Estudos Linguísticos da/na Fronteira Sul

Cláudia Andrea Rost Snichelotto e Mary Neiva Surdi da Luz (orgs.) · Capítulo 11 de 11

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Estudos Linguísticos da/na Fronteira Sul

Sobre os autores

 

Aline Peixoto Gravina é mestre (2008) e doutora (2014) em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Atualmente é professora da Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Chapecó, Santa Catarina, no curso de graduação em Letras e no Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (PPGEL). Foi Vice-Coordenadora (gestão 2017-2019) e atualmente é Coordenadora (gestão 2020-2021) do PPGEL, da UFFS.

Angela Derlise Stübe é mestre (2000) em Letras pela Universidade Federal de Santa Maria e doutora (2008) em Linguística Aplicada pela Universidade Estadual de Campinas. Atualmente, é professora da Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Chapecó, Santa Catarina, no curso de graduação em Letras e no Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (PPGEL). É membro do GT “Práticas Identitárias em Linguística Aplicada”, na ANPOLL, líder do Grupo de Pesquisa “Língua(gem), discurso e subjetividade”, integrante do “Fronteiras: Laboratório de Estudos do Discurso” e foi coordenadora (gestão 2017-2019) do PPGEL, da UFFS.

Cristiane Horst é doutora (2009) em Filologia Românica pela Christian-Albrechts-Universität zu Kiel na Alemanha. É professora da Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Chapecó, Santa Catarina. Atua no curso de licenciatura em Letras Português e Espanhol e Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos. É Vice-Líder do grupo de pesquisa “Atlas das Línguas em Contato na Fronteira”.

 

Ednei de Souza Leal é mestre (2014) em Letras pela Universidade Federal do Paraná e doutorando do Programa de Pós-Graduação em Linguística (PPGL) da Universidade Federal de São Carlos-SP (UFSCar).

Eric Duarte Ferreira é mestre (2007) e doutor (2011) em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina e professor da Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Chapecó, Santa Catarina. Atua no curso de licenciatura em Letras Português e Espanhol e no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Estudos Linguísticos. É membro do Grupo de Pesquisa Língua(gem), Discurso e Subjetividade (UFFS).

Ester Mírian Scarpa é mestre (1976) em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas e doutora (1984) em Linguística pela University of London, com pós-doutorado na Universidade de Oxford (1996), Newcastle (1998) e Reading (1999). Atualmente é professora titular da Universidade Estadual de Campinas. Foi secretária da ABRALIN, de 1977 a 1979, com Carlos Franchi como presidente e Dino Preti como secretário. Foi Coordenadora do GT de Psicolinguística da ANPOLL de 1991 a 1994. Participou do Programa Professor Visitante Nacional Sênior (Edital CAPES Nº 6/2012) no PPGEL de 2012 a 2014.

Fabiane Aparecida Pereira é mestre (2016) em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal da Fronteira Sul e doutoranda em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Atualmente, é professora de língua portuguesa e língua inglesa na rede municipal de ensino em Água Doce-SC. Integra o Grupo de Pesquisa Lingua(gem), discurso e subjetividade.

Irene Cristina Kohler é mestre (2014) em Estudos Linguísticos pela Universidade Federal da Fronteira Sul. Atualmente é professora de inglês da Secretaria de Educação do Estado de Santa Catarina e professora da Faculdade Santa Rita – Chapecó.

Marcelo Jacó Krug é mestre (2004) em Letras pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e doutor (2009) em Filologia Românica pela Christian-Albrechts-Universität zu Kiel na Alemanha. É professor da Universidade Federal da Fronteira Sul, campus Chapecó, Santa Catarina, atuando no curso de licenciatura em Letras Português e Espanhol e no Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Estudos Linguísticos. É líder o Grupo de Pesquisa “Atlas das Línguas em Contato na Fronteira” (ALCF).

Renato Miguel Basso é mestre e doutor (2009) em Linguística pela Universidade Estadual de Campinas, Brasil (Unicamp). É professor da Universidade Federal de São Carlos e bolsista de Produtividade em Pesquisa 2 do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Valdir Prigol é mestre (1999) em Comunicação Social pela Universidade Metodista de São Paulo (1999) e doutor em Literatura (2003) pela Universidade Federal de Santa Catarina. É professor do curso de licenciatura em Letras Português e Espanhol e do Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos da UFFS, campus Chapecó, Santa Catarina. Coordena o grupo de pesquisa Trânsitos Literários. Participa do grupo de pesquisa Lingua(gem), discurso e subjetividade e do Laboratório Fronteiras.

Reitoria

 

Reitor Marcelo Recktenvald

Vice-Reitor Gismael Francisco Perin

Chefe do Gabinete do Reitor Rafael Santin Scheffer

Pró-Reitora de Administração e Rosangela Frassão Bonfanti

Infraestrutura

Pró-Reitor de Assuntos Estudantis Rubens Fey

Pró-Reitor de Gestão de Pessoas Claunir Pavan

Pró-Reitora de Extensão e Cultura Patricia Romagnolli

Pró-Reitor de Graduação Jeferson Saccol Ferreira

Pró-Reitor de Pesquisa e Pós-Clevison Luiz Giacobbo

Graduação

Pró-Reitor de Planejamento Everton Miguel da Silva

Loreto

Secretário Especial de Laboratórios Edson da silva

Secretário Especial de Obras Fábio Correa Gasparetto

Secretário Especial de Tecnologia e Ronaldo Antonio Breda

Informação

Procurador-Chefe Rosano Augusto Kammers

Diretor do Campus Cerro Largo Bruno Munchen Wenzel

Diretor do Campus Chapecó Roberto Mauro Dall’Agnol

Diretor do Campus Erechim Luís Fernando Santos

Corrêa da Silva

Diretor do Campus Laranjeiras do Sul Martinho Machado Júnior

Diretor do Campus Passo Fundo Julio César Stobbe

Diretor do Campus Realeza Marcos Antônio Beal

Chefe do Departamento de Demétrio Alves Paz

Publicações Editoriais

Assistente em Administração Fabiane Pedroso da Silva

Sulsbach

Revisora de textos Marlei Maria Diedrich

Conselho Editorial

Adelita Maria Linzmeier

Ademir Roberto Freddo

Andréia Machado Cardoso

Crhis Netto de Brum

Demétrio Alvez Paz (Presidente)

 

Edemar Rotta

Eduardo Pithan

Izabel Gioveli

Jane Kelly Oliveira Friestino

Janete Stoffel

 

Jeane Barros de Souza

Leandro Henrique Manfredi

Liziara da Costa Cabrera

Marlon Brandt (Vice-presidente)

Roque Ismael da Costa Güllich

Rosangela Inês Matos Uhmann

 

Samira Peruchi Moretto

Siomara Aparecida Marques

Tiago Vecchi Ricci

 

Vanderléia Laodete Pulga

 

Revisão dos textos Autores

Preparação e revisão final Marlei Maria Diedrich

Projeto gráfico Mariah Carraro Smaniotto

Diagramação COMUNICA

(Agência de Comunicação EIRELI)

Capa Mariah Carraro Smaniotto

Divulgação Diretoria de Comunicação Social

Formatos e-PUB, MOBI e PDF

 

E82

Estudos linguísticos da/na Fronteira Sul [livro eletrônico]/ Cláudia Andrea Rost Snichelotto, Mary Neiva Surdi da Luz (Org.). – Chapecó: Ed. UFFS, 2021. – il.

ISBN: 978-65-86545-44-9

1. Linguística 2. Estudos linguísticos 3. Sociolinguística 4. Análise do discurso I. Snichelotto, Cláudia Andrea Rost (Org.) II. Luz, Mary Neiva Surdi da (Org.)

CDD: 410

 

Ficha catalográfica elaborada pela Divisão de Bibliotecas – UFFS

Franciele Scaglioni da Cruz

CRB - 14/1585

Versão digital: setembro de 2022.

Notes

 

Discurso, mídia e política: inquirição e

exame no contexto do escândalo

político do mensalão na era Lula

 

1. Em sua obra “O escândalo político”, Thompson discute certas

regularidades que geralmente formariam uma estrutura sequencial do escândalo político midiático: uma fase pré-escândalo; outra do escândalo propriamente dita; o clímax; e, por último, a fase das consequências. Para o autor, na primeira fase há o ato de revelação da transgressão de normas morais ou códigos morais. Na segunda, instaura-se um processo de afirmações e contra-afirmações que de fato constitui o escândalo. A terceira fase seria o estágio em que o escândalo chega a um ponto crítico: esse momento “pode levar a uma confissão da culpa, uma renúncia, uma demissão e/ou à instauração de um processo criminal, mas pode também resultar no desaparecimento das acusações […]” e na dissipação do escândalo (THOMPSON, 2002, p. 105).

↩

2. A Secretaria de Imprensa da Presidência é responsável por,

entre outras atividades, armazenar transcrições de entrevistas e de discursos do Presidente da República, além de disponibilizá-las para os cidadãos, por meio do portal eletrônico

www2.planalto.gov.br/.

↩

3. Na gravação, o deputado Ronivon Santiago revelou que os

deputados acreanos Chicão Brígido, do PMDB, Osmir Lima e Zila Bezerra, do extinto PFL, também tinham vendido seus votos a favor da Emenda da Reeleição (VEJA, 2010).

↩

4. Ao nos referirmos à crise do mensalão, não compreendemos a

noção de crise como o desarranjo dos equilíbrios naturais de um determinado sistema, já que essa noção se liga à ideia equivocada de um sistema funcionando de maneira harmoniosa e autorregulada internamente. Para o trabalho que empreendemos, entendemos a crise como “uma situação de acúmulo de contradições ou conflitos no domínio do político” (POULANTZAS, 1976, 1977 apud MARTUSCELLI, 2005, p. 49-50).

↩

5. Os autores analisaram os jornais publicados entre 1º de maio

(mês em que eclodiu a crise) e 31 de dezembro de 2005, num total de 245 dias e 1083 editoriais.

↩

6. O editorial do dia 20 de dezembro de 2005, do jornal O Estado

de São Paulo, é um exemplo de atribuição ao presidente desta inexperiência para compreender a realidade: “Ao que se saiba, o presidente Lula não fez psicanálise nem antes nem depois de ascender ao Planalto. Tivesse feito, o terapeuta decerto teria oportunidades de sobra para levar o paciente a perceber a sua propensão para uma operação mental que não chega a ser propriamente rara, mas quando repetida em excesso sugere que a pessoa padece da neurose de escassez de autocrítica e de percepção enviesada da realidade que o cerca. A operação consiste em atribuir aos outros atos condenáveis de autoria própria. No caso de Lula, ou disso se trata ou é caso de má-fé política” (OESP, 2005b).

↩

7. O ex-deputado Roberto Jefferson (PTB) afirmou, em entrevista

para o jornal Folha de São Paulo, em 6 de junho de 2005, que Delúbio Soares, tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) na época, pagava mensalmente uma quantia de trinta mil reais a deputados do Congresso Nacional, para que eles votassem de acordo com os comandos do bloco governista. As declarações de Jefferson sobre essa suposta prática corrupta no Congresso, à qual ele se referiu usando o neologismo mensalão, foram o estopim desse escândalo. Denúncias de

propina a deputados no Congresso Nacional, durante o início do primeiro governo Lula, já tinham aparecido anteriormente na mídia, a exemplo da edição de 22 de setembro de 2004 da revista Veja (“O escândalo da compra do PTB pelo PT”) e da edição de 24 de setembro de 2004 do diário carioca Jornal do Brasil (“Miro denuncia propina no Congresso”/“Planalto paga mesada a deputados”). Entretanto, somente após as declarações de Roberto Jefferson que as denúncias se desdobraram e trouxeram consequências marcantes para o governo federal.

↩

8. Trabalhamos com a concepção foucauldiana de arquivo: “[o

arquivo] é o que faz com que todas as coisas ditas não se acumulem indefinidamente em uma massa amorfa, não se inscrevam, tampouco, em uma linearidade sem ruptura e não desapareçam ao simples acaso de acidentes externos, mas que agrupem figuras distintas, se componham umas com as outras segundo regularidades específicas; […] é o que, na própria raiz do enunciadoacontecimento e no corpo em que se dá, define, desde o início, o sistema de sua enunciabilidade […] [o arquivo] é o que define o modo de atualidade do enunciado-coisa”. (FOUCAULT, 2005b, p. 147, grifos nossos).

↩

9. Foucault (2005a, p. 11) define “práticas judiciárias”: “maneira

pela qual, entre os homens, se arbitram os danos e as responsabilidades”.

↩

10. Em “A verdade e as formas jurídicas”, Foucault analisa Édipo-

Rei de uma maneira inteiramente diferente da que se encontra, geralmente, no campo da psicanálise. Na segunda conferência, ele relembra o trabalho de Deleuze e Guattari, O anti-Édipo, publicado no ano anterior, em 1972, no qual os autores tentaram mostrar que o triângulo edipiano, pai-mãe-filho, não revela uma verdade atemporal, nem uma verdade profundamente histórica de nosso desejo, como o querem, com exceções, os psicanalistas. Indo nessa direção, mas com uma abordagem diferente da de Deleuze e Guattari, Foucault se

interessa pela tragédia sofocliana porque, para ele, ela é fundamentalmente o primeiro testemunho das práticas judiciárias gregas, dentre as quais o inquérito está incluído. Nas palavras do autor: “Parece-me que há realmente um complexo de Édipo na nossa civilização. Mas ele não diz respeito ao nosso inconsciente e ao nosso desejo, nem às relações entre desejo e inconsciente. Se existe complexo de Édipo, ele se dá não ao nível individual, mas coletivo; não a propósito de desejo e inconsciente, mas de poder e de saber. É esta espécie de complexo [o inquérito] que eu gostaria de analisar” (FOUCAULT, 2005a, p. 31).

↩

11. Como se sabe, ao final da tragédia, Édipo acaba interrogando o

antigo escravo de Laio, o pastor, e descobre que este o havia recebido, quando criança, das mãos de sua mãe, Jocasta, para que ele fosse deixado para morrer. Ela havia entregado a criança por causa do oráculo de que o menino mataria seu pai. O servo não deixou a criança morrer e a entregou ao mensageiro, que por sua vez a deu a Políbio, quem a criou. Quando já era “um dos mais notáveis cidadãos em Corinto”, Édipo ouviu de um bêbado que ele era um filho enjeitado. E à revelia de seus pais, Políbio e Mérope, vai a Delfos perguntar a Apolo sobre esse episódio. O deus lhe anuncia o terrível oráculo e lhe diz, ainda, que ele se casaria com sua mãe. Com medo de que a sentença de Apolo se cumpra, Édipo se exila, sem saber que Políbio não era seu pai biológico. Já como rei de Tebas e esposo de Jocasta, ele descobre, por meio da pesquisa, dos interrogatórios que faz e do testemunho do pastor, que o homem que ele havia matado numa tríplice encruzilhada, antes se tornar rei, era seu pai biológico, o rei Laio. Édipo descobre também que sua esposa é, na verdade, sua mãe biológica. Assim, o oráculo de Apolo é cumprido com exatidão (SÓFOCLES, 1997).

↩

12. Foucault relata que após a queda do Império Romano o

inquérito dá lugar a outras práticas judiciárias, como a da prova. O direito feudal, segundo o autor, é essencialmente de tipo

germânico, regulamentado pelo sistema da prova, uma “espécie de jogo de estrutura binária” que funcionava da seguinte forma: “O indivíduo aceita a prova ou renuncia a ela. Se renuncia, se não quer tentar a prova, perde o processo de antemão. Havendo a prova, vence ou fracassa”. Essas provas podiam ser sociais (a importância social de um indivíduo), verbais (pronunciar fórmulas), mágico-religiosas (juramento), corporais (ordálios), duelísticas (lutas) etc. (FOUCAULT, 2005a, p. 58 et seq.).

↩

13. Em suas conferências no Brasil, Foucault esboça uma prévia de

assuntos que seriam tratados com maior profundidade, mais tarde, na obra “Vigiar e Punir”, publicada em 1975. Um deles é o panoptismo, noção derivada do funcionamento do Panopticon, forma arquitetônica elaborada no final do século XVIII pelo jurista inglês Jeremy Bentham, para ser usada na construção de diversas instituições (prisões, escolas, hospitais, casas de correção, fábricas etc.), pois permitia uma vigilância constante e total. Em nosso trabalho, não adentraremos na complexidade das considerações de Foucault a respeito dos desdobramentos do panoptismo enquanto ilustração de mecanismos disciplinares que atravessam toda a sociedade, e nos quais o poder é exercido capilarmente, sendo, portanto, descentralizado ou desunificado.

↩

14. Nessa data, foi aprovado o Manifesto de fundação do PT, pelo

Movimento Pró-PT. Consta neste documento que o Manifesto foi publicado no Diário Oficial da União, em 21 de outubro de 1980 (MANIFESTO, 2010).

↩

15. Esse discurso foi pronunciado no dia 24 de janeiro de 2003, no

Anfiteatro Pôr do Sol, em Porto Alegre. Segue a íntegra do trecho ao qual nos referimos: “[…] qualquer governo, em qualquer país do mundo, pode errar e não acontecerá nada, porque é muito normal que os governantes errem. Mas eu não posso errar. E não posso errar porque não fui eleito pelo apoio de um canal de televisão. Eu não fui eleito pelo apoio do

sistema financeiro. Eu não fui eleito por interesse dos grandes grupos econômicos. E eu não fui eleito por obra da minha capacidade ou da minha inteligência. Eu fui eleito pelo alto grau de consciência política da sociedade brasileira […] volto a afirmar: nós esperamos tanto para ganhar, nós perdemos tanto, sofremos tanto, tanta gente morreu antes de nós, tentando chegar lá, que, por esse acúmulo de compromissos, quero olhar na cara de cada um de vocês e dizer: ‘Eu não vou errar e vou fazer um Governo voltado para os pobres deste país’” (BRASIL, 2009, p. 3-4, grifos nossos).

↩

16. Na época, Melissa Monteiro trabalhava como freelancer da TV

France.

↩

17. Diversos veículos midiáticos abordaram os temas tratados por

Lula nessa entrevista realizada em Paris. Antes desse momento, Lula havia concedido apenas uma entrevista como presidente, em vinte nove de abril de 2005. Porém, nesta data, o escândalo do mensalão ainda não havia estourado.

↩

18. Em suas análises, Dresch (2007, p. 122) aponta que a forma

com que o juiz conduz os questionamentos dirigidos ao réu se mostra determinante para que este sujeito produza um relato contraditório, prevalecendo assim os sentidos acusatórios. A autora analisou as designações de réu em jornais do Rio Grande do Sul e no próprio processo penal, em fases anteriores ao interrogatório, e percebeu que essas designações “servem como indicativo da representação do criminoso que compõem o lugar do réu e tem caráter histórico” (DRESCH, 2007, p. 160).

↩

 

Os saberes sobre a língua na

formação inicial de professores de língua portuguesa

 

1. Este texto é um recorte do trabalho de Pereira (2016).

↩

 

Metáforas do literário

 

1. “A cultura de massa (ou melhor seria dizer a política de massa)

foi vista com toda a clareza por Borges como uma máquina de produzir lembranças falsas e experiências impessoais. Todos sentem a mesma coisa e recordam a mesma coisa, e o que sentem e recordam não é o que viveram. ” (PIGLIA, 2004, p. 45).

↩

2. “A réplica (melhor seria dizer, o universo paralelo) que Borges

erige para esquecer o horror do real. A literatura reproduz as formas e os dilemas do mundo estereotipado, mas em outro registro, em outra dimensão, como num sonho. ” (PIGLIA, 2004, p. 45-6).

↩

3. “A leitura é a arte de construir uma memória pessoal a partir de

experiências e lembranças alheias. As cenas dos livros lidos voltam como lembranças privadas. ” (PIGLIA, 2004, p. 46).

↩

4. “A palavra abalo tem sido ouvida abusivamente. Com relação a

isso, alguma coisa bem poderia ser dita em sua honra. Em momento algum ela vai se afastar do mundo físico e, acima de tudo, vai se ater a um ponto, ou seja: o abalo conduz ao desmoronamento. Querem, pois, dizer – aqueles que nos asseguram de seu abalo a cada premiére ou a cada novidade – que algo neles desmoronou? Ah, a frase que estava estabelecida antes, continua estabelecida depois. Como poderiam também conceder a si próprios a pausa a qual só o desmoronamento pode suceder? Ninguém nunca a sentiu com maior nitidez que Marcel Proust na morte da avó que lhe

pareceu consternadora, mas de modo algum real – até que, à noite, ao tirar os sapatos, lhe vêm lágrimas. Por quê? Porque ele se curvou. Assim, o corpo é o que desperta justamente a dor profunda e pode igualmente despertar o pensamento profundo. Ambos precisam de solidão. Quem alguma vez escalou sozinho uma montanha e chegou esgotado ao topo para em seguida descer com passos que abalam todo o seu esqueleto sabe que, para ele, o tempo se desagrega, as paredes divisórias em seu interior desabam e, através dos cascalhos dos instantes, ele caminha trotando como num sonho. Por vezes tenta parar, mas não consegue. Quem sabe se são pensamentos que o abalam ou o áspero caminho? Seu corpo se tornou um caleidoscópio que, a cada passo, lhe apresenta figuras cambiantes da verdade.” (BENJAMIN, 1995, p. 247-8).

↩

 

Atlas das línguas em contato na

fronteira

 

1. Cada pesquisador tem autonomia para alterar o número de

informantes no seu modelo em Cruz, adaptando o método à sua realidade, porém, no ALCF, teremos oito informantes.

↩

2. As respostas sugeridas são as que denominamos de perguntas

indiretas.

↩

 

Complexidade linguística: o que é e

como medir?

 

1. É interessante lembrarmos ainda que foi o mesmo Schleicher

que procurou associar as línguas naturais à vida em seu

paradigma evolucionário. Numa tal concepção, quase que da mesma forma que um ser-vivo, uma língua nasce, se desenvolve – provavelmente fica mais complexa – e morre, perdendo sua complexidade.

↩

2. “Objective measurement is difficult, but impressionistically it

would seem that the total grammatical complexity of any language, counting both morphology and syntax, is about the same as that of any other. This is not surprising, since all languages have about equally complex jobs to do, and what is not done morphologically has to be done syntactically. Fox, with a more complex morphology than English, thus ought to have a somewhat simpler syntax; and this is the case”. A publicação original é de 1954.

↩

3. Justamente Frederick Newmeyer, um dos primeiros discípulos

de Chomsky, não concorda com a ideia de que, diante da busca de Universais Linguísticos, a discussão da diferença de complexidade entre as línguas seja de alguma maneira um problema menor. Tal discussão, devido a suas inúmeras ramificações, não cabe aqui, no entanto, ela se apresenta bem delineada em Newmeyer e Preston (2014).

↩

4. “[…] the sources of the hypothesis were spread across the

intellectual spectrum, encompassing the notion that language embodies a national worldview and serves as a “magic key” to culture, which can be traced o Johann Gottfried Herder (1744– 1803) and Wilhelm von Humboldt (1767–1835) […]” (KILARSKI, 2014, p. 163).

↩

5. “The explicit dissociation of linguistic complexity from cultural

complexity removed an obstacle to the idea that all humans were inherently equal. Once the dissociation was accepted, it would be useless to seek justification for human inequality on the basis of putative linguistic inequality, thereby removing one obstacle to the conclusion that languages cannot and should not

be ranked in terms of their complexity.” (JOSEPH; NEWMEYER, 2012, p. 351).

↩

6. É importante deixar claro que a complexidade com que lidamos

aqui tem a ver estritamente com a língua, não tendo relação direta com noções ligadas às recentes teorias da complexidade, que nascem no âmbito dos estudos biológicos e, posteriormente, são adaptadas à linguística, bem como a outros campos de estudo científico.

↩

7. Por exemplo, uma sequência como ‘os meninos altos

chegaram’ traz quatro vezes a informação do plural, como mostra o sublinhado; assim, se o ouvinte não ouve a informação de um dado item por conta, por exemplo, de ruídos no ambiente, a marcação repetida em outros itens garantirá a informação do plural. A redundância, apesar de pouco econômica, garantiria a preservação da informação. Por sua vez, a sequência ‘os menino alto chegou’, traz igualmente a informação do plural, porém, agora, marcada num único item. Ou seja, ela é muito mais econômica, pois faz a mesma coisa que a outra sequência com muito menos “custo”. Contudo, a falta de redundância pode fazer com que a informação do plural se perca mais facilmente. Trata-se, na verdade, de um balanço ideal entre “sinal” e “ruído”. A ideia é definir complexidade gramatical justamente na dinâmica custo-benefício dos sistemas linguísticos, sem levar em conta, obviamente, julgamentos normativos que simplesmente não vêm ao caso.

↩

8. Human languages are complex systems, not least because they

need to express complex thoughts. The complexity I am interested in here, however, does not so much concern what one can say in a language – the expressive power of the language – as how it is said. Complexity is here seen, not as synonymous with “difficulty” but as an objective property of a system – a measure of the amount of information needed to describe or reconstruct it.

↩

9. Dahl (2004), embora engajado com Miestamo (2008) e Kusters

(2008) quanto à posição teórica, discorda da noção de complexidade absoluta. Para Dahl, a complexidade absoluta se resume a: quanto mais complexo é cada um dos subsistemas de uma língua, mais complexa ela é.

↩

10. Ornamentos são “aparatos” que a princípio não fariam falta para

o bom trânsito na semântica das línguas. No entanto, na medida em que uma língua envelhece, ela vai ganhando ornamentos. Poderíamos ainda, segundo as noções de Dahl (2004), dizer que os ornamentos são traços que as línguas ganham com o tempo, e que podem servir como reforço para, por exemplo, transmitir informações no uso hodierno da língua. Basicamente, os ornamentos surgem para que a transmissão de informação seja garantida. Mais uma vez, a marca redundante de plural em SNs seria um ornamento. A ‘superespecificação’ de morfemas verbais, marcas morfológicas redundantes de tempo, por exemplo, nos termos de McWhorter (2005), seriam outros exemplos de ornamento.

↩

11. É importante notar que, com o passar do tempo e garantia de

transmissão regular geracional, línguas crioulas vão ganhar todos os ornamentos das línguas mais velhas. Desse modo, a depender de quando for analisada uma dada língua crioula, não será notada como tal, mas já como uma língua velha, com seu desenvolvimento e complexidade previstas. Se isso estiver correto, conforme argumenta McWhorter (2005), ser ou não uma língua crioula é uma característica linguística que depende da idade da língua a ser analisada.

↩

12. “[…] for languages, what is probably relevant is not just the

number of elements, etc., but the amount of information needed to describe them […]” (NICHOLS, 2009, p. 111).

↩

Linguística de corpus: a importância

do uso de ferramentas

computacionais na construção de

corpora linguísticos diacrônicos

 

1. Link para a página principal do projeto:

http://www.tycho.iel.unicamp.br/~tycho/corpus/index.html

↩

2. Abreviatura da época para Companhia.

↩

3. Memória de Leitura é um projeto acadêmico voltado para

pesquisas sobre a história da leitura e do livro no Brasil. Desenvolvido junto ao Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp, é coordenado pelas professoras doutoras Márcia Abreu e Marisa Lajolo.

↩

4. A compra desses CDs foi efetuada com a reserva técnica

disponibilizada pelo CNPq (processo 142121/2009-6).

↩

5. Os três jornais brasileiros foram utilizados para análises sobre a

presença/ausência do sujeito nulo no Português Brasileiro em Gravina (2008).

↩

6. Textos desse jornal foram transcritos pela bolsista Jézica

Tamiris Dortelmann no projeto Levantamento e Transcrições de dados da Imprensa Histórica (edital 053/UFFS/2011).

↩

7. Link com o tutorial para baixar os softwares no computador

http://www.vivaolinux.com.br/dica/OCR-no-Ubuntu-9.04-

utilizando-tesseract-e-gscan2pdf

↩

8. Para baixar a ferramenta eDictor:

http://www.tycho.iel.unicamp.br/~tycho/apps/

↩

9. Seria interessante que, no futuro, fosse acoplado ao módulo de

transcrição do eDictor alguma ferramenta de OCR, talvez o próprio OCR-Tesseract, apresentado nesse estudo, para agilizar a transcrição de textos que estejam em forma de imagens.

↩

10. O presente estudo não possui como objetivo discorrer sobre o

processo automático de identificação de categorias do eDictor, para tal aprofundamento, recomenda-se a leitura de Kepler (2010), Kepler e Finger (2006) e Finger (2000).

↩

11. Para baixar o pacote, acesse

<http://corpussearch.sourceforge.net/>.

↩

12. Link para acessar o manual de notação morfológica e sintática:

http://www.tycho.iel.unicamp.br/corpus/manual/index.html

↩

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