Fenômenos de Telecinesia em Relação aos Acontecimentos de Morte
Chegado ao fim desta classificação e querendo resumir as
Conclusões
Chegado ao fim desta classificação e querendo resumir as
considerações sugeridas pela casuística, começarei por lembrar o que tenho notado desde o começo: que embora a significação teórica das seis categorias nas quais dividimos as manifestações de música transcendental seja única em substância, pois que convergem todas para a demonstração de uma gênese extrínseca das manifestações expostas, nota-se, entretanto, uma diferença importante entre as duas primeiras categorias (constituindo cada uma um grupo à parte), e as quatro outras que formam, pelo contrário, um só grupo homogêneo.
Com efeito, os modos de realização próprios aos fatos conti-
dos nas duas primeiras categorias são radicalmente diferentes dos relativos aos fatos recolhidos nas outras quatro; aliás, não é a mesma a sua significação como fenômeno.
Na primeira categoria são manifestações musicais por inter-
médio de um médium, por conseqüência de natureza experimen-tal e além disso objetiva, pois que se trata, ainda, de percepção acústica de ondas sonoras, com a diferença de que o fenômeno se realiza de maneira supranormal; algumas vezes, sem nenhum instrumento de música, outras, com instrumentos, mas sem o concurso direto de um médium; em outras ocasiões, enfim, com o concurso de um médium, mas de forma puramente automática.
Todos esses modos de realização poderiam ser espíritas ou
anímicos, segundo os casos; são, porém, radicalmente diversos daqueles pelos quais se realizam as quatro últimas categorias, nas quais as manifestações não são mediúnicas, nem experimen-tais, nem objetivas; nesses casos não havia vibrações sonoras segundo as leis da acústica, mas percepções subjetivas de vibra-ções psíquicas, segundo as leis do espírito.
Sob um ponto de vista diferente, os modos de realização pró-
prios da segunda categoria não oferecem nada de comum com as quatro últimas. Naquela, os casos telepáticos de música trans-cendental em nada diferem dos pertencentes a essa mesma classe e não oferecem, portanto, valor teórico especial; constituem uma das numerosas formas pelas quais se realizam as manifestações telepáticas e é tudo.
Como é então possível explicá-las por essa mesma hipótese,
não trazem nenhuma contribuição ao problema que diz respeito à existência da música transcendental propriamente dita, que é a encarada nas quatro últimas categorias.
E estas quatro categorias, embora se diferenciem radicalmen-
te das duas outras, não assumem todas o mesmo valor teórico.
Entre elas há as que não oferecem nenhuma base sólida à in-
vestigação científica e apenas indiretamente adquirem importân-cia cumulativa, em razão das induções cientificamente legítimas extraídas do conteúdo das outras categorias.
Na primeira categoria do 2º grupo (3ª da classificação), ocu-
pamo-nos das manifestações musicais atribuídas a “assombra-ções”. Mostramos que aí se encontravam circunstâncias que permitiam eliminar a hipótese alucinatória, pois muitas vezes os percipientes ignoravam que os lugares fossem “assombrados” e que neles se produzissem audições musicais transcendentes.
Apesar disso, uns, independentes dos outros, percebiam essa
música.
Outro tanto se pode dizer da hipótese psicométrica, que foi
eliminada por múltiplas considerações inconciliáveis com a mesma hipótese; havia, sobretudo, a circunstância de em certos episódios cessar bruscamente a audição musical que se produzia a distância do lugar “assombrado”, quando os percipientes dele se aproximavam; ora, era precisamente o contrário o que se devia dar com as percepções psicométricas.
É claro que, uma vez afastadas as hipóteses alucinatórias e
psicométricas, só haveria recurso à hipótese espírita, pela qual seria possível explicar, de maneira satisfatória, todos os modos de realização dos fenômenos estudados.
Na segunda categoria do grupo de que tratamos (4ª da classi-
ficação), examinamos as manifestações de música transcendental percebida sem qualquer relação com acontecimentos de morte ou de outras circunstâncias que pudessem indicar causas extrínsecas em ação; é a categoria da qual dissemos não ser oferecida ne-nhuma base sólida para as pesquisas científicas.
Efetivamente, ela dá margem à crítica, visto como seria pos-
sível atribuir uma gênese alucinatória a todas as manifestações que se realizam dessa maneira; conclusão que seria legítima e inevitável se as manifestações de música transcendental se limitassem a essa categoria de percepções estritamente pessoais; mas como tal não se dá, e essa categoria apenas constitui um ramo de complexa classe de manifestações do mesmo gênero, é lícito e necessário considerar a categoria aludida em suas rela-ções com a classe inteira das manifestações, conforme os méto-dos de investigação científica.
Assim procedendo, fomos levados a concluir que tudo contri-
bui a provar que os episódios contidos na categoria de que falamos são produzidos pelas mesmas causas transcendentais que determinaram os outros casos, tanto mais quanto, num dos casos citados, nota-se um incidente que parece apoiar esta conclusão.
A terceira e a quarta categorias (grupo V e VI da classifica-
ção) contêm os casos que se produzem no leito de morte e os que se dão após um acontecimento de morte. Com estes casos se entra em pleno domínio da interpretação espírita dos fatos. Abundam as provas nesse sentido, provas que excluem definiti-vamente as hipóteses contrárias. Primeiro, porque as manifesta-ções musicais se realizam muitas vezes combinadas com apari-ções de defuntos no leito mortuário, tendo freqüentemente um valor de identificação espírita; éramos assim levados a concluir legitimamente que a hipótese que explica os últimos devia também servir para explicar os primeiros. Depois, porque as hipóteses sugestiva, auto-sugestiva e alucinatória são eliminadas pela existência de um grupo de casos de percepção coletiva e sobretudo pela circunstância de que em muitos dos casos em análise o moribundo não participava da audição coletiva de música transcendental, o que exclui qualquer possibilidade de explicar os fatos supondo uma alucinação que tivesse origem na mentalidade do moribundo, donde fosse transmitida telepatica-mente aos assistentes.
Essas conclusões são enfim confirmadas por casos de música
transcendental que se produzem depois de um acontecimento de morte, circunstância que serve para afastar definitivamente a hipótese contida implicitamente na objeção a que fizemos alu-são: a da telepatia entre vivos.
É manifesto, com efeito, que não se pode recorrer a esta hipó-
tese quando os fenômenos de música transcendental se produzem 15 dias, três meses após o passamento do indivíduo em relação com os fenômenos de que se trata, e isso tanto menos quando estes de repetem durante anos, em datas fixas – circunstância muito importante, porque mostra a existência de uma intenção vigilante, o que se não pode certamente explicar pela telepatia entre os vivos. Noto, além disso, que na categoria a que nos referimos encontram-se casos complexos que podem constituir boas provas de identificação espírita; exemplo: quando, simulta-neamente a uma manifestação musical no leito de morte, o doente percebe o fantasma do defunto diretamente visado pela manifestação; e isso com o precedente muito notável de nem o moribundo nem os assistentes terem conhecimento da morte da pessoa aparecida no leito mortuário.
Daí se verifica que as manifestações de música transcenden-
tal, posto que constituam apenas modesto ramo da árvore impo-nente e ricamente frondosa das manifestações supranormais, contribuem, no entanto, elas também, para demonstrar a verdade, que há muitos anos se esforça o autor para tornar manifesta por meio de longa série de monografias: que os numerosos ramos da Metapsíquica, quando são analisados sem idéias preconcebidas e com método rigorosamente científico, convergem todos, como a um centro, para a demonstração experimental da existência e da sobrevivência da alma.
Sabemos que no domínio científico não se pode fornecer uma
prova melhor em apoio de uma hipótese que aquela graças à qual se mostra que uma multidão heterogênea de fatos convergem todos a provar o seu bom fundamento. É o que se chama a prova crucial ou a prova das provas e a hipótese que delas sai vitoriosa transforma-se em verdade solidamente adquirida pela Ciência; mas as hipóteses científicas que chegam a constituí-la são bem raras. Pois bem, desde agora podemos afirmar, sem receio de erro, que a hipótese espírita saiu vitoriosa dessa prova; as 24 monografias publicadas pelo autor, precisamente com o fim de submeter a hipótese espírita à prova das provas, bastam para demonstrá-lo.
FIM
Notas:
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Ernesto Bozzano