Fenômenos de Telecinesia em Relação aos Acontecimentos de Morte

O que acabamos de dizer no capítulo…

Conclusões

 

O que acabamos de dizer no capítulo anterior pode ser consi-

derado como a conclusão sintética desta obra, isto é, que os fenômenos de telecinesia em relação com os acontecimentos de morte, se bem que totalmente descurados pelas pessoas que se ocupam com os estudos metapsíquicos, constituem fenômenos autênticos e contribuem validamente para demonstrar a existên-cia e a sobrevivência da alma.

Nestas condições, só me resta completar esta síntese, resu-

mindo brevemente as modalidades com as quais se produzem os fenômenos apresentados e as considerações teóricas que deles decorrem.

Os primeiros fenômenos telecinésicos que apresentamos na

presente classificação se exercem sobre quadros ou retratos. Pôde-se ver que, geralmente, sua queda não se produz por se haver desprendido o prego da parede, nem pela ruptura da alça fixada ao quadro, nem em conseqüência do uso do cordão que o sustém, mas independentemente de qualquer causa natural, o que milita em favor da origem supranormal dos fatos e infirma a hipótese das coincidências acidentais.

Esta é em seguida definitivamente eliminada pela razão de

que os fenômenos se realizam com muita freqüência e contêm pormenores bastante eloqüentes e significativos, que não podem ser esclarecidos por hipótese tão simplista.

Lembrarei, ainda, que citamos fenômenos telecinésicos reali-

zados de um continente a outro, o que permite eliminar a hipóte-se vibratória, segundo a qual uma força física se desprenderia do organismo do moribundo e se propagaria a distância por ondas concêntricas, provocando fenômenos de telecinesia; essa hipóte-se é insustentável sob diversos pontos de vista e não resiste à consideração de que toda a sorte de vibrações físicas não pode deixar de ser submetida à lei do quadrado inverso das distâncias, e seria incapaz de atravessar o oceano, conservando toda a sua potência.

Além disso, já citamos episódios que, em vez de se realiza-

rem no momento da morte do agente, se produzem na ocasião em que seus familiares recebem a notícia do falecimento; isso anula a hipótese vibratória e confirma a suposição lógica e inevitável da presença consciente da entidade espiritual do trespassado.

Vimos que há incidentes que, depois de realizados por ocasi-

ão da morte do agente, se repetem nos dias subseqüentes e não cessam senão quando é satisfeito um desejo supremo manifesta-do no leito de morte pelo agente – o que não pode conciliar-se com a hipótese vibratória e prova de forma incontestável a presença, no lugar, da entidade espiritual do defunto que faz conhecer, nesses casos, o motivo pelo qual se manifesta.

Acrescento ainda que há outros episódios nos quais o fenô-

meno telecinésico se realiza no momento em que é evocado o defunto; parece que o fato de pensar nele e desejá-lo serve para estabelecer a relação psíquica entre o evocador vivo e o evocado morto, tal como se produz com os fenômenos telepáticos. Não se poderia negar, neste caso, que a realização do fenômeno teleci-nésico constitui uma prova evidente da intervenção do trespassa-do, desejoso de fazer conhecer sua presença espiritual à pessoa que dele se recorda.

Lembro, em último lugar, que os 5 casos registrados acima,

que continham promessas explícitas, formuladas durante a vida e cumpridas depois do trespasse, constituem provas genuínas de identificação espírita.

Farei ainda observar, sob outro ponto de vista, que entre os

fenômenos telecinésicos há os que se realizam ao mesmo tempo que os telepáticos; tal fato mostra sua identidade de origem e, por conseguinte, a fonte espírita de grande número de episódios considerados até aqui como sendo de natureza telepática. A hipótese telepática acha-se, assim, circunscrita a limites mais modestos, ou sua significação, pelo menos, é em parte modifica-da e em parte retificada, sendo-lhe assinadas lindes melhor definidas.

Reparo, finalmente, que já contamos um caso de telecinesia

onde o agente era um vivo, o qual, precisamente no instante em que o fenômeno se realizava, fora vítima de um acidente de estrada de ferro, sem conseqüências fatais para ele.

Isto se presta a melhor fazer conhecer a relação íntima que

liga os fenômenos anímicos aos espíritas; em outros termos: contribui a mostrar que Animismo e Espiritismo representam os dois aspectos complementares de um único problema que não pode dissociar-se.

Tal é a síntese dos fatos, de que sobressai, manifesta, a reali-

dade do que afirmamos a princípio: que os fenômenos de teleci-nesia em relação com acontecimentos de morte fornecem nova e valiosa prova em favor da sobrevivência do espírito humano, pois não é possível explicá-los sem admitir a presença espiritual, sensorial e consciente do defunto, em correspondência com os fenômenos que seriam determinados por um ato de sua vontade, com o fim de fazer conhecer sua presença espiritual pela única forma que lhe é possível.

Com efeito, é mister não esquecer que os Espíritos desencar-

nados se manifestam como podem e não como querem e que todo incidente supranormal, apesar de sua singeleza e vulgarida-de, pode constituir uma demonstração solene da existência e da sobrevivência da alma, quando atinge o fim de convencer os vivos da presença espiritual dos mortos.