Fenômenos de Telecinesia em Relação aos Acontecimentos de Morte
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Ernesto Bozzano
Fenômenos de Telecinesia em relação aos acontecimen-
tos de morte 6
Título Original em Italiano
Ernesto Bozzano - La psiche domina la materia
Dei fenomeni di telecinesia in rapporto con eventi di morte
Casa Editrice Europa, Verona
(1921)
Eugène Bodin - A paisagem
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Conteúdo resumido
Os fenômenos de telecinesia em sua forma espontânea de mani-festações (trata-se, na maioria dos casos, de retratos que caem ou relógios que param em relação com acontecimentos de morte) oferecem alto valor teórico. E isso por motivos múltiplos, dos quais o principal é o seguinte: a ação física exercida a distância, em semelhantes casos, não pode ser encarada como de natureza puramente mecânica, pois que se exerce sobre um objeto designa-do – o que não se poderia realizar sem o concurso de uma vontade dirigente; ou, em outros termos, sem a presença verídica da entidade espiritual que está em jogo. Daí se segue que os fenôme-nos de telecinesia fornecem bom argumento para demonstrar que o espírito é independente do organismo corporal.
Sumário
Prefácio
Fenômenos de Telecinesia em relação aos acontecimentos de morte ........................................................................................ 6
» Casos de quedas de retratos e outros objetos em coinci-
dência com acontecimentos fúnebres ................................... 10
» Casos de relógios que param em relação com aconteci-
mentos de morte ................................................................... 33
» Fenômenos de telecinesia de aspectos variados, coinci-
dentes com ocorrências de morte ......................................... 42
» Conclusões ........................................................................... 63
Prefácio
Façamos uma ligeira exposição sobre o autor e seus traba-
lhos:
Ernesto Bozzano é um escritor italiano que tem dedicado ul-
timamente a sua atividade ao estudo dos problemas psíquicos. E essa sua atividade tem sido prodigiosa.
Não podemos declarar ao certo o número de seus trabalhos já
publicados sobre o assunto, porque, necessariamente, ao ser impresso este volume já aquele número deveria estar acrescido.
Bozzano é infatigável e inimitável em sua produtividade.
As suas trinta monografias, escritas em italiano, acham-se
completamente esgotadas.
Grande foi, portanto, a nossa dificuldade no traduzir esta
obra, em virtude do obstáculo intransponível de encontrar o original.
A esse respeito escrevia o notável psiquista italiano a esta Fe-
deração, nos seguintes termos:
“É próprio vero che le mie opere sono addirittura
irreperibili in lingua italliana. I miei cinque volumi sono
tutti esauriti e le mie trenta monografie sono, a loro volta,
quasi tutte exaurite. Occorrerebbe pensare a uma nuova
edizione generale dei libri e delle monografie; ma la mia
produzione è oramai così vasta che l’impresa diventa
finanziariamente molto onerosa in Italia.
In merito alle traduzioni francesi delle mie opere La
informo che il mio volume sui Fenomeni d’Infestazione
venne pubblicato dalla Casa editrice Felix Alcan di Parigi,
ed è ancora in vendita.
L’altro mio volume sui Casi d’Identificazione Spiritica
venne pubblicato per cura di Cesare Vesme nel 1914, e
ritengo sia ancora vendibile presso l’Institut Métapsychique
International. In pari tempo La informo che il direttore della
Revue Spirite ha intrapreso la pubblicazione di quasi tutte
le mie monografie in edizioni di piccoli volumi, dei quali
ne furono già pubblicatti tre, che s’intitolano: Phénomènes
Psychiques au moment de la Mort, Les Manifestations
Psychiques et les Animaux, e À Propos de l’Introduction à
la Métapsychique Humaine.”
Veio a propósito essa transcrição, visto como nos é exposta,
por seu próprio autor, a situação atual dos seus livros.
Vemos, assim, que se achavam já completamente esgotados
os seus cinco volumes; as suas trinta monografias, em língua italiana, também já dificilmente se encontravam. Pensou-se em uma nova edição geral das monografias e dos livros; sendo, porém, presentemente, muito vasta a sua produção, a impressão, em Itália, tornava-se, financeiramente, muito onerosa.
Algumas dessas produções encontram-se em língua francesa,
sendo os Fenômenos de Assombração editados pela Casa Felix Alcan, de Paris; os Casos de Identificação Espírita foram publi-cados, em 1914, graças aos cuidados de César Vesme. O diretor da Revue Spirite empreendeu a publicação de quase todas as monografias em pequeno volume, sendo já publicadas três: Fenômenos Psíquicos no Momento da Morte , As Manifestações Metapsíquicas e os Animais e A Propósito da Introdução à Metapsíquica Humana.
É o que nos informa o autor da presente obra.
*
Já em vários outros idiomas começaram a ser também tradu-
zidos os livros do escritor italiano, cujo nome é verdadeiramente conhecido em todo o mundo, dentro e fora dos círculos espiritua-listas.
O seu valor não consiste unicamente na sua extraordinária fe-
cundidade literária, senão também no interesse, na utilidade e na beleza de seus escritos.
É um vigoroso polemista e dir-se-ia que sua missão consiste
em demonstrar a inanidade de todas as hipóteses formuladas em oposição à espírita.
Dotado de profunda erudição, possuidor de invejável espírito
de lógica, é um adversário respeitável com que têm topado os arquitetos da teoria do subconsciente e suas filiais.
Bozzano é bem o descendente dessa raça de artistas que se
têm imposto ao mundo pela magia de suas obras-primas.
A sua pena nunca se maculou na agressão. Por vezes, nas
obras em que revida à crítica materialista, nota-se-lhe o calor daqueles que nasceram sob o céu do sul da Europa e têm nalma os arroubos do talento. Mas a serenidade do hermeneuta não se turba e a sua argumentação segue, imperturbável, até deixar completamente arrasada, aniquilada a construção adversa.
O ardoroso escritor compreendeu que contra fatos não há ar-
gumentos. E toda a sua obra é uma completa exposição de fatos, é a argumentação em torno dos fatos.
No presente livro se encontram os fatos ocorridos por ocasião
da morte. Há por vezes histórias curtas, historietas singelas, mas que nem por isso nos deixam de comover.
Não era outra, aliás, a intenção do autor, senão a de mostrar à
Humanidade que, já com os pés no limiar do outro mundo, podem estes que nos fazem as últimas despedidas dizer-nos o que percebem nesses novos umbrais em que estão prestes a penetrar e que julgávamos insondáveis até agora. É o testemunho dos moribundos. Testemunho insuspeito pela solenidade do momento e indubitável pela lógica dos fatos.
*
Onde mais cresce a nossos olhos o vulto do escritor irmão é
no desprendimento que revela, no desinteresse que demonstra em relação aos proventos materiais que lhe podia trazer a sua vasta produção.
Como lhe perguntássemos ou como lhe perguntasse Antônio
Fonseca, administrador da Livraria da Federação, quais as condi-ções em que permitiria a tradução dos seus livros, por aquela instituição, declarou Ernesto Bozzano, em carta de 5 de novem-bro de 1926:
“Mi affretto a risponderle che io nulla chiedo e nulla
voglio.”
“Apresso-me a responder-lhe que não peço nada e que não
quero nada” – tal foi o gesto generoso do autor do presente trabalho.
Cristãos como somos, e julgando fracos os nossos agradeci-
mentos, esperamos que o autor receba um dia os frutos desse esforço gigantesco que desprende em prol da Verdade, dentro dessa Seara onde militamos também deste outro lado do Atlânti-co, sem outro interesse que o de servir à Humanidade e a Deus.
Rio, novembro de 1927.
Carlos Imbassahy
Fenômenos de Telecinesia em relação aos acontecimentos de
morte
Os fenômenos de telecinesia em sua forma espontânea de
manifestações (trata-se, na maioria dos casos, de retratos que caem ou relógios que param em relação com acontecimentos de morte) oferecem alto valor teórico. E isso por motivos múltiplos, dos quais o principal é o seguinte: a ação física exercida a dis-tância, em semelhantes casos, não pode ser encarada como de natureza puramente mecânica, pois que se exerce sobre um objeto designado – o que não se poderia realizar sem o concurso de uma vontade dirigente; ou, em outros termos, sem a presença verídica da entidade espiritual que está em jogo. Daí se segue que os fenômenos de telecinesia fornecem bom argumento para demonstrar que o espírito é independente do organismo corporal.
Eles se prestam, além disso, a circunscrever a hipótese telepá-
tica em limites mais bem determinados, porque se realizam, por vezes, simultaneamente com manifestações telepáticas – o que conduz logicamente a formular-se conclusões idênticas sobre a gênese das duas classes de fenômenos.
Dever-se-ia, pois, concluir que, se os fenômenos de telecine-
sia, em razão do seu modo de realização, que prova a existência de uma vontade dirigente, só podem ser esclarecidos admitindo-se a presença espiritual do morto em relação com os fatos, temos que admitir o mesmo para grande número de fenômenos telepáti-cos.
Como estes se produzem combinados com os fenômenos te-
lecinésicos, pode-se deduzir que, se os últimos são de natureza espírita, não pode deixar de se dar o mesmo com os primeiros.
Chegados a estas conclusões, devemos, então, circunscrever a
hipótese telepática, considerada na significação de ação a distân-cia entre um cérebro e outro, no campo estreito em que se exerce a transmissão de pensamento propriamente dita, isto é, em um raio de ação que não passe de alguns quilômetros – o que estaria conforme a lei física do quadrado inverso das distâncias, à qual as próprias vibrações do pensamento se não poderiam subtrair.
Se não quisermos encerrar a sua ação em campo tão estreito,
não há outro meio para resolver o problema senão o de admitir que o grupo dos fenômenos conhecidos sob o nome genérico de telepatia compreende em realidade manifestações de diferentes espécies.
Quando eles se produzem em curta distância, poderíamos
identificá-los com a transmissão do pensamento (compreendida na significação clássica de um sistema de vibrações psíquicas que se espalham por ondas concêntricas de um cérebro a outro). Mas o mesmo não aconteceria quando os fenômenos se manifes-tam além de certo limite; neste caso poderíamos ainda chamar-lhes telepáticos, não porém com a significação vibratória, antes na de comunicação direta entre um Espírito e outro.
Enfim, seríamos levados a reconhecer que, nas duas categori-
as de manifestações, podemos encontrar episódios que, sendo absolutamente análogos aos telepáticos, pertencem em realidade à classe das manifestações espíritas propriamente ditas (impli-cando a presença local do Espírito que acaba de desencarnar), ou bem um fenômeno de comunicação telepático espírita entre um morto e vivos, e que, algumas vezes, pertence à classe de fenô-menos de bilocação (implicando a presença, no lugar, do Espíri-to de um vivo, mergulhado nesse momento em sono natural ou provocado).
Estas considerações mostram a importância teórica dos fenô-
menos de telecinesia, em sua forma espontânea de realização. Eles estão, entretanto, entre os mais esquecidos da fenomenolo-gia metapsíquica, o que é devido a não podermos encará-los do ponto de vista científico, por não apresentarem modos de reali-zação bastante complexos para serem considerados como fatos reais. Com efeito, não se pode facilmente eliminar, por eles, a objeção das “coincidências fortuitas”.
Apresso-me, entretanto, a notar que esta objeção não poderia
ser vista como bem fundada, senão na hipótese absurda de se discutirem os casos insuladamente. Mas tal não é admissível.
Se um retrato caído ou um relógio parado em relação com um
acontecimento de morte não provam absolutamente nada; se encaramos tais casos como simples “coincidência acidental”, não podemos deixar, no entanto, de convir que estas coincidências se repetem cem vezes, em relação com cem casos de morte; ora, esse acúmulo de coincidências faz ressaltar a prova incontestável de uma relação de causa e efeito entre os dois acontecimentos.
É preciso, aliás, não esquecer que se conhecem casos que
contêm detalhes inconciliáveis com a hipótese das coincidências fortuitas, como o faremos notar em momento oportuno.
É desejável que, de futuro, se reconheça o valor teórico dos
fenômenos de telecinesia espontânea e, por conseqüência, che-guemos a acumular em proporções suficientes o material bruto indispensável para autenticar-lhes a existência e estudar-lhes a gênese-material.
Eles não abundam na hora presente, porque as obras e revis-
tas metapsíquicas muitas vezes não os publicam. Sabe-se, no entanto, que os fenômenos dessa espécie se produzem com freqüência bem impressionante e que ocupam um importante lugar nas tradições de todos os povos.
Isto é conhecido pelos médicos, pelos padres, pelos enfermei-
ros, por todos os que, por necessidade profissional, se acham de contínuo em contacto com acontecimentos de morte.
Eis em que termos escreve sobre o assunto ao diretor da
Light, de Londres, um armador funerário:
“Tendo estado durante muitos anos ao serviço das pom-
pas fúnebres e conhecendo, assim, as manifestações que se
relacionam com acontecimentos de morte, transmito-lhe
minhas observações sobre o assunto; elas podem oferecer
certo interesse aos seus leitores.
Os relógios que param, sobretudo os de balancim, em
ocasião dos acontecimentos de morte, são fenômenos dos
mais freqüentes e constituem objeto de conversações e in-
quéritos em grande número de famílias visitadas pelo infor-
túnio.
Os retratos que caem, os instrumentos musicais que to-
cam espontaneamente, em coincidência com a morte, vêm
imediatamente depois na ordem de freqüência.
Muito mais raro é que um relógio esquecido desde muito
tempo, estando estragado, se ponha de repente a trabalhar,
por ocasião de um falecimento na família.
Fatos desta espécie se produzem tantas vezes que se tor-
nam familiares às pessoas ligadas ao serviço das pompas
funerárias. Por minha parte, estou em condições de fornecer
grande número de exemplos de relógios que param, em
coincidência com casos de morte, mas me abstenho, por
enquanto, a fim de não tomar o espaço de suas colunas.”
(Light, 1898, pág. 107.)
Depois dessa exposição, destinada a esclarecer o tema a que
me proponho, passo, sem mais, à citação dos casos.