerado um a m issão ou um obj etivo global do negócio. Lucro não é m issão, m as pode ser um obj etivo im portante ou um a decorrência fundam ental do negócio. Ninguém trabalha de graça. Sem dúvida, é necessária um a forte m otivação econôm ica focada em ganhos fi nanceiros, m as ela não deve ser o elem ento determ inante de um novo negócio. Para prosperar, um a em presa precisa produzir bens e serviços que os clientes se interessem em com prar em quantidades sufi cientes e a determ inados preços. Preço, qualidade, concorrência e confi abilidade são aspectos fundam entais em qualquer negócio. A prim eira preocupação que o em preendedor precisa ter quando pretende abrir um novo negócio — ou m esm o dar-lhe continuidade — é defi nir por que sua em presa precisa existir.1 Convém expor essas razões por escrito em um texto curto e sim ples, capaz de refl etir suas idéias, para que todas as pessoas possam conhecê-las. Em seus contatos e reuniões com os parceiros, o em preendedor deve sem pre relem brar a m issão do negócio.
Insistir sem pre nesse assunto: qual é a nossa m issão. Por essa razão, o em preendedor deve trabalhar com o um m issionário, tendo sem pre a m issão do negócio em sua cabeça e em seu coração. E, se possível, com a m issão do negócio na cabeça e no coração de seus parceiros. A m issão é o DNA do negócio.
Além de explicitada, m uitas vezes, a m issão organizacional precisa ser detalhada. Vasconcelos e Pagnoncelli2 dão o exem plo da m issão de um a em presa cham ada Nansen Instrum entos de Precisão, que é oferecer soluções em m ecânica de precisão, m edição e controle por m eio de produtos/serviços com tecnologia e qualidade que assegurem a satisfação do cliente. Essa defi nição é assim destrinchada:
■ oferecer: ir ao encontro do cliente com atitude proativa e antecipató-
ria;
■ soluções: respostas da em presa às necessidades do cliente; 1 CHIAVENATO, Idalberto. op. cit., 2000.
2 VASCONCELOS; PAGNONCELLI, op. cit. 2001, p. 92.
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Quadro 8.1 Alguns exem plos de m issão organizacional Empresa
Propósito organizacional (missão)
Servir alim entos de qualidade com rapidez e sim patia, em um McDonald's
am biente lim po e agradável
Assegurar que as pessoas do m undo todo cresçam , vivam bem e Danone
sej am providas diariam ente com alim entos cada vez m elhores, de diversos sabores, visando um a saúde m elhor
Hospital das
Salvar vidas
Clínicas de São Paulo
Ser um a universidade contem porânea, pública e autônom a, que garanta a form ação do cidadão com o intelectual e ser Universidade
social, voltada para a produção e a transm issão do de Brasília (UnB)
conhecim ento, com qualidade para proj etar a sociedade para o futuro
Prom over a m elhoria contínua da qualidade de
Caixa Econômica
vida da sociedade por m eio da interm ediação de
Federal (CEF)
recursos financeiros
Participar ativam ente do desenvolvim ento e da m odernização do país pela incorporação de soluções tecnológicas criativas, Instituto Nacional
atividades de produção e gestão de bens e serviços, de Tecnologia (INT)
contribuindo para a m elhoria da qualidade de vida da sociedade
Disney
Divertir e alegrar as pessoas
Dar às pessoas com uns a oportunidade de com prar as Wal-Mart
m esm as coisas que os m ais abastados
Viver a alegria do avanço e usar a tecnologia em benefício do Nike
público
Transform ar a inform ação em conhecim ento;
Revista Exame
dar sentido a fatos aparentem ente desconexos, antecipar idéias e conceitos
Editora Senac
Dissem inar conhecim entos na form a de livros e vídeos Desenvolver pessoas e organizações para o m undo do Senac
trabalho por m eio de ações educacionais
Produzir autom óveis que as pessoas desej em com prar e que Fiat
tenham orgulho de possuir
Solucionar problem as que não são solucionados, de m aneira 3M
inovadora
Fonte: Baseado em VASCONCELOS Filho, Paulo de; PAGNONCELLI, Dernizo. Construindo estratégias para vencer: um m étodo prático, obj etivo e testado para o sucesso da sua em presa. Rio de Janeiro: Cam pus, 2001. p. 95-124.
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DEFININDO MISSÃO, VISÃO, VALORES, OBJETIVOS E ESTRATÉGIA 145
■ mecânica de precisão: transform ação de m ateriais em produtos de precisão por m eio de processos m ecânicos;
■ medição: determ inação de um valor pela com paração com um pa-drão;
■ controle: atuação no processo a fi m de garantir os resultados esperados;
■ serviços: atividades que fazem parte das soluções oferecidas ao cliente;
■ tecnologia: conj unto de conhecim entos utilizados para gerar produtos/serviços.
É necessário que a m issão sej a assim ilada e com preendida de um a m aneira uniform e por toda a equipe da em presa, a fi m de que haj a consonância e convergência. Quanto m aior a equipe, tanto m aior a necessidade do detalham ento da m issão.
A missão organizacional também evolui
Já tratam os anteriorm ente da criação da Federal Express (FedEx). Quando Sm ith inventou a com panhia, ele estava preocupado em oferecer um serviço de m alote capaz de funcionar no overnight. Algo com o “entregue hoj e e am anhã a encom enda estará nas m ãos do destinatário até as dez horas da m anhã”. Para tanto, Sm ith integrou todo um esquem a de logística — áreas de recepção e entrega, aviões, cam inhões, rastreadores eletrônicos, um poderoso sistem a de inform ação etc. — para operar a com panhia. A m issão original era a de assegurar a rem essa de encom endas. A idéia era oferecer ao cliente total confi abilidade quanto a prazos e entregas. Hoj e, a FedEx é um a em presa bem -sucedida. Sm ith está continuam ente analisando o seu negócio e chegou à conclusão de que a m issão da em presa é deixar tranqüilo e sossegado o cliente que lhe confi ar um a encom enda. Em outras palavras, o negócio da FedEx passou a ser a tranqüilidade. Algo com o o Sedex 10, que a Em presa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT) está oferecendo ao m ercado brasileiro.
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146 PLANEJANDO O VÔO
DEFININDO A VISÃO DE FUTURO
Enquanto a m issão se refere à essência do negócio e da sua própria razão de ser e de existir, a visão está focada no futuro e no destino. A visão é a im agem que o em preendedor tem a respeito do futuro do seu negócio. É o que ele pretende que o negócio sej a dentro de um certo horizonte de tem po.
O em preendedor não deve tocar o seu negócio a esm o, ao sabor dos ventos. É preciso ter um direcionam ento, um a idéia de futuro, quase um sonho a ser realizado e transform ado em um em preendim ento saudável e bem -sucedido. Para tanto, é preciso enxergar longe, rum o ao futuro pretendido. A visão de futuro consiste em olhar para o horizonte e visualizar qual é a im agem que se tem da em presa quando se chegar lá. Isso perm ite que o em preendedor estabeleça obj etivos e m etas, indicadores de desem penho e m ensuradores de resultados futuros para saber se está ou não alcançando aquilo que proj etou. Assim , a visão é o com ponente que perm ite desdobrar os obj etivos a serem alcançados.
Quadro 8.2 Um a
defi nição da visão em presarial
O que queremos
O que queremos
Nosso perfil hoje
para o próximo ano
para daqui a dois anos
Ser um a das m elhores
Um a em presa que publica
Ser a m elhor revista de
revistas de m oda fem inina
revistas de m oda fem inina
m oda fem inina do país
do país
Alcançar um a circulação
Nossa circulação m ensal é
Um a circulação m ensal de
m ensal de 100.000
de 50.000 exem plares
70.000 exem plares
exem plares
Tem os 30.000 assinantes
Alcançar 50.000 assinantes
Chegar a 90.000 assinantes
cadastrados
cadastrados
cadastrados
Fazem os propagandas para
Fazer propaganda para
Fazer propaganda para 90
cerca de 20 em presas do
cerca de 40 em presas do
em presas do ram o da m oda
ram o de m oda fem inina
ram o da m oda fem inina
fem inina
Nosso faturam ento m ensal
Alcançar um faturam ento
Atingir um faturam ento
bruto é de R$ 500 m il
de R$ 700 m il
de R$ 900 m il
Utilizam os tecnologia
Usar tecnologia gráfica de
Usar tecnologia gráfica de
gráfica de terceira geração
quarta geração
quinta geração
Nossa produtividade atual
Chegar a um a produtividade
Manter um a produtividade
é de 80%
de 90%
de 95%
Nossa rentabilidade atual
Chegar a um a rentabilidade
Manter um a rentabilidade
sobre o patrim ônio é de 12%
de 15%
de 18%
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DEFININDO MISSÃO, VISÃO, VALORES, OBJETIVOS E ESTRATÉGIA 147
Quanto m ais o em preendedor divulga a visão de futuro do seu negócio, tanto m ais seus parceiros e colaboradores entenderão exatam ente o que devem fazer para chegar lá e aj udar a em presa a alcançar seu sucesso. O em preendedor precisa transm itir o que tem em m ente para o seu negócio e a visão constitui a im agem m ais apropriada para isso. Por essa razão, o em preendedor deve trabalhar com o um visionário, alguém dotado de um a im agem m ental do que deverá ser seu em preendim ento ao longo do tem po. É para essa direção que o negócio deve cam inhar com toda a força e os esforços conj ugados. A visão funciona com o um a bússola para os parceiros envolvidos. Além disso, a visão tira a em presa da cham ada zona de conforto, que é a gradativa acom odação profi ssional que caracteriza certos negócios.
Quadro 8.3 Diferenças entre m issão e visão
Missão
Visão
• Inclui o negócio da em presa
• É o sonho no negócio
• É o ponto de partida
• É o lugar para onde vam os
• É o docum ento de identidade da em presa
• É o passaporte para o futuro
• Identifica “quem som os”
• Proj eta “quem desej am os ser”
• Dá o rum o à em presa
• Fornece energia para a em presa
• É orientadora
• É inspiradora
• Tem o foco do presente para o futuro
• Tem o foco no futuro
• Tem vocação para a eternidade
• É m utável, conform e os desafios
Fonte: VASCONCELOS; PAGNONCELLI, 2001, op. cit. p. 225.
Todavia, não basta apenas defi nir a m issão e a visão. É preciso ir m ais além e divulgá-las de m aneira intensa e am pla para toda a equipe da em presa.
Para que serve a visão do negócio? 3
Vasconcelos Filho e Pagnoncelli asseguram que a explicitação da visão do negócio traz os seguintes benefícios:
■ increm enta a parceria entre a em presa e o em pregado na construção do futuro;
3 VASCONCELOS; PAGNONCELLI, 2001, op. cit. p. 227.
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148 PLANEJANDO O VÔO
■ prom ove continuam ente a inovação;
■ levanta um a bandeira de iniciativa e responsabilidade;
■ funciona com o um a bússola para a equipe;
■ reduz a dependência dos funcionários em relação aos líderes ou gênios da em presa — proporciona autonom ia e fi rm eza;
■ tira a em presa da zona de conforto e de acom odação — prom ove a m udança;
■ m otiva e inspira a equipe.
DEFININDO OS OBJETIVOS G LOBAIS DO NEG ÓCIO
Do conceito de visão organizacional decorrem os obj etivos globais da em presa. Com um ente, o m ercado fala em obj etivos, m etas e resultados. Há um a certa confusão em relação a esses term os, que são utilizados de m aneira indiscrim inada. Obj etivos são estados desej áveis que se pretende alcançar e realizar. Enquanto o obj etivo não é alcançado, constitui um alvo, um a m eta; quando é atingido, deixa de ser algo desej ável para se tornar um a realidade e, nesse m om ento, deve-se defi nir outro obj etivo, provavelm ente m ais desafi ador e com plexo do que o anterior.
Os obj etivos básicos de um negócio podem ser assim expressos:
■ o lucro é a força m otivadora do em preendedor;
■ o serviço ao cliente e a oferta de valores econôm icos desej ados (bens ou serviços) j ustifi cam a existência do negócio;
■ existe a responsabilidade social de acordo com os códigos éticos e m orais estabelecidos pela sociedade na qual a em presa opera.
Todo obj etivo deve ser form ulado de m aneira abrangente para estim ular a criatividade e, ao m esm o tem po, de m aneira restrita para oferecer um a dire-
ção ao negócio. Na prática, toda em presa tem um a variedade de obj etivos: fi-
nanceiros, com erciais, adm inistrativos, tecnológicos, sociais, com unitários etc.
Alguns são convergentes entre si e cada obj etivo auxilia o alcance de outro: obj etivos de propaganda e venda se aj udam m utuam ente. Quanto m ais se anuncia um produto, m ais a venda tende a crescer. Outros obj etivos são totalm ente divergentes e cada um deles atrapalha ou im pede o alcance de outro: reduzir custos e aum entar benefícios do pessoal são obj etivos incom patíveis entre si. A redução de custos im plica dim inuição de benefícios e o aum ento de benefícios Chiavenato_Book.indb 148
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DEFININDO MISSÃO, VISÃO, VALORES, OBJETIVOS E ESTRATÉGIA 149
im plica am pliação de custos. Assim , m uitas em presas pretendem alcançar obj etivos discordantes — que m ais se antagonizam e com petem entre si do que se aj udam de m aneira cooperativa ou colaborativa.4 O efeito decorrente é tipica-m ente oposto: cada obj etivo cam inha para um lado e nenhum aj uda os dem ais.
Resultado: a efi ciência e a efi cácia da em presa se perdem .
Para colocar as coisas em ordem , m uitas em presas defi nem hierarquias de obj etivos de acordo com suas prioridades e im portâncias relativas. Geralm ente, as em presas defi nem três tipos de obj etivo:
1. Objetivos globais ou estratégicos: são os obj etivos m ais im portantes da em presa. São globais porque envolvem a em presa com o um todo e se estendem a longo prazo. Por essa razão, são alcançados em períodos de tem po m ais dilatados e requerem um esforço integrado e coeso de toda a em presa. Em geral, os obj etivos globais envolvem um período de três a cinco anos. Exem plo: ter, em até 24 m eses, cerca de um m ilhão de clientes ou produzir um m ilhão de garrafas por m ês, ou ainda aum entar em 25% o faturam ento da em presa.
2. Objetivos táticos ou departamentais: são os obj etivos de cada divisão ou departam ento da em presa. Podem ser obj etivos fi nanceiros (lucro anual, orçam ento anual, despesas fi nanceiras m ensais, custo m ensal das vendas), m ercadológicos (vendas, faturam ento m ensal, participa-
ção no m ercado), adm inistrativos (despesas adm inistrativas, aum ento da efi ciência e da produtividade), de produção (produção m ensal, custos industriais m ensais, produtividade das m áquinas e equipam entos) etc. São obj etivos de m édio prazo e com um a dim ensão de tem po a m édio prazo. Esse m édio prazo, em geral, é o período contábil de um ano.
3.
Objetivos
operacionais: são os obj etivos de cada tarefa ou atividade da em presa. Referem -se aos obj etivos cotidianos de cada atividade ou produto da em presa, com o produção diária, vendas diárias, estoque diário, tem po m édio de atendim ento ao cliente, porcentagem de visitas com pedidos etc. Exem plo: aum entar o núm ero de vistas a clientes em 5% no próxim o m ês ou reduzir o custo operacional de produção em 3% em dois m eses.
4 CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à teoria geral da administração. Rio de Janeiro: Cam pus, 2000.
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Conform e operam , as em presas podem m udar ou am pliar seus obj etivos, criando novas oportunidades. A m aior parte das em presas de petró-
leo j ulgava que seu obj etivo era perfurar, refi nar ou com ercializar petróleo e derivados, ou as três coisas em conj unto. Atualm ente, essas com panhias consideram -se em presas de energia, fornecendo petróleo, gás, eletricidade, carvão, energia solar e outras form as alternativas de energia. Os bancos transform aram -se em grandes corporações e passaram a oferecer todo tipo de serviço fi nanceiro. Os j ornais estão se aproxim ando cada vez m ais do ram o das com unicações e se distanciando gradativam ente do antigo ram o editorial. Todas essas em presas am pliaram seu cam po de ação para apresentar um crescim ento m aior do que as que continuaram sua defi nição histórica e tradicional.
Quadro 8.4 Exem plos de obj etivos, m eios e indicadores para um hotel Objetivos:
Meios:
Indicadores e medidas:
• Aum ento
• Bom serviço
• Proporção de clientes que retornam
da participação
• Taxa de ocupação
no m ercado
• Retroação inform al
• Moral do pessoal
• Rotatividade do pessoal
• Falta de assiduidade do pessoal
• Retroação inform al
• Estabilidade
• Im agem no m ercado
• Proporção entre preço e retorno
financeira
financeiro
• Participação dos custos no preço
• Lucratividade
• Margem de lucro por cliente
• Lucro operacional bruto
• Tendências dos custos
• Fluxo de caixa
• Força da equipe
• Rotatividade do pessoal
gerencial
• Lucro por área de atividade
• Proporção entre clientes/em pregados
• Retroação inform al
• Satisfação
• Fluxo de caixa
• Taxa de ocupação
dos proprietários
adequado
• Vendas
ou acionistas
• Lucro operacional bruto
• Lucro por divisão ou departam ento
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DEFININDO MISSÃO, VISÃO, VALORES, OBJETIVOS E ESTRATÉGIA 151
Balanced scorecard (BSC)5
O BSC é um a ferram enta adm inistrativa que procura com patibilizar obj etivos diferentes no sentido de integrá-los a um a estratégia em presarial e balancear seu alcance. O BSC parte do princípio de que toda em presa — independentem ente do seu tam anho ou característica do negócio — está focalizada em quatro perspectivas básicas:
■ perspectiva fi nanceira: para analisar o negócio do ponto de vista fi nanceiro; envolve os indicadores e as m edidas fi nanceiras e contábeis e perm ite avaliar a em presa em relação à lucratividade e ao retorno sobre o investim ento;
■ perspectiva do cliente: para analisar o negócio do ponto de vista dos clientes; inclui indicadores e m edidas com o satisfação, participação no m ercado, retenção de clientes e aquisição de clientes potenciais;
■ perspectiva dos processos internos: para analisar o negócio do ponto de vista interno da em presa; inclui indicadores sobre a qualidade intrínseca aos produtos e processos, inovação, criatividade, capacidade de produção, ali-nham ento com as dem andas, logística, qualidade das inform ações, da com unicação interna e das interfaces;
■ perspectiva da aprendizagem/crescimento organizacional: para analisar o negócio do ponto de vista daquilo que é básico para alcançar o futuro com sucesso; considera as pessoas pela capacidade, com petência, m otivação e
empowerment, bem com o os investim entos no seu futuro; essa perspectiva garante a solidez e constitui o valor fundam ental para as organizações de futuro.
A Figura 8.2 dá um a idéia da integração dessas quatro perspectivas.
5 KAPLAN; Robert S.; NORTON, David P. Organização orientada para a estratégia: com o as em presas que adotam o balanced scorecard prosperam no m undo dos negócios. Rio de Janeiro: Cam pus, 2001.
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152 PLANEJANDO O VÔO
Como somos
Finanças
Como atingir
vistos pelos nossos
a visão, mantendo o
acionistas?
Obj etivos
Indicadores
potencial de crescer
e inovar?
Processos internos
Aprendizado / Crescim ento
Obj etivos
Indicadores
Obj etivos
Indicadores
Em que
Clientes
Como somos
devemos ser os
vistos por nossos
Obj etivos
melhores?
Indicadores
clientes?
Figura 8.2 O
balanced scorecard (BSC).
É im portante que cada um desses obj etivos aj ude os dem ais para provocar um a cadeia m ultiplicadora de efeitos sinergísticos. O BSC com eça de baixo para cim a — isto é, da perspectiva de aprendizado e crescim ento para os processos internos, clientes e fi nanças — a fi m de proporcionar um a cadeia crescente de valor, com o m ostra a fi gura a seguir.
Lucro
Perspectiva
financeira
Aum entar o desem penho financeiro
Perspectiva
Melhorar o
Im plantar um sistem a de
dos clientes
atendim ento aos clientes
relacionam ento com clientes
Perspectiva dos
Melhorar os
Im plantar
processos internos
processos internos
novas tecnologias
Perspectiva de
Assegurar treinam ento e
inovação e aprendizado
capacitação para a força de trabalho
Figura 8.3 O m apa da estratégia segundo o BSC.
Fonte: KAPLAN; Robert S.; NORTON, David P. A estratégia em ação: balanced scorecard. Rio de Janeiro: Cam pus, 1997.
O BSC perm ite conj ugar os vários obj etivos em presariais de m aneira que todos saiam ganhando reforço recíproco.
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DEFININDO MISSÃO, VISÃO, VALORES, OBJETIVOS E ESTRATÉGIA 153
DEFININDO A ESTRATÉG IA DO NEG ÓCIO
Defi nida a m issão organizacional, a visão de futuro, os valores fundam entais e os obj etivos, o passo seguinte é defi nir a estratégia capaz de conduzir ao alcance do sucesso planej ado. Assim , a estratégia é o m eio para chegar lá, ou sej a, para transform ar os obj etivos em realidade.
A form ulação da estratégia em presarial é feita por m eio de várias e diferentes análises, com o verem os a seguir. Na verdade, a form ulação faz parte de um todo m aior que denom inam os gestão estratégica. Ela envolve:
■ a defi nição da missão, visão, valores e objetivos globais: são os ingredientes iniciais da gestão estratégica e que lhe dão base para guiar o negócio;
■ os fatores internos da empresa: é a análise interna da em presa, que detecta suas forças e potencialidades — a fi m de utilizá-las e aplicá-
las —, bem com o suas fraquezas e fragilidades — para corrigi-las ou m elhorá-las;
■ os fatores externos do mercado: é a cham ada análise am biental, que focaliza as oportunidades e as am eaças do am biente; pode ser feita por m eio de um a pesquisa do m ercado para identifi car os fatores externos sobre os quais a em presa não tem controle; o em preendedor deve sem pre buscar inform ação sobre os fatores externos em revistas especializadas, publicações do IBGE ou do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvim ento Econôm ico e Social) ou ainda em diversas fontes, com o a internet (o site do Banco do Brasil oferece dados a respeito da conj untura nacional; o Sebrae é um a fonte inigualável de inform ações e assessoria; as delegacias da Receita Federal disponibilizam inform a-
ções sobre im postos e m aterial para seus respectivos recolhim entos);
■ a compatibilização adequada: de um lado, a visão interna da em presa e, de outro lado, a visão externa do am biente fornecem um a idéia de com o adequar e aj ustar a em presa às oportunidades que aparecem no m ercado, bem com o escapar ou isolar-se das am eaças am bientais.
A m atriz SWOT — do inglês strenghness/weakness e opportunities/
threats — fornece um a idéia sobre as forças e as fraquezas em presariais, as oportunidades e as am eaças am bientais, com o m ostra o Quadro 8.5 a seguir.
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154 PLANEJANDO O VÔO
Quadro 8.5 Exem plo de m atriz SWOT
Forças empresariais
Fraquezas empresariais
• Excelente organização interna da em presa
• Pessoal com pouco treinam ento e
• Atendim ento im pecável ao cliente
qualificação
• Alta qualidade do produto/serviço
• Gerenciam ento precário
• Custos operacionais baixos
• Endividam ento exagerado da em presa
• Conhecim ento do m ercado
• Im agem precária no m ercado
• Conhecim ento e experiência do
• Falta de fornecedores adequados
em preendedor
• Infidelidade dos clientes
• Criatividade e inovação da em presa
• Pouco conhecim ento do m ercado
• Capacidade financeira da em presa
• Falta de experiência do em preendedor
• Talentos e com petências dos funcionários
• Dificuldade de com petir com os concorrentes
• Capacidade para oferecer crédito
• Máquinas, equipam entos e tecnologia
aos clientes
inadequados
• Máquinas, equipam entos e tecnologia
• Capital insuficiente
adequados
Oportunidades ambientais
Ameaças ambientais
• Econom ia nacional e global em crescim ento
• Aum ento da inflação e do desem prego
• Am biente político e econôm ico satisfatório
• Dificuldade de obter crédito e financiam ento
• Aum ento da renda per capita da população
• Juros elevados e câm bio instável
• Desenvolvim ento econôm ico e social
• Entrada de novos concorrentes
• Nova tecnologia revolucionária a ser usada
• Mercado consum idor em baixa
• Aum ento das oportunidades de exportação
• Maior im portação de produtos estrangeiros
• Facilidades governam entais para novos
• Aum ento de im postos sobre as em presas
negócios
• Aum ento de im postos sobre pessoas físicas
• Redução dos im postos
• Perda do poder aquisitivo dos clientes
• Oferta de créditos e financiam entos oficiais
• Substituição de produtos/serviços por outros
• Incentivo do governo à pequena e m édia
• Saturação do m ercado
em presa
• Econom ia nacional e global em queda
• Aum ento do poder aquisitivo da população
• Necessidade de produtos/serviços
■ a formulação da estratégia: em virtude de forças e fraquezas da em presa e de oportunidades e am eaças do am biente externo, procura-se o m elhor cam inho para alcançar os obj etivos globais para aproveitar ao Chiavenato_Book.indb 154
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DEFININDO MISSÃO, VISÃO, VALORES, OBJETIVOS E ESTRATÉGIA 155
m áxim o as forças internas e as oportunidades externas e neutralizar as fraquezas internas e as am eaças externas. Trata-se de buscar um a rota entre as vantagens e as restrições, tanto internas com o externas;
■ a implementação da estratégia: defi nida a estratégia em presarial, o passo seguinte é a sua im plem entação, ou sej a, inicia-se processo de ação pelas pessoas que tocam o em preendim ento. Im plem entar um a estratégia é tão im portante e fundam ental quanto form ulá-la. A m aior parte dos desafi os estratégicos decorre da sua im plem entação. Im plem entar signifi ca explicar a todos os parceiros com o tudo vai funcionar, com unicar a m issão, a visão, os valores, os obj etivos globais e quais os cam inhos escolhidos para alcançá-los;
■ a avaliação da estratégia: consiste em acom panhar os resultados da estratégia em presarial e prom over os aj ustes e as correções necessá-
rios para adequá-la às m udanças que acontecem no m eio do cam inho.
Todo planej am ento é feito antes de os eventos ocorrerem e nada é m ais natural do que adequá-lo e aj ustá-lo continuam ente às m udanças que acontecem interna e externam ente durante sua consecução.
Missão do negócio
O que som os?
Visão de futuro
O que querem os ser?
Obj etivos globais
Onde querem os chegar?
Análise interna
Análise am biental
Forças e
Oportunidades
fragilidades
e am eaças
Quais são as nossas vantagens?
da em presa
do am biente
O que o am biente nos oferece?
Tem os desvantagens?
Form ulação da estratégia
O que devem os fazer?
Im plem entação da estratégia
Com o devem os fazer?
Avaliação da estratégia
Com o estam os fazendo?
Figura 8.4 A gestão estratégica da em presa.
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Exemplo de plano estratégico
Um planej am ento estratégico deve conter os seguintes elem entos:
■ Missão da empresa:
a em presa Alpha Ltda. desej a oferecer a Cam pinas (região onde está localizada) rações alim entícias para cães (produto/serviço que será oferecido) de alta qualidade.
■ Visão da empresa:
a Alpha Ltda. pretende, em três anos, tornar-se a m elhor em presa em seu ram o de negócios em Cam pinas.
■ Valores essenciais da empresa:
qualidade, preço, confi abilidade e presteza.
■ Objetivos da empresa:
■ oferecer produtos de alta qualidade;
■ ser reconhecida com o um a em presa ética e socialm ente responsável;
■ oferecer aos investidores um retorno j usto e com pensador do investim ento;
■ proporcionar aos em preendedores a independência pessoal e fi nanceira, bem com o a satisfação por um trabalho bem -feito.
■ Estratégia da Alpha Ltda.:
■ contratar funcionários talentosos e fornecer treinam ento e desenvolvim ento;
■ valorizar e com pensar os funcionários de acordo com a capacidade e a contribuição que dem onstrarem ;
■ desenvolver e m anter um a em presa que conquiste a confi ança do m ercado;
■ defi nir os preços dos produtos em um nível j usto e com petitivo;
■ alcançar um nível de crescim ento e lucratividade que conquiste a po-sição de liderança entre as em presas do setor.
■ Premissas básicas do planejamento:
■ as instalações deverão estar prontas para que as atividades tenham início em j aneiro de 2004;
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DEFININDO MISSÃO, VISÃO, VALORES, OBJETIVOS E ESTRATÉGIA 157
■ os funcionários deverão ser contratados e treinados trinta dias antes do início das atividades;
■ o fi nanciam ento necessário deverá ser integralizado trinta dias antes do início das atividades.
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P A R T E
IV
G ERENCIANDO OS
RECURSOS